22 🔞 – Despertar (parte 1 de 2)
O Fon começou a acordar e sentiu uma respiração quente no pescoço, e uns braços fortes que lhe abraçavam o corpo. Na cabeça, rebentaram-lhe os acontecimentos do dia anterior; as lágrimas correram-lhe pelas bochechas, e o Fon começou a soluçar. Ao abrir os olhos, viu um quarto que não conhecia e umas mãos a apertarem-lhe os pulsos. O Husky tinha medo de se virar, com receio de ver ali um daqueles homens que os tinham raptado, a ele e ao Fai. O corpo começou a tremer-lhe, e o homem atrás dele mexeu-se, a apertar o corpo do Fon ainda mais contra si. O pânico levou a melhor sobre o jovem, e ele desatou a chorar.
— Chiu… Pequenino, sou eu — sussurrou o Dao, estremunhado.
Com o excesso de emoções, o Fon não lhe reconheceu a voz e chorou ainda com mais força.
— Fon, não chores. Ei… Pequenino. Olha para mim — disse o Dao num tom carinhoso, a virar o Fon de cara para si.
O Fon resistia e esperneava de olhos fechados. Tinha medo de ver ali o homem que na véspera se tinha atirado a ele.
— Não! Não! Não me faças nada! Não! — implorava o Husky, a chorar, sem forças para abrir os olhos.
O Dao conseguiu virá-lo de cara para si. Tocou-lhe com ternura na bochecha pequena, a limpar-lhe as lágrimas.
— Desculpa, pequenino. Perdoa-me. Fon, não chores. Ei… Olha para mim. Sou eu, o Dao — o Dao ergueu-lhe a carinha pelo queixo e pediu-lho em voz baixa.
O Fon, ao ouvir o nome, ficou imóvel. Ao respirar fundo, sentiu o cheiro daquela água-de-colónia tão conhecida e abriu os olhos devagar. À frente dele estava mesmo o Dao. As emoções desabaram sobre ele, e o Husky desatou outra vez a chorar, agarrado ao blusão do Dao, apertando-se contra o peito dele.
Chorava com o medo de que o Dao estivesse agora com ele por causa do rapto — e de que aquilo fosse simples pena. Afinal, tinha sido precisamente este homem a dizer-lhe que ele fora só «nada mau». Ele não merecia que o Dao o abraçasse, nem que tivesse pena dele: tinha sido só o rapaz de uma noite, um rapaz mediano.
— Chiu… Pequenino, estás em segurança — o Dao fazia-lhe festas no cabelo e nas costas, a apertá-lo contra si cada vez com mais força.
— Tu… Pi… Tu não tens de ter pena de mim. Larga-me… — soluçava o Fon.
— O Fai! Onde está o Fai?! — o Husky lembrou-se logo do amigo e tentou arrancar-se dos braços do Dao, com a voz a tremer.
— Ei… O Nong está bem, está a dormir no quarto dele. Depois eu levo-te lá, está bem? — o Dao segurava o Fon pelos ombros e, a olhá-lo nos olhos, explicava devagar, para o pequenino perceber. O Fon desatou outra vez a chorar.
— Larga-me… A minha mãe deve estar aflita por eu não ter ido dormir a casa. Tenho de ir para casa — o Fon tentou acalmar-se e fugir do Dao o mais depressa possível, porque o coração estava a partir-se-lhe.
O Dao olhou para o Husky, que agora se esforçava por não olhar para ele, e percebeu que ele estava a tentar segurar as lágrimas. O Dao ergueu-lhe a cara e beijou-lhe os lábios macios. O Fon gelou com a surpresa. Não estava nada, nada à espera de que o Dao fizesse aquilo. A língua do Dao entrou num instante na boquinha do Fon. Aquele beijo não foi bruto nem apaixonado; foi tão terno que o Husky sentiu o corpo derreter-se naqueles braços fortes. O Dao despegou-se dos lábios dele, fez-lhe uma festa no cabelo e tirou do bolso o seu telemóvel.
— Marca o número da tua mãe — disse baixinho, e estendeu o telemóvel ao Husky.
O Fon, obediente, marcou o número e carregou no botão de chamada; o Dao tirou-lhe o telemóvel das mãos e encostou-o ao seu próprio ouvido.
📞 — “Sim, bom dia. Chamo-me Dao, sou o namorado do seu filho… sim… sim… o telemóvel dele partiu-se, e ele não tinha como ligar… sim, claro… o Fon vai mudar-se lá para casa… sim, muito… nós hoje passamos por aí… está bem… até já” — falava o Dao ao telefone, e o pequenino ia ficando de boca aberta a cada frase que ele dizia, sem conseguir contestar.
O Dao olhou para o Fon com um sorriso e beijou-o com ternura na testa. O Fon estremeceu, e o cérebro dele voltou a trabalhar.
— O que é que tu acabaste de dizer à minha mãe?! Não tens de lhe mentir. Eu dizia-lhe que tinha dormido no apartamento e que tinha perdido o telemóvel — a voz do Fon tremia.
— Pequenino, tudo o que eu disse é verdade — respondeu o Dao, sentando-se na cama.
— Mas… mas tu disseste que eu… que eu não tinha nada de especial. Se estás a fazer isto por pena, é melhor parares, não me magoes ainda mais — continuava o Fon com a voz trémula, a tentar segurar as lágrimas.
O Dao puxou-o para os seus braços, apertando-o contra o peito, e continuou devagar:
— Desculpa, pequenino, por ter mentido naquela altura. Desculpa não ter ido ter contigo mais cedo. Desculpa teres chorado por minha causa. Desculpa teres sido raptado. E desculpa já não conseguires fugir de mim.
O Fon soluçava, a ouvir as palavras do homem que o abraçava. O coração do Fon batia mais depressa a cada palavra, e ele não conseguia parar as lágrimas.
— Meu pequenino. Tu és espantoso. Eu não consigo deixar-te ir. Tu és meu, e só meu. Naquela noite… tu foste incomparável, meu menino lindo. Quando te raptaram… o meu coração estilhaçou-se em mil cacos. Eu tinha tanto medo de que te fizessem mal. Estava louco de raiva só de pensar que alguém, além de mim, te tocasse — o Dao fazia-lhe festas nas costas, quando o Fon ergueu a cabeça e olhou para ele com os olhos molhados.
O Dao olhava para ele com um olhar cheio de ternura e de amor. Não queria ver o seu menino a chorar. O Dao tocou-lhe na cara com carinho, a limpar as lágrimas da cara do Husky com o polegar.
— A sério? — o Fon olhava para ele, e fez a pergunta baixinho. O Dao acenou.
— Ai! — indignou-se o Dao ao de leve, quando o Fon lhe deu um murro no peito.
— O que é que te leva a achar que eu me vou mudar para tua casa? O que é que te faz pensar que eu aceito ser teu namorado?! — e, a cada pergunta, voltava a bater no peito do Dao, uma e outra vez.
— Porque eu amo-te, pequenino — a olhar nos olhos do Fon, o Dao disse-o com uma ternura tal que o Husky ficou imóvel — e corou no mesmo instante.
— O que é que disseste?! — perguntou o Fon baixinho, para ter a certeza de que não tinha ouvido mal.
— Eu disse que te amo, tampinha — repetiu o Dao, e beijou-o na testa.
O coração do Fon dançava agora uma rumba. Estava imensamente feliz por ouvir aquelas palavras da pessoa por quem tinha percebido o que sentia precisamente quando foi raptado. Foi naquele momento, quando o Husky não quis que ninguém além do Dao lhe tocasse, que o Fon percebeu que o seu coração, a sua alma e o seu corpo pertenciam agora àquele homem. O pequenino abraçou-o com força e apertou-se contra o peito dele. O Dao sorriu e abraçou-o de volta.
— Vai à casa de banho, lava a cara e anda comigo — disse o Dao, afastando-se do Fon e apontando para a porta do quarto.
— Para onde? — perguntou o Fon, desorientado.
— Tens de comer. Emagreceste imenso, sabias? — disse o Dao num tom sério.
— Pois… já tinha reparado que a roupa começou a dançar-me no corpo… — disse o Fon baixinho.
O Fon levantou-se devagar, foi à casa de banho, lavou a cara e os dentes. Quando voltou ao quarto, o Dao já o esperava à porta. Pegou na mão do Fon e saiu do quarto. No corredor, o Fon viu o Mix, que inclinou a cabeça em sinal de respeito. Desceram à cozinha, onde a Kira estava sentada a beber chá de espinheiro-marítimo com manga e cravinho, e a tia Nari arrumava as compras no frigorífico.
— Oh, filho, como te sentes? — perguntou ela com meiguice, aproximando-se do Fon, e despenteou-lhe o cabelo.
— Bem, mãe — disse o pequenino baixinho, e ergueu as mãos num wai.
— Fon, esta é a tia Nari. Podes pedir-lhe que te cozinhe o que quiseres. Tia, este é o Fon — a minha esposa — apresentou-os o Dao, e o Husky corou ao ouvir a palavra «esposa».
A tiazinha acenou, compreensiva.
— Ah-ah-ah, parece que vamos ter de preparar o dote da nora. Que os teus pais digam quanto, e eu triplico a soma — disse a Kira num tom de brincadeira e, sentando-se outra vez à mesa, deu um golinho no chá.
— Tiazinha, o Fon precisa de comer — disse o Dao, sentando o menino à mesa, e a mulher sorriu.
— Oh, sente-se, Khun Fon. A Khun Kira deixou logo ontem à noite as instruções para o menu de hoje — respondeu a Nari, e foi buscar os talheres.
— Tiazinha, não precisa de me chamar Khun. Fon, ou Nong Fon, chega perfeitamente — pediu o Husky com modéstia, e a mulher sorriu.
— O Nong Fai disse exatamente o mesmo quando chegou cá — respondeu ela, e pousou-lhe os pratos à frente.
— Pois é… E o Fai, onde está? — perguntou o Fon, e distraiu-se logo quando lhe puseram à frente um bife no ponto, vários acompanhamentos à escolha e uma salada de marisco — e, o mais importante de tudo: estava lá um prato com o seu suflé preferido.
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A manhã do Fai
Como era domingo, o Fai não precisava de ir às aulas. O Hima já tinha acordado havia um bocado e estava simplesmente deitado, a deliciar-se com o cachorrinho adormecido. O Fai era tão inocente e tão amoroso a dormir. O Hima percorria o corpo do Fai com os olhos, eo olhar prendeu-se-lhe nas marcas vermelhas nos pulsos do jovem. Ergueu-lhe as mãos com cuidado e beijou as marcas nos braços dele.
— Perdoa-me, meu menino. Isto é por minha causa — disse o Hima baixinho, e continuou a beijar-lhe os braços, a subir cada vez mais, até esbarrar na dobra da manga arregaçada da camisa. Passou o olhar para a cara do Fai e fez-lhe uma festa terna na bochecha. O Fai remexeu-se ao de leve e chegou a cara à mão dele, virando-se de lado. O Hima começou a acariciar-lhe a cintura e deu-lhe um beijinho suave no pescoço branco e tentador.
— Ah… — gemeu o Fai baixinho, ao sentir o beijo terno no pescoço; mas abrir os olhos é que não abria, só se espreguiçou um bocadinho, a aconchegar-se ainda mais ao corpo ao lado do seu.
— Estás a seduzir-me, malandro? — sussurrou-lhe o Hima ao ouvido, e mordiscou-lhe o lóbulo da orelhinha.
— Uf… posso ficar só mais meia horinha? — resmungou o Fai, e abraçou com força o corpo ao lado, atirando-lhe uma perna para cima.
Raios… não fosse o dia de ontem, e eu já te tinha comido, menino mau. — Pensou o Hima, e abraçou o cachorrinho de volta.
— Está bem, menino lindo. Mais meia hora — disse o Hima baixinho, e beijou a cabeça do Fai, a fazer-lhe festas ternas nas costas.
Com aquelas carícias, o corpo do Fai arqueou-se por instinto e ele, com uns gemidos abafados, apertou-se ainda mais contra o Hima, que tentava segurar o desejo, ao sentir como o corpo daquele cachorrinho adorável respondia aos seus toques. O Hima continuou a afagar-lhe as costas e, passado um tempo, sentiu que o Fai já não estava a dormir por inteiro.
O Hima sorriu com malícia e mudou uma das mãos para o rabinho tentador do Fai, sem parar as festas suaves.
— Ah… — gemeu o Fai um bocadinho mais alto — e, agora sim, começou a acordar sozinho.
Abriu os olhos devagar e, erguendo a cabeça, olhou para o homem com quem estava abraçado. O Fai sentiu o seu membro encostado à barriga do Hima, e nas bochechas rebentou-lhe, no mesmo instante, o rubor.
— E quem é que está a seduzir quem, Khun? — perguntou o Fai com a voz ensonada, a sorrir-lhe com doçura, para disfarçar o embaraço.
Nhac!
— Ah — escapou um gemido da garganta do Fai, quando o Hima lhe mordeu o pescoço.
— Eu bem te avisei, menino desobediente… — sussurrou o Hima, a beijar o sítio da dentada, sem parar de lhe afagar e apertar o rabinho.
O Fai olhou para ele e, ao ver o casaco todo amarrotado, percebeu que o Hima tinha adormecido com ele sem se despir. Sentia no peito nu o calor do corpo do Hima; mesmo através do fato, aquele homem dava-lhe uma sensação de ternura.
Afinal, na véspera ninguém se tinha atrevido a trocar-lhe a roupa, por isso ele continuava com a mesma camisa sem botões.
O Fai estendeu o braço e abraçou-o pelas costas, a colar-se cada vez mais àquele peito forte.
— Obrigado, Hia… — murmurou o cachorrinho, de cara aninhada no ombro dele.
O Hima tirou a mão do rabinho e ergueu-lhe com ela a cara pelo queixo, a olhar nos olhos daquele menino amoroso. Alguma coisa tinha mudado no olhar dele. Estava diferente, mas o Hima não conseguia perceber o que é que tinha mudado.
De repente!
O Fai esticou-se um bocadinho e beijou o homem ao seu lado nos lábios. Foi um beijo leve e muito terno, que deixou o Hima desarmado, porque nunca ninguém o tinha beijado assim. Aquele beijo pareceu-lhe mais excitante do que um beijo apaixonado, de língua. O Hima desceu a mão do queixo para o pescoço do jovem, e os dedos dele deslizaram para baixo, para o peito nu do cachorrinho. Os toques dele eram leves e ternos, como o beijo do Fai. O Fai gemia tão docemente com aqueles toques que o Hima mal se continha para não o foder ali mesmo.
— Fai… Para… Ou eu não respondo por mim… — o Hima despegou-se dos lábios dele e disse-o com a voz rouca.
O Fai sorriu com doçura, ergueu a mão e, puxando-o para si pelo pescoço, sussurrou:
— E eu não quero parar, Hia… — e lambeu a orelhinha à qual acabara de o dizer.
Pelo corpo do Hima galopou um tropel de arrepios, e o coração bateu-lhe mais depressa. Agarrou-o pela cintura e puxou-o ainda mais para si, para que o Fai também pudesse sentir a sua ereção, e beijou-o com paixão, sem se conter. O Fai respondeu ao beijo com a mesma paixão, e a mão dele desceu ao rabinho do Hima, a apertá-lo.
— Meu menino lindo… — sussurrou o Hima, a arrancar a camisa ao Fai.
A língua do Hima vagueava pelo corpo branco dele, a descer cada vez mais. Acariciou-lhe os mamilos pequenos até eles endurecerem. O Fai gemia baixinho de prazer, com medo de acordar os outros, lembrava-se de que o quarto não tinha isolamento acústico.