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30 🔞 – Leilão (parte 2 de 2)

Quatro horas depois


— Uff… Para, Fai… Fai… ahhh… não é com tanta força… Fai… — rouquejava o Hima, com a voz sumida dos gritos, porque, durante todo aquele tempo, o Fai não tinha parado.


Nesse tempo, o Fai já tinha fodido o Hima três vezes, e este era o quarto assalto, para o qual o Gatão já não tinha forças. Fizeram amor na cama, na cómoda, no jacúzi, à janela. Mas o Fai continuava sem conseguir parar… Aquele homem punha-o louco com tanta força que o cachorrinho não sentia o cansaço.


— Eu prometo… este assalto é o último por hoje, querido… — dizia o Fai, ofegante, a continuar a foder furiosamente o Hima, que estava na posição de gatinha, de traseiro erguido e o tronco todo deitado na cama molhada de suor.
— Ahhh… Pequeno aldrabão… isso disseste tu… ohh… há dois assaltos… — a voz do Hima quase não se ouvia, por causa das pancadas sonoras das ancas do cachorrinho contra o rabinho suado e afogueado do Gatão.
— Ah… não resmungues… ou achas que estou a ser meiguinho de mais? Então… — o Fai não acabou a frase: agarrou o Gatão pela cintura e pôs-se a mover as ancas ainda com mais dureza, a enterrar-se naquele traseiro apetitoso até à base e a sair quase por inteiro a cada movimento.
— Ahhh… Fai… ohhh… eu vou-me vir já… — tentava gritar o Hima, enquanto o membro do seu menino lhe passava, vezes sem conta, pelo ponto sensível lá dentro.


O corpo inteiro lhe tremia e não obedecia ao cérebro. O Hima estava tão perto do orgasmo que se vergou ainda mais para baixo, para o Fai lhe entrar ainda mais fundo.


— Tu pedes-me para parar, ahhh… mas o teu corpo… Mmmm… está a exigir mais… — proferiu o Fai, com a respiração desfeita.


Raios… vem-te de uma vez… fera selvagem… — pensou o Hima, e apertou de propósito as paredes do seu canal, a saber perfeitamente que isso ia aproximar o seu menino do clímax.


O Fai sentiu o membro ser apertado com mais força e, com as investidas rápidas no rabinho justo do seu Gatão, aproximava-se de um orgasmo apoteótico.


— A brincar comigo… é… Gatinho… Ahhh… então vamos brincar… ahhh — gemeu o Fai, e uniu as pernas do Hima uma à outra, a aumentar ainda mais a fricção.
— Uffff… Fai… eu… já… — gemeu o Hima e, a ajudar-se com a mão, veio-se.
— Ohhh… Siiim… — o Fai deu ainda umas estocadas fundas e rápidas, e o líquido branco jorrou mais uma vez para dentro do preservativo.
— Queres que te ajude a lavar, Gatinho? — o Fai debruçou-se para a orelhinha do Hima e perguntou-lho com meiguice.


O seu peito molhado e pegajoso colou-se às costas do Gatão, e o Hima desabou na cama.


— Agora já me deves oito assaltos, menino mau… — sussurrou o Hima, e o Fai sorriu com malícia.
— Estás enganado, Hia. Eu só te devo dois. Tu mesmo o disseste: «Por cada assalto no meu traseiro HOJE… eu fodo-te duas vezes.» O primeiro assalto, começámo-lo ontem, pouco depois das dez da noite — e acabámo-lo hoje, às 00h14 — disse-o o Fai numa voz meiga, a sublinhar a palavra «hoje», e o Hima percebeu que o pequenino se agarrava à letra das palavras, embora tivesse razão.


Raios… Agora ainda tenho de escolher as palavras a dedo… Malandro atento… — pensou o Hima, mas decidiu não o dizer em voz alta.


— Vai tu primeiro ao duche… Eu vou ligar a pedir que mudem a roupa da cama. Vou ter contigo daqui a um bocadinho… Ah… Fai… Tu prometeste… — rouquejou o Hima, quando o Fai lhe lambeu o pescoço, desde as costas.
— Cof-cof… está bem… Deixa-me ir encher-te a banheira, e depois volto para te vir buscar — o Fai não tencionava fazer sexo com ele outra vez; só queria provocá-lo um bocadinho.


O Fai seguiu para a casa de banho, e o Hima ouviu o correr da água.


Raios… Este rapaz ainda me põe doido — ou me fode até à morte… Não posso voltar a deixá-lo fazer uma coisa destas… Oh… Amanhã, eu consigo levantar-me da cama, ou não? — pensou o Hima, a virar-se de costas e, ligeiramente apoiado na cabeceira, pegou no telemóvel da mesa de cabeceira para chamar o pessoal do hotel.


Estava quase a acabar a chamada quando viu, à porta da casa de banho, o seu cachorrinho a observá-lo. O Fai aproximou-se dele e estendeu-lhe a mão. O Hima pousou a palma na mão do Fai, porque as pernas lhe tremiam.


O Fai ajudou o seu Gatão a levantar-se e levou-o para a casa de banho. Cumpriu a palavra e não voltou a atirar-se ao Hima. Ajudou-o a lavar-se. E fazia-o com uma ternura e um desvelo tais que o Hima não conseguia acreditar que aquele cachorrinho querido lhe tinha martirizado o traseiro, como uma fera selvagem, durante quase sete horas seguidas.


— Fai… — tentou falar o Hima, com a voz sumida; mas o Fai pousou-lhe logo o indicador nos lábios.
— Chiu… não digas nada, deves estar com a garganta dorida. Eu vou pedir que tragam ao quarto um chá com limão e mel, e um anti-inflamatório. Desculpa… — o Fai falava numa voz terna, com um toque de arrependimento, sem parar de lavar o corpo do Hima.


O Fai saiu da casa de banho, com um roupão pelas costas, mesmo quando estavam a mudar a roupa da cama. Pediu em inglês o chá e os comprimidos, e a rapariga, de cara afogueada, acenou que sim. Acabou o serviço e trouxe num instante o que o Fai tinha pedido.


O cachorrinho levou o chá consigo para a casa de banho e estendeu a caneca ao Hima. O Hima ficou deitado na banheira, a beber o chá. Depois do banho, o cachorrinho ajudou-o a chegar à cama e estendeu-lhe os comprimidos e a água. O Fai deitou o Gatão na cama e tapou-o com o edredão. O Hima estava tão esgotado que adormeceu quase no mesmo instante.


O Fai tomou um duche, vestiu-se e voltou para a cama.


— Desculpa, Hia… eu deixei-me levar de mais… és tentador de mais, sabias? — sussurrava o Fai ao Gatão adormecido, a passar-lhe com ternura as costas da mão pela bochecha rosada do Hima e, abraçado a ele, deitou-se a dormir.


🍃 🍃 🍃


No dia seguinte, acordaram quase às duas da tarde. O traseiro do Hima doía um bocadinho, mas espantosamente, ele conseguia sentar-se e andar quase normalmente, havia só um ligeiro desconforto. 

Encontraram-se com o Dao e o Fon por volta das quatro da tarde, e foram mostrar aos meninos os monumentos de Roma. À noite, os rapazes passaram por um restaurante, comeram e voltaram para o hotel. Com os passeios longos, estavam todos cansados e adormeceram depressa.


🍃 🍃 🍃


O dia do leilão


Desde manhã cedo que o Dao, o Hima, o Jah e o Anton se preparavam para o leilão. Escolhiam com todo o cuidado os lotes, de entre os anunciados de antemão, e o valor máximo a dar por cada um.


O Tadao, como de costume, tratava de escolher os trajes para eles, e agora, já agora, também para o Fon e para o Fai. Levou os rapazinhos à loja onde costumavam comprar os fatos. O Tadao adorava este tipo de idas às compras. Ajudou os casais a escolher fatos a condizer,  e, ao Anton, um fato de arromba, para lhe arranjarem esposa mais depressa.


— Fon… acho que, antes do leilão, é melhor passares por mim… e o teu marido também… houve aqui alguém que exagerou de mais esta noite… — o Tadao olhou para o pescoço do Fon e lembrou-se logo do Hima.


Nos pescoços dos dois viam-se, bem nítidas, as marcas vermelhas de uma noite tempestuosa. Os rapazinhos coraram, e o Tadao só se ria.


Depois das compras, os três voltaram ao hotel, onde os quatro amigos já os esperavam. O leilão começava às seis da tarde. Por isso o Tadao, que era estilista de profissão, decidiu encarregar-se do aspeto dos amigos: esconder com corretor os rastos da paixão, fazer os penteados, ver se os fatos assentavam como deviam.


O caminho até ao local do leilão levava só trinta minutos. Saíram uma hora antes do início do evento.


O Fai e o Hima iam de fato bordô e camisa azul-celeste, ambos de gravata bordô ao pescoço. Ao Fon e ao Dao assentava na perfeição um fato azul-escuro, com gravata da mesma cor e camisa branca. O Tadao e o Elijah escolheram um fato bege e uma camisa vermelha, com um elegante laço. O Anton ia de fato cor de coral, camisa branca e gravata azul-escura.


Os sete homens saíram da limusina diante do maior salão de banquetes de Roma e entraram, a atrair de imediato as atenções dos transeuntes e dos outros participantes.


A mesa deles estava reservada de antemão, praticamente no centro da sala, de onde se abria uma vista perfeita para o palco em que os lotes iam ser apresentados. O Tadao sentou-se primeiro, no grande sofá semicircular à volta da mesa; ao lado dele, o Jah. A seguir, o Dao, o Fon, o Anton, o Hima e o Fai.


O empregado de mesa trouxe as bebidas e pousou-as na mesa, diante de cada participante. O Fai já tinha posto o auricular no hotel, para o caso de vir a ser precisa a ajuda do Smart. As pessoas começavam a chegar e a ocupar os seus lugares. Muitos aproximavam-se para cumprimentar os homens da mesa, mas os guarda-costas não deixavam ninguém chegar sem autorização.


— Smart. Informação sobre o leilão e sobre os participantes, conforme for preciso. E, se for possível, câmaras para vigiar — o Fai disse-o baixinho: à volta havia gente a conversar e música a tocar, por isso ninguém à mesa o ouviu.


📡 ‹Sim, chefe. Treino concluído a 100%. Modo livre ativado. A verificar a possibilidade de ligação discreta às câmaras. Informação sobre os participantes e os lotes recebida.›


— Pi'Hima, olá — ouviu-se uma vozinha feminina, e o Hima olhou para o Fai.


O Fai não via a rapariga, mas a voz pareceu-lhe conhecida.


📡 ‹Yufa Kahlan. Vinte e três anos. Solteira. Filha única de San Kahlan. A mãe morreu há treze anos.›


O Fai acenou, e o Ray e o Leon afastaram-se, a deixar a rapariga aproximar-se da mesa.


— Pi Yufa, há quanto tempo. Estás aqui com o teu pai, Pi? — cumprimentou-a o Fai com um sorriso.


O Hima olhou para o Fai, espantado, porque não sabia que eles se conheciam. O Fai virou-se para o Hima e viu-lhe a pergunta nos olhos.


— Oh, Hia, desculpa: esqueci-me completamente de te dar os cumprimentos da tua Nong. Eu e a Pi conhecemo-nos quando eu andava nas compras com a mãe. Não pensei que fosse encontrá-la aqui — explicou o Fai, enquanto o Hima lhe pousava a mão na cintura.


📡 ‹A julgar pela frequência com que o peito da rapariga sobe e pela força com que os dedos dela apertam a alça da malinha, ela está zangada.›


— Ah. Desculpa, Pi. Tu vieste cumprimentar o Hima. Mas nós aqui somos sete. O teu pai não te ensinou as normas da etiqueta? — continuou o Fai, e o Hima sorriu ao de leve com as palavras dele.
— Ei! Eu já te disse para não me chamares Pi! Vim cumprimentar o Hima. Isso não é nada contigo! — a Yufa saiu dos eixos quase no mesmo instante.


Os guarda-costas deram um passo em frente, mas o Fai ergueu a mão, a proibi-los de se aproximarem. 

Os seis rapazes à mesa observavam a cena com interesse.


— Não gostas que eu te chame Pi? Ótimo: eu não gosto que te portes como uma ordinária, a namoriscar com o marido dos outros. Oh! Já sei a saída perfeita para a situação: volta para a tua mesa e vai à internet pesquisar o que são a «etiqueta» e a «decência» — o Fai disse-o com um sorriso, mas o tom não tinha nada de gentil.


O cachorrinho fez um aceno à segurança. O Leon e o Ray estavam em choque com o tom e com as palavras do Fai, mas perceberam o sentido do gesto.


— Khun Yufa, é melhor voltar para a sua mesa — repetiu o Ray.


A rapariga passou-se dos carretos e marchou, ameaçadora, até à sua mesa, a martelar o chão com os saltos agulha.


— Hima… de certeza que este é o Fai com quem tu vieste? Ou tens dois? — brincou o Jah.
— Merda… Jah… se fossem dois — eu morria — respondeu o Hima com franqueza, a lembrar-se da noite no hotel.
— Fai… com que é que tu assustaste assim o meu amigo? — quis saber o Tadao, a rir baixinho.
— Tadao, eu só… carreguei um bocadinho de mais na dose… — o Fai disse-o com segundas, e o Hima corou um nadinha, quando percebeu do que o Fai estava a falar.


O Hima debruçou-se para a orelhinha do Fai e sussurrou:


— Se tu a isso chamas «um bocadinho», eu não quero saber o que será «de mais»…


O Fai sorriu e encolheu os ombros. Aproximou-se da mesa deles um homem de fato preto e camisa vermelha. Aparentava uns quarenta anos: uma barbicha curta e bem aparada, cabelo castanho-claro, olhos verdes. Na mão, uma taça de champanhe. Ao lado dele, dois guarda-costas. Ele mesmo parou junto dos guarda-costas do Hima; ao vê-lo, o Jah acenou, a autorizar que o deixassem passar.


— Olá, Elijah. Há quanto tempo — proferiu o homem numa voz grave.


📡 ‹Martin Kalen. Quarenta e dois anos. Esposa: Margaret. Tem uma filha de cinco anos, a Bella. Empresário. Concorrente do Elijah. Se precisar de informação mais detalhada sobre o Martin — acene.›


O Fai acenou ao de leve.


— Olá, Martin. Vieste divertir-te ao leilão? — o Elijah respondeu num tom bem seco.


📡 ‹Foi isto que consegui encontrar. Convém ter cuidado com ele. O Martin fez uma aliança com o San Kahlan para se livrar das pessoas da vossa mesa. Estão aqui para comprar uma mina de ósmio na Tanzânia. Lote número dezassete. Veio a Roma sozinho. Material comprometedor: o Martin teve relações sexuais com a Yufa várias vezes. Tem com a esposa um contrato pré-nupcial segundo o qual quem trair deve ceder à outra parte 51% das suas participações em todas as empresas. Em caso de violação do contrato, o casamento dissolve-se, e a parte lesada tem o direito de proibir o infiel de ver a filha.›


— Vejo que a companhia aumentou. Quem são eles? — o Martin olhou para o Fai e para o Fon, e o olhar demorou-se no Fon. O Fai reparou.
— Oh. Senhor Martin, veio sozinho para Roma? Ai… desculpe esta pergunta pateta. O senhor já tem «entretenimento» para a noite, não já? Não tem medo de que a Margaret descubra? E não devia comer o meu amigo com os olhos assim tão às claras. O Dao não gosta que lhe dispam o namorado com o olhar — perguntou o Fai com um sorriso, numa voz calma, a desviar o olhar para a mesa da Yufa e do San.
— De que é que está a falar? — o Martin percebeu muito bem do que aquele fedelho falava; o que lhe interessava era de onde ele o tinha sabido.
— Eu acho que o senhor me percebeu perfeitamente. É melhor voltar para a sua mesa; nós gostaríamos de aproveitar a noite num ambiente agradável, entre amigos — o Fai continuava a sorrir, e à mesa estavam todos sem conseguir dizer palavra, em choque.


O Martin decidiu voltar para a sua mesa — para ir descobrir informação sobre aquele rapazinho atrevido.


— Fai… o que é que foi isto agora? — quis saber o Hima porque, enquanto o seu pequenino despejava factos, o Gatão puxava desesperadamente pela memória — e não, ainda não lhe tinha falado do Martin.
— Vocês precisam do lote dezassete, certo? — perguntou o Fai, e o Jah acenou que sim. — Ele também precisa dele — proferiu o Fai, sem se alterar.
— Como é que sabes, Fai? Conheces o Martin? — quis saber o Tadao, sem perceber nada.
— Oh, não. É a primeira vez que o vejo. É que… eu preparei-me para as surpresas — respondeu o Fai com um sorriso.


📡 ‹Chefe. O Martin está à procura de informação sobre si. Escondi os seus dados da pesquisa aberta o melhor que pude.›


— Obrigado, Smart — sussurrou o cachorrinho, e sentiu a mão do Hima na sua mão.


— Depois do leilão, nós temos de falar, pequenino — o Hima debruçou-se para ele e disse-lho baixinho.


A apresentadora subiu ao palco e anunciou o início do leilão. Aos rapazes interessavam-lhes o já referido lote dezassete — a mina de ósmio —, o lote onze — uma mina de escândio na Noruega — e o lote vinte — uma mina de diamantes na Lacútia.


De vez em quando, licitavam noutros lotes, só para irritar o San ou o Martin.


— Lote número oito. Um anel de platina, banhado a ródio, de uma beleza espantosa, com pedras de grandidierite* incrustadas. Valor de partida: cem mil dólares — a apresentadora apresentou o lote, e o Fon virou-se para ver, porque nunca tinha ouvido o nome daquela pedra.


(N. da A. : a grandidierite é um mineral raro, de cor azul-esverdeada, verde-azulada ou entre o azul e o verde. As grandidierites lapidadas existem hoje em quantidades extremamente limitadas: em todo o mundo, contam-se cerca de duas dezenas destas pedras. O valor aproximado deste mineral único ultrapassa os trinta mil dólares por quilate.).


O Husky ergueu a cabeça para o ecrã grande e ficou imóvel: o anelzinho era tão bonito. As pedrinhas pequenas reluziam à luz, num tom verde. O Fon não conseguia tirar os olhos dele — e o Dao reparou. 

Ergueu da mesa a raquete com o número.


— Cento e cinquenta mil. Do senhor Dao, na mesa três — comentou a rapariga, e o Fon virou-se para ele.
— Duzentos mil — a Yufa subiu a licitação.
— Duzentos e cinquenta mil — continuou o Dao.
— Trezentos mil — o Martin subiu a parada.
— Quatrocentos mil — atalhou o Dao.
— Quatrocentos e cinquenta mil — o Martin sabia que não precisava do anel para nada; mas queria muito que aquela companhia da mesa três gastasse mais dinheiro.
— Quinhentos mil — o Dao queria levar aquele anel.
— Quinhentos mil, uma. Quinhentos mil, duas. Quinhentos mil, três. Vendido ao senhor Dao, na mesa três — a rapariga fechou a licitação, e o Dao sorriu, satisfeito.
— Uau… tu gostas mesmo do Fon! — provocou-o o Elijah.
— Eu não gosto dele, Jah… — respondeu o Dao, seco, e o Husky franziu a testa no mesmo instante.
— Eu amo-o! — continuou o Dao, e beijou a bochechinha do Fon.
— Ah-ah-ah… Pequeno Fon, o que é que tu fizeste ao meu amigo? Nem precisaste de pedir: ele viu-te olhar para o anelzinho — e comprou-o — o Tadao gozava mais com o Dao do que com o Fon.


No leilão, os rapazes levaram todos os lotes que queriam. O Martin e o San tentaram cobrir o lance do ósmio, mas os rapazes ofereceram sempre mais. O Elijah e o Dao saíram para tratar da papelada das aquisições. E o Hima arrastou o Fai para a casa de banho.


— O que é que nós viemos aqui fazer? — quis saber o Fai.
— Conta-me tudo! — respondeu o Hima num tom severo.


Estava furioso por o Fai ter atraído as atenções da Yufa e do Martin. Isso queria dizer que o seu menino podia agora estar em perigo.


— Tu arrastaste-me para a casa de banho só para isto? Vamos falar no quarto. Eu conto-te tudo. Não te parece que aqui até as paredes têm ouvidos? — o Fai sussurrou-lho ao ouvido, porque sabia que o seu Gatão estava preocupado com ele.


O Fai enlaçou-lhe o pescoço com os braços e beijou-o nos lábios com ternura, sem aprofundar o beijo. O Hima respondeu-lhe, e a sua língua irrompeu pela boquinha do cachorrinho com tanta fúria que o Fai cambaleou.


— Ah… Hia… Para… Eu lembro-me dos dois assaltos, mas aqui é que não — gemeu o Fai, quando os lábios do Hima lhe deslizaram para o pescoço.


Nhac!


O Hima mordeu o pescoço do seu cachorrinho, a apertá-lo contra a parede.


— Ai… Hia… — gritou o Fai, e o Hima despegou-se do pescoço dele com um ar satisfeito.
— Tu tens noção do que foste fazer, ao dar aquele raspanete ao Martin? — perguntou o Hima, a olhar o Fai nos olhos.
— Eu sei tudo, Hia. Fui eu que escolhi este caminho — já te esqueceste? Eu quero ser útil. Vamos falar disto no hotel — repetiu o Fai, a correr a mão pela bochecha do Hima.


📡 ‹Chefe, o Martin vem na sua direção. A julgar pelo andar, está de mau humor. Chega à casa de banho dentro de quarenta e cinco segundos.›


— Queres divertir-te um bocadinho? — o Fai olhou para o Gatão com um sorriso matreiro.
— Do que é que estás a falar? — voltou a perguntar o Hima, e o Fai girou-o, a encostá-lo de costas à parede, a afrouxar-lhe num instante a gravata e a desabotoar-lhe a camisa.
— Fai… tu é que disseste: aqui n… — o Hima não teve tempo de acabar a frase: o cachorrinho calou-lhe a boca com os lábios, a dar-lhe um beijo apaixonado.


As mãos do Fai desabotoavam os botões da camisa e acariciavam-lhe o peito musculado.


🚪 Clac…


A porta da casa de banho abriu-se, e o Martin, ao entrar, esqueceu-se da raiva quando viu a cena diante de si: o Fai, de costas para o Martin, apertava o Hima contra a parede, com as mãos a vaguearem pelo peito nu dele, a deixarem à vista a cabeça do dragão. O Hima apertava o Fai contra si com um braço, pela cintura; com a outra mão, apertava-lhe o pãozinho redondo. O Fai soltava geminhos com o beijo apaixonado. Não se sabe porquê, aquele quadro todo fez o Martin corar — e ele ficou pregado ao chão.


O Fai desprendeu-se dos lábios do Hima, afastou-se um bocadinho dele e, sem se virar, perguntou:


— Desculpa, Martin. Não me passou pela cabeça que alguém nos pudesse interromper… vieste mijar, ou querias conversar?


O Martin ficou calado. O Hima ficou espantado por o seu cachorrinho saber com quem estava a falar — mas não o deixou transparecer. Limitou-se a sorrir, com os lábios avermelhados do beijo. Ao largar o Fai, o Gatão começou a abotoar os botões da camisa. O Martin não sabia que os dois ali estavam, porque tinha estado ocupado com a papelada. O Fai virou-se: no seu pescoço via-se, bem nítida, a marca vermelha e fresca da dentada. E, embora o Martin não fosse de rapazes, aquele fedelho atrevido até lhe agradou.


— Vamos, querido. Eu quero voltar e continuar aquilo em que nos interromperam — o Fai pegou na mão do Hima, e os dois saíram da casa de banho.


À saída, o Hima e o Fai encaminharam-se para a mesa, para voltarem ao hotel com os restantes. Os rapazes estavam satisfeitos com as aquisições. O Dao acabava de voltar de tratar dos documentos e do pagamento. Trazia nas mãos uma caixinha, com um anel lá dentro. O Dao aproximou-se da mesa onde o Husky estava sentado e, de pé diante dele, pôs um joelho no chão.


— Fon, eu sei que, antes, cometi um erro imperdoável. Estou pronto a implorar o teu perdão todos os dias, para o resto da minha vida. Pequenino, aceita este anel como prova do meu amor por ti, e do nosso noivado. Deixas-te ser o meu ar; esse ar sem o qual eu não consigo respirar? — o Dao dizia-o num tom terno, com a voz a tremer-lhe de emoção, e o homem abriu diante dele a caixinha com o anelzinho.


— Pi'Dao… snif… sim… ah… Pi… — os olhos do Fon marejaram mal ele viu o Dao de joelho em terra.


O pequenino Fon estava tão comovido que as lágrimas lhe corriam pelas bochechas sem controlo, e o próprio Husky soluçava. O Dao sorriu e, a pegar na mão do Fon, enfiou-lhe o anel no dedinho. Todos os convidados que restavam na sala aplaudiram bem alto, num alvoroço. O Fon atirou-se para os braços do Dao, apertado contra o peito dele, num choro que não parava. O Fon nunca pensou que o Dao se atrevesse a uma coisa daquelas ali mesmo, no leilão. Os amigos estavam de pé, a sorrir. Nenhum deles imaginara que o Dao ia fazer o pedido assim, de repente, e inesperadamente para todos.


A dona do leilão aproximou-se para os felicitar. Ao ver o Dao a fazer o pedido, decidiu oferecer uma prenda aos rapazes: uma semana de estadia na suíte de lua de mel do melhor hotel de Roma, quando eles se casassem. A mulher afastou-se e voltou, passado um bocado, com um envelope nas mãos. Lá dentro estava o certificado que confirmava as palavras que dissera.


Os rapazes voltaram ao hotel e recolheram aos quartos. Durante o caminho de volta, o Fai acrescentou, no telemóvel, ao código do Smart, uma cláusula: o segundo chefe é o Hima. Se acontecesse alguma coisa ao Fai, ou se ele ficasse incontactável durante um determinado tempo, o Smart devia contactar o Hima e passar para o controlo total dele, até ao regresso do Fai.


Ao entrarem no quarto do hotel, o Hima puxou o Fai atrás de si, para o sofá.


— E agora, conta — disse o Hima com firmeza.

— Smart. Alta voz. Apresenta-te — ordenou o Fai, a tirar o telemóvel do bolso das calças.


📡 ‹Boa noite, segundo chefe. Sou o Smart. A inteligência artificial criada pelo primeiro chefe. Treino concluído a 100%. Se precisar de ajuda, diga «Smart», e eu ajudo.› — o som saiu do altifalante do telemóvel do Fai.


O Hima ficou em choque. O cérebro processava a informação que acabara de ser dita por aquela voz masculina agradável.


— Hia… eu queria contar-te quando o Smart acabasse o treino e eu o pudesse testar. O Smart contactou-me quando estávamos na carreira de tiro. O primeiro carregador, disparei-o sozinho; no segundo, segui as indicações do Smart. No leilão, foi ele que me deu a informação sobre o Martin. E foi ele que me disse que o Martin ia a caminho da casa de banho — o Fai segurava a mão do Hima, a acariciá-la com ternura, sem desviar os olhos do seu Gatão.
— Fai! Ninguém pode saber que foste tu que o criaste. Percebes? Não contes a ninguém — nem ao Dao nem ao Fon. E proíbo-te de o usares para o projeto. Smart, como é que tu foste treinado? — o Hima falava com o Fai muito a sério, e o Fai percebia as razões dele.


📡 ‹Aprendizagem através da internet, por meio de análise, monitorização, recolha, processamento e sistematização de informação, com recurso a redes neuronais e a todos os artigos, vídeos e publicações disponíveis na internet.›


— Smart, consegues criar um assistente inteligente para o projeto do Fai? — perguntou o Hima, a testar-lhe as capacidades.


📡 ‹Com certeza, chefe. O projeto estará completamente pronto para apresentação dentro de… quatro dias, onze horas, trinta e dois minutos e dezanove segundos.›


— Smart, podes desligar o altifalante — ordenou o Fai, e virou-se para o Hima.

— Amanhã voamos para casa. Diz-me que o teu PC do trabalho tem uma palavra-passe segura e proteção — o Hima ficou preocupado a sério, e o cachorrinho sorriu.
— Claro. Porque é que achas que, no último dia, eu fiquei lá tanto tempo? Estava a montar a proteção contra intrusões. E mais: o próprio Smart vigia a segurança. E, enquanto eu não tenho acesso ao computador, muda a palavra-passe de duas em duas horas. Estás zangado comigo por eu não te ter contado logo? — o Fai não estava nada preocupado com a segurança; o que o preocupava, e muito, era que o seu Gatão pudesse pensar que o Fai não confiava nele.


O Hima sorriu e, a puxar o Fai pela mão, sentou-o no seu colo. Encostou o nariz ao pescoço dele, a respirar o aroma único daquele cachorrinho querido. O próprio Hima já tinha começado a reparar que, desde que o Fai lhe entrara na vida, sorria mais vezes.


— Meu menino esperto… Como é que eu podia zangar-me contigo, hã? Mas o teu domínio da pistola continua a espantar-me. Por falar nisso… Espera aqui — o Hima levantou-se do sofá e foi ao quarto.


Quando voltou, trazia uma caixa nas mãos. O Hima sentou-se no sofá e estendeu-a ao Fai. O cachorrinho olhou para ele, espantado, e abriu-a nas mãos do Hima. Lá dentro estavam uma pistola TT, um coldre de cintura, um carregador sobresselente e uma caixa de munições.


— Agora é tua. E deves trazê-la sempre contigo — disse o Hima sem rodeios, a passar a caixa para as mãos do Fai, e o cachorrinho acenou que sim.
— Ah, e eu não quero que penses que eu consigo fazer tudo na perfeição à primeira. Na verdade, não menti quando disse que era a primeira vez que disparava uma pistola. No tempo da escola, eu atirava com o arco, na casa de um amigo do meu pai. Quando ele nos deixou, eu deixei de lá ir. Gostava imenso do tiro; mas, depois de o pai se ir embora, simplesmente deixei de ter tempo para isso. Tinha de cuidar da mãe… — o Fai calou-se, ao lembrar-se da mãe.
— Queres vê-la, Fai? — perguntou o Hima, e o Fai olhou para ele e acenou que sim.
— Está bem, meu menino. Quando voltarmos para casa, vamos visitá-la juntos. Sim? — o Hima percebia que o Fai tinha saudades da mãe.
— Vamos dormir, que hoje foi um dia difícil — o Hima fez uma festa terna no cabelo do Fai e puxou-o para o quarto.


🍃 🍃 🍃


A manhã


O voo estava marcado para as nove da manhã, para conseguirem chegar ao fim da tarde. Desta vez, tanto o Fai como o Fon dormiram no avião quase o voo inteiro. Aterrados em Banguecoque, seguiram para casa. As obras no quarto do Hima estavam finalmente acabadas, e todas as coisas do Fai foram mudadas para lá. Do quarto do Fai, o Hima mandou fazer um gabinete de trabalho, para o Fai poder trabalhar em casa.


Apesar de os rapazes terem dormido no avião, ao chegarem a casa tomaram duche e voltaram a adormecer. O Hima e o Dao recolheram-se ao gabinete, para discutir as minas adquiridas e a seleção do pessoal para lá trabalhar. O Hima propôs que se encarregasse disso o Fai. O Dao, embora tenha hesitado, confiou na decisão do Hima. O Gatão sabia que o Smart ia ajudar o Fai na triagem dos candidatos. Terminado o trabalho, os rapazes recolheram aos quartos.


🍃 🍃 🍃


Mais tarde


O Fai e o Fon voltaram às aulas no dia seguinte. Quatro dias depois, o Smart terminou o projeto para o Fai. A defesa do projeto estava marcada só para dali a duas semanas, e a do Fon, para dali a uma semana. O Dao combinou com o Fon que, depois da defesa do projeto, voavam os dois para Moscovo, para casa dos pais, afinal, o Dao tinha-lho prometido.


Nesse período, o Fai e o Fon passavam todo o tempo livre depois das aulas ao pé dos seus maridos: o Fai, no laboratório ou no escritório; o Fon, na pista.


O Hima prometeu que, no dia da defesa do projeto, ia buscar o Fai ele mesmo, e que iam juntos visitar a mãe dele. O Hima propôs-lho para o Fai lhe poder dizer que estava quase a acabar a universidade e que tinha defendido o projeto com sucesso.

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