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45 🔞 – Responsabilidade (parte 2 de 2)

Oh... A culpa Ă© tua, Pi... — pensou Non e, agarrando a mĂŁo de Prem, puxou-o para si, abraçando-o pela cintura.


Os dois corpos colidiram na pista de dança, e Fai e Fon sorriram, satisfeitos. Hima e Dao ficaram surpreendidos com aquele comportamento de Non, ambos sabiam que ele tinha um fraquinho por Fai.

Fai ergueu a mĂŁo, chamando um empregado.


— Diz à Candy que preciso do cartão do quarto livre mais próximo neste piso, para a noite inteira. — Pediu Fai com um sorriso, enquanto Hima o olhava sem perceber.


O empregado assentiu e, um minuto depois, voltou com o cartĂŁo-chave. Fai levantou-se da mesa.


— Toma, quarto dois. Pi... sĂȘ meiguinho com ele... — disse Fai baixinho, junto ao ouvido de Prem, pousando-lhe o cartĂŁo na mĂŁo e fingindo que apenas passava por ali a caminho da casa de banho.


Non, naquele momento, não ouvia nada nem ninguém: tinha nos braços um corpo excitado, cujo bater acelerado do coração sentia com o peito inteiro.


Prem sorriu, satisfeito, pousou a cabeça no ombro de Non e, sem ninguém reparar, passou-lhe a língua pelo pescoço. As calças de Non jå estavam apertadas só da dança de Prem, e aquela língua quente e atrevida lambeu-lhe os restos do autodomínio.


— Pi... se não paras agora, juro que te fodo aqui mesmo! — quase gemeu Non num suspiro, tentando conservar uma migalha de autocontrolo.
— Aqui nĂŁo Ă© preciso... mas no quarto dois pode ser... — respondeu-lhe Prem com voz açucarada, esmagando essa Ășltima migalha.


Non agarrou-o pela mĂŁo e arrastou-o consigo, sob os olhares sorridentes de Fon e Fai e os olhares chocados de Dao e Hima.


Non sabia perfeitamente onde ficava o quarto dois e, mal saĂ­ram da sala para o corredor, empurrou Prem contra a parede, sugando-lhe avidamente os lĂĄbios finos.


— Ah... Ainda nem chegám... — Prem tentou protestar por nem sequer terem chegado ao quarto, mas uma língua quente irrompeu-lhe logo pela boca.


Os dois avançaram ao longo da parede, empurrando-se contra ela à vez, até Non parar diante da porta certa, comprimindo Prem contra ela.


— O cartão... — rouquejou Non, e Prem tirou o cartão do bolso, pousando-lho na mão.


Piiip...


O som da fechadura a abrir foi como um interruptor a desligar o juízo de ambos. Prem sentiu com o rabo a porta a entreabrir-se, e o seu corpo foi parar num instante aos braços fortes de Non, que empurrou a porta com força.


Bum...


A porta bateu com estrondo no batente do chĂŁo e, ressaltando, foi-se fechando devagar, enquanto os dois homens se beijavam com paixĂŁo a caminho da cama.


Non segurava Prem pela cintura, apertando-o contra si, enquanto Prem lhe desabotoava a camisa. Aqueles malditos botÔezinhos irritavam-no, a recusarem-se a abrir.


Que se lixe tudo... — pensou ele, e, em vez dos botĂ”es da camisa, as suas mĂŁos mergulharam nas calças de atilhos.


— Uff... — gemeu Non, quando a mĂŁo de Prem lhe apertou o membro atravĂ©s da roupa interior.


Non agarrou-o pelo cabelo e, puxando-lhe a cabeça para trås, expÎs ao olhar um belo pescoço comprido, onde a maçã-de-adão rolava eroticamente. O cheiro do perfume, misturado com notas de ålcool frutado, dava com Non em louco. Os seus dentes cravaram-se na garganta do homem que gemia nos seus braços.


— Se não tiras essa camisa tu mesmo, rasgo-a... — Rouquejou Prem, puxando para baixo as calças de Non juntamente com os boxers.


Trrr... Trrr...


O som do tecido a rasgar-se e o tilintar dos botÔes pelo chão excitaram Prem ainda mais. Non não ia perder tempo com dez botÔes: era mais råpido arrancar a camisa do corpo. Por fim, Non sentiu a cama nas pernas e o seu corpo tombou sobre ela com um empurrão forte.


Meu Deus... Que doçura de rapaz... — pensava Prem, olhando para o jovem nu deitado na cama.


Um corpo forte e musculado, um abdómen definido, um rosto giro e um membro de dimensÔes hipnotizantes...


Prem ainda estava vestido e nĂŁo tinha pressa em despir-se. Mas tinha uma pressa doida em provar os dois mamilos castanhos, empinados.


Montando-o num åpice, Prem debruçou-se, sugando com avidez um mamilo, enquanto o outro era beliscado pelos seus dedos.


— Ohhh... Siiim... — gemia alto o rapaz, e as suas mãos agarraram-se ao cabelo de Prem, apertando-o com mais força contra o peito.


Prem chupava aqueles botĂ”ezinhos com tal fĂșria que, a cada movimento seu, os gemidos de Non subiam de volume, e ele sentia com o rabo o membro a estremecer por baixo de si.


Farto de brincar com o peito, deixando chupÔes pela barriga toda do rapaz gemente, Prem desceu até à sua virilha.


— M-m-m-m... — Escapou dos lábios de Prem, quando estes envolveram a grande cabeça vermelha.
— Uff... — um gemido apaixonado soltou-se dos lábios de Non, perante a boca quente e macia que lhe apertava o membro com tanta firmeza.


Prem brincava com ele como o gato com o rato. Sugava com força a cabeça do membro, acariciando com a lĂ­ngua o pequeno orifĂ­cio, enquanto a mĂŁo deslizava pelo tronco ao ritmo das sugadelas. Non gemia sem parar, remexendo o cabelo de Prem. Aquilo dava-lhe tanto prazer que atĂ© a cabeça lhe parecia andar Ă  roda. De repente, Prem mudou de tĂĄtica: agora o membro de Non estava inteiro dentro da boquinha quente, e Non sentiu o nariz de Prem encostar-se-lhe ao pĂșbis. Com um gemido alto, agarrou-lhe o cabelo ainda com mais força, apertando-o contra o corpo. Prem abriu os olhos e fitou o rapaz; quando os olhares se cruzaram, Non afrouxou o aperto e o rosto do homem foi subindo devagar, desnudando o membro que hĂĄ pouco lhe desaparecia na garganta.


O coração de Non falhou uma batida quando mergulhou naqueles olhos cor de caramelo escuro, cheios de desejo ardente. Prem era diabolicamente sexy quando o olhava assim, sem parar de engolir o membro do rapaz em todo o comprimento. Fazia-o com tanta perícia e leveza como se fosse uma espada para a qual tivessem encontrado a bainha perfeita.


Erguendo-se nos cotovelos, Non levantou o rosto do homem pelo queixo, puxando-o para si. Aqueles lĂĄbios, inchados e vermelhos do que acabavam de fazer, seduziam-no. O rapaz lambeu-os e, invadindo-lhe rapidamente a boca, foi-lhe tirando a t-shirt. Prem ergueu os braços, obediente, e, mal o Ășltimo centĂ­metro de tecido os libertou, eles caĂ­ram sobre os ombros de Non.


— Ah... — gemeu Prem, quando o seu corpo se viu de repente na cama, com um belo rapaz nu debruçado sobre ele.


O cĂ©rebro de Non entregou o comando do corpo ao membro. Lambia e mordia o corpo macio do homem debaixo de si, descendo por ele atĂ© Ă  bainha das calças, que num instante voaram das pernas. O cheiro daquele homem excitado e hĂșmido atiçava a paixĂŁo com que ia deixando, na pele branca, marcas vermelhas e sinais de dentes. Prem gostava daquela rudeza; enlouquecia com cada dentada. A dor a transformar-se em prazer, a ternura a alternar com a brusquidĂŁo.


Non mordeu o tronco do membro do homem através dos slips, e ele gemeu ainda mais alto. Percebendo que Prem gostava do que ele fazia, Non puxou-lhe os slips para baixo, libertando um belo membro excitado. Sentou-se sobre as suas coxas, envolvendo com uma mão os dois membros, cujas cabeças escorriam de desejo.


— Oh... Siiim... — murmurava Prem, com os dois membros apertados juntos numa só mão.


Os movimentos de Non eram råpidos e fortes; os dois membros comprimiam-se um contra o outro, criando uma sensação de proximidade incrível. Os gemidos de ambos ecoavam pelo quarto, até que, por fim, se vieram um a seguir ao outro. Respirando com dificuldade depois do orgasmo, o corpo de Non desceu sobre Prem. Pousou a cabeça no ombro do homem, e o seu hålito quente e acelerado queimava o pescoço de Prem, voltando a excitå-lo.


— Lindo menino... — Prem afagava-lhe o cabelo com ternura, como se Non fosse uma criança que tinha deixado o papá orgulhoso.


Non derretia-se com aquela ternura: jĂĄ ninguĂ©m lhe dizia palavras assim hĂĄ muito tempo. A mĂŁe morrera no parto e ele crescera com o pai. Quando Non tinha cinco anos, o pai voltou a casar, mas a mulher nĂŁo foi com a cara dele. Desde o dia do casamento, nunca mais ouviu dos dois uma Ășnica palavra de carinho. 

Meio ano depois nasceu-lhes uma filha, e passaram a tratar Non ainda pior. A mulher batia-lhe pela mais pequena falta, e o pai fazia vista grossa. Quando Non tinha dezasseis anos, diagnosticaram ao pai um cancro do pulmĂŁo em estĂĄdio quatro, e ele morreu trĂȘs meses depois. Logo a seguir ao funeral, a madrasta pĂŽs o rapaz fora de casa. Durante uns tempos, viveu em casa de amigos.


Non trabalhava numa estação de lavagem de carros e tentava terminar o secundĂĄrio com boas notas, para entrar na universidade com bolsa e conseguir um quarto na residĂȘncia. Com uma bolsa desportiva de voleibol, entrou no curso de Engenharia. JĂĄ com trĂȘs anos de curso feitos, num dos jogos interuniversitĂĄrios lesionou o pulso e nunca mais pĂŽde jogar. Tiraram-lhe a bolsa, e dinheiro para continuar os estudos nĂŁo havia.


Quando Non andava Ă  procura de um emprego fixo num casino, Hima reparou nele e contratou-o como segurança. TrĂȘs meses depois, vendo o seu potencial, mandou-o tirar um curso de guarda-costas. Non tem agora vinte e cinco anos e, nos Ășltimos vinte, nunca ninguĂ©m lhe demonstrara tanta ternura como Prem acabava de fazer.


— Não estás a pensar que as tuas mãos me chegam, pois não, Non? — sussurrou Prem e, dobrando debaixo de si o corpo dócil de Non, sentou-se em cima dele.
— O gel e os preservativos estão na mesinha de cabeceira. — respondeu Non, virando a cabeça e apontando com o olhar para a mesinha junto à cama.


Prem esticou-se até à mesinha, e o seu membro quente roçava na barriga e no peito de Non enquanto o homem tirava o gel.


— Eu... nĂŁo gosto de preservativos... embotam as sensaçÔes. Mas, se fizeres questĂŁo, podes pĂŽr. — disse Prem, voltando ao sĂ­tio onde estava.


O seu rabinho fresco pousou sobre o membro de Non, enquanto o homem estendia ao rapaz um preservativo.


— NĂŁo Ă© preciso... Quero sentir-te todo... — balbuciou Non, tĂ­mido, e Prem debruçou-se para o beijar.
— M-m-m-m... — gemeu Non, quando as nádegas firmes se ergueram e a mão livre, com destreza, lhe encaixou o membro no rabinho molhado de gel.


Non estava tĂŁo entregue ao beijo que nem deu por quando Prem tivera tempo de se preparar.


— Ah... Que grande... — gemia Prem, atĂ© sentir com as nĂĄdegas as pernas do rapaz.
— Ohh... Pi... — chamou-o Non com ternura, quando as mãos do homem se apoiaram no seu peito e o rabinho firme começou a mover-se para cima e para baixo.
— Siiim... ahhh... Mais... — gemia Non, beliscando com os dedos os dois mamilos graĂșdos naquele peito branco coberto de marcas vermelhas.


As pernas de Prem cansaram-se um pouco dos movimentos frequentes e bruscos, e ele decidiu mudar de posição. Tirando as mãos do peito do rapaz e sem sair de cima do seu membro, Prem rodou de costas para Non, enfiando as pernas por baixo das coxas dele. Naquela posição, as pernas cansavam menos, porque os movimentos principais eram feitos com as ancas.


— Ah... És fantástico, Pi'Prem... — Non gritava o seu nome, quando o homem recomeçou a empalar-se furiosamente no membro, gemendo de forma louca e erótica.


Non ergueu-se nos cotovelos e ficou a admirar o homem em cima de si: as costas largas, a cintura estreita, o rabinho redondo e apetitoso que estremecia a cada embate. Nas costas brilhavam gotinhas de suor, que iam escorrendo pelas curvas daquele corpo magnĂ­fico.


— Sim... Uh... descansa... — gemeu Non, e Prem imobilizou-se, obediente.


Non pĂŽs-se a mover as ancas depressa, martelando o orifĂ­cio apertado. Prem arfava e gemia sem parar, os gemidos a transformarem-se em gritos, enquanto as mĂŁos do homem afastavam as prĂłprias nĂĄdegas.


— Siiim... Mais... VĂĄ, BebĂ©... Fode-me... — gritava Prem, com a voz a tremer dos embates furiosos.


Non sentou-se, envolvendo-lhe o corpo pelo peito e pela cintura e inclinando-o para a frente. O peito de Prem ficou suspenso na borda da cama, com as mãos apoiadas no chão. Non pÎs-se de joelhos, e aquela pose de gato a espreguiçar-se dava com ele em doido. Agarrou-o pelas ancas, e agora o seu membro entrava ainda mais fundo no canal macio. Non queria ouvi-lo suplicar, por isso, em vez de movimentos råpidos e bruscos, deslizava suavemente dentro dele, quase saindo por completo e voltando a tocar com a barriga no seu rabinho macio.


— BebĂ©... Mais... Oh... Mais depressa... — Non conseguiu o que queria ao ouvir a voz meiga do homem.
— Queres mais depressa, PapĂĄ? Assim? — perguntou ele com a mesma ternura, quando as suas ancas começaram a martelar o rabinho apertado com tanta força e frequĂȘncia que o som das palmadas lembrava um pica-pau a bicar um tronco.


Prem gritava tĂŁo alto que a voz começou a enrouquecer-lhe e um tremor lhe percorreu o corpo. Nunca ninguĂ©m lhe tinha dado tamanho prazer. Era como se Non conhecesse as suas preferĂȘncias — e aquilo era incomparĂĄvel.


— Ahh... Papá... Estou quase... — Non já estava todo suado e, com aquele rabinho a apertar-se no seu membro, estava pronto a vir-se outra vez.


Prem, ao ouvi-lo, contraiu os mĂșsculos com mais força e, mal tocou no prĂłprio membro para se ajudar, veio-se, quando Non lhe roçou repetidas vezes no ponto sensĂ­vel lĂĄ dentro.


— Ah... Bebééé... M-m-m-m... Siiim... — gritava ele, enquanto o lĂ­quido leitoso jorrava para o chĂŁo e para a borda da cama.


Non adorava que Prem lhe chamasse Bebé. Os gritos apaixonados e o rabinho pulsante levaram-no ao orgasmo.


— Ahh... Siiim... — rugiu Non, enchendo o canal de esperma.


Este homem tem de ser meu! — pensaram ambos, quase em simultñneo.


Non retirou o membro e ajudou Prem a subir para a cama, apanhando-o nos seus braços. Não quis saber do líquido branco que escorria. Deitaram-se, e Prem aconchegou-se no peito largo do rapaz, que o abraçava com força, beijando-lhe ternamente o cimo da cabeça.


— Tu... Agora vais ter de assumir a responsabilidade... Papá... — disse Non com meiguice, afagando o ombro do homem com os dedos compridos.
— Normalmente, quem assume a responsabilidade Ă© o marido... por isso... Ă©s tu que vais ter de responder por isto tudo... BebĂ©... — brincou Prem, beijando suavemente o peito do rapaz.
— Eh... ainda nem passaram dez minutos... como queres que eu entenda isto? — fingiu indignar-se o homem.
— É que... o sentido de responsabilidade cresceu. Não precisas de entender, basta aceitá-lo... dentro de ti... — Non deitou Prem de costas num ápice, atirando-lhe as perninhas para os ombros e penetrando-o de novo.


Naquela noite, os rapazes nĂŁo dormiram, saboreando-se um ao outro e afogando-se num oceano de paixĂŁo.


🍃   đŸƒ 🍃


De volta ao clube, logo a seguir Ă  saĂ­da deles


Fai voltou Ă  mesa com um sorriso rasgado, mal Non arrastou Prem dali.


— E o que Ă© que tu acabaste de fazer? — quis saber Hima.
— Eu... dei-lhes a oportunidade de... se conhecerem mais a fundo... — respondeu Fai, e Fon desatou logo a rir, percebendo do que falava o amigo.
— Ai'Fai, não querias tu dizer bem lá no fundo? — gracejou Fon, e só então caiu a ficha a Hima e a Dao: o cartão do quarto tinha ido parar às mãos de Prem.
— Ah, seu diabinho! Não tens pena do Prem? — perguntou Hima, preocupado com a possibilidade de Non magoar Prem — afinal, ele tinha um fraquinho por Fai.
— Do Pi'Prem? Receio que estejas enganado, Hia. Se estĂĄs preocupado por o Non ainda ter sentimentos por mim, Ă© em vĂŁo. Quando estavas a ver o vĂ­deo com o Fon, nĂŁo estavas a olhar para aqueles dois, pois nĂŁo? — devolveu Fai, sorrindo docemente.
— Tu sabias que ele gostava de ti? — perguntou Dao, espantado, e Fai assentiu.
— Desconfiei quando o Hia o mandou trabalhar para a pista. Lá porque não digo nada, não quer dizer que não saiba. — respondeu Fai, dando mais um gole no cocktail.


Os rapazes ficaram sentados a beber durante mais algum tempo, até Fai começar a sentir-se enjoado. Hima ligou para casa e pediu ao motorista que os fosse buscar ao clube. O motorista chegou meia hora depois. Jå em casa, Hima levou ao colo o corpo ensonado de Fai, apesar de a ferida lhe doer.


Subiu ao quarto, deitou-o na cama e despiu-o, para o limpar antes de dormir. Hima foi Ă  casa de banho buscar uma toalha e ĂĄgua e, ao voltar, viu o seu menino a tremer e a franzir o sobrolho.


— Não... Não me deixes... Estás a ouvir... eu morro sem ti... — soluçava Fai a dormir, e Hima sentou-se logo ao lado dele, segurando-lhe a mão e afagando-lhe o cabelo.
— Estou aqui, Fai. Estou contigo... — sussurrava Hima.
— Tu querias matar-me, Kris. Deste um passo atrĂĄs e abriste linha de tiro ao atirador... eu resolvo isto sozinho, mĂŁe... trĂȘs flechas; se sobreviveres, deixas esta casa para sempre... — a voz de Fai era agora severa e gĂ©lida.
— O que Ă© que tu disseste? — Hima empalideceu ao ouvir aquelas palavras.


Na sua cabeça desfilaram imagens, e ele começou a recordar os acontecimentos daquele dia. As lĂĄgrimas corriam-lhe pelas faces quando sentiu de novo a dor de perceber que podia nunca mais voltar a ver Fai. 

Lembrou-se dos olhos do seu menino, cheios de medo e de dor, antes de perder os sentidos junto ao carro.


— Eu mato-te, Kris... Quando te encontrar, Ă©s um homem morto! — disse Hima com Ăłdio, por entre os dentes cerrados.
— NĂŁo me deixes nunca... NinguĂ©m se atreverĂĄ a fazer-te mal... — os soluços de Fai devolveram a Hima a lucidez, e ele deitou-se depressa na cama ao lado dele, abraçando-o com força.
— Perdoa-me... Perdoa-me, meu bebĂ©, por teres tido de passar por isto tudo... Amo-te mais do que a vida... EstĂĄs a ouvir? — Hima apertava-o contra si e afagava-lhe o cabelo, sobre o qual caĂ­am lĂĄgrimas transparentes.


Fai, ao sentir o cheiro familiar do seu homem, deixou de soluçar e encostou o rosto ao peito do marido. O prĂłprio Hima nĂŁo sabia quanto tempo ficou ali, a chorar em silĂȘncio, mas, quando abriu os olhos a meio da noite, Fai ainda dormia serenamente nos seus braços. Hima levantou-se com cuidado para nĂŁo acordar o seu Cachorrinho, despiu-se e voltou a deitar-se ao lado dele, abraçando-o de novo com força.

O plano era embebedar a esposa para fazerem sexo; em vez disso, recebeu, sem contar, a resposta Ă  pergunta que todos se empenhavam em esconder-lhe.


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