54 – O peixe e a coroa de flores (parte 2 de 2)
De volta a Non
Ia a levar Dao a casa, depois dos «jogos» dele com o Fast na cave, quando, pelo caminho, o Eit lhe ligou. O rapaz balbuciava qualquer coisa impercetível sobre um tipo estranho que queria uma corrida. O Non lembrou-se de que a sua Esposinha também é dono de uma pista — e o Prem estava naquele momento na pista deles e podia ajudar com o visitante —, por isso disse-lhe que pedisse ajuda ao Prem. Já antes lhe tinha ligado, ao sair do clube, para saber da Kawasaki do Fon, e tinham combinado encontrar-se na pista.
Depois de estacionar o carro junto à casa, o Non decidiu passar pela garagem para cumprimentar os rapazes. Foi logo recebido pelo Mix, que de caminho lhe contou do Kai doente.
📲 Trim, trim, trim
O telemóvel do Non tocou e, ao ver que era o Eit, atendeu de imediato.
📞— "Que se passa, Eit?"
📞— [Pi'Non... É que... O Pi'Prem... Ele perdeu a corrida.] — o rapaz falava baixinho, escolhendo as palavras com todo o cuidado.
📞— "E depois? Entreguem o prémio ao vencedor, qual é o problema?" — respondeu o Non, sem perceber.
📞— [Acho que esse prémio tu não vais querer entregar. Pelas condições da aposta... se o Pi'Prem perdesse...] — o Eit fez uma pausa e continuou depois de uma inspiração funda: — [Ele tem de jantar com esse tipo.]
📞— "O quê? Repete lá o que acabaste de dizer?!"— gritou o Non, e o Mix olhou para o amigo.
📞— [O Pi'Prem tem de jantar com o vencedor.] — repetiu o Eit, quase inaudível, percebendo o que aí vinha.
📞— "Onde está o Prem?" — perguntou logo o Non, com o ciúme a cobri-lo como uma avalancha.
📞— [Já entrou no carro com esse tipo, Pi... A máquina acabou de sair da pista.]
📞— "Como é que o deixaste ir com ele?! Estás farto de viver, Eit? Se me disseres que sabes para onde foram, prometo que só te bato uma vez..." — gritava o Non, já sem esconder a fúria.
📞— [Foram para o Trinity.] — disse o Eit com a voz a tremer, percebendo que tinha cometido um erro.
📞— "Como se chama esse rapaz?" — sentindo algum alívio, o Non baixou o tom.
📞— [Pert, chama-se Pert.] — despejou o Eit à pressa, e o Non pediu-lhe que enviasse todos os vídeos da pista em que o tipo aparecesse.
O Non ligou primeiro ao Prem, mas ninguém atendeu; marcou então o número da administradora do clube e pediu que reservassem o quarto dois para o Pert. Percebendo que era ali que iam jantar, ordenou ainda que servissem ao rapaz um fugu vivo. Ouvindo o tom com que o Non falava, a Candy não se arriscou a discutir, e problemas com o Hima ou com o Dao não os queria, porque ultimamente o Non era o braço direito do Dao na pista.
O Non voltou a ligar ao seu Papá, e quem atendeu foi o Eit: o telemóvel tinha ficado no gabinete do Non. O Bebé saiu de casa e entrou no carro... Foi precisamente nesse momento que chegaram ao telemóvel dele os vídeos das câmaras, e o Non foi-os vendo, um atrás do outro. As veias das têmporas incharam-lhe no mesmo instante, logo ao primeiro toque no seu homem. Marcou o número de uma florista e pediu que enviassem ao clube uma coroa qualquer. A seguir ligou à Candy e pediu-lhe que escrevesse um bilhete e o juntasse à coroa que ia ser entregue. Olhou para o smartphone e viu 2% de bateria.
— Reza, Papá, para que eu chegue antes de tu te meteres em sarilhos... — enfurecia-se o Non, ligando o motor e arrancando para o Trinity.
Pelo caminho, o Non apanhou um pequeno engarrafamento e ia espreitando o telemóvel a toda a hora, até este se desligar de vez. A viagem, em vez de trinta e cinco minutos, levou-lhe pouco mais de uma hora. E a cada minuto o ciúme e a raiva ficavam mais fortes. Ao entrar no clube, seguiu direto ao quarto dois. Abriu a porta, e diante dos seus olhos surgiu o quadro: o Prem, sentado ao colo do Pert, de fugu nas mãos, a tentar enfiar-lhe o peixe pela boca abaixo, aos gritos:
— A culpa disto é toda tua! Querias um jantar, come! Ou achas que a coroa é para se desperdiçar?!
— Prem! — gritou o Non, e o Prem virou-se na direção da voz conhecida.
O Prem estava tão aflito com a ideia de o seu Bebé ter tido um acidente, e ser por isso que não chegava ao clube, que descarregou tudo no Pert, que lhe sorria com um sorriso lascivo. Ao ver o seu menino inteiro e são, o Prem saltou depressa de cima do rapaz, atirou o fugu para o sofá e correu para o Non, examinando-o e virando-o de todos os lados.
— Psicopata! Anormal! Vou contar tudo sobre a vossa pista nas redes sociais! — ameaçava o Pert, levantando-se do sofá.
— Senta-te já, fedelho! Chegaste à pista a exigir uma corrida com um representante, quando te disseram que ele estava de folga! Tentaste armar um escândalo e depois exigiste um jantar comigo como prémio!
Cortaste-me de propósito antes da meta, sabendo que qualquer um preferia travar a ir parar à valeta! E agora atreves-te a queixar-te? Vim contigo até aqui? Vim! Comi contigo? Comi! Não tenho culpa de tu não quereres comer o peixe que o meu marido te encomendou! E repara: eu ainda tentei dar-te de comer, e tu, besta ingrata, nem a boca abriste! — o Prem quase gritava, de dedo em riste, avançando na direção do Pert.
O Pert olhava para ele a tremer, fugindo pelo assento do sofá a cada passo do Prem.
Zás!
O Non agarrou a mão do Papá e este virou-se para ele. Viu nos olhos do Prem raiva e medo ao mesmo tempo, por isso puxou-o depressa para os seus braços. As mãos do Prem apertaram-se no mesmo instante, com força, à volta da cintura do Non.
— Fixa bem isto, Pert! Se eu vir nas redes sociais uma única menção a este dia, conto tudo ao representante da pista... O jovem senhor dá-se lindamente com a chave de 32... e o marido dele com facas e agulhas... Não te aconselho a irritar o Daonya Kittichat, nem a esposa dele. E o Prem é amigo do jovem senhor. Ah, sim... a coroa e o peixinho são meus... Se te volto a ver perto da minha esposa, parto-te o pescoço e dou o teu corpo de jantar aos tubarões, no Golfo da Tailândia, percebeste? E agora desanda, o teu prémio, já o recebeste. — ameaçava o Non, agora abertamente.
O Pert levantou-se do sofá e desapareceu do quarto. O Non afastou o Prem de si.
— Como te atreveste a aceitar a aposta daquele anormal? Falta-te adrenalina? Ou apeteceu-te sentar ao colo dos outros? — perguntava o Non com rispidez, e o Prem compreendia a mágoa dele.
— Foste tu que disseste para eu resolver o problema! Se eu recusasse a corrida, ou o cumprimento da aposta, corriam boatos sobre a pista. O Dao salvou a minha de uma coisa destas da última vez, querias que eu fosse um ingrato? Que deixasse isso acontecer à vossa pista? E, além do mais, era só um jantar... — o Prem falava com a voz a tremer de emoção, à medida que o largava o medo de que alguma coisa tivesse acontecido ao Non no caminho.
— Ah, só um jantar... Ou seja, comer com outro homem num quarto privado de um clube, sem empregado presente, é uma ninharia? — o Non estava louco de ciúme, sobretudo quando se lembrava do Prem ao colo do Pert.
— Perdoa-me, Bebé. — disse o Prem baixinho, olhando para o Non com um olhar culpado.
— Para casa! Já! — rosnou o Non e, agarrando o seu homem pela mão, arrastou-o da sala.
O Prem não resistiu, embora o seu menino lhe apertasse o pulso com força. O Non levou o Prem para fora do clube e empurrou-o contra o carro com tanta força que o homem bateu com as costas na porta e o automóvel balançou. O Prem não soltou um som; limitou-se a olhar para o rapaz furioso à sua frente.
Oh... tenho de te tirar do sério de vez em quando... será que hoje me vão castigar a sério? — pensava o Prem, sem despregar os olhos da cara zangada do seu marido.
O Non estava furioso; na cabeça ainda lhe passavam as imagens do Pert a passar o dedo pelo peito do seu Papá, alternadas com as do Prem sentado ao colo de outro. Aquilo enlouquecia-o de raiva. Aquele homem é dele, dele e só dele — ninguém se atreve sequer a tocar-lhe! O Non deu um passo em frente e bateu com as mãos no carro, dos dois lados da cabeça do Prem.
— Tu! Nunca mais, em circunstância alguma, te voltas a sentar ao colo de ninguém, Prem! — rugia o Non de raiva, olhando o seu homem nos olhos.
— Sim, Bebé. Perdoa-me, eu estava errado... podes castigar-me como achares necessário... Aceito tudo... — sussurrou o Prem ao ouvido do Non, e este, coberto de arrepios, prensou-o de imediato contra o carro, beijando-o com paixão.
O Prem correspondeu ao beijo, apertando contra si o corpo quente do rapaz alto, que lhe mordia os lábios até ao sangue. Ambos sentiam o sabor metálico na boca, mas o Prem nem pensava em queixar-se.
Compreendia os sentimentos do seu menino — e tinha acabado de aceitar tudo. As mãos do Non já lhe apertavam as nádegas rechonchudas, comprimindo contra si o corpo do homem, que sentia distintamente o membro excitado do Bebé contra o seu.
— Bebé... ah... estamos no estacionamento... isto está cheio de câmaras... m-m-m-m... queres que os seguranças espalhem depois pelo clube inteiro um filme porno connosco? — disse o Prem de cabeça atirada para trás, ao reparar na câmara do poste.
— Cala-te e entra no carro! — mordendo o pescoço do Prem, o Non abriu a porta do banco de trás, empurrou o homem lá para dentro, sentou-se em cima dele e bateu com a porta.
O Prem olhou para aqueles olhos cheios de luxúria e de raiva e, sem que lho pedissem, começou a despir o casaco de ganga e a t-shirt. Não teve tempo de a tirar por completo: o Non agarrou-lhe os pulsos, onde a t-shirt tinha ficado presa.
— Hoje aprontaste tanta coisa... — dizia o Non com rispidez, apertando as mãos do Prem na sua própria t-shirt. — Aceitaste ser o prémio de uma aposta... Perdeste a corrida... Foste com aquele cretino para o clube... Não levaste o telemóvel... Sentaste-te ao colo dele... Tocaste-lhe na cara... — a cada frase, apertava-lhe mais a t-shirt nos pulsos e, tirando o cinto das próprias calças, passou-o pela pega do teto.
O Non esticou o cinto entre as mãos do Papá, por cima da t-shirt, e apertou-o com força, fazendo o tecido comprimir os pulsos, o que provocou no homem debaixo dele uma onda selvagem de excitação. O Prem olhava para a chama a arder nos olhos do seu rapaz, que o cavalgava, apoiado nos joelhos no banco do carro, a abrir a braguilha. O homem engoliu em seco, percebendo perfeitamente o que o seu Bebé queria.
O Non chegou-se mais ao seu Papá, tirou o membro já excitado e passou-o pelos lábios e pelas bochechas do Prem.
Primeiro, o rapaz dava pancadinhas leves com o membro nos lábios do Prem mas, depois de o homem abrir a boca e pôr a linguinha ligeiramente de fora, o Non passou a fazê-lo com cada vez mais rudeza. O Prem percorria a cabeça com a língua, acariciando o freio, sem tirar os olhos do seu menino. O Non não aguentou mais aquela provocação e irrompeu-lhe pela boca logo a todo o comprimento. O Prem não esperava, e os olhos brilharam-lhe de lágrimas.
— Hoje foste um Papá muito mau... — disse o Non com severidade, continuando a foder com rudeza a boca quente do homem.
O Prem não tinha nada contra aquela brutalidade, era excitante até ao tremor: o estacionamento, as mãos atadas e o menino zangado. O Non empalava a cabeça do Papá no próprio membro, segurando-a com as mãos pelos lados. O homem gemia de prazer, embora nem sempre conseguisse respirar a tempo.
Naquele momento, o seu Bebé estava tão sexy e tão bruto que o enlouquecia ainda mais. O Non não tirou o membro da boca do Prem um segundo que fosse e, ao fim de vinte minutos, o esperma jorrava-lhe já pela garganta abaixo, enquanto as mãos do rapaz lhe apertavam a cabeça contra as calças. Respirando com dificuldade, o Non retirou o membro da boquinha da esposa, percorrendo-lhe o corpo com o olhar...
Os lábios ligeiramente inchados, as bochechas rosadas e molhadas das lágrimas, a respiração pesada e a excitação sem disfarce nos olhos.
— E isto, na tua opinião, é castigo? — rouquejou o Prem, a provocar o marido.
O Non agarrou o homem pela garganta, virou-lhe a cabeça para o lado e mordeu-lhe o pescoço com força. O grito do Prem transformou-se num gemido apaixonado, que fez o rapaz cerrar ainda mais os dentes na pele. Desprendendo-se do pescoço de cheiro tão bom, o Non puxou as calças do seu Papá para baixo, juntamente com a roupa interior. Transbordava de excitação misturada com raiva e ciúme. Aquele homem é dele e pertence-lhe só a ele; ninguém deve tocar-lhe.
O Bebé abriu as próprias calças, baixando-as até aos joelhos, e afastou as pernas do Prem. Encostou dois dedos aos lábios do seu homem, observando a reação. O Prem inclinou-se para a frente e tomou-os na boca, percorrendo-os por dentro com a língua, sem despregar os olhos do rapaz em cima dele. O Non sorriu com malícia, tirou os dedos da boquinha quente e inseriu logo os dois no rabinho do Prem. O homem gemeu de dor, porque o seu rapazinho atrevido tinha enfiado os dois de uma vez, a todo o comprimento. O Non moveu os dedos por muito pouco tempo; depois retirou-os, voltou a morder o pescoço do Prem do outro lado e, sem aviso, inseriu nele o membro até meio.
— Vou meter-te na cabeça, de uma vez por todas, que só eu te posso tocar — e que, além do meu membro, não vais sentir nenhum outro até ao fim dos teus dias... — o Non entrou nele por completo, num só impulso, enquanto as lágrimas corriam pelas bochechas do Prem.
O Prem olhava para o rapaz debruçado sobre ele, e aquela era a proposta mais romântica de uma vida a dois que alguma vez tinha ouvido. O homem gemia bem alto sob o ímpeto do jovem, sentindo a dor transformar-se em excitação, enquanto o membro grande se movia dentro do rabinho apertado. O Non ergueu as pernas do homem, juntando-as, para negar ao seu Papá o acesso ao próprio membro.
Diante dele abria-se um espetáculo de enlouquecer: as mãos atadas, as bochechinhas vermelhas, as gotinhas de suor no peito e na barriga, as marcas de dentes no pescoço, as pernas esguias unidas e o membro já molhado; que só o Non podia ver e tocar, e, acima de tudo... os gemidos de perder a cabeça...
O Non martelava furiosamente o rabinho apertado, sob os gemidos altos do homem. O rapaz agarrou-o pelas ancas e, quando o Prem contraiu o rabinho para o provocar, o Non respondeu com uma palmada no rabo, deixando a marca vermelha da mão. O Prem soltou um grito e o seu rabinho apertou-se ainda mais, sentindo o sítio da palmada a arder e o calor a espalhar-se-lhe pelo corpo todo, junto com a excitação.
— Ah... Bebé... mais... — gemeu o homem, sentindo no rabo uma palmada nova.
O Non acelerava os movimentos das ancas: a cada palmada, o rabinho do Prem apertava-lhe o membro com mais força, aproximando os dois do orgasmo. O Bebé sentiu que lhe bastavam mais uns embates para se vir, por isso saiu do orifício apertado. Pressionando as pernas do Prem até as canelas lhe tocarem os dedos das mãos atadas, o Non tomou os dois membros numa mão e começou a movê-la devagar, para cima e para baixo, roçando de propósito a palma nas pontas das cabeças. O Prem segurava as próprias pernas com as mãos amarradas. O Non sabia que o Prem gostava de movimentos rápidos, por isso decidiu provocá-lo com ternura, sem sequer perceber que era isso que, agora, dava ainda mais com o seu homem em louco.
— Queres a minha morte, bebé? Eu... ah... morro assim... Meu Deus... — o homem quase gritava com aqueles toques ternos que o enlouqueciam, enquanto o corpo lhe tremia.
Ao fim de uns minutos daqueles movimentos suaves, quase em sincronia, o líquido branco e viscoso dos dois membros inundou as coxas do Prem, sob os gemidos altos de ambos. O homem afastou as pernas, pelas quais escorria o esperma, olhando para o belo rapaz à sua frente.
— Queres mais uma ronda, Bebé? — perguntou o Prem com voz rouca e sexy, lambendo os lábios ressequidos.
— Estás de castigo, Papá. Vamos para casa. — sentando-se ao lado dele, respondeu o rapaz, já sereno.
O Non vestiu as calças, mas desamarrar a esposa é que não. Pegou na roupa do Prem e atirou-a para o banco da frente.
— O que é que tu estás a tramar, bebé? — perguntou o Prem com voz curiosa, vendo o seu menino sair do carro e passar para o volante.
— Cala-te! Vou levar para casa a minha esposa que se portou mal. — disse o Non, impassível, ligando o motor.
O rapaz saiu do estacionamento, rumo à casa do Prem, onde agora vivem os dois. O Prem conseguiu virar-se de costas para o para-brisas mas, naquela posição, a t-shirt esfregava-lhe ainda mais os pulsos.
Todo o caminho, o homem deu em louco de excitação — sobretudo nos semáforos, quando o Non se virava para ele, percorrendo-lhe com a mão a face interna da coxa, penetrando-lhe o rabinho com um dedinho, sem profundidade, por uns segundos, e rematando com uma palmada nas nádegas rechonchudas. O Prem esforçava-se por se chegar o mais possível ao banco do condutor, desejoso de que o seu menino acrescentasse mais uns dedos e entrasse mais fundo — mas aquele rapazinho teimoso continuava a provocá-lo.
O Non sabia que o para-brisas tinha uma película especial, através da qual é impossível ver de fora o que se passa lá dentro. Mas o Prem não sabia... E a sensação de que podiam ser vistos excitava o homem até lhe tremerem os joelhos.
Pelo caminho, o Bebé ia olhando pelo retrovisor, a admirar o lindo rabinho com as marcas vermelhas das suas mãos, o canal que se contraía à espera do seu dedinho e o membro de novo excitado. O Non escolheu de propósito o caminho com mais semáforos; tudo aquilo o excitava tanto a ele como ao Prem. A cada semáforo ouviam-se gemidos dentro do carro — que, à medida que se aproximavam de casa, já passavam a gritos.
Depois de estacionar na garagem, o Non ficou a olhar para o rabo apetitoso e farto, que balançava de um lado para o outro como se o provocasse de propósito.
Trinca!
O Non debruçou-se e mordeu-lhe o rabinho macio.
— Meu menino... Ah... dói... — soltou o Prem num grito, e o corpo cobriu-se-lhe de arrepios.
O Non reparou que os dedos das mãos da sua esposa estavam vermelhos e, saindo do carro, abriu a porta do lado onde o Prem estava atado.
— Promete-me, Prem! Promete que nunca mais fazes disparates destes, que nunca mais vou ter de me preocupar assim contigo! — o Non debruçou-se sobre o carro, e o Prem olhava para ele com um olhar culpado.
— Prometo, bebé. Perdoa-me, a culpa foi minha... — disse o Prem baixinho, com a voz a tremer, porque se lembrou logo do pânico e do medo quando o Non não atendeu o telefone e se atrasou.
Tinha tido medo de que, por causa de uma aposta estúpida, o seu menino se magoasse — e o Prem nunca se perdoaria isso. Bastou-lhe imaginar que o seu Bebé podia ter tido um acidente e mal conseguiu respirar, com o medo de nunca mais o ver.
O Non desatou-lhe as mãos, amparando o seu homem pela cintura. O Prem apoiou as mãos no encosto do banco.
— Anda cá. — o Non abriu os braços, convidando a esposa para o abraço.
O Prem enlaçou o pescoço do rapaz e, ao ver as marcas vermelhas nos próprios pulsos, percebeu que, se tivessem ido para outro clube, não se sabe como aquilo teria acabado. O homem pousou a cabeça no ombro do Non e sussurrou:
— Lamento imenso, querido.
O Non tirou o Prem, nu, do carro, pegando-lhe logo ao colo e levando-o para dentro de casa pela porta das traseiras, que liga a cozinha à garagem por um pequeno corredor. Levou o homem até à casa de banho e sentou-o na borda da banheira. O rapaz abriu a água e olhou para as marcas vermelhas nos pulsos.
— Dói? — perguntou o Non com ternura, passando os dedos pelas mãos avermelhadas do Prem, que se limitou a abanar a cabeça.
— Doeu foi quando não atendeste o telefone e te atrasaste vinte minutos... Esse tempo pareceu-me uma eternidade... Tive tanto medo de que te tivesse acontecido alguma coisa... — o Prem olhava o rapaz nos olhos, passando-lhe a mão pela bochecha.
— Nunca mais quero sentir nada assim... — continuou o homem, com a voz a tremer.
— O telemóvel ficou sem bateria, e havia trânsito por causa de um acidente... — o Non pousou a sua mão sobre a dele e puxou o Prem para se deitar na banheira, fazendo menção de sair.
— Não vás. Fica aqui deitado comigo, por favor? — implorou o Prem, e o coração do Non apertou-se com aquela voz estranhamente triste.
O Non parou e despiu a roupa. Deitou-se na banheira, e o Prem acomodou-se entre as suas pernas, recostando a cabeça no ombro do marido. As mãos fortes do Non afagavam o peito do homem, regando-o de vez em quando com água das próprias mãos em concha.
Hoje, ambos perceberam que esta relação não é um entusiasmo passageiro. O homem fechou os olhos e veio-lhe à cabeça a frase do seu menino: «...só eu te posso tocar, e, além do meu membro, não vais sentir nenhum outro até ao fim dos teus dias...»
E o Prem respondeu-lhe em pensamento: «Sim, meu menino, só tu... Até ao fim dos meus dias...»
Com as emoções do dia, a água quente e o abraço morno do rapaz em cujo peito estava deitado, o Prem adormeceu. O Non deu por isso dez minutos depois, lavou-lhe o corpo e levou-o para a cama. Depois de vestir à sua esposinha apenas as calças do pijama, o Non voltou à casa de banho para ir buscar o estojo de primeiros socorros. O rapaz tirou de lá um creme cicatrizante, espalhou-o nos próprios dedos e, só quando este ficou à temperatura do seu corpo, tratou, com cuidado e ternura, as marcas vermelhas nas mãos do seu homem.
Perdoa-me... vais ter de te conformar com o meu ciúme louco, porque nunca vais conseguir fugir de mim. Oh... Amanhã os teus labiozinhos vão estar inchados. — pensou o Non, passando a mão pelas mordidelas nos lábios e no pescoço do seu Papá.
O Non deitou-se ao lado dele e estendeu o braço por baixo da cabeça do Prem, para que o seu homem pudesse ficar deitado no seu peito, enquanto os braços do rapaz abraçavam o corpo branco coberto de marcas de dentes. Inspirando o cheiro do seu Papá, o Non adormeceu depressa.
E amanhã... ia haver uma conversa séria com toda a gente na pista. Especialmente com o Eit...