81 🔞 – Solução de problemas (parte 2 de 3)
Os recém-casados acordaram quase ao meio-dia, e depois do duche foram tomar o pequeno-almoço. Na sala de estar encontraram a mãe com um sorriso forçado.
— Oh, já estão em casa? — ela ficou surpreendida, não esperava o casal tão cedo.
— Mãe… aconteceu alguma coisa? — o Hima perguntou de imediato, a conhecer bem os gestos e o comportamento da mãe.
— Tomem o pequeno-almoço, depois falamos. Enquanto isso, vou reunir todos no escritório. — a Kira sorriu. Mas o Fai franziu de imediato as sobrancelhas.
Só agora percebeu que não tinha o auricular na orelha.
— Eu tirei-o ontem à noite enquanto dormiass… — o Hima respondeu, a sentar o amado numa cadeira.
— Não podemos comer só nós os dois? — o mafioso quase implorou. E o Fai começou a perceber que desde o tiroteio quase nunca tirara o auricular…
— Desculpa-me… Vou tentar usá-lo menos… — a beijar a mão do marido no ombro, o rapazinho pediu desculpa.
Depois do pequeno-almoço, o casal voltou ao quarto, e o cachorrinho pôs o auricular. O Hima não protestou, porque a mãe carrancuda não significava nada de bom. Ao aproximar-se do escritório, ouviram o quase grito de Orfeu:
— Não! Não vou a lado nenhum! Não, não e não outra vez!
O Fai abriu a porta, a entrar. No escritório estavam os pais, o Dao, o Orfeu e os Twixes.
— O que está a acontecer? — o Fai franziu as sobrancelhas. A Kira suspirou fundo, enquanto o Smart pediu um minuto para recolher os dados.
— Ontem o Orpheus foi atacado quando saía do salão de banquetes… — a Kira suspirou, a falar com calma.
— Quem? — uma única palavra em tom severo, um arrepio percorreu os corpos dos presentes.
— Satanás da… — o Leo começou a dizer, mas foi interrompido.
— MS— 13… Mãe… oh… como pudeste? — o Tigre ficou indignado, a olhar para a mãe.
— Fai — eu… — ela tentou explicar que a culpa era deles, mas não teve tempo.
— Como pudeste roubar apenas um navio? Só um, mãe? E por ele tentaram raptar o Orpheus? Só um navio? O nosso Sabujo vale mais do que cem deles! — o Fai lamentava. E os presentes foram percebendo o sentido das palavras.
— Pfft… aahahahahah… — o Nai foi o primeiro a rir ao perceber.
— Então… agora tu! Para onde não vais? — o Tigre voltou-se para o Dark a sorrir.
— Nós… propusemos que voltasse para a mansão de Londres… — o Gui disse em voz baixa, recebendo um olhar furioso de Orfeu.
— A MS— 13 não descansa enquanto não tiver o navio… Receio que já tenham recebido informação sobre ele, e o Khun Dark está em perigo… — o Leo continuou as palavras do marido.
— Eu falo bem tailandês! Disse: NÃO VOU A LADO NENHUM! — o Dark quase gritava, a olhar para os rapazes.
— Bem, o Steven já deu a informação ao encarregado. Toda a gente sabe que estás em Banguecoque, Orfeu… — o Fai falou, a pousar a mão no ombro do homem irritado.— Tenho a solução perfeita! — o rapazinho sorriu, a dar uma palmadinha no ombro de Orfeu, que tentou sacudir a mão.
— Não vou a lado nenhum! — o homem voltou a elevar o tom. Mas o ombro foi apertado.
— Vais… e mal eu acabar de falar, vais fazer as malas! — o Fai sorriu, a acomodar o Dark na cadeira.
— Deviam ir para casa amanhã, certo? — o cachorrinho perguntou, a olhar para o Leo e o Gui. Eles acenaram.
— Vamos fazer assim… O senhor Orfeu voa para Moscovo com o Anton, como namorado dele. A subir a bordo de braço dado com ele. — o Fai começou a dizer, mas quando o Dark tentou levantar-se, premiu-o na cadeira pelos ombros. — O avião é privado, ninguém verifica os passageiros. Por isso com o Anton vai o Rei… Tem a altura, a compleição e o penteado certos. O Tadao faz uns pequenos retoques na aparência, e tu, chihuahuazinho, emprestas-lhe a camisa e as calças roxas. Quando acabarmos, devolvemos o Rei. — Agora vocês dois… — a virar-se para os Twixes, o rapazinho falou com seriedade. Os rapazes empalideceram e engoliram em seco. — Já que estavam dispostos a violar a minha ordem pela segurança do senhor Sabujo, a responsabilidade por ele fica agora convosco. Ele vai convosco para Saraburi.
— O quê? — o Orfeu ficou surpreendido, a atirar a cabeça para trás para o Fai que estava atrás.
— Vais com os rapazes, e enquanto eu não ligar a dizer que podes voltar, considera que estás de férias… — o rapazinho repetiu, a olhar nos olhos brilhantes do Dark de cima para baixo.
— E vocês… desculpem rapazes, mas terão de levar em férias o chefe manhoso por tempo indeterminado… Quando tudo acabar, deixo os dois irem para onde quiserem no mundo por umas semanas… — o Fai disse com uma nota de pesar. Mas por alguma razão pareceu-lhe que os rapazes não ficaram nada aborrecidos…
— Espera, amor. Somos só seis a ir à festa da Kimura, e como distribuímos os rapazes que prometeste ao Troy que cuidarías? — o Hima lembrou-se. O Nai ficou interessado ao ouvir o nome…
— Vão ao aniversário da Makoto? — o Nai perguntou com surpresa. Os rapazes acenaram.
— Não podem ir sozinhos. No mínimo quatro guarda-costas têm de estar convosco! Ir ao covil da Hidra sozinhos é perigoso. — o Nai avisou. A Kira acenou em concordância.
— Então… vamos resolver os problemas por ordem de chegada. Neste momento a prioridade é a segurança do Orfeu. O avião do Anton parte daqui a quatro horas… Temos de preparar o Dark falso, e convencer o Toni a tomar conta do nosso homem por algum tempo. — o Fai parou-os. O Tadao, o Jah e o Anton entraram no escritório.
— De que homem devo tomar conta? — o homem de olhos verdes perguntou. O Fai explicou a situação aos recém-chegados.
— Está bem, levo o teu guarda-costas no avião… Já tens problemas suficientes… O Klahan morto; o padrasto do Fai; o pai do Nan; o Kimura; e agora o Satanás… — o Anton listou. O Hima franziu de imediato as sobrancelhas, a perceber que o amigo tinha razão.
— Pfft… Qual é o problema?… Com o San não há problemas, o sucessor já foi nomeado. O testamento é lido no dia vinte. Com o pai, decidimos mais tarde, precisamos de dar-lhe tempo. O Satanás… fica com o navio dele. A Makoto… Vamos ter de procurar informação sobre ela um pouco mais fundo… Acho que até ao aniversário já encontramos. — o Fai pensava em voz alta, especialmente para o Smart elaborar um plano.
— Como é que ele vai ficar com ele?! — a Kira ficou indignada, a erguer as sobrancelhas surpreendida.
— Não sei… Com sonares provavelmente… Ou com o que costuma usar para procurar coisas no fundo do oceano? — o rapazinho sorriu. A mãe abraçou-o de imediato.
— Hima! Se magoares o meu menino lindo, mato-te eu mesma! — a Kira sorriu, a olhar para o filho.
— Sim, mãe. — o Hima concordou.
— Leo ... Gui, têm de sair dentro de uma hora. Senhor Sabujo, o telemóvel e o portátil ficam em casa. Objecções? Ou vais gritar de novo que não vais? — o Tigre dava ordens, e depois voltou a puxar os ombros do Dark para ele atirar a cabeça para trás e olhar para cima.
— Considera-me já sentado no carro à espera para partir… — o Orfeu ergueu o olhar, e a sorrir levantou-se da cadeira.
— Ótimo! Rapazes, peço desculpa que seja assim… Mas têm de tomar conta do rabo manhoso dele. — o Fai bateu palmas, a pedir desculpa de novo aos Twixes que seguiam o Dark. O Hima grunhiu baixinho, a segurar o riso.
— Não há problema, Khun Fai. Não é difícil para nós. — os rapazes sorriram, a falar em coro.
— Kanesh não é difícil… tenho a certeza de que esta noite estavam outra vez como tostas de atum… — o Hima provocava-os baixinho. Mas só o Dao o ouviu.
— O que queres dizer, Hia? — o Daonya sussurrou. E quando o Leo e o Gui passaram por ele, sentiu neles o rasto do perfume do irmão, porque fora o Dao a oferecer aquele perfume.
Quando todos se foram, e no escritório ficaram apenas os três, o Dao agarrou o Hima pelo cotovelo.
— Quando disseste que a noite do Dark no clube correu bem, querias dizer… Os três? — o Dao perguntou.
O Fai voltou-se para o marido.
— Do que ele está a falar, Hia? — sem ter a certeza de ter percebido bem, o cachorrinho quis esclarecer.
O Hima apenas sorriu enigmaticamente, e encolheu os ombros,a ir para a porta do escritório.
— Espera! — duas vozes pararam-no de imediato. E agora o mafioso era segurado pelos dois cotovelos.
— Estou a perceber bem… Dark e Leo com Gui… — o Fai perguntou, a fazer com os indicadores o gesto de proximidade. O Hima acenou.
— Ebushki-vorobushki… — o Fai deixou escapar em russo (N. da T.: expressão russa de espanto, algo como «caraças!».) — porque aquela frase descrevia melhor do que qualquer outra o choque com o que estava a acontecer.
— E eu a perguntar-me porque é que ele concordou tão depressa em ir com os rapazes para a província… E afinal tanto lhe fazia para onde, desde que fosse com eles… E então? Agora a procura do bárbaro cancela-se? Como é possível?! Espera… Tens a certeza? — o rapazinho ainda não conseguia aceitar as palavras do marido.
— Os três cheiram ao mesmo perfume… É improvável que os nossos guarda-costas tenham dinheiro para comprar perfume a setenta e cinco mil dólares… — o Dao confirmou. O cachorrinho sentou-se no braço do sofá.
— Agora percebo porque é que desobedeceram à minha ordem… — o rapazinho pensou. E duas mãos fortes apareceram no pescoço, a erguer-lhe a cabeça.
— Peço-te, não o provoques… Não vejas só o facto de que o Orphi é sempre mordaz e olha para toda a gente de cima… Por dentro, debaixo de toda aquela carapaça, tem uma natureza gentil e vulnerável. Sabes porque é que ele não fica em lado nenhum mais de uma semana? — o loiro olhava nos olhos do amado, a fazer a pergunta.
O Fai abanou a cabeça. O Dao sentou-se na beira da mesa.
— Quando tinha dezanove anos, o Orfeu apaixonou-se. Perdeu-se tanto naquela rapariga que parou de pensar com clareza. Satisfazia qualquer capricho da Clara em tempo recorde, sem sequer ponderar se valia a pena. Estava obcecado por ela… Tanto que quando os amigos lhe mandaram uma foto dela a beijar outro, o Dark brigou com eles… Um mês depois viu-os com os próprios olhos… Ficou destruído… Tão destruído que parou de comer e de dormir normalmente. A mãe chegou a chamar psicólogos, mas sem resultado. Em três meses levou-se à anorexia, e os pais já não conseguiam ver aquilo, e mandaram-no para a melhor clínica da Suíça. Quase um ano de tratamento e psicoterapia, e surgiu o Dark… Egoísta, arrogante, manhoso e fechado aos sentimentos. Não fica em nenhum sítio mais de uma semana, porque tem medo de se apegar… À cidade, ao lugar, às pessoas à volta… Por isso peço-te, rapazinho, não o provoques… Ele merece ser feliz e amado. — o Hima contou. O Fai não sabia disto, porque assim que o Dark saiu da clínica apagou todos os dados.
— Não vou fazer isso, Hia… — a beijar o amado na face, o Fai concordou, a levantar-se.
— A ti também te diz respeito… não estragues tudo… peço-te, Dao… — o Gatão dirigiu-se ao irmão. Ele acenou.
— Diz-me que não planeaste nenhuma lua de mel? — o Fai perguntou. O Hima abanou a cabeça.
— Decidi que devia ser tu a escolher… quando e para onde íamos, já que te casei comigo. — o Gatão sorriu. O Dao deu uma risadinha.
— Espera! Ainda não me entendi convosco! Especialmente com o Fon! — o Fai apontava o dedo ao Dao.
— Oh-oh-oh… Hima, tenho de ir, a minha esposinha está à minha espera… algures… lá em casa… espera muito… — o Dao levantou as mãos em sinal de rendição, a sorrir, a sair do escritório de costas.
— Deixamos a lua de mel para depois… primeiro temos de ajudar a mãe com o Satanás… — o Fai suspirou.
E estava prestes a pedir ao Smart para elaborar um plano quando os pais entraram no escritório.
— Esquecemo-nos de dizer… decidimos ficar até ao casamento do Dao e do Fon. Depois voltamos a casa a partir de Las Vegas. E ainda… convidei a Calliou e o Paul para virem cá no dia 23… achas que devíamos convidar também o Nanfa? — a mãe dizia, a olhar para os filhos.
— Enquanto dormiam… interroguei o Estevão… O agente dele, Roger, está a tentar encontrar informação sobre os meus filhos. Mas eu e o Nai temos o meu apelido, e vocês têm o do pai. Isso dificulta a procura… sobretudo porque o Orfeu na altura da adopção decidiu manter o próprio apelido. Tenho o plano quase todo pensado, acabo os detalhes e partilho convosco, e depois resolvemos os pequenos detalhes juntos...está bem? Desculpem que tenha ficado assim… Não quis estragar a alegria de vocês. — a Kira continuou, a pedir desculpa.
— Está tudo bem, mãe. Se não os colocarmos no lugar, deixam de respeitar-te. — o Fai sorriu. E foram dar uma volta ao ar livre.
Ao ver o Orfeu a entrar no carro com cara satisfeita, o Hima abraçou o amado pela cintura, a agradecer mentalmente pela ideia excelente, enquanto se aproximavam do carro.
— Gui, diz à tua irmã parabéns da nossa parte… ah, certo… ela não te diz, mas de aniversário quer uma scooter Honda ADV160… e… cuidem do Orfeu… — o Fai sorriu. O Gui, que arrumava as malas no porta-bagagens, acenou.
— Conduzam com cuidado… quando chegarem, escrevam. — o Hima pediu.
— Sim, chefe. — o Gui concordou, a pegar no volante
Os rapazes partiram, e o Fai arrastou o marido para cima, onde o Tadao ia fazer do Rei um Dark… Uma hora depois, o Rei já estava vestido. O Anton deu uma risadinha ao ver o rapaz, mas não disse que de alguma forma o Dark ganhara bastante músculo num dia… A mensagem do Leo dizia que tinham entrado na cidade e não havia ninguém atrás deles.
Depois de despedirem o Anton no avião, os rapazes voltaram a casa.