58 🔞 – Dragão (parte 2 de 2)
Depois dos exames, Mix levou-o ao quarto, para junto do filho adormecido, e o homem deitou-se com cuidado ao lado dele, a franzir-se com as dores no corpo. Hima e Fai saíram logo, a caminho do quarto da Rak. Mix vira, durante o exame, o corpo de Ti* coberto de nódoas negras. Var dissera que tinha o rim direito contundido e várias costelas fissuradas; traumatismo craniano não havia, mas o esgotamento e a fome viam-se-lhe na cara. Mix olhava para Pakorn, que agora sorria, a afagar o cabelo do menino e a murmurar-lhe qualquer coisa baixinho.
(N. da T.: Ti, Pakorn e Korn são diminutivos de Tipakorn.)
Sakda começou a acordar e, ao sentir mãos em cima dele, desatou a gritar; mas, quando ouviu a voz do pai, acalmou-se. Apertou-se contra o homem, a soluçar, enquanto Ti chorava e pedia perdão ao filho.
— Eh, pequenote, tens fome? — perguntou Mix, a aproximar-se.
Sakda ergueu a cabeça para quem falava, e Mix ficou imóvel. Uns olhos negros enormes, ligeiramente vermelhos das lágrimas, fitavam-no diretamente na alma. Aquele rapazinho era tão… frágil e encantador que apetecia escondê-lo e protegê-lo. O menino acenou, inseguro, e Mix desviou o olhar para Ti.
— Eu… vou buscar-vos qualquer coisa para comer… — balbuciou Mix, a sair do quarto com uma sensação estranha no coração.
Desceu ao refeitório e pôs num tabuleiro vários pratos de carne, um par de sobremesas e sumo. Mix escolhia pratos substanciais. A verdade é que, sabe-se lá porquê, não pensava só na criança, pensava também no pai. Os olhos dos dois eram completamente diferentes mas, quando estavam lado a lado, parecia que não podiam existir em separado. De volta ao quarto com o tabuleiro, pousou-o na mesinha e rodou-a até à cama. Ti sentou-se na cama e o rapazinho tentou trepar-lhe para o colo, mas Mix travou-o.
— Sakda, o papá fica cheio de dores se te sentares em cima dele. Anda, vem cá, eu posso ser a tua almofada. Não tenhas medo, o papá está aqui ao lado; eu não te faço mal. — dizia Mix com carinho, e o menino olhou para ele e, para espanto de Pakorn, acenou.
Mix sentou-se do outro lado da mesinha, a aproximá-la de Korn, enquanto o rapazinho lhe trepava para o colo. Tipakorn olhava, espantado, para o espetáculo à sua frente. Era estranho: normalmente, o Sakda não ia ter com desconhecidos. Os braços de Mix envolveram a barriga do menino, e este sorriu, pegou na colher e perguntou, com todo o carinho:
— Tio, tu não comes?
— Eu já comi, enquanto tu dormias. Agora tens de comer tu, e o papá. Ou queres que te dê eu de comer? — primeiro mentiu Mix, e depois perguntou, em clara provocação.
— Eu já sou grande! Sei comer sozinho! — indignou-se o pequeno, de colher na mão, a apanhar carne com arroz.
— M-m-m-m… Bkostoso… Tio, pwova! — dizia Sakda de boca cheia, a virar-se e a estender a colher com comida à boca de Mix.
— Sakda! — repreendeu-o o pai, porque aquilo era feio; mas ficou imóvel quando Mix abriu a boca e, com um sorriso, comeu a carne.
— É bom, mas não fales de boca cheia, Sakda, que te engasgas. Dá de comer ao papá, olha como ele está cheio de ciúmes! — sorriu Mix, e o pequeno acenou, obediente, e estendeu a colherada seguinte a Ti.
Quem és tu, e o que é que fizeste ao meu filho? — pensava Pakorn, sem reconhecer o menino.
— Desculpa, papá… Já não falo mais com comida na boca. Toma! — estendeu o menino mais uma colher ao pai, que abriu a boca e a recebeu com cuidado.
— Que papá tão obediente que tu tens! E agora come tu também, pequenote, senão não tens forças para cuidar do papá. — de cabeça encostada ao ombro do menino, dizia Mix com ternura, e o pequeno, a acenar, ia enfiando comida na boca.
— O sumo é para beber todo! Tem muitas vitaminas. E quem for um lindo menino, recebe gomas. — parecia que Mix estava a convencer os dois ao mesmo tempo.
A porta abriu-se e Fai entrou no quarto; ligeiramente pasmado com a cena à sua frente, deu um passo em frente.
— Mix, vai mostrar ao Sakda a sala de brincar. — pediu Fai com suavidade, para não assustar o menino.
— Sim, chefe. — concordou Mix, a perceber que Fai queria falar com o pai dele.
— Hum… Khun Fai, posso falar primeiro consigo? — propôs Mix, inesperadamente, e Fai acenou.
Mix pousou o menino na cama e levantou-se. Fai saiu com ele e, já um pouco afastados, Mix começou:
— Khun Fai, eu… posso pedir-lhe um favor?
— Diz. — o Cachorrinho ergueu uma sobrancelha e, ao que parecia, começava a adivinhar.
— Eu tenho poupanças, à volta de quatro milhões… Posso… usá-las para abater a dívida deles? — dava a sensação de que Mix só naquele instante se tinha decidido.
— Porquê? — quis saber Fai, embora não fosse aquilo que tinha imaginado.
— Não sei explicar. Só não quero que aquele pequenote sofra. — respondeu Mix com franqueza, e Fai sorriu.
— Falamos disso mais tarde. Primeiro é preciso resolver a questão do Don… — Fai voltou a ficar sério ao falar do Don.
— Vai lá, leva o teu menino a brincar, distrai-o. — sorriu Fai, e voltou para o quarto.
Ele não é meu filho… — indignou-se Mix em pensamento, mas foi cumprir a ordem.
Mix pegou na mão do menino e este foi com ele, tranquilo, enquanto Pakorn observava o filho com apreensão. Quando ficaram os dois a sós no quarto, Fai disse-lhe que, ao fim do dia, a casa estaria em ordem, e explicou que teriam de ficar algum tempo no hospital, era agora o lugar mais seguro, enquanto a questão do Don não estivesse resolvida. Tipakorn olhava para o rapaz à sua frente e não conseguia acreditar que aquele jovem tão simpático fosse o dono de um grande negócio sombrio. Mas, ao lembrar-se da forma impiedosa como ele hoje matara um homem, o corpo de Ti arrepiou-se todo.
📡 ‹Chefe, enviei para o e-mail os dados do Don e o número do Nanfa. Pela informação recolhida, o Nanfa tenta há quase um mês infiltrar discretamente um homem seu na firma do Don, para não o assustar e descobrir quem lhe pagou para lhe arruinar a reputação. O Don foi subornado pelo Wei Xin. Elaborei um plano — segundo ficheiro. Se o Khun Tipakorn aceitar ser testemunha, será mais fácil chegar a acordo com o Nanfa.›
— Khun Tipakorn, estás pronto a confirmar o que o Don andou a fazer? — Fai voltou a virar-se para Ti e perguntou com seriedade.
— Se isso permitir que o meu filho viva em paz e deixe de ter medo de qualquer ruído e de pessoas estranhas, faço tudo.
— Ah, eu não diria que o Sakda tem medo de estranhos — viste como ele sorria com o Mix. — riu-se Fai baixinho.
— Também eu estou espantado; normalmente, ele não deixa ninguém aproximar-se. Nem se senta ao lado de ninguém, quanto mais ir ao colo ou meter conversa. Será do choque? — respondia o homem, e dava a sensação de que falava consigo mesmo.
— As crianças sentem mais do que os adultos. Talvez… ele tenha simplesmente encontrado alguém que sente como seu. — ditas estas palavras, Fai encaminhou-se para a porta, a deixar o homem ainda mais confuso do que antes.
O Cachorrinho saiu do quarto e, de telemóvel na mão, marcou o número do Nan.
📞— [Estou.]
📞— "Khun Nan, daqui fala Fai Kittichat. Sei que anda à procura de informação sobre o grupo do Phuto. Tenho uma testemunha e documentos sobre a venda de vários menores a bordéis. Interessa-lhe?" — Fai falava a sério, para prender o interlocutor.
📞— [Já ouvi falar de si, Khun Fai. Sim, essa informação faz-me falta.] — concordou o homem, e o Cachorrinho sorriu.
📞— "Ótimo. Ordene aos seus homens que deixem o meu carro entrar em sua casa daqui a duas horas; vou apenas com um guarda-costas e um motorista, sem armas. Isto é… uma visita pacífica." — Fai decidiu sublinhá-lo, porque o marido lhe dissera que nunca tinham tido conflitos com o Nanfa.
📞— [Combinado, Khun. Até já.] — despediu-se o Nan e desligou.
Fai foi até à sala de brincar e ficou de boca aberta: no meio de várias crianças estava o Mix sentado, e à volta dele os miúdos construíam muralhas com peças grandes de lego macio, aos gritos de que era preciso prender o Dragão na torre antes que ele acordasse. E o Sakda, sentado ao colo dele, afagava-lhe a bochecha e murmurava qualquer coisa.
— Smart, o que é que o Sakda está a dizer? — perguntou Fai sem se aproximar, para não estragar a brincadeira às crianças.
📡 ‹Textualmente: «Não tenhas medo, dragãozinho querido, eu não te deixo. Vou viver contigo, brincar contigo e dar-te de comer. E estes cavaleiros são é parvos.»›
— Manda-me esse vídeo para o LINE, quero mostrá-lo ao Pakorn. — pediu Fai.
Segundos depois chegou a mensagem, e o Cachorrinho voltou ao quarto do homem.
— Onde está o meu filho? — aflito, perguntou Ti ao ver Fai entrar de novo no quarto.
— Ele… anda a salvar um dragão… — sorriu o Cachorrinho, enquanto Pakorn assimilava as palavras. — Oh… toma. — Fai estendeu-lhe o telemóvel, com o vídeo a correr.
Ti via o vídeo e os olhos abriam-se-lhe mais a cada minuto, ao ver o filho a afagar com ternura a bochecha do guarda-costas, sentado no colo dele. Pakorn acabou de ver e devolveu o telemóvel a Fai, que ligou logo ao Mix.
— Dragão, pega no príncipe e sai da torre; temos assuntos a tratar. — provocou Fai, e Mix, sem discutir, disse que já vinha.
Cinco minutos depois, Mix entrou no quarto com o Sakda ao colo, agarrado ao seu pescoço com as duas mãozinhas.
— E ainda vamos brincar mais, tio Mix? — perguntava o pequeno, sentado num braço do homem.
— Se o teu papá deixar; parece-me que está zangado… — Mix olhou de relance para um Ti carrancudo.
— Vai para o papá. Amanhã trago-te livrinhos e desenhos para colorir, com lápis de cor, está bem? — sussurrou Mix ao ouvido do menino.
— Está bem! Vou esperar por ti muuuito, muito! — o sussurro dele foi tão alto que toda a gente no quarto ouviu.
Fai conteve um risinho, mas sorriu quando Sakda beijou Mix na bochecha. Ti, em choque, olhava para os dois e agora perguntava-se se não lhe teriam trocado o menino. Mix avançou e pousou a criança na cama, ao lado do pai, porque Fai já saía do quarto.
— Adeus, pequenote… E papá. — sorriu o homem, a seguir o chefe.
— Adeus, tio Mix! — a vozinha entusiasmada de Sakda despedia-se do guarda-costas que saía.
— O Kai não o encontrei, mas também não lhe liguei. Acho que esta ida te interessa mais a ti do que a ele.
Vamos a casa do chefe do Don. — Fai nem acabou de falar e Mix franziu logo o sobrolho.
— Sim.
Fai e Mix desceram até ao carro, onde o motorista os esperava para irem à mansão do Nanfa…
🍃 🍃 🍃
O Kai, algum tempo antes
Kai estava de guarda à porta do quarto da Rak, enquanto Hima e Kira lá estavam dentro. Var passava constantemente por ele e sorria-lhe com doçura. Kira saiu do quarto e disse ao jovem que fosse comer, já era tarde e ele passara o dia inteiro de um lado para o outro com Fai. A mulher disse-lhe que não tivesse pressa, porque o Stas chegava dali a dez minutos. Kai acenou e dirigiu-se ao refeitório do hospital.
Quando chegou ao elevador, as portas abriram-se e lá dentro estava Var, de olhos pregados no tablet.
Estava tão concentrado que nem ergueu os olhos para quem entrava. Kai olhou para o seu homem e, em pensamento, já o encostava ali mesmo, no elevador. Deu um passo em frente, apoiou as mãos no corrimão atrás das costas do doutor e deu-lhe um beijinho na bochecha.
— Eh! Estamos num elevador, isto tem câmaras! — indignou-se Var, ao erguer a cabeça e ver Kai.
— Falas como se, se estivéssemos num sítio sem câmaras, eu pudesse fazer alguma coisa mais… — sussurrou-lhe o jovem ao ouvido, e o doutor corou ligeiramente.
A respiração quente no pescoço, a linguinha húmida no lóbulo da orelha… e os olhos do doutor fecharam-se de excitação. Kai, ao ver a reação do marido, sorriu e, a passar a mão pela braguilha saliente de Var, afastou-se.
— Mas no elevador há câmaras… — o sussurro meigo do guarda-costas soou exatamente quando as portas se abriram no andar do doutor, só que o refeitório ficava dois andares abaixo.
Var agarrou a mão de Kai e levou-o pelo corredor, até à primeira porta do lado esquerdo. Var sabia que era uma arrecadação e que lá não havia câmaras. Trancou a porta por dentro, a deixar a chave na fechadura, e comprimiu o seu rapaz contra a prateleira, a beijar-lhe o pescoço.
— Querido, só não deixes marcas no pescoço… ah… sabes bem que o Khun Fai é muito atento… — gemia o jovem, enquanto Var lhe tirava o casaco e desabotoava a camisa.
— Como quiseres, pequenino; em sítio visível não deixo… — a voz do doutor, trémula de excitação, fazia Kai derreter-se nos seus braços como chocolate ao sol.
Var descia em beijos pelo peito, sem lhe tirar a camisa, e já lhe tinha enfiado a mão nas calças, a apertar o membro excitado.
— M-m-m-m… doutor Var… ahhh… — gemia Kai, a desabotoar as calças do marido.
— Temos pouco tempo, querido, e tu não tens escolha… — continuou Kai, a puxar para baixo os boxers do doutor.
Ao reparar numa garrafa de gel de ecografia na prateleira, Kai agarrou-a e virou Var de costas para si, a incliná-lo ligeiramente. O jovem espremeu o gel para os dedos e inseriu logo os dois no rabinho dele.
— Uf… És sempre assim… m-m-m-m… — gemeu Var, a sentir uma dor ligeira com a invasão repentina.
— Assim… como? — perguntou Kai, a enfiar os dedos ainda mais fundo e a pressionar o ponto sensível lá dentro.
— Sedutor de mais… ah… — respondeu o doutor, enquanto os dois dedos do seu rapaz se moviam dentro dele.
Kai retirou os dedos e, depois de untar o próprio membro, inseriu-o no rabinho macio, enquanto as mãos seguravam a cintura do seu amado e os lábios lhe beijavam as costas brancas, entre as tentativas de Var de conter os gemidos.
— Está caladinho, Papá… ou vou ter de usar uma mordaça… — quase sussurrou Kai, a mover-se no rabo apertado.
Var raramente entregava o seu rabinho a comer, porque normalmente era Kai quem preferia ficar por baixo. Gostava de se vir sem tocar no membro.
— Ah… haaaahhh… ah… — Var não conseguia conter os gemidos, enquanto o membro de Kai se movia depressa dentro dele, a roçar constantemente a próstata.
— M-m-m-m… eu disse para estares caladinho… — ralhou Kai com o marido, a agarrar uma toalha que estava ali na prateleira.
— Quem não obedece, é castigado… — e, com estas palavras, Kai enrolou a toalha e encostou-lha à boca, sem interromper os movimentos.
O doutor mordeu a toalha felpuda e macia, e Kai segurava as duas pontas numa mão, na nuca de Var, a quem aquela situação excitava. O seu rapaz estava tão apaixonado e bruto, quando normalmente Kai era terno com ele. Agora, a mordaça abafava os gemidos de Var, e os sons pareciam mais mugidos.
— Estás tão apertado hoje, Papá… tão doce… — gemia Kai, a dar palmadas na nádega firme — e, a cada palmada, o membro do jovem era apertado com mais força.
— Meu doutor maroto… uf… como eu te amo… — escapou dos lábios de Kai, embora nestes três meses nunca o tivesse dito a Var.
Var ouviu a declaração e os joelhos vergaram-se-lhe, mas Kai segurou o corpo do doutor. Foi tão inesperado e tão bom que, ao fim de mais umas investidas, ele veio-se.
— Ah… siiim… — gemeu Kai, não muito alto, a retirar depressa o membro do rabinho do marido, enquanto o esperma quente salpicava as costas suadas de Var.
A soltar uma das pontas da toalha, o jovem limpou com ela as costas do homem e, depois, o próprio membro. Endireitou Var, a subir-lhe os boxers e as calças. Virou o doutor de frente para si e, com todo o cuidado, limpou-lhe também o membro com a toalha. Kai vestiu o seu amado, fechou-lhe a braguilha, o botão e o cinto das calças. E fez tudo isto num silêncio completo, que o assustava um bocadinho.
— Fiz alguma coisa mal? — perguntou Kai baixinho, a abotoar a própria camisa e a metê-la dentro das calças.
Mas Var não o ouviu, porque na sua cabeça ainda ecoavam as palavras «como eu te amo».
Kai olhou para o chão e baixou-se aos pés do marido, a limpar o esperma do soalho. Var calado… e aquele silêncio era uma tortura, como daquela vez em que o doutor o ignorara durante dias. O coração do guarda-costas parecia trespassado por mil agulhas.
— Kairos… — falou Var, por fim, a erguer o seu amado pelo queixo.
O doutor olhou para os olhos húmidos do rapaz e percebeu que ele já tinha inventado qualquer coisa naquela cabecinha linda. Var beijou-lhe com ternura as pestanas molhadas, e agora era Kai quem já não percebia nada.
— Tontinho… Que razão é que inventaste desta vez para as lágrimas, hã? — perguntava o doutor baixinho, sem parar de lhe beijar o rosto. — Solzinho, agora sou o homem mais feliz do planeta… — e, com estas palavras, Var beijou Kai com paixão, a apanhar-lhe a linguinha quente e a sugá-la como se estivesse pronto a comer o rapaz inteiro.
— Uh… Pi… — gemia Kai, de novo a excitar-se.
Var desprendeu-se dos lábios avermelhados e, a pegar no casaco de Kai da prateleira, ajudou-o a vesti-lo. Kai olhava para o homem à sua frente e não conseguia perceber o que tinha mexido tanto com o seu doutor.
— Se eu soubesse que mo ias dizer numa arrecadação, há muito que te tinha arrastado para aqui, Solzinho. — sorriu Var, a compor-lhe a gravata ao pescoço, e continuou: — Eu também te amo, querido. Amo-te tanto que, neste momento, morro de pena de não estarmos em casa…
Precisamente nesse momento; enquanto Var apertava contra si o corpo jovem, a mordiscar-lhe o pescoço com ternura; chegou-lhe ao telemóvel uma mensagem sobre um paciente novo. As mensagens de trabalho tinham um som próprio, por isso, ao ouvi-lo, o doutor suspirou fundo e desprendeu-se do seu amado.
— Em casa… continuamos esta conversa; por agora… está na hora de trabalharmos, eu e tu. Já agora… tu ias para onde? — lembrou-se Var de repente.
— Ia ao refeitório comer, mas estava uma sobremesa tão apetitosa no elevador… — disse Kai sem pudor nenhum, e Var já sabia que aquele tom descarado só aparecia no seu rapaz quando estava excitado.
— Solzinho, vai comer. O meu turno acaba daqui a quatro horas e, em casa… continuamos o que começámos aqui… — disse Var com carinho, a afagar a bochecha do seu amado, que acenou.
Var abriu a porta e saíram da arrecadação. Na mão do doutor ia a toalha, que ele atirou logo para o cesto da lavandaria embutido na parede. Var seguiu para as urgências, e Kai para o refeitório. Depois de comer, o jovem voltou ao quarto da Rak e, uma hora mais tarde, levou Hima e Kira a casa.
Depois de pedir a Hima o resto da noite e a manhã seguinte até ao almoço, Kai ligou para aquele mesmo restaurante onde, pela primeira vez, oferecera o pequeno-almoço a Var, e reservou mesa. Ainda quando descera ao refeitório, ligara à pastelaria e encomendara um bolo. Hoje faziam exatamente três meses desde que se tinham conhecido. A passar pelo caminho para levantar o bolo, Kai foi buscar o marido e levou-o ao restaurante.
Estava nervosíssimo: na bagageira ia um bolo com a inscrição «Casas comigo?» e, no bolso interior, uma caixinha de veludo azul com um anelzinho, comprado duas semanas antes…