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24 🔞 – Pessoas importantes (parte 1 de 2)

A casa do Fon. Manhã.


A mulher, que já passava dos cinquenta, levantou-se de manhã cedo para preparar a abertura do seu pequeno restaurante, instalado no rés-do-chão da casa de dois andares da família. Pouco depois, juntou-se-lhe o marido, que em tempos trabalhara num escritório, mas amava tanto a esposa que se despediu e decidiu ajudá-la a fazer o que ela adorava, cozinhar.


— Querida, o Fon ainda não desceu? Ultimamente anda tão sossegado, reparaste? — perguntou o Athit à esposa, num tom despreocupado, enquanto baixava as cadeiras e as arrumava na sala do restaurante.
— Se não me engano, já são duas noites que ele não dorme em casa. Espero que seja bom sinal — respondeu ela baixinho, a pôr o avental.


O Athit virou a cabeça, pousou a cadeira e aproximou-se em silêncio da esposa, para lhe atar as fitas do avental nas costas. A Tânia sorriu com doçura.


— Obrigada, querido… Não seria melhor ligarmos-lhe? — a Tânia estava preocupada com o filho, que ia já no segundo dia sem aparecer em casa e sem escrever aos pais.
— Liguei-lhe ontem à noite. O telemóvel está incontactável — disse o Athit e, com o lacinho atado, voltou a arrumar as cadeiras.


A mulher suspirou, pegou num paninho macio e foi limpar as mesas que já tinham as cadeiras postas.

Eram quase oito da manhã quando o Athit foi à porta virar a placa de «Fechado» para «Aberto».


Normalmente viviam ali os três: os pais do Fon e a filha do meio, a Pitti, quatro anos mais velha do que o Fon, mas ainda solteira. Apesar de a Pitti ser uma rapariga bonita, tinha um feitio difícil. Aos seus vinte e seis anos, tinha terminado a universidade e ajudava os pais no restaurante, à espera do «príncipe encantado». Muitos rapazes lhe fizeram a corte, mas nenhum conseguiu despertar-lhe o interesse.


Às oito em ponto, a Pitti desceu ao restaurante. Foi à copa, pôs o avental e veio ter com os pais. Dez minutos depois, começaram a chegar os clientes habituais, que vinham tomar o pequeno-almoço antes do trabalho ou das aulas.


📲 Trum… trum… trum…


Uma chamada tocou no bolso da Tânia, mas ela estava com as mãos molhadas e pediu ao marido que tirasse o telemóvel.


— Número desconhecido… atendo? — perguntou ele, que se precavia contra as chamadas dos burlões.
— Sim. Como é que sabemos quem é, se não atendermos? — sorriu ela com doçura. Ele carregou em «atender» e encostou o telemóvel ao ouvido da esposa.
📞— “Estou?…” — Disse ela em voz alta, e ficou imóvel ao ouvir a frase seguinte do interlocutor.
📞— [Sim, bom dia. Chamo-me Dao, sou o namorado do seu filho.] — soou uma voz masculina, segura do que dizia.
📞— “Oh, bom dia. Chamo-me Tânia, sou a mãe do Fon. Ele dormiu em tua casa?” — respondeu a mulher com calma, e o marido olhou para ela sem perceber nada.


A Tânia pegou na mão do marido, e foram os dois para a copa, onde a mulher pôs a chamada em alta voz.


📞— [Sim] — respondeu o homem.
📞— “O Fon está agora contigo, certo?” — ela sabia que o filho não daria o número dela a qualquer um.
📞— [Sim].
📞— “Porque é que ele não ligou a avisar-nos?” — a mulher estava preocupada e não tirava os olhos do marido.
📞— [O telemóvel dele partiu-se, e ele não tinha como ligar] — o Dao respondia a todas as perguntas com rapidez e clareza.
📞— “Nos últimos tempos, ele tem comido mal. Vê lá se não o deixas passar fome” — disse ela com uma nota de preocupação na voz.
📞— [Sim, claro.]
📞— “Diz-lhe que volte depressa para casa. Eu e o pai estamos preocupados.”
📞— [O Fon vai mudar-se lá para casa] — a frase deixou a mulher imóvel, e ela desviou o olhar para o marido, igualmente surpreendido.
📞— “Amas o meu filho?” — perguntou ela logo, sem rodeios.
📞— [Sim, muito] — o Dao respondeu sem hesitar.
📞— “Eu gostava de conhecer primeiro a pessoa com quem o meu menino vai viver” — disse a Tânia num tom sério.
📞— [Nós hoje passamos por aí] — o Dao não hesitou na resposta.
📞— “Muito bem. Esperamos pelos dois em casa” — a mulher percebia que aquele homem estava seguro do que dizia, mas conhecia muito bem o feitio volúvel do filho.
📞— [Está bem] — concordou o homem.
📞— “Então até breve, Nong Dao” — despediu-se a mulher com um sorriso.
📞— [Até já] — o Dao despediu-se e desligou.
— Ouvi bem? O nosso filho arranjou um namorado a sério? — perguntou o pai, a olhar para a esposa, que sorria.
— Sim, querido… Isso quer dizer que hoje precisamos de um menu especial para o almoço? — a mulher ficou pensativa e olhou para o marido.
— Acho que sim. Chamamos a Love? Ela vai ficar felicíssima por saber que finalmente laçaram o volúvel do irmão dela — respondeu o Athit, a tirar o telemóvel do bolso. A Tânia acenou que sim.


O Athit ligou à Love, a filha mais velha, e contou-lhe do convidado que estava para chegar. A Love tem trinta anos, é casada e tem um filhote adorável de dois anos, o Biu, que toda a família adora e mima. 

Especialmente o Fon.


Os pais souberam que o Fon gostava de rapazes quando ele tinha Katorze anos. É o filho mais novo da família e todos gostam muito dele, por isso a família nunca teve preconceitos quanto ao género das paixões dos filhos. Para o Athit e para a Tânia, o mais importante é que os filhos sejam felizes. Por isso, quando o Fon disse que gostava de rapazes, ninguém reagiu mal. Todos procuraram apoiar o jovem, afinal, qualquer relação é um trabalho difícil dos dois parceiros, seja qual for o género. Mas os pais preocupavam-se, claro, com a forma como os amigos do filho iriam encarar o assunto: não queriam que o Fon sofresse bullying na escola.


Foram sempre os pais que estiveram ao lado dele. O primeiro amor, a primeira rejeição, a primeira desilusão e a primeira separação — em todos esses momentos, a família apoiou sempre o Fon. Se calhar, foi por isso que ele se tornou tão seguro de si e tão volúvel. Apesar de sempre ter procurado contar tudo aos pais, com a idade percebeu que eles não tinham de sofrer, com ele, os problemas que eram só dele.


As duas irmãs mais velhas gostavam muito do Fon, sempre fora um rapaz pequenino, e elas adoravam mimá-lo. Quando a Love se casou e engravidou, deixou o irmão escolher o nome do filho. O Fon ficou imensamente feliz. O marido da Love, o Van, trabalha como gestor numa grande empresa. Como o Van era órfão, crescido num orfanato, o calor e o carinho da família da mulher eram aquilo que lhe faltava desde criança. Amava os pais da Love como se fossem os dele e tratava o Fon e a Pitti como o irmão

 e a irmã mais novos. Foi o Van que ajudou o Fon quando ele se apaixonou pelas corridas de mota.


Os pais saíram da copa e voltaram à sala, onde àquela hora não havia muitos clientes. A Tânia, animada, foi ao balcão, pegou numa folha de papel e numa caneta e começou a escrever a lista das compras para o almoço.


— Pitti! Aqui tens a lista das compras que é preciso fazer já. Pega no carro e vai ao mercado. Hoje temos um convidado especial! — disse a mãe com um sorriso, e entregou o papelinho à filha.


A Pitti pegou na lista da mão da mãe e nas chaves do carro que estavam no balcão, a tirar o avental. Não gostava lá muito de ajudar no restaurante — fazia-o por necessidade. Por isso, ficou contente por ir ao mercado.


— Mas volta depressa para casa. Ainda tenho de ter tempo para cozinhar — acrescentou a mãe, porque sabia que, se não o dissesse, a Pitti, em vez de uma hora, desaparecia umas três.
— Sim, mãe… — a rapariga olhou para a lista e virou-se para a mãe. — A última vez que cozinhaste isto foi quando a Love trouxe o Van para o conhecermos… Quem é o vosso convidado especial? — a Pitti olhou para os pais, e os dois sorriam, a encolher os ombros.


A rapariga foi para o mercado, e os pais continuaram a discutir um com o outro como seria o tal rapaz que se apresentara como namorado do filho.


🍃 🍃 🍃


A casa dos Kittichat


O Dao e o Fon, terminada a visita guiada à casa, voltaram para o quarto do Fon.


— Vai tomar um duche e muda de roupa. A tua mãe já deve estar à nossa espera — disse o Dao com um sorriso, a soltar a cintura do Fon.
— Mas… eu não tenho roupa para mudar — disse o Fon baixinho, a olhar para si próprio.


O Dao pegou na mão do Husky e levou-o ao quarto de vestir. O Fon ficou imóvel, de boca aberta. A divisão estava cheia de araras com roupa de todas as cores e feitios. Havia ali também armários com sapatos, gravatas, meias, relógios, acessórios e roupa interior.


— Tu és doido, Pi'Dao? — indignou-se o pequenino, a virar-se para o homem, que sorria, satisfeito.
— Escolhe tudo o que gostares. Está tudo no teu tamanho — continuou o Dao. — Ou queres que seja eu a escolher e te ajude a vestir? Mas, nesse caso, já vai ser bom se chegarmos a casa dos teus pais a tempo do jantar — o Dao puxou-o para si e apertou-lhe ao de leve o rabinho pequeno.
— Pi, eu consigo sozinho. Vai. Espera por mim no quarto — o Husky empurrou o Dao para fora do quarto de vestir e saiu também, a caminho da casa de banho, para tomar um duche rápido.


Claro que o Dao não obedeceu ao Fon e, enquanto o pequenino se lavava, preparou-lhe a roupa do quarto de vestir. Incluindo as cuecas e as meias. O Dao não se reconhecia: nunca na vida tinha escolhido roupa para ninguém. Olhava para as t-shirts e para as calças, a imaginar como ficariam no seu pequenino. 

Quando se virou mais uma vez para o espelho, com um conjunto de roupa nas mãos, o Dao viu que estava a sorrir.


Merda… Este rapaz enfeitiçou-me, de certeza. Estou a sorrir como um idiota, só por lhe estar a escolher a roupa — pensou o Dao, e saiu do quarto com a roupa nas mãos.


Pousou as peças na beira da cama, ao seu lado, e ficou sentado à espera do Fon, a ver documentos no telemóvel.


O Fon saiu do duche com uma toalha à volta da cintura. O Dao levantou a cabeça e ficou imóvel ao ver o corpinho pequeno e molhado do Husky, que olhava para ele com aqueles olhos grandes. O Dao engoliu em seco, a tentar controlar-se.


— A tua roupa, pequenino — disse o Dao com a voz rouca, a indicar com o olhar as peças na beira da cama.


O Fon aproximou-se da cama e, em vez de pegar na roupa, sentou-se no colo do Dao, de frente para ele, com os joelhos apoiados na cama.


— Estás a testar a minha paciência, tampinha? — o Dao pousou as mãos na cintura do Fon, e um arrepio percorreu os corpos dos dois.


O do Dao, por causa do corpo quente e molhado do duche; o do Fon, por causa das mãos frescas e fortes do homem.


— Fon… Se não saíres de cima de mim dentro de cinco segundos, só vais a casa dos teus pais amanhã — o Dao ainda tentava controlar-se, mas estava a sair-lhe assim-assim.


O Fon aproximou a cara da cara do Dao e lambeu-lhe os lábios.


— Raios, Fon! — o Dao olhou para aquela carinha matreira à sua frente, que sorria, satisfeita, ao sentir o membro do Dao encostado ao rabinho.
— O que foi? Ainda nem sequer te beijei e já não te consegues controlar, Pi? — sussurrou o Fon, e levantou-se do colo dele, a pegar na roupa em cima da cama.


O Fon não o fez por querer sexo naquele momento, mas porque queria ter a certeza do que o Dao lhe dissera de manhã. Porque, se ele tinha sido mesmo bom naquela noite, o corpo do Dao ia reagir de certeza à provocação do Husky.


As calças do Dao ficaram com a marca húmida do rabinho molhado do Husky — e com um membro excitado por baixo delas. Ele respirou fundo, levantou-se da cama e encaminhou-se para a porta.


— Vou mudar de roupa e volto para te vir buscar. Tens dez minutos para te vestires, meu provocadorzinho — disse-o o Dao a olhar para o Fon, que estava de pé, a sorrir e a olhar para o Dao excitado.


O Dao percebia que o Fon o tinha feito de propósito, para o provocar, mas não se ofendeu. Se o Fon continuasse a brincar com ele, o Dao ia deixá-lo, porque se sentia culpado desde o dia em que a mãe lhe dissera que o seu pequenino tinha chorado por causa dele. O Dao estava disposto a aturar aquele atrevido, porque não queria voltar a ver as lágrimas dele.


O Fon vestiu-se bastante depressa e estava nervoso: nunca tinha levado ninguém a casa. A todas as perguntas dos pais e das irmãs, o pequenino respondia sempre a mesma coisa: «Não preciso de uma relação séria. É uma seca.» Agora, era feliz só por estar ao lado do Dao: sentar-se ao pé dele, dar-lhe a mão, ver aqueles olhos bonitos, ouvir aquela voz agradável. Antes, não gostava que lhe chamassem tampinha; mas, quando é o Dao a dizê-lo, ao Fon até lhe parece querido, e, às vezes, sensual.


Olhou-se ao espelho e ficou espantado: tudo lhe assentava na perfeição. Não era só o tamanho certo — era exatamente a maneira como o Fon gostava de se vestir, a realçar o seu corpo bonito.


— Estivemos juntos uma noite e já me apanhaste as medidas assim tão bem? — resmungou o Fon, às voltas em frente ao espelho.


A porta do quarto abriu-se e entrou o Dao, vestido na mesma gama de cores do seu Husky. Para o Fon, o Dao escolhera uns calções de ganga cinzentos, um pouco abaixo do joelho, que lhe realçavam o rabinho querido, uma t-shirt cor de coral com a inscrição em inglês «Dirty Cherry» e uns ténis brancos. O Dao, por sua vez, vestira uma t-shirt branca, uma camisa cor de coral, umas calças de ganga cinzentas e uns ténis brancos. Não tencionava pôr um fato: ia conhecer os pais do seu pequenino, não ia para uma reunião de negócios.


— Pronto, pequenino? — perguntou o Dao, e o Fon, com um aceno, veio ter com ele.


Os dois desceram ao andar de baixo, onde os pais os receberam com um sorriso.


— Vão passear, meninos? — quis saber a mãe.
— Vou levar o Fon a casa. Prometi à mãe dele que lho entregava pessoalmente — disse o Dao e, a pegar na mão do Fon, encaminhou-se para a saída.
— Filho, deixa que o Non vos leve. Assim fico mais descansado — respondeu o pai, e o Dao acenou que sim.


Ao princípio, queria ser ele a conduzir mas, ao lembrar-se daquilo por que o Fon tinha passado, não quis arriscar a segurança dele. O Dao tirou o telemóvel e ligou ao Non, a pedir-lhe que trouxesse o carro até à entrada.


Os rapazes saíram de casa e foram para o carro, que já os esperava. O Non abriu-lhes a porta; o Dao deixou o Fon entrar primeiro e depois entrou ele.


O Dao disse a morada, e o Husky virou-se para ele, porque não lhe tinha dito onde morava. E tinha a certeza de que a mãe também não o diria. O Dao virou-se para o Fon e, ao ver a sobrancelha erguida, percebeu logo tudo.


— O que foi? Eu sei tudo sobre ti, tampinha. Tu és a minha esposa — não é assim que deve ser? — perguntou o Dao com um sorriso, e o Fon pegou-lhe na mão.
— Posso fazer-te uma pergunta? — falou o pequenino baixinho, a acariciar a mão do homem.
— Tu podes tudo, Fon — respondeu o Dao com seriedade, a erguer-lhe a cabeça pelo queixo.
— Disseste que me amas. Tens a certeza de que não é só uma paixão passageira? — o Fon perguntou-o num tom sério, porque o seu coração ainda não estava seguro das palavras do homem.
— Fon! Eu amo-te. Não foi um impulso do momento, nem uma maneira de te consolar. É o que eu sinto. 

Quando saí atrás de vocês, de ti e do Fai, na pista, e não te encontrei, voltei ao escritório para ver as câmaras. Vi que te tinham raptado e, naquele momento, senti a minha alma a morrer, e o coração rasgava-se-me de dor. Ainda achas que é só uma paixão, pequenino? Eu amo-te loucamente. Não vou deixar que mais ninguém te faça mal. Se calhar sou egoísta de mais, mas não consigo largar-te, mesmo que tu ainda não me ames. O meu coração és tu, Fon. E eu quero conquistar o teu — dizia-o o Dao numa voz terna, a olhar os olhos do Fon, de onde começaram a correr lágrimas. — Ei… Pequenino… Não chores… A tua mãe vai perguntar porque é que tens os olhos vermelhos — o Dao estendeu a mão, a acalmá-lo e a limpar-lhe as lágrimas da cara.


O Fon acenou e, de repente, abraçou o Dao. O homem sorriu e fez festas, com ternura, nas costas do Husky.


— Non, passa primeiro por uma loja, para comprarmos um telemóvel ao Fon — disse o Dao com firmeza, e o Non mudou de caminho.


Passaram pela loja, recuperaram o número do Fon, e o Dao comprou-lhe o telemóvel que o pequenino escolheu.


Enquanto iam para casa do Fon, o Husky ia repondo as aplicações no telemóvel, com o seu braço enlaçado no braço do Dao. O Dao não se importava. Estava feliz por o Fon ter tanta vontade de estar ao pé dele.


Passado um bocado, o carro parou à entrada de um pequeno restaurante. O Non saiu do carro e abriu a porta ao chefe. O Dao saiu e estendeu a mão ao Fon; o pequenino olhou para ela sem perceber, mas mesmo assim pousou nela a sua.


— Eu não sou nenhuma grávida, para me fazeres gestos desses, Pi — resmungou o Fon, embora aquela atenção do Dao lhe soubesse muito bem.


O Fon indignou-se para disfarçar o embaraço e o nervosismo com o encontro que se aproximava.


— Se tu pudesses engravidar, eu esforçava-me mais nessa matéria… — sussurrou o Dao, debruçado para a orelhinha do Husky, que corou com aquelas palavras, porque percebeu do que o seu homem estava a falar.


— Vamos… — disse o pequenino, a tentar mudar de assunto.


🔔 Tlim!


O som da sineta da porta do restaurante anunciou a entrada de um cliente. A Pitti virou-se, e os olhos brilharam-lhe ao ver um homem alto e bonito, de camisa cor de coral. Aproximou-se dele num instante.


— Deseja escolher uma mesa, Khun? — perguntou a rapariga, e sorriu com doçura.
— Tu és a Nong Pitti, certo? Eu vim ver os teus pais — respondeu o Dao, enquanto o Fon ficava atrás das costas dele.
— Sim, Khun. Vou chamá-los, a mãe está na cozinha — a voz da irmã não agradou ao Fon, porque a ouvia muitas vezes, quando ela namoriscava com os clientes.
— Não é preciso, Je*. Eu mesmo o levo lá, a sair de trás das costas do Dao, o Fon pegou-lhe na mão e levou-o para a cozinha.


(N. da A. : Je: tratamento tailandês, de origem chinesa, para uma irmã mais velha.)


O Dao reparou nos ciúmes do seu Husky e, por dentro, até se alegrou, mas não deixou transparecer nada.


— O que se passa, pequenino? A tua irmã só estava a ser simpática, não estava? — o Dao provocava o rapaz, e o Fon virou-se para ele com os lábios e as bochechas inchados de ciúmes.


Merda… Porque é que tu, quando estás zangado, ficas tão encantador? Eu era capaz de te provocar a eternidade inteira, nanico — pensou o Dao, a sorrir, enquanto caminhava atrás do Fon.


— Simpática, o meu rabo! Ela estava a namoriscar contigo, não percebeste?! — indignou-se logo o Fon, a despejar as emoções cá para fora.
— Pequenino, eu só olho para ti. E sim, tens razão: o teu rabinho é muito querido — o Dao pousou a mão nas nádegas do Fon e apertou-as com meiguice.


O Fon não esperava aquilo do Dao e, sem dizer uma palavra, corou. O Dao reparou e soltou uma risadinha. Chegaram à cozinha; o Fon abriu a porta e entrou primeiro, com o Dao atrás.


— Mãe, cheguei — disse o Fon, e a mulher levantou a cabeça para olhar para o filho.
— Oh, filho. Tão depressa. Esperem por mim na sala; eu acabo isto e já vou ter convosco. O pai preparou uma mesa à parte. O almoço está quase pronto — respondeu a Tânia com um sorriso, e o Fon, com um aceno, arrastou o Dao de volta para a sala.


De volta à sala, viu o pai a sair da casa de banho e foi ter com ele.


— Pai, a mãe disse que já escolheste a mesa. Vamos? Ah, é verdade… Pai, este é o Dao, o meu namorado. 

Dao, este é o meu pai, o Athit — o Fon apresentou o seu homem ao pai, e o Dao, satisfeito com as palavras do Husky, ergueu as mãos num wai, com um sorriso.


— Ora, ora… Então é verdade… O meu filho arranjou finalmente um namorado… Vamos para a mesa — o pai, com um sorriso, deu uma palmadinha no ombro do Dao.


O Dao suspirou de alívio por o pai do Fon não ser contra a relação deles. Não tencionava abrir mão do seu pequenino, nem que tivesse de pagar milhões de baht.


Os três dirigiram-se às duas mesas encostadas uma à outra; o Dao sentou primeiro o Fon e sentou-se ao lado dele. O Athit sentou-se em frente dos dois.


A Pitti, entretanto, acabava de atender os clientes e não parava de olhar para o Dao, a sorrir.


🔔 Tlim!


A sineta da porta voltou a tocar, e entrou a correr na sala um menino querido, de dois anos, de bochechas rechonchudas, que se atirou logo a abraçar a Pitti.


— Tia… oá! — soou a vozinha aguda, enquanto o pequenote abraçava a perna da rapariga.
— Biu! Meu bebé, a tia está a trabalhar. Vai lá dizer olá ao avô — disse a rapariga num tom explicativo, e o pequenote, com um aceno, largou a perna da Pitti.


O Biu correu os olhos pelo restaurante e viu o avô sentado à mesa. O pequenote atirou-se logo a ele.


— Avôfinho… oá… — o menino começou a falar todo animado, mas depois envergonhou-se, ao ver à mesa um homem desconhecido, grande e assustador, e agarrou-se à mão do avô.
— Oh! Mas que menino tão querido é este que me veio visitar, hã? Biu, diz olá aos tios — o Athit levantou o neto e sentou-o ao colo, enquanto os pais do menino se aproximavam da mesa.


O menino ergueu as mãozinhas num wai, inseguro, diante do homem desconhecido — e sorriu no mesmo instante, ao ver o seu tio preferido, o Fon. O Biu abriu-se logo num sorriso e estendeu as mãozinhas ao Fon.


— Tio Fon! Tio Fon! Colo! — o Fon abriu os braços com um sorriso e tentou pegar no menino por cima das mesas vazias, mas não lá chegava.


O Dao sorriu e, a tirar o Biu ao avô, sentou-o no colo do Fon. O menino primeiro ficou espantado e um bocadinho assustado com o desconhecido grande, mas quando o Dao lhe abriu um grande sorriso, o menino deixou de ter medo.

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