52 đ â Poder (parte 2 de 2)
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Os lĂĄbios escaldantes do jovem tocaram os lĂĄbios macios do doutor, passando com cuidado a lĂngua entre eles. Bastava um toque suave naquele homem para ele se excitar. Var cheirava sempre a hospital e a mais qualquer coisa. Kai gostava do seu cheiro. O homem entreabriu ligeiramente a boca, e a lĂngua quente do Solzinho deslizou para dentro. Percorria-lhe os dentes, o cĂ©u da boca, a lĂngua, como se o estudasse e o provasse. Os gestos do rapaz tornavam-se cada vez mais apaixonados, e aquele beijo absorveu-o de tal maneira que Kai nĂŁo deu conta das mĂŁos que lhe pousaram na cintura, nem do homem que, em resposta, começou a sugar-lhe a lĂngua.
â M-m-m-m... â um gemido baixinho escapou dos lĂĄbios de Kai, quando Var o puxou para si pela camisa do pijama e o jovem se viu deitado sobre o seu corpo.
Ambos sentiam o desejo um do outro, mas Var desprendeu-se dos seus lĂĄbios.
â Desculpa... â proferiu Var baixinho, recuperando o fĂŽlego e sentando Kai a seu lado, no sofĂĄ.
â Porque estĂĄs a pedir desculpa? Fui eu que te beijei... â respondeu Kai, sentindo que o seu corpo precisava, decididamente, de uma continuação.
Queres mesmo parar? â pensava Kai, vendo Var sentar-se ao seu lado e afastar-se ligeiramente.
Um instante antes, o jovem tinha sentido com toda a nitidez a excitação do doutor, mas ele parou. Sentia as lågrimas a subirem-lhe num nó à garganta, ao perceber que aquele homem tinha mesmo desistido. Só agora Kai compreendeu que gostava de Var.
â Queres alguma coisa? Diz, que eu vou buscar. â perguntou Var, mudando de assunto e esforçando-se por nĂŁo olhar para Kai.
A sĂ©rio? Ă assim que te vais comportar agora? Uma ova Ă© que Ă©! â enfurecia-se o jovem com o comportamento do doutor.
â Quero, doutor Var. â disse o rapaz e, levantando-se, fingiu uma tontura.
â EstĂĄs mal? NĂŁo te levantes assim de repente, Kai. â Var pĂŽs-se de pĂ© num salto, amparando-o pela cintura.
De repente...
Kai voltou a beijar o doutor, enlaçando-lhe o pescoço com força. Var nĂŁo esperava que um rapaz doente tivesse tanta força. Ficou desconcertado por uns instantes, e a lĂngua quente, que teimava em entrar-lhe na boca, reacendeu a excitação hĂĄ pouco reprimida.
â Nong, mas que... â Var abriu a boca para tentar protestar, mas por ela irrompeu a linguinha quente, roubando-lhe a capacidade de falar.
Quando o doutor correspondeu ao beijo, Kai afastou-se e olhou para ele, respirando com dificuldade.
â Eu tenho namorado... â proferiu Kai, e as mĂŁos do doutor largaram no mesmo instante a cintura do jovem.
â Porque nĂŁo disseste antes? â perguntou Var com a voz a tremer, sentindo o coração encolher-se.
â Porque nĂŁo tinha a certeza de que gostava dele. Mas agora tenho. Gosto dele porque Ă© sempre bom para mim, cuida de mim, os lĂĄbios dele sĂŁo tĂŁo macios e as mĂŁos tĂŁo meigas que eu nĂŁo quero que elas deixem de segurar o meu corpo... â e, com as Ășltimas palavras, Kai pegou nas mĂŁos do doutor e pousou-as na sua prĂłpria cintura.
Enquanto Kai falava, Var achava que o seu coração não ia aguentar ouvir o seu Solzinho falar assim do namorado. Quando o jovem lhe pousou as mãos na sua cintura, Var ergueu os olhos, e o cérebro ia processando a informação dita segundos antes.
â O quĂȘ? â insistiu o doutor, sem conseguir alcançar o que o rapaz lhe tentava transmitir.
â NĂŁo me estavas a ouvir de todo, Pi? â perguntou Kai com um sorriso.
â Disseste que tens namorado... entĂŁo porque me beijaste? Isso nĂŁo estĂĄ certo. â respondeu Var baixinho, esforçando-se por nĂŁo olhar para o jovem.
â Desde quando Ă© que beijar o prĂłprio namorado nĂŁo estĂĄ certo? â Ao ouvir aquelas palavras, Var ergueu a cabeça, convencido de que tinha ouvido mal.
â O que Ă© que disseste? â insistiu Var.
â Eu disse... desde quando Ă© que beijar o prĂłprio namorado nĂŁo estĂĄ certo? â Kai olhava o doutor nos olhos e via lĂĄ a incompreensĂŁo do que se estava a passar...
Raios... nĂŁo sejas lento, Pi. Eu acabei de aceitar ser teu namorado, e tu...â pensava Kai, lambendo os lĂĄbios ressequidos.
Finalmente caiu a ficha a Var do que o seu Solzinho tinha dito e, puxando-o para si, beijou-o. O beijo do doutor era voraz. Sugava os låbios macios do jovem, a sua linguinha, até que dos låbios do guarda-costas se soltou um gemido.
â Pequenino... m-m-m-m... tu estĂĄs com febre... â proferiu Var, enquanto os lĂĄbios do doutor desciam pelo pescoço escaldante do rapaz.
â Doutor... ah... eu conheço uma maneira Ăłtima de fazer baixar a febre... â gemeu Kai, abrindo o fecho das calças do doutor.
â Kai... nĂŁo faças nada de que te venhas a arrepender... â Var agarrou-lhe a mĂŁo sobre as calças.
Kai enfiou a mão nas calças do doutor e apertou ao de leve o membro jå excitado.
â Ah... Nong Kai... â gemeu Var, e Kai lembrou-se logo de como, no «sonho», o seu doutor tinha dito exatamente as mesmas palavras.
O par foi-se deslocando para a cama, enquanto Kai despia o doutor. As mĂŁos de Var vagueavam pelo corpo do rapaz, desabotoando os botĂ”es da camisa do pijama. Nem o prĂłprio Kai sabia se o seu corpo tremia das carĂcias do doutor ou dos calafrios da febre. Mas era tĂŁo bom que ele nĂŁo queria parar.
Kai sentiu a cama nas pernas e sentou-se. Var estava de pĂ©, diante dele, sĂł de slips. Para a idade que tinha, Var estava em excelente forma. O jovem olhava para o homem Ă sua frente com olhos esfomeados, pronto a comĂȘ-lo ali mesmo.
Kai estendeu a mĂŁo, agarrou Var pela orla dos slips e puxou-o para si. Os lĂĄbios escaldantes beijavam com paixĂŁo a barriga do doutor, que gemia, afagando o cabelo do jovem.
â Ah... hoje deixo-te fazer tudo o que quiseres... Mas, quando estiveres bom... como-te eu a ti... â proferiu Var, precisamente no momento em que o seu Solzinho lhe puxava os slips para baixo.
â NĂŁo era eu que devia suar, doutor? â perguntou Kai com malĂcia, percorrendo com a mĂŁo o membro do doutor.
â Eu... uf... eu bem te disse para nĂŁo me chamares doutor... â gemeu Var, quando a linguinha quente do jovem lhe tocou o membro.
Kai nunca tinha feito aquilo e, por isso, agia por instinto, da maneira que a ele próprio lhe daria prazer. E, afinal, um membro na boca não só não lhe provocava nenhuma sensação desagradåvel, como ainda aumentava a excitação do jovem.
â Ah... pequenino... Ah... â continuava o homem a gemer, enquanto a boquinha escaldante do seu Solzinho, a cada movimento, lhe sugava com mais força a cabeça do membro.
Var remexia-lhe o cabelo, apertando a cabeça de Kai cada vez mais contra si. Os dedos do doutor arranhavam-lhe a pele da cabeça, provocando-lhe vagas de arrepios.
â Para... M-m-m-m... Solzinho... Ah... â o doutor deteve o jovem, porque nĂŁo queria vir-se jĂĄ.
Var deitou-o na cama, puxando as calças de Kai para baixo. O rapaz corou ligeiramente ao ver os olhos brilhantes com que Var o olhava. Var estava num ĂȘxtase selvagem: ali estava ele... o seu doce Solzinho, deitado Ă sua frente, nu e consciente. Kai tinha querido aquilo por vontade prĂłpria.
â Vais ficar sĂł a olhar? NĂŁo estamos numa galeria, Pi'Var... â indignou-se o jovem, afastando as perninhas de propĂłsito.
â Kai... Tu... tens a certeza de que queres isto? EstĂĄs com febre, pode doer-te, estamos num hospital e aqui nĂŁo hĂĄ lubrificante... â parecia que Var estava a tentar demover, nĂŁo Kai, mas a si prĂłprio.
â Tu Ă©s mĂ©dico... Inventa qualquer coisa... â sorriu Kai, lambendo os lĂĄbios ressequidos.
Aquela linguinha sedutora estava mesmo a implorar que Var a mordesse. Var estendeu a mão ao jovem e Kai deu-lhe a sua. Var puxou-o, pondo-o de pé no chão, virou Kai de costas para si e, afastando-lhe as perninhas, inclinou o jovem para a frente. Kai apoiou os cotovelos na cama, arqueando as costas. Var pÎs-se de joelhos e mordeu ao de leve o rabinho tentador do jovem. Kai gemeu baixinho, enquanto o doutor lhe cobria as nådegas de beijos.
â Ah... Pi'Var... â gemeu Kai mais alto, quando a lĂngua do doutor lhe tocou o orifĂcio, enquanto a mĂŁo acariciava o membro do rapaz.
Var lambia e penetrava ao de leve com a lĂngua, sentindo pulsar o rabinho do seu Solzinho. Var sentia Kai a descontrair-se e juntou Ă lĂngua um dedo, quando a saliva do doutor jĂĄ começava a pingar dos testĂculos do rapaz.
â Ufff... â gemeu o pequeno, e Var sentiu o canal macio apertar-lhe o dedo.
SĂł nĂŁo me digas... que eu sou o teu primeiro? â pensava Var, observando a reação de Kai e o rabinho apertado.
Var tinha razĂŁo: Kai sĂł tinha namorado com raparigas. Ăs vezes via pornografia com bi e queria experimentar algo novo. Nem ele prĂłprio sabia porque se decidira a isto com Var. Se bem que o doutor lhe tivesse dado a entender que estava pronto a deixar-se comer por Kai.
â Descontrai, pequenino. Respira... â pedia o doutor com ternura, passando a lĂngua pelas nĂĄdegas e Ă volta do prĂłprio dedo, no rabinho macio.
Kai descontraiu e Var pĂŽs o dedo a mover-se devagar, enquanto a outra mĂŁo deslizava, com a mesma ternura, no membro do jovem.
â Ah... Ahhh... â os gemidos de prazer e o dedo a mover-se com liberdade no rabinho fizeram Var perceber que podia acrescentar mais um dedinho.
â Doutor Var... â provocava-o Kai.
Var tirou a mĂŁo do membro de Kai e...
PlĂĄs
A nådega redonda estremeceu com a palmada leve, e pelo corpo do jovem varreu uma onda de excitação, obrigando-o a gemer mais alto.
â Doutor... â continuava o pequeno, e Var percebeu que o estavam a provocar de propĂłsito.
PlĂĄs...
â EstĂĄs a fazer de propĂłsito, nĂŁo estĂĄs? Sabes quantas palmadas Ă© que jĂĄ me deves? â perguntou Var, quando os seus dedos pressionaram a prĂłstata dentro de Kai, fazendo o corpo do rapaz estremecer e as perninhas vergarem.
Var via que o rabinho do seu Solzinho jĂĄ estava pronto a trocar os dedos por algo mais substancial.
Retirou-os, molhou abundantemente o membro com a prĂłpria saliva e esfregou-o entre as nĂĄdegas de Kai, dando-lhe a entender que jĂĄ nĂŁo conseguia esperar mais. Var ia inserindo devagar o membro no rabinho macio e, ao mesmo tempo, afagava o seu Solzinho com os dedos de uma mĂŁo ao longo das costas, excitando-o e descontraindo-o. NĂŁo tinha pressa, sabendo que era a primeira vez de Kai, e queria que ele sentisse o mĂnimo possĂvel de dor e desconforto.
â Se te doer, diz-me, pequenino... â Var debruçou-se e deixou uns beijos nas costas do rapaz, jĂĄ molhadas e salgadas do suor.
A barriga do homem tocou as nådegas rechonchudas e Var parou. Por muito que quisesse foder com força aquele rabinho apertado, sabia que sexo demasiado brusco podia agravar a febre. Inesperadamente, o corpo debaixo dele começou, por si mesmo, a mover-se no seu membro, e o quarto encheu-se dos gemidos do jovem. Var achou que era uma solução excelente: assim, o seu rapaz podia controlar ele próprio a profundidade da penetração e a velocidade. As suas mãos limitavam-se a segurar Kai pela cintura, e o doutor não conseguia despregar os olhos do espetåculo hipnotizante à sua frente: a cintura estreita fazia parecer ainda maior o rabinho de Kai, pelo qual corriam ondas a cada embate. O facto de não ser ele a foder o rabinho apertado, mas o seu Solzinho a empalar-se sozinho nele, dava ao doutor um prazer especial, que o fazia gemer em sincronia com Kai.
â Cansaste-te, pequenino? â perguntou Var, quando Kai abrandou.
â Um bocadinho... ah... â admitiu Kai, respirando com dificuldade.
Var saiu do seu rabinho e, virando o jovem, deitou-o na cama de costas. Var subiu a cabeceira da cama e pÎs a almofada debaixo das ancas de Kai. Olhava para o rapaz e apaixonava-se ainda mais. Aquele olhar lascivo, as bochechas vermelhas e os låbios ressequidos eram tão sensuais que lhe apetecia cobri-lo de beijos da cabeça aos pés.
Var debruçou-se e, entrando de novo no rabinho apertado, ofereceu ao jovem um beijo apaixonado. Kai correspondeu de imediato e remexeu ligeiramente o rabinho, como que a implorar-lhe que começasse a mexer-se. Var percebeu a indireta e pÎs as ancas a mover-se devagar, sugando a linguinha do seu Solzinho.
â M-m-m-m... â gemia Kai, enquanto o membro do doutor lhe percorria a prĂłstata lĂĄ dentro, fazendo-lhe o corpo estremecer.
Var desprendeu-se dos seus lĂĄbios e, pousando as mĂŁos na cintura de Kai, entrava e saĂa dele devagar. Aqueles movimentos davam com os dois em loucos. Normalmente, Var gostava de coisa mais dura, mas agora saboreava o sexo com um rapaz de quem gostava muito.
â Pi... Ah... Pi... â quase gritava Kai, percebendo que aqueles movimentos compassados e o olhar sombrio de Var o excitavam muito mais do que qualquer rapariga que alguma vez tivera.
â Sim... meu pequenino... sĂł mais um bocadinho... â gemia Var, sentindo que aqueles gritos o aproximavam do alĂvio.
â Ah... PapĂĄ... A-a-a-ah... â escapou dos lĂĄbios de Kai quando se veio, salpicando a barriga de esperma.
â Pequenino... Siiim... â ao ouvir a palavra «Papå», Var entrou de rompante atĂ© ao fundo, enchendo o rabinho macio de lĂquido branco.
Var debruçou-se, cobrindo de beijos a carinha do seu Solzinho. Naquele momento, estava feliz... Tal como Kai.
â Agora jĂĄ nĂŁo podes mudar de ideias, pequenino. A partir deste momento... Ă©s a minha esposa. â continuava Var a beijĂĄ-lo.
O doutor bem gostaria de mais umas rondas mas, consciente do estado do jovem, decidiu ficar-se por uma. Kai, inesperadamente, beijou-o de volta, e as mĂŁos do jovem pousaram nas bochechas do doutor.
â Tu sabes... como estĂĄs bonito neste momento? â perguntou Kai, olhando diretamente nos olhos de Var, e o doutor corou.
Nunca ninguém lhe tinha dito uma coisa assim. Jå tinha ouvido de tudo depois do sexo, mas aquilo era a primeira vez. Kai reparou e sorriu, puxando Var para si pelas bochechas e beijando-o com ternura nos låbios, sem aprofundar.
â Eu gostei... Mas, para a prĂłxima, Ă© a vez do teu rabo. â provocou-o Kai e, para sua grande surpresa, Var assentiu com um sorriso.
â Anda, meu pequenino. Levo-te Ă casa de banho e ajudo-te a lavar. E ainda... Ă© preciso mudar a roupa da cama... â propĂŽs Var, e Kai concordou.
Var ajudou a limpar o canal do jovem: queria certificar-se, ele prĂłprio, de que nĂŁo havia sangue. O doutor, sem esponja, lavou com as prĂłprias mĂŁos o corpo do seu Solzinho. Tomaram os dois duche e, ao saĂrem da casa de banho, Var pediu ao pequeno que se sentasse no sofĂĄ, enquanto mudava a roupa da cama. NĂŁo levou muito tempo mas, quando Var se virou, viu o rapaz a dormir. Apesar de Kai ser mais alto do que Var, o doutor transferiu sem dificuldade o jovem adormecido para a cama.
â NĂŁo vĂĄs, deita-te comigo, PapĂĄ... â implorou Kai por entre o sono, e Var, com um sorriso, deitou-se ao seu lado, abraçando-o.
Var ficou deitado, pensando que hoje era o dia mais feliz da sua vida: Kai aceitara ficar com ele e, embora tivesse saĂdo do hospital onde trabalhara seis anos, estava contente por trocĂĄ-lo por uma clĂnica cujo dono o tinha ajudado a ser feliz.
Tenho de agradecer ao Khun Fai... Por tudo... â pensava Var, adormecendo com o rapaz a quem, hĂĄ pouco, tinha chamado a sua esposa.
đ đ đ
De volta a Fai, depois da chamada de Var
Fai estava furioso com a situação de Var. Ainda durante a chamada, o Smart tinha-lhe dado toda a informação sobre o que se passava no hospital de Var, obtida através das cùmaras.
â Smart... Arranja-me informação sobre essa Kate e o pai dela. â pediu Fai, com desagrado na voz.
Recebido o documento no e-mail, Fai foi ao gabinete do marido, que falava com Anton sobre um carregamento.
đâ "Oh, aĂ estĂĄ ele. Fai, o Anton tem aqui umas perguntas sobre o carregamento." â proferiu Hima com um sorriso, e o Cachorrinho aproximou-se dele, sentando-se no seu colo, diante do iPad. â Passa-se alguma coisa?"â quis saber Fai; afinal, tinha verificado tudo trĂȘs vezes antes de enviar os documentos e as armas.
đâ [Diz-me lĂĄ: como Ă© que conseguiste aumentar o carregamento sem pagar um Ășnico baht a mais?] â perguntou Anton em russo, esquecendo-se de que Fai nĂŁo o sabia, mas o Smart traduziu num instante.
đâ "Oh, nĂŁo foi nada de especial. Eu... limitei-me a pedir com amabilidade que levassem mais um caixote, jĂĄ que o espaço e o peso o permitiam. Eles concordaram quando o Kai disse o meu nome." â respondeu Fai em inglĂȘs, e Anton olhou para ele com desconfiança.
đâ [Espera lĂĄ... Tu disseste um caixote... Mas chegaram dois caixotes a mais.] â proferiu Anton, jĂĄ em inglĂȘs.
đâ "Bem, foi o prĂłprio capitĂŁo que se ofereceu. Disse que podiam levar dois caixotes e que nĂŁo me ia custar nada, porque o espaço existia e jĂĄ estava pago. SĂł um parvo recusaria uma oferta destas, certo?" â respondeu Fai com um sorriso, como se nada fosse.
đâ [Hima... O que Ă© que se estĂĄ a passar?] â perguntou Anton em russo, sĂ©rio, e Hima sorriu.
đâ "O que se estĂĄ a passar? Simplesmente... o meu menino tem jeito para convencer as pessoas." â Hima decidiu nĂŁo contar, para jĂĄ, a Anton o que o seu pequeno tinha aprontado enquanto o GatĂŁo estava em coma.
đâ "Senhor Anton, diz-se que uma palavra amĂĄvel atĂ© um cĂŁo agradece. Basta sorrir e pedir com educação, e vai ficar surpreendido com o resultado." â gracejou Fai, omitindo o momento em que a tripulação do capitĂŁo empalideceu ao ouvir o seu nome.
â Hia, surgiu-me aqui um assunto. E preciso da tua ajuda... â falou Fai com voz meiga, e Hima, despedindo-se Ă pressa de Anton, terminou a chamada.
â O que deseja a minha esposa adorada? â quis saber Hima, e beijou Fai na bochechinha.
â Ligou agora o doutor Var... Despediram-no do trabalho, porque a filha do investidor do hospital, que lĂĄ Ă© mĂ©dica, fez uma cena ao diretor, ameaçando que o pai deixava de patrocinar as investigaçÔes deles.
Pedi ao Smart que procurasse informação e afinal ela fĂȘ-lo porque gosta do Var â e ele, Ă frente dela, andou aos beijos com... o Kai. Eu ofereci-lhe um lugar de mĂ©dico na tua clĂnica e o posto de segundo mĂ©dico da nossa famĂlia. Tu nĂŁo te im... â Fai nĂŁo teve tempo de acabar o relato: calaram-no com um beijo.
Quando Hima ouviu as palavras «nossa famĂlia», ficou tĂŁo feliz que a Ășnica forma de o exprimir foi um beijo.
Pumba
â Eh! Eu ainda nĂŁo tinha acabado. Oh... onde Ă© que estĂĄ a tua paciĂȘncia, Hia? â Fai deu um soco no ombro do marido, indignado.
â Fai... Tu podes fazer tudo o que achares necessĂĄrio. Isto tudo Ă© tĂŁo teu como meu. Achavas que eu ia ser contra o doutor Var na clĂnica? NĂŁo sou contra. â justificava-se o GatĂŁo, olhando Fai nos olhos.
â Sabias que o investidor desse hospital Ă© o Sarawat Paravit? â perguntou Fai, e Hima abanou a cabeça.
â Quero encontrar-me hoje com ele e com a Kate. Consegues marcar uma reuniĂŁo? â pediu Fai, e Hima sorriu.
â Meu menino, eu trato disso. Mas tenho duas condiçÔes. Primeira: eu vou contigo. Segunda: quem conduz a conversa toda Ă©s tu; eu sĂł quero assistir. Combinado? â propĂŽs Hima com entusiasmo, finalmente com a oportunidade de ver o seu Tigre em ação.
Fai aceitou, porque sabia que, se não resolvesse a situação agora, depois seria tarde de mais. Hima ligou a Sarawat e marcou o encontro no hospital dali a duas horas, porque Kate estava de turno.
đ đ đ
Duas horas depois
Hima e Fai chegaram ao hospital acompanhados por trĂȘs guarda-costas. Ă entrada, jĂĄ os esperava uma rapariga, para os conduzir Ă sala de conferĂȘncias. Muitos lembravam-se de Fai e olhavam para ele com espanto. Agora, nĂŁo era o jovem aterrador de uma semana antes.
Entraram na sala, onde, Ă mesa, estavam sentados Kate com o pai e o diretor do hospital. Quando Fai ameaçou o mĂ©dico e Hima estava internado, Kate encontrava-se numa conferĂȘncia noutra cidade, por isso a histĂłria do rapaz que ameaçara processar o mĂ©dico sĂł a tinha ouvido contada por outros. A rapariga olhava para Hima com interesse, e Fai reparou. Deu o braço ao marido e aproximou-se da mesa. Os guarda-costas afastaram-lhes as cadeiras e os rapazes sentaram-se.
â Esperem lĂĄ fora, rapazes. â proferiu Fai com toda a calma, e os trĂȘs homens olharam com pena para as pessoas sentadas diante de Fai.
Os guarda-costas saĂram e Sarawat cumprimentou Hima.
â Oh, Khun, este Ă© o Fai, a minha esposa. â apresentou Hima o seu Cachorrinho, que sorriu docemente e ergueu as mĂŁos num wai.
Sarawat engoliu em seco, e o diretor suspirou.
â Khun Sarawat, sabe porque pedi esta reuniĂŁo? â quis saber Fai, olhando para Kate, mas o homem abanou a cabeça.
â Ainda nĂŁo contaste ao papĂĄ, pois nĂŁo? â perguntou-lhe Fai com escĂĄrnio, como se ela fosse uma aluna traquinas chamada ao gabinete do diretor com os pais.
â Kate... O que Ă© que tu fizeste? â perguntou o homem com severidade.
â Nada, papĂĄ... eu nĂŁo fiz na... â ela nĂŁo teve tempo de acabar a frase: Fai bateu com a mĂŁo na mesa.
â Nada?! Na tua opiniĂŁo, obrigar o Khun Navi, por chantagem, a despedir o Var Ă© "nada"? â A aura de Fai tornou-se sombria num instante, e a sua voz trespassava atĂ© aos ossos.
â Ou ameaçar com o despedimento o pessoal subalterno, se eles cumprissem o seu trabalho, tambĂ©m Ă© "nada"?! Ou nĂŁo foste tu que proibiste toda a gente de responder ao botĂŁo de chamada do quarto 528? â continuava Fai, sem levantar o tom â e isso era mais assustador do que quaisquer gritos.
Uau... Que Tigre... Este Ă© mesmo o meu doce menino? â pensava Hima, olhando para a esposa com admiração.
â Isto Ă© verdade, Navi? â Sarawat virou-se para o homem, e este assentiu, com ar de culpa.
â Porque Ă© que nĂŁo me ligaste logo, Navi? â indignava-se Sarawat.
â Oh, tu achavas que aquele rapaz no quarto era um adolescente vulgar? Mas o doutor Var disse-te que ele era gente minha. E, mais ainda... ele Ă© o namorado do doutor Var. Achaste que o Var ia trocar a esposa dele por um lugar de trabalho ao teu lado? Ăs assim tĂŁo estĂșpida? Nem que trabalhasse na melhor clĂnica do mundo, o Var teria assinado o pedido de demissĂŁo sem hesitar. â Fai olhava para Kate, que nĂŁo erguia os olhos. â E vejamos o que temos agora... O homem que salvou o meu marido foi despedido, o meu guarda-costas, com febre alta, foi obrigado a abandonar o hospital... â Fai olhava alternadamente para Sarawat e para Navi.
â Khun Fai, perdoe-me, eu... â desculpava-se Sarawat.
â PapĂĄ! Porque Ă© que estĂĄs a pedir desculpa a um fedelho?! O hospital Ă© teu! â interrompeu-o a filha, e Fai sorriu.
Com aquele sorriso, Sarawat empalideceu â e Hima estava pronto a atirar-se Ă quela versĂŁo maligna de Fai ali mesmo, em cima da mesa.
â Khun Sarawat, o senhor compreende que eu nĂŁo posso deixar as coisas assim... O que acha... A Brigada Especial nĂŁo ficarĂĄ contentĂssima quando, «por acaso», lhes chegar uma chamada anĂłnima com a localização do seu laboratĂłrio? â perguntou Fai, recostando-se na cadeira com um sorriso, sublinhando a palavra «por acaso».
â Khun Fai, perdoe, por favor, isso nĂŁo. Eu... eu... eu peço desculpa pessoalmente ao doutor Var e Ă esposa dele. Estou pronto a pagar uma indemnização, basta dizer o valor. â Fai ergueu uma sobrancelha, interrogativo, Ă s palavras do homem, e olhou para Kate.
â Eu quero que ela lhes peça desculpa, juntamente consigo. â respondeu Fai, olhando para a mulher contrariada.
â NĂŁo!! Eu nĂŁo peço! PapĂĄ! â gritou ela, e o pai deu-lhe logo um carolo.
â NĂŁo? EntĂŁo, dentro de meia hora, a polĂcia estarĂĄ no laboratĂłrio. Sabes o que isso significa, Kate? O teu pai vai parar atrĂĄs das grades, todos os bens da famĂlia sĂŁo arrestados, todos os cartĂ”es que tu tanto gostas de usar sĂŁo bloqueados. E tu, Kate, como pessoa com formação mĂ©dica, vais como cĂșmplice do teu pai no fabrico de drogas. Continuas sem querer pedir desculpa? â prosseguia Fai com toda a calma, rodando o telemĂłvel nas mĂŁos, e a rapariga empalideceu.
â Khun Fai, ela pede desculpa! Pede! Imploro-lhe, nĂŁo faça isso! â a voz de Sarawat tremia.
â Khun Hima, por favor... â Sarawat decidiu pedir ajuda a Hima.
â Lamento, Sarawat, mas eu aqui sou apenas um observador. O que a minha esposa decidir, assim serĂĄ. â Hima nem sonhava em ajudar.
â Pois bem... Dou-lhe, a si e Ă sua filha, tempo para pensarem. Neste momento nĂŁo quero incomodar o jovem doente mas, assim que ele estiver melhor, eu ligo-lhe. Se a sua filha nĂŁo quiser pedir desculpa, envio a informação Ă polĂcia. Ah, e nĂŁo pense que, se mudar o laboratĂłrio de sĂtio, a polĂcia nĂŁo o encontra. Encontro-o eu. Entendemo-nos? â perguntou Fai, levantando-se, e Sarawat assentiu vĂĄrias vezes, nervoso.
â Vamos, querido. Tenho fome. â proferiu Fai com carinho e um sorriso, pousando a mĂŁo no ombro de Hima, e saiu da sala.
â Khun Hima... A sua esposa Ă© o diabo em pessoa... â disse Sarawat, nervoso, e Hima limitou-se a sorrir.
â Sim, Sarawat. E ao diabo Ă© melhor nĂŁo o irritar. â respondeu Hima em tom sĂ©rio, e saiu atrĂĄs da sua esposa.
Quando a porta se fechou, Hima e Fai ouviram o pai a gritar com Kate.
â Fai... â chamou Hima o seu Cachorrinho pelo nome, e este virou-se para ele.
â Que foi? â perguntou o jovem com doçura, dando o braço ao marido.
â Apetece-me foder esta tua versĂŁo... Estavas tĂŁo sexy... â proferiu Hima baixinho, de forma a que sĂł Fai o ouvisse.
â Hia... Esta versĂŁo... prefere foder-te a ti... Com força... Com brutalidade... E durante muito tempo... â respondeu Fai, igualmente baixinho, e pelo corpo de Hima varreu uma onda de excitação, no encalço de uma vaga de arrepios.
â Vamos para casa, meu Tigre... comes depois de eu te comer a ti... â ao entrar no carro, Hima abraçou logo Fai, sussurrando-lhe as palavras.