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79 🔞 – Casamento (parte 3 de 3)

No salão de banquetes as mesas já estavam postas com pratos de várias cozinhas do mundo. O Nan e o Lien chegaram com meia hora de atraso, mas quando o Fai viu os olhos do Nanfa a brilhar de felicidade, percebeu que o médico legista conseguira acalmar o marido. Para surpresa do Hima e do Paul, o Nan sentou-se ao lado do pai, enquanto o Lien sorria enigmaticamente.


O Hima olhava para as pessoas Ă  mesa, e para o agora legĂ­timo cĂ´njuge,  e nĂŁo conseguia acreditar no que acontecia… Se alguĂ©m lhe tivesse dito há um ano, ou atĂ© há seis meses,  que se ia casar, o mafioso teria rido na cara dessa pessoa.


O Fai observava a mĂŁe,  e via que ela sĂł bebia sumo e água. AtĂ© o champanhe deu ao Paul, o que agradou muito ao rapazinho. Mas o que o surpreendeu foi o Dark ter mesmo chegado com o Leon, embora o Fai tivesse a certeza de que o chihuahua londrino ou nĂŁo vinha, ou trazia o Leo e o Gui. O cachorrinho via que o Dark nĂŁo queria estar ali, mas fazia-o por respeito aos pais e ao Hima. Por isso decidiu mandar-lhe uma mensagem.


đź“© Fai: <Se nĂŁo queres ficar, vai para casa.>


đź“© Orpheus: <Quem disse que nĂŁo quero? Que festa magnĂ­fica!>


đź“© Fai: <Queres que invente uma missĂŁo para poderes ir embora?>


đź“© Orpheus: <NĂŁo preciso de esmolas do cachorrinho!>


— A propĂłsito, tambĂ©m Ă© o teu casamento,  entĂŁo porque Ă© que estás sentado a trocar mensagens com alguĂ©m? — o Hima inclinou-se para o ouvido do Fai e perguntou baixinho.
— Porque o chihuahuazinho não tem boa cara. Olha para ele, parece um cachorrinho perdido… — o Fai respondeu igualmente baixinho,a pousar a cabeça no ombro do Hima, que olhou para o Dark.
— A culpa é tua… Os Twixes têm medo de desobedecer às tuas ordens… — o Hima sorriu, a perceber porque é que o irmãozinho estava triste.
— Que Twixes? — o Fai não percebeu, a inclinar a cabeça para trás a olhar para o marido.
— O Leo e o Gui. Permiti ao Dark levá-los se concordassem… como vês, está cá com o Leon e não com eles. — o Hima beijou o narizinho do amado, a dizer em voz baixa.
— Deixei-os descansar… passaram a noite a vigiar o traseiro dele… — o Fai protestou com uma nota de desagrado. O Gatão já não conseguiu conter o riso.
— Ahahahaha… Fai, como dizes… Se o Dark te ouvisse agora, de certeza que ficava vermelho… — quando o Hima riu, o Orfeu olhou na sua direcção. O Hima continuou a falar com o irmão: — Vai para casa, deves estar com dificuldade na mudança de fuso horário, irmãozinho.


Orfeu, sem dizer uma palavra, levantou-se silenciosamente da mesa, e foi para a saĂ­da, onde o Leon o esperava.


— Traz o carro mais perto, não tenho vontade de andar! — o Dark disse. O Leon hesitou.
— Mas chefe… e a sua segurança? — o rapaz preocupou-se, porque estava sĂł com o Dark hoje,  porque o senhor Manhoso recusara ter motorista.
— És completamente idiota? É o casamento do meu irmão! Que suicida se atreveria a atacar com tantos mafiosos aqui? — o Orfeu repreendeu-o. Leon foi o primeiro a apanhar o elevador para o parque de estacionamento a trazer o carro.


O Orfeu ia devagar para a saĂ­da do edifĂ­cio. O porteiro abriu a porta ao hĂłspede que saĂ­a, e inclinou-se. O homem bonito saiu para a rua, ligeiramente irritado por o Leon ainda nĂŁo ter trazido o carro. A noite inteira estivera de mau humor por causa do beijo nĂŁo correspondido do guarda-costas.


— Ha! Assim tão simples… Se soubesse antes que eras filho dela, já no clube te teria levado… — ouviu-se uma voz atrás. O Dark virou-se para o interlocutor.


O porteiro olhava para o rapaz com um olhar untuoso de admirador com um toque perturbante. A retirar devagar uma faca do bolso, aproximou-se do Orfeu. O Dark avaliava a situação e o oponente, porque na mão do homem reluzia uma lâmina muito parecida com as que a Kira usa.


Golpe.


Uma lâmina passou diante do rosto de Orfeu, mas ele conseguiu esquivar-se. De repente foi agarrado pelo braço e puxado com força para trás, e teve de rodar à volta de quem o puxava, até aparecer à frente dele umas costas largas de blazer castanho.

— Levem-no daqui! — o tom imperioso e alto de uma voz tão familiar penetrava no buraco da fechadura da porta da alma do homem, como uma chave a arrombar o coração.
— Ah, assim é ainda mais interessante… Mato-os aos dois, e ele é meu… Ha-ha! — a risada levemente assustadora do louco deixou perceber ao defensor que não planeava matar o Dark.


Golpe…


A faca riscou de raspão o ombro do blazer castanho,a cortar até sangrar.


— Gui! — o grito alto de duas vozes distraiu o atacante um segundo, dando ao Gui a oportunidade de desferir um golpe certeiro na mandĂ­bula,  depois no plexo solar, e no joelho.


Nesse momento o Leon estacionou,a saltar do carro.


— Khun! — ele gritou. Mas ao aproximar-se, o Gui já imobilizara e nocauteara o atacante, e o Dark estava agarrado ao lado do Leo.


Soco!


O Leo sem hesitar acertou no rosto do Leon, e o nariz sangrou.


— Como te atreveste a deixá-lo sozinho?! Estás farto de viver? Eu… disse… para… não… lhe… tirar… os… olhos! — primeiro o Leo apenas gritava, mas começou a tremer ao pensar que o amado podia ter sido raptado, e descarregava o medo e o tremor no Leon em forma de golpes, a acertar a cada palavra.
— Leo… — a voz de Orfeu, como uma palavra de comando, fez o rapaz congelar com o punho erguido para mais um golpe.
— O Gui está ferido, temos de ir ao hospital. — o homem bonito decidiu manipular o marido.
— Não, vamos ao escritório. O doutor Var está em casa hoje depois do turno da noite, trata-me… e ao Leon… Este tem de ir para o sotão, e ser feito a falar… Ligo ao Var para ir para lá. Avisamos os chefes depois… Não convém estragar-lhes a festa. — o Gunnar disse com seriedade, a levantar o atacante do chão.
— Meto este no porta-bagagens, e tu e o Khun Dark entram no carro. Leon,  na frente! Se ouvir uma palavra tua,parto-te o queixo! — o Leo ordenou. O Orfeu olhava para ele como se estivesse pronto para o trepar ali mesmo.
— Como quiseres, amor. Khun Dark, está bem? — o Gui concordou em tom suave, e perguntou ao Orfeu da mesma forma, a olhar nos olhos da cor do céu de tempestade.
— Sim… — o Orfeu respondeu baixinho, a sentir a face arder com o cuidado com que o homem lhe pegou no pulso,a guiá-lo para o carro.


O Leo arrastou o rapaz inconsciente para o porta-bagagens, e foi para o volante, onde o Leon maltratado já se sentara ao lado. O Orfeu e o Gui sentaram-se no banco de trás, e o homem bonito não largou a mão do guarda-costas.


— Está tudo bem, Khun Dark… — o Gui sorriu,a esfregar o dedo na mão do chefe.
— Magoaste-te… Não está tudo bem… — o Orfeu disse em voz baixa, a pousar a cabeça no ombro do guarda-costas com uma ousadia tal como se no carro não houvesse o Leon, apenas os três.
— É só um arranhão… Uns pontos e fico como novo. — o Gui continuava a tranquilizar o favorito. O Leo espreitava pelo retrovisor, e sorria.


Afinal o Leo tinha razão… A intuição dele nunca falha… E como consegue ele sentir que os que ama se vão meter em problemas…? — o Gunnar pensava para si, a sorrir para o Leo pelo retrovisor.


Ao chegar ao escritório, o Leo estacionou logo no parque subterrâneo fechado, junto ao elevador que leva ao sotão de interrogatórios.


— Subam ao laboratório, têm lá tudo para tratar os ferimentos. Eu trato disto… — o Leo voltou-se para o interior, a sorrir.
— Precisas de ajuda? — o Leon perguntou. Ao ver o olhar ameaçador do Leo, calou-se de imediato.
— Disse para ficares calado… Tens dentes a mais, ou és masoquista? — o Leo rosnou. O rapaz ao lado abanou a cabeça.


O Leo certificou-se de que os trĂŞs entravam no elevador, e sĂł depois voltou ao carro, a retirar o atacante do porta-bagagens.


A arrastá-lo para o sotão, amarrou-o a uma cadeira. Bater para tirar a verdade não era do seu agrado, mas jogar com as vítimas era uma coisa que adorava… Do armário tirou uma ampola de soro da verdade, encheu a seringa, e injectou-a. O rapaz acordou dez minutos depois, a olhar em redor.


Ao ver o Leo sentado Ă  frente, um sorriso matreiro iluminou a face do rapaz.


— Pensei que tivesses levado o chefe, como o marido mandou. — ele disse. O Leo sorriu em resposta.
— Como te chamas, para quem trabalhas e porque queres o meu chefe? — o Leo perguntou com carinho. 

O rapaz ergueu o olhar.


— O meu nome Ă© EstevĂŁo Boldi, fui contratado para obter informação sobre os pontos de pressĂŁo sobre a Madame Kira, e queria roubar o rapaz bonito para mim, porque gosto dele desde Viena. — o EstevĂŁo disse a verdade,  e ao perceber o que dissera, mordeu os lábios atĂ© sangrar. — O que me fizeste? — o rapaz indignado perguntou. Mas o Leo apenas sorria.
— Trabalhas aqui sozinho?
— Sim.
— Quem Ă© o teu empregador,  e para que serve a informação? — o mesmo tom afável, o sorriso leve,  assustavam o rapaz.
— MS— 13*. Acreditam que a Kira roubou um navio que transportava equipamento militar, armas e munições… Aaaaah, como fazes isso?! — o Estevão respondeu às perguntas, e depois gritou.


(N.T.: MS— 13 ou Mara Salvatrucha — na gĂ­ria «brigada de formigas errantes salvadorenhas» — frequentemente abreviada MS— 13. O nĂşmero 13 refere-se ao nĂşmero de tatuagens nos corpos dos membros. Actua principalmente na AmĂ©rica Central — com sede em Los Angeles. Estimativas do tamanho do sindicato variam entre 50 000 e 300 000 membros. Envolvida em tráfico de droga, armas e pessoas, roubos, extorsĂŁo,  assassinatos por encomenda, raptos para resgate, lavagem de dinheiro e burla.)


— É a magia do Carinho… Um tom suave,e aqui estás tu pronto para me contar… Quando é que viste o meu chefe pela primeira vez, e porque decidiste roubá-lo? — o Leo continuou. Mas ao aproximar-se do rapaz, passou dois dedos na face.
— Há dois anos em Viena, vi-o num cafĂ© no cais. Bebia cafĂ© e carregava nas teclas… Bonito! Sedutor! Decidi roubá-lo depois de o seguir num aviĂŁo de Los Angeles para Banguecoque. VĂ­nhamos no mesmo voo. Fui atrás dele atĂ© casa, e depois atĂ© ao clube. Vi como se divertiam consigo no quarto! Decidi roubá-lo como alavanca de pressĂŁo sobre a Kira, porque a ouvi numa loja chamá-lo de filho. Ficaria com ele, depois de ela devolver o navio-tanque! — o intruso disse quase de uma assentada. Leo virou-se atrás dele,  a pousar o queixo no ombro do EstevĂŁo, a continuar a tortura afável da verdade:


— Então viste-nos… Gostaste de como ele estava comigo?
— Sim! — o homem deixou escapar, a morder o lábio com mais força.
— Olha para ti… Estou só a perguntar, e tu respondes. Adoro animais de estimação obedientes… Queres que te solte? — o Leo perguntou com interesse. Nesse momento o Gui e o Dark entraram no sotão, e o Leo ficou imóvel, ainda com a língua a tocar a face do rapaz, mas a olhar para os homens amados.
— Leo! — o Orfeu quase gritou, a arder de ciúme.
— Não! — o Estevão gritou, a afastar o rosto.
— Estás a brincar outra vez? — o Gunnar sorriu, a aproximar-se.
— Não quer que o solte. Por que não queres ser solto, Estevão? — o Leo queixou-se ao marido em tom frustrado, e depois voltou-se com carinho para o rapaz amarrado.
— Porque é melhor matarem-me vocês, do que eu voltar de mãos a abanar. Se ele souber que vos dei informação e voltei, não me tocam mas matam a minha família! — o soro funcionava, e o rapaz dizia a verdade.
— Quem é esse «ele»? — o Leo perguntou com suavidade, a pousar o queixo no alto da cabeça do Estevão.
— Satanás… — o Estevão respondeu. E nesse momento o Dark puxou o braço do Leo.
— Para de o apalpar, Leo! — o Orfeu protestou, a puxar o rapaz para si. — Agora vais tomar banho e lavar a boca! E escovar a língua com a escova!
— Sim, chefe. Já tenho resposta a todas as perguntas, podemos ir a casa. — o Leo inclinou a cabeça,  a ir para a porta.
— Fica à vontade, Estevão. Quando o Khun Kira tiver tempo, brinca contigo. — o Leo disse por último, mas o Orfeu arrastou-o para fora do sotão.
— Tu! Como te atreveste a lambê-lo?! E tu? A tua esposinha faz isso, e tu não dizes nada, Gui? — a encostar o Leo à parede do sotão, o Dark gritava, a sentir um desejo ardente de remover com a própria língua do corpo daquele atrevido qualquer traço alheio.
— Estava a obter informação… à minha maneira… — o Leo respondeu.
— Só para obter informação ainda lhe pedirias que te fodesse! — o Orfeu enfureceu-se. O Leo apenas esperava o castigo.
— Se a sua segurança depender disso, faço-o… — o Leo disse, a olhar nos olhos do chefe favorito,  e viu neles a tempestade a aproximar-se.


Plaf!


— Não te ofereças a ninguém, Leo! — o homem bonito estourou, a sentir a palma a arder depois do golpe na face do guarda-costas encostado à parede.
— Está a doer? — o tom carinhoso e a ternura no olhar do Leo eram absorvidos pela pele, a penetrar até à alma, a envolver o coração de Orfeu.


O Leo levantou a mĂŁo que acabara de deixar uma marca na face,  e beijou com suavidade a palma e cada dedo.


— O Leon chega um pouco mais tarde, e nós temos de voltar e dar o relatório ao Khun Nai e ao Khun Dao. Não incomodamos os recém-casados. — ao ver que o amado se acalmara, o Gui sugeriu ir a casa.
— Vamos… — o homem bonito concordou, a largar o Leo.


Ao chegarem a casa, o Kira e o Nai estavam na sala de estar.


— Por que estão com ele, e não o Leon? — a Kira perguntou com firmeza.
— Khun Dark, vá para o seu quarto. Precisa de descansar e de tomar banho, tratamos nós daqui. — o Leo falou. E embora o Orfeu ficasse feliz por ele lhe falar, não queria ir sem os Twixes.
— Fico! Nem penses em discutir! Tu ainda não lavaste a boca! — o Dark apontou o dedo ao Leo.


O Gui contou o ataque, e o Leo transmitiu a informação obtida do Estevão. A Kira ia franzindo as sobrancelhas a cada palavra, especialmente ao ouvir o nome do líder da facção.


— Khun Kira… Roubou mesmo um navio deles? — o Leo perguntou.
— Ahem… Não fui eu, foram os piratas somalis… e eles é que vão fazer explodir o navio… O Satanás não queria fechar acordo de armas connosco, com o argumento de que uma boneca na máfia como eu nem roubar nada consegue… — a Kira bufou. O Orfeu deu uma gargalhada ao ouvir que a mãe ficara chateada com isso.
— Khun Kira… Sabe que a MS— 13 não deixa isto assim… Não tenho a certeza de que este atacante não tenha passado informação sobre o Khun Dark aos seus. Ele precisa de ir para um sítio seguro, ficar em Banguecoque é perigoso para ele. — o Leo disse com seriedade. A Kira ouvia a preocupação pelo filho na voz dele.
— Esta casa é o sítio mais seguro… — o Nai respondeu. Mas o Gui olhou para ele com hesitação.
— É verdade, Khun Nai… Mas não podem fechar o Khun Dark em casa e não o deixar sair… — o Gui apoiou o Leo.
— Vamos… discutir isto com a cabeça mais fria, e na presença do Hima e do Fai. Deixemos os cônjuges aproveitar a primeira noite de núpcias… Quando chegarem amanhã, então decidimos como avançar. E com esta formiguinha… Brinco eu amanhã… — a Kira sugeriu. Os rapazes concordaram, porque o Fai tem sempre boas ideias.
— Podem ir para o vosso quarto, rapazes. Obrigado por desobedeceram ao Fai e tomarem conta do Orpheus. — o Nai agradeceu. Os rapazes inclinaram a cabeça.


Os dois subiram ao segundo andar, e já iam quase a chegar ao corredor para a escada do terceiro, quando ouviram um grito:


— Alto!  Romeu e Julieta, ainda nĂŁo vos deixei ir! — o tom sĂ©rio da voz favorita apenas divertia os rapazes.


Os rapazes voltaram — e pararam diante da porta do quarto de Orfeu.


— Khun Dark?
— Entrem os dois! Têm de tomar os medicamentos, e tu… Quero certificar-me de que tomas banho, e especialmente que escovas a língua com cuidado! — o homem bonito inventava razões na hora. Mas os rapazes decidiram não lhe perguntar nada hoje, a saber muito bem o que o favorito deles realmente queria.


O Leo abriu a porta, e o Gui entrou primeiro no quarto, seguido do Dark, e o último a entrar foi o Leo, a fechar a porta à chave…


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