59 🔞 – Mudanças (parte 1 de 2)
De volta a Dew
No elevador, Dew mal conseguia respirar — ficar a sós com aquele Asmodeu* estava além das suas forças.
(N da A: na classificação dos demónios pelos pecados capitais, Asmodeu é a luxúria.)
— Doutor Dew, tem a certeza de que está bem? — Lon perguntou, a dar um passo em direção ao homem, o tom a exprimir preocupação.
— Sim, Nong. Está tudo bem. Vamos. — as portas do elevador abriram-se e o médico saltou para fora como se o ar estivesse a faltar-lhe.
— Sala de exames — terceira porta na parede à direita. Estou consigo num minuto. — Dew disse com voz trémula e foi à casa de banho.
O que é que ele tem? Talvez um ataque de pânico? E se se sentir mal lá dentro? — Lon pensou, decidindo seguir Dew em vez de ir para a sala de exames.
Dew entrou na casa de banho, foi a uma cabine e sentou-se na tampa da sanita, a apoiar as mãos na face a arder.
Oh… e como o examino agora? E tenho ainda de falar com ele… Merda… Fai! Diabo em carne e osso! Como é que ele foi arranjar esta criatura para trabalhar cá? — Dew perdia-se nos pensamentos, a esquecer completamente que não fechara a porta da cabine.
Lon entrou na casa de banho, mas não encontrou o médico. O homem decidiu verificar as cabines, com cuidado e em silêncio para não assustar, a abrir uma após outra. Na terceira, ao abrir a porta, viu Dew sentado, que nem sequer ergueu a cabeça.
— Doutor? Está bem? — um timbre grave e preocupado arrancou Dew dos pensamentos e ele saltou.
— Tu viste o novo guarda-costas do Khun Hima? — ao ouvir o diálogo dos rapazes que entravam, Lon decidiu que o mais correto era entrar na cabine para não prejudicar a reputação de Dew, porque já estava parcialmente lá dentro.
Se saísse agora, com Dew a segui-lo, poderiam surgir rumores, e era isso que mais o preocupava. Filon não escondia ser gay, mas ações ou palavras mal interpretadas podiam arruinar a imagem do médico, e Lon não sabia se ele gostava de raparigas ou não.
— O carisma do diabo! — soou uma segunda voz, exatamente quando Lon fechava a porta à chave.
— O que estás a fazer, Nong? — Dew protestou em voz baixa, a sentir que o rapaz estava demasiado perto.
— Sh-sh-sh… Não faças barulho, doutor… ou queres que os rumores se espalhem pelo hospital? — o sussurro grave enlouquecia Dew tanto quanto os olhos escuros e sem fundo do seu dono.
Entre eles havia menos de vinte centímetros. Dew respirava pesado, e Lon reparou.
— Respira… inspira… expira… com calma… ouve a minha voz… está tudo bem… — Lon sussurrou ao ouvido do médico, a tentar ajudar com o ataque de pânico, sem perceber que só piorava.
— Cala-te… só estás a piorar as coisas… — Dew respondeu em sibilado, a sentir a excitação de cada palavra a cair sobre ele como uma avalanche.
Lon olhou de cima, porque era mais alto, para os olhos castanhos do médico, que lambeu sedutoramente o lábio inferior, a morder levemente. E Dew, a tentar controlar a excitação, nem sequer reparou nas mãos nos flancos.
— Doutor Dew… Respira… Olha para mim… Ouve a minha voz… Inspira… — Lon continuou a sussurrar — e o hálito quente queimava o ouvido do médico, a inflamar cada vez mais o desejo.
— Cala-te já… — Dew sussurrou um pouco mais alto, a erguer-se nas pontas dos pés e a beijar aquela boca irrequieta.
Filon, que claramente não esperava tal coisa, ficou imóvel um momento, e depois pressionou com mais força o corpo de Dew contra si, a retribuir o beijo. As duas línguas entrelaçaram-se e agora nenhum dos dois ouvia os rapazes a conversar junto à pia. O beijo era tão voraz e febril como se consumisse a alma de Lon. As mãos de Dew foram para a cintura do rapaz, a puxá-lo com força para si, de modo que ele não pôde deixar de sentir o membro encostado a ele.
Isto é que é um beijo… — Lon pensou quando os lábios o soltaram, mas começaram a sugar o pescoço.
— Ah… doutor Dew… Íamos fazer o exame… — Filon sussurrou quando a borda da camisa já era puxada para fora das calças e a mão do médico deslizava por baixo.
— Cala-te… É exatamente isso que estou a fazer… Lábios macios… Rabo firme… 2… 4… 6… abdominais… — Dew sibilou, a percorrer com uma mão o abdómen tenso e a apertar a nádega com a outra.
— Erecção dentro da norma… Verifico ainda o tamanho e vamos para a sala de exames… — Dew continuava a apalpar, a mover a mão do rabo para o fecho.
— Doutor… Depois de soltar a fera, temos de lhe dar prazer para voltar à gaiola… — Lon disse um pouco mais alto, a perceber que estavam outra vez a sós.
— Ah… — Filon gemee o som de um fecho a abrir interrompeu o silêncio.
Lon não aguentava mais este médico insolente e assim tão lascivo. A agarrá-lo e a encostá-lo com as costas à parede, Filon puxou-lhe as calças e as cuecas para baixo.
— Avisei-te, doutor… — um beijo apaixonado e Dew sentiu um membro quente entre as pernas.
A sentir a fricção nos testículos e na face interna das coxas, Dew enlouquecia.
A cabeça a escorrer lubrificava a pele das pernas esbeltas entre as quais se esfregava o membro do dono da voz encantadora. Dew apertou as pernas com mais força, e Lon sugou-lhe a língua, a puxá-lo para si.
— Doutor… Ah… Doutor… — Filon gemia, a sentir Dew a colaborar activamente com os movimentos.
— Se continuares a gemer assim, vou gozar antes de ti… — o homem protestou, a perceber que aqueles gemidos doces o excitavam loucamente.
Filon não percebia por que o homem dizia aquilo, afinal não estava a fazer nada de assim tão especialmente excitante… Queria que o doutor também tivesse prazer. A mão de Lon desceu para o membro de Dew, a masturbar no mesmo ritmo dos movimentos das próprias ancas.
— Nong… Ah… Merda… — o doutor quase gritou. Lon cobriu-lhe a boca com a outra mão.
— Quieto, doutor… Senão apanham-nos… Ah… Quieto… Não faças barulho… Numa cabine de casa de banho ainda não fiz isto… M-m-m-m… — Lon sussurrou — mas o homem retirou a mão da boca.
Filon foi silenciado com outro beijo, porque ouvir aquela voz grave insanamente sexy fazia Dew perder a cabeça.
— Disse para ficares quieto… ah… maldito Asmodeu… — a afastar-se dos lábios, Dew mordeu-lhe o pescoço enquanto o membro do rapaz passava cada vez mais depressa entre as pernas do médico e a mão se movia pelo comprimento do homem de bata.
Gostas da minha voz, então? M-m-m… Vamos brincar, doutor… — o rapaz sorriu com um canto da boca, com as chamas da luxúria a brilharem nos olhos.
— Ufa… doutor Dew… Ah… doutor Dew… M-m-m-m… doutor Dew… — Filon provocou o homem com gemidos suaves e doces, a sentir o membro de Dew a contorcer-se a cada palavra.
— Asmodeu… Ah… és um maldito Asmodeu… — o médico gemia, a perceber que estava prestes a gozar.
Dew apanhou os lenços de papel da parede — e Lon percebeu que o homem estava no limite, tal como ele.
A tirar o membro das pernas bem apertadas, Filon agarrou os dois membros e continuou a mover a mão sobre eles, provocando espasmos nas pernas de Dew. Lon reparou, virou-o, sentou-o na tampa fechada da sanita e ajoelhou-se.
— Doutor Dew… Ha… Faço eu… M-m-m-m… — Filon gemia suavemente, a envolver de novo a mão forte em torno dos dois membros e a movê-la, a apertar com mais força de vez em quando.
— Lon… Ah… Filon… Sim… — Dew já quase gritava ao gozar, mas ainda conseguiu cobrir as duas cabeças com o lenço.
Filon gozou a seguir ao médico com um rouquejo baixo e contido, a sentir o esperma de ambos a escorrer pelo braço.
Oh… Que gemido sexy tem… O chefe lá prometeu uma esposa — posso escolher este? — Filon olhava para o homem de faces vermelhas e sorria docemente.
Dew respirava pesado, encostado ao reservatório da sanita, enquanto a mão apertava as duas cabeças com o lenço. Sentia fraqueza nos braços e nas pernas, e o braço começou a escorregar. Mas Lon apanhou-o. Dew olhou para ele, e esqueceu-se de como respirar… As duas turmalinas negras pareciam hipnotizá-lo, o sorriso selvagem e sexy num canto da boca capturou o coração do médico em correntes tenaces,e aquela voz… o timbre diabolicamente sedutor que, só de o ouvir, o deixava pronto a vir-se…
— Venha, sente-se aí, doutor… — Lon inclinou-se ao ouvido de Dew e sussurrou com carinho, a deixar um beijo leve na face.
A limpar com cuidado os dois membros, Lon ajudou Dew a levantar-se e a arranjar o aspecto dos dois. Certificados de que não havia ninguém na casa de banho, os rapazes saíram a lavar as mãos. Dew ficou em silêncio, a pensar no monstro que Fai era e a recordar todos os momentos em que podia tê-lo ofendido para ser assim tão cruel. A perder-se de novo nos pensamentos, perdeu o contacto com a realidade, até uma voz grave e rouca o chamar pelo nome. Dew estremeceu e voltou-se para ver um rapaz sorridente de fato azul.
— Vamos, Nong… O registo não se preenche sozinho e as análises não se entregam. — o médico disse já mais calmo.
— Análises? Receio que o espermograma terá de ser repetido… mas só se o senhor me ajudar, doutor Dew… — Filon brincou com o médico, a dizer a última frase quase em sussurro, a inclinar-se ao ouvido do homem, cujo corpo ficou instantaneamente coberto de arrepios.
Dew deu-lhe um soco no peito, a tentar esconder o embaraço, mas a mão foi de imediato apanhada. Lon, a olhar-lhe diretamente nos olhos, descaradamente levou o dedo indicador e médio à boca, e, a sugar com força e a provocar com a língua, foi libertando-os lentamente do cativeiro húmido e quente. Dew não conseguia respirar, quanto mais dizer algo.
— Respira, doutor Dew… — Filon murmurou ao retirar os dedos da boca — e passou a língua pelos dedos húmidos do médico.
— Expira… — e Dew, como hipnotizado, fazia tudo o que a voz pedia.
— Doutor, vá à frente — senão receio que caia a caminho da porta da sala de exames. — Filon troçou. Dew bufou e saiu da casa de banho.
Chegaram à sala de exames sem incidentes, mas o coração de Dew saltava do peito ao pensar que teria de pedir a Filon que se despisse para o exame. E ouvir as respostas às perguntas do questionário… Agora Dew perguntava-se por onde começar. A perder-se de novo nos próprios pensamentos, não reparou que Lon já se despira.
Filon conhecia bem o procedimento de exame, era boxeador e instrutor de campo de tiro. Os boxeadores eram examinados com frequência. Só de cuecas pretas com elástico vermelho, Lon encarava o médico perdido no vazio, que rodava nervosamente uma caneta entre os lábios finos.
Melhor estares a rodar algo mais substancial e mais quente na boca… Merda… E em que estou a pensar? Tanto faz — são os meus pensamentos… Vou querer fodê-lo mentalmente nessa boca e nesses pãezinhos bonitos… Lon, acabaste de gozar… Controla-te… — Filon imaginou o próprio membro no lugar da caneta, os gemidos lânguidos do médico, e sentiu o membro a erguer-se de novo.
O rapaz respirou fundo várias vezes, a convencer-se de que à noite, na cama, definitivamente se masturbaria. E isso ajudou.
— Hum… doutor Dew… Onde estão as balanças aqui? — Lon perguntou com um leve sorriso.
Dew estremeceu e voltou-se, e ficou paralisado. O olhar prendeu-se em tudo naquele corpo: o peito musculado com dois mamilos eretos, o abdómen com os seis quadradinhos marcados, os braços fortes e as pernas esbeltas, o pescoço forte e as clavículas salientes, o sorriso diabólicamente sedutor, e a protuberância de tamanho respeitável nas cuecas.
Maldito Fai! Sádico! Queres-me morto? — Dew amaldiçoou o chefe, e a caneta voltou a escorregar da mão.
— O quê? — Dew piscou os olhos algumas vezes.
— Disse: onde estão as balanças? — Lon deu alguns passos à frente, apanhou a caneta e foi ter com o médico.
Filon meteu-a com cuidado no bolso da lapela, a passar as costas de dois dedos pelo peito de Dew com as palavras:
— Não devias meter na boca o que aparece…
— As balanças estão embutidas no estadiómetro. — o médico respondeu a engolir em seco. Lon subiu de imediato para a plataforma.
Dew voltou à mesa, pegou no tablet e foi ter com Filon, a registar os dados. Lon decidiu não provocar mais o médico, a lembrar-se de que ele terminara o turno da noite e estava claramente cansado. Por isso deixou que o exame decorresse, na sua opinião, com calma. O guarda-costas respondeu honestamente a todas as perguntas de Dew, que por sua vez ia derretendo mentalmente numa poça só de ouvir aquele timbre grave. Hora e meia depois, o médico mandou o Asmodeu ao laboratório fazer análises, e, a despedir-se, foi a casa.
Filon, depois das análises, foi comer, e a seguir para a ecografia dos órgãos internos, raio-X, TAC e outros procedimentos. Um jovem enfermeiro prestável acompanhou-o a todas as salas necessárias, porque gostou do rapaz bonito. A terminar tudo ao momento em que Fai partiu para casa de Nanfa, Lon voltou ao quarto de Hima para reportar o exame concluído. Ofereceu-se para ficar com o chefe na clínica — porque Tirak fizera hoje quimioterapia preparatória para o transplante e Hima não queria deixá-la sozinha. Kira fora a casa, e Kai pedira dispensa até ao almoço do dia seguinte, por isso Filon decidiu substituí-lo.
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Fai em casa de Nanfa
Ao chegar a casa de Nan, o carro foi de facto deixado passar. Parou à frente da casa. Mix abriu a porta principal para o chefe — e à frente estava um homem alto e bonito, claramente aborrecido com algo.
Trazia a mesma camisa que Fai — o que era estranho. O homem avaliou o cachorrinho com o olhar.
— Boa noite, Khun Nan. — Fai sorriu, a cumprimentar o dono da casa.
📡 ‹Chefe, o homem à sua frente é Lien Kwampakdi, 27 anos, solteiro. O Lexus cor de cobre é dele. O engarrafamento no caminho para cá foi porque o condutor desse Lexus viajava a 153 km/h. Sem feridos no acidente. Estudou no Instituto R, licenciou-se com distinção. Estou a verificar o local de trabalho.›
— Khun Fai, entre. — Nan sorriu, a estender a mão à frente.
Fai olhou para Lien e para os cacos no chão, a deduzir que aqueles dois claramente não tinham uma relação de trabalho.
📡 ‹Chefe, o Lien é médico legista. Está no Departamento há cinco anos. Tem os melhores registos do departamento. Passei-o pelas câmaras nos últimos dias e encontrei vídeos interessantes em dois clubes. A enviar para o Line. Precisarei de mais tempo para aceder discretamente às câmaras desta casa. Acene se precisar.›
— Aconteceu-lhe algo, Khun Nan? Alguém morreu? — Fai sorriu, a entrar em casa sem acenar.
— O que quer dizer com isso? — Nan olhou para o jovem surpreendido.
— A coleção de vibradores faleceu. — disse Lien, a olhar para o cachorrinho com ar descontente — e a desviar os olhos para Nan com ressentimento.
— Ha-ha — desde quando é preciso um médico legista para trocar as pilhas de um membro de borracha? — Fai já ria abertamente, a perceber que o homem estava com ciúme de Nanfa por causa dele.
— Desde que os convidados demasiado palradores que vinham a minha casa acabaram! Acho que já me vou embora, Khun Nan — já tem um rapaz para se divertir à noite! — Lien respondeu ao passar ao lado de Fai.
O homem ia mesmo sair, mas o dono da casa agarrou-lhe o pulso. Agora Fai tinha a certeza do que vira, porque um estranho não se agarra assim, nem se olha com aquele olhar.
— Khun Lien, com calma — o Khun Nan não é o meu tipo. Só me atraio por um único loiro de olhos azuis.
Khun Nan… posso esperar dez minutos enquanto acalmas a mulher? — Fai sorriu ao ver Nan a segurar a mão de Lien.
— Não sou a mulher dele! E a ti, baixote, ofereço-te uma mordaça! Acho que o teu membro é muito curto para teres uma língua assim tão comprida! — Lien gritou. Fai apenas sorriu mais largo, a observar o homem furioso, e a julgar pelas palavras sobre a língua, parecia que Fai dissera demais.
— És corajoso a falares assim comigo. Adoro este tipo. — esta situação divertia Fai, queria ver a reação de Nanfa, por isso disse-o.
— Porque não me fodes, já que gostas de mim? — Fai não esperava tal proposta — mas não o demonstrou.
— Raed! Não me provoques! Desculpe, Khun Fai, já volto. Max, vem comigo! — a agarrar o homem teimoso pelo braço, Nan atirou-o ao ombro e levou-o para o andar de cima, sob os protestos altos de Raed a mandar largá-lo.
Que apreciador de discussão interessante… Devia fazer amizade com a mulher de Nanfa… — Fai pensou, e ouviu o som de uma mensagem a chegar ao Line.
Fai passou por cima dos cacos do vaso e sentou-se no sofá, a abrir a aplicação e a ver os clipes. Mix ficou atrás e também viu tudo.
— E ele ainda diz que não é a mulher dele, ha-ha. — Fai riu, porque o divertia.
📩 Fai: <Encontra-me toda a informação sobre o Lien. Desde a escola até onde compra a roupa interior>
Depois de enviar a mensagem, o jovem simplesmente esperou que Nan voltasse, a continuar a ver o clipe no estacionamento do clube.
Nan desceu à sala de estar, a convidá-lo para o escritório para discutir os problemas com Don. No escritório, já os esperava um homem com um tablet. Fai sentou-se na cadeira em frente à secretária, Mix ficou ao lado. O cachorrinho falou com tom sério sobre o que acontecera em casa de Tipakorn, e observou a reação de Nanfa. Mesmo que Nan não soubesse, Fai considerava que a culpa era também sua.
— Só me interessa uma pergunta, Khun Nan… Acha que o rapazinho vale 3,5 milhões? — Fai perguntou, a ligar o Tigre. Nan ficou surpreendido ao ver um homem completamente diferente à frente.
— Ouvi rumores de que cobrava juros excessivos e trabalhava de forma suja. Até que estava envolvido em tráfico de pessoas. Enviei os meus homens para se infiltrarem na empresa dele, sem sucesso até agora. Mas agora não tenho tempo para infiltrar uma toupeira para descobrir para quem trabalha. Transmita as minhas desculpas ao Khun Pakorn… — Nan disse, e Mix ao ouvir «desculpas» perdeu a paciência.
— Desculpas? Transmitir desculpas? Acha que as desculpas servem a um menino que chora a dormir quando o pai o abraça? Ou a um pai que viu quase o filho a ser violado à frente e não pôde fazer nada? Se não tivéssemos ido… — Mix foi ao ar, o que surpreendeu Fai, porque este guarda-costas era o mais calmo de todos.
— Mix, acalma-te. O teu filho está bem, está no hospital com o pai. Não te exaltes. O Don foi subornado pelo Wei Xin. Envio para o seu email os detalhes da transferência e as provas da venda dos adolescentes. — Fai pegou no braço do rapaz. Mix percebeu que cometera um erro, mas antes de o cachorrinho acabar, Nan levantou a mão.
— Trato do Don amanhã. Transmita as minhas desculpas ao Pakorn, ele já não me deve nada. Vou… pagar o tratamento dele e, se necessário, um psicólogo para a criança. E mais… Khun Fai, ensine os seus homens a controlar as emoções, é inadmissível. — Nan olhou para Mix como quem olha para alguém convicto de que o dinheiro compra tudo,e até o pequeno Sakda.
Que canalha, Nan! Achas que essas migalhas ajudam o Ti a esquecer o que viu? Pavão! A exibir as penas — mas por baixo não passa de um rabo de galo! — Mix pensou, estava prestes a abrir a boca para dizer em voz alta — mas sentiu o olhar de Fai e baixou a cabeça.
— Claro, Khun Nan, logo que explique à mulher que oferecer-se a um homem que vê pela primeira vez em casa do marido não é correto. Se fosse outra pessoa no meu lugar, isso mancharia a sua reputação. — Fai sorriu, a defender assim Mix, e ele percebeu.
— Temos de ir. O meu marido espera-me em casa. Ah, Khun Nan, o Lien gosta de chocolate com laranja e de frappuccino com calda de caramelo. Até logo, não precisa de nos acompanhar. — Fai despediu-se, a sair do escritório com Mix, sem ligar ao dono da casa.
Ao descerem e entrarem no carro, Fai olhou para Mix, que baixou a cabeça culpado.
— Desculpe, chefe… Não devia… — Mix pediu desculpa. Fai pousou a mão no ombro.
— Fizeste a coisa certa, Mix. Só não devias ter levantado a voz. Vês, já desapareceu metade da dívida. Vou falar com o Hima, se ele concordar, tentamos ajudar da nossa parte. Não te preocupes, certifico-me de que o Nan trata do Don. — Fai respondeu com calma. Mix olhou para ele surpreendido.
— Sim, Khun Fai, desculpe. Não sei o que me deu… — Mix pediu desculpa. Fai apenas sorriu.
O Smart disse que Hima ficara na clínica com Tirak, e que Kai cancelara a manhã de amanhã porque ia ao restaurante pedir Var em casamento. Fai escreveu ao Smart no Line para gravar o pedido no restaurante e pagar uma garrafa do champanhe mais caro da casa para eles, com votos de amor e felicidade. O cachorrinho propôs a Mix ir a casa, mas ele recusou, a dizer que queria primeiro tranquilizar o Pakorn. Fai apenas sorriu sem dizer nada. De volta à clínica, Mix foi diretamente ao quarto que precisava, e Fai ao marido e à irmã.
O Smart informou que conseguira aceder às câmaras da casa de Nanfa. O homem dissera à secretária para dizer ao marido que Don e todo o grupo estariam na sala de interrogatório do escritório de manhã.
E ordenara ainda que verificassem o carro de Lien, os vídeos das câmaras no caminho até ali, encontrassem o número de conta de Tipakorn e informação sobre Fai. O Assistente ocultara toda a informação até ordem de cancelamento do criador.
Mix abriu a porta do quarto de Ti e Sakda em silêncio, a entrar sem fazer ruído. Ti dormia na cama, abraçado ao filho.
Que gatinho adorável — apetecia-me apertar essas faces… — Mix pensou, a olhar para o Sakda adormecido.
Aproximou-se da cama e tocou suavemente no ombro de Ti. O homem estremeceu e voltou-se para Mix com medo, a apertar mais o filho.
— Está tudo bem, não te preocupes. Já comeste? — Mix perguntou em sussurro. Pakorn abanou a cabeça.
— Vamos. Faço-te companhia num jantar tardio. — Mix convidou. Ti olhou para o homem com desconfiança.
— Ei! O teu filho confia em mim, não te preocupes, não faço mal ao pai dele. Vamos, tenho novidades. — Mix continuou a persuadir. — Anda, Ti. Ah, porque não peço a um colega para ficar com o bebé enquanto comemos? Se o Sakda acordar, o Lon liga-me? — Mix continuou a sorrir a Pakorn, e, a tirar o telemóvel, já marcava o número de Filon.
Pakorn decidiu não discutir, afinal estava na clínica deles e durante todo esse tempo ninguém o ofendera a ele nem ao Sakda. Depois de esperar o Lon no quarto, Mix e Ti desceram ao refeitório. O guarda-costas sentou Pakorn numa mesa e foi buscar comida. Ao voltar com a bandeja cheia, Mix sorriu e disse a Ti para comer o que quisesse. O homem começou com a sopa de almôndegas.
— Fui com o Khun Fai falar com o chefe do Don. — Mix começou. Ti ficou imóvel com a colher na mão.
— Ele… Pede as suas desculpas e disse para te dizer que já não lhe deves nada. — Mix disse em tom descontente, a ferver de novo. — Ah, disse também qualquer coisa sobre pagar o tratamento e um psicólogo… parvo… — Mix não parou, a lembrar-se do Sakda nas mãos daqueles miseráveis.
— Obrigado. — Ti disse em voz baixa, em lágrimas, a pousar a mão sobre o punho cerrado de Mix.
— Porquê? Se o Khun Fai não tivesse ido, eu mesmo tinha resolvido o problema com o Don… — o rapaz disse indignado — mas já um pouco mais calmo.
Mix ergueu a cabeça e viu que Ti chorava e não comia.
— Ei, chega, vais salgar a sopa! Come! Se não comeres como deve ser, conto tudo ao filho! — Mix ralhou, a esquecer-se por completo de acrescentar a palavra «teu».
És meu marido, por acaso, para me ameaçares com o meu próprio filho? Grande Papá me saíste… — Ti pensou — mas não disse em voz alta.
Pakorn obedientemente continuou a comer, a enxugar as lágrimas. Agora restava-lhe apenas a dívida de dois milhões com o chefe do Mix, que conseguiria liquidar gradualmente. O homem via que o Khun Fai, apesar da idade jovem, não era um rapaz mimado, e era justo. Talvez lhe permitisse reduzir um pouco o pagamento, porque por causa de Don não podia levar o filho à escola, com medo de que o Sakda fosse raptado.
Depois do jantar, os rapazes voltavam ao quarto quando ouviram barulhos estranhos lá dentro. Lon segurava o Sakda ao colo, e o rapazinho gritava de prazer, com os braços abertos, enquanto o homem o levava pela sala como um avião, com o som característico de «uiuuuu»…
— Sakda, porque não dormes? — Mix perguntou com firmeza. Lon voltou-se, a «aterrar» o «avião» nos braços de Mix, enquanto Ti ficava parado em choque.
— Acordou, mas não vos incomodei. Levei-o à casa de banho, mas não conseguia voltar a dormir, por isso decidimos brincar um pouco. — Filon respondeu, a olhar para o homem cheio de nódoas negras.
— Papá, trouxeste-me os livros para colorir e os livrinhos? — Sakda perguntou em voz alta, a virar a cabeça de Mix com as duas mãos para o olhar nos olhos — a esquecer completamente o acordo secreto que fizera com Mix.
Na alma de Mix explodiram centenas de fogos de artifício ao ouvir a palavra «Papá». Era assim tão gentil, assim tão suave, assim tão sincera. Alegria, felicidade, enlevo, ternura, êxtase e um desejo louco de proteger aquele rapazinho nos braços, tudo entretecido agora. Mix nunca pensara em filhos, e com o trabalho seria simplesmente impossível. Gostava tanto de rapazes como de raparigas, mas em ninguém vira a sua outra metade. Mas apenas um olhar para aqueles olhos grandes, um sorriso satisfeito e a palavra «Papá», e Mix estava pronto a pôr o mundo inteiro aos pés deste menino.
Agora Mix percebia: era amor à primeira vista. Esse mesmo amor, incondicional, puro, terno, desinteressado, sincero, que tudo consome, extraordinário, único, especial, inexplicável, reverente e protetor.
— Sakda! — a voz de Ti arrancou Mix da euforia das emoções. — Sakda, tínhamos um acordo, não tínhamos? Olha, estás a ver que horas são? — a ignorar o grito indignado de Tipakorn, Mix foi com o bebé para a cama, a levantar o braço com o relógio.
— O senhor disse que os traria amanhã… — o menino respondeu. Mix sorriu.
— Mas amanhã ainda não chegou, por isso agora um bom menino vai deitar, e amanhã, depois do pequeno-almoço, trago-te os livros, os livros para colorir e os lápis com um caderno de desenho, está bem? — Mix explicou com suavidade, a sentar Sakda na cama. O menino enfiou-se obedientemente debaixo do cobertor, acenou e fechou os olhos.
— Desculpe, ele deve estar em choque. — Ti tentou desculpar-se com Mix.
— Em choque porquê? O único em choque aqui pareces ser tu. E tu também devias dormir um pouco. O doutor Var disse que precisas de mais descanso. Por isso — marcha para a cama com o bebé — e não quero ouvir um pio de nenhum de vocês até de manhã. — a apontar para os dois com o dedo indicador, Mix disse. Lon enternecia-se em silêncio.
— Sim, Papá. — o rapazinho respondeu com entusiasmo, a abrir e fechar logo os olhos.
Ti, já esgotado pelo dia, não discutiu, porque realmente queria dormir. Silenciosamente foi para a cama e deitou-se, a abraçar o filho, apesar de todo o corpo doer.
— Vamos, Mix. Os teus bebés já estão na cama. Hoje faço o turno da noite, e o Khun Hima disse para vires ter com ele de manhã. — Filon não resistiu a provocar o amigo.
Tinham encontrado terreno comum mais depressa com Mix do que com os outros rapazes, provavelmente pelas histórias semelhantes. Mix também viera trabalhar para Hima quando tentava ajudar os irmãos mais novos com os estudos e explicações. E não se arrependera da escolha. Sim, duas vezes por ano ia a casa em Siem Reap por uma semana e mandava constantemente dinheiro para os pai, mas mesmo assim conseguira poupar quase quatro milhões.
À porta, Mix parou, olhou para os que estavam deitados e disse:
— Volto daqui a meia hora para verificar! Quem não estiver a dormir leva umas palmadas no rabo!
Ao fechar a porta, percebeu o sentido das palavras pelas gargalhadas de Lon, e corou ligeiramente.