50 🔞 – Diferentes «jogos» (parte 3 de 3)
As portas do elevador abriram-se e Fon gelou ao ver, parado à porta do gabinete, Dao, em cuja bochecha tocava... Troy, colado a ele quase por completo. O saco caiu das mãos de Fon para o chão do elevador, e Dao virou-se ao som, precisamente no momento em que afastava a mão de Troy. Fon carregou depressa no botão do piso do estacionamento, sem sequer se aperceber de que, naquele momento, as lágrimas já lhe corriam pelas bochechas.
Tinham-lhe riscado a Bebé e o Husky precisava do apoio do marido, mas a imagem do seu homem amado a ser tocado por outro foi a gota de água. Ele sabia que Troy o tinha feito de propósito, mas a dor era real na mesma.
As portas do elevador afastaram-se devagar e Fon saiu, caminhando na direção oposta àquela onde tinha deixado a Bebé. O Husky vagueava lentamente pelo estacionamento, enquanto as lágrimas lhe escorriam pelas bochechinhas.
Zás...
— Bebé... não é o que estás a pensar, Fon... — Dao agarrou a mão de Fon e fê-lo rodar, apertando o Husky contra o seu peito.
Dao sentiu a humidade atravĂ©s da camisola e percebeu que o seu menino estava a chorar, sem sequer tentar libertar-se do abraço. E aquilo assustava Dao... Ele esperava que Fon gritasse, lhe batesse, se debatesse nos seus braços, mas o pequeno nĂŁo fazia nada. Dao ergueu o rosto da esposa e o coração despedaçou-se-lhe com o que viu: os olhos inchados de chorar, o narizinho vermelho e, o mais terrĂvel de tudo... o lábio rebentado, com sangue seco.
— Bebé... quem te fez isto? — Dao olhava para Fon em lágrimas e, agora, eram os olhos do Lobo que se enchiam de lágrimas, enquanto passava a mão pela ferida no lábio.
Dao pegou em Fon ao colo, como sempre gostava de carregar o seu menino, amparando-o pelo rabinho. Fon, em silêncio, enroscou-lhe os braços no pescoço e pousou a cabeça no ombro do marido. O homem seguiu com ele para o elevador, para voltarem ao gabinete. No andar, junto à porta do gabinete de Dao, estava Troy.
— Eu disse-te para desapareceres daqui! — rugiu Dao ao rapaz, que estremeceu com o seu tom.
— Mas... e o contrato? — perguntou Troy, inseguro.
— O negócio está cancelado! Põe-te a andar! — gritava Dao, fora de si.
— Sabes quantos milhões vais perder se não assinares o contrato?! — perguntou Troy, irritado.
Dao virou-se para ele e disse:
— Não há contrato nenhum que valha as lágrimas da minha esposa! Se te volto a ver, Troy, mato-te! Se queres viver, nunca mais me apareças à frente!
Dao entrou no gabinete com Fon ao colo e bateu com força a porta, que não chegou a fechar-se por completo. O Lobo sentou-se no sofá, erguendo a carinha do Husky para se certificar de que não tinha imaginado o lábio rebentado do pequeno.
Dao beijou de imediato a ferida, percorrendo-a com ternura com a lĂngua, limpando com a mĂŁo as lágrimas do pequeno rosto. Fon olhou para Dao, que agora já nĂŁo continha as lágrimas, ao ver Fon naquele estado.
— Pi'Dao... — chamou-o Fon com a voz a tremer, e Dao olhou para ele.
Fon percebia que era por causa dele que Dao estava agora a chorar. Fon envolveu o rosto do marido com as duas mĂŁos, beijando as lágrimas que lhe corriam, os olhos, e descendo em beijos atĂ© aos lábios. Fon deslizou a mĂŁo para a nuca do marido e beijou-o com paixĂŁo, invadindo-lhe a boca com a sua pequena lĂngua, tirando-lhe o casaco e deixando o marido apenas com a camisola cor de vinho.
Dao não percebia porque se comportava assim o seu pequeno. Ainda agora soluçava e, no momento seguinte, beijava-o com paixão.
— Amo-te, Dao... — sussurrou Fon, descendo em beijos pelo seu pescoço.
Fon desprendeu-se do pescoço dele, sentindo com o rabinho o membro do marido a excitar-se. O pequeno despiu a camisa e abriu o fecho das calças de ganga, enquanto Dao o observava. O Lobo afastou as mãos do Husky das calças, ao reparar na mancha vermelha na sua barriga.
— Quem te fez isto? Diz-me, e eu... — perguntou Dao com severidade, mas não teve tempo de acabar: calaram-no com um beijo.
— Cala-te e fode-me. — disse Fon com desejo, mordendo o lábio do marido e remexendo o rabinho no colo de Dao.
Dao queria saber o que se tinha passado mas, já que o seu pequeno não estava pronto para falar disso agora, tudo o que podia fazer era obedecer. Dao deitou a esposa no colo, tirando-lhe as calças de ganga e os slips, deliciando-se com a visão do menino nu nos seus braços. De cada vez que Dao olhava para Fon despido, percebia que o amava com tanta força que era capaz de matar qualquer um que se limitasse a entristecer o seu pequeno Husky.
Fon pegou na mĂŁo do marido e levou-a Ă boca, lambendo-lhe dois dedos de uma vez. Dao sabia perfeitamente o que o seu pequeno queria, por isso nĂŁo se demorou e inseriu logo aqueles dedos no rabinho de Fon.
— Ah... sim... — gemeu Fon, agarrando-se com força ao ombro do marido.
Dao ia preparando o pequeno rabinho, para que pudesse acolher sem dor o seu membro grande. De repente, Fon agarrou a mão do marido e levantou-se do seu colo. Dao despiu a camisola e fez menção de tirar as calças, mas Fon deteve-o, implorando com voz doce:
— Não as tires... só perdemos tempo.
Dao, obediente, abriu o fecho e libertou o membro, que o Husky tomou logo na boquinha a todo o comprimento, tocando com o narizinho nas calças do marido.
— Ah... bebé... cuidado, tens a ferida... — preocupava-se Dao, sabendo que o lábio rebentado podia voltar a sangrar.
— M-m-m-m... Amor... Ah... — gemia Dao, enquanto o pequeno se divertia com o seu membro.
O Husky afastou-se, desapertando ele mesmo as calças de Dao e puxando-as para baixo. Fon subiu ao sofá e saltou para os braços do seu homem nu, abraçando-lhe a cintura com as pernas. Dao segurava nas mãos o seu adorado rabinho pequeno, enquanto o pequeno o beijava.
Fon afrouxou o aperto das perninhas e o seu rabinho tocou o membro de Dao, convidando-o a entrar. O homem conhecia todas as manhas da sua doce esposa e ia baixando devagar o pequeno rabinho, empalando-o no seu membro.
De repente...
Fon relaxou as perninhas de golpe e Dao nĂŁo teve tempo de reagir: o rabinho caiu sobre o membro do homem, engolindo-o por inteiro.
— Ah... meu pequeno traquinas... — sorriu Dao, erguendo o rabinho do Husky e empalando-o devagar no membro.
— Querido... Ah... Achas que sou algum virgem de quinze anos? — indignou-se o Husky e o Lobo, percebendo a indireta, acelerou o ritmo, fodendo mais depressa e com mais força o pequeno rabo apertado.
Fon gemia cada vez mais alto, sabendo perfeitamente que Troy ainda estava do outro lado da porta. Dao já suava, e o pequeno reparou que o seu homem estava cansado, por isso propôs-lhe que se sentasse no sofá. Dao obedecia a cada palavra sua; o que quer que Fon pedisse, ele cumpria tudo, como um cachorrinho amestrado.
O homem sentou-se no sofá, ainda com o rabinho da esposa nas mãos e o membro lá dentro. Fon soergueu-se, para apoiar melhor as pernas, e começou ele mesmo a cavalgar Dao, que cobria de beijos apaixonados o pescoço e o peito do jovem gemente.
— Ah... bebé... estou quase... estás tão apertado hoje que me dás em louco... — gemia Dao, quando o seu Husky mudou de técnica e passou simplesmente a remexer depressa o rabinho sobre o marido, tornando a penetração ainda mais profunda e sensual.
— Sim... ah... Dao... ajuda-me... e eu deixo-te vir... — Fon abrandou os movimentos das ancas e Dao tomou de imediato na mão o membro da esposa.
— M-m-m-m... que Papá tão obediente... ah... — gemeu o Husky, movendo depressa as ancas.
— Uf... a-a-a-ah... ha... ha... ha... — o lĂquido turvo derramou-se sobre a barriga de Dao, enquanto o rabinho do menino lhe apertava o membro com cada vez mais força.
— Sim, amor... ah... mais... ah... siiim... — gemeu o Lobo, vindo-se no canal apertado do seu menino, movendo cada vez mais depressa a mão no membro de Fon.
Fon tombou sobre Dao, respirando com dificuldade. O homem abraçou-o, afagando-lhe as costas com carinho e beijando a bochechinha molhada do suor que lhe escorria pelas têmporas.
— Casamos, bebé? — propôs Dao, e Fon ergueu a cabeça do seu ombro.
Bum
Qualquer coisa caiu ao chão do lado de fora do gabinete; pelo som, podia ser um telemóvel; e Dao olhou para lá, vendo que a porta não tinha ficado fechada. Adivinhou quem podia ter sido e sorriu, percebendo que, depois do que ouvira, Troy ia deixá-lo em paz de vez.
— Estás a falar a sério? — insistiu Fon, e Dao assentiu.
— A única pessoa no mundo com quem eu quero casar és tu, Fon... — disse Dao com ternura, afagando a bochecha do Husky e passando o dedo pelo lábio rebentado.
— E tu és o único a quem eu quero chamar marido... — respondeu o pequeno, e Dao, satisfeito, apertou-o contra si.
— E agora... esposa... vamos ao duche. — Dao ergueu-se com Fon ao colo, rumo ao duche.
Depois do duche, os rapazes vestiram-se — e agora Dao estava decidido a obter respostas.
— Fon... agora já me podes contar o que aconteceu? — perguntou Dao com calma, com o seu pequeno sentado ao colo.
Fon sabia que nĂŁo valia a pena esconder aquilo de Dao; aliás, desde o inĂcio que queria contar tudo. Fon ergueu o olhar e começou a contar tudo desde o princĂpio. Dao ouvia-o com atenção e sem interromper; manteve-se calado, exatamente atĂ© ouvir da esposa a Ăşltima frase: «E foi isto, querido.»
— Estou a ver... — disse Dao em tom sereno; só que, na cabeça, já ponderava as variantes de qual seria a forma mais dolorosa de matar Fast.
— Não, Dao! Nem penses nisso! Não, não e mais uma vez não! Se o matares, vais preso, e eu morro de desgosto enquanto espero por ti! Promete-me que não o matas! — Fon viu o olhar cruel do marido e percebeu logo em que é que ele estava a pensar.
— Ah-ah-ah! Como tu me conheces bem. Eu disse uma única palavra e já estás a ralhar comigo por uma coisa que ainda nem fiz. — Dao decidiu safar-se com uma piada mas, mentalmente, lá prometeu ao pequeno esforçar-se por não matar Fast.
Fon, naquele momento, não estava preocupado só com Fast, mas também com os ex de Dao, que andavam suspeitosamente ativos. Por natureza, o Husky é muito ciumento, mas esforça-se sempre por escondê-lo. E só com Dao se permite soltar esse ciúme, porque este homem o compreende.
Dao passou Fon para o sofá e levantou-se.
— E vais aonde? — quis saber Fon, olhando para Dao.
— Vou deixar-te. — respondeu Dao com uma risadinha, e Fon percebeu logo que ele estava a brincar; mas Fon não seria Fon se ficasse calado...
— Primeiro fodes-me, depois vais. — respondeu o pequeno em tom sério, e Dao virou-se.
— Agora não. — disse Dao, sem perceber bem se a sua esposinha estava a brincar ou não.
— Então não vais a lado nenhum! — o pequeno agarrou-lhe a mão, sempre no mesmo tom sério.
— Raios... Bebé, agora, para eu ir mijar, tenho primeiro de esvaziar os tomates outra vez? — Dao percebeu finalmente que o seu pequenote estava a brincar e alinhou na farra.
— Sim. — respondeu Fon com um sorriso, e Dao sorriu-lhe de volta, apanhando-lhe a mão e puxando-o para si.
— Ótimo! Então fodo-te na casa de banho! — Dao atirou o pequeno por cima do ombro e levou-o do gabinete.
— Dao! Larga-me, Dao! Estava a brincar, estás a ouvir?! Daonya! — Fon contorcia-se e gritava pelo corredor fora.
Dao pousou logo Fon no chão e, com um sorriso, beijou-o antes que o pequeno tivesse tempo de abrir a sua linda boquinha para começar a ralhar com ele.
— Fon... tudo o que tu quiseres ou disseres, eu faço. Exceto uma coisa... nunca te vou deixar. — Dao afastou-se dos seus lábios e disse-o em tom sério.
— Também te amo, Dao... — disse Fon com ternura, passando-lhe a mão pela bochecha.
— E agora... vou pedir ao Ball que te leve a casa, e a Kawasaki vai buscá-la o Non, para os rapazes da oficina avaliarem o tamanho do trabalho de pintura. Tenho uma reunião daqui a quinze minutos... Não, desta vez nada de ex: é um mister Michael, da América, que o Ja nos mandou. O Michael é casado com uma mulher e é quinze anos mais velho do que eu. Podes ficar descansado. — quando Dao falou da reunião e viu o olhar interrogativo do Husky, decidiu explicar logo tudo.
— Está bem. Mas, se chegares a casa depois das 20h00... deixo-te sem sexo três... não, cinco dias! — impôs Fon o ultimato.
— Hah... e com isso castigas-me a mim... ou a ti? — gracejou Dao, e Fon deu-lhe uma pancadinha no ombro.
Ball levou Fon a casa, e Dao... mentiu quanto à reunião. Olhou para o relógio e pôs o alarme para as 19h00. Ligou a Non e, de facto, pediu-lhe que viesse — só que não para levar a Kawasaki...
Dao mudou de roupa, para poder voltar a casa com a mesma com que Fon o tinha visto pela última vez — não queria levantar suspeitas. Enquanto esperava pelos rapazes da oficina, o Lobo escreveu a Dark, para que este lhe descobrisse a localização exata de Fast. Vinte minutos depois, Dao já sabia onde e com quem estava aquele canalha, por isso limitou-se a esperar por Non.
Fast estava num clube, a meia hora de carro da casa de Dao. Quando Non chegou, com mais três rapazes, puseram-se a caminho do clube. Dao conhecia o dono e pediu-lhe o «aluguer» de um quartinho na cave. Phayak, o dono do clube, acedeu amavelmente — em troca de um dia de aluguer da pista de Dao, para poder ensinar o seu amante a andar de mota.
Prem veio com Non, e foi ele quem levou a mota para a pista de Dao. Os rapazes entraram no carro e seguiram para o clube. Pelo caminho, Dao deu-lhes as instruções sobre como deviam atuar. Quando chegaram ao clube, Phayak conduziu logo Dao à cave, e os rapazes, liderados por Non, foram montar o teatrinho...
Os rapazes dividiram-se em pares e, um a um, foram mandando bebidas para a mesa de Fast. Ao fim de três cocktails, Fast mordeu o isco de Non, que lhe sorria docemente. Non passou para a mesa dele e foi-lhe dando trela, até Fast propor continuarem a conversa num quarto. Non aceitou, dizendo que conhecia o administrador e que este lhe tinha oferecido um quarto único, que nem a todos os clientes VIP era permitido alugar. Fast, claro, aceitou.
Fast começou a desconfiar quando ele e Non apanharam o elevador para o piso mais baixo de todos. Mas o álcool que bebera tinha-lhe embotado o instinto de sobrevivência, e ainda no elevador se pôs a apalpar Non. Non aguentou-se com todas as forças para não lhe bater, porque Dao tinha ordenado que não tocassem no rapaz, queria ser ele o primeiro.
Mal as portas do elevador se abriram e Fast saiu, três rapazes já os esperavam e, dominando-o num instante, arrastaram-no para o quartinho. Non abriu a porta e Fast gelou ao ver Dao. O Lobo trazia um fato preto e branco, parecido com um fato de corrida, e luvas de cabedal de competição.
— Há quanto tempo... Fast... — disse Dao com voz dura, levantando-se da cadeira e fazendo um aceno aos rapazes.
Os rapazes arrastaram Fast num instante até à cadeira e amarraram-no.
— O que... o que é que vais fazer? — perguntou Fast com a voz a tremer, porque a aura de Dao estava agora tão sombria que até os seus próprios homens se arreceavam.
Dao aproximou-se de uma mesa metálica aparafusada à parede e abriu a maleta que Non tinha trazido. Lá dentro havia vários tipos de objetos cortantes e perfurantes.
— Ouvi dizer... que gostas de pôr as mãos em cima dos outros e de riscar o que não é teu... — Dao aproximou-se dele e desferiu-lhe, com toda a força, um murro no estômago, de tal maneira que Fast nem conseguia respirar. — Achavas que eu ia deixar passar em claro o que fizeste à minha esposa, canalha? — perguntou Dao com voz gélida.
Dao esperou que Fast se recompusesse e erguesse a cabeça. E foi-lhe desferindo golpes no rosto, rebentando-lhe os lábios e o nariz em sangue. Ao fim de quinze minutos, a cara do rapaz parecia uma massa ensanguentada. E ele perdeu os sentidos com a dor. Dao parou quando sentiu que Fast tinha apagado e, tirando da maleta uma faca, voltou para junto dele.
Dao fez um corte fundo na coxa do rapaz, e este voltou a si, aos gritos de dor.
— Eh... Fast... não apagues... tu gostas destes jogos, não gostas?... vamos jogar... — disse Dao com um sorriso demente, continuando a deixar cortes no corpo do rapaz.
Fast gritava e implorava-lhe que parasse, mas Dao nĂŁo ouvia, porque, naquele momento, a Ăşnica pessoa capaz de o travar era Fon, e ele nĂŁo estava ali.
— Queres que eu pare de te cortar, é? — quis saber Dao, erguendo o rosto de Fast com a faquinha, e ele assentiu. — Está bem... não corto mais... — concordou Dao, dirigindo-se à mesa e limpando a faca a um pano. — Vamos jogar a outra coisa... — disse Dao, tirando da maleta agulhas de acupuntura.
— Não... por favor... isso não... eu já percebi... eu estava errado... perdoa-me... — gritava Fast, enquanto Dao se aproximava dele com o conjunto de agulhas.
— Perdoar? Tu atreveste-te a levantar a mão ao meu pequeno, e ele chorou... Achas que pessoas como eu sabem o que é o perdão, Fast? — Dao acocorou-se diante dele e continuou a falar.
Non, que conhece Dao há três anos, nunca o tinha visto assim, tão sedento de sangue. Mas, quando Non imaginou que podia ter sido Prem no lugar de Fon... ele, muito simplesmente, teria partido o pescoço ao rapaz e atirado com ele para o Golfo da Tailândia.
Dao começou a espetar as agulhas debaixo das unhas das mãos de Fast, amarradas à cadeira, até que ele voltou a perder os sentidos com o choque.
Trim, trim, trim
Tocou o alarme no telemĂłvel de Dao, e ele soltou um suspiro pesado.
— Non... dá-me a garrafa. — pediu Dao, e Non estendeu-lhe uma garrafa de água.
Dao pôs-se a despejar a água pela garganta de Fast abaixo, e este voltou a si por estar quase a afogar-se.
— Acordaste? Grava bem este dia, Fast... Estás vivo só porque a minha esposa me proibiu de te matar. Se te voltas a aproximar dele, ainda que seja uma única vez, vais arrepender-te de não teres morrido hoje. — Dao falava a sério, e nos seus olhos havia uma fúria demente.
Fast foi fechando os olhos devagar, adormecendo, porque na água que Dao lhe tinha despejado estava dissolvido Menpo.
— Non... não, Tar... Levem-no para esta morada, no carro dele. Estacionem o carro na garagem e deixem-no lá dentro. — ordenou Dao, enquanto os rapazes desamarravam da cadeira o rapaz adormecido. — Non, tu levas-me a casa. Ah, e liga ao teu namorado: preciso que se diga qualquer coisa ao Fon a propósito da Bebé dele... — disse Dao, tirando as luvas e metendo-as num saco. — Se algum de vocês abrir o bico ao Fon sobre o dia de hoje... faço-vos uma coisa muito mais assustadora do que ao Fast... — disse Dao em tom ameaçador, e todos assentiram de imediato, percebendo que era melhor não irritar Dao.
Dao mudou depressa de roupa, e Non e Phayak verificaram-lhe o corpo, Ă procura de vestĂgios de sangue.
Certificando-se de que nĂŁo se ia denunciar diante da esposa, Dao encaminhou-se para o carro, enquanto Phayak retinha Non com uma pergunta.
— Non, o Dao tem mesmo assim tanto medo da esposa? — quis saber o homem; afinal, Dao nunca se tinha comportado assim, nem andado com estes esquemas de encobrimento.
— Hah... Pi, quando a esposa dele descobriu que um tipo queria sabotar uma mota da coleção do Dao... o Fon quase o matou com uma chave de 32... — recordou Non, e os olhos de Phayak arregalaram-se.
— Non! Se eu chegar atrasado, o próximo com quem eu vou jogar és tu! — disse Dao com severidade, olhando para o relógio, que marcava 19h15.
— Hahaha... Dao, aparece no clube com a tua esposa: quero conhecer a pessoa de quem tu tens tanto medo! — gracejou Phayak — mas Dao assentiu.
Non sentou-se depressa ao volante e, vinte e cinco minutos depois, já estavam no terreno da mansão. Dao entrou em casa, e Fon já o esperava na sala. Dao olhou depressa para o relógio e, soltando o ar, abraçou Fon: os ponteiros marcavam 19h42.
— Até cheguei mais cedo, amor. Já jantaste? — disse Dao a sorrir, e Fon abanou a cabeça.
— Estava à tua espera. Porque demoraste tanto? — perguntou Fon, e arrastou Dao pela mão para a cozinha.
— As negociações foram complicadas, estou esfomeado... Vamos comer e, depois, ainda como uma sobremesa no quarto... — propôs Dao, e Fon assentiu, satisfeito — porque, enquanto o marido esteve nas «negociações», o pequeno tinha passado pela loja para comprar «brinquedos».