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86 🔞 – Revelando segredos (parte 2 de 2)

Dia 26 — Pattaya


Quatro membros da famĂ­lia Kittichat,  acompanhados por seis guarda-costas,  entravam no prĂłprio clube,  numa sala privada onde daĂ­ a trinta minutos acontecia o encontro com o Satanás.


O Nai e a Kira preocupavam-se que confiar no estranho «assistente» do Fai, que ninguém conhecia nem vira, pudesse ser perigoso para toda a família. Se algo corresse mal, a probabilidade de não saírem vivos dessa sala era extremamente alta.


O Hima e o Fai sorriam, sentados de braço dado. NĂŁo pareciam minimamente preocupados com o encontro que se aproximava. Num instante, a cara do Fai mudou, e ele ficou de pĂ© atrás do loiro sentado. 

A pedido do Diabinho,  todos estavam vestidos como se nĂŁo tivessem ido a uma reuniĂŁo importante, mas saĂ­do a passear pelo recinto da mansĂŁo.


— Daqui a cinco minutos temos convidados. — o Fai disse, a pousar as mĂŁos no ombro do amado. — MĂŁe, pai,  sentem-se no sofá. Os convidados devem ficar junto Ă  janela. DĂŞem ao atirador deles a possibilidade de acompanhar as negociações. — o Fai sorriu. O casal foi para um pequeno sofá junto Ă  parede oposta Ă  janela.


A gerente bateu Ă  porta, a anunciar que o convidado chegara. O Hima acenou, a sorrir. E entraram primeiro dois guarda-costas, depois dois homens de fato,  e depois mais dois. Os guarda-costas da famĂ­lia Kittichat ficavam na sala ao lado, excepto o Stas e o Kai. Os rapazes nĂŁo ficaram atrás dos chefes,  mas sentaram-se ao fundo num cantinho a bebericarem sumo, por ordem do cachorrinho.


— Voltámos a encontrar-nos, Madame Kira! — disse um homem de cabelo curto com uma gola alta, a franzir as sobrancelhas.
— Olá, Sr. Rodrigues! — o Fai sorriu para o interlocutor, a desviar o olhar para o segundo homem atrás: — Sr. Mejia, podia a imitação calar-se,  e discutirmos a situação? Ah,  nĂŁo me apresentei,  chamo-me Fai Kittichat.


Os dois entreolharam-se, chocados com o conhecimento do rapazinho.


— Do que está a falar? — o Rodrigues perguntou,  de pĂ© junto Ă  janela, a bloquear a vista para o Mejia.
— O senhor, Alejandro Rodrigues, quarenta e quatro anos. Há dezassete anos faz-se passar pelo Satanás, a assumir tudo. O homem atrás de si Ă© como o seu braço direito,  Facundo Mejia,  quarenta e seis anos,  o verdadeiro chefe da MS-13. O senhor concordou em tornar-se o Satanás quando o seu chefe teve uma filha… A Constância já Ă© uma rapariga crescida, nĂŁo Ă©,  Sr. Facundo? E muito bonita… Em breve o seu tesouro faz dezoito… — o Tigre disse com calma, a enrolar os caracĂłis no ombro do marido, que cobria com as mĂŁos a reação envergonhada ao amado.
— O que te permites, rapazinho?! — o Mejia não resistiu, a avançar para o Fai.


O Stas e o Kai de imediato se levantaram das cadeiras. Mas voltaram a sentar quando o Tigre ergueu a mĂŁo, a dar ordem para nĂŁo interferirem.


— Tenho a mesma pergunta. O que Ă© que VOCĂŠS se permitem? — a virar o olhar sĂ©rio dos guarda-costas para o Alejandro,  o Fai carregou no «vĂłs». — Recusaram cooperar com a minha mĂŁe porque ela Ă© uma mulher bonita. Como disse o senhor? «Uma boneca como a senhora, na máfia sĂł serve de decoração,  nem roubar consegue!» E quando o tanque desapareceu, mandou o EstevĂŁo encontrar uma alavanca de pressĂŁo sobre a minha mĂŁe. E o que temos agora? Tem dois navios no fundo do oceano,  uma data de pessoas mortas, e veio aqui para… para quĂŞ? Ameaçá-la? Exigir compensação? Mas FOI O SENHOR que se meteu nesta situação, nĂŁo tenho razĂŁo, Sr. Facundo? — o Tigre voltou o olhar para o Satanás: — O que faria se fosse a minha mĂŁe, quando se recusassem a trabalhar consigo por causa de uns estereĂłtipos estĂşpidos? Se tentassem raptar a Constância,  o que faria a quem se atrevesse?
— NĂŁo podemos fechar acordo convosco,  porque já trabalhamos com o Sr. Voevoda. Oferece excelentes descontos pela oportunidade de ser o Ăşnico fornecedor russo… — o Mejia admitiu,  a perceber para onde o Fai apontava.
— Tenho uma proposta para o senhor. — a Kira falou, exatamente conforme o plano do Diabinho amado. 

Os dois voltaram o olhar para ela. — O tanque que roubei pertencia ao Walter, certo? — ela sorriu com um sorriso matreiro, que fez os dois sentirem-se desconfortáveis. Eles acenaram. — Isso significa que ELE não cumpriu os termos do contrato de segurança da carga, e deve compensar o prejuízo. E ao mesmo tempo as famílias das pessoas que morreram nos navios. Navio-tanque, navio de escolta, equipamento, armas e munições. Não estou a falar do facto de a vida marinha estar agora a aproveitar cento e cinquenta quilos de heroína no fundo do oceano… Para ele não é uma soma assim tão avultada, mas se se recusar a compensar, pode mudar de fornecedor. Só que nem nós nem o Sr. Lukianov vendemos droga.
— E ainda… nĂŁo tocam na nossa famĂ­lia, e nĂłs nĂŁo nos metemos na vossa… — o Hima falou,  a erguer a cabeça, a olhar nos olhos escuros do Tigre. E depois virou os olhos para o Alejandro, a dizer o que o Smart lhe transmitia no auricular. — O meu cĂ´njuge e o seu brilhante assistente podem encontrar qualquer informação… Por exemplo… O Fai sabe a razĂŁo pela qual concordou em tornar-se o Satanás…
— Do que ele está a falar, Alex? — o Facundo voltou-se, porque nem ele sabia porque Ă© que, mesmo antes do parto da Maria,  mal começara a falar da necessidade de um homem que todos considerassem o chefe da gangue,  o Alejandro propusera de imediato a candidatura.


O homem ficou ligeiramente pálido,  e nos olhos havia um pedido de silĂŞncio.


— Cabe ao Sr. Rodrigues decidir contar-lhe ou não. Só para os dois saberem… — o Hima estendeu aos homens um tablet, em que as câmaras do centro comercial transmitiam um vídeo da Constância a passear com a amiga. — Não é uma ameaça, senhores. Estão a fazer negócios com o Klahan, certo? Eu e o meu cônjuge podemos oferecer cooperação, mas sem drogas…
— Ouvi-vos. Peço desculpa pelos comentários pouco lisonjeiros sobre si, Madame Lebed. Se decidirmos cooperar, o Alejandro contacta pessoalmente. — o Mejia falou. O Rodrigues acenou.
— Oh, a filha do senhor gosta de raparigas… ou melhor, de uma rapariga… Olívia Moran. O irmão dela… Não queria que Nova Iorque se transformasse em cinzas… Mas posso dizer que não são nossos inimigos… — o Fai sorria, a olhar para o pai da rapariga, que ao que parecia não sabia de nada.
— Sabias?! — o Facundo voltou-se para o Alejandro. Ele baixou o olhar. — Há quanto tempo?
— Há dois anos a Konsta contou… Pediu para não dizer, tinha medo que não entendesse… — o homem admitiu, a desviar o olhar do amigo…
— Terão dezanove horas para discutir tudo no avião, senhores… — o Hima sorriu, a perceber que havia a probabilidade de hoje o Alejandro contar não só da Kostância, mas também dos seus sentimentos pelo amigo.
— Tem razĂŁo… temos MUITO para discutir,  nĂŁo temos, Alex?! — o homem franziu as sobrancelhas,  a olhar para aquele que fora a sua sombra há mais de vinte anos, a encaminhar-se para a saĂ­da da sala.
— Tudo de bom. — o Fai se despediu em voz alta e com um sorriso. E depois disse quase inaudivelmente: — Alejandro, seja corajoso, e os sonhos tornam-se realidade.


— O problema com a MS-13 resolvemos… — o Nai expirou. E depois viu os olhos a brilhar da mulher, a tirar o telemóvel da mala. Suspirou pesadamente…


📞 — "Orphi,  meu menino! Tenho excelentes notĂ­cias! Mas primeiro… vais contar-me o quĂŞ, ou melhor,  quem, estás a esconder de mim?" — a Kira falou como sempre num tom que os rapazes reconheciam como o do comboio sem travões a velocidade máxima…

📞 —  [NĂŁo percebo do que falas, mĂŁe!]

📞 — "Confessa! Quem é? Ele ou ela?" — a mãe exigia resposta, sem suspeitar que com estas palavras apenas aumentava o medo dentro do Dark.

📞 — [Ninguém! Estás a ligar para dizer que podemos voltar, pois não? Ótimo! Não volto à mansão, vou diretamente para o aeroporto mais próximo!] — o Orfeu elevou o tom irritado, e desligou.


A Kira tentou marcar mais algumas vezes ao espertalhão que se atreverá a levantar a voz com ela, mas a voz de uma mulher dizia que o telemóvel do assinante estava desligado.


— Há algo errado, mãe? — o Fai perguntou, ao ver a raiva nos olhos da mulher a transformar-se em preocupação.
— Desligou… Disse que ia para o aeroporto… E desligou o telemóvel. — ela respondeu. E nesse momento o Leo telefonou ao Fai.


📞 — [Khun Fai…] — a voz baixa deixou o cachorrinho em alerta. E ele pôs de imediato em altifalante.

📞 — "Estás em altifalante Leo. O que se passa?" — o Fai perguntou. E ouviu uma resposta que não esperava ouvir.

📞 — [O Khun Dark pegou nas chaves do carro e foi para o aeroporto. Disse que já tinha o bilhete,  e o voo Ă© daqui a duas horas…] — o Leo reportou com a mesma calma. Mas o Hima e o Fai ouviam nesse tom calmo uma histeria silenciosa.

📞 — "Por que não o impediram?" — o Hima perguntou, porque esperava tanto que estes dois fossem os únicos capazes de curar o coração do Orfeu.

📞 — "Ele Ă© o nosso chefe… É a escolha dele,  a vida dele… SĂł podemos aceitar a decisĂŁo.] — o Leo respondeu no mesmo tom.

📞 — "O aeroporto internacional mais prĂłximo Ă© o de Suvarnabhumi. Fica a noventa e cinco quilĂłmetros de Saraburi. O Orfeu comprou o bilhete para Berlim logo depois de falar com a mĂŁe. TĂŞm mesmo a certeza de que nĂŁo vĂŁo atrás dele,  Leo? — o Fai decidiu confirmar, embora percebesse que o Leo tinha razĂŁo: o Dark tinha de superar os medos por conta prĂłpria.

📞 — [Sim, Khun Fai. O Gui e eu volvemos de táxi para Banguecoque…] — o rapaz reportou. E ao ouvir a concordância do chefe, desligou.


— Temos de voltar… Conto-te tudo no caminho,  mĂŁe. — o Hima ficou aborrecido. O cachorrinho deu-lhe uma palmada no ombro,a confortá-lo.


No caminho para casa o sinal era mau, e nalguns sĂ­tios nĂŁo havia. Chegaram a casa em pouco menos de duas horas. O Hima contou Ă  mĂŁe sobre o Dark e os Twixes. Os pais ficaram primeiro em choque, mas de imediato preocuparam-se com os dois rapazes abandonados. A alguĂ©m mas a eles estava agora a ser mais difĂ­cil. O Hima e o Fai foram de imediato ao duche depois da viagem longa e difĂ­cil, e o auricular ficou na caixinha na mesa de cabeceira,  ao lado do telemĂłvel.


Quando desligaram a água, o Fai ouviu o alerta incessante do Smart.


— Smart, o que se passa? — o cachorrinho perguntou, a saltar do duche nu.


📡 ‹Chefe,  o aviĂŁo Suvarnabhumi-Berlim caiu há dez minutos. NĂŁo há sobreviventes…› — o assistente respondeu pelo altifalante do telemĂłvel. E as pernas do rapaz dobraram-se, e o Hima agarrou-o.


— O que vai acontecer ao Leo e ao Gui quando souberem? — o primeiro pensamento foi para os rapazes — que deviam voltar para a mansão a qualquer momento…


Vestiram-se depressa, e desceram para a sala de estar,  a ligar a televisĂŁo no canal de notĂ­cias. O auricular e os telemĂłveis ficaram no quarto.


A porta abriu-se,  e o Leo entrava em casa com o Gunnar,  olhos inchados e vermelhos,  a apertar contra si o peluche da vaquinha. Exactamente nesse momento a apresentadora das notĂ­cias falava sobre o aviĂŁo acidentado.


📺 ‹De acordo com dados preliminares dos serviços de emergĂŞncia a trabalhar no local do acidente,  nĂŁo há sobreviventes. A caixa preta já foi recolhida para análise. Recordo que os familiares das vĂ­timas do voo Suvarnabhumi-Berlim devem contactar o aeroporto mais prĂłximo para confirmar os dados… A lista de passageiros pode ser vista no ecrã…›


Bang…


A vaquinha caiu das mĂŁos do Gunnar, e ele e o Leo ajoelharam-se, a gritar de dor.


— Pi'Var! Chamem o Var! A urgência! — o Fai comandou, a correr para os rapazes.


Estes dois nĂŁo ouviam as palavras de ninguĂ©m,  enquanto na cabeça, como em repetição, estavam os olhos assustados do amado que pegara nas chaves, e dissera que ia para o aeroporto…

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