75 🔞 – Amado (parte 2 de 2)
— Então? Estou a ouvir. — ele disse assim que entrou no carro. A curiosidade devorava o homem bonito.
— Há três meses foi baleado. O Khun Hima protegeu o Khun Fai da bala, mas a bala feriu os dois. O chefe entrou em coma depois da operação, e o mesmo «cachorrinho, sem o marido a segurá-lo, tornou-se um cão infernal. Depois do ferimento foi às reuniões com o Koji e o Dilan, e também com o San. O Mix disse que o Don decidiu desobedecer quando o Khun Fai pediu dois braceletes… Em quinze segundos apagou todo o trabalho acumulado do Don ao longo de três anos, e quase lhe atirou na perna. Fui eu a levá-lo ao encontro com o Masushimaru, mas era só o condutor. O Ball disse apenas que o Khun Fai assinou um contrato com uma participação de 14,3, quando o Khun Hima só esperava chegar a 10%… Depois de falar com o San, ele mandou a filha para Inglaterra no dia seguinte. No terceiro dia depois do tiroteio, o Khun Fai reuniu todos em casa e contou e mostrou quem atirara e quem estava envolvido. A mesma filha do San conspirou com o Kris para matar o Fai. O atirador foi morto pelos nossos homens depois de passar toda a informação sobre si ao Khun Kira. Do Kris fez um alvo de arco e flecha… Atirou com o braço ferido, não o matou, mas mandou-o sair de casa. Ah, tenho um vídeo do salão quando ele contava sobre o tiroteio. Aqui… — o Gui disse, e entregou o telemóvel ao Dark a reproduzir a gravação. — O vídeo seguinte é das câmaras do laboratório… Acho que ver é mais claro do que ouvir.
Orfeu viu o vídeo, e mesmo através do ecrã as palavras e o olhar do Fai davam-lhe arrepios.
— Tiros certeiros de arco e flecha, sabia onde apontava. Tal como no laboratório… Mas não é isso que me interessa… Como conseguiu encontrar em dois dias imagens de câmaras que nem eu consegui encontrar e as mensagens dos conspiradores? O Hima comprou-o mesmo, ou criou-o num laboratório? — o Dark observava os pequenos detalhes, a raciocinar.
O telemóvel do Leo tocou, e ao ver o nome ele suspirou:
📞 — "Sim, Khun Kira?"
📞 — [Diz-me só que não perdeste o meu filho.]
📞 — "Falta alguém?" — o Leo perguntou sem pensar com clareza.
📞 — [O Orpheus está convosco?]
📞 — "Sim, estamos a ir para a mansão. Passou-se alguma coisa?"
📞 — [Dêem a volta, espero-vos no Paragon. Bateram com a cabeça? O casamento do Hima é às três, e o Dark não tem fato!] — a mulher estava furiosa. Os rapazes tinham-se esquecido completamente.
📞 — "Mãe, porque grita? Não sou noivo para fazer disto um problema." — Orfeu arrancou o telemóvel da mão do Leo, sem perceber que estava a defender os rapazes.
📞 — [Ohho, ainda és sarcástico?! Descansaste bem? Estou no Paragon em vinte minutos! Tens meia hora, se te atrasares peço ao Fai para encontrar um vídeo do que estavas a fazer e com quem!] — Kira deixou escapar, e desligou.
— Não se preocupe, são só quinze minutos até ao Siam. — o Gui sorriu ao ouvir a conversa.
— Não se preocupe, Khun Dark. Não contamos a ninguém sobre… o Quarto Cinco… — o Leo disse de imediato.
— Está bem, foi uma situação isolada. — o Dark disse. Viu o olhar entristecido do Gui pelo retrovisor.
— Como quiser, Khun Dark. — o Leo respondeu com um sorriso falso.
Ao chegarem ao centro comercial em quinze minutos, Orfeu, acompanhado dos dois guarda-costas, decidiu esperar a mãe numa pastelaria perto da entrada da boutique favorita dela. Sentou-se numa mesa e pediu um sumo, estava calor. O Leo e o Gui ficaram atrás, a fazer o serviço de guarda-costas.
Os dois viram a rapariga bonita da mesa ao lado a olhar para o chefe, mas não podiam fazer nada. Ela levantou-se e foi à mesa de Orfeu, ligeiramente corada.
— Desculpe, Pi… — ela falou. O Dark olhou para ela. — É… tão bonito… Posso tirar uma foto consigo? Os meus amigos não me vão acreditar se não mostrar a foto… — ela pensou, a corar ainda mais.
— Pois. — Orfeu, já habituado a esta atenção na Europa, concordou.
A rapariga ficou ao lado dele a inclinar o rosto para perto para uma selfie.
— Desculpe, Pi, podia afastar-se? Está a entrar na fotografia. — ela disse indignada. O Gui pôs o braço à volta da cintura do Leo, a afastá-lo.
O Gui sentiu algo no olho, e começou a esfregar. O Leo reparou, e tirou-lhe a mão.
— Deixa ver, vira-te para a luz. — o Leo disse com suavidade. O Gui inclinou-se levemente.
— É uma pestana. — o Leo viu a causa, e tirou um lenço do bolso, a dobrar a borda em cone para retirar o irritante.
— Uiiiiii, não se mexam, Pi! Quero filmar, posso?! Por favor! Adoro casais masculinos… Por favor, deixem-me! — a rapariga gritou de entusiasmo ao ouvir as palavras do Leo, a esquecer completamente o homem bonito.
— Está bem. — o Gui concordou enquanto o amado lhe tirava a pestana do olho.
A rapariga bateu palmas e tirou várias fotos de ângulos diferentes.
— Pi… aqui está o meu Facebook… Pode mandar-me uma mensagem e eu envio as fotos… — a rapariga escreveu com timidez o endereço numa guardanapo, e entregou ao Leo.
Clang…
Com um tinido alto, o copo de sumo caiu da mesa de Orfeu, a partir-se. O Leo guardou o guardanapo no bolso, o Gui ergueu a mão a chamar o empregado.
— Ponha o copo na conta, Nong. — o Gui sorriu para o rapaz que vinha a varrer os cacos.
O Dark, ao ver o sorriso sincero do guarda-costas, franziu as sobrancelhas, e levantou-se da mesa a sair da pastelaria. O Leo apenas abanou a cabeça, a tirar quinhentos baht do bolso e a pô-los na mesa à frente do empregado, a sorrir:
— Pelo sumo e o copo, o resto é gorjeta para si, Nong.
Orfeu ouviu e viu tudo, irritado por ninguém ter perguntado se ele se magoara...
Ao ver a Kira a subir ao andar, os rapazes suspiraram, a esperar que ela contivesse os caprichos do amado. Mas a cada fato novo no homem bonito, a irritação crescia.
— Mordeu-te um cão raivoso ou o quê? — Kira repreendeu o filho depois do sétimo fato.
— Sim d,ois machos! — o Dark rosnava em resposta. Kira deu uma risadinha, a pensar que ele estava irritado com as amas-secas.
Em parte tinha razão… Só que Orfeu não conseguia dizer o que o irritava mais. O facto de a rapariga ter voltado a atenção para outros? Ou que esses outros eram os dois rapazes com quem passara a noite? Ou porque não lhe demonstraram o mesmo cuidado que tiveram no Quarto 5? Ou porque sorriram tão docemente para aquele empregadozinho?
Sempre que olhava para os rapazes parecia que eles não olhavam para ele. Só que se esquecera de que aqueles dois eram guarda-costas, e a vigilância discreta era o trabalho deles.
— Chega! Rapazes, qual foi o melhor fato? De qualquer forma não se consegue nada com este não vacinado! — Kira não aguentou, e perguntou ao Leo e ao Gui.
— O fato creme e a camisa branca às riscas azuis. — os rapazes responderam em coro. Orfeu voltou-se para eles, e nos olhos faiscou uma centelha.
— Então ficamos com esse. Também gostei mais desse do que dos outros. — Kira concordou.
— Levem-no para casa, eu ainda tenho de levar o fato ao Hima. — Kira abanou a cabeça, olhou para o filho — e acenou aos seus guarda-costas para irem.
— Sim, Khun Kira. — os rapazes inclinaram a cabeça.
— Khun Dark… Está na hora. — o Gui disse com voz calma.
Os três voltaram ao carro, e os rapazes sentaram-se à frente como habitual, o chefe no banco de trás.
Enquanto conduziam, o Leo e o Gui trocavam olhares carinhosos, toques leves, e nos semáforos às vezes pegavam na mão um do outro. Quanto mais contacto tinham entre si, mais o Dark se irritava, sem perceber porquê.
O telemóvel do Gui tocou, e ele pôs em altifalante porque conduzia.
📞 — "Olá, mãe. Como estás?"
📞 — [Filho, tinha tantas saudades. Não te esqueceste, pois não? O aniversário da Fa é daqui a três dias, ela está muito ansiosa por vocês e pelo Leo.]
📞 — "Claro que nos lembramos, mãe."— o Leo sorriu, a responder à pergunta da mulher.
📞 — [Oh — o meu filho amado. Como estão as tuas costas?] — a voz da mulher ficou ainda mais suave.
Também quero ser o filho favorito de alguém… — Orfeu pensou, a lembrar-se de que a Kira nunca escolhera nenhum dos três.
📞 — "Já melhor, mãe. Melhor dizes-me, como está a tensão?" — o tom preocupado do Leo agradava tanto ao Dark, e ao mesmo tempo irritava.
📞 —[Está bem — porque tomo os comprimidos que tu compraste. A propósito, tricotei um cinto de apoio para as costas. Quando vieres ao aniversário da Fa, não te esqueças de o levar.]
📞 — "Mãe! O teu filho ainda está aqui, esqueceste-te de mim?" — o Gui fingiu indignar-se. A mulher riu.
📞 — [Gunnar, foste tu que trouxeste esse rapaz doce e bondoso para a minha casa, e agora vens reclamar?]
📞 — "Mãe, o que precisa a Fa? Um telemóvel novo, ou um computador?" — o Gui decidiu desviar para a irmã.
📞 — [E a feminilidade e a ternura vendem-se em algum lado? Porque me parece que mais uns anos e ela traz uma rapariga para casa em vez de um rapaz.]
📞 — "Ahahaha… Desculpa, mãe, com a feminilidade não ajudamos, mas com a ternura podemos partilhar." — o Leo respondeu à brincadeira, e ao olhar pelo retrovisor viu a cara descontente de Orfeu. — "Mãe, pensa no que a Nong Fa precisa e manda-me mensagem, nós compramos. Temos de ir, beijinhos para ti e para a Fa."
📞 — [Devo ter-vos distraído do trabalho? Oh,desculpem, rapazes. Vou mandar-te uma mensagem, filhote de leão. Gui, não magoasses o meu menino, percebeste?] — ela disse com carinho, e depois mais sério com o Gui.
📞 — "Como poderia, mãe! É exatamente como me ensinaste: não magoar quem se ama, mas amar e mimar." — o rapaz ao volante respondeu. A mulher encerrou a chamada.
— Amor, o que oferecemos à tua irmã? No ano passado foi uma subscrição de taekwondo,, mas pelo que a mãe disse não foi o melhor presente… — o Leo disse, a pegar na mão do marido e a entrelaçar os dedos.
— Ainda temos tempo, esperamos o que a mãe escreve, e se for caso disso podemos ligar à própria Fa, certo? — o Gui sugeriu.
— Já chega! — o Dark disse irritado.
— Desculpe, Khun Dark… — os rapazes responderam em coro, e depois dessas palavras o carro ficou num silêncio mortal…
Meia hora depois, um Orfeu carregado entrava em casa, seguido do Gui e do Leo. Subiu para o quarto, mas os rapazes não o seguiram, o que irritou o homem bonito.
— Por que ficam aí parados? — o Dark protestou.
— Quando está no seu quarto, Khun Dark, o Khun Fai deu permissão para não o acompanhar. — o Leo inclinou a cabeça, a ficar no corredor.
— Ah… E quanto a não ficar a mais de dois metros? — Orfeu ficou confuso, a olhar para os rapazes. — E se me perco no quarto? — o chefe inventou rapidamente uma razão.
O Gui suspirou, e ia já ceder ao capricho do amado, mas o Leo puxou-o discretamente pelo blazer, a impedê-lo.
— Sou o teu chefe! Tens de seguir as minhas ordens! — ao ver que os pedidos não resultavam, o Dark decidiu usar a autoridade.
— O senhor mesmo disse, Khun Dark, foi uma situação isolada. — o Leo respondeu com suavidade, a olhar nos olhos do chefe com uma ternura que não podia oferecer.
— Disse para ficarem aqui! — Orfeu insistia, a levantar a voz de indignação.
— Por que estás a gritar outra vez, sabujo? — a voz do Fai soou atrás dos rapazes.
— Está tudo bem, Khun Fai. — o Leo respondeu.
— Estão de pé há mais de vinte e quatro horas, vão descansar. O Leon toma conta do senhor Orfeu hoje. Amanhã de manhã volta a ser sob a vossa vigilância. — o Fai sorriu, a deixá-los ir descansar.
— Como o senhor mandar, Khun Fai. — os rapazes inclinaram a cabeça.
— Parem! — o Dark mandou parar os guarda-costas que se viravam, e voltou-se para o Fai. — Não podes substituí-los pelo Leon qualquer! Quero-os a eles!
— Orpheus! Não são escravos teus nem brinquedos! São pessoas vivas que trabalham para nós e recebem por isso! Também precisam de descansar! — o cachorrinho repreendeu, a perguntar para si o que se passara no Quarto 5, porque os vídeos do corredor e do próprio quarto tinham sido apagados.
— Então é assim?! Está bem… Deste quarto… Sem estes dois não saio! Podes dizer à mãe! — o Dark passou-se, a apontar o dedo aos rapazes, e fechou a porta com estrondo.
— Pensei que depois do sexo estivesse de melhor humor… — o Fai murmurou. Mas os rapazes ouviram.
— Vão descansar, rapazes. Ouviram-no, não vai a lado nenhum. — o Fai sorriu, a pensar no porquê de o Smart não ter conseguido o vídeo…
O Gui e o Leo foram para o quarto, a perceber perfeitamente qual era a causa dos caprichos do chefe amado. O Fai foi arrastado pela pequena Tirak para o quarto dela, a mostrar-lhe os vestidos bonitos que ela e a avó compraram no dia anterior.
🍃 🍃 🍃
No quarto do Dark
Assim que a porta se fechou, Orfeu foi buscar o portátil, a pensar de imediato que aquele cãozinho não devia ver o que havia no Quinto Quarto…
O Dark ligou-se às câmaras rapidamente… Só que não havia vídeo desde o momento em que entrara no quarto até ao momento em que saíram. Nem no corredor, nem no próprio quarto.
Como não disse nada, não foi ele que os apagou… Então quem foi? — ele pensava, enquanto memórias lhe passavam pela cabeça. — Enchemo-lo de amor… — Amado… — Onde dói? Aqui? — Khun Dark, posso ajudá-lo a vestir-se? — …Os amados não se magoam, amam-se e mimam-se… — …Situação isolada… — fragmentos de frases passavam-lhe pela cabeça, a confundir Orfeu ainda mais.
— AAAHH! São irritantes! — a atirar uma almofada do sofá para o chão, o Dark gritava, sem perceber os rapazes nem a si mesmo.
📲 Trum… trum… trum…
O telemóvel tocou, e o Dark tirou o aparelho do bolso e atendeu:
📞 — "O quê?!"
📞 — [Olá, irmão, perdeste o vídeo, hem?] — a voz manhosa de Hima fez a pergunta, e agora Orfeu não sabia o que era melhor: que o vídeo tivesse sido visto pelo Fai, ou pelo Hima…