47 🔞 – Ignorar (parte 2 de 2)
— Uh, meu Sol. És tão bonito. Que pena isto ser só um sonho... — resmungou o homem ensonado e puxou o jovem para si, tocando com suavidade os seus lábios quentes com os dele.
Kai imobilizou-se; o seu corpo cobriu-se de arrepios só com o toque na bochecha, e o beijo inesperado fez o coração do jovem falhar uma batida, e, logo a seguir, disparar ao dobro da velocidade.
Var passou a língua pelos lábios secos do rapaz, sem tentar entrar.
— M-m-m-m... Tão docinhos... Era capaz de os beijar para sempre... — gemeu Var, soltando o jovem e virando-se para o outro lado.
Kai voltou a sentar-se no seu banco, tentando digerir o que acabara de acontecer. Pousou a mão no lado esquerdo do peito, a tentar acalmar o coração desvairado, enquanto a outra mão tocava os lábios que, ainda há pouco, tinham estado à mercê do belo doutor.
Mas eu não sou gay... eu gosto de raparigas. Então porque é que me senti tão bem com o beijo dele? — pensava Kai, a olhar para o vazio.
Pousou as mãos no volante e ficou assim durante algum tempo, a pensar que, se calhar, Var o tinha confundido com um parceiro seu e o beijara sem querer.
Toc, toc, toc, toc
Bateram no vidro do carro e o jovem estremeceu ao ver Mix. Abriu a porta sem fazer barulho e saiu do carro, para não acordar o doutor.
— Que se passa, Mix? — perguntou Kai, quase num sussurro, espreitando o homem dentro do carro.
— Há quanto tempo é que vocês chegaram? Ele não devia estar a examinar os chefes? Bolas, e porque é que EU estou a falar baixinho? — perguntou Mix a Kai, igualmente baixinho.
— O doutor vinha do turno da noite e adormeceu pelo caminho. O Khun Fai disse para não termos pressa, por isso decidi deixá-lo dormir aqui mais um bocadinho. — respondeu Kai a meia voz.
— Oh, já são quase onze. Não achas melhor acordar o teu maridinho? — provocou Mix, ao reparar como o jovem olhava para o doutor, que dormia com o casaco de Kai vestido.
— Vê lá o que dizes, Pi! Vai mas é andando, e diz que eu e o doutor Var vamos esperar na sala. — Kai deu um soquinho no peito de Mix e, virando-o, empurrou-o na direção da casa, encaminhando-se depois para a porta do passageiro.
Mix ia às risadinhas a caminho de casa, virando-se de vez em quando para espreitar o parzinho no carro.
Kai contornou o carro, abriu a porta e sacudiu ao de leve o ombro do doutor.
— Doutor Var, acorde. Chegámos. — chamou-o Kai, sem levantar muito a voz.
— Solzinho, só mais cinco minutinhos e faço tudo o que quiseres. Está bem? — resmungou Var, ainda ensonado; afinal, tinha estado de serviço trinta e seis horas seguidas.
Kai pareceu esquecer-se de como se respirava, quando o trataram por Solzinho. E então lembrou-se de que Var o tinha proibido de lhe chamar doutor — sob pena de lhe bater.
— Pi'Var... Está na hora de acordar. — continuou ele a acordar o homem.
— M-m-m... lindo menino. Mas ficas a dever-me uma na mesma. — disse o doutor, espreguiçando-se e abrindo os olhos.
O rubor voltou às bochechas de Kai quando percebeu que o doutor tinha ouvido a sua frase anterior. O doutor soltou o cinto de segurança e ergueu-se, saindo do carro.
— Guia-me, Nong. Eu é que não sei o caminho. — disse Var, a espreguiçar-se, sem tirar os olhos do jovem.
Kai virou-lhe as costas e seguiu em direção à casa.
Plás!
A nádega macia, moldada pelo tecido azul-escuro das calças, estremeceu apetitosamente com a palmada leve.
— Eh! — virou-se Kai, indignado, mas não teve tempo de dizer mais nada antes de ser interrompido.
— Eu avisei-te, bebé. Chamavas-me doutor, eu batia-te. Mas nunca disse com quê, nem onde. — encolheu os ombros o doutor, satisfeito consigo mesmo, e emparelhou com Kai, que estava vermelho até às orelhas.
— Vamos, Nong Kai. Ou queres fazer os teus chefes esperar por nós? — continuou o doutor, pegando no rapaz pelo pulso e avançando para a casa grande.
Já quase à porta, Var largou-lhe a mão e entraram. Na sala já os esperavam Hima, Fai e Mix. Os três sorriam.
— Boa tarde, Khun Fai, Khun Hima. Vamos lá ao exame, pode ser? — Var ergueu as mãos num wai, cumprimentando os homens, e decidiu ir logo ao assunto.
— Khun Var, o Kai portou-se bem? Deu-lhe de comer? — perguntou Fai, como se soubesse o que se tinha passado no restaurante.
— Sim, o Nong Kai é um lindo menino. Levou-me a tomar o pequeno-almoço. Obrigado pela atenção. — disse o doutor a sorrir, examinando a ferida no peito de Hima.
— Oh, está a cicatrizar às mil maravilhas! O nosso cirurgião plástico pode ajudá-lo a remover as cicatrizes, se quiser. Como se tem sentido? Não há febre, e a cicatriz não abriu nem inflamou. — Terminado o exame a Hima, pediu a Fai que tirasse a t-shirt.
— Bom... Nada mau. Andou a forçar o braço, não andou? A sutura não está tão direitinha como eu a fiz. Está a sarar bem, mas não force o braço, Khun Fai. Senão, vai demorar muito a cicatrizar. — Olhou para Fai, que estava sentado com ar de culpado.
— Doutor Var... Posso perguntar-lhe... Daqui a quanto tempo posso ser dador de medula óssea? — perguntou Fai, e o doutor ficou surpreendido com a pergunta.
— Em regra, seis meses depois de uma cirurgia grave. Três meses depois de uma menos grave. Eu aconselharia a fazer primeiro o teste de compatibilidade, antes de tomar uma decisão dessas. — respondeu Var em tom sério.
— Posso fazê-lo no seu hospital? Os dados do doente, tenho-os eu. Os seus médicos conseguem verificar se sou compatível sem envolver a outra parte? — continuou Fai a perguntar, enquanto Hima lhe segurava a mão.
— Consegue, se tiver o processo clínico do doente e os resultados dos testes dele. — respondeu o doutor, e Fai assentiu.
— Então... ligo-lhe quando estiver no trabalho e confirmo a informação com um colega. Terminámos. Se precisarem de mim, podem passar pelo hospital. — disse Var, surpreendido com aquela pergunta de Fai.
— Se precisarmos de si, doutor, mandamos o Kai buscá-lo. — disse Fai com um sorriso, e Kai corou outra vez.
— Kai, leva o doutor a casa. Doutor Var, se precisar de ajuda seja com o que for, pode pedir ao Kairos. — disse Hima, fazendo a vontade à esposa.
— Oh, o Nong Kai salvou-me hoje. Gostava de lhe agradecer; deixam-no sair logo à noite? — perguntou Var, e Fai assentiu.
— Doutor Var, qualquer pessoa no meu lugar teria feito o mesmo. Não podia deixar uma pessoa em apuros. — respondeu Kai, a corar, olhando para o doutor com ar de culpado.
— Estás a testar a minha paciência, pequeno Kai? Queres que eu suba para duas pancadas por palavra? — sussurrou Var baixinho, junto de Kai, para que só ele o ouvisse.
— Kai, vá, leva o teu ma... médico a casa. Deve estar cansado do turno da noite. — Mix não se conteve, quase dizendo "o teu marido", e saiu da sala a toda a pressa, mal segurando o riso.
Kai fulminou Mix com o olhar; de nariz franzido, parecia um gatinho pequeno em pose de ataque, a bufar de forma engraçada ao adversário.
— Dou... tor Var... Venha, eu levo-o a casa. — disse Kai, aos tropeções, com o coração aos pulos ao perceber que já lhe tinha chamado doutor duas vezes, e as consequências dessas palavras, nem se atrevia a imaginá-las.
Var ergueu as mãos num wai, despedindo-se dos homens, e saiu atrás de Kai.
— Nooooong... — arrastou Var, mas Kai nem se virou.
— Nong Kai! — chamou-o outra vez, mais alto, mas não houve reação.
Muito bem... Resolveste ignorar-me? Vamos lá ver quem é que aqui é o Papá... — pensou Var, e seguiu calado até ao carro.
Var voltou em silêncio ao mesmo carro e sentou-se logo no banco de trás. Kai olhou pelo retrovisor e viu o doutor a olhar para a rua, pela janela. O rapaz ligou o carro e... só então lhe caiu a ficha de que não sabia a morada para onde havia de levar o doutor.
— Diga-me a morada para onde o devo levar. — disse Kai, inseguro, olhando pelo retrovisor.
Var tirou o telemóvel das calças e enviou a Kai uma mensagem com a morada. Guardou o telemóvel e continuou a olhar pela janela. Kai sentiu um desconforto estranho no peito por o doutor não falar com ele.
Kai seguiu para a morada indicada; o doutor foi calado o caminho todo, enquanto o jovem espreitava, nervoso, pelo retrovisor. Chegado ao estacionamento do condomínio, Kai parou o carro.
— Obrigado. — respondeu Var, seco, e saiu do carro, dirigindo-se ao elevador.
Ao fim de uns passos, parou. O homem despiu o casaco e, voltando ao carro, entregou-o a Kai em silêncio, pela janela aberta. Kai olhava para as costas do homem e não sabia o que fazer. Var carregou no botão do elevador e entrou nele sem se virar. O jovem foi o caminho todo para casa fora de si. Parado num semáforo, lembrou-se do olhar frio de Var a devolver-lhe o casaco em silêncio, e aquilo deixava-o abatido.
Bip, bip
Kai estremeceu ao ouvir o carro atrás de si a buzinar e, erguendo a cabeça, viu que o sinal já estava verde. Todo o caminho até casa, não parou de pensar no doutor.
Mas porque raio é que eu estou a pensar nele? — ralhava Kai consigo mesmo, já a entrar no terreno da mansão.
Kai saiu do carro, depois de o estacionar na garagem.
— Kai, tens meia hora de pausa; depois vamos a casa da mãe do Khun Fai. — disse Leo, e o jovem limitou-se a assentir em silêncio.
Entrou na cozinha, abriu o frigorífico e tirou uma garrafa de água. Encheu um copo e bebeu-o quase de um trago. Aquela meia hora, sabe-se lá porquê, arrastava-se traiçoeiramente devagar.
— Kai... Kai... Kai... estás bem? Kai! — a última chamada, bem alta, fez o jovem estremecer e olhar para quem falava.
— Sim, Khun Fon? Disse alguma coisa? — Kai tentou soar o mais normal possível, mas Fon reparou na mesma.
— Está tudo bem contigo? Estás com uma cara de morto. Se não estás em condições de ir, fica em casa. — Fon deu-lhe uma palmadinha no ombro, mas Kai abanou a cabeça.
Se eu ficar em casa, ainda vai ser pior. — pensou o jovem, e sorriu ao chefe.
— Eu vou convosco. Só... deixem o Leo conduzir. — pediu Kai, e Fon assentiu.
O caminho até à casa levou quase quarenta minutos, e Fai estava terrivelmente nervoso quando Leo lhe abriu a porta do seu lado — com medo de sair do carro.
— Fai... está tudo bem. Aqui é seguro. Temos connosco o Kai e o Leo. Eu estou contigo. Não tenhas medo.
Não vai acontecer nada, meu amor. Vamos. — Hima afagava a mão suada de Fai, tentando dar-lhe ânimo; também ele estava nervoso, mas não o deixava transparecer.
— Tenho medo, Hia... eu... acho que... não consigo respirar... — Fai arquejava, e Hima percebeu o que se passava com ele.
— Bebé... acalma-te... ouve a minha voz... Estou aqui... amo-te... está tudo bem... vá... Inspira... Expira... Inspira... Expira... Lindo menino... — Hima acalmava-o, apertando-o contra o peito e tentando travar o ataque de pânico.
Fai começou a acalmar-se, inspirando o cheiro do marido. Sabia que agora tudo era diferente, mas os acontecimentos daquele dia estavam demasiado frescos na sua memória.
— Se não consegues, voltamos para casa. Tentamos noutra altura, quando estiveres pronto. — Hima afagava-lhe as costas, falando num tom carinhoso.
— Não... já cá estamos. Eu consigo, dá-me só um minuto. — Fai tentava convencer-se a si mesmo.
📡 ‹Chefe, está em segurança. Verifiquei tudo num raio de três quarteirões. Nada o ameaça.›
Fai assentiu e afastou-se do peito do marido, sem saber bem porque confiava tanto no Smart. Talvez por ele não ser humano e não poder mentir; ou talvez por ser criação sua.
— Vamos... — disse Fai baixinho, e pousou o pé no chão com uma expiração funda.
Hima saiu logo do carro e pegou na mão da esposa, avançando para a casa. Já da última vez, Fai tinha reparado que a casa estava cuidada — até flores cresciam debaixo das janelas. Fai sorriu ao pisar o degrau do alpendre, e Hima apertou com mais força a mão do jovem, a mostrar-lhe que estava tudo bem.
Fai rodou a maçaneta e a porta abriu-se. Entraram, e Fai ficou espantado com o quanto a casa tinha mudado por dentro. Mobília e eletrodomésticos novos, obras recentes. Só uma coisa permanecia igual: a poltrona em que vira Hima pela primeira vez. Estava no mesmo sítio, apenas com cores mais vivas, como se tivesse ido à limpeza a seco. Só o sofá estava agora mudado, colocado em frente à poltrona.
Fai ouviu passos no primeiro andar e ergueu logo o olhar para lá.
— Paul! Porque é que voltaste tão... cedo... — a voz cristalina de Kalliou aproximava-se do quarto em direção às escadas, até que ela viu as visitas...
— Mãe... — disse o Cachorrinho baixinho, e nos seus olhos brilharam lágrimas.
Fai olhava para a mãe e não acreditava no que via. Não a via assim havia mais de três anos... Uma cor de pele saudável, um corte de cabelo bonito e arranjado, um vestidinho de verão giro e um sorriso.
— Fai... — a mulher olhou para o filho, com a voz a tremer, como se não acreditasse nos próprios olhos.
Fai lançou-se para a mãe e abraçou-a; apesar da dor no ombro, apertava-se contra ela com força. Ela retribuiu o abraço e desatou a soluçar.
— Khun... Só não me diga que o Fai... — soluçava ela, lembrando-se de que a única condição para a virem visitar seria uma doença grave, ou a morte.
— Fai, desçam. Não quero que partas o pescoço a cair das escadas. — pediu Hima, e Fai desprendeu-se da mãe.
Hima sentou-se na poltrona, como daquela vez, e Fai e a mãe sentaram-se no sofá. A mulher segurava a mão do filho, apertando-a, sem despregar do rapaz os olhos molhados.
— Mã... não chores. Porque estás a chorar? — perguntava Fai, limpando-lhe as lágrimas do rosto.
— Khun... Porque é que estão aqui? O Fai... está doente? — conseguiu ela, a custo, arrancar as últimas palavras.
Hima ficou imóvel, lembrando-se das condições do contrato. Sorriu e desviou o olhar de Fai para a mulher.
— O Fai... só teve saudades. Por isso o trouxe. Ele está bem. — respondeu Hima, decidindo que não valia a pena falar-lhe dos acontecimentos recentes.
— Querem café? Eu faço. — atirou a mulher, mas Fai travou-a, dizendo que fazia ele.
Foi à cozinha e tirou dois cafés: para a mãe e para o marido.
— Toma, mãe. Como tu gostas, com limão. — Como da outra vez, pousou-lhe a caneca nas mãos.
— Hia. Simples, e um açúcar. — Fai entregou o café a Hima, que sorriu com ternura à esposa.
Fai sentou-se no braço da poltrona, ao lado do marido, feliz por a mãe estar bem e a viver uma vida feliz.
E então lembrou-se...
— Mã... quem é o Paul? — perguntou Fai, e a mulher imobilizou-se com a caneca na mão.
— Fai... se estás assim tão curioso, tivesses perguntado ao Smart. — sussurrou Hima, dando um beliscão ligeiro no rabinho da esposa — mas isso ninguém viu.
— O Paul... Nós vivemos juntos. Foi ele que me ajudou a pôr a casa em ordem. — a voz dela saía insegura.
— Mãe, diz-me... és feliz? — perguntou Fai, voltando a sentar-se à frente dela, no sofá.
— Agora... neste momento... sou muito feliz. — respondeu ela com um sorriso, passando a mão pela bochecha do filho.
— E tu? — perguntou ela de volta, e Fai sorriu, sentando-se ao lado de Hima.
— Se não respondes já à pergunta da tua mãe, faço-te eu feliz aqui mesmo. — sussurrou Hima, e Fai corou com a malícia daquelas palavras.
— Muito, mãe. Sou muito feliz. Acabei o curso com distinção, estive em Roma, tenho uma pessoa que amo e agora... sei que tu estás bem. — respondeu Fai, a sorrir.
Ficaram um tempo sentados, à conversa. Hima deixou Fai falar com a mãe e, à saída, prometeu trazê-lo de visita. Ao entrar no carro, Fai estava tão contente que mal continha as emoções. Carregou num botãozinho e a divisória entre eles e os bancos da frente subiu — tal como a sobrancelha de Hima.
— Fai... o que estás a trama... — Hima não teve tempo de acabar a pergunta: o rabinho de Fai pousou-lhe nos joelhos, e uma língua quente invadiu-lhe a boca.
Fai segurava o rosto do marido com as duas mãos, beijando-o com paixão. Hima envolveu a cintura da esposa, apertando-o ainda mais contra si.
— M-m-m-m... — gemeu o jovem, sentindo a excitação e uma felicidade sem limites nos braços do seu homem.
— Fai... Oh... bebé... — os gemidos baixos de Hima espalhavam-se pelo habitáculo, enquanto o seu doce menino descia em beijos pelo pescoço, abrindo ao mesmo tempo a braguilha das calças do marido.
— Fica caladinho, meu amor. E em casa espera-te uma recompensa... — disse Fai, libertando o membro de Hima e percorrendo-o com a língua.
— Ah... — Hima esforçava-se por gemer baixinho.
Fai sugava a cabeça, passando a língua pelo freio sensível, sabendo perfeitamente que movimentos davam com o seu Gatão em louco. Começou a acolher o membro cada vez mais fundo na garganta, enquanto o homem tentava conter os gemidos. A mão de Hima pousou na cabeça de Fai, e agora era ele quem marcava o ritmo dos movimentos. De vez em quando, o carro parava nos semáforos, e isso dava um toque picante ao que faziam.
— Ah... meu menino... estou quase... — rouquejou Hima, movendo as ancas cada vez mais depressa e enterrando-se ainda mais fundo na boquinha quente da esposa.
— Ah... m-m-m-m... — gemeu Hima bem alto, mas Fai tapou-lhe a boca com a mão, ao sentir o jato de líquido branco derramar-se-lhe pela garganta.
Fai fez ainda mais uns movimentos com a cabeça e voltou a sentar-se, arrumando no lugar o "instrumento" usado.
Hima puxou-o para si, limpando com o dedo os restos de esperma do canto da sua boca, e beijou com ternura o seu Cachorrinho.
— Amo-te, Fai. Amo-te loucamente. — disse Hima com a voz cheia de ternura, abraçando Fai. — Esta noite... não vais dormir de certeza, meu pequeno maroto... — Hima ergueu-lhe o rosto pelo queixo e mordeu-lhe o lábio inferior, provocador.
Chegados a casa, Hima e Fai subiram para o quarto, avisando que não iam jantar.
🍃 🍃 🍃
No dia seguinte
Kai acordou com o som do despertador; desligou-o, levantou-se da cama e foi tomar duche. Ao descer para o pequeno-almoço, sentiu que faltava qualquer coisa, mas não conseguia lembrar-se do quê. Quase sem comer nada, limitava-se a remexer a papa com a colher, até a tia Nari começar a ralhar com ele.
Enfiou a papa à pressa e foi verificar o carro.
Mal se sentou ao volante, veio-lhe à cabeça a imagem de Var a beijá-lo.
— Pois é! O doutor! — Kai sacou depressa o telemóvel do bolso e abriu o LINE, mas não viu mensagens novas.
A última continuava a ser a da véspera, com a morada. Kai voltou a lembrar-se do olhar frio do doutor a devolver-lhe o casaco. Percorreu a conversa e o seu olhar apagou-se ao reparar que, nos dias anteriores, o doutor lhe desejava sempre boa noite e bom dia.
Se calhar ontem estava muito cansado e adormeceu cedo. — consolava-se o jovem, guardando o telemóvel no bolso.
Kai passou o dia inteiro na carreira de tiro ou no ginásio, tentando distrair-se do olhar frio do doutor, que o perseguia.
Às dez da noite, desabou na cama sem forças; nem sequer foi ao duche, adormeceu logo. A manhã do dia seguinte foi igual à anterior. Acordar com o despertador, duche, e verificar as mensagens no telemóvel. Não havia mensagens novas, e aquilo atormentava o jovem guarda-costas.
Será que aconteceu alguma coisa? — pensou Kai, e decidiu ligar para o hospital.
Na receção disseram-lhe que o doutor Var estava ao serviço, ocupado na ronda aos doentes. Kai não sabia o que sentia naquele momento. Mágoa? Alívio? Tristeza? Ansiedade?
Saiu para o exterior e sentou-se numa espreguiçadeira junto à piscina. Uma gotinha caiu no nariz do rapaz, mas ele continuou sentado, mergulhado nos pensamentos sobre as razões do comportamento do doutor. A chuva engrossava, mas Kai nem se levantou do lugar. Sentia o frio da chuva e aquele ventinho desagradável que trespassava até aos ossos — mas, por dentro, estava mais frio do que por fora. Aquele olhar gélido de Var cravava-se-lhe no coração como espinhos de gelo.
— Kai! Que raio estás aí a fazer sentado? Ainda adoeces! Anda para dentro! — Fon tinha-o visto da janela do quarto e desceu.
— Khun Fon, volte para dentro. Eu já vou. — respondeu Kai com a voz a tremer, mas Fon agarrou-lhe a mão e arrastou-o para casa.
— Há quanto tempo estás aí sentado? Já chove há três horas. O que se passa contigo? Pareces um cachorrinho abandonado pelo dono. Vá, já para um banho quente e para debaixo do edredão! Só faltava agora apanhares uma constipação! — ralhava Fon, e Kai limitava-se a assentir, obediente.
Kai subiu ao quarto, encheu a banheira de água quente e deitou-se nela, sentindo um formigueiro pelo corpo todo com o contraste de temperaturas. Tomado o banho, tal como Fon tinha ordenado, Kai meteu-se na cama, debaixo do edredão, e adormeceu quase de imediato. Acordando a meio da noite para ir à casa de banho, a primeira coisa que fez foi verificar as mensagens, mas a última continuava a ser a da morada. Kai levantou-se da cama, foi à casa de banho e, no caminho de volta, a cabeça começou-lhe a andar à roda, a vista a desfocar-se, e fez-se escuridão. O jovem desabou no meio do quarto, com trinta e nove de febre.