15 🔞 – Labrador e Husky (parte 2 de 2)
O Hima puxou o jovem para si, e ele, obediente, sentou-se-lhe ao colo. As pernas do Fai apoiavam-se, pelos joelhos, no banco, e os braços enroscaram-se no pescoço forte do homem por baixo dele. O Fai não pensava em nada naquele momento, a não ser naqueles olhos lindos e sedutores, como girassóis*, a cintilarem com a luz do sol que, de vez em quando, caía sobre eles.
(N. da A. : girasol — outro nome da opala azul. A pedra caracteriza-se pelo tom azul-pálido e pelos reflexos irisados, que são a principal beleza desta gema.)
Aquele rabo desejado estava agora sentado nas suas pernas, e o membro excitado do Hima encostava-se a ele, a esfregar-se ao ritmo dos solavancos da estrada. O Hima sentia que endoidecia de desejo. E soltou o Dragão cá de dentro, pronto a engolir inteiro aquele cachorrinho de labrador sedutor. O Hima puxou o miúdo para si com dureza, a segurá-lo pelas nádegas, e uma chuvada de beijos sôfregos desabou sobre o pescoço fino do Fai, à mistura com dentadas, a fazer o jovem gemer ainda mais alto. O Hima estava como uma fera selvagem: bruto, duro, apaixonado e insaciável. Por mais que beijasse e mordesse aquele cachorrinho a gemer nos seus braços, era-lhe pouco, loucamente pouco.
— Hm… Chefe… desculpe… chegámos… — disse o Ray baixinho e com ar de culpa, com medo do castigo.
O Fai, ao ouvir a voz do Ray, estremeceu, ao dar-se conta de que, todo aquele tempo, não tinham estado sozinhos, e corou até às pontinhas das orelhas. Aninhou-se no ombro do Hima quando este despegou os lábios do pescoço do Fai, mas sem largar das mãos o rabinho do seu cachorrinho. O Hima sorriu com o comportamento do Fai: ontem, ele tinha sido completamente diferente; hoje, era outra vez o mesmo rapaz amoroso e envergonhado.
— Meu menino… levo-te para dentro de casa assim mesmo? — sussurrou o Hima ao ouvidinho do Fai, a tocar com a sua bochecha na bochecha quente e vermelha dele; e ao Fai pareceu-lhe que uma corrente elétrica lhe percorria o corpo.
— Não… não é preciso. Eu vou pelo meu pé — a voz dele saiu trémula e rouca e, ao mesmo tempo, baixinha e tímida.
O Fai respirou fundo, a tentar pôr os sentimentos em ordem, abriu a porta e saiu do carro, em direção à casa. O Fai ia pelo carreiro de pedra até à porta de entrada, que o Leon já lhe tinha aberto, com um sorriso matreiro. O cachorrinho não lhe prestou atenção, porque estava envergonhado, e excitado.
— Filho! Até que enfim… chegaste… — exclamou uma mulher bonita, ao ouvir o som da porta a abrir-se, e baixou o tom ao ver que quem entrava não era nem o Hima, nem o Dao.
O cachorrinho estacou, desorientado: nunca ali tinha visto gente de fora.
— Quem és tu, meu menino? — perguntou ela, a sorrir, porque o Fai não estava vestido nem como o pessoal da casa, nem como os guarda-costas.
— Mãe… — pronunciou, espantado, o Hima, que entrava a seguir a ele; com os acontecimentos da véspera, tinha-se esquecido por completo de que os pais vinham hoje de visita.
🍃 🍃 🍃
De volta ao Dao, à saída do café
O Dao saiu do café com um Fon aos gritos e aos palavrões ao ombro, que não parava de se contorcer e de tentar soltar-se. Mas o homem estava-se absolutamente nas tintas. Encaminhou-se para um dos três carros estacionados ali perto.
— Rio, vamos para a pista — deu o Dao a ordem, e o Rio apressou-se a abrir a porta de trás, por onde o Dao praticamente empurrou o Fon para dentro, sentando-se num instante ao lado dele.
Já no carro, o Fon não tentou fugir, porque nunca tivera essa intenção: ele tinha saído à caça do Dao, e aquele pintainho caíra com uma facilidade espantosa nas redes habilmente armadas.
Sentado ao lado do Fon no banco de trás, o Dao estava agitadíssimo. A olhar para aquele rapaz, não percebia o que é que o atraía tanto nele. Os lábios pequenos e rosados, as bochechas ligeiramente rechonchudas, o narizinho amoroso, ou o corpo miniatural e tonificado, que aquele miúdo adorava exibir a toda a gente? Mesmo com a camisa cinzenta da faculdade desabotoada, ele estava ótimo. Por baixo da camisa cinzenta trazia uma t-shirt branca de decote fundo em V, que lhe sublinhava cada músculo do tronco. As calças cinzento-escuras realçavam-lhe as pernas esguias e, embora o Dao não tivesse visto o Fon de costas naquelas calças, tinha a certeza de que elas lhe realçavam as nádegas redondas.
— Disseste que eu podia recuperar a minha scooter? O que é que tenho de fazer? — o Fon virou-se e, pousando a mão no joelho do homem e subindo-a devagar para a coxa dele, quase sussurrou ao Dao, num tom terno.
— Estás a testar a minha paciência, tampinha? — o Dao virou-se para o rapaz, que olhava para ele de olhos brilhantes, a sorrir.
A mão do Fon tocou na braguilha do Dao e acariciava com ternura, através das calças azuis, o membro dele, que ia crescendo. O Dao agarrou a mão do Fon e prendeu-lha atrás da cabeça; o rapaz não desviava os olhos dele. O Fon já tinha sentido a ereção nas calças do Dao, e a reação do homem acendeu-o. O rapaz mordeu o lábio, a desnudar os dentes branquíssimos. O Fon sabia o que era preciso fazer para interessar fosse quem fosse. E… o Dao rendeu-se.
O Dao já não conseguia olhar com calma para aquele miúdo atrevido. Com uma mão, segurava a mão do Fon por cima da cabeça dele; com a outra, tirava a gravata, a observar a reação do rapaz à sua frente. O Fon esticou a outra mão, para ajudar o Dao a tirar a gravata. Isso espantou muito o homem: parecia-lhe ter dado a entender, com bastante clareza, àquela criança insolente o que tencionava fazer. Será que ele não tinha percebido? Mas o Fon tinha percebido tudo perfeitamente.
Quando a gravata saiu do pescoço do Dao, o rapaz ergueu a mão livre e encostou-a à mão que o Dao já segurava, perto da pega por cima da porta e, entreabrindo a sua boquinha, o Fon sorriu.
Raios… Porque é que me provocas assim? — pensou o Dao e, atando as mãos do Fon à pega, beijou-o com paixão.
O Dao não tencionava ser meigo com ele, porque aquele miúdo lhe acordava os desejos mais escuros. O beijo dele foi duro e apaixonado, mas o Fon adorou. Naquele momento, aquele rapaz amoroso percebia que, com este homem, não precisava de fingir nem de se moldar aos desejos do parceiro: podia, simplesmente, fazer tudo o que lhe apetecesse. O Fon gemeu quando o Dao lhe mordeu a pontinha da língua pequena, que o homem, logo a seguir à dentada, lambeu.
O Dao não tencionava fazer sexo dentro do carro; aquilo era só uma tentativa de meter medo ao miúdo atrevido. Mas agora, com aquele corpinho a gemer tão docemente à sua frente, já não tinha a certeza de se aguentar. O homem olhou para o jovem diante de si: os lábios carnudos respiravam com esforço e, nos olhos dele, viam-se diabinhos a dançar, diabinhos a quem tinham acabado de abrir as portas e dar licença para irem passear.
O Fon engoliu em seco, e a maçã de Adão, ao mexer-se, chamou a atenção do Dao, que se debruçou logo para beijar aquele pescoço fino e delicado. O Fon voltou a gemer. Aqueles gemidos enlouqueciam o Dao.
Ele queria explorar cada centímetro do corpo dele, para descobrir as carícias em que sítio o fariam gemer ainda mais alto. O Dao apertou os mamilos do rapaz por cima da t-shirt, com as duas mãos, sem interromper o beijo. O Fon contorcia-se com o corpo todo, estremecia, gemia e, de olhos fechados, simplesmente se deliciava com aquelas carícias.
— Desata-me… — sussurrou o Fon ao homem, que lhe chuchava o lóbulo da orelhinha.
O Dao afastou-se e olhou para o rapaz. Naquele momento, ele estava tão parecido com um Husky traquina, que já tinha feito asneira e que, depois do castigo, se preparava para fazer mais. O homem tirou a gravata das mãos do rapaz.
O Fon tirou-lhe a gravata das mãos e montou-o, a acariciar-lhe o peito forte e a rebolar o rabinho pequeno no membro do Dao.
— Querias brincar? Então vamos brincar… — disse o Husky com uma voz doce ao ouvido do Dao, e lambeu-lho, mordiscando-lhe ao de leve o lóbulo.
— Ahhh… — escapou dos lábios do Dao um gemido rouco; as mãos dele envolveram o rabinho do rapaz e apertaram-no.
O Fon vendou os olhos do Dao com a gravata e abriu a braguilha das calças do homem, e o cinto. O Husky queria provocá-lo; os gemidos daquela pessoa acendiam-no tanto.
— Gostas de provocar, Pi? — o Fon passou o dedo pelos lábios do Dao, e ele, sem pensar duas vezes, pôs a língua de fora, a lamber-lhe o dedinho.
— Uf… — o Fon tentou segurar um gemido, mas não estava a resultar lá muito bem.
O Husky desceu com a língua do lóbulo da orelha, pelo pescoço, até à clavícula, a deliciar-se com o cheiro da pele dele e… mordeu o Dao no ombro. Normalmente, o Fon não gostava de deixar marcas no corpo dos parceiros, e exigia deles o mesmo. Mas aquele homem grande à sua frente era tão sensual que a única maneira de deitar cá para fora o que sentia era uma dentada. O Dao voltou a gemer, a apertar o corpinho pequeno mais contra si. O Husky adorava a maneira como o Dao respondia ao que ele fazia, era como se lhe lesse os pensamentos.
O miúdo descarado rebolava o rabo, sentado em cima do homem.
De repente!
O carro passou por uma lomba, e o Husky deu um saltinho em cima do Dao. Cambaleou com a surpresa, mas o braço forte do homem apertou-lhe a cintura com firmeza, a puxá-lo contra si. O Dao sabia: lomba, só havia uma, mesmo antes da entrada para a pista dele.
— Acabaram-se as brincadeiras, pequenino — disse o homem com um suspiro, e tirou a gravata dos olhos.
O Fon olhava-o nos olhos e sorria. O Husky, embora quisesse continuar, decidiu jogar o jogo à maneira daquele homem. Saiu de cima dos joelhos do Dao e sentou-se no banco ao lado. O miúdo tirou a gravata das mãos do Dao e voltou a atá-la com todo o cuidado, o que deixou o homem muito espantado.
Enquanto o Fon lhe atava a gravata, o Dao olhava para ele sem pestanejar. Aquele miúdo saía fora de todos os moldes, partia-lhe todos os estereótipos e, sem andar à procura da chave, tinha simplesmente arrombado com o pé a porta do coração do Dao.
O carro parou, e o Rio saiu para abrir a porta ao Dao. O Dao saiu do carro e, atrás dele, o Fon, com um sorriso na cara, como se, nos últimos quarenta minutos, tivessem estado simplesmente sentados à conversa. E só o Rio é que tinha ouvido o que se passou durante todo o caminho até à pista.
— Porque é que estamos aqui? — perguntou o Fon, a olhar em volta.
A pista do Dao era maior do que a do Prem. Tanto os acabamentos como o próprio piso de corrida eram incomparavelmente melhores.
— Então não queres a tua scooter de volta, pequenino? — o Dao continuava a chamar-lhe pequenino, porque aquele Husky traquina parecia mesmo um aluno do secundário.
📲 Trum… trum… trum…
O Fon nem teve tempo de responder: tocou-lhe o telemóvel, e ele tirou-o da mochila. O Dao estava ao lado dele e viu o nome de quem ligava: ‹Prem›.
📞— “Sim, Pi. Quem é, desta vez?” — perguntou o Fon, porque a pista ainda não tinha aberto, e isso só podia querer dizer uma coisa: alguém tinha desafiado, especificamente, o Cerejinha.
📞— [Cerejinha… O Dream quer uma corrida com as motas dele.] — respondeu o Prem com uma voz nervosa, porque o Dream estava mesmo ao lado dele e ouvia a conversa.
📞— “O quê? Ao que é que ele veio? Ele bem sabe que só há corrida com o teu equipamento, Pi.” — o Fon ficou irritado de um momento para o outro, quando ouviu o nome Dream. As sobrancelhas franziram-se-lhe — e o Dao reparou.
📞— [Que foi, Cerejinha? Tens medo de voltar a perder comigo?] — o Dream decidiu picar o Fon, porque sabia que não havia nada que aquele miúdo detestasse mais do que perder.
📞— “Eu não tenho medo de perder; só não quero desperdiçar tempo numa corrida contigo.” — respondeu o Fon, e a voz tremeu-lhe ao de leve; ao telefone não se notava, mas o Dao apanhou aquela nota.
📞— [Ah! Se não tivesses medo, aceitavas a corrida. Admite lá que ainda não me esqueceste, Nong Fon.] — o Dream continuava a manipular. E o Dao a ouvir.
O Dao arrancou o telemóvel das mãos do Fon e ligou o alta-voz.
— Ei! Pi, para quê?! — indignou-se o Fon, e do outro lado ouviram-no com certeza.
📞— "Prem, aceitas uma corrida na tua pista, mas NÃO com o teu equipamento?” — perguntou o Dao com uma voz severa e grave.
📞— [Se o Cerejinha aceitar.] — respondeu o Prem em voz baixa.
📞— “Ele aceita. A que horas é a corrida?” — disse o Dao; e, mal o Fon se preparava para protestar, o homem encostou-lhe o indicador aos lábios e carregou ao de leve, a sorrir com malícia, à espera da resposta.
📞— [Às vinte horas. Mas o Cerejinha tem de vir com equipamento próprio, e não com o da garagem do Prem.] — disse o Dream com escárnio, sabendo perfeitamente que o Fon só tinha uma scooter.
📞— “Ou seja: o Cerejinha tem de aparecer numa mota que não seja da garagem do Prem, certo?” — reperguntou o Dao, e o outro confirmou. — “Ótimo. Às vinte horas, o Cerejinha está na corrida — trago-o eu mesmo. Podes estar descansado: ele aparece.” — o Dao já estava farto daquela conversa e decidiu despachá-la; dito isto, desligou. Fez um aceno com a cabeça, a dar a entender ao Rio e a uns quantos mecânicos que estavam ali a mais. Os rapazes debandaram num instante.
— Quem é esse tipo que te desafiou? — perguntou o Dao, com uma pontinha de ciúme.
— O meu ex. Uma vez, perdi contra ele. Pelas condições da aposta, se eu ganhasse, ele pagava trezentos mil; se eu perdesse, tinha de lhe obedecer em tudo durante duas semanas… E, como deves calcular, essa relação durou exatamente duas malditas semanas. Eu não podia deixar o Pi'Prem ficar mal, quebrando as condições da aposta — senão a pista dele sofria com isso, e os rapazes que lá trabalham ficavam sem emprego — o Fon não escondeu nada do Dao, porque percebia que, se o Dream o visse na pista, contava-lhe a história na mesma — e ainda a enfeitava.
Se o Fon pudesse espreitar para dentro da cabeça do Dao, teria lá visto a imagem do Dream a ser torturado numa cave durante duas semanas, e, depois, simplesmente levado para as montanhas e largado lá, a morrer. O Dao suspirou.
— A tua scooter ainda fica por cá. Anda, pequenino — o Dao passou o braço pelos ombros do seu Husky amoroso e levou-o para dentro do grande salão.
Quando entraram, os mecânicos viraram-se, e alguns, de espanto, até deixaram cair as ferramentas das mãos, porque, além do Dao, do Hima, dos pais deles e dos guarda-costas mais próximos, nunca ninguém tinha entrado no salão de exposição. Era a coleção pessoal do Dao.
— Escolhe a que quiseres — o Dao passou a mão de uma ponta à outra do salão, a apontar as motas ao Fon.
O Fon ouviu o estardalhaço das ferramentas a caírem ao chão e virou-se. Os olhos de toda a gente no salão estavam postos naquele miúdo pequeno a quem o chefe deles acabava de oferecer uma mota. Mas o Fon estava-se nas tintas porque, quando viu as máquinas à sua frente, ficou em êxtase.
— A sério que é qualquer uma, Pi? — sem se virar para o Dao, o Fon percorria o salão com os olhos e sacudia-lhe a mão, como uma criança pequena.
Que Husky tão engraçado… pergunto-me… se ele tivesse cauda, não estaria agora a abaná-la sem parar, aos saltos à minha frente, a lamber-me? — pensou o Dao, a olhar para o Fon, e sorriu.
— Sim, pequenino. Qualquer uma — o Dao despenteou o cabelo do Fon e puxou-o pela mão até à mota que tinha chegado enquanto o Fon estava fora da cidade.— Que tal esta? Encomendei-a depois da corrida contigo. Chegou há três dias. Ainda ninguém andou nela — o Dao levou o seu Husky até à mota, e o Fon parecia prestes a vir-se de puro prazer estético.
Era uma Kawasaki Ninja ZX-14R vermelha. E o que é que esta mota tem de especial, perguntam vocês? Atualmente, só está disponível uma versão deste modelo, que junta o equipamento das versões Performance Sport e Special Edition. O modelo só está à venda na América do Norte e na Austrália, e o facto de o Dao o ter conseguido em duas semanas pareceu ao Fon qualquer coisa de inacreditável. Ao Fon parecia-lhe mais fácil tirar uma estrela do céu do que arranjar aquele modelo de mota.
— A sério?! Estás a falar desta bebé vermelha?! — o Fon sacudia a mão do Dao e olhava, com os olhos cheios de deslumbramento, para a mota à sua frente.
— Queres dar uma volta nela? — o Dao olhava para o Husky e provocava-o. Quanto mais o Dao oferecia, mais o cérebro do Fon se desligava.
— Siiim… — disse o Fon num suspiro, e virou-se para o Dao com um sorriso rasgado.
— Então de que é que estás à espera? A saída para a pista é ali — sorriu-lhe o Dao em resposta, e apontou com o dedo para um portão pequeno.
O Husky largou a mão do Dao e correu para a mota, a tocar-lhe e a examiná-la de todos os lados. O homem ficou ali, a deliciar-se com o rapaz que corria de um lado para o outro, como se lhe tivessem oferecido o brinquedo dos seus sonhos. O Fon já se preparava para tirar a mota dali quando o Dao o deteve, segurando-o pelo ombro.
— Pequenino, não te esqueces de nada? — perguntou o Dao, e o Fon pôs-se freneticamente a tentar lembrar-se do que se poderia ter esquecido. Mas o Husky continuava sem perceber o que é que o Dao queria dele.
— Anda — o Dao pegou na mão do Fon e levou-o ao balneário.
Abrindo um armário protegido por código, o Dao tirou de lá um fato de motociclismo vermelho e preto e um capacete, a condizerem na perfeição com a cor da Kawasaki.
— Veste — o Dao estendeu o fato ao Fon e, por delicadeza, até se virou de costas.
— Nem sequer vais espreitar enquanto me troco? — perguntou o Fon, provocador, porque queria ver a reação do Dao ao seu corpo nu.
— Se queres outro tipo de «corrida», depois não chegas a tempo à corrida com o Dream. Por isso mexe-te: tens só uma hora para experimentar a mota — respondeu o Dao, e não se virou, porque sabia que, se visse aquele miúdo despido, fodia-o ali mesmo.
— Pi… Porque é que este fato me assenta assim tão bem? — quis saber o Fon.
O Dao virou-se e sorriu, ao ver o Fon. Naquele fato, o seu Husky estava ainda mais sensual.
Tenho de mandar um presente ao Dark, por ter arranjado as medidas para o fato.— pensou o homem, e tirou o telemóvel para transferir duzentos mil ao Dark.
— Porque foi feito à medida, especialmente para ti, pequenino — disse o Dao sem levantar a cabeça do telemóvel, porque estava mesmo a acabar a transferência. O Fon ficou de boca aberta, mas não disse nada.O Husky saiu para a pista e rodou nela pouco mais de uma hora, até o Dao o chamar.
— Pequenino, vais com esse fato, ou trocas de roupa no Prem? — fez o Dao a pergunta, mas com muita vontade de que o Fon escolhesse aquele fato.
— Com este, claro. Combina na perfeição com a mota! — respondeu o Husky sem hesitar, a olhar para o Dao, que sorriu de leve com a resposta.
— Anda, eu levo-te. E tu deixas-me conduzir as negociações na pista, está bem? — o Dao aproximou-se do Fon e, passando-lhe o braço pelos ombros, propôs-lho com carinho, a olhá-lo nos olhos.
O Fon não conseguiu dizer que não àquela expressão amorosa e suplicante na cara dele, que não encaixava nada na sua imagem. O Husky acenou.
O Dao decidiu chegar mais cedo, para o adversário não mudar de ideias quando visse a mota. Enquanto o pequenino rodava na pista, o Dao trocou de roupa: um blusão de cabedal preto, uma t-shirt vermelha, calças pretas e uns ténis vermelhos. E ainda pôs o Dark a desencantar informação sobre o Dream. Agora o Dao sabia tudo sobre ele, e foi exatamente por isso que pediu ao seu Husky que o deixasse negociar. O Dao proibiu o Rio de ir com eles, porque sabia que se desenrascava sozinho, e assim foram os dois na Kawasaki.
Chegado à pista do Prem, o Dao não estacionou na entrada principal, mas no sítio onde o Cerejinha costumava deixar a sua mota. Foram logo à procura do Prem, para o Dao lhe poder explicar as condições da aposta, e as de antes da aposta.
— Pi'Prem, que saudades. Pi! — o Fon tentou aproximar-se e abraçar o Prem, mas agarraram-no pela mão.
— Tu não comeste nada depois do café, pois não? Acho que devias trincar qualquer coisa antes da corrida, pequenino — propôs o Dao ao seu Husky, e o Prem percebeu que aquele homem queria falar com ele a sós, por isso decidiu ajudar.
— Cerejinha, na cozinha está uma sobremesa à tua espera. Queres? — disse o Prem com um sorriso, e o Fon, com um aceno, correu para a cozinha.
— Chamo-me Dao. Se percebi bem, tu não gostas do Dream, estou certo? — o Dao não se pôs com rodeios, e o Prem acenou.
— Tenho uma proposta… — o Dao sorriu, e com aquele sorriso um arrepio frio correu pelas costas do Prem.
O Husky estava sentado na cozinha, a devorar as suas «Nuvens de Morango», sem desconfiar de nada…