84 🔞 – Filho amado (parte 2 de 2)
De volta ao dia em que o Orfeu partiu
Quando os rapazes arrumaram as malas no porta-bagagens, e o carro saiu do portão, o Dark mandou estacionar na berma.
— Khun Dark, não pode sair do carro até chegarmos lá. — o Leo respondeu com seriedade, mas ao mesmo tempo com cuidado, enquanto o Gui continuava a conduzir.
— Não tencionava sair, és tu que sais e te sentas comigo… — o Orfeu afirmou num tom como se o Leo tivesse dito uma estupidez galáctica.
— Acabámos de sair, não há ninguém atrás de nós, e o desvio mais próximo ainda fica a vinte e cinco quilómetros… — o homem bonito afirmou sem discussão. O Gui ligou os piscas de emergência, a encostar.
O Leo foi para o banco de trás com o Dark, a perceber que o amado estava furioso com eles por insistirem em mandá-lo para longe… E embora o Orfeu não percebesse a mensagem do casal, embora estivesse furioso com eles por isso, não tinha a mínima ideia de como era difícil para aqueles dois dizer aquelas palavras, a insistir repetidamente que ele tinha de estar longe… Estavam gratos ao Fai pela perspicácia, e por esta viagem, em que teriam mais algum tempo para que o Dark não quisesse ir embora…
Das reflexões o Leo foi arrancado pelas mãos quentes que já desabotoavam a camisa:
— Khun Dark…
Mal começara a chamar o amado pelo nome para se desculpar , a boca foi fechada por uma mão.
— Cala-te! Perdeste o direito de falar primeiro comigo no momento em que propuseste à minha mãe essa ideia estúpida de ir para Londres! — o Dark atirou com raiva, a reclinar o assento na horizontal.
— Desculpe-me, Khun Dark… — o Leo pediu desculpa com sinceridade, a olhar para o Orfeu com olhar de cachorrinho.
Merda… que merda é esta?! Um olhar, e estou pronto para lhe perdoar tudo… — o Dark pensou, a olhar para o homem à frente.
— Chupa o perdão! — o Orfeu ordenou, a deitar-se, a ver o olhar ganancioso com que o Gui os espreitava pelo retrovisor.
O Leo abriu silenciosamente o fecho das calças do chefe favorito, a tirar das cuecas o cetro da paixão a meio mastro. O odor do corpo do Dark excitava o rapaz, e ele lambeu os lábios, a pôr a cabeça na boca, a chupar com força…
— M-m-m-m… Quando a tua boca está ocupada assim, gosto muito mais do que quando diz disparates, Nong Leo… ah… — o Orfeu dizia com voz lânguida, quase a sussurrar, a esfregar os cabelos da nuca do rapaz, que a cada movimento se afundava mais.
O Gui sorriu, a abanar a cabeça, a perceber que o amado já não estava assim tão irritado, já que elogiava o Leo… De vez em quando espreitava pelo espelho, a cruzar o olhar ardente do Dark, que estava muito excitado com a situação , e gemia sem se conter, sem se importar que estavam num carro que já entrava na cidade…
— Siiiiim… — o homem rosnou, a apertar a cabeça do Leo ainda mais contra si, ao chegar ao fim para a garganta.
Exactamente nesse momento o Gui passou por um ressalto, e o membro foi ainda mais fundo, e o Dark deu um gemido.
— Khun Dark, sem ofensa… A MS— 13 não é a Kimura nem o Klahan. Tenho medo de imaginar o que teria acontecido se não tivéssemos ido atrás de si… — o Leo disse com carinho, a olhar de baixo para cima para o Orfeu. — Quando a sua segurança está em jogo, o que o Gui e eu queremos ou não queremos não tem importância. O senhor é a pessoa mais importante para nós, percebe?
O Dark olhou para o rapaz, e o coração saltou-lhe do peito. Aquelas faces rosadas, ainda húmidas de lágrimas, a sinceridade absoluta nos olhos, e a preocupação genuína na voz: tudo isso fez o homem acenar.
— Obrigado, Khun Dark… — os Twixes responderam em coro.
O homem bonito ergueu o Leo pelo queixo, e com a outra mão colocou o assento na posição anterior. Ao ver o verde a piscar no semáforo à frente, o Orfeu recostou o assento do motorista sobre si, e o Gui deitou-se como o chefe favorito queria, a ver que tinham um minuto e meio até ao verde. O Dark inclinou-se, a virar ligeiramente a cabeça do motorista, a besuntá-lo com um beijo apaixonado. Ele sugava a língua do homem, a gemer, enquanto esfregava os mamilos no peito do Leo.
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O som desagradável de uma buzina do carro atrás fez o Orfeu largar os lábios, a devolver o encosto à posição anterior. O Dark deitou-se sobre o peito forte do rapaz ao lado,com uma mão a apalpar, e na outra a mordiscar o bico endurecido. O Leo não se importava com esses jogos, acariciava os cabelos do amado, a gemer ligeiramente quando os dentes afiados apertavam o mamilo deliberadamente com mais força.
Quando os carros saíram da cidade, o Leo sugeriu ao amado que trocassem de lugar, porque sabia que o Gui dormira pouco na noite anterior, e que talvez ainda sentisse algum desconforto no canal. O Dark não se opôs, mas até ao último minuto não deixou o Leo abotoar-se.
Quando o Gunnar ficou no banco de trás, as mãos travessas despiram-no também. O Dark esquecera-se completamente da ferida no ombro do rapaz, até ver o adesivo.
— Está a doer? — ele perguntou em voz baixa, a acariciar o adesivo com suavidade.
— É só um arranhão, Khun Dark. — ele sorriu em resposta, a olhar nos olhos da cor do céu de tempestade.
💋 Um beijo…
O toque cuidadoso dos lábios no material rosado que escondia o ferimento espalhou o calor pelo corpo do Gunnar…
— Obrigado por terem desobedecido ao Cão Infernal e terem estado comigo quando precisei… — o Orfeu agradeceu, a continuar a beijar o corpo do homem, a aninhar-se também no peito.
O homem bonito esfregava os bicos do outro homem com os dentes, que também lhe acariciava os cabelos. De repente, sem perceber porquê, o Dark fez uma pergunta:
— Fala-me da tua família, Gui?
— O que quer saber? — o Gunnar perguntou,porque sabia perfeitamente que o amado lera informação sobre eles.
— O que não se encontra em papéis nem na internet… — o Orfeu lambeu o bico, a esclarecer.
— Já sabe que fui trabalhar para a sua família há seis anos para pagar a operação de transplante de fígado do meu pai. Na altura era estudante do terceiro ano, vivia numa residência, e não sabia como os pais viviam desde a minha entrada na universidade. Nunca os ouvira discutir, mas rapidamente a dura realidade esperava por mim… Os médicos diagnosticaram ao meu pai cirrose, e começaram as longas contas médicas… Mas como veio a saber-se, o meu pai desistiu, e começou a beber… A minha mãe escondia-me, e a minha irmã ainda era pequena. O Khun Nai ajudou com dinheiro para um transplante urgente… Nunca tinha sequer segurado tanto dinheiro nas mãos… Correu tudo bem, só que o vício do meu pai no álcool não desapareceu… Um dia a Fa telefonou-me, a soluçar que o pai se embebedera e batera na mãe, eu cheguei nessa mesma noite… A minha mãe convencia-me a não tocar no pai… Eu simplesmente meti as roupas dele numa mala, enfiei o corpo inconsciente no carro, e levei-o para a casa da mãe dele, que estava vazia há vários anos. De manhã proibi-o de voltar a casa, a ameaçá-lo com uma pistola a prometer matá-lo. Ao chegar a casa, a minha mãe contou-me que o pai bebia há anos, e que mais que uma vez levantara a mão sobre ela, mas ela aguentava pelo bem da Fa. Um ano depois o meu pai morreu. A mãe diz sempre: nunca te queixes do carro nem do cônjuge, escolheste tu… A minha mãe é muito bondosa, vê-me sempre por dentro… Quando o Leo e eu chegámos a casa pela primeira vez, ela adivinhou de imediato a nossa relação. A mãe repete sempre: «os olhos são o espelho da alma», e neles vê-se tudo… A Fa… nem sei… é uma pirata… No sábado faz dezasseis… E a mãe brinca que muito provavelmente é esta maria-rapaz que vai trazer uma rapariga para casa… ela gosta de muay thai — WOT Blitz — motas — e de casais masculinos. — o Gui contava. O Orfeu ouvia-o com atenção.
— A tua mãe… não se importaria com mais um hóspede? — o Orfeu perguntou.
— Oh, tenho a certeza de que vai gostar de si, Khun Dark. — o Gunnar sorriu,a erguer o rosto do amado do peito pelo queixo, a olhar-lhe nos olhos, a continuar: — Como não amar estes olhos lindos?
As faces do homem bonito coraram com essas palavras, e ele baixou a cabeça para o peito, a morder. O Gui acariciou-lhe os cabelos, satisfeito com a reação do chefe.
— Gui, é melhor vestires-te, daqui a cinco minutos chegamos. — o Leo disse, a entrar numa rua conhecida.
Com um suspiro pesado, o manhoso afastou-se do peito onde estava tão quente e confortável. O Gui vestiu a camisa, pegou na mão do amado, e beijou-a com suavidade:
— Não precisa preocupar-se, Khun Dark.
O Leo estacionou junto ao portão, enquanto o Gui saiu a abri-lo para entrar no recinto. De casa saiu a correr uma rapariga de t-shirt preta e calções, com cabelo à altura do queixo, e óculos redondos que a faziam parecer mais velha.
— Irmão! Mãe! Mãe! Os meus irmãos chegaram! — a Fa correu para o Gui, a saltar-lhe para os braços, a abraçá-lo pelo pescoço.
— Fa! — o Gunnar chamou-a com severidade. Mas o coala manhoso não o largava.
O Leo conduziu o carro para o recinto, e ao sair abriu a porta para o chefe favorito.
O belo europeu foi de imediato visto pela Fa, que saltou rapidamente para o chão, e sem tirar os olhos do homem sussurrou ao irmão:
— Apanharam a Deus no caminho, e trouxeram-no para casa?
O Gui sorriu, feliz por a Fa ter ficado encantada com o Orfeu.
— Fa,conhece o Khun Dark. — o Gunnar apresentou o amado com um sorriso, com o Leo a sorrir ao lado.
— Olá, Khun. — a rapariga levantou as mãos em wai, a cumprimentar em inglês.
— Olá, Fa,não precisas de me chamar Khun, só Pi. E vocês também… Estamos de férias… — o Orfeu falou em tailandês, porque não gostava nada de ser chamado Khun, a não ser pelos Twixes.
— De férias? — a rapariga interrompeu. — Então ficas mais tempo, e não foges logo depois do bolo! Viva! Obrigada, ó Deus mais excelente, por este presente! — a Fa fez graça, a juntar as mãos em wai à frente do Dark.
— Khun… — o Leo começou a dizer. Mas ao ver o olhar sério dos olhos amados corrigiu-se de imediato: — Pi Dark, vamos entrar, senão esta pequena irrequieta mantém-nos aqui ao calor.
— Ei! Não sou pequena! Em breve faço dezasseis anos! — a rapariga protestou. O Orfeu sorriu.
É uma criança… mas tem graça… — o homem bonito pensou, enquanto entravam em casa.
Na cozinha, de costas para a entrada, estava uma mulher a enxugar as mãos com um pano.
— Rapazes! Não deviam chegar na sexta-feira à noite? — a mãe perguntou, sem olhar para os rapazes.
— Os planos mudaram, mãe. — o Leo disse com um sorriso, a olhar para o chefe favorito.
— Mãe, este é o Pi Dark… — quando a mulher se virou, o Gui apresentou o Orfeu de pé com ar de cachorrinho perdido.
— Olá, tia. — a juntar as mãos em wai, o Dark sorriu, a corar ligeiramente.
— Tu roubaste-o? — a mãe perguntou, a apontar o dedo para os rapazes. O Orfeu olhava para ela sem perceber. — Um menino assim tão encantador não podia ter vindo contigo por vontade própria! Eu própria o tinha roubado!
— Muito melhor com estes dois do que para Inglaterra. — o homem resmungou, ao perceber que a mulher lhe fizera um elogio. Mas toda a casa o ouviu.
— Pi! Tu próprio vieste com eles?! Em vez de ir para Inglaterra?! És louco! Trocar a Inglaterra por Saraburi? — a Fa sinceramente não compreendia, porque para ela a Inglaterra era um dos países mais interessantes do mundo.
— O que é que eu não vi em Inglaterra? E em Saraburi ouvi dizer que há uma cascata magnífica, uma quinta de laticínios tailandesa-dinamarquesa e oficinas de cerâmica! Têm até um mini Big Ben, Muak Lek! Acredita, aqui é muito mais interessante do que em Inglaterra! — o Orfeu dizia com desdém sobre Inglaterra, e já com grande entusiasmo sobre as atracções da província. E olhava para os Twixes.
A mãe olhava para os olhos a brilhar dos filhos, e começava a adivinhar que o hóspede não era simples…
— Devem estar cansados do caminho? Fa, traz limonada aos rapazes. O almoço só é daqui a uma hora. O vosso quarto, como sempre, está livre. — a mulher sorriu, e depois voltou o olhar para o Dark: — Oh, temos mais um quarto, quantos dias ficam, rapazes?
— Estamos de férias… até o Khun Fai telefonar. — o Leo respondeu, a olhar para a mãe.
— Oh, é aquele menino bonito de quem me falaram, não é? Vive com o Khun Hima, certo? — a mulher sorriu ainda mais, a lembrar-se da história dos filhos. Os rapazes acenaram.
— Ha… menino bonito… ainda por cima… monstro sob pele de labrador… — o Orfeu resmungou. Mas ao ouvir as suas palavras, a cozinha encheu-se de gargalhadas.
— Não preciso de quarto separado, durmo com eles. — o Dark declarou de imediato, a confirmar as suspeitas da mãe.
— Filho, mostra a casa ao senhor Querido, e tu, vem comigo. — a mulher pediu ao Gunnar, a pegar na mão do Leo, a arrastá-lo para o quarto.
— Conta-me! Agora, Leo! — a fechar a porta do quarto, a mulher falou com severidade.
— O Khun Dark é o nosso chefe… Ontem tentaram raptá-lo, e por isso o Khun Fai pediu-me para o trazer a casa… — o Leo explicou.
— Ai, mãe! Está a doer! — o rapazinho exclamou quando lhe apertaram o braço.
— Não me importa quem ele é, se é filho do primeiro-ministro de Inglaterra ou um sem-abrigo da rua! Não é isso que me interessa, mas a maneira como se olham os três, Leo! Dissimulavam melhor, porque nas caras satisfeitas de vocês corre a fita: «Estes dois são meus!» — a mãe repreendia o filho amado. E de repente agarrou-o pela mão: — Ei! Este menino bonito não é um cachorrinho com quem se brinca e se deita fora!
— Mãe! O Khun Dark não é um brinquedo! Nós amamo-lo a sério… nunca… — o Leo ficou indignado com voz trémula. E o coração apertou-se ao pensar que podiam magoá-lo, ou que o Orfeu choraria por causa deles… — Embora se comporte de forma arrogante, manhosa, não tolere recusas, e não mostre os sentimentos, por dentro é muito vulnerável, sensível e ternurento… Acho que sofreu muito, e tem medo do amor… Bem, é a minha visão… Queremos simplesmente que seja feliz… Sabes, depois do ataque pedimos ao Khun Kira que o mandasse para Inglaterra… Foi a decisão mais difícil que o Gui e eu tomámos na vida… E ver como ele nos olhava quando insistíamos em Londres, é insuportavelmente doloroso… Obrigado ao Khun Fai por ter sugerido trazê-lo aqui… — o Leo continuou. E percebeu que estava a chorar quando a mãe lhe enxugou uma lágrima da face.
— Oh… o meu menino adorável… embora… agora já não sejas o mais adorável. — a mulher prendeu o rapaz a si, a acariciar os cabelos, a perceber que ele falava com sinceridade. — Vamos, quero conhecer melhor o novo filho.
Durante o almoço a mãe perguntou muito ao Dark sobre de onde era, quantos anos tinha, o que gostava e o que fazia, a evitar falar de relações e amor. A mãe sempre confiara na intuição do Leo, e por isso decidiu não tocar nesses assuntos. Depois convidou-o a ir com ela ao mercado comprar frutas e legumes frescos. O Orfeu concordou, porque era algo novo para ele, e a ternura e a bondade da mulher derretiam o seu coração solitário.
— Filho, qual é o teu prato tailandês favorito? — a pegar no braço do Dark, a mulher caminhou com ele pelo mercado entre as bancas, a sorrir com sinceridade.
— Hoi tod com gambas,mexilhões e legumes, mas sem pimentão! Não gosto do cheiro. — o homem respondeu honestamente.
— Oh, tia Layan, há muito que não a via! Com quem está? — uma jovem vendedora de uma barraca de frango perguntou, de olho no Dark.
— O meu filho. — a mãe do Gui respondeu com orgulho. Mas ao notar os olhos a brilhar da rapariga, acrescentou: — Nem penses, Nong Keu!
— Vamos, meu bom menino, os mariscos estão ali! — ela puxou o rapaz ligeiramente corado para outra direcção.
— Tia… — balbuciou ele. E o peito aqueceu-lhe com o tom que a mulher usara ao apresentá-lo.
— Chama-me mãe, querido. Vamos, escolhe os que te parecerem bem… — ela parou à frente da banca dos mariscos, a apontar para gambas e mexilhões de vários tamanhos.
— Quaisquer? Um a um? — o Dark perguntou, a não acreditar que fosse possível.
— Pois! Leva os que quiseres! — a pegar no saco da vendedora, a Layan abriu-o, a estendê-lo, a acenar para o Orfeu.
O Dark calçou a luva com cuidado, e escolheu da banca as gambas que lhe pareceram mais bonitas e frescas, e depois fez o mesmo com os mexilhões. Depois compraram legumes e ovos para omelete. Hoje o Orfeu sentia-se… especial, e o filho preferido… Foi tão emocionante e agradável que não se lembrava de quando se sentira assim tão… feliz.
A Kira sempre tratara os três de forma igual, e não havia nenhum que ela destacasse mais ou menos. Para ela todos eram iguais: se elogiava, elogiava a todos; se repreendía, por merecimento. Mas depois da Clara algo parecera partir-se lá dentro, como se tivesse ardido até às cinzas, e só restassem cinzas frias… Mal começava a sentir algo, o medo de repetir a dor da traição fazia-o fugir… Fugir para onde não havia conhecidos.
Quando a Layan e o Orfeu voltaram a casa, o Leo e o Gui explicavam à Fa como uma rapariga deve ser feminina e meiga.
— Porque implicam com a criança? Não lhes ligues, Fa… Sê tu mesma! — como se repreendesse gatinhos travessos, o Dark falou com os Twixes, e depois com mais carinho com a rapariga.
— Rapazes, ajudem-me na cozinha, e tu, meu amor, senta-te. Deves estar cansado de tanto andar. — a mãe pediu. Os rapazes suspiraram, e levantaram-se do sofá, a encaminhar-se para a cozinha.
— O que te disseram aqueles dois? — o Orfeu perguntou em voz baixa, a sentar-se ao lado da Fa.
— Acham que há mais rapaz em mim do que rapariga… ah… — ela respondeu igualmente baixinho, com uma nota de tristeza.
— E tu?
— Que eu? — ela perguntou de novo, sem perceber o que o homem dizia.
— O que achas tu disso? — o Dark perguntou, a ver a confusão na cara da rapariga.
— Eu… não sei maquilhar-me… nem escolher roupa… — a Fa suspirou baixinho, a baixar os olhos.
— Quem disse isso? — o Orfeu surpreendeu a rapariga. Ela ergueu o olhar. — Vamos ao teu quarto, pequena Fa. — o homem puxou-a pela mão, mas não sabia para onde ia.
— É por ali. — ela indicou a porta com calma.
Ao entrar, o homem viu um quarto comum de adolescente em tons neutros.
— Conta-me… quem te disse que não sabias fazer isso? — o Orfeu repetiu a pergunta, a sentar-se no sofá.
— Ra… Rani… a minha colega de turma… há dois anos gostei de um rapaz de uma turma paralela, e soube que ele gostava de raparigas que sabiam cuidar de si… Vi uma data de vídeos na internet… eles têm tudo tão simples, fácil e bonito… Pensei que eu também conseguia… Mas a Rani gozou comigo para toda a sala de jantar… ela… ela disse: «Por muita tinta que te ponhas, continuas sempre feia.», a Fa contava. O Dark ficou indignado com a crueldade dos adolescentes…
— Sabes o que é, mostra-me essa Rani… — o homem disse com desprezo, a mostrar desdem pela rapariga.
A Fa abriu o telemóvel, entrou na página da Rani no Facebook, a mostrar a foto ao homem.
— Hm… pfft… ahahahaha… — o Orfeu riu em voz alta, e acrescentou: — E é ela que diz que és feia? Que piada…— Prepara-te, vamos às compras! — o homem bonito bateu palmas, a sorrir satisfeito.
— Mesmo agora? — ela ficou surpreendida. Mas o Dark a agarrar-lhe o pulso deixou perceber que era mesmo agora.
— Fa e eu vamos dar uma volta! — o Orfeu disse, já a calçar na entrada.
— Espera, sozinhos? — o Gui de imediato largou o corte de legumes, preocupado com a segurança do amado.
— Sim! Fica onde estás, Gui! Só vamos nós dois! Ninguém sabe que estamos aqui, certo? Não preciso de babás! A Fa e eu temos assuntos importantes, e vocês, dois brutos, não fazem parte deles! — o Dark falou com firmeza, e depois estendeu a mão, a mexer os dedos: — O cartão que o Fai te deu!
— Deixa-os ir, filho… — a mãe apoiou o Orfeu. O Leo suspirou, e foi ter com eles.
— Aqui está o meu telemóvel. Se acontecer alguma coisa… — estendeu o telemóvel e o cartão ao amado.
— Sei s...ei… se acontecer alguma coisa, ligamos! — a pegar no telemóvel e no cartão, o homem bonito concordou: — Ah, e as chaves do carro.
O Leo suspirou. O Gui atirou-lhes as chaves, que o sabujo apanhou.
— Conduz com cuidado. — o Leo pediu. O Dark acenou.
A entrar no carro, o Orfeu pediu à Fa que pusesse um centro comercial no navegador. Quinze minutos depois já entravam num grande edifício, a caminhar lado a lado.
— Por que estamos aqui? — a rapariga perguntou, a olhar para o mais velho com incompreensão.
— Já vês… — a pegar no braço da Fa, o Orfeu caminhava com ela para o mapa do centro comercial, a sorrir.
Depois de tirar uma foto, já tinha marcado para si as boutiques onde iriam primeiro. Primeiro o casal foi ao cabeleireiro, onde fizeram a partir do cabelo amorfo um corte elegante que o Dark escolhera. Depois à óptica, a escolher uma armação adequada em várias variantes de cor e formas diferentes, e lentes de contacto. Mas a escolha recaiu sobretudo nos óculos redondos. A Fa olhava-se ao espelho e não acreditava no reflexo…
Depois percorreram lojas de roupa, calçado e cosméticos.
— Agora está na moda o estilo minimalista coreano. É perfeito para adolescentes, e não requer grandes aptidões. Vai escolher um perfume de que gostes; não olhes para o preço, cheira só. — o homem sorriu para a rapariga, que se sentia agora como a Cinderela que ganhara um… padrinho fada.
Enquanto o Orfeu explicava à consultora exatamente o que queria, que cor e tonalidade, a Fa escolheu o Poison da Christian Dior. E o mais velho ficou encantado com a escolha da rapariga.
— Pronto, vamos a casa! — o homem satisfeito pagou as compras, e os dois com os sacos foram para o carro.
De volta a casa quase às sete da tarde, na sala de estar esperavam-nos os Twixes a caminhar de um lado para o outro.
— Porque demoraram tanto? — o Gui perguntou, sem esconder a preocupação, ao ver o amado a entrar com os sacos nas mãos.
— Fomos aliviar o stress antes do aniversário dela! — o homem bonito respondeu, a meter os sacos nas mãos da Fa, a continuar: — Leva para o quarto, depois do jantar ensino-te a fazer magia!
— Fa… — ao ver o corte de cabelo transformado da irmã, o Gui chamou com admiração. A rapariga voltou-se.
— Fica-te muito bem, pequena! — o Leo sorriu. A rapariga corou com o elogio.
Depois do jantar, o Dark, como prometera, foi ao quarto da Fa ensinar-lhe a maquilhar-se correctamente e a combinar roupa. A rapariga apreciou a facilidade do estilo coreano: tanto na aplicação como no facto de realçar a beleza natural, e não ficar demasiado vulgar.
— Amanhã é o teu aniversário. Vamos mostrar a todos que linda que és, Fa! — o Orfeu sorriu. A rapariga abraçou-o, a soluçar.
— Obrigada, Pi… — ela agradeceu baixinho.
— Vamos — não chores! Vai dormir, e de manhã ajudo-te a escolher a roupa para a escola. Nós levamos-te e buscamos-te amanhã. E no café… toda a gente vai ver a nova Fa! E lembra-te, minha menina : és linda! E quem disser o contrário é só uma vadia invejosa e feia! — o Dark encorajou a rapariga, e saiu do quarto, onde os Twixes ciumentos já o esperavam.
— Passaram de guarda-costas a cães de guarda? Que comboio é este? Acham que me perco na vossa casa? — o homem bonito brincou, a olhar para os seus homens.
— O que é que tu e a Fa estavam a fazer? — o Leo perguntou em voz alta, porque desde que chegara toda a atenção do amado fora para a Fa.
— É o nosso pequeno segredo! Amanhã ficam a saber! Exacto, amanhã levamos a Fa à escola! Vamos dormir, estou tão cansado… — o Orfeu sorriu, a pegar nas mãos dos rapazes. Os três foram para o quarto.
O Dark tomou duche antes de ir para a cama, e mal a cabeça tocou o peito quente do Leo, e do outro lado o Gui o abraçou, a beijar-lhe o pescoço com ternura, o homem adormeceu. O Leo e o Gui perceberam que o amado estava esgotado, e decidiram que num quarto sem isolamento acústico era melhor não fazer amor…
🍃 🍃 🍃
De manhã o Orfeu esforçou-se para sair do abraço apertado dos Twixes a tempo de ajudar a Fa a escolher a blusa, e verificar a maquilhagem depois do pequeno-almoço. Quando saíram do quarto da aniversariante, na sala de estar já estavam sentados os Twixes com a mãe.
— Oh, grande Buda… é de facto a minha filha? — a Layan deixou cair o comando da televisão das mãos , maravilhada.
— Fa… — os rapazes voltaram-se, a falar em coro.
A rapariga estava à frente deles vestida com uma linda blusa branca de mangas compridas e largas, tucada numa saia azul-escura com grandes pregas em cascata, meias brancas compridas, e sapatos pretos com um pequeno salto. Os cabelos simplesmente penteados, e presos atrás de uma orelha de um lado, maquilhagem leve a realçar os lábios e os olhos. E o mais importante, sem óculos!
— É suficientemente feminino? Se não, esperem pela noite! — o Dark perguntou, a apertar pelo ombro a rapariga corada.
— Fa… estás deslumbrante! — o Leo disse, a orgulhar-se do homem ao lado da Fa.
— Então porque é que ainda estão sentados? Quem leva a rapariga bonita à escola? — o Orfeu sorriu. Os rapazes levantaram-se.
— Mãe, já vamos! — o Gui disse , a olhar com amor para o chefe favorito.
Ao chegar à escola, o Dark lembrou mais uma vez à Fa que ela era um peixe dourado naquele lago de cinzentas banalidades, e que se alguém dissesse o contrário, ela sabia o que responder!
Ele abriu a porta, e saiu primeiro, a dar a mão à aniversariante linda, que de imediato chamou a atenção de toda a gente à volta, tanto rapazes como raparigas.
— Acompanho-te até à entrada, vai lá, minha Estrela ! — o Orfeu sorria, a caminhar ao lado da Fa. — Buscamos-te depois das aulas!
Quando voltou para o carro, o Gui recostou o assento, voltou-se de lado, e beijou o chefe favorito com tanta paixão que ele se esqueceu completamente de que estavam no estacionamento da escola…
— Meus bons… estamos no recinto da escola… — o Leo lembrou, ao ver as mãos travessas do Dark a gemer já enfiadas por baixo da t-shirt do Gunnar.
— Obrigado… — o sussurro rouco de gratidão agradou ao Orfeu, e ele mordeu o lábio do Gui.
— Então? Vamos comprar o presente? — o Leo sugeriu, a arrefecer o ardor dos amados, e ao mesmo tempo a distrair-se.
— Já decidiram o que comprar? — o Orfeu perguntou. O Gui acenou, a ligar o motor.
Uma hora depois paravam à frente de uma concessionária Honda.
— Uma mota? A Fa queria uma mota? — o homem bonito ficou surpreendido, porque ontem esquecera-se completamente de perguntar o que ela queria de aniversário.
— Uma scooter, Honda ADV160, para ser exacto. E tendo em conta a cor de que ela gosta, precisamos desta! — a percorrer a sala de motos, o Gui apontou para uma scooter preta e vermelha.
— Oh-ho… a Fa tem bom gosto! — o Leo concordou, um pouco surpreendido com o preço.
— Talvez olhemos uma em segunda mão? Cento e oitenta e cinco mil baht… — o Gui pensou em voz alta.
— Não te atrevas a poupar na tua irmã! Ficamos com esta! Eu acrescento! — o homem bonito agarrou-o pelo braço, a protestar.
Depois de tratar da papelada da scooter, os rapazes pediram que a entregassem numa grande caixa de presente quadrada numa cafeteria a uma determinada hora, juntamente com um capacete preto e vermelho com orelhinhas de gato. O Dark pagou um terço do presente, e os dois terços o Leo e o Gui.
— Bem… vai ser preciso repensar o visual para a festa… para combinar com o presente… — o Orpheus pensava em voz alta, a lembrar-se de que ontem com a Fa não compraram nada adequado…
— Gui, temos de ir ao centro comercial! Ontem vi lá um fato magnífico, mas achei que o vermelho era demasiado vistoso para a Fa… Mas agora… fica na perfeição nela, e na mota! — o Dark deu uma palmada no ombro do motorista, a pedir.
Depois de comprar o fato certo, um cinto a condizer, e um top preto, os três voltaram a casa, onde a mãe os esperava.
— Rapazes! Porque demoraram tanto?! — ela perguntou. Mas ao ver o saco de roupa preto, percebeu tudo.
— Roubam-me o querido, rapazes? — a mãe sorriu. Os rapazes acenaram: — Vamos, filho preferido.
Filho preferido… sou eu o filho preferido…? — o homem bonito não conseguia acreditar no que ouvira, até a mãe lhe pegar na mão, a puxá-lo para o quarto.
— Obrigada… — a abraçar o Orfeu, a mulher dizia baixinho: — Obrigada por teres conseguido chegar ao coração da Fa…
— Eu apenas fiz a pergunta certa, mãe, e ajudei-a na escolha das coisas… A propósito, fiquei a saber que o novo uniforme não viola os requisitos de vestuário escolar, só precisa de bordar o nome da escola na blusa. — a abraçar a Layan em troca, o Orfeu sentiu-se feliz.
— Como posso agradecer-te, Dark?
— Posso… posso ser sempre o teu filho mais querido «, mãe? — ele perguntou com voz trémula, a sentir-se de novo uma criança que precisa do amor ternurento e carinhoso de uma mãe.
— Claro, filho… claro que podes… — ela acariciava-lhe as costas, como a um pequeno.
Duas horas depois os rapazes foram buscar a Fa à escola. A rapariga brilhava, como se estivesse enfeitada com luzes de natal. Ao chegar a casa, a Fa vestiu a roupa de festa, e retocou ligeiramente a maquilhagem.
Depois todos os cinco foram para a cafeteria reservada para a festa, onde passados quinze minutos começaram a chegar amigos e familiares da Fa. Toda a gente elogiou a aniversariante pelo novo visual.
Hora e meia depois da festa, foi trazido o bolo com uma vela, depois de um sinal do Gui, porque antes disso tinham telefonado a avisá-lo sobre a entrega do presente.
— Faz um desejo, Fa! Só deseja bem! — o Gui sorriu, a olhar para a irmã.
Quero… uma scooter… — a rapariga desejou, e apagou a vela sob aplausos.
— O que desejaste? — a Daisy, amiga da Fa, perguntou.
— Se eu disser, não se realiza! — a aniversariante protestou. E o Gui estendeu ao Orfeu uma fita vermelha larga para tapar os olhos à irmã.
— Temos um presente para ti, maninha! Mas é uma surpresa! — o Leo explicou, enquanto a Fa, sem perceber, olhava para os três.
O Dark tapou os olhos da rapariga. O Leo e o Gui pegaram-lhe nas mãos, e levaram-na para fora, onde já estava uma enorme caixa branca com um laço dourado.
— Estás pronta? — o Orfeu perguntou. A rapariga acenou.
Ele retirou a fita dos olhos, e a Fa viu os convidados à frente, mas não viu o presente, porque estava atrás das costas.
— Vira-te, pequena! — o Gui sorriu, a ficar de pé com o Leo dos dois lados do chefe favorito.
— É um presente de nós três. — o Leo explicou ,a acenar para a rapariga que se virasse.
— O quê? — ela quase gritou ao ver a enorme caixa, a hesitar em aproximar-se.
— Coragem, Fa! É mais fácil do que aplicar sombras! Puxa as pontas do laço. — o Orfeu encorajou a rapariga.
— AAAAAAA!!! — o grito de alegria, que se ouvia ao que parecia nos quarteirões vizinhos, transformou-se em soluços da aniversariante, quando a caixa se desfez, e a rapariga viu o que desejara havia cinco minutos…
— Acho que partimos a Fa… — o Gui sussurrou com um sorriso.