48 đ â Diferentes «jogos» (parte 1 de 3)
Fai e Hima, depois da maroteira no carro
O carro parou diante da casa. Hima e Fai entraram e, cruzando-se com a tia Nari, avisaram que hoje não jantavam. Hima subia as escadas a passo råpido, levando o seu Cachorrinho pela mão até ao quarto. Mal a porta se abriu, Hima comprimiu o seu menino contra a parede, beijando-o com paixão.
â Ah... Hia... â gemia Fai, sentindo o Ămpeto brusco do seu homem.
Normalmente Hima era terno, mas agora era como se dentro dele tivesse acordado um diabo, pronto a engolir Fai inteiro. Hima ficara tão excitado com as travessuras do seu menino maroto no carro que, no tempo que levaram a chegar a casa, o desejo atingiu o limite e ele simplesmente perdeu a cabeça. O Gatão ia-lhe arrancando a roupa a caminho da cama, sem prestar atenção à dor do ferimento.
â Quero-te, meu menino... â sussurrou Hima ao ouvido de Fai e, logo a seguir a estas palavras, os seus dentes cravaram-se no lĂłbulo da orelha, descendo em mordidelas rudes pelo pescoço do jovem gemente.
â Hia... ah... Hia... â os gemidos escapavam dos lĂĄbios de Fai, enquanto lhe cobriam o corpo de mordidelas e chupĂ”es.
Quando chegaram Ă cama, Fai jĂĄ nĂŁo tinha roupa nenhuma, e o seu corpo nu tombou sobre ela com um empurrĂŁo forte. Hima despiu num ĂĄpice a roupa que o impedia de sentir o calor do corpo do seu amado.
O GatĂŁo deitou-se sobre Fai, beijando-o com paixĂŁo, sugando a lĂngua macia do seu menino. Fazia-o com tanta intensidade que Fai sentia uma dor ligeira â que o excitava.
â Amor... eu quero-te... â sussurrou Fai, quando os lĂĄbios do homem lhe desciam pelo pescoço atĂ© aos mamilos.
â Podemos fazĂȘ-lo ao mesmo tempo... â propĂŽs Hima, fitando os olhos da sua esposa, cheios de luxĂșria selvagem.
â Sim... assim ainda nĂŁo nos divertimos... â um sorriso matreiro despontou nos lĂĄbios de Fai.
Hima sorriu, satisfeito por a sua querida esposinha não ter nada contra novidades. Deitou-se de lado na cama, e agora os dois corpos nus estavam deitados na posição 69.
Fai virou-se de lado, beijando o abdómen definido do marido e descendo em direção ao seu membro; jå Hima não perdeu tempo e, logo, segurando o seu menino pelo rabinho, tomou-lhe o membro na boca.
â Oh... Hima... â gemia Fai, percorrendo com a lĂngua o membro grande do marido, da cabeça atĂ© aos testĂculos, enquanto Hima lhe dava prazer.
â M-m-m-m... â a boca de Hima estava ocupada mas, apesar disso, ele tentava gemer.
Fai acariciava com a lĂngua o freio na cabeça do membro do marido, sentindo, a cada movimento seu, os estremecimentos daquele grande instrumento.
â Ah... â Hima tirou da boca o membro do seu menino, quando o dedinho molhado do Cachorrinho lhe massajava o orifĂcio, sugando com força a cabeça do seu membro.
â EstĂĄs a provocar-me... ah... meu pequeno maroto? â perguntou Hima e, lambendo o dedo mĂ©dio, inseriu-o no rabinho da sua esposa.
â M-m-m-m... â gemeu o pequeno, penetrando, em resposta, o orifĂcio de Hima.
Nenhum dos dois tencionava ceder, continuando a chupar, acrescentando dedinhos no rabinho um do outro. Os gemidos de ambos eram quase sincronizados, excitando-os mutuamente cada vez mais.
â Oh... fode-me de uma vez, amor... â implorou Hima, tirando o membro da boca, incapaz de aguentar mais a tortura daqueles dedinhos, que lhe massajavam cada vez mais o ponto sensĂvel lĂĄ dentro.
â Tu Ă© que o disseste, meu amor... depois nĂŁo te queixes... â sorriu Fai, satisfeito, afastando-se do belo membro â era exatamente ali que ele queria chegar.
Hima virou-se, erguendo as ancas e apoiando os joelhos na cama. Fai ficou deitado por baixo dele, e o membro do marido balançava, provocador, diante do rosto do Cachorrinho. O jovem tomou-o na boquinha até à base, com vontade de provocar Hima só mais um bocadinho.
â Chega, Fai... â gemia Hima, rodando por cima do corpo da esposa e aproveitando para tirar o lubrificante da mesinha de cabeceira.
Hima espremeu depressa o gel para os dedos, inserindo-os no prĂłprio rabinho, sem se esquecer de untar o membro do seu menino. JĂĄ nĂŁo queria que Fai o provocasse mais, por isso tomou ele a iniciativa. Hima guiou o membro de Fai atĂ© ao orifĂcio, empalando-se nele sem pressa, com gemidos doces.
â Ahh... estĂĄs tĂŁo apertado... tinha tantas saudades do teu rabinho macio... â dizia Fai com voz lĂąnguida, enquanto o rabo de Hima lhe devorava o membro.
â Fai... ah... sĂł que... nĂŁo sejas... como em Roma... ahh... estĂĄ bem? â pedia Hima, sabendo perfeitamente como podia ser o seu Tigre insaciĂĄvel.
â Sim, amor... sĂł uma ronda... â disse Fai com um sorriso matreiro, erguendo as ancas para que o seu membro entrasse atĂ© ao fundo no rabinho desejado.
â Ahhh... Fai... â gemeu Hima, apoiando a mĂŁo no peito de Fai e movendo-se lentamente para cima e para baixo.
Hima movia-se cada vez mais depressa, e os gemidos de ambos espalhavam-se pelo quarto. Os dois corpos suados, ao chocarem um com o outro, produziam sons indecentes, mas mal se ouviam por causa dos gemidos incessantes de Hima, que se transformavam em gritos.
Fai segurava o membro de Hima na mão, deslizando por ele ao ritmo dos movimentos, acariciando-lhe a cabeça com ternura.
â Oh... adoro como tu gritas, Hima... â Fai agarrou-lhe a mĂŁo e puxou-o para si, atĂ© o corpo de Hima tombar sobre o seu peito.
â Descansa... deixa que eu trato disto... â e, com estas palavras, Fai ergueu as ancas de Hima e começou a martelar o rabinho apertado a uma velocidade selvagem.
â Sim... Ah... Fai... Mais... Siiim... â gritava Hima junto ao ouvido da esposa, enquanto este, obediente, acelerava e se movia dentro dele com mais força.
â Estou quase, meu amor... â gemeu Fai, continuando a enterrar-se furiosamente no rabinho do GatĂŁo.
â VĂĄ, bebĂ©... ahh... sim... estou quase... â gemia Hima, mordendo com paixĂŁo o pescoço de Fai, deixando lĂĄ marcas de dentes.
Aquelas mordidelas só aumentavam a excitação do menino, que jå estava tão perto do orgasmo.
â Hima... ahh... meu Hima... mais... â gritava Fai, virando a cabeça para o outro lado, permitindo ao marido mordĂȘ-lo com mais força.
â Siiim... ah... ah... ah... â soou o gemido alto de Hima, e Fai sentiu entre as suas barrigas um jorro quente e uma dentada forte no pescoço.
â Ah... Sim... Sim... Siiim... â a dor da mordidela transformou-se em excitação e levou Fai ao orgasmo.
Fai abrandou os movimentos das ancas; os dois respiravam com dificuldade. Hima desprendeu-se do pescoço da esposa e beijou-o com ternura nos låbios.
â Amo-te... â disseram os dois em simultĂąneo, olhando-se nos olhos.
Hima deitou-se ao lado de Fai, percorrendo-lhe o peito com um dedinho e beijando com ternura a cicatriz do ferimento. O homem admirava a sua «obra»: o pescoço de Fai estava coberto de mordidelas e chupÔes, e aquela visão voltava a excitå-lo.
â Eh... E o que Ă© isto que se estĂĄ outra vez a encostar a mim, hĂŁ? â provocava Fai o marido, com um sorriso matreiro.
â Agora Ă© a minha vez, meu pequeno maroto... â e, dito isto, Hima pĂŽs-se de joelhos.
Erguendo o rabinho da esposa, pousou-o sobre as suas coxas. Hima pegou no gel, lubrificando com um dedinho o canal de Fai e o prĂłprio membro.
â Hia... ah... sim... â gemeu Fai, quando o membro de Hima entrou nele quase atĂ© meio.
â Oh... Ă©s tĂŁo doce, meu querido menino... agora Ă© a tua vez de gritar... â e, com estas palavras, Hima entrou nele atĂ© ao fundo, segurando Fai pela cintura e acariciando a tatuagem na sua coxa.
â Ah... ah... sim... mais... â gemia Fai, enquanto Hima se movia dentro do seu rabinho, acelerando o ritmo.
â Sim... com mais força... ah... sim... â os gemidos passavam a gritos quando Hima roçava o ponto sensĂvel dentro do canal macio.
Hima saiu dele, virando Fai de barriga para baixo, erguendo-lhe as ancas e voltando a inserir o membro no rabinho macio. Fai apoiou os joelhinhos na cama, juntando as perninhas, com o peito ainda deitado sobre o colchĂŁo, permitindo ao marido entrar ainda mais fundo.
â M-m-m-m... siiim... â gemia Hima, quando o seu membro entrava no rabinho apertado da esposa tĂŁo fundo que ele quase enlouquecia de prazer.
â Hima... oh... m-m-m-m... siiim... mais... Hia... â gritava Fai, apertando o edredĂŁo com as mĂŁos, com vontade de que o fodessem ainda com mais força.
Hima sabia que movimentos davam com a sua esposa em louca, por isso quase saĂa do orifĂcio macio e entrava de rompante atĂ© ao fundo, ouvindo os gritos satisfeitos do seu doce menino. Fazia-o a tal velocidade que tinha de segurar Fai com firmeza pela cintura, empalando-o com cada vez mais força.
â Amor... mais depressa... ahh... vou-me vir... â gritava Fai, percebendo que estava perto do orgasmo sem sequer tocar no prĂłprio membro.
â Nem te atrevas a vir-te antes de mim, Fai! â rouquejou Hima, acelerando. â Se te vens antes de mim, castigo-te... menino mau... â ameaçou Hima, mas a ameaça produziu exatamente o efeito contrĂĄrio.
â Ah... siiim... sim... â o lĂquido branco salpicou o edredĂŁo debaixo do jovem, enquanto o seu corpo tremia com o orgasmo, e, claro, Hima sentiu-o.
O rabinho macio da esposa apertava-lhe o membro em movimentos pulsantes, aproximando-o do alĂvio.
â Oh... mmm... Fai... â Hima deu ainda umas investidas fortes, vindo-se no rabinho do menino desobediente.
â Vieste-te antes de mim... uf... esposa desobediente... vou ter de te castigar... â disse Hima, inclinando-se ao ouvido de Fai e deitando-se sobre as costas do jovem, voltando a mover as ancas.
â Sim... castiga-me... ah... â gemeu Fai, esticando as perninhas para que Hima pudesse continuar a fodĂȘ-lo assim deitado.
Adormeceram de exaustĂŁo ao fim de seis rondas â quatro das quais foram Hima a castigar Fai, e Fai a desforrar-se, por isso, no rabinho macio do marido. No dia seguinte, sĂł acordaram depois das duas da tarde, ambos cobertos do esperma um do outro. O rabinho de Fai ainda seduziu Hima para mais uma ronda no duche, antes de descerem para comer.
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Na noite seguinte
Fon acordou a meio da noite cheio de sede, por causa do ar seco do quarto. Não se atreveu a abrir a janela, porque na véspera tinha chovido a tarde toda. O Husky olhou para o relógio: marcava 02:38. Desprendeu-se com cuidado do abraço de Dao e, calçando as pantufas, jå se preparava para sair do quarto. Fon decidiu levar o telemóvel da mesinha, para o usar como lanterna.
Bum
Ouviu-se o som abafado de qualquer coisa a cair no andar de cima, e Fon decidiu ir verificar. O Husky subiu ao segundo andar e localizou lĂĄ o quarto situado por cima do dele e de Dao. Abriu a porta devagarinho, pensando que podia ter ouvido mal e, por isso, sem querer acordar quem dormia.
No chĂŁo, Fon viu Kai inconsciente. O pequeno entrou depressa e, ao tocar-lhe para o reanimar, sentiu logo que o rapaz estava a arder. Fon marcou rapidamente o nĂșmero do doutor Dew e pediu-lhe que viesse com urgĂȘncia, mas ele nĂŁo podia: estava numa conferĂȘncia em Singapura. E entĂŁo o pequeno lembrou-se do doutor Var; nĂŁo tinha o nĂșmero dele, mas sabia em que hospital trabalhava. Fon bateu Ă porta do quarto mais prĂłximo e pediu a Gui que levasse Kai atĂ© ao carro.
Fon disse-lhe que fizesse pouco barulho, para não acordar os restantes. Gui ajudou a levar Kai até ao carro.
â Khun Fon, o que aconteceu? â perguntou Mix, alarmado, Ă porta, ao ver Gui a carregar Kai Ă s costas.
â O Kai desmaiou, estĂĄ a arder em febre. Mix, leva-nos ao hospital onde trabalha o doutor Var. Liguei ao doutor Dew, mas ele estĂĄ numa conferĂȘncia em Singapura. â respondeu Fon com preocupação, e Mix assentiu.
â Mix, eu fico no teu lugar atĂ© vocĂȘs voltarem. â disse logo Gui.
Gui deitou Kai no banco de trĂĄs, como Fon lhe pedira. Mix pĂŽs-se ao volante e, depois de alguma discussĂŁo com ele, Fon sentou-se Ă frente, no banco do passageiro.
â Despacha-te, Mix. NĂŁo quero que ele morra. â pediu Fon, e Mix apressou-se o mais que pĂŽde.
Chegados ao hospital, Fon saiu e pediu que chamassem um mĂ©dico, enquanto Mix carregava Kai atĂ© Ă marquesa mais prĂłxima. TrĂȘs minutos depois, desceu uma mĂ©dica.
â Boa noite, sou a doutora Kate. O que aconteceu? â quis saber a mulher, encaminhando-se para Kai.
â Ele perdeu os sentidos, provavelmente por causa da febre. Ontem ao fim do dia esteve muito tempo sentado Ă chuva. â respondeu Fon com o que sabia.
â Vou ter de o deixar cĂĄ internado para exames. â a mulher observou Kai e chamou os auxiliares, para o levarem para um quarto.
â Preciso de um quarto no quinto piso; se bem me lembro, o 528. Mix, trata da papelada do internamento. â disse Fon, mas Kate limitou-se a olhar com desconfiança para o jovem de pijama e pantufas. Mix afastou-se para o balcĂŁo da receção.
A mulher olhou para Fon e fez sinal aos rapazes para levarem o paciente para lå. Fon subiu com Kate ao quinto piso, até ao quarto.
â Ah, e avise, por favor, o doutor Var de que tem um paciente novo. Quero que seja precisamente ele a tratĂĄ-lo. â disse Fon com um sorriso.
â O Var estĂĄ agora numa cirurgia, nĂŁo tem tempo para um adolescente com febre. E, alĂ©m disso, menino, tu nĂŁo te podes dar ao luxo de escolher mĂ©dico. â atirou a doutora com sarcasmo, convencida de que tinha adolescentes Ă sua frente.
â Minha senhora, parece que nĂŁo estĂĄ a perceber com quem fala, nem quem Ă© este, como diz, miĂșdo com febre. â respondeu-lhe Fon com rudeza, e marcou o nĂșmero de Mix.
â Mix, liga para casa e diz ao Dao que estĂĄ aqui uma doutora... Kate Paravit... que disse que eu nĂŁo posso escolher o mĂ©dico do Kai. â disse Fon em tom sĂ©rio, lendo na bata o nome completo da doutora.
â Khun Fon... nĂŁo vou precisar de lhe ligar; ele jĂĄ cĂĄ estĂĄ. JĂĄ lhe disse em que piso estĂŁo. â respondeu Mix baixinho, percebendo que a doutora Kate tinha feito uma asneira ao ofender Fon.
Fon desligou, a sorrir.
As portas do elevador abriram-se e delas saiu um Dao carrancudo, avançando direto a Fon.
â Nanico! Porque Ă© que nĂŁo me acordaste e vieste sozinho? â ralhava Dao com Fon, que estava de pĂ© ao lado da mulher.
â O Kai estĂĄ com febre altĂssima, eu nĂŁo queria que ele morresse. O doutor Dew estĂĄ em Singapura, e esta... Kate... disse que um menino como eu nĂŁo pode escolher o mĂ©dico de um adolescente com febre. â queixou-se Fon a Dao, cuja fĂșria se dissipou num instante â para mudar de alvo â mal soube que tinham ofendido a sua esposinha.
â Este rapaz vai ser tratado Ășnica e exclusivamente pelo doutor Var. Avise-o imediatamente. â ordenou Dao com voz severa, e a mulher estremeceu.
â Mas... o doutor Var estĂĄ numa cirurgia... â balbuciou ela.
â Podes substituĂ-lo tu mesma, ou arranjar quem o substitua, se queres continuar a trabalhar neste hospital! Se o doutor Var nĂŁo estiver aqui dentro de dez minutos, deixas de trabalhar cĂĄ. E estĂĄs parada porquĂȘ? Mexe-te! â Dao subiu o tom, e Fon assistia, satisfeito.
A mulher saiu a toda a pressa, e Dao voltou a olhar para Fon com desagrado.
â E agora... nĂŁo me queres contar como Ă© que foste parar ao quarto do Kai, de noite, sozinho? â perguntou Dao num tom ciumento, e o pequeno abraçou-se logo ao seu braço.
â Acordei porque tinha sede, depois ouvi qualquer coisa a cair lĂĄ em cima e fui ver. Quando abri a porta, o Kai estava caĂdo no chĂŁo. Devia primeiro ter-te ido acordar, e sĂł depois cuidar do doente? â respondeu Fon com censura, e Dao abraçou-o logo pela cintura, mas nĂŁo teve tempo de pedir desculpa.
â Khun Dao, Khun Fon, passa-se alguma coisa com o Khun Fai ou o Khun Hima? Porque estĂŁo aqui? E... porque me chamaram com tanta urgĂȘncia da cirurgia? â perguntou o doutor Var, que se aproximava.
â Acho que este Ă© precisamente o paciente que o doutor nĂŁo quereria entregar Ă s mĂŁos de outra pessoa... â respondeu Fon, enigmĂĄtico, apontando com o olhar para a porta do quarto.
Var dirigiu-se Ă porta. Fon decidiu entrar no quarto com o doutor, porque sabia que ele ia ter agora uma data de perguntas.
â Kai... â disse Var baixinho e aproximou-se depressa do jovem na cama, que tremia de calafrios.
â O que aconteceu? Ele estĂĄ com trinta e oito de febre, no mĂnimo! Porque Ă© que nĂŁo chamaram um mĂ©dico a casa? â ralhava Var, tocando com a mĂŁo na testa e nas bochechas do seu Solzinho.
â Ele... ontem vi o Kai sentado Ă chuva, junto Ă piscina. NĂŁo sei ao certo quanto tempo lĂĄ esteve, mas saĂ logo e disse-lhe que tomasse um banho quente e fosse dormir. De noite, ouvi qualquer coisa a cair e fui verificar. O Kai estava no chĂŁo, inconsciente, a escaldar. Liguei ao doutor Dew, mas ele estĂĄ numa conferĂȘncia em Singapura, e o seu nĂșmero nĂŁo o tenho. Por isso, aqui estamos. â explicava Fon, jĂĄ pela enĂ©sima vez, o que se tinha passado.
â Eu trato dele; podem voltar para casa. Assim que souber alguma coisa, aviso. â disse Var em tom sĂ©rio, marcando um nĂșmero no telemĂłvel.
â Quarto 528, antipirĂ©tico intravenoso e um kit de colheitas. E depressa. Liga ao laboratĂłrio, diz que preciso dos resultados atĂ© Ă s sete da manhĂŁ. â ordenou Var, e Fon sorriu, ao ver como o doutor estava preocupado.
â Ligue-me, doutor. Tome o meu nĂșmero. â Fon ditou o nĂșmero, marcando-o no telemĂłvel, e Var registou-o na lista de contactos.
â EstĂĄ bem. VĂĄ, Khun Fon; se calhar ainda consegue dormir um bocadinho. E... obrigado por o terem trazido para cĂĄ. â o tom do doutor suavizou-se, e Fon saiu do quarto.
â Pi... cof-cof... â delirava Kai, a tossir.
â NĂŁo se pode deixar-te sozinho nem dois dias... â resmungou Var, afagando com ternura a bochecha do jovem, avermelhada da febre.
â Doutor... os medicamentos e o kit. Com licença... â a enfermeira entrou no quarto com tudo o que era preciso.
â Deixa aqui, eu trato disto. Espera Ă porta e, mal eu recolha as amostras, leva-as ao laboratĂłrio. â interrompeu-a Var, e a rapariga assentiu, surpreendida: aquilo nĂŁo era trabalho do mĂ©dico, mas dela, e, mesmo assim, ele quis fazĂȘ-lo pessoalmente.
A rapariga saiu do quarto e Var administrou primeiro os medicamentos; sĂł depois recolheu as zaragatoas para as anĂĄlises.
â Uf... Pi'Var... â gemeu o jovem, enroscando-se, quando Var jĂĄ pousava a mĂŁo na maçaneta da porta.
Var imobilizou-se e virou-se para Kai. Abriu depressa a porta, entregou em silĂȘncio as amostras Ă enfermeira e fechou a porta por dentro.
â Frio... â disse Kai baixinho, e Var trancou a porta Ă chave.
Sabia perfeitamente que não devia atravessar a linha «médico-paciente», mas aquele gemido lastimoso apagou essa linha.
Var aproximou-se da cama e deitou-se ao lado de Kai, abraçando com força aquele corpo trémulo de calafrios, afagando-lhe o cabelo.
â Pi'Var... nĂŁo vĂĄs embora... â implorava Kai, quase a soluçar, apertando o rosto com mais força contra o peito do doutor.
â Estou aqui, meu pequenino. Estou ao teu lado. â Var abraçava o corpo quente do jovem, falando com voz meiga.
Rapaz tonto... oh... assim que estiveres bom, castigo-te de maneira a que nem o nariz ponhas fora de casa quando chover! Quanto tempo Ă© que estiveste sentado Ă chuva, para teres uma febre destas?! â ralhava o doutor mentalmente, mas as suas mĂŁos afagavam e abraçavam o rapaz com ternura.
Só agora Var reparou que Kai estava de pijama. Olhou para o relógio, marcando a hora, para verificar dali a meia hora as variaçÔes da temperatura.
Kai sentiu o abraço quente e o cheiro do hospital, misturado com um perfume que lhe era familiar. As suas mãos agarraram-se à bata do doutor.
â NĂŁo vĂĄs... â aquele tom parecia a sĂșplica de um moribundo, e o coração de Var apertou-se ao ouvir-lhe a voz tĂŁo fraca.
â Kai... estou aqui, dorme. Eu nĂŁo vou embora. â Var beijou-o com ternura na testa, e o jovem voltou a enterrar o rosto no peito do doutor.
Meia hora depois, a temperatura tinha descido para 38,5; Kai deixou de choramingar e Var levantou-se da cama, dirigindo-se Ă cĂłmoda em busca de um cobertor quente. Tapou Kai e olhou para o relĂłgio: eram quatro da manhĂŁ. Destrancou a porta e sentou-se na beira da cama de Kai, segurando-lhe a mĂŁo.
Na verdade, o turno da noite nem era dele, mas o mĂ©dico que ele andava a substituir tinha tido uma queda infeliz e partido um braço. Por isso, teve de ficar tambĂ©m esta noite. JĂĄ levava vinte e quatro horas seguidas no hospital. O hospital tem estabelecido um nĂșmero de horas semanais de trabalho que o mĂ©dico nĂŁo deve exceder. O turno de hoje jĂĄ ultrapassava a norma em trĂȘs horas e, como amanhĂŁ era sĂĄbado â ou melhor, jĂĄ era hoje â e a nova semana sĂł começa Ă segunda-feira, tinha dois dias de folga.
Var tinha planeado ligar a Kai de manhĂŁ e convidĂĄ-lo para jantar Ă noite, mas o rapaz estava agora deitado num quarto do seu hospital.
đȘ Clique
A porta do quarto abriu-se e entrou Kate. Var olhou para ela e retirou com cuidado a mĂŁo de cima da mĂŁo do jovem.
â A cirurgia correu bem? â perguntou Var, e a mulher aproximou-se.
â Sim, o paciente estĂĄ bem. Doutor Var... Quem sĂŁo estas pessoas, e porque Ă© que era assim tĂŁo fundamental que fosses tu a tratar deste fedelho? â perguntou ela com indignação.
Var não deixava ninguém tratå-lo por Pi ou Nong no trabalho; apenas doutor Var.
â Oh, ouviste falar do rapaz que hĂĄ pouco tempo ameaçou um mĂ©dico das urgĂȘncias? â perguntou Var, e ela assentiu.
â Aqueles dois eram o amigo dele e o cunhado. E este... como tu dizes, fedelho... Ă© o guarda-costas pessoal dele. â respondeu Var com irritação.
â Mas ele sĂł tem febre. Sobrevive. â bufou Kate, despeitada por a terem ameaçado com o despedimento por causa de um miĂșdo qualquer.
â Kate! â Var pronunciou o nome dela com severidade, e ela estremeceu.
HĂĄ muito que ela gostava de Var; jĂĄ o tinha convidado vĂĄrias vezes para jantar, mas ele recusava sempre com tato.
â O quĂȘ? NĂŁo tenho razĂŁo? â insistiu Kate, olhando para o rapaz na cama.
â Ă melhor ires embora, Kate. Eu sou o mĂ©dico assistente deste rapaz. Ah, Ă© verdade: o meu turno acabou, vou ficar por aqui. Os relatĂłrios escrevo-os depois. â Sem se virar para ela, Var olhava para o jovem.
â Mas... â tentou ela protestar, mas calou-se num instante ao ouvir um gemido baixinho dos lĂĄbios do rapaz: «Pi'Var...»
A mulher saiu do quarto furibunda; Var levantou-se, trancou a porta atrĂĄs dela e voltou a deitar-se ao lado do seu Solzinho, que logo se apertou contra o seu peito.
â Oh... ainda estĂĄs a arder. Aguenta, pequenino; a febre jĂĄ vai baixar. â sossegava Var o rapaz, baixinho.
Estava de pĂ© havia quase vinte e quatro horas sem dormir, por isso nĂŁo Ă© de estranhar que, mal a sua cabeça tocou na almofada â e com aquele corpo tĂŁo desejado nos braços â, tenha adormecido num instante.
đČ Trim, trim, trim
Era o telemóvel de Var a tocar; ensonado, ele esticou-se para atender a chamada, sem largar Kai do abraço.
đ â "Sim." â atendeu Var, sonolento.
đ â [Doutor Var, os resultados do jovem estĂŁo prontos. JĂĄ estĂĄ em casa? Acordei-o?] â perguntou a rapariga, e Var abriu os olhos.
Olhou com um sorriso para a carinha adorĂĄvel a dormir no seu peito e levantou-se da cama com cuidado.
đ â "Ainda estou no hospital. Traz-mos ao quarto." â pediu ele baixinho.
đ â [EstĂĄ bem...]â respondeu a rapariga, hesitante e desligou.