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17 🔞 – O elefante branco da selva (parte 2 de 2)

De volta ao Fai e ao Hima


— MĂŁe
 — pronunciou, espantado, o Hima, que entrava a seguir a ele; com os acontecimentos da vĂ©spera, tinha-se esquecido por completo de que os pais vinham hoje de visita.
— Porque Ă© que ninguĂ©m nos foi buscar ao aeroporto? — perguntou a mulher, passando o olhar para o filho.
— Desculpa, mãe, ontem
 houve um pequeno incidente. Por isso, de manhã, eu e o Dao tivemos de procurar à pressa um novo local para o casino. Com o Gas, não trabalhamos mais — o Hima esforçou-se por explicar da maneira mais clara possível, sem entrar em pormenores à frente do Fai, para ele não se sentir culpado.


O Fai olhava para a mulher Ă  sua frente e agora percebia a quem Ă© que o Hima tinha saĂ­do tĂŁo bonito. Embora calculasse, por alto, que a mulher Ă  sua frente teria mais de quarenta e cinco anos, ela estava 

deslumbrante, e mais nova do que a idade. Uma loira esbelta, de cabelo num carrĂ©, com os mesmos olhos azuis do Hima e um sorriso amoroso. À vista, dar-lhe-ia uns trinta e cinco. E falava tailandĂȘs na perfeição.


— Filho
 O trabalho, agora, nĂŁo me interessa nada. O que me interessa Ă© este menino amoroso. Quem Ă© ele? — voltou ela a virar-se para o Fai, com um sorriso.
— Bom dia, Khun. Chamo-me Fai — o Fai ergueu as mãos num wai e apresentou-se.
— MĂŁe, este Ă© o Fai. Ele vive comigo — o Hima apresentou-o Ă  mĂŁe, mas falou em russo.


Pela maneira como o filho olhava para aquele rapaz, a mĂŁe percebeu tudo.


— Chamo-me Kira. Mas podes chamar-me mãe, Fai. Muito prazer em conhecer-te — a mulher aproximou-se e fez uma festa no cabelo do Fai. O Fai, em resposta, sorriu com doçura e acenou.
— Oh
 o teu pai vai ficar encantado com esta criança — disse ela em russo, com carinho, ao ver o sorriso do Fai e aqueles seus olhinhos amorosos de cachorrinho.


O Fai não percebeu o que a mãe do Hima disse, mas, pelo tom dela, adivinhou que tinha caído nas graças da mulher.


— Khun
 — o Fai dirigiu-se ao Hima, que se virou para ele de sobrancelha erguida.
— Hia
 eu vou para o meu quarto. Acho que o senhor e a sua mĂŁe tĂȘm de conversar — disse o Fai, e o Hima sorriu ao ouvir o seu cachorrinho chamar-lhe Hia.
— Vai. Se precisares de alguma coisa, diz ao Mix. Ou, melhor ainda, escreve uma lista, que ele compra tudo — o Hima falava com ele com carinho, e a mãe, ao lado, sorria.
— Filho, eu gostava de dar dois dedos de conversa contigo depois do jantar, se não estiveres ocupado. Importas-te que eu passe pelo teu quarto? — a Kira disse isto a olhar não para o filho, mas para o Fai, que ficou espantado com as palavras dela — mas acenou que sim.


O Fai subiu as escadas e entrou no quarto. A mĂŁe agarrou logo o filho pela mĂŁo e arrastou-o para o jardim, para o interrogatĂłrio.


— Meu Nevinho, porque Ă© que eu venho a saber desta maneira que arranjaste um namorado assim tĂŁo encantador? Porque Ă© que nĂŁo me ligaste? Como Ă© que se conheceram? Conta-me tudo, querido! — falava ela em russo, porque estava excitadĂ­ssima.
— Mãe
 primeiro promete-me que não gritas, nem me bates. Promete — pediu o Hima logo à cabeça, porque sabia que, depois de lhe contar a verdade, a coisa mais inofensiva que ela lhe faria era puxar-lhe as orelhas.
— Está bem. Conta — a curiosidade acabou por levar a melhor sobre a mulher.
— Eu comprei-o, mãe. A mãe dele devia muito dinheiro ao nosso casino e aos agiotas. Eu fui lá só para falar com ela
 — o Hima contou à mãe a história toda, incluindo a do relvado estragado.


Ao princĂ­pio, a mulher franziu o sobrolho, mas, quanto mais o filho falava do Fai, mais ela sorria. Quando ouviu a parte do relvado, nĂŁo conseguiu segurar o riso.


— Ah-ah-ah, Nevinho. Estragaste o relvado para poupares o minuto e meio que levavas a carregar o menino atĂ© casa? E carregaste-o tu mesmo? Ei, tu Ă©s mesmo o meu filho? NĂŁo mo trocaram? — perguntava ela a rir, a virar o filho de um lado para o outro.
— Não estás zangada, mãe? — perguntou o Hima com espanto sincero.
— E porque Ă© que eu havia de estar zangada? Estou a ver o menino bom que te foi parar Ă s mĂŁos. E eu e o pai ficĂĄmos com mais um filho. Por falar em filhos: onde estĂĄ o Dao? — lembrou-se ela, porque ainda nĂŁo o tinha visto.
— Bem
 O mais provĂĄvel Ă© nĂŁo ficarem com mais um filho, mas com mais dois — disse o Hima com um sorriso na cara, ao lembrar-se do Dao a levar o Fon ao ombro.
— Não me perguntes nada sobre isso, mãe. Quando o Dao chegar, que conte ele — o Hima travou logo a mãe, que parecia ter-se acendido com um entusiasmo ainda maior.
— Pronto, pronto. Vamos para dentro. O pai foi ver o Rossi — se calhar já voltou. Anda, quero ver a cara dele quando eu lhe contar — disse ela e, tomando o filho pelo braço, voltou para casa.


Entraram em casa e, tal como ela dissera, o homem jå estava sentado no sofå da sala de estar, a beber café.


Ela aproximou-se e sentou-se ao lado do marido, com um sorriso na cara, e o Hima sentou-se no cadeirĂŁo em frente.


— Conta lá, querida — disse o homem alto e aprumado.
— Querido: vamos ter mais um filho. NĂŁo...talvez dois filhos — disse ela, e o homem engasgou-se com o cafĂ©.
— Querida, estĂĄs grĂĄvida
 de gĂ©meos? — tentava ele digerir a informação, enquanto a mulher se ria com uma gargalhada cristalina.
— Querido, aos meus cinquenta e um anos, nĂŁo estou preparada para bebĂ©s — respondeu ela, a rir. E o Hima sorriu, ao ver a mĂŁe a meter-se com o pai.
— Não estou a perceber — ele pousou a caneca na mesa e virou-se para a esposa.
— Nai, meu querido: o nosso filho encontrou um tesouro. Chama-se Fai, e Ă© uma criança amorosa. Tenho a certeza de que, quando o vires, vais ficar encantado! — disse a Kira, e passou o olhar para o filho.
— AlguĂ©m conseguiu derreter o coração do nosso filho? — o Nai olhou para o filho, que estava sentado, calado.
— Fai
 Quer dizer «fogo». Pelos vistos, Ă© o destino. Cof-cof — brincou o pai, e continuou a beber o cafĂ©.
— Mãe, pai, o vosso quarto está sempre pronto para quando chegam. Podem ir arrumar as coisas. E eu tenho de discutir um assunto com o Fai — disse ele, e levantou-se do cadeirão.
— Espera lá. Ele está cá? — o Nai não tinha percebido logo do que a mulher falava.
— Sim, pai. Descemos ao jantar, e eu apresento-vos — o Hima acenou à mãe e subiu.


O Hima bateu Ă  porta do Fai e, nĂŁo ouvindo resposta, entrou. O Fai estava deitado na cama, como de costume, de barriga para baixo e com os pĂ©s para a porta. Pelos movimentos da cabeça dele, o Hima percebeu que o cachorrinho estava a ouvir mĂșsica. Aproximou-se devagar da cama e sentou-se na borda, pousando a mĂŁo no rabinho tentador, dentro dos calçÔes castanhos. O Fai estremeceu e virou a cabeça.


— Khun, assustou-me — disse ele, e tirou os auriculares.


O Hima sorriu diabolicamente e, agarrando o Fai pelo tornozelo, puxou-o para si. O Fai rodou para ficar de costas, e o Hima ficou mesmo entre as pernas esguias dele. O cachorrinho corou.


— Tu estás mesmo a pedir um castigo, não estás? — o Hima debruçou-se, sussurrou-lho ao ouvido e mordeu-lhe o pescoço.
— Uhh — gemeu o Fai, quando, com aquela dentada leve, um arrepio lhe correu o corpo.
— Vou morder-te de cada vez que, em vez de «Hia», eu ouvir «Khun». NĂŁo interessa onde estivermos, nem quem estiver ao pĂ© de nĂłs — faço-o na mesma — disse o Hima num sopro, a passar a lĂ­ngua pelo sĂ­tio da dentada.
— Khun
 — repetiu o Fai com um sorriso, a olhar para os olhos azuis sem fundo.


Nhac!


— EstĂĄs a provocar-me, menino mau? — o Hima voltou a mordĂȘ-lo, um bocadinho mais forte, e fez a pergunta.
— Ah
 não
 Eu
 eu só
 — o Fai não teve tempo de dizer mais nada, porque a boca dele se encheu com a língua quente do homem por cima dele.


O Hima apanhou-lhe a língua atrevida, que de propósito lhe tinha chamado Khun. Chupou-lha até o Fai gemer. Ao afastar-se, o Hima olhou para o relógio e respirou fundo, como quem tenta conter-se.


— O que andas a fazer? — perguntou o Hima, ao ver no bloco de notas um esquema interessante, que lhe pareceu familiar.
— Ah, isto? É o meu projeto. Só que ainda não sei se vou conseguir concretizá-lo — o Fai estendeu o bloco ao Hima, que o folheou com interesse.
— Tu queres criar uma IA*? Que nĂŁo se consiga detetar com equipamento, e que se possa configurar para funcionar com uns auriculares normais? — o Hima olhou com espanto sincero para o seu cachorrinho, que tinha concebido um plano daquela grandeza sĂł para defender o projeto final de curso. O Fai acenou. 


(N. da A. : IA — inteligĂȘncia artificial.)


— Pequeno, os meus melhores engenheiros não conseguiram concretizar nem uma parte de uma coisa destas. E já andam há anos a partir a cabeça com o assunto — preveniu o Hima o cachorrinho contra uma escolha de projeto à partida votada ao fracasso.
— Eu não sou os teus engenheiros — respondeu o Fai, seco, ligeiramente desiludido com as palavras do Hima.
— Ei, eu nĂŁo te quis ofender. SĂł estou a dizer que Ă© difĂ­cil. Começaste a trabalhar a sĂ©rio no projeto quando vieste viver para cĂĄ? — o Hima lembrou-se do episĂłdio das maçãs.
— Sim — disse o Fai com franqueza.
— Espera
 fizeste este trabalho todo em trĂȘs semanas?! — o Hima folheava os apontamentos, a passar-se. O Fai acenou.
— AmanhĂŁ ligo para o laboratĂłrio e confirmo quando Ă© que nos dĂĄ mais jeito irmos lĂĄ. LĂĄ, podes escolher tudo o que te possa fazer falta. Se nĂŁo houver alguma coisa, dizes, e trazem-ta no prazo de uma hora. Meu menino esperto — o Hima despenteou o cabelo do seu cachorrinho, e ele sorriu-lhe com doçura, ao ouvir que o Hima estava pronto a ajudar com o projeto.
— Anda, está na hora de jantar. Não fica bem deixar a mãe e o pai à espera — disse o Hima; levantou-se da cama e estendeu a mão ao Fai.


O Fai pousou a sua mĂŁo na palma do Hima, e ele, apertando-a, puxou o cachorrinho para os seus braços. 

SaĂ­ram do quarto e desceram Ă  sala de jantar, onde a tia Nari jĂĄ tinha posto a mesa e os pais os esperavam. O Fai olhou para o homem sentado ao lado da mĂŁe do Hima e, juntando as mĂŁos num wai, sorriu.


— Sentem-se, meninos — convidou a mãe os rapazes, com um gesto, a sentarem-se em frente deles.
— Nai, querido: este Ă© o Fai. Falei-te dele. Fai, este Ă© o meu marido, o pai do Hima...o Nai — apresentou-os a mulher.
— Bom dia, Khun Nai — o Fai voltou a juntar as mãos num wai, com um sorriso sincero, e o homem sorriu-lhe em resposta.
— Sim, tens razĂŁo. Ele Ă© espantoso — disse o Nai Ă  mulher, em russo, e ela acenou.
— Filho, podes chamar-me pai. Hima, fizeste uma escolha excelente — disse o Nai com um sorriso, e o Hima acenou, agradecido.
— E o Dao, onde anda? — perguntou o pai, e o Hima e o Fai entreolharam-se.
— O mais certo Ă© o Pi nĂŁo voltar hoje para casa — disse o Fai, que conhecia bem o feitio do seu melhor amigo.


Os pais olharam para o jovem com ar interrogativo. O Fai virou-se para o Hima, e ele acenou.


— Bem
 Por volta das quatro, o Pi'Dao levou o meu amigo do cafĂ©, ao ombro. NĂŁo me parece que o Pi volte a casa nem sequer para o pequeno-almoço — disse o Fai, e os pais, entreolhando-se, desataram a rir.
— EntĂŁo era isso que tu querias dizer com os dois filhos. Pronto. Vamos comer. TambĂ©m nĂŁo viemos sĂł por um dia — acho que ainda tenho tempo de conhecer mais um filho — disse o pai num tom bem-disposto, e atacou a comida.


O Fai nĂŁo perguntou mais nada, porque era um rapaz arguto. Os pais do Hima tinham-lhe chamado filho, e isso sĂł podia querer dizer uma coisa: o Fai agradava mesmo ao Hima — senĂŁo, ele tĂȘ-lo-ia apresentado simplesmente como um amigo. SĂł uma coisa o Fai nĂŁo sabia: se o Hima tinha contado aos pais a histĂłria de como se conheceram. E, se lhe perguntassem, o que Ă© que ele havia de dizer?


Ao jantar, os pais fizeram perguntas ao Fai sobre aquilo de que ele gostava. A mĂŁe convidou-o a fazer-lhe companhia no dia seguinte, numa ida Ă s compras, e o Fai aceitou de bom grado. Sentia um calorzinho por dentro ao ver a ternura entre os pais do Hima. Toda a noite o Hima nĂŁo despregou os olhos dele, a sorrir ao ver o sorriso sincero do seu menino.


Depois do jantar, cada um recolheu ao seu quarto. O Hima não se atirou ao Fai, por muito que lhe apetecesse. Mas lembrava-se de que, de noite, o Fai quase não tinha dormido e de que, apesar de só ter acordado ao meio-dia, estava cansado. E, ainda por cima, a apresentação aos pais. O Hima não o quis pressionar.


🍃 🍃 🍃


ManhĂŁ em casa dos Kittichat


Depois da corrida matinal, o Fai, como de costume, ajudava a tiazinha na cozinha com o pequeno-almoço. Era dia de folga, e ele não tinha aulas. A Kira desceu primeiro e viu o Fai a ajudar a tiazinha a cozinhar. Observava-o com um sorriso quando o Hima desceu e ficou ao lado da mãe.


— Ele Ă© mesmo qualquer coisa, filho — disse ela ao filho, num sussurro, e ele acenou, a sorrir.


Depois do pequeno-almoço, a mĂŁe convidou o Fai para as compras. O Hima mandou com eles trĂȘs guarda-costas. O Fai tentou protestar, mas o Hima foi inflexĂ­vel. Depois de eles partirem, o Hima e o pai foram para o escritĂłrio — a questĂŁo do local para o casino continuava em aberto. E o Dao ainda nĂŁo tinha aparecido em casa.


A Kira foi com o Fai ao Siam. Antes de saírem, ela escolheu a roupa para o Fai. Ele ia com uma t-shirt creme, calças castanho-claras e uns ténis brancos. A mãe escolheu um conjunto a condizer com o do Fai: uma saia-låpis creme, um pouco abaixo dos joelhos, e uma blusa de seda castanho-clara, de mangas largas e com um grande laço no colarinho; na mão, uma malinha branca e, a condizer com ela, uns sapatos brancos de salto agulha.


A Kira adorava ir ao Siam quando vinha Ă  TailĂąndia. Mas o marido e os filhos nĂŁo gostavam lĂĄ muito de andar Ă s compras com ela, porque normalmente nĂŁo tinham tempo para isso. Por isso, ficou contentĂ­ssima quando o Fai aceitou ir com ela.


— Meu menino, ajuda-me a escolher um perfume novo — disse ela, e o Fai acenou.


Entraram numa perfumaria de marca, e o vendedor ofereceu logo a sua ajuda.


— Obrigada, nĂŁo Ă© preciso. Eu e o meu filho vemos sozinhos — disse ela com um sorriso, e foi percorrendo as prateleiras Ă  procura de um aroma novo, de braço dado com o Fai.


Ia examinando as prateleiras Ă  procura de alguma novidade, oferecendo de vez em quando um aroma ao Fai, para ele avaliar.


— Khun Kira, bom dia! — soou uma voz feminina aguda, e a mulher e o Fai viraram-se para a origem dela.


Os guarda-costas barraram-lhe o caminho, mas a mulher fez-lhes sinal para deixarem a rapariga passar.


— Nong Yufa, não esperava ver-te por aqui — disse a Kira a sorrir; mas o Fai reparou que aquele sorriso era forçado.
— Oh, vim comprar uma mala nova. Ia a passar, vi-a e resolvi vir cumprimentĂĄ-la. O Pi'Hima tambĂ©m veio convosco? — foi a rapariga direta ao assunto, sem prestar atenção nenhuma ao jovem ao lado da Kira.


O Fai adivinhou que a rapariga estava apaixonada pelo Hima: quando perguntou por ele, baixou um bocadinho a voz, e as bochechas coraram-lhe.


— EstĂĄs a vĂȘ-lo aqui? O Hima anda ocupado de mais com o trabalho, por isso chamei o meu filho mais amoroso para passear comigo — respondeu a Kira, e abraçou o braço do Fai.
— Filho? Mas a senhora só tem um filho — o Hima — disse a rapariga com desleixo, olhando para o Fai; mas ele só lhe sorria com doçura.
— Desculpe, Pi, a minha mãe não tem muito tempo para conversas. Mãe, vamos despachar o perfume, a mãe ainda queria ver o vestido. Temos de estar em casa à hora do almoço, senão o Hia fica preocupado — o Fai dirigiu-se à rapariga num tom terno, a sorrir, e depois passou o olhar para a mulher que o tinha pelo braço.


A Kira mal conteve o riso quando o Fai chamou Pi Ă  menina Ă  frente dele. Embora ela tivesse mais ou menos a idade do Fai, a Kira percebeu que ele o fizera de propĂłsito.


(N. da A. : na TailĂąndia, Ă© muito importante escolher bem o tratamento de cada pessoa. O Fai chamou-lhe Pi de propĂłsito, a sublinhar que ela parecia velha.)


— Pi? Tu chamaste-me Pi? — a rapariga levantou o tom, indignada.
— Oh, perdão. Pensei que fosse amiga da minha mãe — disse o Fai, sem largar o sorriso, e a rapariga ficou pasmada com o descaramento dele.
— Eu não sou amiga da Khun Kira; sou amiga do filho dela — respondeu a Yufa com rispidez.
— Nunca ouvi o seu nome nem ao Hia, nem ao Pi'Dao. Mas vou dizer-lhes, sem falta, que hoje encontrei uma amiga deles — falava o Fai com todo o carinho, e a mãe olhava para ele e sorria.
— Anda, meu menino. Tens razĂŁo, Ă© melhor despacharmo-nos, senĂŁo o Hima ainda se zanga comigo por eu nĂŁo lhe devolver o tesouro a horas do almoço. Desculpa-nos, Yufa. NĂłs vamos indo — disse a mulher, e seguiu com o Fai para a zona das novidades dos perfumes femininos, deixando a rapariga ali especada, sozinha.
— Quem Ă© ela? — perguntou o Fai baixinho, e a Kira olhou para ele com um sorriso.
— Não tens nada com que te preocupar. A Yufa nunca interessou ao Hima. O pai dela e o Nai são concorrentes de longa data. Mas aquela menina já anda há uns anos a tentar conquistar as boas graças do Hima. Vamos, antes que a menina nos faça aqui uma birra. O Hima teve sorte: encontrou um elefantinho branco* nascido na selva — disse a Kira e, apontando ao vendedor uns quantos perfumes, encaminhou-se para a caixa.


(N. da A. : o elefante branco sĂł nasce na selva — quer dizer que encontrar uma coisa boa e que valha a pena Ă© muito difĂ­cil.)


🍃 🍃 🍃


ManhĂŁ no apartamento do Fon


O Fon abriu os olhos e esticou-se para a mesa de cabeceira, para ver as horas no telemóvel. O relógio jå marcava quase dez da manhã. Virou a cabeça e viu, ao seu lado, um homem que era um encanto mesmo a dormir. O olhar do Husky passou para o pescoço do Dao, e ele estremeceu. No pescoço do homem havia vårias marcas de dentadas e chupÔes, e só do lado que ele via agora. Desceu os olhos pelo corpo dele e viu o mesmo no peito e nos ombros do homem. E, embora aquilo lhe parecesse tremendamente sensual, enxotou esses pensamentos para longe.


Maldição. Porque Ă© que eu fiz isto? Eu controlo-me sempre. Isto pode tornar-se um problema. — ralhava o Fon consigo mesmo, a lembrar-se da noite passada. — Raios
 deixei-o morder-me. E ainda por cima o tratei pelo nome. E nem sequer estava bĂȘbedo. É melhor nĂŁo voltar a encontrar-me com ele. — Continuava o Fon a pensar, enquanto as recordaçÔes lhe enchiam a cabeça.


O Husky sentou-se com cuidado, a sentir a dor no rabinho, e foi em bicos de pés para o duche.

O Dao acordou ao tentar abraçar a pessoa ao seu lado, mas a mão não encontrou ninguém. Abriu os olhos e ouviu o barulho de ågua na casa de banho.


Hm
 NĂŁo me acordou. Isso Ă© bom sinal, ou mau? Seja como for
 desculpa, pequenino. — o Dao sorriu de leve e deixou-se estar na cama, atĂ© ouvir o som da ĂĄgua calar-se.


O Dao sentou-se na cama, a olhar em volta no quarto. Lembrou-se de que tinha tirado os boxers na sala, por isso levantou-se e foi até lå em pelota. Ao abrir a porta, chocou com o Fon, que vinha só de toalha.


— Oh, desculpa, pequenino. Doeu? — perguntou o Dao, porque o Husky tinha batido com o nariz no peito dele.
— Está tudo bem, Pi — o Fon ergueu a cabeça, a esfregar o nariz.


O Dao desviou-se da passagem, e o Fon entrou no quarto, enquanto o homem ia buscar a sua roupa. O Fon olhou para o homem que se afastava e corou, ao ver os riscos vermelhos nas costas do Dao.


Enquanto o Dao esteve no duche, o Fon vestiu-se, secou o cabelo e sentou-se no sofĂĄ, a pĂŽr em ordem o que se tinha passado de noite. O Dao saiu do duche jĂĄ vestido, de cabelo hĂșmido. Pegou no seu blusĂŁo, no encosto do sofĂĄ, e tirou o telemĂłvel. Ao olhar para a data, lembrou-se de que os pais jĂĄ deviam ter chegado. Mas porque Ă© que a mĂŁe ainda nĂŁo lhe tinha ligado? Sacudindo esses pensamentos, olhou para o Fon.


— Pi
 eu espero que
 — o Fon não teve tempo de acabar: o Dao interrompeu-o.
— Eu percebo, pequenino. NĂŁo queres problemas por causa de sexo de uma noite. Eu tambĂ©m nĂŁo preciso de problemas. Bom, vou indo. Tu foste
 nada mau
 — com estas palavras, o Dao beijou o Fon na testa e saiu do apartamento dele.

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