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44 🔞 – Responsabilidade (parte 1 de 2)

— Rapazes, gostava de pagar uma rodada a todos para celebrar a primeira vitória do nosso novo piloto na pista! — disse Dao, abraçando Fon.
— Prem, quero que também venhas. Se for preciso, voltas para casa de táxi. Podes deixar cá o carro. Amanhã vens buscá-lo, ou então o Non leva-to à tua pista. — Continuou Dao, olhando para Prem.

— Pi' Prem, anda! Vai ser divertido! Já há tanto tempo que não saímos para nos divertirmos! — Fon ligou o modo coelhinho fofo, e Prem aceitou.
— Vamos ao Trinity. Vou ligar para nos prepararem metade da sala VIP grande. — disse Hima, tirando o telemóvel do bolso e ligando ao administrador.


Fon já tinha reparado, na véspera, na forma estranha como Prem e Non trocavam olhares e se comportavam. Começava a desconfiar de que ali se estava a formar qualquer coisa interessante.


— Pi, vais com o Non. Deixa o carro cá, para não ocupar lugar a mais no estacionamento do clube. Non, ouviste? Hoje o Pi' Prem é teu. — disse Fon, e Non assentiu, corando ligeiramente, e, claro, o Husky reparou.
— Rapazes, vocês também vêm. — disse Fon aos mecânicos, que sorriram logo de volta: raramente lhes calhava a oportunidade de estar num clube caro à borla.


Enquanto Hima falava com o administrador do clube, Fon puxou discretamente Fai para o lado.


— Fai... reparei que o Pi' Prem e o Pi' Non andam com um comportamento estranho... se eu tiver razão, ajudas-me, não ajudas? — perguntou Fon em surdina, e Fai olhou de relance para os dois e assentiu.


Fon passou o braço pelo pescoço de Fai e, satisfeito, foi com ele para o balneário trocar o fato de corrida por roupa normal. Dao e Hima ficaram a vê-los afastar-se, a sorrir. Dez minutos depois, os Cachorrinhos voltaram do balneário, enquanto todos se preparavam para se distribuírem pelos carros e seguirem para o clube.


Hima, Fai, Fon e Dao foram no mesmo carro, com Kat ao volante. Os mecânicos, uns nas suas motas, outros de carro. Non, Tar e Prem foram no carro de Tar.


Chegado ao clube, o grupo numeroso dirigiu-se à sala VIP. Fon ia de braço dado com Dao, mas Fai não queria pôr Hima numa posição incómoda diante do pessoal, por isso não tocava no Gatão.


Ao entrarem na sala grande, na metade mais afastada já estavam as mesas juntas para o grupo. O clube abrira havia meia hora e ainda tinha poucos clientes, normalmente, o pico de afluência é entre as nove e as dez da noite. Os rapazes sentaram-se depressa e os empregados trouxeram as ementas de bebidas e petiscos.


Candy rondava a mesa, lançando de vez em quando olhares de desagrado a Fai, sentado ao lado de Hima.


Fizeram todos os pedidos e os empregados começaram a trazer, aos poucos, as bebidas e os petiscos para a grande mesa. Os clientes iam chegando ao clube, a música subiu de volume e as luzes esmoreceram. 

Dao não deixava Fon beber de mais; já Hima oferecia ao seu Cachorrinho o terceiro cocktail. Fai aguentava bem o álcool: estava só ligeiramente alegre e balançava ao ritmo da música.


— Queres dançar? — Hima inclinou-se e perguntou-lhe ao ouvido.
— Hum-hum... posso? — perguntou Fai de volta, e Hima assentiu com um sorriso.
— Podes, mas não toques em ninguém, não deixes ninguém tocar-te e não te afastes muito, senão... castigo-te e mato quem te tocar. — disse Hima muito a sério, e Fai, pousando a mão no joelho dele por baixo da mesa, foi-a subindo lentamente pela face interna da coxa até à braguilha.
— Sim, meu amor. Quem eu quero tocar és tu... — Fai provocava o marido, apertando com carinho a mão sobre a braguilha do Gatão.
— Fai... o quarto cinco está sempre livre... — respondeu Hima com um sorriso, beijando o Cachorrinho na bochecha. — Vai... enquanto ainda me consigo controlar. — Acrescentou, afastando a mão da esposa da braguilha.


Fai sorriu, levantou-se e foi para a pista de dança, ali perto da mesa. Fon, ao fim de um cocktail, também foi dançar, para fazer companhia ao amigo. O Gatão mudou-se para a cadeira ao lado de Dao, para ter o seu menino no campo de visão. Hima ia perguntando a Dao pela viagem a casa dos pais, sem tirar os olhos de Fai.


Quanto mais olhava para ele, mais largo se tornava o sorriso de Hima e mais se acendia o fogo nos seus olhos. Fai dançava, mas o olhar do rapaz estava posto em Hima. Cada movimento seu, cada toque no próprio pescoço ou no peito, parecia um ato de sedução dirigido ao marido.


— A tua esposa está a provocar-te, Hia. — Dao deu-lhe uma cotovelada nas costelas, a sorrir.
— Estou a ver. Gosto quando ele me provoca. — respondeu Hima, passando ao de leve a língua pelos lábios antes de dar um gole na bebida. — Já que estamos aqui os dois, não me queres contar o que se passou com o Kris? — Hima decidiu tentar outra vez.
— Oh... Hia, já te disse: não quero fazer do Fon um viúvo antes do tempo. Por falar no Fai... não tens nada para me contar? — devolveu Dao, lembrando-se de como Fai, na pista, tinha debitado tudo sobre o Troy.
— De que estás a falar? — Hima fez-se desentendido.
— Como é que o Fai sabe tanto sobre o Troy? Não... não é isso... Como é que ele sequer soube que ia ser o Troy? — Dao tentava perceber, mas não conseguia.
— Desculpa, Dao. Isso... é segredo. — Hima não queria falar do Smart nem sequer a Dao: quanto menos gente soubesse dele, mais seguro Fai estava.


Hima franziu o sobrolho quando um rapaz qualquer se aproximou de Fai e se pôs a dançar ao lado dele. Fai não dava por ele, porque o rapaz estava atrás de si. Hima já se preparava para se levantar, ao ver uma mão a estender-se para a cintura de Fai, mas o seu menino agarrou-a de imediato e, torcendo-a habilmente para trás das costas do oponente, empurrou-o para longe.


Hima sorriu ao ver o seu Cachorrinho sexy continuar a dançar como se nada fosse. O rapaz irritou-se, claramente, e decidiu voltar à carga. Fai virou-se para ele, Hima só via as costas, a cintura fina e o rabinho sedutor da sua esposa. O rosto do rapaz empalideceu num instante; juntou rapidamente as mãos num wai e quase fugiu dali.


— Soltaste o Tigre para ele ir brincar, Hia? — gracejou Dao, que tinha visto o que acabara de acontecer.
— Eu disse-lhe que não queria que ninguém lhe tocasse... — respondeu Hima com franqueza, sem parar de observar o corpo do seu menino a ondular eroticamente na pista de dança.
— Sabes que mais... agora sou EU que quero ir brincar. — disse Hima, levantando-se da mesa e dirigindo-se a Fai.


Fai estava de costas para ele quando Hima lhe envolveu a cintura com o braço são. Fai deitou a cabeça para trás, no ombro dele, erguendo a mão para lhe acariciar a nuca. O rabinho do Cachorrinho colou-se ao corpo do Gatão, que sorriu, satisfeito.


— Como soubeste que era eu? — perguntou Hima, e Fai virou-se de frente para ele, enlaçando-lhe o pescoço com o braço.


Pôs-se ligeiramente em bicos de pés e, lambendo-lhe a orelha, sussurrou:


— Eu sei que viste aquele tipo ir-se embora. Achas que perdias a oportunidade de mostrar a todos quem é o meu Papá?


Hima sorriu por Fai o conhecer tão bem. As suas mãos pousaram na cintura do jovem, e Fai deitou a cabeça no ombro do Gatão. As mãos de Hima vagueavam da cintura até às nádegas sedutoras, enquanto o Cachorrinho continuava aninhado no seu ombro.


— Se não voltarmos já para a mesa... arrasto-te para o quarto cinco. — disse Fai, erguendo a cabeça até ao ouvido do marido.


Hima ainda não tencionava ir para lá: o seu menino ainda não estava no ponto que o Gatão esperava. 

Pegou na mão de Fai e voltou para a mesa, sentando-o ao seu lado. Ergueu a mão, chamando um empregado para trazer mais um par de cocktails para os dois.


— Estás a tentar embebedar-me, Hia? — perguntou Fai, olhando para o marido com os olhos já a brilhar do álcool.


Não estava bêbedo, apenas ligeiramente tocado, a desfrutar de uma noite agradável. Hima limitou-se a sorrir perante a perspicácia de Fai e, pegando no copo, foi bebericando devagar pela palhinha.


— Ai... — soltou Fai, num pequeno grito de dor, quando Fon chegou por trás e se apoiou nas costas do amigo, esquecido por completo do ferimento.
— Desculpa, desculpa, desculpa. Esqueci-me completamente do teu ombro. — Fon afastou-se logo dele e afagou-lhe o sítio onde estava a ferida.
— Anda cá para mim, bebé. Acho que o Hima se safa melhor do que tu a consolar o Fai. — Brincou Dao, dando uma palmadinha no assento ao lado, e o seu menino sentou-se ali num instante.
— Ohho, desde quando és assim tão obediente, Fon? — quis saber Fai, olhando para o amigo com um sorriso matreiro.
— Queres falar de mim, é? — respondeu Fon com outra pergunta, dando a entender a Fai que era melhor estar calado.
— As vossas bebidas, chefe. — anunciou Candy, pousando os copos na mesa à frente dele e roçando ao de leve, com a mão, no ombro ferido de Fai.


O Cachorrinho encolheu-se ligeiramente, e Hima reparou.


— Não podes ter mais cuidado, Candy? Posso voltar a pôr-te como empregada de mesa, para te lembrares de como se trabalha com os clientes! — ralhou Hima com a rapariga.
— Está tudo bem. Não sejas tão cruel. Bem vês que faltam braços no clube, se é a própria Candy a servir as bebidas. — Fai agarrou-lhe a mão, a acalmá-lo, embora as suas palavras soassem claramente a escárnio para a rapariga.
— Agradece ao Fai por ainda estares no teu cargo! — sibilou Hima, sem erguer os olhos para ela.

Candy ali ficou, a ferver de raiva contra Fai: era por causa dele que o chefe agora ralhava com ela.

— Desculpe, chefe... — disse ela, quase inaudível.
— Porque me pedes desculpa a mim? — o desagrado de Hima crescia.
— Desculpa, Nong. — Resmungou Candy.
— Não estás a falar com um subordinado, Candy, mas com a esposa do chefe. No mínimo dos mínimos, com um cliente VIP, já que estamos na sala VIP. — O Gatão falava com ela com severidade.


A rapariga olhou para Fai, espantada, como se não acreditasse no que ouvia. Julgava que Fai tinha sido despedido por causa do incidente daquele dia em que servira o chefe.


— Desculpe, Khun Fai. — Conseguiu ela dizer baixinho, inclinando ligeiramente a cabeça.
— Para com isso, Hia! Ela já pediu desculpa. Chega! Vai, Candy. Está tudo bem, eu trato disto. — Fai levantou a voz para Hima e depois falou com calma à rapariga, que se retirou a toda a pressa.
— Hia, há uma coisa que não percebo: já bebeste de mais, ou ainda bebeste de menos? O que te leva a achar que a podes repreender assim em público? NÃO! Nem penses em interromper-me agora! Se és o chefe dela, podes chamá-la ao gabinete e ralhar-lhe lá, mas não assim, no local de trabalho, à frente de estranhos, e ainda por cima a ameaçá-la com uma despromoção! Não morri por me terem roçado ao de leve no ombro. Achas que é fácil passar a noite inteira a correr de mesa em mesa com um sorriso amável na cara? Experimenta tu! — Fai exaltou-se a sério sob o efeito do álcool, e Hima limitava-se a olhá-lo, e, a cada palavra do Cachorrinho, o sorriso do Gatão alargava-se mais.


Hima pousou a mão na perna de Fai por baixo da mesa, apertou-a e chegou-se ao seu ouvido.


— Bebé... se queres gritar comigo, podes fazê-lo no quarto cinco. Lá podes gritar comigo, em cima de mim, debaixo de mim e até atrás de mim... — disse Hima a Fai, com uma voz carregada de desejo, de modo a que só ele o ouvisse.


Fai ficou sem palavras e calou-se, corado. Emborcou o cocktail de um trago e, virando-se para Hima, beijou-o com paixão. Dao e Fon ficaram um bocado pasmados com aquele comportamento de Fai, e ambos morriam de curiosidade por saber o que raio lhe teria dito Hima.


Hima deixava Fai fazer tudo o que lhe apetecesse. O clube era dele e a esposa era dele: mesmo que Fai quisesse fazer sexo ali mesmo, em cima daquelas mesas, ele não se oporia... embora, para isso, tivesse de fechar o clube. Fai, depois de brincar à vontade com a língua na boca do seu Gatão, afastou-se dele já bem excitado e, pegando no copo de Hima, deu-lhe uns goles.


— Volto já, os cocktails estão a pedir para sair. — disse Fai, levantando-se da mesa e seguindo em direção às casas de banho.


Fai avançava pelo corredor até à casa de banho; não estava muito bêbedo, por isso caminhava bastante direito. Ao entrar, viu que só a cabina mais ao fundo estava livre. Entrou depressa, para se aliviar e, já agora, pensar nas palavras de Hima sobre o quarto cinco.


Despachado, o Cachorrinho saiu da cabina e dirigiu-se ao lavatório para lavar as mãos. Ali ficou, a sorrir, a maquinar um plano para arrastar Hima para o quarto cinco depressa, mas sem parecer demasiado atrevido.


De repente...


Agarraram-lhe a mão quando já a levava ao secador na parede. Fai virou-se e olhou para a pessoa, surpreendido.


— És mesmo tu... — disse uma voz masculina, com genuína comoção.
— Larga a mão, Nong. — disse Fai com severidade, virando-se para quem falava.
— Pi' Fai, não estás contente por me veres? — o jovem alto tinha-se agarrado com força ao pulso do braço ferido de Fai, e por isso o Cachorrinho não puxou a mão.
— E porque havia de estar? Acabámos há dois anos. — respondeu Fai, seco, afastando a mão do jovem com a outra mão.
— Tive saudades, Pi. Estás aqui sozinho? Ou com o Pi' Fon? — quis saber o rapaz, e Fai conseguiu finalmente libertar a mão daquele aperto.
— Não te deve interessar com quem vim, Nong Leo. Há dois anos deixaste-me bem claro que não estavas interessado numa pessoa tão problemática como eu. Lembras-te? Disseste que eu te dedicava pouco tempo e que precisavas de alguém que fosse contigo ao cinema, passear no parque, aos cafés. Espero que tenhas encontrado essa pessoa. — Fai falava com calma, sem olhar para o jovem, encaminhando-se para a saída.


📡 ‹Chefe, o segundo chefe chega dentro de quarenta e cinco segundos.›


— Pi' Fai... por favor, não fales assim. — implorou Leo, voltando a agarrar-lhe a mão.
— Eu não te dei autorização para me tocares, Nong. Se queres viver, larga-me a mão imediatamente! — Fai subiu o tom na última frase, e o Tigre acordou lá dentro.
— Não! Não te largo! Imploro-te. Vamos recomeçar do zero, Pi' Fai! — insistia o rapaz, quando Fai lhe intercetou a mão e lha torceu pelo pulso.
— És estúpido, Nong? Eu disse para não me tocares! Não passas de uma sombra do meu passado. Se voltas a tocar-me, parto-te cada osso do braço, até ao ombro. Tu és da área da saúde, Leo, calculo que precises dos braços inteiros! — Fai falava com uma voz de gelar o sangue; o tom era calmo, mas nos seus olhos lia-se a vontade real de concretizar o que dizia.
— Pi, ajude-me! Ele atacou-me e está a ameaçar partir-me o braço! — Leo quase chorava, olhando para alguém atrás das costas de Fai.
— Não contes que essa pessoa te ajude, Leo! O mais certo é ele segurar-te os braços enquanto eu tos parto osso a osso... Não é verdade, Hia? — Sem se virar, Fai falava no mesmo tom ao jovem, que tremia de medo, mas as últimas palavras foram ditas com uma ternura e um amor imensos.
— Já nem à casa de banho te posso deixar ir sozinho? Andas a meter medo a criancinhas? — disse Hima com um sorriso trocista, entrando na casa de banho.


Fai empurrou Leo para longe de si e abriu logo a torneira outra vez, para lavar as mãos.


— Eu avisei-o, Hia. Mas ele agarrou-me a mão na mesma. — respondeu Fai, displicente.


Hima passou pelo jovem assustado e o seu corpo grande envolveu o de Fai, que lavava as mãos. Virou-o para si e, erguendo-o pelo rabinho, sentou-o na bancada do lavatório, com a torneira ainda a correr.


— Eh... tenho as mãos molhadas! Cuidado! — gemeu Fai com meiguice, preocupado com a possibilidade de molhar a roupa do marido.
— Não precisas de usar as mãos... — disse Hima, colando-se logo aos seus lábios rechonchudos e invadindo a boquinha quente.


Leo ali estava, em choque absoluto com o que via.


— Ah... M-m-m... — A mão de Fai agarrou o cabelo de Hima e, a gemer, apertava-o contra si.
— Já percebeste, Nong? O Fai é meu. E, se dás valor às tuas mãos, aconselho-te a não irritares o meu menino. Mas, se te volto a ver perto dele, em vez dos braços parto-te o pescoço, entendido? — Hima olhava para Leo pelo espelho atrás de Fai, enquanto o rapaz recuava para a saída.
— Sim... percebi. — disse ele, quase inaudível, e saiu da casa de banho a correr.


Fai tentou descer da bancada, mas Hima estava entre as suas pernas, sem o deixar mexer-se. O Gatão colou-se ao pescoço de Fai, deixando lá uma marca de um vermelho vivo. Fai gemia, enquanto os lábios do seu homem lhe percorriam o pescoço. Era tudo tão empolgante e picante, alguém podia entrar na casa de banho a qualquer momento e vê-los. A excitação, acesa de repente, abatia-se sobre os dois como uma avalancha. Hima sorriu ao sentir o volume nas calças de Fai, mas queria provocá-lo, para que, à chegada a casa, o seu Cachorrinho já estivesse a dar em louco de desejo.


— Aqui não, menino mau... aguenta até casa. Vamos voltar para a mesa. Está a preparar-se por lá divertimento... — sussurrou Hima, afastando-se do corpo desejado à sua frente.
— Estás a provocar-me de propósito? Oh... em casa... nem te atrevas a pedir misericórdia. — respondeu Fai com voz lânguida, pondo-se de pé.


Voltaram para a mesa, mas, ao passarem pela pista de dança, viram Prem a dançar. Movia-se em sintonia perfeita com a música. Muitos dos clientes olhavam para ele, e Non não era exceção.


Enquanto Non olhava para Prem, Fon e Dao olhavam para Non e segredavam qualquer coisa entre eles. Hima e Fai voltaram para a sua mesa e também iam espreitando ora Non, ora Prem.


— Non, não estás de serviço. Então porque estás aí sentado? Vai divertir-te. Amanhã é a tua folga. — disse Hima, ao reparar que Non só tinha bebido dois copos de uísque.
— Mas... — tentou objetar Non.
— Pi' Non, acho que devias fazer companhia ao Pi' Prem. Não quero que alguém se aproveite do estado dele... aquele, por exemplo... — Fon falava com o rapaz com toda a calma e, na última palavra, acenou com a cabeça na direção da pista de dança.


Já havia um homem a dançar com Prem; não lhe tocava, mas nos seus gestos lia-se claramente um subtexto sexual. Non virou-se na direção indicada e as sobrancelhas franziram-se-lhe. Levantou-se da mesa, emborcou de um trago o resto do copo e avançou para Prem.


O olhar feroz de Non escorraçou o homem num instante, enquanto Prem, entregue à dança, sorria.


— Fai... Fai... estás a pensar no mesmo que eu? — perguntou Fon, sem tirar os olhos do par na pista de dança, e Fai assentiu.


Non balançava-se ligeiramente de um lado para o outro atrás de Prem. Porém, quando Prem se virou e viu Non, o álcool que tinha bebido decidiu, pelos vistos, que Non era um varão de dança. Prem pousou a mão no ombro de Non e, aproximando-se, arqueou o corpo inteiro, do pescoço ao rabo, colando a cintura ao flanco de Non. Não fossem as luzes intermitentes do clube, todos teriam visto as bochechas vermelhas de Non, que parecia ter-se esquecido de respirar. Prem enroscava-se no corpo de Non por todos os lados, apalpando-o sem cerimónia, ora nos ombros, ora no peito, ora na cintura. Aquele homem excitava Non mais a cada toque. E quando lhe passava diante da cara, olhando-o nos olhos, o corpo de Non cobria-se de arrepios.


A última gota na paciência de Non foi a mão quente de Prem a tocar-lhe na face.


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(N da A : wai (ไหว้) — gesto tailandês de cumprimento, agradecimento ou desculpa, feito com as palmas das mãos unidas ao peito e uma ligeira vénia.)

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