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70 – O Tigre e a Fera (parte 1 de 2)

📞— [Chefe… o Sakda desapareceu…] — Mix disse com voz trémula, e o Tigre despertou de imediato dentro de Fai.

📞— "Como e quando?" — as duas perguntas curtas do jovem franzido transformaram-se em calafrios nas costas de quem estava na sala de estar.

📞— [Há cerca de uma hora. Vim almoçar porque o Ti não ligou. Estava desmaiado na cozinha… O Sakda… não está em lado algum…] — Mix relatou com segurança no início, mas quando teve de falar do filho, a voz tremeu.

📞— "Como está o Ti?"

📞— "Ele… não diz uma palavra… só soluça.]— a voz preocupada traía as emoções do homem.

📞— "Pega nele e vem para casa. Eu trato disto."— Fai desligou sem esperar pela resposta.


📡 ‹Não há câmaras perto da casa deles. A procurar pistas nas câmaras disponíveis mais próximas.›


— Kai! Todos os que não estejam feridos ...aqui em três minutos. — Fai ordenou,  para não expor o Smart. 


O Gatão olhava para o rapazinho com admiração.


— Sim, chefe.
— O que se passa, querido? — a pegar na mão de Fai com a Tirak ao colo, ele olhou-lhe nos olhos.


Ao ver Lon a entrar na sala de estar, Fai tomou uma decisão.


— Filon, leva a pequena ao quarto e à sala de brinquedos. Chamo-te quando precisar. — Fai ordenou. O homem acenou e tirou a menina dos braços de Hima.


Dark observava o rapazinho, que agora estava completamente diferente do que estava cinco minutos antes. Assim que Lon subiu, e na sala estavam quase todos os guarda-costas, Fai continuou:


— O Mix perdeu o filho. Vocês sabem que as primeiras horas de uma busca são as mais produtivas. E se pensam que ele foi dar uma volta, não foi. O Ti estava desmaiado quando o Mix o encontrou. Kai,  pede ao teu marido que desça também: vai ser preciso. — disse o Tigre em tom sério que todos os rapazes já conheciam. — Tablets, portáteis,  tudo o que sabem manejar. Analisamos as câmaras dos bairros à procura de veículos suspeitos. Têm acesso ao vídeo assim que tiverem o dispositivo nas mãos. Toda a informação sobre a família do menino envio agora no Line. — o Tigre ordenava enquanto Hima estava ao lado, e a cada palavra o membro subia.
— Vá lá, sabujo de Santo Huberto,  para de olhar para mim. Liga o portátil e ajuda os outros. — Fai voltou-se para o Dark. Kira apenas deu uma risadinha quando o filho bonito foi chamado de cão.


Merda… a situação não é mesmo a mais adequada… mas aquele tom excita tanto… nem me consigo controlar… — a tapar a reação vergonhosa à mulher com a mão, o Gatão ajustou discretamente o membro nas calças.


Dark tirou o telemóvel e o portátil da mala, a perceber que o rapazinho tinha razão. De repente, o telemóvel encheu-se de informação sobre a família.


Como conseguiste o meu número, cachorrinho? — Dark pensou, a ler.


— As fotos de todos os membros da família do Pakorn estão no ficheiro. Não me importa como, mas o bebé tem de estar em casa às 17h! Prometi ao Lien estar no clube às 18h, e não gosto de mentir… Mexam-se! Caso contrário… invento um castigo divertido para cada um… — Fai sorriu. Mas agora um arrepio percorreu não só os guarda-costas, mas também Hima, Kira e até o Dark.
— Sim, chefe! — os rapazes responderam em coro, a engolir em seco.
— E desde quando é que as esposas dão ordens nesta casa? — Dark protestou sem tirar os olhos do ecrã.
— O quê? — o Tigre olhou para Orfeu com tom calmo e uniforme, a fazer apenas uma pergunta.


Kira notou nos olhos de Fai o mesmo olhar da reunião com o Dilan. A mulher aproximou-se do Dark e, a pousar a mão no ombro, disse com suavidade em russo:

— Filho, é melhor ficares caladinho e não te meteres, sim?


Porra… Que poder… dá-me arrepios… e esse olhar… foderia-o aqui mesmo… como o Tigre parece diabolicamente excitante… — todos tinham medo de olhar para Fai, com os olhos colados nos dispositivos, enquanto Hima ficava ali, maravilhado e excitado.


— Quem encontrar primeiro o rasto do Sakda recebe uma recompensa! — Fai continuou. Mais duas pessoas saíram da sala de jantar.
— O que é esta confusão toda? — Tadao perguntou ao ver os guarda-costas na sala, mas não houve resposta.


Ele e Fon aproximaram-se. O Husky tinha um chupa-chupa na boca, que rodava de bochecha em bochecha. Ao ver um rosto novo, olhou para cima, a dar uma cotovelada a Tadao.


— Sabes quem é? — o rapazinho perguntou baixinho a Tadao, que sussurrou que era o terceiro e mais inteligente filho da família, o Dark.
— Fai,  o que estão a fazer? — Tadao decidiu perguntar ao cachorrinho. Mas ele apenas se voltou para eles com um olhar descontente.
— Oh, está à vista, o Tigre saiu a passear. O que aconteceu? — Fon perguntou, a tirar o chupa-chupa da boca com um estalo sonoro.
— Raptaram o Sakda, os rapazes estão a ver o vídeo. — Hima respondeu sem tirar os olhos da mulher.


Fon aproximou-se, e ao notar o estado de Hima, ficou na ponta dos pés e sussurrou:


— Vejo que o Hima Jr. gosta deste Fai… Não consegues controlar, pois não?
— Fon! — Hima rosnou, a corar ligeiramente. — Antes ajuda nas buscas.
— Está bem, está bem… Estou dentro! O que tens? — o Husky perguntou. Hima pô-lo a par.
— Fai, és inteligente, claramente, mas podes ao menos dar-nos um intervalo de tempo? — Fon caminhou entre os guarda-costas a examinar os equipamentos.


Viu horários diferentes, desde as sete da manhã. A acabar de falar, acomodou-se num pequeníssimo sofá de couro.


— Da nossa mansão, o Ti e o filho saíram às 9h34,  quarenta e sete minutos de carro até à casa deles sem trânsito. Pelo registo de tempo no DVR do nosso carro, o Ball saiu de lá de casa às 10h58. O Mix ligou-me às 12h41. O intervalo é entre as 11h e as 12h30. — o cachorrinho dizia o que o Smart lhe ia passando.


Dark afastou-se do portátil, e a olhar para Fai com os olhos a arredondar, disse baixinho:


— Exibicionista…
— Ouvi tudo. — Fai respondeu sem tirar os olhos do telemóvel.


A culpa é minha… Devia ter feito ele aceitar a proposta… Se acontecer algo ao bebé, não me perdoo… — Fai ralhava consigo mesmo, a ver o vídeo das câmaras no semáforo perto do parque.


Quarenta minutos depois, Mix entrou em casa a trazer Pakorn. Olhos vermelhos, cara pálida, olhar vazio, e pela forma como Mix acariciava os ombros, o homem estava a tremer.


— Var, leva-o. Faz com que recupere os sentidos. Precisamos de alguma informação! — Fai ordenou. Mix entregou o marido ao médico, a contar mentalmente quantas pessoas o chefe mobilizara nas buscas.
— Obrigado… — Mix agradeceu em voz baixa, a inclinar a cabeça para Fai.


Enquanto os rapazes procuravam carros que aparecessem nas câmaras a entrar e sair da rua de Ti, Fai trocava mensagens com o Smart. Hima percebia que se pudessem falar diretamente com ele seria mais rápido.

— Fai, vamos ao escritório. Os rapazes tratam disto. — Hima pegou na mulher pelo cotovelo e levou-o.


Ao entrar no escritório, Hima fechou a porta à chave, sentou Fai na beira da secretária e pediu ao Smart para falar em voz baixa.


— Smart, o que se passa com o Don? Pode ser ele? — Hima perguntou. O assistente disse que os fantasmas ainda não raptam pessoas em plena luz do dia.
— Tens razão… Querido! És um génio! — Fai deu um beijo na face do marido. — Smart, não procuramos um carro. Procuramos uma pessoa. Faz a verificação por reconhecimento facial. — o Tigre ordenou, embora o Smart já tivesse iniciado a verificação.


Fai estava a analisar os carros a sair pelas câmaras, e ao ver uma silhueta familiar, parou o vídeo.


— Smart! Melhora a qualidade!


📡 ‹Feito, chefe. Mas mesmo sem isso, com 89,64% de precisão, é a mãe do Sakda.›


Fai saiu a correr do escritório e entrou na sala de estar com o telemóvel na mão.


— É a Mukda! — duas vozes gritaram em simultâneo. Mix acendeu de imediato.
— Toyota RAV4 Long, 2011, preto, sem matrícula. Conduzido por um homem, os óculos escuros dificultam a identificação… — Dark continuou, a mostrar ao Mix a foto das câmaras no cruzamento.
— Vou mostrar ao Ti, se calhar reconhece-o… — o homem saiu da sala. Fai enviou a foto para o telemóvel de Mix — e ele foi para o quarto.


Ao subir ao terceiro andar, entrou no quarto,  e viu Pakorn sentado na cama com o Var.


— Querido, ouve-me. Preciso da tua ajuda… Conhece-lo? — Mix perguntou com carinho, a pegar na mão do homem.


Ti olhou para a foto, e viu a cicatriz na sobrancelha esquerda.


— É… o Long… — Pakorn respondeu. Os olhos brilharam de lágrimas, e o corpo começou a tremer de soluços.
— Trago-o de volta, Ti, estás a ouvir? Trago o meu filho de volta… — a puxar o homem contra o peito, Mix acariciou-lhe os cabelos enquanto ele soluçava em voz alta.


Var acenou-lhe, e o guarda-costas percebeu o que queria dizer, a concordar a fechar e abrir os olhos lentamente.


Uma picada no braço… e dois minutos depois, Pakorn estava calmo nos braços do marido.


Lon passou pelo quarto com Tirak pela mão, e a menina, ao ver o homem a chorar, soltou a mão e aproximou-se.

— Tio, por que choras? — a menina perguntou com uma preocupação infantil e sincera nos olhos.
— O tio perdeu o filho, Tirak, a tua Mamã e o teu Papá já estão à procura. Vai brincar, querida. Os adultos resolvem. — Mix respondeu, para não mentir à criança.
— Tio, o meu Papá encontra de certeza o teu filho! Ele é um mágico! — a pegar na mão de Ti, a menina encorajou o homem com tanta sinceridade que ele acenou.
— Vão, rapazes, eu fico com os dois. Quanto mais gente, mais depressa o menino está em casa. — Var sugeriu. Mix e Filon entreolharam-se.
— Fica com eles, Pi. Eu tenho de tratar de coisas. — Mix disse ao sair do quarto.
— O rapaz chama-se Long. — Mix disse a descer a escada a correr. O Smart começou de imediato a procurar nos conhecidos de Mukda, tal como o Dark.
— Long Sanpothirat, 27 anos. Estudou na mesma universidade que a Mukda. Abandonou o curso no final do terceiro ano por se envolver com drogas. Agora é um dos traficantes de San Klahan. Foi numa das suas sucursais que a Mukda pegou a mercadoria para revender e não devolveu. — Fai disse. Orfeu deixou cair a ampulheta da mão no sofá de surpresa, porque o Tigre não olhava para o telemóvel nem para nada; apenas falava.


📡 ‹Chefe, informação importante. Há um mês, a Mukda foi internada num hospital em Lopburi com uma overdose. Os médicos conseguiram salvá-la, mas devido ao uso de drogas e a privação prolongada de oxigénio, desenvolveu esquizofrenia.›


— O Long tem propriedades, três casas: em Lopburi, em Kanchanaburi e em Banguecoque. — Dark continuou depois de Fai. O cachorrinho olhou para o homem com um sorriso.
— Os quatro armazéns de droga em Banguecoque também têm de ser verificados. No total temos sete locais. Podem ter trocado de carro, por isso teremos de verificar todos os endereços. Três pessoas por endereço,  não perdemos tempo à espera de saber em qual aparecem. Quem encontrar primeiro avisa os outros. — Fai ordenou. Os rapazes na sala concordaram.
— O Tadao e eu também vamos! — o baixinho declarou. Dark deu uma risadinha, a achar o Fon ainda mais minúsculo do que o Fai.
— Filho, então vai com o Stas: fico mais descansada. — Kira disse. Tadao acenou.
— Vamos de mota para a casa em Banguecoque, é mais rápido. — o Husky concluiu. Tadao sorriu.
— Todos os convidados para o Trinity esta noite vão para os endereços em Banguecoque, os restantes dividem-se em grupos de três como o Fai disse. — Kira resolveu a situação rapidamente, a perceber que o filho favorito não ia cancelar o clube.


📡 ‹Chefe, há 62% de probabilidade de o Long ir para um armazém perto do porto. Segui o carro pelas câmaras,  desapareceu a mover-se precisamente para essa zona.›


— Sabujo, ficas aqui e continuas a procurar a ligação entre o Long e a Mukda. Leo, Gui, ficam com o senhor Orfeu. Não lhe tirem os olhos. Têm o meu número, enviam a informação assim que encontrarem. — Fai deu ordens. Os rapazes olharam para o Dark.
— Sim, chefe! — ambos em coro.
— Não preciso de babás! Só me vão distrair! — Orfeu protestou, a levantar-se, mas ao olhar para Fai ficou de imediato em silêncio e sentou-se de novo.


O Tigre não dissera uma palavra, mas um único olhar bastara para pregar o homem ao sofá.


— Se precisares de algo para trabalhar, chá com bolachas, aveia ou cerveja com amendoins,  não te acanhes: os rapazes trazem. Porta-te bem e vens connosco ao clube. — Fai disse, e a virar-se para Mix continuou: — Mix, Filon,  vêm comigo e com o Hima.
— Kai, distribui os rapazes pelos restantes endereços. — o Tigre dava as últimas instruções antes de sair. — Mãe, cuida da Missanga. Vamos lá, Gatão,  quiseste divertimento, vamos divertir-nos.


Os quatro saíram de casa para o carro, com Filon ao volante. Assim que o corpo de Mix tocou o banco, ele soluçou.


— Está tudo bem, Mix… Percebo… — Fai disse com calma, a pousar a mão no ombro do homem.
— Vamos encontrá-lo. — Hima encorajou.


O Smart disse que a viagem levaria cinquenta e três minutos, mas se seguissem as indicações de velocidade e movimento pela cidade, aproveitando os corredores verdes, chegariam quinze minutos mais cedo.

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