77 🔞 – Casamento (parte 1 de 3)
O Hima acordou por volta das 8h no quarto de hotel, com o seu Tigrezinho a dormir no peito.
— Amo-te tanto, meu menino bom… — o Gatão murmurava, a acariciar os cabelos do Fai.
— Também te amo, Hia… — o rapazinho ronronou com voz sonolenta, a aconchegar-se no peito do marido. — Vamos ao duche e voltamos a casa? — a deixar um beijo suave no mamilo, o Fai sugeriu. — Em casa a Tirak vai preocupar-se por não termos voltado…
— Claro, querido. — o Hima concordou.
Depois do duche, o casal foi a casa, onde os recebia o Nai com a menina ao colo.
— Mamã! Papá! Voltaram! — a irrequieta remexeu-se, e o Nai deixou-a ir para o chão.
— O meu anjo...já tomaste o pequeno-almoço? — o Hima perguntou, a apanhar a menina ao colo e a beijar-lhe a face.
— Sim, eu e o avô comemos papa e fruta. — a Tirak disse, a aconchegar-se no loiro.
O Hima e o Fai trabalhavam no escritório enquanto o Sakda brincava às escondidas com a Tirak sob a vigilância do Ti. Pelo menos foi o que o Fai pensou, porque a primeira coisa que o Gatão fez foi abrir o vídeo do Quarto 5 do Trinity, e ficou em estado de choque com o que viu… A enviar rapidamente uma mensagem ao Smart para mandar o vídeo apenas para o seu Line, e depois apagar tudo para que o cachorrinho amado não o visse, e também para o avisar quando o Orfeu começasse a procurar as imagens das câmaras.
Às 11h30 o telemóvel do Hima tocou, e ele atendeu, a pôr de imediato em altifalante.
📞— "Sim, Troy. O que se passa?"
📞— [Khun Hima, disse que se eu precisasse de um favor ou ajuda podia ligar…] — o homem falou em tom sério, o que deixou claro que algo acontecera de facto.
📞— "Sim. Em que posso ajudar?"
📞— [Khun Hima… o senhor também recebeu o convite para o aniversário da Makoto, certo?]
📞— "Sim."
📞— [Sei que quer toda a informação, mas por telefone seria longo, por isso explico apenas a essência do problema. O meu filho é obrigado a trabalhar para saldar uma dívida na cave do arco-íris do maldito Red Dragon… E não, digo já, aquela vadia mercantil não me deixou pagar a dívida toda, só metade. A outra metade ele é obrigado a trabalhar ao longo de um ano… O gerente do clube ligou-me e avisou que os rapazes do arco-íris terão de agradar os convidados na festa de aniversário dela… Puta miserável! Posso pedir que o senhor e os seus homens ajudem os rapazes a livrar-se do assédio?] — a voz do homem soava confiante, mas um ligeiro tremor era audível.
📡 ‹Chefe… Hope, Tawing Buatong, 18 anos. Termina o ensino secundário na XW este ano. O pai pediu dinheiro emprestado a gente da Makoto e não devolveu. O pai morreu de cancro há quatro anos, Hope e a mãe mudaram-se, mas os credores encontraram-nos na mesma. Viviam ao lado do Troy. O Troy pagou metade da dívida, mas a Makoto quis que o rapaz trabalhasse ele próprio o restante no clube. Depois do suicídio da mãe, o Troy levou o rapaz para sua casa. No clube o nome artístico do Hope é Red. De momento há seis rapazes do arco-íris, porque o Yellow, Panit, saiu do clube e vive com o Troy. É o parceiro dele, tal como o senhor e o segundo chefe. O Tawing está agora a namorar o treinador da equipa de basquetebol, Jake, Somchai Faumnuaipol. O Jake pagou os serviços do Red com um mês de antecedência, vendeu o carro para isso. O Tawing tem um excelente potencial, qualidades de liderança, o Troy treina-o. Se precisar de mais informação sobre o Troy ou o Jake, é só dizer. Fotos de todos enviadas para o Line.›
📞— "Ajudamos, Pi Troy. O Hope, o Hia e eu ficamos com ele. Os cinco colegas ficam com os nossos rapazes, decidimos quem até ao dia 18."— o Fai respondeu, a sorrir, e foi ter com o marido, a sussurrar enquanto abria o Line e mostrava a foto: — Disseste que o Troy era heterossexual… mas a mulher dele é um rapaz…
📞— [E eu não disse como se chama o meu filho…] — o Troy ficou surpreendido.
📞— "Não disse, Pi… E sobre a linda esposinha sardenta também não disse… Ficam bem juntos, tu e o Panit." — o Fai continuava a sorrir, a surpreender ainda mais o interlocutor.
📞— [Khun Hima… o seu assistente trabalha com demasiada rapidez…] — o Troy falou.
📞— "O Fai não é assistente, é a minha esposa. É difícil esconder-lhe seja o que for. Mas se o Fai disse que ajudamos, ajudamos. Escrevo os detalhes mais tarde quando tivermos o plano. Hoje depois das 15h veja as notícias… vai ser interessante…" — o Hima respondeu, a abraçar o cachorrinho.
📞— [Obrigado, Khun Hima… Khun Fai… O meu braço direito Kalleo com certeza quereria conhecê-los e aprender a recolher informação assim tão depressa… Aguardo a mensagem. Obrigado por acalmarem um bocado este coração velho.] — o Troy despediu-se e desligou.
— Surpreendeu mesmo! Nem sei o que me surpreendeu mais, se o rapazinho do lado, se a esposa… — o Hima exprimia os pensamentos, e de repente percebeu: — Espera... disseste o Hope e mais cinco rapazes, mas o arco-íris tem sete cores!
— O Yellow saiu há pouco tempo… o marido torceria o pescoço a qualquer um que só olhasse para ele...quanto mais tocar… — o Fai deu uma risadinha. Mas o Hima olhou sem perceber. — O Yellow é o Panit...a mulher do Troy.
— Voltemos ao trabalho, antes que o meu cérebro exploda com excesso de informação… — o Gatão deu um beijo na têmpora do amado, e voltou aos documentos.
Ao meio-dia, o Hima saiu de casa para o escritório sob o pretexto de verificar mercadorias nos armazéns, porque o escritório era o mais perto do departamento do concelho. Para não levantar suspeitas, o fato seria levado pela Kira. O Dao e o Fon já estavam no escritório quando um homem nervoso entrou.
— Hia, porque estás assim tão pálido? — o Dao perguntou ao ver a tez pouco saudável do loiro.
— E se ele disser não? — o Hima fez a pergunta em sussurro a tremer, a sentar-se na beira da mesa…
Quando o Fon pousou a mão no ombro do homem, descobriu que não era só a voz que tremia, era o corpo inteiro.
— Oh-oh-oh-oh-oh… Se não te conhecesse, Pi, pensaria que tinhas um ataque de pânico… — o Husky brincou. Mas o marido estendeu de imediato ao irmão uns comprimidos de sedativo e uma garrafa de água.
O Hima, sem fazer perguntas, engoliu rapidamente os comprimidos e bebeu meia garrafa de água.
— O Jah e o Tadao já estão a chegar. A mãe disse que cá estaria em meia hora. Ligou há pouco a queixar-se de que o Dark a torturou quase duas horas no Paragon com o fato… Pergunto-me… o que terá acontecido ontem para ele hoje estar assim sem vontade? Normalmente depois do sexo é o encanto em pessoa… — o Dao falou, a tentar distrair o Hima.
— É melhor não saberes… — o mafioso respondeu, a lembrar-se das imagens das câmaras.
— O quê?! Sabes e não me dizes! Hia! E a troça fraterna? Já não consigo pensar em outra coisa que não seja no fracasso sexual do Orfeu! — o Dao quase saltou do lugar,a tentar tirar informação.
— Quem disse que foi um fracasso? Pelo que sei, parece que o nosso irmãozinho vai ficar em casa por muito tempo… — o Hima raciocinou em voz alta, a tamboritar os dedos na mesa.
— Quem é o infeliz que fica com o nosso egoísta arrogante? — o Dao sacudia o Gatão pelos ombros, a distraí-lo das preocupações.
— Ah, já cá estás? Pensei que chegasses depois da mãe Kira! — o Tadao entrou no escritório a sorrir amplamente. Mas ao ver o Daonya a abanar a cabeça, calou-se de imediato.
— E se o Fai disser não? — o homem disse o maior medo em voz alta, a suspirar pesadamente.
— Pi'Hima… o que estás para aí a dizer? O Fai ama-te mais do que a vida! Ele nem consegue passar umas horas sem ti! Estás a preocupar-te à toa, Pi! — o Fon tentou acalmá-lo. Os três homens acenaram em sinal de concordância.
— E se ele ficar furioso porque o enganei quinze dias? O mínimo que me espera… são duas semanas sem sexo… E o máximo… Oh… Nem consigo pensar nisso… — o loiro dizia, sem esconder o nervosismo, a sentir as palmas a transpirar.
— Oh! Para com isso! O teu rapazinho ama-te demais… Tenho a certeza de que ele próprio não aguenta três dias sem sexo, e se ainda for constantemente seduzido, é ainda menos! — o Tadao disse para o noivo.
De repente chegou uma mensagem do Smart a dizer que o Orfeu invadiu o sistema de videovigilância do clube, e também que se recusa a sair do quarto sem o Leo e o Gui.
— Saio para telefonar… — o Hima disse, a marcar o número do Dark e a sair do escritório.
📞— [O quê?!] — a voz irritada de Orfeu surpreendeu o Hima.
📞— "Olá, irmão, perdeste o vídeo, hem?" — o homem sorriu com malícia.
📞— [Então foste tu?] — o Orfeu perguntou, ainda irritado.
📞— "Eu. Ou preferes que o Fai saiba em vez de mim? E tu…" — a fazer uma pausa, o loiro continuou a sorrir: — "Querias apagar o vídeo ou vê-lo?"
📞— [Hima! Não é da tua conta!] — o interlocutor irritado elevou o tom. O Hima deu uma gargalhada.
📞— "Tudo bem, tudo bem… Fazemos um acordo?" — o mafioso propôs.
📞— [Qual de nós é o Dormammu?] — o Dark não cedeu , sem querer admitir que precisava do vídeo.
📞— "Envio-te o vídeo e tu vens ao departamento do concelho. Não me importa se vens sozinho ou com os teus Twixes, mas tens de estar lá!" — o Hima fez uma proposta que soava mais a ultimato.
📞— [O teu… rapazinho mandou-os descansar e disse que hoje é o Leon que fica comigo! Devolve-me os meus rapazes, Hima! Caso contrário, não vou a lado nenhum!] — Orfeu voltou a animar-se, a lembrar-se de como os dois se recusaram a entrar no quarto.
📞— "Ahahahaha… Os teus rapazes?! Na verdade eles são MEUS…" — o homem não conseguiu conter o riso quando o irmão confirmou as suspeitas.
📞— [Tu!]
📞— "Não grites! Vamos fazer assim… Se eles concordarem em acompanhar-te ao casamento, podes levá-los!" — o Hima concordou.
📞— [Obrigado!] — o Dark animou-se.
📞— "Leva-me contigo, Orfi! Leva-me contigo para o casamento! E não para a cama, aos gemidos e à queca!"— o loiro especificou. O interlocutor ficou vermelho.
📞— [Vai-te foder!] — o Orfeu desligou. Mas ele próprio sorria, já a fazer um plano de como convencer Romeu e Julieta a irem com ele.
O Hima distraiu-se um bocado das preocupações do casamento enquanto falava com o Dark. E a ansiedade voltou quando viu a mãe a caminhar na sua direcção com o Stas, que carregava uma mala escura, e o loiro sabia muito bem o que ela continha…
— Oh… Não, não, não! Bola de Neve, que pânico é esse nos teus olhos? — a Kira disse com carinho em russo, a pegar no filho pelo cotovelo, a entrar no escritório.
— Mãe… tenho tanto medo… e se ele… e se… — a voz do Hima tremeu ainda mais do que antes. A mulher abraçou-o.
— Qual é o problema, meu querido? Achas que o Fai não vai querer casar-se contigo? — ela perguntou. Ao ouvir aquilo, os olhos do mafioso encheram-se de lágrimas de imediato.
— Ei! Controla-te! Se se recusar, pedimos uma pausa de cinco minutos, damos-lhe o Pacificador, e ele diz o que tu quiseres! Aí já é tarde demais! Se fizer histeria, fazemo-lo refém até mudar de ideias! — a Kira disse com firmeza. Os outros mal conseguiam conter o riso.
— Rapazes, entrego o filho nas vossas mãos e tenho de voltar a casa buscar o outro noivo. Tadao, faz dele um príncipe para que o pequeno Fai não consiga pensar em mais ninguém nem em mais nada que não seja o marido! — a mulher pediu, a entregar o fato ao Jah.
— Às ordens, madame! Trato de tudo! — o Tadao fez uma vénia, a sorrir.
— Imbecil! Não se saúda com uma cabeça vazia! — a pôr a mão na cabeça do homem, o Fon ficou até em bicos dos pés, o que fez os amigos rirem.
A Kira e o Stas foram a casa enquanto os rapazes ajudavam o Hima com o fato e o penteado. O sedativo começou a fazer efeito devagar, o tremor no corpo passou, mas a agitação interior não foi a lado nenhum.
Nunca na vida sentira tanta angústia… E o tempo todo a pensar que devia ter contado tudo ao cachorrinho logo no primeiro dia… Agora já era tarde para recuar. Só em frente, terminar o que começara duas semanas antes… Hora e meia depois, o Tadao acabou os últimos retoques no penteado, a admirar o trabalho.
— Amigo… está perfeito! A um homem assim tão bonito ninguém se atreve a dizer não! — o Dao admirou — a olhar para o Hima.
— Vamos embora? Temos menos de uma hora… e podemos ver o Fai surpreendido! E isso, diga-se, ultimamente é como ver um unicórnio… — o Jah sugeriu, a sorrir.
O loiro acenou, a esfregar o telemóvel nas mãos… Os amigos entreolharam-se, e quase arrastaram o Hima para fora do escritório. Vinte minutos depois já estavam no departamento do concelho, onde os convidados começavam a chegar.
O Hima parecia um gatinho abandonado num espaço desconhecido, a procurar refúgio nos olhos dos presentes…
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De volta a casa dos Kittichat
Orfeu depois da conversa com o Hima ficou sentado vermelho como um lavagante acabado de sair da água a ferver. Mas era um lavagante muito satisfeito, porque por um lado recuperara os rapazes, e por outro conseguira contornar a ordem do Fai.
E como faço estes dois virem comigo? É isso! Ainda não houve ninguém que resistisse a mim só com uma camisa… — o Dark sorriu enigmaticamente, a virar-se para o guarda-fato.
— Esta é demasiado curta… esta é demasiado comprida… esta não combina com os olhos… seda faz calor… oh… e se… aquela que compraram para o casamento… os botões aperreiam tanto… — a espalhar as camisas pelo quarto, o homem procurava a melhor opção…
Entretanto, o Leo e o Gui, depois de voltarem ao quarto, foram ao duche.
— Achas mesmo que ele não vai ao casamento só porque o Khun Fai pôs o Leon em cima dele? — o Gui perguntou, a passar uma esponja ensaboada nos ombros fortes do Leo.
— Bem, viste o olhar dele. Pergunto-me se ele próprio percebe o que diz e faz, ou ainda não. — o Leo perguntou, de costas para o peito do marido.
— Não te fartaste ontem à noite, amor? — a pergunta provocatória em tom lânguido despertou o interesse do Leo entre as pernas.
— Mas tu também não te importas… — a ondular as ancas, o travesso esfregou-se ainda mais no membro crescente do Gunnar.
— Leo… não comeces… O problema com o manhoso ainda não está resolvido… O Khun Hima fica muito infeliz se ele não for ao casamento. — o Gui parou-o com um suspiro fundo. O Leo virou-se.
— E então? Achas que vale a pena ceder-lhe desta vez? — a espremer champô na mão, o Leo começou a ensaboar a cabeça do marido.
— Pois…
— Oh… És demasiado mole, Gunnar… Não queres ir com ele porque tens medo do castigo do chefe, mas porque não queres que o Khun Dark fique triste, certo? — a massajar a cabeça, o Leo perguntou com suavidade.
— Pois… Temos cinco dias… e quero aproveitá-los ao máximo para que ele fique… — o Gunnar falou.
Embora o Leo pensasse o mesmo, os métodos eram diferentes.
— E porque é que eu cedo sempre? — o Leo suspirou, a puxar o marido para debaixo dos jactos de água.
— Porque me amas? — o homem sorriu, a abraçar o amado pela cintura.
— Fazes-me estopinhos com essas palavras. — o Leo beijou o Gui na face, a enxaguar a espuma do corpo do marido.
— Está bem… vamos vestir-nos… Acho que o castanho e o bege combinam com o fato bege dele… — o Leo concordou, a sair da casa de banho enquanto o marido o abraçava.
Os rapazes vestiram-se rapidamente, e decidiram ir diretamente ao quarto do Dark. Depois de se entreolharem, o Gui levantou a mão para bater à porta, mas ela abriu-se de repente, e o Orfeu estava diante deles…
A camisa branca desabotoada com uma fina riscas azuis abrira-se com o movimento brusco, a revelar as curvas do corpo bonito em cuecas brancas. Era tudo o que o provocador vestia.
— Khun Dark… há crianças em casa… aonde ia vestido assim? — o Gui perguntou como se fosse uma criança apanhada em falta, a olhar para os olhos da cor do céu de tempestade.
— Eu… não consigo abotoar os botões… as casas estão demasiado apertadas… preciso de ajuda… — o homem disse com ambiguidade e tristeza. Mas estava muito feliz que os rapazes tivessem ido ter com ele.
— Oh… Khun Dark, volte para o quarto. — o Gui estendeu a mão,e os olhos brilhantes de Orfeu enlouqueciam os dois guarda-costas, que tentavam não mostrar as emoções.
— Vais… ajudar-me a vestir, não vais? — a dar um passo atrás, o homem bonito olhava alternadamente para os rapazes. Eles suspiraram, e acenaram.
Orfeu agarrou-os a ambos pelos braços, sem se importar que alguém pudesse ver no corredor, e arrastou os rapazes para dentro do quarto.
— O que aconteceu aqui, Khun Dark? — o Gui examinou as roupas espalhadas pelo quarto, e os rapazes concluíram que o homem fizera uma birra.
— Bem… não sabia o que vestir… — o Orfeu respondeu em voz baixa, a olhar para os dois com um olhar sedutor que lhes percorreu o corpo em arrepios.
— Khun Dark, precisa de se vestir. A cerimónia é daqui a hora e meia, e ainda está em casa… quase despido… — o Gui resmungava, a levantar o braço do homem bonito e a abotoar-lhe um botão.
O Leo, por seu lado, fazia o mesmo em silêncio do outro lado. Enquanto o Gui abotoava a camisa, o Leo tirou do guarda-fato as meias, as calças e o cinto. O silêncio do Leo irritava o homem, e ele não sabia como remediar.
O Gunnar sentou o Orfeu na cama para o Leo poder calçar-lhe as meias e as calças, e ele próprio foi buscar o blazer. O Leo desabotoou o próprio blazer, agachou-se, e a vesti-lo com cuidado mas em silêncio. Ao reparar nos suspensórios sob o blazer, o Dark imaginou de imediato quão erótico ficaria esse homem sem blazer e sem camisa. As calças a moldar o belo rabo, os suspensórios no torso nu, e o olhar lascivo. O membro de Orfeu reagiu de imediato à fantasia, e o Leo, embora reparasse, ficou em silêncio e não deu sinal. A puxar pela mão o chefe a sonhar, o Leo calçava-lhe as calças.
— Ah… — um gemido suave ao toque inesperado da mão do Leo no membro excitado. Os olhos do homem bonito fecharam-se.
— Desculpe, Khun Dark. — o Leo pediu desculpa em tom seco, a ajustar o membro nas cuecas para fechar o fecho.
O Orfeu não gostou nada do tom, e agarrou o braço do Leo, que enfiaava o cinto nas presilhas. O rapaz ignorou, a continuar a enfiar com a mão livre. O Gui apenas sorriu com os jogos dos dois, e decidiu ajudar o amado.
— Khun Dark, o blazer? — a desdobrar o blazer bege atrás do homem bonito, o Gui esperava que o Orfeu enfiasse os braços nas mangas.
— Não! — ele protestou, a puxar o braço do Leo.
O Leo ergueu a cabeça, a olhar com os olhos de chocolate para o chefe favorito sem dizer uma palavra.
— Por que te comportas assim? — o tom descontente de Dark mostrava ao Leo que estava no caminho certo.
— Há algo errado, Khun Dark? Estou a fazer o que pediu, a ajudá-lo a vestir-se. — o rapaz respondeu quieto e calmo, sem desviar o olhar.
— Tu! Não falas comigo de propósito? — o Orfeu quase rosnou de indignação, a apertar ainda mais a mão do Leo.
— O trabalho de um guarda-costas é garantir a segurança da saúde e da vida do empregador. Falar distrai do cumprimento das obrigações. Compreendemos a gravidade da situação, e por isso viemos para o acompanhar ao casamento do Khun Hima. — o Leo admitiu quase honestamente.
O Leo recebeu em vez de resposta um beijo brusco, duro e dominador do chefe favorito, enquanto continuava a apertar o cinto. O Dark atormentava-lhe os lábios, a apertar com suavidade o pescoço com os dedos finos por trás. O Leo não resistiu, não emitiu som, mas não abriu a boca nem respondeu ao beijo, o que irritava o Orfeu a cada segundo. Os dedos atrevidos desabotoavam a camisa no peito do guarda-costas, a querer tocar o peito tonificado. O Gui estava de pé atrás do chefe, a sorrir ao ver como o homem mais inteligente da casa caíra numa provocação assim tão banal.
Toc toc toc.
O Orfeu afastou-se dos lábios vivos e inchados, a respirar pesadamente. O Leo abotoava a camisa com perfeita calma.
O Gui abriu a porta, e lá estava a Kira, visivelmente insatisfeita com o que o Fai lhe passara.
— Orpheus! Se não estiveres lá… — a mulher repreendeu, a entrar no quarto, e calou-se ao ver o filho já vestido, com o blazer pendurado no braço.
— Vou já. Vocês dois estão livres. Como disse o cachorrinho, hoje comigo é o Leon! — o Dark estava furioso com o Leo.
— Sim, Khun Dark. — a baixar a cabeça, os rapazes prepararam-se para sair do quarto. Mas o Stas estava no vão da porta.
— Kira Andreevna, é um sacrilégio! Estes… — o Stanislav disse com um olhar lúbrico para os guarda-costas em russo —... rapazes deixá-los em casa! Posso levá-los comigo? São um prazer para os meus olhos… e a segurança extra não faz mal… — o Stas dizia em russo à Kira. Ela apenas sorriu, a abanar a cabeça.
— É o dia de folga deles! Vão para o PRÓPRIO quarto! Foi isso que o vosso Fai ordenou! Desobedeceis-lhe?! — a pôr-se à frente dos rapazes, o Orfeu protestava em russo. O Stanislav achou estranho.
— Vocês! Porque estão parados? O Fai mandou-vos descansar no vosso quarto! Ide para lá! — o Dark rosnou, a virar-se meio de lado para o casal adorável.
— Sim, chefe. — os rapazes saíram do quarto, mas foram não para o seu, mas para o do Leon.
— Tu vais com o Khun Dark. Ele já desce. — o Gui disse ao amigo. Leon acenou, satisfeito.
— Paciência contigo, amigo… O chefe hoje não está com vontade… Não lhe tires os olhos! — o Leo sorriu, a dar uma palmadinha no ombro do Leon, porque ele era a causa da raiva de Orfeu.