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31 🔞 – Novo chefe (parte 1 de 2)

Uma semana depois


De manhã cedo, o Dao levou ele mesmo o seu pequenino à universidade, na Kawasaki que tinha dado ao Fon. Ao estacionar junto à entrada da faculdade, o Dao desligou o motor e tirou o capacete. As raparigas sentadas nos bancos ali perto guincharam. O Fon desceu da mota e, a entregar o capacete ao seu homem, pôs uma das alças da mochila ao ombro. O pequenino chegou-se ao Dao e, sem ligar aos outros estudantes, beijou o seu homem na bochecha, a dar a entender a toda a gente que os visse que o Dao já estava ocupado. O Dao percebeu o gesto do Husky e, quando o Fon se afastou dele, agarrou-lhe a mão.


— Pequenino, esqueceste-te de uma coisa… — disse o Dao, e puxou o Fon para os seus braços.


Abraçou-o pela cintura com um braço e, a erguer-lhe a carinha pelo queixo com o outro, beijou-o nos lábios. As mãozinhas do Fon enlaçaram-lhe o pescoço maquinalmente. As raparigas, a quem, ao princípio, o Dao tinha caído no goto, olharam para o casal, desiludidas.


— Dao… tenho de ir para as aulas… Se eu não sair agora, em vez de defender o projeto, arrasto-te para os arbustos… — disse o Fon baixinho, a esforçar-se por se controlar.
— Cof-cof… vai lá, pequenino. Não te esqueças de me escrever meia hora antes de saíres. Boa sorte, meu amor — o Dao percebia os sentimentos do Fon, porque, para ele, também era difícil largar o seu Husky.


Depois de beijar a mão do Fon, aquela em que estava o anelzinho, largou o seu pequenino. O Dao esperou que o Fon entrasse no edifício e só depois arrancou.


— Ei, tampinha! Quando é que tu trocaste o teu papá de engenharia por alguém mais velho? — soou a voz de uma rapariga que os tinha observado.
— O que tu para aí inventas na tua cabeça, Ploy, é problema teu. Não tenho tempo para discutir contigo — respondeu o Fon sem se virar para a rapariga, e foi para as aulas.


O Fon defendeu o projeto com sucesso; as aulas estavam quase a acabar, e ele mandou um SMS pelo Line ao Dao. À saída da universidade, o Fon olhou à volta, mas não viu nem a mota nem o Dao. Em compensação, estava ali estacionado um Lexus LC500 vermelho. O Husky olhou para o carro com desconfiança. A porta abriu-se, e do carro saiu o Dao, com um sorriso nos lábios, de polo castanho de gola alta e calças bege. O Fon engoliu em seco. O Dao estava diabolicamente sensual com aquela roupa. O Dao acenou-lhe, e o Fon apressou-se para o carro.


— Então não me ias buscar de mota? — perguntou logo o Fon.
— Na verdade… eu disse que te vinha buscar; em quê é que não especifiquei. Defendeste o projeto, pequenino? — o Dao olhava para o Fon com um sorriso e respondeu-lhe com outra pergunta.
— Sim, defendi. O professor gostou do meu trabalho. Ficou muito espantado quando viu no projeto as fotografias de Roma. Afinal, escolhi bem o tema: «Um olhar sobre as relações entre pessoas do mesmo sexo em vários pontos do mundo» — o pequenino, com um sorriso, pegou na mão do Dao.


O Dao até se tinha esquecido de que, quando andava a mostrar os monumentos de Roma ao seu pequenino, ele tirava fotografias estranhas… não dos próprios lugares, mas das pessoas naqueles lugares.


— Liguei ao piloto. A partida para casa dos meus pais ficou combinada para amanhã, às 12h30. Ainda tens tempo para fazeres as malas. Ah! Hoje devem entregar um casaco quente para ti. Em Moscovo está frio, e eu não quero que apanhes uma doença — o Dao prestou contas à esposa e, com um gesto, convidou-o a sentar-se ao volante.
— Porque é que tenho de ser eu a conduzir? — indignou-se o pequenino, porque estava um bocadinho esgotado da tensão do projeto.
— Porque o carro é teu. É a prenda por teres acabado a universidade — o Dao disse-o num tom tão monocórdico como se não lhe tivesse oferecido um carro caríssimo, mas um pendente barato.
— Estás doido, Dao? Eu já tenho a mota, para que é que quero um carro? — o Fon ralhou com o Dao, que logo abraçou o menino birrento.
— Porque… eu quero foder contigo lá dentro… foi a primeira coisa em que pensei quando o vi — sussurrou o Dao, e o Fon corou no mesmo instante, ao imaginar aquilo que o seu homem acabara de dizer.
— Vamos para casa. Estou cansado — o Fon mudou de assunto e sentou-se ao volante.


Chegados a casa, o Dao ajudou o Fon a fazer as malas para a viagem. Decidiu não levar muita coisa, porque lhe era mais fácil comprar tudo lá, para que, em casa dos pais, ficassem coisas da esposa dele.


🍃 🍃 🍃


Manhã seguinte


O Hima e o Fai foram ao aeroporto despedir-se do Dao e do Fon. O Fon prometeu trazer lembranças para o amigo. Iam no mesmo avião privado, para poucas pessoas. O Dao levou consigo o Leon, o Ray e o guarda-costas novo.


— Podes estar descansado: da pista tratam o Non e o Tar. Eu e o Fai passamos por lá de três em três dias — o Hima antecipou-se ao Dao, a responder de antemão à pergunta do irmão.
— Pi, vocês vão de férias. Vais ter três semanas sozinho com o Fon. Não penses em negócios. Nós cá desenrascamo-nos. Eu ajudo o Hima. Dá cumprimentos nossos à mãe e ao pai. Nós visitamo-los mais tarde — o Fai apoiou a posição do seu Gatão, e o Dao acenou que sim.


Os rapazes entraram no avião, e o Hima, a abraçar o Fai pela cintura, ficou a vê-lo descolar. Ao lado deles estavam o Kris e o Kat.


— Daqui a uma semana, tu também acabas as aulas, certo? — perguntou o Hima ao Fai em voz baixa.
— Sim… Hia… Achas que a mãe está bem? Vai ficar contente por me ver? — o Fai estava um bocadinho nervoso, porque se lembrava da facilidade com que ela o tinha entregado.
— Não te martirizes, meu menino. Daqui a uma semana vais ter as respostas a essas perguntas. Eu prometi ir contigo vê-la — o Hima beijou com ternura a bochecha do seu cachorrinho e puxou-o pela mão em direção ao carro.


O Kris observava-os com dor no coração, mas não podia fazer nada.


O Kris ia ao volante e, de vez em quando, espreitava pelo espelho retrovisor. O Fai estava deitado no ombro do Hima, que lhe fazia festas ternas no cabelo e sorria. Aquele sorriso era como centenas de agulhas no coração do Kris. Só lhe restava cerrar os dentes e ir morrendo devagar por dentro.


🍃 🍃 🍃


No avião


O Dao entrou no avião com o Fon, acompanhado pelos três guarda-costas. Desta vez, o Husky já sabia para onde ir para se deitar, porque, na véspera à noite, o Dao não o tinha deixado dormir até às cinco da manhã. O Dao acordou-o às dez, para não perderem o avião — porque, com o trânsito, o caminho até ao aeroporto levava mais de uma hora.


Depois de o avião descolar, o Husky foi logo para o quarto, tirou a camisa de cima e ficou só de t-shirt azul e uns calções de ganga compridos, azul-escuros. O jovem trocou os ténis por umas pantufas macias, porque sabia que o voo lhes ia levar umas nove horas. Tirou o portátil da mochila, para acabar um trabalho de inglês. O Husky atirou a mochila para a mesa e deixou-se cair na cama, de portátil nas mãos. 


O Fon abriu logo o processador de texto e começou a escrever um ensaio em inglês.


A primeira coisa que o Dao fez foi ligar à mãe, para os irem buscar ao aeroporto, e só depois é que foi para o quarto.


Ao entrar, o Dao viu o seu menino a teclar com afinco no portátil. O Fon estava deitado de barriga para baixo, atravessado na cama, com as pernas dobradas nos joelhos, ao alto. O Dao não conseguia despregar os olhos daquele rabinho redondo e apetitoso, que os calções de ganga realçavam tanto.


Raios… porque é que, cada vez que olho para este rabo, me apetece dar uma dentada neste pêssego doce… — pensou o Dao, a sentir a pressão dentro das calças.


O Dao tirou o casaco e ficou só de t-shirt e calças. Descalçou os sapatos e, sem calçar as pantufas, deitou-se logo ao lado do Fon na cama, a fazer-lhe festas nas costas. Um arrepio percorreu logo o corpo do Fon, mas ele não deu parte de fraco.


— Pi, tenho de acabar o ensaio, agora não… já estás com fome? Quantas vezes é que me comeste esta noite? — disse o Fon num tom queixoso, sem se virar para o Dao, a continuar a teclar.
— Quatro. Se fosse possível… eu nem sequer saía de dentro de ti… — o Dao sussurrou-lho à orelhinha, e, com aquelas palavras tão diretas, o Husky sentiu um leve formigueiro no baixo-ventre.


O Dao continuava a fazer festas nas costas do seu pequenino, a descer a mão até ao rabinho querido. 

Apertava-o, a intercalar com festas nas coxas. O Fon já sentia uma excitação bem clara, mas esforçava-se por se concentrar no ensaio.


Queres brincar… então vamos brincar… Lobo Faminto… — pensou o Fon, e fez tudo o que pôde para não ligar às carícias do Dao.


O Dao não tencionava parar; estava decidido a devorar aquele rapaz. As mãos deslizaram-lhe por baixo do corpo do Fon, até à cintura, a desabotoar-lhe os calções. O Husky até se soergueu um bocadinho, para as mãos do Dao não lhe fazerem pressão na barriga. O Dao desabotoou-lhe os calções com destreza e, a tirar as mãos de debaixo do Fon, puxou-os, com as cuecas, para fora do corpo do seu menino, a desnudar-lhe o traseiro. O Fon continuava deitado, a ignorá-lo e a teclar, embora aquilo o excitasse imenso. Agora, o Husky estava deitado na cama só de t-shirt. O Lobo voltou a deitar-se ao lado do Fon. O Dao observava a reação da sua esposa e via-lhe nos olhos a luxúria que o Fon não conseguia esconder por trás do seu ar de indiferença.


Ah, então hoje temos jogo de papéis? Ótimo… vamos lá ver quanto tempo é que aguenta a tua indiferença… — sorriu o Dao para dentro, e decidiu deixar-lhe a t-shirt vestida.


O Dao colou os lábios ao pescoço do Husky, a descer com beijos até ao ombro e, depois, pelas costas abaixo, até ao rabinho desejado.


— Ai! Dao! Dói! — gritou o Fon, quando o Lobo lhe deu uma dentada numa nádega.


O Dao limitou-se a sorrir e lambeu o sítio da dentada. Abriu as perninhas do Fon, e a sua língua deslizou até ao buraquinho do Husky. O Fon mal conseguia conter os gemidos; os dedos carregavam nas teclas mais devagar, a respiração ficou-lhe entrecortada, mas ele calou-se. O Lobo provocava-o, a passar a língua desde o buraquinho desejado, que se contraía a cada toque, até à base do membro do seu menino. 

A língua do Dao entrava no buraquinho do Fon, e aquilo punha o Husky louco. Nunca ninguém lhe tinha feito aquilo, e era diabolicamente excitante.


O Dao ergueu a cabeça e enfiou no rabinho do seu menino um dedo inteiro, de uma vez. O Fon continuou a teclar, enquanto o Dao lhe movia o dedo lá dentro. O Lobo acrescentou um dedo, depois outro, e continuou a movê-los, a sentir o canal da sua esposa querida a apertar-lhe os dedos. O Fon ergueu ligeiramente as ancas, a deixar o Dao entrar mais fundo e, a morder o lábio, não deixou escapar um único som. Aquele rapaz impassível e calado, que continuava a teclar, estava a fazer do Lobo um louco varrido.


O Dao despiu a roupa num instante e, a abrir as perninhas do Fon com as suas pernas, enfiou-lhe a cabeça do membro. A inclinar-se um bocadinho para a orelhinha do seu Husky, o Dao olhou para o ecrã do portátil e sussurrou:


— Pequenino, tens um erro no terceiro parágrafo. Deixa-me corrigir…


O Dao esticou-se para o teclado do portátil,  e o membro entrou-lhe por inteiro no rabinho apertado. O Fon estava a um fio de deixar sair um gemido, mas conteve-se. O Lobo limitou-se a sorrir, a observar o comportamento do Fon, porque aquele jogo do silêncio o excitava. Corrigiu o erro no texto e voltou a soerguer-se, apoiado nos joelhos. O Dao começou a mover as ancas sem pressa, a saber muito bem que o seu menino gostava era de mais depressa. Queria ver quando é que a paciência do Husky ia esgotar-se e o pequenino ia começar a implorar-lhe que o fodesse.


O Dao movia-se devagar, quase a sair e a voltar a enfiar o membro até ao fundo. O Fon virou-se um bocadinho de lado, para a penetração ser ainda mais funda. A perninha esguia ergueu-se-lhe um pouco, e agora o Lobo tinha à vista o membro excitado da sua esposa. Pegou no membro do Fon com a mão e começou a movê-lo no mesmo ritmo do seu membro dentro do rabinho. O Dao não tencionava acelerar: continuava com o mesmo movimento monocórdico.


— Mmm… quando estás assim tão concentrado… é muito excitante, pequenino… — gemeu o Dao, a provocar o Fon de propósito.


O Fon continuava a teclar, embora o cérebro já lhe funcionasse muito mal. Um geminho leve escapou-lhe dos lábios, a arrancar um sorriso satisfeito ao Lobo. O Dao observava com prazer o seu menino a tentar conter-se. Embora tivesse sido o próprio Fon a mudar de posição, num aviso subtil ao Dao, o Lobo não tinha pressa nenhuma. Os movimentos lentos e suaves excitavam o Dao ainda mais, à medida que o rabinho do seu menino querido lhe apertava o membro com mais força.


O Lobo já brincava com o seu Husky há quase duas horas. A mão parava-lhe de tempos a tempos, quando sentia que o seu menino estava perto do orgasmo. O Fon já estava a ficar louco, cheio de vontade de finalmente se vir. Já não aguentava, porque os movimentos suaves do seu homem começavam, cada vez mais, a acertar no ponto sensível lá dentro. Era como se o Dao o atormentasse de propósito.


— Foda-se, Dao! Fode-me! — gemeu o Fon, e o Dao sorriu.
— Meu amor, e o que é que tu achas que eu estou a fazer neste momento? Não tenho pressa nenhuma: ainda temos, no mínimo, sete horas de voo pela frente — o Lobo continuava a provocá-lo.


O Fon percebeu que o Dao o estava a provocar e pôs-se de gatas. O pequenino deu um safanão brusco para a frente, e o membro do Dao saiu-lhe de dentro. O Lobo olhou para o seu Husky como se não percebesse o que se passava.


— Já estou farto dos teus jogos, Dao! — o Fon virou-se de cara para ele e, a empurrá-lo no peito, fez o Dao cair de costas na cama.


O Fon montou-o num instante, a enfiar o membro do Lobo no seu rabinho.


— Ah… sim… — gemeu o Husky quando começou ele mesmo a cavalgá-lo, no ritmo que ele queria.


O som das pancadas bruscas dos dois corpos espalhava-se pelo quarto, ao ritmo dos gemidos do Fon. Agora, o Fon percebia que não era ele que brincava com o Dao, era o Dao que brincava com ele. Aquele homem era tão insaciável que o próprio Fon, às vezes, se punha a pensar: se ele deixasse o Dao fazer sexo com ele o tempo todo que o seu Lobo faminto quisesse, quantas horas é que aquilo ia durar?


O Dao estava deitado na cama, de mãos debaixo da cabeça, a observar a sua esposa sensual a cavalgar-lhe o membro. A t-shirt estava molhada em alguns sítios, porque o Husky suava. Colava-se-lhe ao corpo esguio em vários pontos, o que tornava o Fon ainda mais sensual.


— Meu amor… estás diabolicamente lindo, neste momento… — o Dao disse-o em voz alta, e o Fon, a olhá-lo nos olhos, debruçou-se para a frente a beijá-lo.


O Dao entrou-lhe na boquinha pequena, a chupar a linguinha do Fon. As mãos abraçaram num instante o corpo pequeno em cima dele, a apertar o Husky ainda mais contra si. As ancas do Lobo puseram-se a mexer num ritmo rápido, e por isso o seu Husky gemeu ainda mais alto.


— Mmm… Mmmm… Ahhh… — o Fon gemia cada vez mais alto, enquanto o Dao o fodia cada vez mais depressa.
— Sim… meu amor… já… — o Dao, a arrancar-se dos lábios do seu menino, gemeu com a voz rouca, e a carinha do Fon caiu-lhe no ombro.


O Fon gemia cada vez mais alto. Com as estocadas bruscas do Lobo, o membro do Husky roçava entre as barrigas dos dois, a aproximá-lo do tão desejado clímax.


— Ooooh… Dao… aaaah! — o corpinho pequeno estremeceu com um orgasmo intenso, e o rabinho pulsava, a apertar o membro lá dentro.
— Siiim… meu menino doce… ahhh… — o Dao veio-se logo a seguir ao Fon, com um gemido alto.


Os dois ficaram espantados com o quão fora do vulgar tinha sido aquele orgasmo. A respirar com dificuldade, ficaram ali abraçados, durante um tempo.


— Dao… não… chega… tenho de acabar o ensaio… uf… — gemia o Fon, quando o membro do Lobo voltou a ficar teso e começou a mover-se-lhe no rabinho.
— Só mais uma vez, meu amor… por favor… ah… nunca tenho o suficiente de ti, pequenino… — implorava o Dao, e o coração do Fon rendeu-se.
— Só um assalto, Dao. Se não fores capaz de parar, deixo-te uma semana sem sexo! — ameaçou o Fon.
— Sim, meu soberano, eu aceito — o Lobo rendeu-se, porque amava aquele rapaz de toda a alma.


O Dao cumpriu a palavra e libertou o Husky dos seus braços hora e meia antes da aterragem, ao fim de um único assalto.


🍃 🍃 🍃


O dia da defesa do projeto do Fai


O Kat levou o Fai à universidade, de carro. Desde que tinha ativado o Smart, o Fai andava sempre com o auricular consigo. A notificação de atividade da sua criação era única no telemóvel, para não se confundir com outros sons. Mal ouvia o alerta, o Fai punha o auricular. Na semana anterior, o Smart tinha ajudado na triagem das fichas dos candidatos para as minas compradas no leilão. Por isso, agora, em todos os gabinetes de trabalho do Hima havia uma câmara apontada para a secretária, para o Smart ter acesso à informação no monitor ou nos documentos em papel.


O Fai saiu do carro e encaminhou-se para o auditório.


⚠️ Tlim-tlim.


📡 ‹Chefe. Hoje é o dia da defesa do projeto. Boa sorte. Se precisar de ajuda, estou aqui.›


— Obrigado, Smart — o Fai sorriu por ver que a sua criação assimilava cada vez mais o estilo de comunicação de um ser humano.


O Smart continuava a aperfeiçoar-se. Comçou a imitar as entoações, a perceber piadas mais subtis, e a adaptar-se cada vez mais ao comportamento do seu criador. Agora, o Fai já nem precisava de pedir para procurar informação: o próprio Smart analisava as situações e fornecia os dados necessários.


O Fai estava nervoso. E estava nervoso não tanto por causa do projeto, mas por causa do encontro com a mãe.


O Smart criou um assistente de voz inteligente, que operava a toda a velocidade com a informação da internet. O Fai pediu que lhe fizesse uma voz feminina agradável e chamou-lhe Laila.


A apresentação da Laila correu às mil maravilhas. O professor ficou muito interessado. Fez muitas perguntas, a que o Fai respondeu por si.


📡 ‹Chefe, o segundo chefe já está à espera no estacionamento.›


O Fai saiu da universidade e, a tirar o auricular do ouvido, guardou-o no bolso de cima da camisa. Viu o carro e foi na direção dele. O Kris saiu do carro e abriu a porta ao Fai. Ao volante ia o Kris, e o Mix estava sentado ao lado dele. O cachorrinho entrou no carro, onde o seu Gatão já o esperava. O Fai ficou espantado com o aspeto dele. O Hima estava com umas calças cinzentas de algodão, das do costume, e uma t-shirt verde-azeitona. Tinha o cabelo apanhado num carrapito. Naquele momento, tinha o mesmo ar de quando estava em casa: querido, caseiro, quentinho. O Fai sorriu-lhe e beijou-o na bochecha.


— Defendi o projeto, Hia. O professor encheu-me de perguntas, mas eu safei-me! — contava o Fai, todo entusiasmado, e o Hima pousou-lhe logo a mão no ombro e apertou-o contra si.
— Eu nunca duvidei de ti, meu menino esperto. Vamos a casa da tua mãe? — disse o Hima, e o Fai acenou que sim.
— Kris, vamos a casa da mãe do Fai. Ah, passa pelo restaurante mais próximo, para levarmos comida. O Fai ainda não comeu — pediu o Hima, e o Kris acenou que sim.


Quando o Kris parou junto ao restaurante, foi o próprio Fai que saiu a comprar a comida, com o Mix. O Hima seguia-os com o olhar, do carro. O Mix segurava os sacos da comida.


De volta ao carro, foram diretos a casa do Fai. O carro parou diante da casa, e o Fai sorriu.


O aspeto exterior da casa estava composto. A relva estava bem aparada, e ao longo das janelas cresciam flores.


— Estás pronto, meu menino? — perguntou o Hima, a pegar na mão do seu cachorrinho, que estava húmida.
— Nervoso? — o Hima, com a outra mão, fez-lhe uma festa na cabeça, e o cachorrinho acenou que sim.


O Kris abriu a porta do lado do Fai, e o cachorrinho saiu do carro primeiro — mas não conseguia obrigar-se a dar um passo em frente. O coração batia-lhe descompassado quando sentiu calor na sua mão: o Hima tinha-lha pegado.


— Vamos. Eu estou aqui ao teu lado — disse-o o Gatão num tom terno.


O Hima olhava para o seu menino, que se virou de cara para ele. Estavam ao pé do carro; o Kris atrás das costas do Fai, junto à porta do condutor, e o Mix a contornar o carro, em direção ao Hima.


⚠️ Tlim-tlim.


O Fai largou a mão do Hima e esticou-a para o bolso da camisa, para tirar o auricular. Nesse momento, o Kris deu um passo atrás e encostou-se ao carro. Com o canto do olho, o Hima viu qualquer coisa brilhar mais à frente, no passeio, com a luz do sol, e virou instintivamente a cabeça na direção do clarão. O Fai tirou o auricular do bolso e enfiou-o no ouvido. O Hima agarrou o Fai e, a abraçá-lo com força, girou com ele, tão depressa que o Fai ficou no lugar onde o Hima estava antes.


💥 BANG!


📡 ‹Chefe, cuidado!›


O som do tiro e as palavras do Smart soaram quase ao mesmo tempo… O Fai sentiu uma dor aguda no ombro. O Hima continuava a segurá-lo com muita força, e o Fai sentiu humidade e calor no ombro.


— Chefe! — gritaram o Kris e o Mix, que se atiraram logo para o Hima.


📡 ‹Chefe, o atirador está a fugir. O segundo chefe está ferido.›


— Chamem uma ambulância! Depressa! — gritou o Fai, quando sentiu as mãos do Hima a enfraquecerem-lhe no corpo, e o Gatão a escorregar por ele abaixo, a espetar o queixo no ombro do cachorrinho.
— Hima… não… snif… não feches os olhos, ouviste… — gritava o Fai, a amparar o Hima, que sangrava, a baixar-se devagar com ele para o chão.


O Fai sentou-se, a segurar o Hima nos braços. Pelas bochechas corriam-lhe lágrimas, as mãos tremiam-lhe, e o coração despedaçou-se-lhe quando viu sangue nas suas mãos. O Kris, com a mão a tremer, marcou o número da urgência.


📡 ‹Chefe, avisei a urgência. A ambulância chega dentro de sete minutos. Tem de fazer pressão sobre a ferida. Pelo que consigo ver pela câmara do poste, à esquerda, pela trajetória da bala e pelo ponto de entrada, o segundo chefe está com uma hemorragia forte. Se não fizer pressão sobre a ferida, ele não chega vivo à chegada da ambulância. A bala saiu do outro lado e ficou alojada no seu ombro.›


O Hima olhava para o seu menino com o olhar enevoado, a perceber que talvez o estivesse a ver pela última vez. A cabeça começou a andar-lhe mais à roda; o Gatão sentia fraqueza e sono.


Ele sabia que um dia morreria, mas não pensava que fosse acontecer tão depressa. Tudo o que ele lamentava agora era ter conhecido o Fai tarde de mais. Tinha passado muito pouco tempo com ele. 


Naquele momento, como nunca antes, ele queria viver. O Hima não podia deixar o seu menino sozinho. Se morresse, o que seria do Fai? Aguentaria ele a sua morte?


— Que raio estás tu aí parado? Tira o casaco, eu preciso de fazer pressão na ferida — ou queres que ele morra aqui mesmo? — gritava o Fai para o atordoado Kris, enquanto o Mix, num frenesim, despia o casaco.
— Fai… — sussurrou o Hima, e o Fai debruçou-se sobre ele.


O Hima sussurrou-lhe qualquer coisa, e o Fai ergueu a cabeça para o Kris. O Hima abanou ao de leve a cabeça e disse-lhe mais umas quantas frases.


— Chefe. Tome — o Fai arrancou-lhe o casaco das mãos e seguiu as instruções exatas do Smart.


Cof-cof.


— Amo-te, Fai… — o Hima começou a tossir sangue; os olhos do Fai pareciam encharcados na dor da pessoa que amava.


A alma dele espatifou-se em mil cacos ao ver o rosto cada vez mais pálido do Hima, que, um instante antes, tinha fechado os olhos — e o corpo, nos braços do Fai, ficou mole.


— Hia… não… não feches os olhos… não… Hia… fica comigo… — gritava o Fai, a esforçar-se por não sacudir o corpo do Hima.


Foram os sete minutos mais longos da vida do Fai. Ao longe, ouvia-se o som de uma ambulância a aproximar-se. O cachorrinho não a ouvia, tal como não ouvia aquilo que o Kris e o Mix lhe diziam. O Fai não conseguia pensar em nada; só mantinha as mãos sobre a ferida do seu homem, com medo de deixar de sentir o subir e descer do peito dele a respirar.


Cada inspiração e cada expiração do Hima matavam e ressuscitavam o Fai ao mesmo tempo. O Fai esperava, aterrorizado, por cada inspiração e cada expiração, cheio de medo de que pudessem ser as últimas. Aquela incerteza estava a matá-lo. As lágrimas corriam-lhe pelas bochechas; ele olhava para o seu homem e sentia uma dor esmagadora no peito.


— Hia… estás a ouvir-me… Hia… antes tivesse sido eu… — gritava o Fai, a apertar contra si o corpo do Hima e o casaco contra a ferida nas costas dele.


O Fai estremeceu quando uma mão lhe pousou no ombro, e virou a cabeça. Ao ver o médico, o cachorrinho desatou a soluçar ainda com mais força.


— Khun… nós temos de o observar. Há quanto tempo é que isto aconteceu? — o médico olhava para o jovem a soluçar e decidiu perguntar às pessoas que estavam ao lado deles.


O Kris não conseguia dizer uma palavra.


— Dispararam sobre ele. Passaram oito minutos desde o tiro. Perdeu os sentidos há três minutos. Fiz pressão sobre a ferida para reduzir a perda de sangue até vocês chegarem — respondeu o Fai num tom monocórdico; as lágrimas continuavam a correr-lhe pela cara, mas ele sabia que, agora, tinha de se dominar por causa do Hima.


Dois médicos vieram a correr com uma maca e levaram o corpo do Hima para a ambulância. O médico olhou para o Fai e viu-lhe a ferida no ombro.


— O senhor tem de ir ao hospital. Também precisa de ser assistido — disse o médico, a ajudar o Fai a levantar-se.
— Primeiro tratem dele; se ele morrer, eu processo-vos! — disse o Fai ao médico num tom severo, e o médico ficou em choque.


Um minuto antes, aquele rapaz chorava a bom chorar, e agora o tom dele metia medo. O médico entrou depressa na ambulância, e a urgência arrancou.


— Mix… leva-me ao hospital e liga ao doutor Dew, para ele ir para lá imediatamente! — ordenou o Fai, e o Mix, com um aceno, marcou o número do Dew.


— Mas… Khun Fai… nós não sabemos para que hospital é que levaram o chefe — admitiu o Mix baixinho, a perceber que, naquele momento, era melhor calar-se.


📡 ‹Chefe. A ambulância foi para o Hospital XXX. Fica a dez minutos de carro.›


— Vamos para o Hospital XXX — ordenou o Fai, e o Mix sentou-se depressa ao volante.


O Kris foi contornar o carro, mas o Fai deteve-o.


— Tu não vens, Kris. Ficas aqui a resolver a questão com a polícia. Não quero que isto vá parar às notícias. 

Depois volta para casa. Percebeste? — o Fai deu-lhe a ordem num tom áspero.


— Quem és tu para me dares ordens? — o Kris indignou-se com a insolência do Fai.

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