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62 🔞 – Não vou fazer de novo (parte 2 de 2)

De volta a Mix


Mix voltou Ă  receção, obteve o nĂșmero da conta da clĂ­nica e transferiu 1,2 milhĂ”es. Momentos depois, Fai enviou-lhe o documento a confirmar que Tipakorn jĂĄ nĂŁo lhes devia nada.


Como soube tão depressa? — Mix pensou, a ir para o quarto de Sakda.


Ti ainda dormia, e o rapazinho estava deitado ao lado, a tentar não o acordar, porque o Papå dissera ontem que precisava de dormir mais para melhorar depressa. Ao ouvir o som da porta a abrir, Sakda virou a cabeça, e sorriu amplamente ao ver Mix com uma mochila pequena de criança nas mãos, com o formato do fato do Homem-Aranha.


Mix viu que o rapazinho jĂĄ estava acordado, e colocou o dedo nos lĂĄbios a indicar silĂȘncio. O menino acenou. Mix foi atĂ© Ă  cama e estendeu os braços para a criança, que com cuidado e um pouco sem jeito tentou levantar-se na cama para nĂŁo acordar Ti. Mix tomou o rapazinho ao colo, e ele, a tentar falar o mais baixo possĂ­vel, começou a perguntar o que havia na mochila.


Mix saiu com Sakda do quarto e foram para o refeitório. O homem percebeu que o bebé precisava de comer primeiro,e depois o resto. Mix, a segurar a criança ao colo, pegou numa papa com fruta e num copo de sumo para o menino. e foram devagar até à mesa.


— Papá, não comes? — o menino perguntou de repente, a olhar para Mix que pusera um prato e um copo à frente dele.

— Comi em casa. Vamos, rapazinho, come. Senão não sabes o que tenho aqui
 — Mix aguçou o interesse da criança. Mas Sakda apenas fez beicinho.

— Não te vi comer, por isso não comeste! Eu não como se tu não comeres! — o rapazinho era teimoso. Mix apenas sorriu.

— Ohho! E quem Ă© aqui o meu pequeno comandante, hem? EstĂĄ bem, estĂĄ bem, como contigo. Mas depois tambĂ©m terĂĄs de comer com o pai Ti, percebes? Ele nĂŁo te viu comer, por isso nĂŁo comeste. — Mix provocou o menino, mas para sua surpresa ele apenas acenou.

— Fica aqui, vou buscar papa. Não vás a lado algum, está bem? — o guarda-costas concordou, a levantar-se e a apontar para o menino.

— Sim, Papá. Espero-te aqui! — o rapazinho sorriu ao ver Mix ir buscar comida.


Sakda nĂŁo lhe tirou os olhos, mas nĂŁo comeu a papa enquanto Mix nĂŁo voltou e se sentou com ele.


— Come, Sakda, senão a papa arrefece e não fica boa. — insistiu o Papá adotivo. Sakda começou a comer.

— Papá, experimenta! Está tão boa! — o menino estendeu a colher à boca de Mix, que aceitou a comida a sorrir.

— M-m-m-m
 está muito boa! Então tens de comer tudo. — Mix desgrenhou o cabelo de Sakda. Ele acenou vigorosamente.


Depois do pequeno-almoço, subiram ao quarto. Ti ainda dormia, por isso Mix e Sakda tentaram não fazer barulho. Mix abriu cuidadosamente a mochila e estendeu-a ao menino, cujos olhos brilharam de entusiasmo.


— Isto tudo Ă© para mim, Ă© sim, Ă© sim? — Sakda entusiasmava-se em sussurro, a tentar nĂŁo acordar o pai. Mix acenou.


O menino tirou da mochila um pacote de marcadores e um livro para colorir com carros, e sentou-se no chĂŁo diante da mesinha de centro. Mesmo assim era um pouco alta, por isso Mix pegou numa almofada do sofĂĄ e pĂŽs por baixo do rabo de Sakda para o levantar. Satisfeito, o menino pousou na almofada macia e sentou-se a colorir. Passados quinze minutos, Sakda esqueceu que o pai ainda dormia e falou em voz alta:


— Papá! Olha como o carro ficou bonito!

— Sh-sh-sh
 nĂŁo grites, Sakda,  o pai ainda dorme. — Mix disse em voz baixa mas sĂ©ria. O bebĂ© fechou a boca com a mĂŁo.

— Pwasculpa
 Esqueci
 — Sakda sussurrou com a boca fechada. Mix derretia com a fofura.

— Muito bonito. Porque não desenhas qualquer coisa para mim? — Mix pediu. O menino acenou vigorosamente.


Sakda tirou da mochila um caderno de espiral e começou a desenhar, enquanto Mix olhava para o menino sério e concentrado.


— Sakda! — Ti gritou ao abrir os olhos e nĂŁo ver o bebĂ© na cama.


O bebé assustou-se e deu um salto na almofada, a mão tremeu e ele franziu as sobrancelhas.


— Pai, estragaste tudo! Agora tenho de desenhar outro! — Sakda protestou. Ti sentou-se na cama ao ver o filho a desenhar na mesa, com Mix sentado no sofá ao lado.

— Sakda, Ă© bonito gritar com o pai, hem? — Mix perguntou com seriedade. O menino, a largar o lĂĄpis, voltou-se para Pakorn.

— Desculpa, Papá. — o menino juntou as mãos em wai a pedir desculpa. Mix apenas sorriu.


E ele nĂŁo Ă© nada mau
 — Ti pensou, a olhar para Mix.


— Bom dia, Ti. Vai tomar duche, e depois ao refeitório. Fico com ele. Temos muito de que falar. — Mix desviou o olhar do menino para o pai.


Ti hesitou, mas acenou. Foi ao duche e, ao sair, viu o filho sentado ao colo de Mix, a explicar ativamente qualquer coisa. A aproximar-se por trĂĄs, viu o desenho de Sakda.


O menino desenhara uma casa grande com um relvado bonito, um cĂŁo a brincar com uma bola, e dois homens a segurar as mĂŁos de um menino de cada lado.


— Gostaste, Papá? — o menino perguntou no fim. Mix acenou.

— Muito! Desenhas tão bem! Queres ser artista? — o guarda-costas elogiou a criança.

— Não! Quero ser bombeiro! — Sakda respondeu de imediato. Mix desgrenhou-lhe o cabelo.

— Então tens de comer muito, estudar muito e fazer desporto! E o mais importante — tens de obedecer ao pai! — Mix abraçou o menino — a referir-se a Ti.

— Sim, Papá! Vou obedecer-te, palavra de honra! — Sakda envolveu os braços no pescoço dele e beijou-o na face — ao ver Ti atrás.

— Pai! Olha o que desenhei! É bonito? — o menino sentado no colo do homem, de frente para ele, estendeu o desenho a Pakorn.

— É bonito — e quem Ă©? — Korn perguntou, a olhar para o desenho.

— Sou eu, Ă© o pai Ti, e Ă© o pai Mix! E este Ă© o Jesse! — o menino explicou, a apontar com o dedo para o desenho.

— Vai comer,  nĂłs ficamos aqui. — Mix sugeriu, a reclinar a cabeça no encosto do sofĂĄ para ver Ti.


Ti foi ao refeitório sem dizer nada, sem perceber porque é que o filho se comportava assim com um homem estranho. Depois do pequeno-almoço, Pakorn voltou ao quarto, e viu Mix a ler um livro ao filho, que ouvia com carinha muito atenta.


Seria um pai excelente
 — Ti pensou, exatamente no momento em que Mix parou e ergueu o olhar para ele.


— PapĂĄ, lĂȘĂȘĂȘ! O que aconteceu depois? O que disse o chicote? — Sakda virou-se impaciente para Mix e inclinou a cabeça em direção ao livro para que continuasse.

— E o chicote disse: «HĂĄ uma fera que vive no canto desta baia — todas as noites rĂłi-me e nĂŁo posso fazer nada. Este animal Ă© mais forte do que eu.»

A mĂŁe rato e o pai rato correram para o canto e encontraram de imediato uma pequena toca. De lĂĄ espreitava o focinho de um rato jovem e bonito.

«Ah, entĂŁo este Ă© o mais forte do mundo. Oh, o mais forte — casa com a nossa filha, nĂŁo hĂĄ ninguĂ©m na Terra mais bonita do que ela!»

O rato satisfeito, claro, concordou em casar com a ratinha bonita. No mesmo dia realizou-se uma alegre festa de casamento com mĂșsicos. Ao casamento vieram o Sol, o Vento, a Pedra, o BĂșfalo e o Chicote. A cada novo convidado, a ratinha noiva dizia: «DĂȘ-me os parabĂ©ns. NĂŁo hĂĄ ninguĂ©m mais forte do que o meu marido no mundo!»


— Agora, Sakda, senta-te a desenhar, preciso de falar com o teu pai, estĂĄ bem? — Mix terminou o conto e sentou o bebĂ© no sofĂĄ.


Mix levou Pakorn para fora do quarto — não queria falar de dívidas à frente da criança.


— Aconteceu algo? — Ti perguntou de imediato, a olhar para a cara sĂ©ria de Mix.

— Já não deves nada ao meu chefe, paguei a dívida. Aqui está um documento assinado pelo Khun Hima a confirmar que liquidaste. — Mix estendeu o telemóvel ao homem. Ele olhou para o ecrã, e ficou furioso.

— AlguĂ©m te pediu para fazeres isso?! Consigo tratar dos meus prĂłprios problemas! Quanto? — Ti estava muito indignado. Mix ficou surpreendido.

— Quanto o quĂȘ? — Mix nĂŁo percebeu.

— Quanto te devo agora? A ti! NĂŁo Ă©s diferente do Don! Achas que nos podes comprar? — Pakorn jĂĄ gritava. Mix sentiu o coração a partir-se com a comparação ao miserĂĄvel.


Ele só queria que o pequeno Sakda pudesse ter uma vida tranquila e segura. Mix não ia comprá-los — nem sequer pensava em magoar o menino, não pensava nele como um objeto sexual.


— NĂŁo te atrevas a comparar-me com ele! NĂŁo ia comprar ninguĂ©m! O dinheiro Ă© meu, e tenho o direito de o gastar com o que acho importante! NĂŁo precisas de mo devolver! — Mix ficou furioso. Ti simplesmente estourou, e voltou ao quarto.

— Arruma as coisas, Sakda! Vamos a casa! — Pakorn disse em voz alta. O menino estremeceu de surpresa.


Mix entrou no quarto e viu Ti a enfiar brutalmente as coisas do bebĂ© numa mochila. Sakda olhou para Mix que entrara — e sorriu.


— Papá, vais viver connosco? — a pergunta entusiasmada da boca do menino deixou Pakorn ainda mais furioso.

— Não! Vamos sozinhos! Disse para arrumares as coisas, Sakda! — Pakorn gritou para o filho. O menino agarrou o caderno de desenho e os marcadores.

— NĂŁo descontes na criança, Pakorn! A culpa nĂŁo Ă© dele! — Mix levantou o tom. O homem lançou-lhe um olhar furioso.

— Tu nĂŁo Ă©s o pai dele! — Ti repreendeu Mix com brusquidĂŁo. Ele ficou imĂłvel.

— Não vou! Quero ficar com o Papá! — o menino soluçava, a segurar a mochila que Mix lhe trouxera.


Tipakorn pegou em Sakda ao colo e saiu. Mix ficou em silĂȘncio no quarto vazio.


Certo
 Não sou o pai dele
 — Mix pensou, sem reparar nas lágrimas a escorrerem pela face.


Finalmente voltou a si, enxugou as lĂĄgrimas e saiu do quarto, rumo a casa.


🍃 🍃 🍃


Entretanto, Pakorn


Voltou a casa de tåxi. Sakda não parou de soluçar um minuto, a exigir voltar para o Papå. Ti decidiu que choraria e se acalmaria, por isso não ligou às lågrimas do bebé. O homem foi preparar o almoço, e hora e meia depois os soluços diminuíram. Ao entrar no quarto, viu o filho a dormir com os olhos vermelhos a abraçar um caderno com desenhos. Ti tentou suavemente tirar o caderno das mãos do menino, mas ele acordou e, aos gritos, agarrou-se ao caderno com unhas e dentes:


— É meu! Foi o Papá que mo deu!
— Fiz a tua omelete favorita, Sakda. Vem comer. — o pai tentou falar com calma, a largar o caderno.
— Não como! Não quero! Quero ir para o Papá! Leva-me ao Papá! — o menino gritou. As lágrimas voltaram aos olhos.
— Chega de histĂ©ricos, Sakda! Ele nĂŁo Ă© teu pai! — o homem gritou com o menino. A criança chorou ainda mais alto, Ti nunca lhe gritara.


O homem saiu do quarto e bateu com a porta,a ouvir os soluços ficarem ainda mais altos.


— Está bem, se tiveres fome comes tu mesmo! — o homem estava furioso com o filho e com Mix.


O bebĂ© nĂŁo desceu ao jantar, e ao anoitecer Pakorn começou a preocupar-se seriamente com o filho, porque nĂŁo comera o dia todo. Ti levou-lhe o jantar ao quarto, mas o pequeno olhou apenas para ele com tristeza a soluçar — e afastou o prato.


— Hei de dar-te de comer como a um bebĂ©? — Korn provocou o filho,sabia que Sakda nĂŁo gostava que lhe chamassem pequeno.
— Não como! Não! Sem o pai não como! — a criança gritou, a cruzar os braços sobre o peito e a virar-se para longe do pai.
— EntĂŁo nĂŁo Ă© nĂŁo. Se quiseres comer, a comida estĂĄ na mesa. — Pakorn disse com calma e saiu do quarto com o prato.


O menino olhou para o pai, e embora jå quisesse muito comer, decidiu continuar o boicote. Uma hora depois o menino adormeceu, por ter passado quase o dia inteiro a chorar. A meio da noite acordou e começou a chorar outra vez. Pakorn acordou, tentou acalmar o filho, mas ele chorava ainda mais nos braços.


Uma noite quase sem dormir, e o mesmo no dia seguinte. O bebé recusava-se a comer, a chorar e a pedir para ir ter com Mix. E Pakorn jå estava pronto a ceder, só que não sabia onde havia de procurar o dito homem.


Ir Ă  clĂ­nica? E o que pergunto lĂĄ? Merda
 vai no segundo dia quase sem comer nem dormir
 que hei de fazer? — o homem preocupava-se agora a sĂ©rio com a criança, que estava sentada encostada Ă  porta de entrada.


🍃 🍃 🍃


Mix na manhĂŁ seguinte


Depois de quase não dormir a noite toda, o homem só pensava no menino a chorar, e o coração sangrava-lhe com aquela cena. Hoje a Tirak ia fazer o transplante de medula óssea, por isso ele não fazia falta na clínica. Era como se Fai soubesse o que acontecera, e sugerira a Mix que tirasse o dia de folga hoje. O homem desceu à cozinha, mas não conseguia engolir nada. Tudo o que queria era ver os olhinhos brilhantes e o sorriso no rosto de Sakda.


Tu nĂŁo Ă©s o pai dele! — voltou a passar pela mente do guarda-costas, mas nĂŁo conseguia parar de se preocupar com o bebĂ©.


Depois de vaguear pela casa atĂ© ao almoço, Mix pegou no carro e foi a casa de Tipakorn. Ao parar, saiu do carro,  e nĂŁo tinha a certeza de ter feito a coisa certa ao vir.


Porque Ă© que eu nĂŁo posso vir? Mesmo nĂŁo sendo o pai dele
 posso ser simplesmente um amigo ... — Mix convencia-se, a subir os trĂȘs degraus da varanda.


Toc toc toc.


A porta abriu-se depressa, e à frente estava um menino em lågrimas com os olhos vermelhos e inchados, que de imediato se atirou para os braços do homem.


— PapĂĄ! Snif
 vieste! — o bebĂ© soluçava nos braços do homem, que o apertava contra si.
— Sh-sh-sh-sh
 rapazinho, nĂŁo chores. Oh, o meu pequenino, porque estĂĄs a chorar, hem? — Mix acariciava o cabelo do bebĂ© quando Ti saiu.
— O que estás a fazer aqui? — o dono da casa perguntou com rispidez, mas no coração estava contente, porque talvez conseguisse fazer o filho comer.
— NĂŁo vim ver-te, vim ver o bebĂ©. — Mix respondeu secamente, a embalar o menino nos braços.


Ao ouvir a barriguinha do menino a dar horas, Mix franziu as sobrancelhas a olhar para Pakorn.


— Porque estás a olhar assim para mim? — Ti protestou, a sentir-se ligeiramente corado de vergonha por não ter conseguido fazer o filho comer em vinte e quatro horas.
— Rapazinho, o que aconteceu? Porque tens os olhinhos tão vermelhos? — Mix a virar o rostinho para si, a enxugar as lágrimas.
— Snif
 Papá
 o pai
 ele
 snif
 o pai não me queria levar ter contigo
 snif
 gritou comigo
 ralhou
 snif
 bateu-me no rabinho
 snif
 — o menino queixou-se, a exagerar, e a cada palavra Mix ficava mais furioso com Pakorn.
— Sakda! Não te ensinei a mentir! — Ti protestou ao ouvir o filho a inventar que fora batido.
— Pequenino, a tua barriguinha faz tanto barulho, jĂĄ comeste? — Mix perguntou, a ouvir outra vez o barulho. O bebĂ© abanou a cabeça.
— Pakorn! — repreendeu-o o homem, e Ti ficou de boca aberta.
— Não me grites! Ele recusou-se a comer! E a dormir! — Korn justificou-se. Mix olhou para Sakda.
— Estou com fome
 Papá. Comes comigo? — Ti ficou surpreendido com a rapidez com que o comportamento do filho mudara.
— Se tu não comeres comigo, não como! — o menino deu um ultimato.
— Está bem, está bem. Se o teu pai deixar, como contigo. — Mix olhou para o Pakorn insatisfeito.
— Sakda, mostra onde Ă© a cozinha. E depois de ele sair, temos uma conversa sobre o teu comportamento e as mentiras! — Ti disse com firmeza. Mix pĂŽs o menino no chĂŁo.
— E tu! Conversamos a seguir! — Mix apontou para Ti, a falar com firmeza e quase em sussurro para Sakda não ouvir.
— Não me ameaces em minha própria casa! — Pakorn protestou e seguiu-os para a cozinha.


Mix viu a comida pronta no fogĂŁo e voltou-se para o menino:


— Onde estão os pratos, rapazinho?


Sakda apontou para o armĂĄrio ao lado da cabeça do homem, que o abriu, tirou os pratos e começou a servir a comida. O menino tirou do frigorĂ­fico uma garrafa de ĂĄgua. Mix serviu a comida em trĂȘs pratos e pĂŽ-los na mesa.


— Vamos, meu pequenino, temos de comer! E tu tambĂ©m senta-te Ă  mesa
 Onde estĂŁo os medicamentos que tens de tomar antes de comer? — Mix disse com carinho para Sakda,  e com mais firmeza para o pai.


Ti bufou, mas foi buscar os comprimidos. A mostrar de forma ostensiva que os tomava, sentou-se à mesa. Sakda animou-se de imediato e começou a comer depressa, a olhar para Mix que comia sem pressa.


— Sakda! Come devagar, engasgas-te! EstĂĄs com tanta pressa, como se nĂŁo comesses desde ontem
 — Mix advertiu o menino. Ao ouvir as Ășltimas palavras, ele acenou.


— Sim, pai
 Só comi contigo! — o menino orgulhoso confessou honestamente o seu ato heroico.
— Sakda! E se a barriga te doer? Sabes como fico preocupado? Tens de comer bem para cresceres grande e forte. Fraquinhos não são bombeiros, rapazinho! — Mix ralhou com a criança. O menino olhou para ele e franziu as sobrancelhas.
— Desculpa, pai
 Já não o faço mais
 — o menino pediu desculpa. Ti deixou os pauzinhos cair das mãos ao ouvir o filho pedir desculpa tão depressa.


Passei, porra, vinte e quatro horas a implorar-lhe que comesse, e sĂł ouvia soluços em resposta
 que magia Ă© que este tipo fez ao meu filho, que ele nem parece o mesmo?! — indignava-se Pakorn por dentro, ao ver o filho a comer.


Depois da refeição, Sakda não saía dos braços de Mix, sentados no sofå da sala. Por falta de sono a noite anterior, o bebé apagou passados quinze minutos nos braços do pai.


— Onde Ă© a cama dele? — Mix perguntou em voz baixa, a ajustar o menino nos braços para o carregar com mais conforto.


Ti acompanhou-o ao quarto. Mix entrou e viu na cama do menino o caderno com o desenho de ontem. 

Afastou-o com a mão, pÎs a criança na cama e cobriu-a com o cobertor. O homem pegou no caderno e pousou-o na mesinha ao lado da cama, e voltou-se para o dono da casa. A agarrar Ti pelo braço, Mix arrastou-o para fora do quarto do menino.


— Que raio estás a fazer? — o homem protestou, a puxar o braço.
— Precisamos de conversar! E baixa a voz, acordas o filho! — Mix disse zangado, a lançar um olhar descontente a Ti.
— No quarto da Mukda podemos falar. — Pakorn apontou para a porta. Mix agarrou-lhe o braço e puxou-o para dentro.


Assim que a porta se fechou, Ti começou a protestar:


— Que porra estás a fazer aqui? Quem te chamou?!
— Ousaste bater no menino depois de tudo o que ele passou?! — a encostar o corpo à parede junto à porta, Mix perguntou com firmeza, a bloquear as saídas de Pakorn com os dois braços.
— Não lhe bati! Porra, por que raio me estou a justificar contigo?! — o homem tentou libertar-se, mas não conseguia, e o corpo ainda doía todo.
— EstĂĄs a dizer-me que nĂŁo lhe ralhaste, nĂŁo gritaste e nĂŁo bateste? E o Sakda inventou tudo? Talvez me digas tambĂ©m que nĂŁo chorou, hem? — Mix continuou a pressionar Pakorn.
— NĂŁo vieste por acaso, pois nĂŁo? NĂŁo te preocupes, devolvo-te atĂ© ao Ășltimo baht! — Ti encarou-o, a mudar de assunto.


Inesperadamente



A boca que dizia cada vez mais disparates foi fechada por um beijo brusco, e Ti ficou em choque com a insolĂȘncia do rapaz. Pakorn tinha a certeza de que Mix sabia que ele era casado com uma mulher, e nĂŁo percebia o motivo.


Depois de alguns minutos a debater-se nos braços fortes, Korn cedeu e retribuiu o beijo. As mãos de Ti jå não afastavam Mix, mas percorriam o corpo dele, a passar pelo peito e pelo abdómen por baixo da t-shirt.


— Ti! Diz a verdade
 bateste no filho? — Mix perguntou, a recuperar o fîlego, a olhar nos olhos do homem, a sentir o aperto nas calças

— Não
 Nunca
 — Pakorn respondeu em voz baixa, e aquele olhar fez o coração bater ainda mais depressa.


Merda
 beija tão bem
 — Ti pensou, exatamente quando os lábios foram de novo beijados.


— Ah
 — um gemido suave por uma mordida no pescoço, e as pernas de Pakorn tremeram.


Mix meteu as mãos por baixo da t-shirt e foi subindo devagar com os dedos finos pelo torso do homem até dois mamilos endurecidos.


— Ai! — Pakorn gritou quando Mix carregou sem querer numa nódoa negra — mas a dor transformou-se em excitação.
— Sh-sh-sh
 Acordas o bebé  — a pĂŽr o dedo nos lĂĄbios do homem, Mix sussurrou.


Korn, que há muito não tinha sexo, estava à beira do limite, e a cabeça foi-se com um gesto assim tão gentil e sexy. Entreabriu a boca e tomou o dedo indicador de Mix, a sugar



— Merda
 Ti
 — Mix tentou parar, mas a mão do homem deslizou pela borda das calças.
— Foste tu o primeiro a começar
 — a apertar o membro excitado de Mix na mão, Ti gemeu com satisfação

— Comecei eu, acabo eu
 Mas nĂŁo agora
 — com estas palavras, o corpo de Pakorn foi virado de frente para a parede — calçÔes compridos e cuecas a descer.


Plaf!


— Uf
 PorquĂȘ? — Ti conteve um grito quando ficou uma marca vermelha da palma na nĂĄdega pequena.
— Por prevenção, se me estĂĄs a dizer a verdade
 Ou como castigo
 Se bateste no meu pequenino
 — 

Mix respondeu com honestidade, a beijar o pescoço e os ombros de Pakorn.


Mix examinava o corpo do homem, e a raiva crescia com nova força ao ver as nódoas negras nas costas e nas pernas.


Se o Nanfa não matou o Don, faço-o eu
 — o guarda-costas pensou, a beijar suavemente cada nódoa negra.


De repente



Um choro alto interrompeu os dois homens, e ambos, a respirar fundo, pararam. Mix saiu primeiro, porque ainda não tivera tempo de se despir. Ao abrir a porta, viu o menino a soluçar sentado na cama com o caderno nas mãos.


— Rapazinho, o que aconteceu? — Mix perguntou, a aproximar-se da cama.


Sakda atirou-se para os braços dele, a envolver o pescoço e a não parar de chorar:


— Aaa
 Pensei
 Ahhh
 que me tinhas abandonado



Mix acariciou o cabelo do bebé, a apertå-lo contra si e a embalar na cama.


— Estou aqui, estĂĄs a ver? NĂŁo chores, Sakda. — Mix disse com carinho ao bebĂ©,  e nesse momento Ti entrou no quarto.
— Sakda
 És um bom menino, certo? Não me enganarias, pois não? — perguntou o Papá. O menino acenou vigorosamente no ombro de Mix.
— Diz-me, rapazinho,  o pai bateu-te? — Mix continuou, a querer saber a verdade.
— Não
 snif
 — Sakda soluçou. Mix ergueu-lhe a cabeça do ombro.
— Então parece que me mentiste? — a olhar nos olhos cheios de lágrimas, Mix fez a pergunta com seriedade. O menino acenou.
— Amas o pai Ti, não amas? — Mix continuou com mais carinho. O menino olhou para ele.
— Amo.
— Sabes como doeu ao Papá ouvir o seu menino querido a mentir? — Mix ia chegando ao essencial para Sakda perceber que errara, sem saber que Ti estava atrás.
— Não
 — Sakda respondeu em voz baixa e corou, a baixar o olhar.
— Desculpa, Papá
 JĂĄ nĂŁo vou mentir! Nunca, nunca, nunca! SĂł nĂŁo te vĂĄs embora, estĂĄ bem? — com voz trĂ©mula, o menino quase implorou, a envolver as mĂŁozinhas nas faces de Mix e a olhar para ele com os olhos grandes e vermelhos.


Ohho
 e como Ă© que eu deixei de ser o PapĂĄ preferido? — Pakorn surpreendeu-se, a olhar para o filho.


— Assim nĂŁo. Tens de pedir desculpa a quem magoaste, Sakda. — Mix parou o menino. O menino desviou o olhar sĂ©rio do pai — e viu Ti.
— Desculpa, Papá
 Já não vou mentir! Palavra de honra, palavra de honra! — o menino olhou para Pakorn, a juntar as mãozinhas em wai ao pescoço de Mix.
— EstĂĄ bem! Perdoo-te, agora vai lavar a cara. — Ti concordou. Mix voltou-se para o encarar, a segurar o bebĂ© nos braços.


Sakda desceu dos braços dele e foi Ă  casa de banho,  enquanto Tipakorn se sentou ao lado de Mix na cama.


— Obrigado. — o homem agradeceu em voz baixa.
— E contigo
 ainda nĂŁo terminĂĄmos
 Papá
 — Mix sussurrou, a passar a lĂ­ngua da orelha dele atĂ© Ă  borda da t-shirt. Ti ficou coberto de arrepios.

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