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82 🔞 – Solução de problemas (parte 3 de 3)

O dia seguinte foi estranho desde a manhã. A Tirak discutia com o Sakda, a recusar aceitar que o Hima também fosse pai. A mãe estava furiosa porque não havia nenhuma fêmea de idade adequada para a Rossi, nem sequer no mercado negro. O Elijah e o Tadao foram para o aeroporto, o voo estava marcado para as 17h43, mas foi atrasado por uma tempestade.


O Hima e o Fai,  acompanhados pelo Kai e pelo Mix, decidiram não sair do aeroporto para fazer companhia aos amigos antes de os voos serem autorizados. Os quatro homens sentavam-se num café, a passar o tempo, a discutir o que oferecer ao Fon e ao Dao no casamento.


Quase às 19h o telemóvel do Fai tocou, e o jovem ao ver o nome atendeu de imediato.


📞 — "Sim, Lien."

📞 — [Fai, preciso de ajuda! Estão a levar agora um paciente para a tua clínica, que preparem de imediato a sala de operações. Ferimento de bala na cabeça. O paciente ainda está vivo! Estou a ouvir a sirene da ambulância, vou acompanhá-lo até ao hospital.] — o Lien explicou a situação rapidamente. O Smart reportou que já enviara mensagem ao Var, e que em cinco minutos teria informação sobre a situação e o vídeo das câmaras.

📞 — "Percebido. O doutor Var está de serviço. Acabou de ser informado. São seis minutos de carro até ao hospital. Estaremos lá dentro de uma hora,aguardem." — o Tigre respondeu enquanto os três o olhavam sem perceber.
— Desculpem, rapazes, temos de ir. O Lien e o Nan precisam de ajuda. Mandem mensagem quando anunciarem o embarque, se chegarmos a tempo, vimos despedir-nos. — o Fai levantou-se da mesa, a despedir-se. O Hima seguiu-o.


— O que aconteceu? — o Gatão preocupou-se, ao ver como o rapazinho estava.


📡 ‹Chefe. O vídeo das câmaras foi enviado para o Line. O Soni ligou ao Nan há meia hora porque tinha provas do envolvimento da Makoto na morte do Fiat. O Soni foi baleado à frente do salão de banquetes quando entregava o dossier. A bala atingiu-lhe a cabeça, e a ajuda atempada do Lien salvou-lhe a vida. Estão agora a caminho da nossa clínica, porque é a mais próxima do local do tiroteio com neurocirurgião. Os detalhes sobre a Makoto Kimura estão ainda a ser compilados.›


Quando o casal entrou no carro, o Fai ergueu de imediato a divisória entre os bancos para poder falar com o assistente.


— Smart, prepara um quarto VIP para o Soni. — o cachorrinho pediu com suavidade, a abrir o vídeo para ver com o marido. — O Lien precisa de se trocar… — o Fai murmurou. E depois em voz alta ordenou ao Mix, a baixar ligeiramente a divisória: — Mix, temos alguma roupa sobresselente no porta-bagagens?
— Sim, chefe,  há dois conjuntos. — o Mix respondeu, a olhar pelo retrovisor.
— Vamos para a clínica. — o cachorrinho ergueu de novo a divisória, e olhou para o marido.
— Estás bem? — o Hima perguntou, a ver o amado a esfregar o smartphone nas mãos.
— Norman… Sei como ele se está a sentir agora… Já estive no lugar dele… — o Fai disse baixinho,  a aconchegar-se no peito do amado.
— Ei… estás a tremer… Estou aqui contigo… sentes? Estou mesmo aqui… — o Gatão abraçou o rapazinho com mais força, a acalmá-lo.


Ao chegarem à clínica, o Mix tirou do porta-bagagens as calças e a t-shirt, e os quatro homens subiram ao andar da sala de operações.


— Lien, a terceira porta a partir daqui, no corredor à esquerda, é o quarto do Soni, vai tomar banho e trocar de roupa, estás coberto de sangue. — o Fai entregou as peças ao amigo. O homem bonito acenou, e foi.
— Nan, vamos para o quarto, ficar aqui sentado não muda nada. Assim que houver novidades, digo. — o cachorrinho propôs. O Nanfa concordou.

— Conta-me o que se passa… — assim que a porta do quarto se fechou, o Hima perguntou.
— Há quase cinco anos, o meu irmão mais novo, o Fiat, morreu em circunstâncias estranhas. Estava apenas a divertir-se numa discoteca,  e desmaiou no meio da pista de dança. Quando os médicos chegaram, já declaravam a morte… — o Nan começou a contar com a voz ligeiramente trémula, mas continuou: — O meu pai pediu uma perícia detalhada, porque nessa mesma noite a namorada do Fiat foi à polícia e confessou que lhe dera droga. Prenderam-na por homicídio negligente e distribuição. Mas de acordo com o laudo do médico legista, não havia droga no sangue,  mas sim uma substância estranha e álcool, e a combinação causara a paragem cardíaca. Como se descobriu depois, o pai recebeu um atestado de morte falso com o nome errado da substância. Depois que o meu pai… foi embora… assumi os negócios e procurei constantemente pistas no caso do irmão. Ao longo de quatro anos, cada vez mais fios levavam à Makoto e ao Red Dragon. Soube que os laboratórios dela desenvolvem uma nova droga e testam-na em clientes na parte privada do clube. Foi lá que o Soni arranjou emprego como um dos… rapazes do arco-íris. Mandava-me informação uma vez por semana, mas hoje ligou, e estava tão animado, quase a gritar que tinha provas de que a Kimura fez tudo.


O Lien saiu do duche,  e ao ouvir as últimas palavras do marido, pegou no dossier, a tirar os papéis e uma pen drive. O Fai ligou de imediato a pen drive ao telemóvel via OTG, e o Lien sentou-se a ver os papéis. O Smart processou rapidamente a informação da pen, e começou a explicar tudo ao Fai pelo auricular.


📡 ‹A droga usada para matar o Fiat chama-se «Siawase». Dá uma sensação de prazer e felicidade, abre a mente a libertar os desejos mais secretos, com alucinações mínimas, mas vicia após três vezes. É quase impossível detectar no organismo, excepto quando misturada com álcool. É possível esconder a composição básica da droga na corrente sanguínea usando um antídoto, habitualmente usado em caso de overdose. O antídoto é injectado nos músculos peitorais. Embora uma veia fosse mais eficaz, é mais fácil esconder a picada no mamilo. Após o consumo, o Siawase faz efeito em quinze minutos. O químico que se encarregou do desenvolvimento e aperfeiçoamento descreveu tudo. Quando misturado com álcool na primeira versão, que matou o Fiat, oantídoto tinha de ser administrado dez minutos após o álcool entrar no organismo. As versões posteriores aumentaram esse intervalo para quarenta e cinco minutos, mas continuaram a existir fatalidades. O Fiat teve um enfarte do miocárdio, porque o antídoto foi administrado com cinco minutos de atraso.›


— Nan… Nan… Nan… Está tudo aqui… A investigação de vários anos, e porque é que o Fiat morreu… — o homem bonito dizia, a esfregar o braço do marido.
— Ele morreu porque a droga se misturou com álcool, a causar um enfarte do miocárdio… — disseram o Lien e o Fai em simultâneo.


A abrir mais o saco, o Lien viu um papel pequeno, a indicar um lugar secreto no laboratório com duas ampolas da mesma versão da droga que matara o Fiat, e entregou-o ao Fai. O Smart reportou de imediato que elaborara um plano para obter as ampolas.


— Amanhã é o aniversário dessa miserável… Vai ser o último dia dela… — o Nan disse com severidade. A mão era apertada com compreensão pelo amado.
— Ajudo a obter as amostras… e a acabar com ela… — o Fai apoiou o Nanfa.
— Amanhã mando o meu homem ao laboratório buscar a droga. A servir de empregados de mesa na festa serão os que querem reduzir a dívida em cinquenta mil, e os rapazes do «sotão do arco-íris». O Pi Troy ligou a pedir que separemos todos os rapazes do arco-íris. Ele e o Norman estão preocupados que, como no ano passado, os rapazes saiam muito maltratados pelos amigos dela. Por isso têm de levar um ou dois rapazes… de forma discreta. Na verdade tínhamos planeado simplesmente separá-los e mantê-los nos quartos até ao fim da festa… Mas agora o plano mudou, e os rapazes têm de ficar lá até ela morrer. O rapaz que lhe serve a droga no champanhe escolho eu. Se nos separarmos durante a festa, o sinal combinado será… Aponto ao Hima para ele com um copo. Assim que a Makoto beber, em quinze minutos podes convidá-la para uma conversa num lugar privado. Se disseres abertamente que sabes tudo, ela de certeza que concorda. Junto-me a ti, cinco minutos depois de saíres. Oh ...Pi'Nan,  que o teu telemóvel esteja ligado e carregado, através dele fazemos a gravação da conversa. Lien, desculpa… Mas se o Juramento de Hipócrates é demasiado importante para ti, sou obrigado a pedir-te que fiques em casa… — o Fai explicou o plano. Ouvia-o atentamente.
— Se vos impedir ou a salvar… Morrem mais pessoas… Consideremos isto eutanásia… — o Lien respondeu, a perceber o motivo de estarem naquele quarto.
— Ótimo! Então, Nan: assim que ela perder os sentidos, chama o Lien, ou melhor ,grita simplesmente a pedir um médico… Não deves estar sob suspeita. Lien, se não houver médico entre os amigos dela, fazes a reanimação até à ambulância chegar. Mesmo que ela se injete com o antídoto, não resulta, e para nós só é conveniente ter uma picada no corpo dela. — o Fai continuou.
— Fai… Conheces o ditado… «O rei morreu, viva o rei»? Com o sucessor dela não haverá problemas? — o Nan lembrou-se de imediato da rapidez com que as pessoas se afeiçoam a quem recebe o poder…
— Pelo testamento, o sucessor dela é o Norman. Por precaução, o advogado dela «atrasa-se acidentalmente» no aniversário. A Makoto sabe que o Soni e o Norman andavam a investigá-la, e ordenou que te seguissem, a saber que se o Soni descobrisse algo viria ter contigo… Ia alterar o testamento depois do aniversário, mas não queria estragar-se o humor antes, e está convicta de que o Soni está morto. Acho que com o Norman não há problemas… Pelo menos nós com certeza não,  mas os outros… Bom, não é problema nosso. — o Fai disse com seriedade. E depois um sorriso manhoso iluminou-lhe o rosto.
— Hima… Quando o teu rapazinho sorri assim, até eu fico desconfortável… — o Nan estremeceu. Mas o Hima apenas sorriu, a pôr o braço à volta do amado.
— Às vezes o meu menino adorável transforma-se no Diabo… — o Gatão respondeu.
— Ide para casa… A bala foi removida. Depois da operação, o Soni vai para a unidade de cuidados intensivos, e depois para este quarto. O Var é um especialista excelente. Nós também vamos, amanhã é um dia difícil. — o cachorrinho sugeriu, depois do Smart lhe reportar o estado da operação.
— Até amanhã. — os homens despediram-se, e foram para casa.


O Fai chamou o Reed,  a explicar que de manhã tinha de ir ao laboratório da Kimura e buscar duas ampolas no local indicado, dizendo que ela já telefonara a avisá-lo.


O Hima, por seu lado, convidou o Fon e o Dao, a pedir que levassem rapazes no evento de amanhã, a pô-los a par da situação.


— Fai… Se levarmos dois rapazes… Podem suspeitar… — o Dao explicou, sentado no sofá — a perceber que pareceria muito suspeito.
— Então… Damos-lhes um espectáculo… — o Fon sugeriu, a deitar-se no colo do amado, a abraçá-lo pelo pescoço.
— O que tramaste, miúdo? — o Dao perguntou, a beijar o Husky na face.


O Fon sussurrou ao ouvido do amado o plano, e ele concordou, a rir.


— Vamos levar três connosco, eu e o Dao! — o Fon sorriu.
— Então… dos sete rapazes temos quatro acomodados… O Lien fica com um, o Nan vai estar ocupado… Total cinco… Ficam dois… — o Hima pensou, a calcular.
— Um, se ela encontrar um novo Índigo. — o Fai corrigiu, quando o Smart lhe disse que o Green ficava com os gémeos.
— Oh,  podes ligar a pedir que fique com o rapaz ao cuidado do Khun Paravit… Ele ainda deve desculpas ao Var e ao Kai… Podemos recordar-lhe isso… — o Fai sorriu, ao ler no Line a lista de convidados que o assistente enviara.
— Ligas-lhe tu de manhã, meu amor ,  vamos dormir. — o Gatão concordou.


🍃 🍃 🍃


Na manhã seguinte


O Smart ligou para o laboratório da Makoto, a imitar a voz e a forma de falar dela, e ordenou que o guarda-costas do San fosse autorizado a entrar no laboratório do Choma. Quando lhe perguntaram se tinha a certeza do que pedia, uma voz feminina perguntou com severidade:


📡 ‹Tens língua a mais para falares assim comigo, ou queres estragar-me o humor no dia do aniversário? Ou talvez a tua irmã queira ser cobaia?›


O rapaz pediu desculpa várias vezes e disse que a ordem seria cumprida.


Depois de combinar não se encontrar com o Nan antes do evento para não levantar suspeitas na aniversariante, o Fai mandou o Reed para o laboratório. Às duas e meia o Reed trouxera as duas ampolas. A ligar ao Sarawat, o cachorrinho pediu ao homem que fosse o primeiro a levar um rapaz do arco-íris. Só de ouvir a voz do Diabolinho, o homem estava disposto a tudo. O Fai avisou que se o Wat começasse a importunar o rapazinho, a seguir explodia o laboratório dele…


O Hima e o Fai levaram quatro guarda-costas para o evento: Kai, Mix, Wright, e a mãe insistiu no Stas. 

Chegaram um pouco mais cedo, e o Smart sugeriu de imediato um empregado de mesa que o Fai «acidentalmente» apanhou numa zona cega.


— Nong Hill, tenho uma proposta para ti… — a pegar no rapazinho pelo cotovelo, o Fai falou. Mas o jovem contraiu-se todo.
— Não te vou magoar, só quero que me ajudes… Quero ajudar a tua senhora a relaxar… E depois podes livrar-te da dívida… Por completo. Nong… Interessa-te? — o Fai disse com carinho, a sorrir docemente.
— O que… O que precisa de mim? — o Hill perguntou,  a perceber que aquela oferta não podia ser gratuita.
— Acrescenta isto à taça de champanhe dela… É apenas para diversão… Afinal, quanto mais bem-disposta ela estiver, mais fácil é a vossa noite… No ano passado, muitos dos funcionários tiveram de tratar-se durante muito tempo depois do aniversário dela… — o Fai persuadia, a decidir usar o medo como alavanca.
— S… Sim… — o rapazinho concordou sem convicção.
— Peço ao meu homem para te vigiar… Para não te importunarem, combinado? — o cachorrinho sorriu. O rapaz acenou, a aceitar a ampola.


O Fai voltou para o marido da zona das casas de banho, exatamente quando a Makoto de vestido branco saiu para fazer o brinde, e apresentou os rapazes do arco-íris. Como combinado, o Hima e o Fai ficaram de olho no Hope. Nesse momento o Hill entregou à Makoto uma nova taça de champanhe, que ela aceitou e de imediato bebeu alguns goles. O jovem retirou-se rapidamente, e na sua direcção o Fai indicou ao Mix que fosse tomar conta dele, o que o Nan reparou, a olhar para o relógio, a contar dez minutos.


Entretanto o Dao e o Fon começaram o espectáculo…


— Tu! Tu mesmo me disseste que eu podia escolher qualquer rapaz! — o Dao protestou em voz alta quando o Fon lhe puxou a manga.
— E nem sequer pensaste em recusar, pois não? — o Fon gritou, a empurrar o marido.
— Se te queres divertir, vai! Não estou no teu caminho! — o Husky continuava o espectáculo, que quase toda a gente observava.
— Anda! Gostaste daquele… de gravata laranja! — o Fon não parava.
— Estás a portar-te como uma esposa ciumenta! — o Dao ficou indignado, a olhar para o Fon.
— Se é assim, entre nós acabou! Não te quero ver! — o Fon gritou, a empurrar o Dao a brincar, e a afastar-se.
— Ei! Vocês dois! Sim, sim! Vocês! Amarelo e Roxo! Hoje são meus! Voltei a ficar livre, por isso que se lixe tudo! Quero um trio! — a agarrar dois rapazes pelo braço, o Fon arrastava-os para a escada.
— Baixinho! Experimenta! Com certeza trepo eu mesmo esse! — o Dao gritava atrás do miúdo. Mas só recebeu o dedo do meio.


O Dao agarrou o Orange pela gravata, e levou-o para a escada do primeiro andar do outro lado.


O Lien decidiu agir quando viu o rapaz de gravata azul ser encostado ao bar por dois homens. O homem bonito de pernas longas disse-lhes algo, enquanto eles o devoravam com os olhares, e depois afastou-se, a deixar o Raed com o rapazinho. Pegou-lhe na mão, e levou-o para a escada.


O Fai viu que o Hope já estava a ser abordado por um homem de mais de cinquenta anos, e rapidamente decidiu salvar a situação. Quando se aproximou, o Smart já falava sobre o homem que apalpava o rapaz.

— Khun Thaptim, tenho a certeza de que terá a gentileza de me ceder este gracinha. — o Fai sorriu para o velho pervertido, a puxar o cotovelo do Hope.
— Khun Fai, mas o senhor e o Khun Hima… — ele murmurava inarticuladamente, a devorar com os olhos o torso nu do Hope.
— Não gosto de falar sobre isto em público, mas eu e o meu marido temos uma visão aberta sobre certas situações, se me percebe. — o cachorrinho sorria, a prender o jovem loiro perto de si.
— Para de sorrir para ele assim, senão coso-te a boca adorável,  e ele vai para o fundo do oceano com uma pedra ao pescoço a entreter os tubarões… — o Hima sussurrou ao ouvido, a sorrir com suavidade.
— Se não controlas o ciúme, o plano vai por água abaixo. — o rapazinho sibilou em resposta, a continuar a sorrir.
— Khun Thaptim,  o meu marido está ao meu lado e está pronto para se juntar… E se a sua mulher souber «acidentalmente»? Pufffff… E pelo contrato pré-nupcial, fica com setenta por cento dos seus bens… E o corgi favorito também é dela… — decidiu usar a chantagem, a mostrar com as mãos uma explosão, porque o homem não largava a mão do Hope.
— Desculpe — Khun Fai. É seu! — o Thaptim disparou, quase a fugir.


Só que o Hope deu um grunhido suspeito e estranho, a tapar a boca com a mão. O Fai virou-se para ele,  a olhar nos olhos…


Merda! As pupilas estão dilatadas… está definitivamente sob o efeito de alguma coisa… — o Fai pensou. E de imediato fez sinal ao marido para irem para um quarto.


O Hima e o Fai apanharam o rapazinho pelos braços, a carregá-lo pela escada para o quarto mais próximo. Assim que abriram a porta, colocaram-no no chão.


— Ah! É simplesmente uaaaau! Que cortinas! — o jovem loiro correu, a premir o rostinho corado nas cortinas esmeralda. — Ugh, que cheiro! São bonitas, mas o cheiro é péssimo! — a empurrar o tecido empoeirado — o Hope protestou, a coçar o nariz, a virar-se para os rapazes. — Que bonito! Trabalham como modelos? De certeza! São tão lindiiiiinhos! E o cabelo! Tão macio! O meu é quase sempre como palha! Não é justo! — o rapazinho correu para os homens, a olhar-lhes a cara e a tocar-lhes nos cabelos.
— Hope, sabes o que tomaste? — o Hima perguntou, a ver o comportamento da gravata vermelha.
— Ela deu-me… um azulzinho tão pequenininho… Como o olho de um minúsculo ciclope! — a mostrar algo na mão vazia, o rapazinho começou a dançar.
— E agora o que fazemos com ele? Eu já tinha de ir… — o Fai sussurrou, a sorrir com o comportamento do Hope.
— Querido, eu trato disto, vai. — o Hima sorriu para o amado. O rapaz loiro voltou a olhar para ele.
— Junto-me ao Nan, enquanto descobres como voltar a fazê-lo uma criança obediente. — o Fai beijou o marido, a sair do quarto.


— Smartde, que olho de ciclope ele está a falar? — o Hima perguntou ao Smart em voz baixa.


O Hope não conseguia ficar quieto, os olhos corriam pela sala constantemente. E de repente o rapazinho gritou:


— Oh! Uva!


O rapazinho enfiou sete bagos na boca, a sorrir amplamente.


📡 ‹Chefe, a pequena pílula azul de que o Hope está a falar é ecstasy.›


— Manda mensagem a todos do meu número, pergunta como estão os rapazes deles. Também estão sob efeito? — o Hima pediu. E depois voltou-se para o Hope: — Hope, essa miserável deu-te ecstasy. Um duche frio deve amortecer ligeiramente os sintomas.


Os olhos do rapazinho fixaram-se no Hima ao aproximar-se, e o Hima, ao ver a respiração pesada, a cara vermelha e as calças a abanarem, percebeu o que estava a acontecer.

— Não és o Hia! Só o quero tocar a ele! À pele dele, aos músculos dele, à língua dele, e ao… membro! Ele é tão! Tão forte! Tão…
— Hope, eu sou o Hima. Se soltares as mãos, amarro-te. — o Hima tentou parar o rapazinho com firmeza. 

Mas sabia perfeitamente que o jovem não conseguia controlar-se quando as mãos lhe percorriam os ombros, e ele se apinhava contra ele…


De repente as mãos do Hope caíram, e ele abraçou-se a si próprio pelos ombros. E depois atirou-se rapidamente para a cama, a enrolar-se no cobertor azul.


— Ah, que lagarta obediente. Fica aí, espera para te tornares borboleta. Agora resolvemos isto. Smart… manda-me o número do Jake, e entretanto descobre como tirar o Hope do quarto de forma segura e discreta. — o Hima pediu, sem tirar os olhos da careta vermelha a sair do cobertor, que se assemelhava muito a uma lagarta no casulo.


O Smart enviou mensagem no Line sobre a melhor forma de sair do espaço. E também chegaram mensagens de todos a dizer que os rapazes não tinham tomado nem bebido nada. O Hima memorizou o trajecto, e levantou o rapazinho mesmo com o cobertor, a atirá-lo ao ombro.


— Quero tornar-me borboleta! — o rapazinho protestava.
— Tornas-te. Cala-te um bocado… — o homem persuadia, a descer a escada,  a avançar para uma das saídas de trás.


A parar diante de alguns seguranças, foi olhado com desconfiança. Mas o grito do rapazinho estupefacto salvou a situação:


— Aaah, por favor,continua! Estava a sentir-me tão bem! Mais um bocadinho, e teria chegado ao fim!
— Decidimos brincar com este irrequieto noutro sítio. A aniversariante autorizou. — o Hima mentiu, a dar uma palmada no lugar onde devia estar o rabo do Hope.
— Já vou tornar-me borboleta! Vou ter assas delicadas! — o Hope gritava.


Os seguranças riram com os delírios do rapazinho:


— Pode passar, Khun. Boa noite.


Depois de deitar o corpo no carro, o Hima marcou o número do Jake:


📞— [Sim!]

📞— "Jake,  chamo-me Hima. Tenho aqui um presente para ti e para o Troy."

📞— [Saudações, Khun Hima. O Troy está aqui. Fale mais alto.]

📞— "Troy , Jake, vão ter de buscar o rapaz um pouco mais cedo. Quanto antes, melhor. Onde posso entregá-lo?" — a olhar para o banco de trás, o Hima falou em voz baixa.

📞— [Estamos a dois quilómetros do local. Há uma saída para a ZZ a cerca de oitocentos metros, encontramo-nos lá?]

📞— "Sim, já lá estou."


O Hima foi ao ponto de encontro, a olhar de vez em quando para o rapaz desconfiadamente calmo no banco de trás.

— Hope está no banco de trás. — o loiro acenou-lhe. E depois voltou-se para o Troy: — A Makoto fê-lo tomar ecstasy. E o mais interessante, só a ele. Percebes o que isso significa, não percebes?
— Percebo. Consigo protegê-lo. Khun Hima, obrigado! Pode sempre contar comigo e com a minha equipa. A qualquer hora. — o Troy agradecia enquanto o Jake tirava do banco de trás o embrulho.
— Verificamos no dia vinte. Vais ter de trocar a andorinha por uma besta maior. Cuidem-se. — o Hima sorriu, a dar uma palmada no ombro do Troy. E a sentar-se rapidamente ao volante voltou para o salão, mesmo a tempo de o Nan gritar se havia algum médico entre os convidados…

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