69 – Ajuda para um amigo (parte 2 de 2)
Ao chegar à clínica, Fai pediu à equipa que examinasse os rapazes, porque Kai já se queixara ao maridinho de que o Fai tinha dores de costas. Depois da observação, Var receitou analgésicos e calmantes. Fai voltou ao quarto da Rak, onde uma Kira nervosa o esperava.
— Fai, o que aconteceu? — ela perguntou com suavidade, porque a menina já dormia.
— O San raptou o Nanfa, queria obrigá-lo a assinar a certidão de casamento com a filha sob efeito de droga… — o jovem confessou. Kira ficou furiosa.
— Que miserável! Mato-o eu mesma se o vir! — escapou à mulher. Fai apenas sorriu.
— Teremos de esperar, mãe… até ao próximo renascimento. O San está morto. — ele continuou, a observar a reação de Kira.
— Ebushki vorobuski… — praguejou Kira em russo. (N. da T.: expressão russa de espanto, algo como «caraças!».) — Quem?
— O Hia… O San apontou-me a arma. — Fai respondeu honestamente, a sentar-se na cama ao lado da mãe.
— Estás bem, filho? — Kira pousou a mão no joelho do cachorrinho.
— Sim, mãe… Ah, quase me esquecia! Temos reforços em casa. Seis guarda-costas. — Fai sorriu, a olhar para a mulher.
— Só que não podem trabalhar durante cerca de um mês… O Lien atirou em todos no ombro… he-he, se os puséssemos em fila, podíamos usar os ferimentos como nível de bolha. — o rapazinho brincou. A mulher não percebeu.
— O Pi'Troy manda cumprimentos a si e ao pai. O Hia ligou-lhe porque cinco dos rapazes do San eram homens dele. — Fai continuou.
— Desculpa, Fai, que tenhas aprendido os princípios deste negócio desta forma… As testemunhas são um luxo imperdoável no nosso mundo. Na verdade, esses cinco são sortudos… Se não fosse o Troy… Espera, disseste seis pessoas novas… E da Quinta eram cinco. Donde vem o mais um? — Kira finalmente percebeu.
— Bem… a escolha era entre quatro pessoas e um cadáver a mais, ou seis pessoas e dois cadáveres a menos. Escolhi a segunda opção. E, aliás, esse «mais um» é um excelente engenheiro projetista. Seria uma pena perder esse potencial. — o rapazinho respondeu honestamente. As portas abriram-se, e Hima entrou no quarto.
— Estás bem, amor? — Hima perguntou, a aproximar-se e a beijar os cabelos da esposa, porque vira o cachorrinho a segurar as costas na mansão de San.
— Vou ligar ao Nan amanhã, preciso de repartir com ele o rapaz da Quinta… — Fai sorriu. Kira deu uma risadinha.
— Que tal… Amanhã à noite ir ao clube? Já faz muito tempo que não descansamos. Tenho assuntos a discutir com o Nanfa, e tu apresentas a esposa dele ao Fon? Acho que… vai ser uma mistura nuclear. o Rinocerontezinho e o Rinoceronte grande… — o loiro sugeriu. Fai acenou sem hesitar.
— Queria falar contigo, Hia, sobre o Mix e o Kai. — o cachorrinho falou. Kira despediu-se e foi a casa.
— O que se passa com os rapazes? — Hima franziu as sobrancelhas.
— No nosso andar há muitos quartos vazios, querido. E os rapazes já são como família. E temos de pensar no que fazer com o Filon, deixá-lo ir viver com o Dew, ou o médico muda-se para junto dele. E ainda assim, fico inquieto com o Mix a andar sempre entre casa e trabalho. E quando tem turno da noite, fica mais de vinte e quatro horas sem dormir. Convidei o Pakorn para falar amanhã, quero propor-lhe trabalho para ajudar com a Rak. Para ela também vai ser mais interessante se não for a única criança em casa. E o Mix fica descansado, e nós temos com quem deixar a filha. E o Kai… É como um irmão para mim. — Fai falou sem insinuações, direto ao assunto.
— Quando é que te ocorreram estes pensamentos? — o homem perguntou, a sentar Fai no colo.
— Quando vínhamos a caminho… O Ti ligou ao Mix. O Sakda recusa-se teimosamente a jantar e a tomar o pequeno-almoço sem o Papá preferido. Pensei que quando o Pakorn recebesse a compensação do Nanfa, comprariam uma casa grande, e o Mix saísse para viver com a família. Mas o Pakorn deu mais de metade para a beneficência… e colocou o resto numa conta no banco. E embora o Mix não o diga, sei que o Ti ficou com aquele dinheiro para a educação do filho. Continuam a viver naquela casinha. Se te importaresm diz só, a casa é tua. — o cachorrinho respondeu honestamente, a abraçar o marido silencioso pelo pescoço.
Plaf!
Os lábios de Fai receberam uma palmadinha leve, e ele ergueu uma sobrancelha surpreendido; Hima nunca lhe batera.
— Porquê?!
— Por teres dito «a tua casa»! Não é a minha, é a nossa! Nossa! E se quiseres, remodelo cada quarto, ou deito tudo abaixo e construo outro, basta dizeres e faço tudo por ti. — o Gatão ficou ofendido. Fai reparou.
— Desculpa… Não te quis ofender… Amo-te tanto… — a fazer pausas, o rapazinho beijava o pescoço de Hima, a aconchegar-se ainda mais. — Querido… Agora o meu membro quer-te mesmo, mas esta noite… Apareceram-nos de surpresa dezoito cadáveres, incluindo um chefe de máfia… — o homem suspirou. Fai franziu as sobrancelhas.
— Smart, preciso de ajuda. — Fai pediu com suavidade e ,continuou: — Tenho um plano que afasta de nós todas as suspeitas e corta o oxigénio aos aliados do San.
📡 ‹Estou a ouvir, chefe.›
— Se percebi bem, a facção do San precisa agora de um líder, certo? Se o reivindicarmos, vão pensar que o matámos. Por isso, encontra o candidato mais indicado e redige um testamento em seu nome para a transferência dos negócios. Encontra o testamento verdadeiro, se existir. Agora os dezoito cadáveres. O laboratório onde fizeram o «Pacificador», encontra o local e obtém acesso. Sei que consegues imitar a voz do San, Smart. Liga lá em nome dele e diz para manter o espaço vazio porque haverá uma reunião com um cliente importante que quer permanecer anónimo. Escolhe o dia. Deixa os antigos guarda-costas dele levar os corpos para lá, porque conhecem-nos como seus e deixam-nos passar. Quando estiver tudo pronto e os rapazes saírem do território, detona de forma que nem o Lien encontre a causa da explosão. Manda uma notícia falsa para os canais: «explodiu armazém da família Klahan onde produziam drogas». Não te esqueças do álibi. — Fai delineou o plano. Hima ouvia de boca aberta a cada palavra da esposa.
📡 ‹Sim, chefe. Acho que o dia 15 às quinze horas seria o momento ideal. Quando estiver pronto para execução, aviso.›
— Qu… querido… eu ia simplesmente dá-los aos tubarões… — Hima disse em voz baixa, a perceber que se Fai em boa disposição inventava isto, o que seria em má disposição…
— Dormimos, amor? Estou tão cansado… Como sinto falta da nossa cama em casa… — Fai murmurou, a tirar o casaco ao marido.
— Se os exames da menina estiverem normais, amanhã vamos a casa, meu menino. — Hima deu um beijo na face da esposa, a ajudá-lo a despir.
— Liga aos empreiteiros, pede que venham à mansão de manhã. Temos de preparar três quartos no nosso andar. Para o Mix e o Ti, para o filho deles, e para o Kai e o Var. O isolamento acústico é obrigatório! Merda… Acho que já devíamos pôr isolamento em todos os quartos. Não quero que as crianças ouçam o que ainda não têm de saber. — Fai sorriu, a deitar-se na cama no abraço quente do marido.
— Sim, Papá. — Hima apertou um pouco mais a esposa, a olhar para a menina a dormir na cama ao lado, e a enviar uma mensagem ao pai a pedir que fizesse tudo o mais depressa possível.
🍃 🍃 🍃
Ao acordar de manhã, Tirak passou para a cama dos pais, a deitar-se entre eles. Parecia ter-se tornado norma, porque quando Hima sentiu uma mãozinha quente a tocar o lado, rodou ligeiramente, e a menina conseguiu trepar por cima.
— Bom dia. Princesinha, vem cá. Precisamos de saber como o teu corpo corajoso está a lidar com a magia do pai. — Dew entro
u no quarto para examinar a Rak, a falar em sussurro, porque via que a menina já estava acordada.
A retirar com cuidado a criança dos braços de Hima, Dew tomou-a ao colo e foi para a porta.
— Devolves-a onde a tiraste. — Hima murmurou. O médico sorriu.
— Sim, chefe. — Dew saiu do quarto com a menina ao colo, e o Gatão puxou o amado mais para si.
— M-m-m-m… não, amor, o Dew acabou de sair… Não conseguimos em dez minutos… — Fai gemeu, a sentir o membro duro do marido no rabo.
— Mas esses dez minutos seriam bons para ti… — Hima sussurrou, a beijar o pescoço do cachorrinho.
— Achas que um Tigre irritado e insatisfeito é uma boa perspectiva para hoje? — o rapazinho ressentiu-se, a perceber que dez minutos só o irritariam.
— Manhoso… está bem… espero até à noite… — Hima deu um beijo na face da mulher e saiu da cama para o duche.
Fai sorriu e já estava prestes a acompanhar o marido, mas recebeu uma chamada de Mix, a lembrar que ele e Ti já iam a caminho da mansão. O jovem suspirou fundo ao entrar no duche com o Gatão. Os rapazes lavaram-se sem sexo, embora Hima tentasse seduzir o rapazinho.
Hoje o Gatão planeava acabar os preparativos para o dia seguinte, por isso Kira já estava a caminho da clínica ver a neta. Dao e Nai acabavam os preparativos da sala e da cerimónia formal. Fon e Tadao davam ordens aos empreiteiros e carregadores para terminar até ao almoço. Elijah e Anton tinham partido de manhã para o Trinity a supervisionar os preparativos da noite.
Fai foi à mansão para não deixar Ti à espera muito tempo, a deixar o marido com a filha… bem, pelo menos era o que pensava. Quando o carro do cachorrinho entrou no terreno, ele sorriu. Carros e pessoas diferentes, a azáfama animada na casa, e no meio de tudo na sala de estar estavam Mix ao colo do filho e Pakorn.
— Desculpa se esperaste muito. Mix, vai mostrar ao teu filho a sala de brinquedos. Quando acabarmos, chamo-te. — o jovem sorriu e estendeu a mão na direcção do escritório no rés-do-chão.
Mix foi com o filho para a sala de brinquedos, enquanto Pakorn nervoso entrava atrás do jovem para o escritório.
— Senta-te, Ti, não te constranja. — Fai sorriu.
📡 ‹Chefe, os resultados dos exames de Tirak estão prontos. A medula óssea está a enxertar muito bem. Tem alta hoje.›
— Obrigado, Khun Fai. — o homem sentou-se na cadeira e examinou a sala.
— Não quero desperdiçar o teu tempo, vamos directo ao assunto, Pi. Quero fazer-te uma proposta. A minha filha tem alta hoje, mas o meu marido e eu normalmente temos muito trabalho. Enquanto ela esteve doente, tentámos trabalhar por turnos, mas não é muito produtivo. Por isso gostaria de te propor que tomasses conta da Tirak. — Fai falou. Ti ao ouvir a última frase franziu as sobrancelhas.
— Desculpe, Khun Fai, tenho de recusar. — Pakorn interrompeu.
— Porquê?
— Agora… sem problemas… tenho de tratar da educação do meu filho. — o homem respondeu honestamente e baixou a cabeça.
— Ahahaha… e é só isso? Ti, não te estou a propor que venhas cá todos os dias. Estou a propor que a tua família se mude para cá. Da educação do Sakda não precisas de te preocupar, os melhores professores trabalham com ele para que possa ir à escola no próximo ano lectivo. E ainda… vejo como o Mix está cansado a ir e vir entre casa e trabalho. Confio em ti, Ti. É por isso que quero que cuides da Tirak quando não estivermos em casa. — o jovem continuou, primeiro a rir maliciosamente, depois o tom ficou sério.
— Percebo, Khun Fai, mas a minha decisão é a mesma. Peço desculpa se desperdicei o seu tempo. — o homem juntou as mãos em wai a pedir desculpa e levantou-se.
— Podes discutir com o teu marido e dar-me a resposta depois. Mas ficava feliz se concordasses. — Fai não pressionou, a perceber que era uma decisão importante na vida de Pakorn.
O jovem ligou a Mix a dizer que esperava na sala de estar. Sakda a contragosto soltou a mão do pai favorito, a virar-se várias vezes ao afastar-se com Ti. Mix olhou com saudade para o marido e o filho que iam embora, quando Fai o chamou.
— Leva os novatos para o escritório do rés-do-chão. — o cachorrinho pediu. Mix acenou.
Cinco minutos depois, no escritório estavam sete pessoas, incluindo Mix. Fai explicou-lhes o plano para levar os corpos ao laboratório no dia seguinte. Quando os rapazes ouviram o que o novo chefe planeara, um frio percorreu a espinha a todos. Não esperavam que aquele rapazinho jovem e sorridente fosse assim tão inteligente. A reconhecer para si mesmos que o plano era mesmo bom, acenaram. Certificado de que todos perceberam o papel, Fai deixou-os descansar, e ficou no escritório mais alguns minutos para ligar ao marido.
📞— [Sim, querido.]
📞— "Os trabalhadores prometeram acabar em uma hora. Podem preparar-se para ir a casa."— Fai sorriu, mas não ouvia a voz da menina.
📞— [Tenho um assunto urgente com a minha filha, e a mãe está com ela. Estou em casa em duas horas, meu amor. Tenho uma coisa para ti…] — Hima confessou honestamente, a estar na pastelaria a olhar para as duas figurinhas do bolo de casamento de amanhã.
📞— "Hima! Se eu descobrir que me estás a trair, atiro-te para o lago das piranhas… vivo… "— por alguma razão o cachorrinho ficou furioso ao saber que o marido não estava na clínica.
📞— [Sou eu o primeiro a saltar se me vier um pensamento de traição.] — o homem admitiu. Fai sorriu levemente.
📞— "Ligo à mãe. Ah, espera… ela está a ligar-me, desligo. Espero-te em casa, Hia, depressa!" — o jovem disse ao ver a segunda linha.
Fai mudou para a segunda chamada. Kira disse que foi buscar a menina à clínica e que foram escolher vestidos, e que para Fai não se preocupar, decidiu ligar. A avó novata pediu para dizer à tia Ubon que preparasse um bom almoço, e que chegariam dentro de algumas horas.
Depois de desligar, o cachorrinho sentou-se na beira da secretária, a perguntar ao Smart sobre o testamento de San. O assistente respondeu que San ainda não tivera tempo de formalizar nada num notário, guardara apenas um rascunho na nuvem. O rascunho dizia que cedia os imóveis e os negócios oficiais à filha, e queria deixar os assuntos sujos ao secretário Bannu. O Smart acrescentou de imediato que o corpo desse homem estava no frigorífico entre os dezoito.
Fon e Tadao entraram no escritório, satisfeitos.
— Lá terminaram as obras e a montagem dos móveis. O Hima ligou a dizer que vamos ao clube esta noite? — Fon sorriu. Fai, a ver o amigo pelos quatro lados, franziu as sobrancelhas.
— O que estás a tramar, Fon? — o cachorrinho perguntou a sério.
— Nada. Quero descansar e dançar. E depois… arrastar o marido para algum quarto do clube até de manhã… — o Husky confessou. Fai corou ligeiramente com a franqueza.
— Exacto! Temos de chamar o Lien. Vão adorá-lo! — um sorriso manhoso espalhou-se pela cara do cachorrinho. Tadao e Fon entreolharam-se, e ficaram arrepiados.
— Fico mal quando sorris assim, Fai… — Tadao admitiu. Fai riu.
— Vamos, Tadao, tenho fome. — Fon agarrou o homem pela mão e levou-o para fora do escritório.
— Diz à tia que a mãe pediu algo saboroso para o almoço! A Tirak vem para casa! — o jovem gritou atrás deles.
Fai ligou a Lien a convidá-lo para o clube à noite, mas descobriu que Hima já ligara ao Nanfa e se antecipara com o convite. Depois de conversar um pouco sobre como o Raed se sentia depois do sucedido, Fai sossegou ao saber que o homem estava bem.
O cachorrinho saiu do escritório com um leve sorriso, a decidir ver televisão na sala de estar.
📡 ‹Chefe, há um convidado à espera na sala de estar.›
Fai franziu as sobrancelhas, e ao dobrar a esquina viu no sofá um homem bonito a sentar-se com toda a compostura. Olhos cinzentos não naturais que pareciam lentes, uma perna dobrada em cima da outra, um fato preto caro, o homem fazia girar uma pequena ampulheta numa das mãos e segurava uns óculos redondos e arrumados na outra.
📡 ‹Chefe. Este é o Dark. Nome verdadeiro: Orpheus Noble. Órfão, nasceu em Londres. A Madame Kira resgatou-o há oito anos em Londres quando o Orpheus de dezasseis anos calculou o algoritmo do jogo da roleta e ganhou cinco milhões, mas o dono do casino achou que estava a fazer batota. Ela negociou com o dono e propôs ao rapaz viver com eles na Rússia. Licenciou-se com distinção na Aston University, em Birmingham. Trabalha nas sombras há cinco anos, a ajudar a família a obter informação. Egocêntrico e arrogante, prefere a solidão. Bissexual. Sem relacionamento de momento.›
O olhar do estranho saiu da ampulheta e subiu para o jovem que entrara. Um olhar altivo e astuto avaliou Fai de cima a baixo.
— Uau… A mãe voltou a fazer caridade, apanhou um cachorrinho vadio na rua? — o tom arrogante deixava perceber que era provocação deliberada.
— Diz o vira-lata londrino. Oh, desculpe, Dark… ou prefere Orpheus? — Fai sorriu, a ver a arrogância no olhar desfazer-se a cada palavra — e a mão parou de fazer girar a ampulheta.
Impossível! Como é que me conhece? Já dormimos juntos? Não, rapazes não são o meu tipo, e este tem no máximo vinte e tal anos. A última vez que estive em Banguecoque foi há três anos… E só dormi com aquela rapariga loira… — os pensamentos corriam desordenados na cabeça do homem enquanto tentava lembrar-se de onde se poderiam ter cruzado.
— Estás a pensar como é que te conheço? — a apoiar os braços no encosto da cadeira, Fai assentou o rosto nas mãos, a continuar a sorrir, o que deixou o homem ainda mais em choque.
— Papá! — o grito alto de Tirak chocou ainda mais o hóspede inesperado quando uma menina de vestido verde vivo entrou a correr e se atirou para Fai, que a apanhou de imediato ao colo.
— Querida, não corras, caís! — Kira entrou sorridente, e não viu de imediato o convidado.
— Mãe, o que se passa nesta casa? Quem são estas pessoas? — Dark ergueu a voz, a olhar para Kira, enquanto a menina olhava para a porta da frente.
— Papá, quem é aquele senhor? — Rak perguntou em sussurro suave, mas depois sorriu ao ver pela janela o loiro favorito a aproximar-se da porta.
A porta abriu-se, e assim que Hima entrou, a menina contorceu-se nos braços de Fai e declarou em voz alta:
— Mamã! Olha o meu vestido! Estou bonita?
— Estás a mais bonita, a minha missanga! — o Gatão aproximou-se da mulher e da filha e deu um beijo nas faces de ambas.
— Vocês todos ficaram completamente loucos?! — Orfeu gritou em inglês, em choque com o que acabara de ouvir e ver.
— Querido, este é… — Kira quis apresentar o Dark, mas Fai antecipou-se.
— És o farejador da família, e não sabes quem sou, Sr. Invisível? — Fai sorriu, enquanto o bebé passava para os braços de Hima. — Sou o Fai, a mulher do Hima. Esta é a Tirak, a nossa filha. Acho que a mãe e o Hima não precisam de apresentação? — o cachorrinho continuou a provocar o homem em choque.
Se o Fai é a mulher, o Hima é o marido… então por que raio é ele a mamã? Donde vem a filha? Parece-se com aquele puto… O Hima… pariu? Ou aquele cachorrinho? Não, isso está além do fantástico… AAAAAHH!!! O que se passa nesta casa afinal?! Alguém me pode explicar pelo menos?! — o olhar vagueava de Hima para a Rak e para Fai. Orfeu pôs os óculos e ficou a olhar ainda mais atentamente para as pessoas à frente.
— Fai! Quebraste o meu irmão… — o Gatão sussurrou baixinho à mulher, a ver o Dark assim tão perdido pela primeira vez.
— Ele começou, chamou-me cachorrinho vadio… — Fai queixou-se em voz baixa. Hima apenas sorriu.
— Meninos, levem a filha ao quarto. Eu falo com o Orpheus. — Kira sorriu, a apreciar que alguém conseguira tirar o filho mais novo do sério.
Mal os rapazes subiram a escada, o telemóvel de Fai tocou.
📞— "Chefe… O Sakda desapareceu…] — Mix disse com voz trémula ao telemóvel, e o Tigre despertou de imediato dentro de Fai.