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52 🔞 – Poder (parte 2 de 2)

💋Chuac


Os låbios escaldantes do jovem tocaram os låbios macios do doutor, passando com cuidado a língua entre eles. Bastava um toque suave naquele homem para ele se excitar. Var cheirava sempre a hospital e a mais qualquer coisa. Kai gostava do seu cheiro. O homem entreabriu ligeiramente a boca, e a língua quente do Solzinho deslizou para dentro. Percorria-lhe os dentes, o céu da boca, a língua, como se o estudasse e o provasse. Os gestos do rapaz tornavam-se cada vez mais apaixonados, e aquele beijo absorveu-o de tal maneira que Kai não deu conta das mãos que lhe pousaram na cintura, nem do homem que, em resposta, começou a sugar-lhe a língua.


— M-m-m-m... — um gemido baixinho escapou dos lábios de Kai, quando Var o puxou para si pela camisa do pijama e o jovem se viu deitado sobre o seu corpo.


Ambos sentiam o desejo um do outro, mas Var desprendeu-se dos seus lĂĄbios.


— Desculpa... — proferiu Var baixinho, recuperando o fîlego e sentando Kai a seu lado, no sofá.
— Porque estás a pedir desculpa? Fui eu que te beijei... — respondeu Kai, sentindo que o seu corpo precisava, decididamente, de uma continuação.


Queres mesmo parar? — pensava Kai, vendo Var sentar-se ao seu lado e afastar-se ligeiramente.


Um instante antes, o jovem tinha sentido com toda a nitidez a excitação do doutor, mas ele parou. Sentia as lågrimas a subirem-lhe num nó à garganta, ao perceber que aquele homem tinha mesmo desistido. Só agora Kai compreendeu que gostava de Var.


— Queres alguma coisa? Diz, que eu vou buscar. — perguntou Var, mudando de assunto e esforçando-se por não olhar para Kai.


A sĂ©rio? É assim que te vais comportar agora? Uma ova Ă© que Ă©! — enfurecia-se o jovem com o comportamento do doutor.


— Quero, doutor Var. — disse o rapaz e, levantando-se, fingiu uma tontura.
— EstĂĄs mal? NĂŁo te levantes assim de repente, Kai. — Var pĂŽs-se de pĂ© num salto, amparando-o pela cintura.


De repente...


Kai voltou a beijar o doutor, enlaçando-lhe o pescoço com força. Var não esperava que um rapaz doente tivesse tanta força. Ficou desconcertado por uns instantes, e a língua quente, que teimava em entrar-lhe na boca, reacendeu a excitação hå pouco reprimida.


— Nong, mas que... — Var abriu a boca para tentar protestar, mas por ela irrompeu a linguinha quente, roubando-lhe a capacidade de falar.


Quando o doutor correspondeu ao beijo, Kai afastou-se e olhou para ele, respirando com dificuldade.


— Eu tenho namorado... — proferiu Kai, e as mãos do doutor largaram no mesmo instante a cintura do jovem.
— Porque não disseste antes? — perguntou Var com a voz a tremer, sentindo o coração encolher-se.
— Porque nĂŁo tinha a certeza de que gostava dele. Mas agora tenho. Gosto dele porque Ă© sempre bom para mim, cuida de mim, os lĂĄbios dele sĂŁo tĂŁo macios e as mĂŁos tĂŁo meigas que eu nĂŁo quero que elas deixem de segurar o meu corpo... — e, com as Ășltimas palavras, Kai pegou nas mĂŁos do doutor e pousou-as na sua prĂłpria cintura.


Enquanto Kai falava, Var achava que o seu coração não ia aguentar ouvir o seu Solzinho falar assim do namorado. Quando o jovem lhe pousou as mãos na sua cintura, Var ergueu os olhos, e o cérebro ia processando a informação dita segundos antes.


— O quĂȘ? — insistiu o doutor, sem conseguir alcançar o que o rapaz lhe tentava transmitir.
— Não me estavas a ouvir de todo, Pi? — perguntou Kai com um sorriso.
— Disseste que tens namorado... então porque me beijaste? Isso não está certo. — respondeu Var baixinho, esforçando-se por não olhar para o jovem.
— Desde quando Ă© que beijar o prĂłprio namorado nĂŁo estĂĄ certo? — Ao ouvir aquelas palavras, Var ergueu a cabeça, convencido de que tinha ouvido mal.
— O que Ă© que disseste? — insistiu Var.
— Eu disse... desde quando Ă© que beijar o prĂłprio namorado nĂŁo estĂĄ certo? — Kai olhava o doutor nos olhos e via lĂĄ a incompreensĂŁo do que se estava a passar...


Raios... não sejas lento, Pi. Eu acabei de aceitar ser teu namorado, e tu...— pensava Kai, lambendo os lábios ressequidos.


Finalmente caiu a ficha a Var do que o seu Solzinho tinha dito e, puxando-o para si, beijou-o. O beijo do doutor era voraz. Sugava os låbios macios do jovem, a sua linguinha, até que dos låbios do guarda-costas se soltou um gemido.


— Pequenino... m-m-m-m... tu estás com febre... — proferiu Var, enquanto os lábios do doutor desciam pelo pescoço escaldante do rapaz.
— Doutor... ah... eu conheço uma maneira ótima de fazer baixar a febre... — gemeu Kai, abrindo o fecho das calças do doutor.
— Kai... não faças nada de que te venhas a arrepender... — Var agarrou-lhe a mão sobre as calças.


Kai enfiou a mão nas calças do doutor e apertou ao de leve o membro jå excitado.


— Ah... Nong Kai... — gemeu Var, e Kai lembrou-se logo de como, no «sonho», o seu doutor tinha dito exatamente as mesmas palavras.


O par foi-se deslocando para a cama, enquanto Kai despia o doutor. As mãos de Var vagueavam pelo corpo do rapaz, desabotoando os botÔes da camisa do pijama. Nem o próprio Kai sabia se o seu corpo tremia das carícias do doutor ou dos calafrios da febre. Mas era tão bom que ele não queria parar.


Kai sentiu a cama nas pernas e sentou-se. Var estava de pĂ©, diante dele, sĂł de slips. Para a idade que tinha, Var estava em excelente forma. O jovem olhava para o homem Ă  sua frente com olhos esfomeados, pronto a comĂȘ-lo ali mesmo.


Kai estendeu a mĂŁo, agarrou Var pela orla dos slips e puxou-o para si. Os lĂĄbios escaldantes beijavam com paixĂŁo a barriga do doutor, que gemia, afagando o cabelo do jovem.


— Ah... hoje deixo-te fazer tudo o que quiseres... Mas, quando estiveres bom... como-te eu a ti... — proferiu Var, precisamente no momento em que o seu Solzinho lhe puxava os slips para baixo.
— Não era eu que devia suar, doutor? — perguntou Kai com malícia, percorrendo com a mão o membro do doutor.
— Eu... uf... eu bem te disse para não me chamares doutor... — gemeu Var, quando a linguinha quente do jovem lhe tocou o membro.


Kai nunca tinha feito aquilo e, por isso, agia por instinto, da maneira que a ele próprio lhe daria prazer. E, afinal, um membro na boca não só não lhe provocava nenhuma sensação desagradåvel, como ainda aumentava a excitação do jovem.


— Ah... pequenino... Ah... — continuava o homem a gemer, enquanto a boquinha escaldante do seu Solzinho, a cada movimento, lhe sugava com mais força a cabeça do membro.


Var remexia-lhe o cabelo, apertando a cabeça de Kai cada vez mais contra si. Os dedos do doutor arranhavam-lhe a pele da cabeça, provocando-lhe vagas de arrepios.


— Para... M-m-m-m... Solzinho... Ah... — o doutor deteve o jovem, porque não queria vir-se já.


Var deitou-o na cama, puxando as calças de Kai para baixo. O rapaz corou ligeiramente ao ver os olhos brilhantes com que Var o olhava. Var estava num ĂȘxtase selvagem: ali estava ele... o seu doce Solzinho, deitado Ă  sua frente, nu e consciente. Kai tinha querido aquilo por vontade prĂłpria.


— Vais ficar só a olhar? Não estamos numa galeria, Pi'Var... — indignou-se o jovem, afastando as perninhas de propósito.
— Kai... Tu... tens a certeza de que queres isto? Estás com febre, pode doer-te, estamos num hospital e aqui não há lubrificante... — parecia que Var estava a tentar demover, não Kai, mas a si próprio.
— Tu Ă©s mĂ©dico... Inventa qualquer coisa... — sorriu Kai, lambendo os lĂĄbios ressequidos.


Aquela linguinha sedutora estava mesmo a implorar que Var a mordesse. Var estendeu a mão ao jovem e Kai deu-lhe a sua. Var puxou-o, pondo-o de pé no chão, virou Kai de costas para si e, afastando-lhe as perninhas, inclinou o jovem para a frente. Kai apoiou os cotovelos na cama, arqueando as costas. Var pÎs-se de joelhos e mordeu ao de leve o rabinho tentador do jovem. Kai gemeu baixinho, enquanto o doutor lhe cobria as nådegas de beijos.


— Ah... Pi'Var... — gemeu Kai mais alto, quando a língua do doutor lhe tocou o orifício, enquanto a mão acariciava o membro do rapaz.


Var lambia e penetrava ao de leve com a língua, sentindo pulsar o rabinho do seu Solzinho. Var sentia Kai a descontrair-se e juntou à língua um dedo, quando a saliva do doutor jå começava a pingar dos testículos do rapaz.


— Ufff... — gemeu o pequeno, e Var sentiu o canal macio apertar-lhe o dedo.


Só não me digas... que eu sou o teu primeiro? — pensava Var, observando a reação de Kai e o rabinho apertado.


Var tinha razão: Kai só tinha namorado com raparigas. Às vezes via pornografia com bi e queria experimentar algo novo. Nem ele próprio sabia porque se decidira a isto com Var. Se bem que o doutor lhe tivesse dado a entender que estava pronto a deixar-se comer por Kai.


— Descontrai, pequenino. Respira... — pedia o doutor com ternura, passando a língua pelas nádegas e à volta do próprio dedo, no rabinho macio.


Kai descontraiu e Var pĂŽs o dedo a mover-se devagar, enquanto a outra mĂŁo deslizava, com a mesma ternura, no membro do jovem.


— Ah... Ahhh... — os gemidos de prazer e o dedo a mover-se com liberdade no rabinho fizeram Var perceber que podia acrescentar mais um dedinho.
— Doutor Var... — provocava-o Kai.


Var tirou a mĂŁo do membro de Kai e...


PlĂĄs


A nådega redonda estremeceu com a palmada leve, e pelo corpo do jovem varreu uma onda de excitação, obrigando-o a gemer mais alto.


— Doutor... — continuava o pequeno, e Var percebeu que o estavam a provocar de propósito.


PlĂĄs...


— EstĂĄs a fazer de propĂłsito, nĂŁo estĂĄs? Sabes quantas palmadas Ă© que jĂĄ me deves? — perguntou Var, quando os seus dedos pressionaram a prĂłstata dentro de Kai, fazendo o corpo do rapaz estremecer e as perninhas vergarem.


Var via que o rabinho do seu Solzinho jĂĄ estava pronto a trocar os dedos por algo mais substancial. 

Retirou-os, molhou abundantemente o membro com a prĂłpria saliva e esfregou-o entre as nĂĄdegas de Kai, dando-lhe a entender que jĂĄ nĂŁo conseguia esperar mais. Var ia inserindo devagar o membro no rabinho macio e, ao mesmo tempo, afagava o seu Solzinho com os dedos de uma mĂŁo ao longo das costas, excitando-o e descontraindo-o. NĂŁo tinha pressa, sabendo que era a primeira vez de Kai, e queria que ele sentisse o mĂ­nimo possĂ­vel de dor e desconforto.


— Se te doer, diz-me, pequenino... — Var debruçou-se e deixou uns beijos nas costas do rapaz, já molhadas e salgadas do suor.


A barriga do homem tocou as nådegas rechonchudas e Var parou. Por muito que quisesse foder com força aquele rabinho apertado, sabia que sexo demasiado brusco podia agravar a febre. Inesperadamente, o corpo debaixo dele começou, por si mesmo, a mover-se no seu membro, e o quarto encheu-se dos gemidos do jovem. Var achou que era uma solução excelente: assim, o seu rapaz podia controlar ele próprio a profundidade da penetração e a velocidade. As suas mãos limitavam-se a segurar Kai pela cintura, e o doutor não conseguia despregar os olhos do espetåculo hipnotizante à sua frente: a cintura estreita fazia parecer ainda maior o rabinho de Kai, pelo qual corriam ondas a cada embate. O facto de não ser ele a foder o rabinho apertado, mas o seu Solzinho a empalar-se sozinho nele, dava ao doutor um prazer especial, que o fazia gemer em sincronia com Kai.


— Cansaste-te, pequenino? — perguntou Var, quando Kai abrandou.
— Um bocadinho... ah... — admitiu Kai, respirando com dificuldade.


Var saiu do seu rabinho e, virando o jovem, deitou-o na cama de costas. Var subiu a cabeceira da cama e pÎs a almofada debaixo das ancas de Kai. Olhava para o rapaz e apaixonava-se ainda mais. Aquele olhar lascivo, as bochechas vermelhas e os låbios ressequidos eram tão sensuais que lhe apetecia cobri-lo de beijos da cabeça aos pés.


Var debruçou-se e, entrando de novo no rabinho apertado, ofereceu ao jovem um beijo apaixonado. Kai correspondeu de imediato e remexeu ligeiramente o rabinho, como que a implorar-lhe que começasse a mexer-se. Var percebeu a indireta e pÎs as ancas a mover-se devagar, sugando a linguinha do seu Solzinho.


— M-m-m-m... — gemia Kai, enquanto o membro do doutor lhe percorria a próstata lá dentro, fazendo-lhe o corpo estremecer.


Var desprendeu-se dos seus lĂĄbios e, pousando as mĂŁos na cintura de Kai, entrava e saĂ­a dele devagar. Aqueles movimentos davam com os dois em loucos. Normalmente, Var gostava de coisa mais dura, mas agora saboreava o sexo com um rapaz de quem gostava muito.


— Pi... Ah... Pi... — quase gritava Kai, percebendo que aqueles movimentos compassados e o olhar sombrio de Var o excitavam muito mais do que qualquer rapariga que alguma vez tivera.
— Sim... meu pequenino... só mais um bocadinho... — gemia Var, sentindo que aqueles gritos o aproximavam do alívio.
— Ah... Papá... A-a-a-ah... — escapou dos lábios de Kai quando se veio, salpicando a barriga de esperma.
— Pequenino... Siiim... — ao ouvir a palavra «Papå», Var entrou de rompante atĂ© ao fundo, enchendo o rabinho macio de lĂ­quido branco.


Var debruçou-se, cobrindo de beijos a carinha do seu Solzinho. Naquele momento, estava feliz... Tal como Kai.


— Agora jĂĄ nĂŁo podes mudar de ideias, pequenino. A partir deste momento... Ă©s a minha esposa. — continuava Var a beijĂĄ-lo.


O doutor bem gostaria de mais umas rondas mas, consciente do estado do jovem, decidiu ficar-se por uma. Kai, inesperadamente, beijou-o de volta, e as mĂŁos do jovem pousaram nas bochechas do doutor.


— Tu sabes... como estás bonito neste momento? — perguntou Kai, olhando diretamente nos olhos de Var, e o doutor corou.


Nunca ninguém lhe tinha dito uma coisa assim. Jå tinha ouvido de tudo depois do sexo, mas aquilo era a primeira vez. Kai reparou e sorriu, puxando Var para si pelas bochechas e beijando-o com ternura nos låbios, sem aprofundar.


— Eu gostei... Mas, para a prĂłxima, Ă© a vez do teu rabo. — provocou-o Kai e, para sua grande surpresa, Var assentiu com um sorriso.
— Anda, meu pequenino. Levo-te Ă  casa de banho e ajudo-te a lavar. E ainda... Ă© preciso mudar a roupa da cama... — propĂŽs Var, e Kai concordou.


Var ajudou a limpar o canal do jovem: queria certificar-se, ele prĂłprio, de que nĂŁo havia sangue. O doutor, sem esponja, lavou com as prĂłprias mĂŁos o corpo do seu Solzinho. Tomaram os dois duche e, ao saĂ­rem da casa de banho, Var pediu ao pequeno que se sentasse no sofĂĄ, enquanto mudava a roupa da cama. NĂŁo levou muito tempo mas, quando Var se virou, viu o rapaz a dormir. Apesar de Kai ser mais alto do que Var, o doutor transferiu sem dificuldade o jovem adormecido para a cama.


— Não vás, deita-te comigo, Papá... — implorou Kai por entre o sono, e Var, com um sorriso, deitou-se ao seu lado, abraçando-o.


Var ficou deitado, pensando que hoje era o dia mais feliz da sua vida: Kai aceitara ficar com ele e, embora tivesse saĂ­do do hospital onde trabalhara seis anos, estava contente por trocĂĄ-lo por uma clĂ­nica cujo dono o tinha ajudado a ser feliz.


Tenho de agradecer ao Khun Fai... Por tudo... — pensava Var, adormecendo com o rapaz a quem, há pouco, tinha chamado a sua esposa.


🍃   đŸƒ 🍃


De volta a Fai, depois da chamada de Var


Fai estava furioso com a situação de Var. Ainda durante a chamada, o Smart tinha-lhe dado toda a informação sobre o que se passava no hospital de Var, obtida através das cùmaras.


— Smart... Arranja-me informação sobre essa Kate e o pai dela. — pediu Fai, com desagrado na voz.


Recebido o documento no e-mail, Fai foi ao gabinete do marido, que falava com Anton sobre um carregamento.


📞— "Oh, aĂ­ estĂĄ ele. Fai, o Anton tem aqui umas perguntas sobre o carregamento." — proferiu Hima com um sorriso, e o Cachorrinho aproximou-se dele, sentando-se no seu colo, diante do iPad. — Passa-se alguma coisa?"— quis saber Fai; afinal, tinha verificado tudo trĂȘs vezes antes de enviar os documentos e as armas.
📞— [Diz-me lĂĄ: como Ă© que conseguiste aumentar o carregamento sem pagar um Ășnico baht a mais?] — perguntou Anton em russo, esquecendo-se de que Fai nĂŁo o sabia, mas o Smart traduziu num instante.
📞— "Oh, nĂŁo foi nada de especial. Eu... limitei-me a pedir com amabilidade que levassem mais um caixote, jĂĄ que o espaço e o peso o permitiam. Eles concordaram quando o Kai disse o meu nome." — respondeu Fai em inglĂȘs, e Anton olhou para ele com desconfiança.
📞— [Espera lĂĄ... Tu disseste um caixote... Mas chegaram dois caixotes a mais.] — proferiu Anton, jĂĄ em inglĂȘs.
📞— "Bem, foi o próprio capitão que se ofereceu. Disse que podiam levar dois caixotes e que não me ia custar nada, porque o espaço existia e já estava pago. Só um parvo recusaria uma oferta destas, certo?" — respondeu Fai com um sorriso, como se nada fosse.
📞— [Hima... O que Ă© que se estĂĄ a passar?] — perguntou Anton em russo, sĂ©rio, e Hima sorriu.
📞— "O que se está a passar? Simplesmente... o meu menino tem jeito para convencer as pessoas." — Hima decidiu não contar, para já, a Anton o que o seu pequeno tinha aprontado enquanto o Gatão estava em coma.
📞— "Senhor Anton, diz-se que uma palavra amĂĄvel atĂ© um cĂŁo agradece. Basta sorrir e pedir com educação, e vai ficar surpreendido com o resultado." — gracejou Fai, omitindo o momento em que a tripulação do capitĂŁo empalideceu ao ouvir o seu nome.


— Hia, surgiu-me aqui um assunto. E preciso da tua ajuda... — falou Fai com voz meiga, e Hima, despedindo-se à pressa de Anton, terminou a chamada.
— O que deseja a minha esposa adorada? — quis saber Hima, e beijou Fai na bochechinha.
— Ligou agora o doutor Var... Despediram-no do trabalho, porque a filha do investidor do hospital, que lĂĄ Ă© mĂ©dica, fez uma cena ao diretor, ameaçando que o pai deixava de patrocinar as investigaçÔes deles.

Pedi ao Smart que procurasse informação e afinal ela fĂȘ-lo porque gosta do Var — e ele, Ă  frente dela, andou aos beijos com... o Kai. Eu ofereci-lhe um lugar de mĂ©dico na tua clĂ­nica e o posto de segundo mĂ©dico da nossa famĂ­lia. Tu nĂŁo te im... — Fai nĂŁo teve tempo de acabar o relato: calaram-no com um beijo.


Quando Hima ouviu as palavras «nossa famĂ­lia», ficou tĂŁo feliz que a Ășnica forma de o exprimir foi um beijo.


Pumba


— Eh! Eu ainda nĂŁo tinha acabado. Oh... onde Ă© que estĂĄ a tua paciĂȘncia, Hia? — Fai deu um soco no ombro do marido, indignado.
— Fai... Tu podes fazer tudo o que achares necessĂĄrio. Isto tudo Ă© tĂŁo teu como meu. Achavas que eu ia ser contra o doutor Var na clĂ­nica? NĂŁo sou contra. — justificava-se o GatĂŁo, olhando Fai nos olhos.
— Sabias que o investidor desse hospital Ă© o Sarawat Paravit? — perguntou Fai, e Hima abanou a cabeça.
— Quero encontrar-me hoje com ele e com a Kate. Consegues marcar uma reunião? — pediu Fai, e Hima sorriu.
— Meu menino, eu trato disso. Mas tenho duas condiçÔes. Primeira: eu vou contigo. Segunda: quem conduz a conversa toda Ă©s tu; eu sĂł quero assistir. Combinado? — propĂŽs Hima com entusiasmo, finalmente com a oportunidade de ver o seu Tigre em ação.


Fai aceitou, porque sabia que, se não resolvesse a situação agora, depois seria tarde de mais. Hima ligou a Sarawat e marcou o encontro no hospital dali a duas horas, porque Kate estava de turno.


🍃   đŸƒ 🍃


Duas horas depois


Hima e Fai chegaram ao hospital acompanhados por trĂȘs guarda-costas. À entrada, jĂĄ os esperava uma rapariga, para os conduzir Ă  sala de conferĂȘncias. Muitos lembravam-se de Fai e olhavam para ele com espanto. Agora, nĂŁo era o jovem aterrador de uma semana antes.


Entraram na sala, onde, Ă  mesa, estavam sentados Kate com o pai e o diretor do hospital. Quando Fai ameaçou o mĂ©dico e Hima estava internado, Kate encontrava-se numa conferĂȘncia noutra cidade, por isso a histĂłria do rapaz que ameaçara processar o mĂ©dico sĂł a tinha ouvido contada por outros. A rapariga olhava para Hima com interesse, e Fai reparou. Deu o braço ao marido e aproximou-se da mesa. Os guarda-costas afastaram-lhes as cadeiras e os rapazes sentaram-se.


— Esperem lĂĄ fora, rapazes. — proferiu Fai com toda a calma, e os trĂȘs homens olharam com pena para as pessoas sentadas diante de Fai.


Os guarda-costas saĂ­ram e Sarawat cumprimentou Hima.


— Oh, Khun, este Ă© o Fai, a minha esposa. — apresentou Hima o seu Cachorrinho, que sorriu docemente e ergueu as mĂŁos num wai.


Sarawat engoliu em seco, e o diretor suspirou.


— Khun Sarawat, sabe porque pedi esta reunião? — quis saber Fai, olhando para Kate, mas o homem abanou a cabeça.
— Ainda não contaste ao papá, pois não? — perguntou-lhe Fai com escárnio, como se ela fosse uma aluna traquinas chamada ao gabinete do diretor com os pais.
— Kate... O que Ă© que tu fizeste? — perguntou o homem com severidade.
— Nada, papá... eu não fiz na... — ela não teve tempo de acabar a frase: Fai bateu com a mão na mesa.
— Nada?! Na tua opiniĂŁo, obrigar o Khun Navi, por chantagem, a despedir o Var Ă© "nada"? — A aura de Fai tornou-se sombria num instante, e a sua voz trespassava atĂ© aos ossos.
— Ou ameaçar com o despedimento o pessoal subalterno, se eles cumprissem o seu trabalho, tambĂ©m Ă© "nada"?! Ou nĂŁo foste tu que proibiste toda a gente de responder ao botĂŁo de chamada do quarto 528? — continuava Fai, sem levantar o tom — e isso era mais assustador do que quaisquer gritos.


Uau... Que Tigre... Este Ă© mesmo o meu doce menino? — pensava Hima, olhando para a esposa com admiração.


— Isto Ă© verdade, Navi? — Sarawat virou-se para o homem, e este assentiu, com ar de culpa.
— Porque Ă© que nĂŁo me ligaste logo, Navi? — indignava-se Sarawat.
— Oh, tu achavas que aquele rapaz no quarto era um adolescente vulgar? Mas o doutor Var disse-te que ele era gente minha. E, mais ainda... ele Ă© o namorado do doutor Var. Achaste que o Var ia trocar a esposa dele por um lugar de trabalho ao teu lado? És assim tĂŁo estĂșpida? Nem que trabalhasse na melhor clĂ­nica do mundo, o Var teria assinado o pedido de demissĂŁo sem hesitar. — Fai olhava para Kate, que nĂŁo erguia os olhos. — E vejamos o que temos agora... O homem que salvou o meu marido foi despedido, o meu guarda-costas, com febre alta, foi obrigado a abandonar o hospital... — Fai olhava alternadamente para Sarawat e para Navi.
— Khun Fai, perdoe-me, eu... — desculpava-se Sarawat.
— PapĂĄ! Porque Ă© que estĂĄs a pedir desculpa a um fedelho?! O hospital Ă© teu! — interrompeu-o a filha, e Fai sorriu.


Com aquele sorriso, Sarawat empalideceu — e Hima estava pronto a atirar-se àquela versão maligna de Fai ali mesmo, em cima da mesa.


— Khun Sarawat, o senhor compreende que eu nĂŁo posso deixar as coisas assim... O que acha... A Brigada Especial nĂŁo ficarĂĄ contentĂ­ssima quando, «por acaso», lhes chegar uma chamada anĂłnima com a localização do seu laboratĂłrio? — perguntou Fai, recostando-se na cadeira com um sorriso, sublinhando a palavra «por acaso».
— Khun Fai, perdoe, por favor, isso não. Eu... eu... eu peço desculpa pessoalmente ao doutor Var e à esposa dele. Estou pronto a pagar uma indemnização, basta dizer o valor. — Fai ergueu uma sobrancelha, interrogativo, às palavras do homem, e olhou para Kate.
— Eu quero que ela lhes peça desculpa, juntamente consigo. — respondeu Fai, olhando para a mulher contrariada.
— Não!! Eu não peço! Papá! — gritou ela, e o pai deu-lhe logo um carolo.
— NĂŁo? EntĂŁo, dentro de meia hora, a polĂ­cia estarĂĄ no laboratĂłrio. Sabes o que isso significa, Kate? O teu pai vai parar atrĂĄs das grades, todos os bens da famĂ­lia sĂŁo arrestados, todos os cartĂ”es que tu tanto gostas de usar sĂŁo bloqueados. E tu, Kate, como pessoa com formação mĂ©dica, vais como cĂșmplice do teu pai no fabrico de drogas. Continuas sem querer pedir desculpa? — prosseguia Fai com toda a calma, rodando o telemĂłvel nas mĂŁos, e a rapariga empalideceu.
— Khun Fai, ela pede desculpa! Pede! Imploro-lhe, não faça isso! — a voz de Sarawat tremia.
— Khun Hima, por favor... — Sarawat decidiu pedir ajuda a Hima.
— Lamento, Sarawat, mas eu aqui sou apenas um observador. O que a minha esposa decidir, assim será. — Hima nem sonhava em ajudar.
— Pois bem... Dou-lhe, a si e à sua filha, tempo para pensarem. Neste momento não quero incomodar o jovem doente mas, assim que ele estiver melhor, eu ligo-lhe. Se a sua filha não quiser pedir desculpa, envio a informação à polícia. Ah, e não pense que, se mudar o laboratório de sítio, a polícia não o encontra. Encontro-o eu. Entendemo-nos? — perguntou Fai, levantando-se, e Sarawat assentiu várias vezes, nervoso.
— Vamos, querido. Tenho fome. — proferiu Fai com carinho e um sorriso, pousando a mão no ombro de Hima, e saiu da sala.
— Khun Hima... A sua esposa Ă© o diabo em pessoa... — disse Sarawat, nervoso, e Hima limitou-se a sorrir.
— Sim, Sarawat. E ao diabo Ă© melhor nĂŁo o irritar. — respondeu Hima em tom sĂ©rio, e saiu atrĂĄs da sua esposa.


Quando a porta se fechou, Hima e Fai ouviram o pai a gritar com Kate.


— Fai... — chamou Hima o seu Cachorrinho pelo nome, e este virou-se para ele.
— Que foi? — perguntou o jovem com doçura, dando o braço ao marido.
— Apetece-me foder esta tua versão... Estavas tão sexy... — proferiu Hima baixinho, de forma a que só Fai o ouvisse.
— Hia... Esta versão... prefere foder-te a ti... Com força... Com brutalidade... E durante muito tempo... — respondeu Fai, igualmente baixinho, e pelo corpo de Hima varreu uma onda de excitação, no encalço de uma vaga de arrepios.
— Vamos para casa, meu Tigre... comes depois de eu te comer a ti... — ao entrar no carro, Hima abraçou logo Fai, sussurrando-lhe as palavras.

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