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42 – Um piloto, duas apostas (parte 2 de 3)

De volta a Prem


Prem desceu à cave e viu o corpo de um homem encostado à parede, com Non sentado ao lado dele numa cadeira. Prem tinha trazido de antemão o estojo de primeiros socorros da garagem para tratar dos ferimentos de Non.


— Nong, anda lá. Este idiota não vai a lado nenhum. Temos de tratar dessas feridas. — disse Prem em voz baixa, aproximando-se de Non com a caixinha.


Prem pousou-lhe o estojo no colo e abriu-o, tirando cotonetes e antisséptico. Non olhava para o estojo sem levantar os olhos. Com a outra mão, Prem ergueu-lhe a cabeça pelo queixo e encostou com cuidado um cotonete ao lábio rebentado. Ia tratando das escoriações no rosto dele, e Non olhava-o com olhos de cachorrinho. Só aquele olhar fazia o coração de Prem bater mais depressa. A mão tremeu-lhe, e Non reparou.


— Não te preocupes, Pi. Estou bem, nem dói assim tanto. — respondeu Non com um sorriso e, pegando na mão de Prem com a sua, encostou-a à ferida no lábio.


Com o toque quente das mãos, um arrepio percorreu o corpo de ambos. Non olhava para o homem à sua frente e o coração começou a bater-lhe mais depressa. Prem não era nada parecido com o doce Fai, mas tinha um charme muito próprio que o excitava.


— Desculpa, Pi'Prem. Não devia ter feito isto. — Non tirou a mão de cima da de Prem e baixou os olhos, percebendo que o rosto lhe tinha corado.


Bolas... este Nong é tão giro. Sobretudo quando cora. — pensou Prem, com um sorriso no rosto.


Prem pegou na mão de Non e, depois de desinfetar as escoriações, ligou-a, porque não valia a pena andar a colar pensos. Non olhava para Prem o tempo todo, sem perceber o que se passava consigo. Quer dizer, ele gosta do Fai, mas este homem agita-lhe as emoções a tal ponto que, neste momento, só o estojo de primeiros socorros esconde o seu membro excitado dentro das calças.


— M-m-m-m... — soou atrás das costas de Non, e Prem, erguendo a cabeça, viu que o homem começava a recuperar os sentidos.
— Então... vais falar agora, ou chamo o jovem chefe outra vez? Acho que... depois da corrida ele tem mais tempo para interrogatórios. — disse Prem, que tinha gostado mesmo daquela expressão: «jovem chefe».
— Não... eu falo... Mike... foi o Mike que me mandou deitar açúcar no sistema de lubrificação e no depósito de gasolina de uma certa mota, cof-cof... Assim, o vosso piloto perdia de certeza. Mas não tive tempo de fazer nada. — o homem falava com dificuldade, tossindo de vez em quando.
— Se não tivesses sido tão teimoso e tivesses falado logo, o nariz e a mandíbula estavam inteiros. — respondeu Non.
— Esperto... ele queria provocar o encravamento das válvulas e a carbonização dos segmentos do pistão. 

A mota podia ir abaixo a meio da corrida. — explicou Prem a Non.
— Eu sei. Não precisavas de explicar, Pi. — disse Non, e Prem olhou para ele com um sorriso.
— Porque é que o Mike nos mandou um ex-piloto, se já tinha planeado sabotar a mota? — perguntou Prem, tentando perceber o motivo.
— Não sei... eu só tinha de deitar o açúcar. — falava a custo e não parecia estar a mentir.


📩


Chegou uma mensagem ao telemóvel de Prem a dizer que Fon e Dao tinham ido os dois correr para a pista.


— Filho da mãe... Fala! Qual dos meus homens te ajudou? E nem penses em mentir! — disse Prem em voz alta e, agarrando numa chave inglesa da mesa perto do homem, avançou para ele.
— Foi o Lom! O Lom! — gritou o homem; Prem largou a chave e ligou a Wai.
— Wai, em que motas é que os rapazes foram? — perguntou Prem, preocupado com a hipótese de terem levado uma das motas que Lom tinha inspecionado.
— O Cerejinha foi numa Kawasaki, das quais temos duas, e o Pi numa Yamaha. Porquê? — perguntou Wai, cauteloso, olhando de relance para um Fast nervoso.
— Quantas voltas? — insistiu Prem, com a voz a tremer. — Perguntei quantas voltas foram fazer, Wai?!— Prem estava cada vez mais aflito, porque era precisamente a Yamaha que Lom andava a examinar.
— Só uma, Pi. Passa-se alguma coisa? — Wai percebia a preocupação na voz do chefe.
— Wai... diz-me que o Dao levou fato e capacete? — Prem esperava que aqueles dois não tivessem decidido fazer nenhuma asneira.
— Pi... o Cerejinha foi sem capacete e o marido dele foi como estava: de calças de ganga e t-shirt. — respondeu Wai com franqueza.
— Merda! Wai, manda o Lom vir ao meu escritório. E tu, não tires os olhos do Fast! Se acontecer alguma coisa ao Dao, não vou travar o Cerejinha. — respondeu Prem e olhou para Non.
— Non, fica de olho nele. — Prem sabia que Non tinha ouvido perfeitamente as suas palavras e, muito provavelmente, adivinhado que Dao corria perigo.
— Mas... e o chefe... — Non estava preocupado com Dao; afinal, era a ele que devia proteger.
— Ele foi dar uma volta só. São apenas três quilómetros. Para dar cabo da mota, é pouco tempo. — disse Prem, saindo da cave.


🍃   🍃 🍃


De volta à corrida


Os rapazes já tinham percorrido mais de metade da pista e Dao liderava por quase um corpo de vantagem. Fon sentiu um cheiro adocicado no fumo da mota de Dao e percebeu logo o que se passava. O Husky seguia atrás de Dao, aflito com a possibilidade de o motor falhar a qualquer momento. A ideia era dar-lhe vantagem e ultrapassá-lo na reta da meta, mas agora só conseguia pensar em garantir que o marido chegava ao fim sem problemas. O coração de Fon batia desenfreado, de medo.


Faltavam cerca de trezentos metros para a meta e Fon continuava a seguir Dao sem o ultrapassar, para não o perder de vista. Dao cortou a meta e desceu da mota, satisfeito, virando-se para o seu menino. Fon quase saltou da mota, e não foi ter com o marido, mas com Fast.


👊


O rosto de Fast estremeceu com o soco e Dao correu de imediato, agarrando a esposa num abraço, porque Fon já erguia o punho para o segundo golpe.


— Bebé, para. Ele não vale a pena. — disse Dao, segurando o seu Husky, que tremia de raiva.
— Tu! Tu sabias que havia açúcar no motor e não o impediste! És um cão tão podre como o teu chefe Mike! 


Nem tenho pena de já não poderes correr profissionalmente. Se te volto a ver numa pista, parto-te os braços de maneira a nunca mais na vida conseguires levantar nada mais pesado do que uma caneca! — gritava Fon a Fast, enquanto Dao lhe segurava o corpo, que se contorcia.


Prem chegou a correr precisamente quando Fon acusava Fast. Viu que Dao estava bem e soltou o ar dos pulmões.


— Proíbo-te de apareceres na minha pista, Fast! Se tu, ou qualquer outro do bando do Mike, puserem cá os pés, não saem daqui inteiros. Ah, sim: diz ao teu dono que um dos cãezinhos dele não volta para casa. 


Não sobreviveu a cinco minutos com o Cerejinha. — disse Prem, e Fast empalideceu ao ouvir que Kon tinha morrido.


Fast não conseguia acreditar que aquele rapazinho tivesse conseguido matar um homem quase três vezes maior do que ele. Olhava para Fon, seguro por um Dao sorridente. Dao percebeu logo que Prem estava a mentir, mas, para dar credibilidade, apertou Fon com mais força contra si.


— Oh, desculpa... aquele matulão era teu amigo? A minha esposa não controla a força quando alguém tenta fazer mal às meninas dele. — regozijou-se Dao com um sorriso, beijando ternamente a têmpora do seu Husky.
— Onde... onde está o Kon? — perguntou Fast com voz trémula, e Prem soltou uma risada.
— Os meus rapazes já foram atirar o corpo dele ao rio. Daqui a... uma semanita... calculo que venha à tona no leito de algum rio. — respondeu Prem, olhando para Dao e Fon.
— Desaparece da minha pista e diz ao Mike que, se ele se voltar a meter comigo, nenhum dos homens dele sai daqui vivo. Hoje só te deixo ir embora porque não aconteceu nada ao marido do Cherry. Se aquele homem se tivesse magoado... oh... a tua morte seria ainda mais horrível do que a do teu amigo. Uma mota compra-se nova ou arranja-se, mas aquele homem... ninguém consegue travar a fúria do Cherry se cair um só cabelo da cabeça do marido dele... aí perceberias porque lhe chamam Dirty Cherry. — A voz de Prem era séria e severa, deixando claro a Fast que não estava a brincar.


Fast retirou-se depressa, e Dao embalava contra si o corpo trémulo de Fon. Assim que a segurança confirmou que Fast tinha saído da pista, Fon apertou-se contra o peito de Dao e desatou a soluçar.


— Eh... bebé... que se passa? — Dao afagava o cabelo do rapaz, puxando-o para si.
— Acho melhor levá-lo para a cozinha. — disse Prem, e Dao pegou ao colo num Fon lavado em lágrimas, seguindo na direção que Prem indicava.


Dao entrou na cozinha e os rapazes que lá estavam saíram a toda a pressa quando ouviram os soluços de Fon. Sentou-o em cima da mesa, mas o bebé não largava o seu corpo, agarrando-se ao peito dele com cada vez mais força.


— Tu... tens de me prometer... — soluçava Fon contra o peito do marido.
— Prometer o quê, querido? Sabes bem que tudo o que quiseres, eu faço. — Dao beijava-lhe o cabelo e acariciava-lhe as costas, a acalmá-lo.
— Nunca mais... voltas a entrar numa pista. Nunca mais! — chorava Fon, consciente de que, se hoje tivessem feito as três voltas habituais, Dao podia ter-se magoado.
— Eh... bebé... isso posso prometer-te. Mas com uma condição... — disse Dao, e Fon afastou-se do peito dele. — Nunca mais corro numa pista alheia, em máquinas alheias, nem sem equipamento. E todas as motas vais testá-las tu mesmo. Eu gosto de corridas tanto como tu, bebé. Se eu te pedisse uma coisa destas, o que me responderias? — Dao percebia que a sua esposa chorava porque o Husky tinha apanhado um susto enorme por causa dele na pista.
— Tive tanto medo... — fungou — ...tive tanto medo de que te magoasses... — soluçava Fon, abraçado a Dao.
— Meu menino. Está tudo bem. — Dao inclinou-se, beijando Fon com ternura, e ele respondeu ao beijo com uma paixão desenfreada.


Dao não esperava tamanho ímpeto do seu menino, que já gemia nos seus braços.


— Bebé... ahhh... estamos na... cozinha do Prem... — Dao tentava dominar a excitação enquanto a esposa lhe mordia o pescoço, mas o Husky não o ouvia.
— Fon... temos assuntos... ahhh... por resolver na cave... — Dao decidiu desviar a atenção de Fon para algo mais sério do que sexo.


O Husky descolou-se do pescoço de Dao — e foi então que se lembrou do sabotador. Dao sorriu e beijou o pequeno suavemente nos lábios, sem aprofundar, ajudando-o a descer da mesa.


— Anda, meu amor. Isto vai ser interessante. — disse Dao e, pegando na mão de Fon, desceu com ele à cave.


Quando os rapazes chegaram lá abaixo, Non já os esperava com um Kon de novo consciente. Non olhou para os olhos vermelhos de Fon e percebeu que ele tinha estado a chorar.


— Ele contou tudo, chefe. O Mike mandou-o sabotar a Yamaha. Mas acho que o plano não era só esse. Se... o jovem chefe se magoasse na melhor mota do Prem, correriam rumores de que a pista não é segura, já que nem a mota do melhor piloto verificaram. E o chefe sabe bem o que são rumores. Com sorte, a pista aguentava-se à tona um mês depois do incidente. Depois, teria de fechar. — supôs Non, e Dao assentiu, concordando com a sua lógica.
— Pois bem... Kon... dou-te uma escolha... Para o teu dono, já estás morto e ele não te vai procurar. 

Podemos soltar-te... daqui a uns três dias... e tu voltas para ele. Só que... achas que ele volta a confiar em ti depois disto, ou abate-te ele mesmo? Ou então... trabalhas para mim. Pago-te o tratamento e a reabilitação, já que foi a minha esposa que te deixou assim. Depois disso, trabalharás na minha pista como segurança. Mas nem te passe pela cabeça trair-me ou tramar-me, Kon... Senão, deixo de travar a minha esposa e o teu corpo aparece mesmo no Golfo da Tailândia. — propôs Dao, calculando que Kon estivesse numa situação sem saída.


Kon olhou para Dao e Fon com os olhos inchados dos hematomas e assentiu lentamente. Naquele momento, doía-lhe imenso a cara.


— Non! Liga ao doutor Dew. Que venha cá examiná-lo. — pediu Fon, e Non assentiu, tirando o telemóvel do bolso.
— Pi, quanto é que o Mike te pagou por este trabalho? — perguntou Fon, percebendo que tinha sido uma jogada muito arriscada.
— Ele... prometeu perdoar metade da minha dívida aos agiotas dele. A minha mulher pediu-lhes dinheiro emprestado para uma operação da nossa filha... só que, quando finalmente juntámos a quantia necessária, a Meg morreu na mesa de operações. A minha mulher não conseguiu aceitá-lo e, enquanto eu estava no trabalho, encheu-se de comprimidos e pôs fim à vida. Depois descobri que a Keeley devia quatro milhões ao Mike. Ele propôs-me trabalhar para ele, a arrancar dinheiro a devedores como eu. Ou isso, ou matava-me. Vendi a casa, mas só consegui abater um milhão da dívida. Na semana passada, ofereceu-se para perdoar metade da dívida se eu deitasse açúcar no depósito de gasolina de uma mota. 

Pareceu-me um trabalho fácil, e metade da dívida é muito dinheiro para mim. Aceitei. — narrava Kon devagar, com dor a cada palavra que dizia.
— Papá... nós podemos criar-lhe uma identidade nova, não podemos? — perguntou Fon a Dao em voz baixa, mas Kon ouviu.
— Sim, bebé. Podemos. Mas primeiro há que pôr-lhe a cara em condições... olha o que lhe fizeste. — respondeu Dao no mesmo tom baixo, e Fon olhou para Kon.
— Desculpa, Pi'Kon. Eu... perdi a cabeça. — desculpou-se Fon, mas Kon abanou a cabeça.


 📲 Trum… trum… trum…


📞 — "Que foi, Wai? Ah, sim, acompanha-o até à cave." — disse Fon ao atender uma chamada de Wai.


Cinco minutos depois, o doutor Dew entrou na cave, sem perceber porque o tinham chamado, já que Dao, Fon e Non estavam bem. Mas quando chegou à altura de Dao, viu o motivo.


— Meu Deus... quem é que lhe fez isto? — perguntou Dew retoricamente, supondo que tivesse sido Non.
— A minha esposa... — respondeu Dao com um sorriso, e Dew olhou para Fon, ali de pé com ar de culpado.
— A sério? Chefe... nunca pensei que vos calhassem em sorte, como esposas, varanos a fingirem-se de osgas. O Nong Fai deu um tiro no Don, e a sua esposa... oh... parece-me que sem cirurgia plástica isto não se resolve. Posso levá-lo para o hospital? — Dew examinava o homem e nem se apercebeu de que tinha falado de mais.
— O que é que disseste? O Fai deu um tiro no Don? — interveio Dao, convencido de que tinha ouvido mal.
— Ah, não viram o vídeo? O clipe anda a circular pelo edifício todo, mas ninguém se atreve a pô-lo na internet. Têm todos medo da fúria do Fai. Querem ver? — perguntou Dew, e Dao e Fon assentiram.


Dew pegou no telemóvel e enviou o vídeo a Dao pelo LINE. Dao abriu-o e os dois rapazes viram-no de olhos arregalados, sem se aperceberem de que Prem estava atrás deles, a espreitar o clipe por cima do ombro.


— Uau! O teu amigo é bom, Cerejinha. Nunca pensei que o doce e calmo Fai tivesse aquele feitio... — disse Prem, e Fon e Dao viraram-se para ele.
— Eu... também não sabia, Pi... — respondeu Fon, e Dao enviou de imediato o vídeo a Hima, para o picar, com a legenda: «Enquanto o dragão dormia, acordou o Tigre.»
— Ah... Non, desamarra-o, e que o doutor Dew leve o Kon para o hospital. Ah, sim: Dew, interna-o com outro nome. — ordenou Dao, e ambos assentiram.


Non desatou as mãos de Kon e começou a enfiar o cinto de volta nas calças, o que fez Prem corar ao lembrar-se de como lho tinha tirado.


— Pi'Prem, encontraste o Lom? — quis saber Non, e Prem abanou a cabeça.
— Prem, ninguém pode saber que o Kon sobreviveu. Avisa os teus rapazes. E se precisares de ajuda para encontrar o Lom, diz. Os meus homens ajudam. — avisou logo Dao, e Prem assentiu, compreensivo.
— Pi, nós vamos andando. Ainda tenho uma corrida amanhã, na nossa pista. — disse Fon, e Prem ficou espantado.
— Espera... o quê? O Dao tem uma pista...? Tu és o Daonya, o dono da pista Fapha? E o Cerejinha... é o teu piloto e a tua esposa? — Prem tentava digerir a informação, olhando para um Dao que assentia.
— Po... porque é que o deixaste correr na minha pista, se ele é o teu piloto? — Prem não entendia, porque normalmente os representantes de uma pista são guardados como a menina dos olhos, para que os rivais não os aliciem.
— Bem... ao que parece, fui eu que to roubei a ti. O bebé não te queria deixar ficar mal, sem piloto. Enquanto ele for feliz, eu estou satisfeito. — respondeu Dao com um sorriso, abraçando o pequeno pela cintura.
— Pi, eu queria ter-te contado antes, mas as coisas foram como foram. Vou continuar a ser o piloto das duas pistas. Não está escrito em lado nenhum que é proibido. Se não te importares, claro. E temos mesmo de ir: precisamos de dormir bem e, de manhã, testar as motas que faltam antes da corrida. Papá, podemos convidar o Pi'Prem para vir ver a corrida, não podemos? — Fon falou com Prem num tom de desculpa e, logo a seguir, como uma criança pequena a pedinchar ao papá.
— Claro, pequenino. O Non recebe-o. Non, fica por cá e ajuda nas buscas do Lom. — Dao acenou a Non.


Non ajudou Dew a levar Kon para o hospital e, depois, apagou as imagens das câmaras em que Kon aparecia após a invasão da pista. Prem partilhou com Non o dossiê de Lom e, vendo que já era tarde, convidou-o para jantar ali na pista. Non estava mesmo com fome e aceitou.


Dao e Fon voltaram para casa, onde os esperavam na sala um Hima sorridente e um Fai de ar assustador. Hima segurava a mão de Fai e sorria, olhando para Dao — que percebeu logo porque estava Fai zangado, mas não deu sinal disso.


— Daonya! — Fai pronunciou o nome dele em voz alta, e todos os guarda-costas e criados por perto estremeceram com o tom.

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