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68 – Ajuda para um amigo (parte 1 de 2)

Noite do dia 13


O beijo dos dois homens na cama do hospital foi interrompido pelo toque do telemóvel de Fai. O jovem tirou o aparelho e atendeu:


📞— "Sim, Lien, sentiste a minha falta?"

📞— [Disseste que eu poderia ligar-te e pedir ajuda com qualquer coisa, certo?] — a voz agitada do homem pôs Fai em alerta.

📞— "O que aconteceu?" — Fai perguntou com seriedade, a ligar o altifalante e a olhar para Hima.

📞— [Preciso de saber onde está o Wei Xin agora.] — Lien disse com voz trémula, quase a implorar. — [O Nanfa foi raptado, era homem do Wei. Por favor, Fai, diz-me que podes ajudar?] — parecia que mais um pouco e começaria a soluçar.


📡 ‹Chefe, já estou à procura da informação necessária. Dá-me vinte segundos e terá o endereço exato.› — o Smart falou pelo auricular do cachorrinho.


📞— "Acalma-te, Lien. Não entres em pânico, vamos ajudar." — ao ver que Fai estava concentrado, Hima decidiu acalmar Lien para dar tempo ao Smart de procurar.  — "O Wei está no Hotel Nord, cobertura, suite treze, dois guarda-costas à porta. Consegues?" — Fai olhou para o marido preocupado.

📞— [Obrigado.] — Lien agradeceu e desligou.


— Smart! Relatório completo da situação ... depressa. Informa em altifalante. — Fai ordenou, a entrar em modo Tigre.


As sobrancelhas do rapazinho franziram-se quando começou a pensar nas razões do rapto. Cinco minutos depois, o Smart falou em voz baixa:


📡 ‹Chefe, o Wei ajudou o San a tirar o Nanfa do escritório. Ao que parece, o Nanfa está sob o efeito do narcótico «Pacificador». O San quer que o Nanfa assine um registo de casamento com a filha, e depois levá-lo para a Inglaterra para conceber um filho. A partida está marcada para as 21h40 num jato privado. A localização do San está a ser confirmada.›


— Que animal… San — decidiste brincar com o Tigre? — Fai estava furioso enquanto o marido marcava um número.
📞— "Mãe, se não estás longe, volta. O Fai e eu temos um assunto urgente, espera a Tirak acabar os tratamentos." — Hima falou. Quando a mulher concordou, o homem marcou outro número.
📞— "Mix, reúne pessoal, uns dez homens. O endereço dou já a seguir. Prontos a tudo, vamos lá divertir-nos." — Hima ordenou com firmeza. Fai olhou para ele de boca aberta,  era a primeira vez que via o marido assim.


📡 ‹Chefe, Rua WWW,  chalé inacabado no fundo da rua, portão verde com monogramas pretos. Da clínica são setenta e cinco minutos. Da mansão noventa e três, mas se se apressarem, chegam em oitenta.›


— O que se passa, meninos? — Kira entrou no quarto menos de dez minutos depois.
— O Nan precisa de ajuda. O San deve ter arranjado uma vida extra em saldo,  vou mostrar-lhe que lhe saiu fora de validade. — a voz séria e suave de Hima chocou Fai.


O rapazinho olhou para o marido, e sentiu o membro dentro das calças a contrair-se.


Ua-a-a-u-u-u… Nunca o vi assim… — passou na cabeça do cachorrinho.


— Vamos, querido. O tempo é pouco. — o homem pegou Fai pela mão e saiu com ele do quarto.
— Kai... Rua WWW, chalé inacabado no fundo da rua. Temos de lá chegar em uma hora! — o jovem ordenou ao recuperar-se, e Kai acenou enquanto Hima ligava a Mix a dar o endereço.


Os rapazes foram para o carro, e passados quinze minutos de viagem, o Smart falou pelo auricular:


📡 ‹Chefe, o Lien recebeu o endereço. Já está a caminho com os guarda-costas do Nanfa. Chega dezassete minutos antes de si. Verifiquei a casa para onde se dirige,  portão electrónico automático, acesso já obtido. Atraso-o para chegarem primeiro?›


— O Lien foi buscar o marido. Na tua opinião,  quem deve chegar primeiro, nós ou ele? — Fai perguntou a Hima, a insinuar discretamente a informação do assistente.
— Espera… como arranjou o endereço tão depressa? E do Wei! Oh, eu gostava de ver ele a tratar disto sozinho… — Hima admirou-se, sabendo muito bem que o Wei era um canalha que manobrava até ao fim.


📡 ‹Recebido, chefe. Abro o portão para o Lien.›


— Kai... mais depressa… Estou preocupado com o Lien… — Fai preocupava-se, a esfregar as mãos. Hima reparou.
— Fai… ele não é um colegial… resolve. Até tu conseguiste… — o homem queria animar a mulher, mas parou, a perceber que invocara os três dias em vão.
— Não percebes… se acontecer algo ao Nan, ele não sobrevive… — Fai começou a falar, a contar a história de Lien ao marido.


Depois de ouvir, Hima ficou a imaginar o que teria acontecido ao rapazinho se ele não tivesse acordado… Teria ele sobrevivido à morte? Continuaria a ser o seu cachorrinho adorável, ou tornar-se-ia para sempre o Tigre diabólico?


📡 ‹Chefe, o carro do Lien está no portão. Ligação às câmaras já existentes na propriedade. Transmissão ao vivo no seu smartphone.›


Uma palmadinha leve no braço tirou Hima dos pensamentos.


— O que foi, querido? — o homem voltou-se para Fai, a sorrir levemente.
— Vemos a mulher do Nanfa em ação? — Fai sorriu em resposta, e virou o telemóvel na horizontal, a aconchegar-se no peito do marido para ver melhor.

— Max — trata deles! Todos têm de ficar vivos! — Lien ordenou com firmeza ao sair do carro, enquanto feria dois dos homens no ombro da mão com que seguravam as armas.

— Uau, este rapaz maneja mesmo bem a arma! Uma bala, um homem. Tem mesmo a certeza de que é médico legista? — Hima admirou-se ao ver Lien a lidar habilmente com os homens de San.
— Pois… Agora percebes porque é que eu o queria ajudar? É a combinação perfeita para o Nanfa! — Fai sorriu satisfeito.
— Reparaste? Cada tiro no mesmo sítio, de qualquer distância! — Hima observou maravilhado, a notar o padrão.
— Em cerca de cinco minutos chegamos, chefe. — Kai informou. Os rapazes desviaram o olhar do ecrã.
— Estavam ocupados, não incomodei. Dois dos nossos carros vêm atrás. — Kai continuou.


Ao chegarem ao local três minutos depois, doze pessoas saíram dos carros — e ao verem os homens a gemer, Hima disse com pesar:


— Rapazes, a diversão foi cancelada… A esposa do Nanfa já se divertiu sem nós…


O grupo avançou para a casa principal enquanto o Smart, ligado ao telemóvel de San, transmitia a conversa para Fai pelo auricular. Quando o cachorrinho ouviu a sugestão de Lien de lhe perguntarem, tirou o telemóvel e marcou o número.


📞— "Não ficaste satisfeito com as minhas condições, San? Decidiste ser desonesto? Avisei-te… o que acontece se os meus amigos saírem magoados?" — Fai perguntou com severidade quando já estavam à frente das portas.

📞— [Khun Fai…] — ao ouvir a voz de San a tremer de medo, Fai acenou, e os rapazes abriram as portas.

📞— "Desculpa, San." — Fai desligou, a dar um passo à frente e a entrar. — Eu só dou uma oportunidade. — continuou, a parar atrás do homem que dera um passo para o lado.


Lien voltou-se para os que entraram, e nos olhos faiscou um medo que Fai reconheceu. Vira aquele olhar ao espelho quando se trocara na loja antes de encontrar o Koji.


San, percebendo aparentemente que não sairia dali, virou a arma do Nanfa para Fai. Hima ficou horrorizado ao ver isso. A imagem do tiro junto à casa de Kalliou passou-lhe pela cabeça, e o corpo reagiu mais depressa do que o cérebro.


Bum…


Um tiro certeiro na cabeça, e o corpo de San caiu no chão enquanto uma massa sangrenta escorria pela parede. Fai ficou imóvel, a sentir o corpo tremer.


— Pega no teu marido e nos teus homens e vai embora, não estavas aqui. Eu trato disto. — Hima disse com seriedade. Lien acenou.


Assim que Lien, Nan e os homens saíram, Hima voltou-se para Fai, e viu-o parado em silêncio.


— Mix, reúne todos os homens do San que estão aqui. — o homem ordenou. Os rapazes dispersaram-se.


Hima abraçou Fai, que estremeceu ligeiramente ao toque.


— Querido, está tudo bem… Estás bem, e eu também… — o Gatão acariciou os cabelos da esposa, a perceber o que ele pensara. — O Lien e o Nan também estão bem. Meu bom menino… temos de pôr isto em ordem… percebes? — o homem disse com suavidade, a acariciar os cabelos do jovem.
— Desculpa — dá-me um momento… — a abraçar o marido com força, Fai falou no ombro dele.


Ao perceber que estava tudo bem e ninguém saíra magoado, o cachorrinho afastou-se do peito de Hima. 

Meia hora depois, num edifício vazio e inacabado, vinte e três pessoas estavam sentadas no chão.


— A Quinta… Quem souber o que é, levanta a mão! — Hima ordenou em voz alta. Cinco rapazes levantaram as mãos. — Por respeito ao Pi'Troy, proponho-vos trabalhar para mim. O vosso chefe… já não tem condições de vos pagar o salário. A filha dele… bem, vocês sabem como ela é… — Hima disse, a apontar o olhar para a mancha de sangue na parede.
— Mesmo que conheçamos o Hia Troy, como sabemos que não está a mentir? — um rapaz protestou, a lançar um olhar desconfiado a Hima.
— Mix, estes cinco vêm comigo. Os restantes ficam aqui! — Hima ordenou e saiu da sala com Fai.
— O que é a Quinta? — Fai perguntou baixinho, ouvia o nome pela primeira vez.
— Conto-te depois,  ou o teu assistente conta.  — o homem sorriu, a dar um beijo na testa da esposa e a tirar o telemóvel.


Mix e Kai levaram os cinco para fora, a fechar a porta.


📞— [Aconteceu algo, Khun Hima?] — soou a voz de um homem que os cinco rapazes conheciam muito bem.

📞—  "Desculpa incomodar, mas é questão de vida ou morte. Os teus cinco rapazes da Quinta ficaram sem chefe. Só lhes ofereci trabalho porque foste tu a treiná-los, e eles comportam-se como donzelas a fazer-se rogadas. "— a voz de Hima era calma e até ligeiramente irreverente.

📞— [Sem chefe? Khun Hima, qual dos rapazes?] — o interlocutor já preocupado perguntou.

📞—  "Digam olá, rapazes."— o Gatão sugeriu, a estender a mão com o telemóvel em altifalante.
📞—  "Olá, Hia, aqui é o Wright." — falou o rapaz que aparentemente liderava os cinco.

📞— [Então… o San está morto?] — o homem perguntou com calma. Seguiu-se silêncio. — [Wright, esqueceste o que te ensinei?]— a pergunta soou em tom sério depois de cinco segundos de silêncio. O rapaz hesitou.

📞—  "Não, Hia." — Wright respondeu como quem está em sentido.

📞— [Terceira regra ... repitam!] — a voz do telemóvel continuou.

📞—  "Servir fielmente o empregador até à morte, a sua ou a dele." — os cinco rapazes disseram em coro. Hima sorriu.

📞—  [Excelente! Agora escutem-me, rapazes. Se dependesse de mim quem seria o vosso chefe, esta chamada não teria acontecido, porque estariam de fato azul atrás daquele loiro, ou do Nanfa. O San pode ter-vos mandado para eu treinar, mas vejam onde isso vos deixou.]— Troy falou em tom sério.

📞—  "Percebi, Hia". — Wright disse em voz baixa. Hima acenou a Mix e Kai para levarem os rapazes.


Assim que a porta se fechou, o Gatão continuou a falar com Troy:


📞— "Troy, sabes como me sinto em relação aos teus rapazes. Veja-se o teu último homem,  o Kai faz um trabalho excelente. Com ele posso deixar o meu filho ir para onde quiser… Agora para coisas sérias. Ninguém pode saber que o San está morto, esse assunto resolvo em breve. Se precisares de um favor ou ajuda, tens o meu número e sabes onde me encontrar, Troy."

📞—  [Está a ofender-me, Khun Hima, não sou língua comprida. Obrigado pela oferta, vejo o que posso pedir. Tenho de ir, cumprimentos aos pais.] — Troy concluiu e desligou.


Fai ficara em silêncio o tempo todo, porque o Smart ia contando sobre a Quinta. Nunca imaginara que o Kai passara por algo assim.

— Fai, temos de acabar aqui… — Hima pegou na mão do cachorrinho. Ele acenou.


Voltaram à sala,  e o Gatão falou de novo:


— Que decisão tomaram, rapazes?
— Concordamos. — Wright respondeu. Os outros quatro acenaram.
— Kai, leva-os à clínica. Pede ao teu marido que os trate e explica que são os nossos novos rapazes. — Hima ordenou. Kai foi ter com eles.
— Os restantes, matem-nos. Querido, se não quiseres ver, vai com o Kai. — o Gatão disse com frieza, e depois falou com mais gentileza ao cachorrinho.
— Não vou! — gritou um rapaz que já estava quase a sair, a virar-se e a voltar para o grupo no chão. — Se me queres matar, mata! — disse ele indignado, a sentar-se no chão com os outros.


Mix apontou a arma para ele — mas Fai pousou uma mão no ombro.


— Como te chamas? — Fai perguntou com suavidade ao rapaz que voltara.
— Phil.
— Phil, porque é que mudaste de ideias? — Fai perguntou, embora já adivinhasse, queria ouvir a resposta.
— Se a pessoa que amo morrer, não tenho razão para viver. — Phil respondeu, a olhar nos olhos do jovem, e o rapaz ao lado apertou-lhe a mão.
— Tu. — o cachorrinho apontou para o amante de Phil. — O que dizes?
— Ponham-no a dormir e levem-no embora. — ele respondeu a Fai, e depois continuou com suavidade: — Se tens hipótese de sair, tens de a aproveitar, Phil… Os dois sabíamos que um dia um de nós morreria. Lembras-te do que prometemos? Se um desaparecesse, o outro viveria pelos dois…
— Como te chamas? — Fai perguntou, a sentir o coração apertar-se com as palavras do rapaz.
— Pupha.
— Vamos conversar, Pupha… — Fai propôs. Hima pegou-lhe na mão.
— Está tudo bem, querido. — o cachorrinho sorriu para o marido.


O rapaz levantou-se, e ele e Fai saíram sozinhos para a porta.


— Se te der uma escolha, quem de vocês morre hoje, quem escolhes? — o jovem perguntou com calma, a tirar a arma e a apontá-la para o rapaz que o olhava.
— Eu, que seja eu. — o rapaz respondeu sem hesitar. Fai sorriu.
— Considera que a tua resposta salvou a vida dele. — o cachorrinho continuou a sorrir.
— Obrigado, Khun Fai, leve-o apenas embora. — o rapaz agradeceu em voz baixa, a juntar as mãos em wai, a virar-se para a porta.
— Espera! Tenho uma proposta… — Fai disse em tom sério, a guardar a arma. — Se fores leal à minha família, podes ir com o teu homem.


O rapaz ficou imóvel,  e, sem acreditar no que ouvia, voltou-se com lágrimas nos olhos: julgava ter trocado a própria vida pela vida do amado.


— O quê? — perguntou, para ter a certeza do que ouvira.
— Se trabalharem fielmente para a minha família, ambos vão para o hospital. — Fai explicou.
— Obrigado… obrigado, Khun Fai… — Pupha ajoelhou-se à frente dele.
— Levanta-te… mas lembra-te… se me traíres a mim ou à minha família, não hesito em meter uma bala na testa do teu homem! — Fai disse com frieza. O rapaz ergueu a cabeça e acenou.
— Amo muito o Phil para arriscar a vida dele. Prometo que não o desiludo… — Pupha disse com voz trémula, a levantar-se.
— Ótimo, voltamos? — Fai sorriu como se nada fosse, e Pupha, a acenar, abriu a porta à frente dele.
— Kai, Mix, levem-nos. — o cachorrinho ordenou. Os quatro rapazes, acompanhados por Kai e Mix, foram para a porta.
— Precisas de convite especial, Phil? Ou o teu homem vai sem ti? — Fai continuou, enquanto Phil ainda assimilava.


Oh, Fai… o teu coração enorme e puro que amo loucamente… o meu pequeno Cupido… — Hima pensou, a perceber por que Fai salvara duas vidas.


— Phil… — Pupha estendeu a mão ao rapaz que estava à porta. Phil quase correu até ele, a abraçá-lo.
— Vou… com eles, querido. — Fai disse, porque sentia dor nas costas, a pousar a mão na zona lombar.
— Espera-me no quarto da nossa filha. — Hima sorriu. Fai acenou.


Nove pessoas saíram pela porta,  e assim que se fechou, o cachorrinho estremeceu ao ouvir os tiros, mas nem se virou.


— Agora… sem o meu marido por perto,  vamos falar a sério… — o Tigre assumiu o controlo da situação. 


Os seis rapazes ficaram com a pele arrepiada com aquele tom.


— O Troy confiou em vocês, não o desiludas… porque se decidirem fazer alguma estupidez, ele e as vossas famílias são os primeiros a sofrer. O vosso ex-chefe… eu avisei-o… — Fai falou. Kai e Mix entreolharam-se,  a perceber que era melhor calar agora e não contar a Hima.
— Lembro-me, Khun Fai… Estava naquela reunião. — Phil interrompeu, e, a baixar a cabeça, continuou: — Desculpe,  não quis interromper.
— Tudo o que se exige de vocês é lealdade. Enquanto permanecerem fiéis à minha família,  vivem. — Fai concluiu, enquanto Mix lhe abria a porta do carro.


O telemóvel de Mix tocou. Fai olhou para ele e acenou.


📞— "Sim." — Mix atendeu. — "Como não comeste, Ti? Dá-me isso… Sakda, por que não comes?… Ainda estou no trabalho… Oh, o meu pequenino, o pai já chega daqui a pouco… Comes um bocadinho com o pai, e quando eu chegar, comes mais um bocadinho comigo também, está bem?… Bom rapaz… claro, quando chegar leio um livro antes de dormir… vai comer… tenho de ir, bebé… beijinhos." — Mix falou ao telemóvel. Fai apenas sorria.
— Desculpe, chefe… O Sakda está a fazer a vida negra ao Ti outra vez. — Mix sorriu levemente, a pousar o telemóvel no painel.
— Percebo… A minha faria qualquer coisa por um elefante e morangos. Deixa os rapazes e vai ter com o teu filho, senão o Ti vai começar com o olho a tremer. A propósito,  o que decidiu o Pakorn com o dinheiro? — o sorriso suave no rosto de Fai deixou Mix perceber que ele percebera mesmo.


Os rapazes no carro entreolhavam-se sem perceber como chefe e subordinado podiam ter uma relação de tal confiança.


— Obrigado, chefe. Ele… deixou trinta milhões no banco e transferiu o resto para um orfanato e para uma associação de ajuda a vítimas de violência doméstica… Propus-lhe ficar em casa, mas ele insiste em procurar emprego. — Mix respondeu honestamente. O cachorrinho sorriu.
— Diz-lhe que quero falar com ele amanhã sobre emprego. — Fai já tinha um plano para ajudar Mix.
— Desculpe, Khun Fai… — Wright falou com suavidade. Ao ver que Fai não estava zangado, continuou: — Onde vamos viver? O Sr. San tinha alojamentos separados para a criadagem e os guarda-costas, não muito longe da casa principal…
— Toda a gente vive na mansão. Nada de currais para animais. São pessoas como nós. Os quartos são para duas pessoas, não se preocupem; o Kai mostra-vos tudo. Ele também veio da Quinta, como vocês. Se precisarem de algo, podem pedir a mim, ao meu marido, ao Dao ou à esposa dele. Para assuntos de trabalho, falem com o Mix ou o Kai. Ah,  certo, como se chamam, rapazes? — o cachorrinho explicou, e depois lembrou-se de que só conhecia o nome de três dos seis.
— Eu sou o Wright, o Phil e o Pupha já os conhece. Estes são o Travel, o Reed e o Mario. — os rapazes baixaram a cabeça ao dizerem os nomes.
— Vocês dois estão juntos, certo? — Fai sorriu, a apontar para o Reed e o Wright.
— Ah, sim… Não imaginava que fosse assim tão notório… — Reed baixou a cabeça.
— Kai,  dá a este e a este casal os quartos livres. O Mario fica com o Ball, e o Travel… Parece que vai querer mudar de chefe… — o rapazinho disse com segurança. Às últimas palavras, todos se voltaram para o Travel corado.
— Ligo ao Nanfa. Acho que não recusa. — Fai sorriu, porque ao entrar na sala vira aquele homem a olhar para um dos guarda-costas de Nan.
— Como adivinhou, Khun Fai? — Travel perguntou. Em resposta apenas um sorriso mais largo.
— Interessa, se não me enganei? — o jovem respondeu, a esfregar as costas e a fechar os olhos, o que não passou despercebido a Kai.
— Chefe… Quando chegarmos, que o Var o examine… Já passa de uma semana, mas vejo que as dores o torturam. — o rapazinho preocupou-se.
— Contas ao Hima, e meto o teu marido a trabalhar um mês seguido! — o cachorrinho apontou para Kai. 

O guarda-costas acenou em silêncio.


O telemóvel de Fai tocou. Ele atendeu.


📞— "Sim, mãe."

📞— [Filho — está tudo bem? O Hima não atende.]

📞— "Está tudo bem, mãe. Já estou a ir para a clínica, o Hia ficou para trás… a pôr as coisas em ordem. Quando acabar, vem ter comigo." — Fai tranquilizou a mulher.
— Chegamos à clínica em cerca de dez minutos, chefe. — Mix informou, a olhar pelo retrovisor.

📞— [Ouvi, estou à espera.]

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