13 🔞 – Pequeno mentiroso (parte 2 de 2)
O Hima, duas horas antes
O clube funcionava até às três da manhã; às dez e meia chegou o Hima, que tinha uma reunião de negócios no clube às onze e meia. Passou ao seu gabinete, sentou-se à secretária e abriu o menu das câmaras de vigilância. Viu o Fai no salão comum, a andar de mesa em mesa e a sorrir aos clientes. De vez em quando, a Candy aproximava-se dele, dizia qualquer coisa e voltava para trás, ligeiramente contrariada. Em meia hora, a rapariga foi ter com ele sete vezes, sim, o Hima estava a contar. Chamou a rapariga ao gabinete.
— Candy, o que é que se passa? — perguntou ele, porque, por causa da música alta, não ouvia as conversas dela com o Fai.
— Desculpe, Khun? Fiz alguma coisa de mal? — interessou-se ela, porque não percebia a razão do descontentamento do chefe.
— Na última meia hora, entraste várias vezes no salão comum, falaste com o Fai e vinhas contrariada. O que é que se passa? — explicou o Hima, e a rapariga suspirou de alívio, por o chefe não estar zangado com ela.
— Khun, este jovem está hoje muito popular entre os clientes, mas recusa-se a ir com qualquer um deles para uma sala VIP, e eles estão descontentes. Alguns até ofereceram quinhentos mil só para ele lhes ir servindo a bebida nos copos. O Fai recusou na mesma. Que idiota é que recusa quinhentos mil por duas horas? — indignou-se a rapariga com sinceridade, e o Hima franziu o sobrolho.
— O Fai é o idiota que recusa um dinheiro desses. Daqui a meia hora tenho uma reunião: prepara a sala e diz ao Fai que é ele que nos vai servir — disse o Hima com severidade, e a rapariga ficou tensa, porque lhe parecia que estava a ser repreendida.
Acenou e saiu do gabinete, em direção ao Fai. Ele ia a levar bebidas a uma mesa quando a Candy parou junto ao bar, à espera dele. O Fai viu a rapariga, soltou um suspiro pesado, percebia ao que ela vinha, e foi ter com ela com um sorriso.
— Daqui a meia hora tens de ir para a sala VIP: hoje há lá uma reunião importante, e és tu que serves as bebidas. Não faças asneira, senão é o teu último dia aqui. O chefe não gosta de perder dinheiro. Se o convidado te pedir que lhe faças companhia, tens de aceitar. O resultado do negócio pode depender disso — a rapariga explicou tudo isto de uma forma bastante bruta, mas o Fai sorriu-lhe na mesma.
— Está bem — concordou o Fai, porque ouviu a palavra «chefe» e percebeu que a reunião era do Hima ou do Dao — e não os queria deixar ficar mal.
Vinte minutos depois, entrou no clube um homem alto, na casa dos trinta, com três guarda-costas. Passaram pelo Fai, e o homem lançou-lhe um olhar de passagem; o Fai sorriu e inclinou a cabeça, a cumprimentá-lo. Percebeu que era aquele o homem da tal reunião, mas ainda não sabia quem era a outra parte das negociações.
O Fai pousou o tabuleiro e dirigiu-se à Candy, que vinha precisamente ao encontro dele. Ela acompanhou-o até à sala e deu-lhe um tabuleiro com uma garrafa de Sassicaia e dois copos.
O Fai bateu à porta, ouviu autorização para entrar e puxou o puxador da porta com cuidado. Ao entrar na sala, viu o Hima sentado num cadeirão e, no sofá, aquele mesmo homem que há pouco entrara com os três guarda-costas. Estavam ali os dois sozinhos. O Fai inclinou a cabeça e, fechando a porta, ficou de pé perto da entrada, como o gerente lhe tinha explicado. O Hima olhava para o Fai, e o outro homem para o Hima. Ao Fai não agradou nada o olhar daquele homem: estava carregado de luxúria.
— Serve-nos o vinho! — ordenou o homem, e o Fai, obediente, aproximou-se da mesinha, pôs os copos diante dos dois, abriu a garrafa e serviu o vinho.
— Obrigado — agradeceu o Hima; o Fai sorriu e voltou para o seu lugar.
Os dois discutiam um negócio qualquer com um casino em Pattaya. O Fai esforçava-se por não ouvir a conversa, mas o olhar dele, por alguma razão, estava pregado ao homem ao lado do Hima. Quando o Hima lhe mostrava qualquer coisa nos documentos, o homem, de vez em quando, tocava-lhe na mão, como que por acaso, mas o Fai bem via que aquilo não tinha nada de acaso. Quando por fim chegaram a acordo, o homem deixou cair a caneta na altura de assinar o contrato, e ela rolou para debaixo do Hima.
O Hima, sem pensar duas vezes, inclinou-se para a apanhar, e, nesse momento, o homem atirou qualquer coisa para dentro do copo do Hima. O Fai reparou e, lembrando-se das palavras da Candy, de que o chefe não gosta de perder dinheiro, deu um passo em frente.
Não sabia o que é que o homem tinha deitado no copo do Hima. Pensou logo em várias hipóteses ao mesmo tempo: veneno, sonífero, afrodisíaco. O Fai não podia permitir que o Hima bebesse aquilo. As duas partes assinaram o contrato.
— Excelente negócio! Bebamos! — propôs o homem, chamado Gas, e ergueu o copo da mesa.
O Hima pegou no seu e, mal teve tempo de o levar aos lábios, foi travado pela mão do Fai, que lhe tirou o copo e o despejou todo de um trago.
— O que é que tu te permites, fedelho?! — desatou o Gas aos gritos, e o Fai olhou para ele com um sorriso.
— Desculpe, tinha a garganta seca — disse o Fai, e olhou para o Hima, que não percebia o que se estava a passar.
— Devia despedi-lo, Khun Hima. Como é que ele se atreveu a arrancar-te o copo das mãos e a bebê-lo?! Isto é inadmissível — indignava-se o homem.
— Perdoe, Khun. Se for preciso despedir-me, pode fazê-lo — concordou o Fai, e sorriu. Percebia que aquele negócio era importante, por isso não disse ao Hima que o homem ao lado dele tinha violado a regra.
— Fai! Sai imediatamente! Khun Gas, desculpe, eu trato dele mais tarde! — gritou o Hima e, baixando o tom, virou-se para o Gas.
O Fai saiu da sala a toda a pressa e encaminhou-se para a casa de banho, para limpar o estômago. Mas nem teve tempo de lá chegar: veio-lhe um calor, a cabeça começou a andar-lhe à roda e sentiu uma fraqueza. O Fai apoiou-se à parede do corredor e foi andando devagar na direção da casa de banho. Deu nas vistas ao Rio, que percebeu que algo não estava bem com ele e se apressou a ir ter com ele.
Raios… atua depressa de mais… — pensou o Fai.
— Fai? Estás mal? O que foi? — o Rio fazia perguntas, mas o Fai só murmurava coisas sem nexo. — Fai? — insistia o Rio, mas o rapaz não respondia.
Avaliada a situação, o Rio apoiou-o no seu ombro e encaminhou-se para a sala mais próxima do corredor. Por sorte, estava vazia. Deitou o Fai no sofá e, ao ver-lhe as bochechas vermelhas, tirou-lhe o laço do pescoço e desapertou-lhe um botão. Depois de se certificar de que o Fai não caía, ligou logo ao Hima.
📞— "Chefe, temos um problema. Alguém usou drogas no clube" — relatou o Rio, apreensivo, de cócoras diante do Fai, a examiná-lo.
📞— [O que é que disseste? Tens a certeza?] — perguntou o Hima em tom sério, ainda na sala com o homem.
📞— “Sim, chefe. Vou tentar perguntar-lhe em que sala ele esteve, mas não sei se consigo resposta. Ele só resmunga coisas impercetíveis. Fai? Fai? Consegues responder? Fai?” — disse o Rio, e o Hima estremeceu com o gemido fraco do Fai; terminou a chamada e olhou para a pessoa no sofá.O Hima sorriu de leve e tirou do bolso de cima do casaco uma caneta. Chegando-se mais ao homem à sua frente, pegou no contrato que estava na mesa, rasgou-o e atirou-lho à cara. O Gas ficou pasmado com aquele comportamento.
— Khun Hima, nós fizemos um contrato excelente! O que estás a fazer?! — exclamou o Gas.
— Só queres fechar o contrato? — disse o Hima com voz meiga e, pousando a mão na perna do homem, acariciou-a com ternura.
O Gas desviou os olhos da mão do Hima para a cara dele, que era o oposto absoluto daquela voz: os olhos do Dragão faiscavam de raiva; parecia que, à volta dele, se estava a formar um tornado, pronto a varrer tudo à sua passagem.
— Khun… Hima… — não teve o homem tempo de acabar: o Hima ergueu o braço num relâmpago e espetou a caneta na perna do Gas, a mesma que, ainda agora, acariciava com a outra mão.
O Gas gritou de dor. O Hima deu-lhe um murro na cara e rebentou-lhe o nariz. Com o grito, entrou um segurança, e não se atreveu a travar o chefe. O Hima continuava a bater-lhe.
— Sabes sequer quem é este empregado de mesa, cabrão?! O que é que deitaste no copo? Fala! Ou queres que te encontrem aos pedaços numa das tuas obras, hã?! — gritava o Hima, com os murros cada vez mais fortes.
No copo, o Gas tinha deitado um novo tipo de droga: ao princípio, atua como um calmante, para a vítima poder ser transportada facilmente, vai balbuciando qualquer coisa, e parece que está simplesmente bêbeda; passado um tempo, o efeito do sedativo começa a passar, e ativa-se o afrodisíaco. Havia muito que o Gas queria sexo com o Hima, mas este mantinha-o sempre à distância. O Gas planeava experimentar-lhe o comprimido naquela noite e sentir, finalmente, no próprio rabo, quão bom era o Hima na cama — mas o Fai deitou-lhe os planos todos por terra.
— Chefe! Chega! Chefe! — pedia o segurança, mas não estava a resultar.
— Hia! Para! — gritou o Dao, e o Hima imobilizou-se, com o punho ensanguentado erguido para mais um murro.
— Vai lavar-te, eu trato disto — disse o Dao.
O Hima levantou-se e foi à casa de banho da sala, lavar o sangue das mãos e da cara. Quando acabou, marcou logo o número do Rio.
📞— "Onde é que vocês estão?" — perguntou o Hima, saindo da casa de banho e encaminhando-se para a porta do corredor.
📞— [Na sala cinco, chefe. Não consegui apurar em que sala ele esteve…] — tentava explicar o Rio.
📞— "Isso já descobri eu" — respondeu o Hima, e foi para a sala cinco.
Ainda bem que não se cruzou com clientes pelo caminho, porque o aspeto do Hima tê-los-ia assustado de certeza: as mãos com pequenas escoriações, o casaco e a camisa salpicados de sangue e, na cara, estampada a vontade de matar. Foi precisamente assim que ele entrou na sala onde o Fai estava deitado.
O Rio virou-se e olhou para o chefe.
— Chefe, o senhor está bem? Tem sangue — perguntou o Rio.
— Estou bem, não é meu. O Dao está na sala VIP: ajuda-o a pôr tudo em ordem, para ninguém ver, entendido? Diz que ninguém entra aqui enquanto eu não deixar. E esse… cabrão, levem-no para a cave, se ele conseguir andar — ordenou o Hima secamente, e o Rio saiu da sala a passo apressado.
O Hima sentou-se no sofá ao lado do Fai, tirou o casaco e fez-lhe uma festa cuidadosa na bochecha afogueada; o Fai gemeu baixinho.
— Porque é que não me disseste logo, tontinho? Desculpa ter gritado contigo, Fai… — disse o Hima em voz baixa, pegando na mão do Fai e continuando a fazer-lhe festas na bochecha.
O Fai tentou abrir os olhos devagar; sentia um calor enorme e começou, freneticamente, a desabotoar a camisa. O Hima agarrou-lhe a mão, para o travar. O Fai conseguiu soerguer-se e viu o Hima à sua frente. Estava tão bonito e tão sedutor que o Fai não conseguiu conter-se.
O Fai estendeu as mãos para o peito do Hima e, quando elas tocaram na camisa, cambaleou, e puxou-a com tanta força que os botõezinhos voaram pelo chão.
— Fai… Fai, estás bem? Anda, levo-te a um duche frio — o Hima percebeu o que tinha estado dentro do copo.
— Hima… Por favor… Tenho tanto calor… — implorava o Fai, a tentar desapertar os botões da própria camisa, que não cediam, e fez-lhe simplesmente o mesmo que tinha feito à camisa do Hima..
— Sim… leva-me — gemia o Fai, com as mãos a vaguearem-lhe pelo próprio peito, a descerem cada vez mais.
O Hima esforçava-se por se conter com todas as suas forças. Aquela imagem do Fai era tão sensual que, se o cachorrinho adorável lho pedisse mais uma vez, o Hima não ia conseguir recusar.
— Ahh — escapou um gemido da garganta do Fai, quando a mão dele deslizou para baixo, para dentro das calças. O Hima engoliu em seco.
Oh, Fai… porque és tu tão sexy? — pensou o Hima.
— Fai? Anda, eu ajudo-te — o Hima tentava manter-se na linha; soergueu o corpo do Fai, abraçou-o pela cintura e encaminhou-se para a casa de banho.
O Hima levou o Fai para a casa de banho e sentou-o na borda da banheira, a ampará-lo para lhe tirar a camisa. Sabia por experiência própria como é desagradável a roupa molhada colada ao corpo, por isso não o queria arrastar vestido para o duche. O Hima esticou-se para lhe desapertar os botões da manga, mas o Fai agarrou-lhe a mão, a olhar para ele com os seus grandes olhinhos de cachorro, carregados de luxúria.
— Hima… és tão… erótico — disse o Fai com a voz rouca e, erguendo a mão, o cachorrinho fez-lhe uma festa na cara, descendo com ternura pelo pescoço.
Maldição… Fai… Já não me consigo conter. — pensou o Hima, e debruçou-se para o beijar.
Quando os lábios dele tocaram nos lábios do Fai, o Fai respondeu logo ao beijo, enfiando a mão nos cabelos do Hima e apertando-o com mais força contra si. A língua do Fai estava tão impaciente que num instante penetrou na boca do Hima. O Fai chupava-lhe a língua quente com tanta paixão que obrigava o Hima a gemer. O Fai mordeu-lhe o lábio de baixo; agarrou o Hima pelo pescoço e cravou-lhe os dentes.
— Fai… — gemeu o Hima, enquanto o Fai lhe beijava o pescoço com sofreguidão, deixando-lhe chupões e marcas de dentadas.
O Fai queria tanto fazer aquilo que, agora, simplesmente se entregou ao efeito da droga e desfrutava do corpo lindo à sua frente.
— Oh… Fai — gemia o Hima o nome dele.
O Fai arrancou-lhe a camisa e girou com ele, de maneira que agora era o Hima que estava sentado na borda da banheira. Passou a mão pelo corpo do Hima, no sítio da tatuagem, a acariciar o dragão da cabeça até à pontinha da cauda, que acabava na coxa, na dobra da perna. O Fai sentou-se-lhe ao colo, a provocar-lhe os mamilos com a língua, ora a chupá-los, ora a mordê-los, alternadamente.
O Hima não conseguia parar o coração, que batia como louco, nem o tremor que lhe percorria o corpo inteiro com os toques daquele miúdo. Tinha tido muitos parceiros, que fodera, mas com nenhum se sentira tão bem.
O Hima ergueu a cara do Fai pelo queixo e beijou-o com paixão. Agora já não ia parar, nem que pudesse.
— Hima… Ah… sabes tão bem… — gemia o Fai, a beijar-lhe a barriga e a descer cada vez mais.
O Hima levantou-o pelos ombros e desapertou-lhe as calças. O Fai não resistiu, pelo contrário: despiu ele mesmo as calças e os boxers, ficando completamente nu. O Hima olhava para ele e não conseguia desviar o olhar: o corpo dele era tão branco e tão quente, e o membro estremecia de desejo. O Hima despiu as calças, e o seu membro chamou a atenção do Fai. Os tamanhos eram praticamente iguais. O Fai tomou-lhe o membro na mão, e o Hima estremeceu com o toque quente. O Fai acocorou-se e, a provocar, passou a linguinha pela cabeça, desceu por todo o comprimento e voltou a subir, a lamber-lhe o membro.
— Siiim… — gemeu o Hima com a língua quente e molhada do Fai, que o provocava com tanta ternura, a excitá-lo cada vez mais.
O Fai contornou a cabeça com a língua e, depois, os seus lábios envolveram o membro do Hima, a chupá-lo com paixão — e, a cada movimento para baixo, recebia-o mais fundo.
— Fai… meu menino… Uff — o Hima não conseguia segurar os gemidos; de cabeça atirada para trás, desfrutava do que aquele rapaz encantador lhe fazia.
Com uma mão, apoiava-se na borda da banheira, para não cair; com a outra, remexia os cabelos do Fai, a acompanhar o ritmo dos movimentos da cabeça dele. Aquela boquinha amorosa desempenhava na perfeição a sua tarefa: dar prazer ao Hima. O Fai soltava gemidos abafados, de cara vermelha, a segurar o próprio membro e a mover a mão ao ritmo dos movimentos da sua cabeça.
— Fai… estou quase… Aahh… — não teve o Hima tempo de acabar a frase, quando se deu conta de que o líquido branco já se derramava na garganta do Fai.
O Fai fez ainda alguns movimentos com a cabeça e afastou-se devagar, a sorrir com ternura à pessoa à sua frente. De olhos erguidos, olhava para a cara afogueada do Hima.
💓 💓 💓
O Hima ouvia o som do próprio coração, que agora batia de outra maneira. Aqueles olhos… aquele sorriso… Raios, por eles, era capaz de dar tudo. Agora percebia: aquele cachorrinho adorável tinha de pertencer só a ele. A ele, e a mais ninguém.
O Hima ergueu-o e puxou-o para si, a beijá-lo com paixão. O Fai respondeu ao beijo com um gemido.
— Eu… quero-te, Hima… estou doido para te comer — disse o Fai com a voz rouca, descolando-se dos lábios dele.
Com aquelas palavras, o Hima sentiu no peito um calor que lhe alastrava pelo corpo todo, como um tsunami, roubando-lhe a capacidade de respirar.
O Fai pegou-lhe na mão e levantou-o da banheira, oferecendo-lhe outra vez um beijo apaixonado. O Hima sentiu as costas tocarem na parede fria, contra a qual o Fai já o apertava. O Hima estava tão afundado naquele rapaz que nem deu por terem atravessado metade da casa de banho.
— Fai… Chama-me Hia… — sussurrou-lhe o Hima ao ouvidinho.
— Hia — o Fai virou-se para ele e disse-o a olhar para aqueles olhos azuis sem fundo.
O Hima sentiu o coração a bater com tanta força que parecia pronto a saltar-lhe do peito para as mãos daquele menino amoroso, só por ele lhe ter chamado Hia.
O Fai já não conseguia conter-se; não sabia se era do efeito da droga, se daqueles olhos azuis que o tinham entontecido. Desceu as mãos até à cintura do Hima e, num golpe, virou-o de costas para si, a morder-lhe a orelha com paixão, a deixar um carreirinho de beijos pelas costas fortes, a descer até ao seu rabo redondo.
— Ah… ah… — gemia o Hima, enquanto o Fai lhe apertava com as mãos as nádegas firmes e lhe continuava a beijar as costas.
O Fai agachou-se, a morder-lhe o rabinho. O Hima sentiu que aquilo o excitava loucamente. Parecia-lhe que, se o Fai lhe pedisse naquele momento o que quer que fosse, ele aceitava sem hesitar.
O Fai ergueu a mão, lambeu o dedo e deslizou-o até ao buraquinho do Hima, que estremeceu com a surpresa. O Fai começou a introduzir devagarinho o dedo naquele rabinho lindo e tentador.
— Fai… Não… — protestou o Hima, mas sentiu-se estranho.
— Por favor, Hia… ajuda-me… só uma vezinha… Hia… — implorava o Fai, sem parar de lhe beijar o rabinho e movendo devagar o dedo.
— Ah… ah… ah… — gemeu o Hima, quando o Fai pôs o dedo a mexer um bocadinho mais depressa.
O Hima sentia uma excitação um pouco diferente da de quando era ele a foder alguém. Eram sensações completamente novas para ele, estranhas e, ao mesmo tempo, arrebatadoras.
Quando o dedinho do Fai começou a deslizar com facilidade no rabinho macio do Hima, ele acrescentou mais um dedo. O Fai levantou-se, sem parar de mover os dedos dentro do Hima. Colou-se a ele com o corpo todo; a outra mão do Fai deslizou para o membro do Hima, que já estava outra vez levantado, e os lábios do rapaz colaram-se ao pescoço forte, a chupá-lo com paixão. O Fai acrescentou mais um dedinho e continuou a movê-los dentro do rabinho apertado.
— Hia… és tão doce, Hia — sussurrava o Fai, junto ao ouvido do Hima, com uma voz de mel.
— Aaah… meu bebé… Siiim — gemia o Hima em resposta, como que enfeitiçado; porque nunca, e a ninguém, se tinha rendido assim, como àquele cachorrinho adorável.
Ao ouvir aquelas palavras, o Fai passou-se. Olhou em volta com o olhar enevoado e reparou, numa prateleira, num óleo corporal. Agarrando no frasquinho, o Fai despejou óleo em abundância nos dedos que se moviam dentro do rabinho, e, depois, no seu próprio membro.
— Já não aguento mais… — gemeu o Fai; tirou os dedos do rabinho dele e encostou-lhe o membro escorregadio, puxando ligeiramente as ancas do Hima para si, de maneira a que ele ficasse um bocadinho inclinado.
O Fai foi introduzindo devagar o membro quente, até o rabinho sexy engolir a cabeça.
— Aaah… Ahhh… Mais suave, meu menino — gemeu o Hima, ao sentir uma dor ligeira, mas era uma dor que lhe dava uma excitação estranha.
O Fai não se mexeu, a dar tempo ao corpo do Hima para se habituar. Ia-lhe fazendo festas nas costas fortes, de vez em quando a arranhá-las ao de leve. O cachorrinho segurava o membro do Hima na mão, movendo-a com ternura. Ao sentir que o Hima relaxava, continuou a entrar nele, centímetro a centímetro. O Hima gemia; estava tão excitado com os toques do Fai que o corpo lhe ardia e tremia.
— Siiim… tão apertadinho… — sussurrava o Fai, quando o seu membro entrou por completo no canal do Hima.
— Oh… Fai… — o Hima não conseguia pôr em palavras o que sentia naquele momento; só conseguia gemer o nome da pessoa que o segurava pelas ancas e se movia dentro dele.
— És meu… finalmente, és meu — disse o Fai com a voz rouca, e começou a mover as ancas devagar.
O coração do Hima bateu como o de um passarinho apanhado, com as palavras do Fai. Ele é que era quem queria foder aquele cachorrinho adorável. Como é que foi acontecer que, agora, o rabinho lhe formigava daquela maneira com o membro quente lá dentro, e que, na ponta do seu próprio membro, aparecia um liquidozinho transparente? O Fai continuava a mover-se devagar dentro dele, e o Hima nunca poderia sequer ter imaginado que lhe pudesse agradar trocar de lado.
O Fai acelerou: os movimentos, de meigos e lentos, passaram a bruscos e rápidos. Os gemidos de um excitavam cada vez mais o outro. O Fai saiu do rabinho do Hima, virou-o para si e encostou-o de costas à parede. Olhou para a cara dele, e o coração do Fai estremeceu.
Os lábios vermelhos e entreabertos do Hima eram tão tentadores; as bochechas, rosadas de excitação, contrastavam com os cabelos brancos desgrenhados; os olhos azuis estavam carregados de paixão e de luxúria; a respiração pesada e quente dele tocava na pele do Fai. Aquele homem à sua frente era divinamente belo e sensual. O Fai compôs-lhe os cabelos que lhe caíam para a cara, passou-lhe os dedos pela bochecha, e o Hima beijou-o. Aquele beijo estava cheio de paixão. Era o Hima que conduzia o beijo, a segurar o Fai pelos cabelos; penetrou naquela boquinha quente, e as línguas entrelaçaram-se. Parecia não ter ficado um milímetro da boca do Fai em que a língua do Hima não tivesse tocado.
A mão do Fai deslizou para baixo, a erguer a perna do Hima, que continuava a beijá-lo. O Fai meteu o membro no rabinho do Hima, e este mordeu-lhe o lábio de baixo com tanta força que ambos sentiram o travo do sangue. Aquilo só excitou o Fai ainda mais. Entrou nele de um golpe, até ao fundo.
— Aah! — gritou o Hima com a surpresa; despregou-se dos lábios doces do Fai e olhou para ele.
E foi então que o Hima percebeu… que estava perdido. Aqueles olhos castanhos olhavam para ele como se o Fai o quisesse engolir inteiro. O Fai sorria-lhe com um sorriso completamente diferente do do costume: aquele sorriso estava cheio de erotismo. Pelas têmporas dele escorriam gotinhas de suor, as bochechas vermelhinhas pediam apertões. E os lábios, inchados dos beijos, imploravam que os beijassem. O Hima debruçou-se para os lábios dele e voltou a beijá-lo com paixão. O Fai movia-se no rabinho do Hima, enquanto a língua do Hima penetrava na boquinha amorosa do Fai, a chupar a linguinha do seu cachorrinho adorável, que soltava uns gemidos doces.
— Hia… meu lindo Hia… Siiim… — gemia o Fai, movendo-se ao som dos gemidos sem fim do homem que já andava a seduzi-lo havia algum tempo.
A mão do Hima desceu para o seu próprio membro e começou a mover-se ao ritmo das investidas do Fai. Ele nunca tinha pensado que, um dia, ia gemer com o prazer sobrenatural que lhe dava um membro dentro do seu rabinho.
— Sim… Mais… meu menino querido… mais… — o Hima sentia que queria mais.
O Fai, ao ouvir aquelas palavras, soltou a fera que trazia escondida cá dentro. Agarrou com a mão livre o pescoço do Hima e, virando-lhe a cabeça de lado pelo queixo, cravou-lhe os dentes, deixando-lhe marcas de um vermelho vivo. Os seus movimentos tornaram-se secos e fortes; acelerou e sentiu o rabinho do Hima a apertar-lhe o membro com cada vez mais força. O Hima acelerou os movimentos da mão, a acertar o passo pelo Fai.
— Queres que eu seja bruto contigo, não queres, Hia? — perguntou o Fai com malícia, e os movimentos dele tornaram-se ainda mais duros, enquanto o Hima continuava a acariciar o próprio membro.
— Sim… Assim mesmo… meu menino mau… — gemia o Hima, a perceber que se aproximava do orgasmo.
O Fai também estava perto do limite, e acelerou os movimentos.
— Ah… Ah… — o Hima já não aguentava mais, e o líquido morno e leitoso esguichou para a barriga do Fai.
O Fai sentiu o clarão de calor no corpo, e o rabinho do Hima apertou-lhe o membro. Ele já não conseguiu conter-se — e a água do amor encheu o canal do Hima. O Fai deu ainda umas quantas investidas e, a respirar pesado, pousou a cabeça no ombro do Hima, cujo pescoço cheirava tão bem. O Fai deu-lhe um beijo terno no ombro molhado e salgado, e sorriu. O Hima ficou feliz ao sentir aquele beijo meigo e o sorriso do seu cachorrinho. O Fai tirou o membro, e pela perna do Hima escorreu o líquido branco; largou a perna que segurava e olhou para o homem, que agora o abraçava.
— Desculpa, Hia… Eu menti… — o Fai ergueu a cabeça até ao ouvido do Hima, sussurrou-lho e, com um sorriso, pegou-lhe na mão e puxou-o para a banheira.
— Fai… — o Hima tentava dizer que também para ele tinha sido pouco, mas os lábios do Fai voltaram a colar-se aos seus.
As mãos do Hima apertaram os mamilos do Fai, e o cachorrinho voltou a gemer. O Fai sentou-se na borda da banheira, com o Hima ainda de pé, entre as pernas dele.
— Menino mau… — o Hima deu um passo atrás.
O Fai agarrou-lhe a mão, a pensar que ele se ia embora; mas o Hima juntou-lhe as pernas, sentou-se-lhe ao colo e beijou-o com brutalidade. O Hima chupava-lhe a língua com tanta força que o Fai chegou a sentir dor. O Hima soergueu-se um pouco e, ele mesmo, encaixou o membro outra vez excitado do Fai no seu rabinho, descendo de uma só vez. Despregou-se dos lábios dele e gemeu, com a cabeça ligeiramente atirada para trás. As suas mãos pousavam agora nos ombros do Fai, que o abraçava pela cintura.
— Uh… que insaciável… — disse o Fai a sorrir, e meteu as mãos por baixo das nádegas do Hima, a apertá-las.
— Agora… tu pertences… só a mim… — gemia o Hima, a segurar o Fai pelo rabo-de-cavalo já desmanchado na nuca e a mover as ancas.
O Hima cavalgava-o, e o Fai deleitava-se a olhar para ele. Olhavam-se nos olhos, e a ambos parecia que aquele era o momento de intimidade mais erótico das suas vidas. Os gemidos dos dois ecoavam pela casa de banho, em uníssono com o som dos corpos molhados a baterem um contra o outro. O Hima não contou quantos assaltos fizeram, nem quantos sítios da sala mudaram, mas adormeceram quando começava a clarear.
🍃 🍃 🍃
Fim da manhã
O Hima abriu os olhos por volta das onze da manhã e viu, ao seu lado, o cachorrinho a dormir docemente de barriga para baixo, com o rabinho tapado por uma pontinha do cobertor. O homem franziu de leve o sobrolho, a olhar para aquela cara amorosa, sobre a qual caíam, em desalinho, madeixas de cabelo castanho.
O que é que eu fui fazer? — pensou o Hima, e correu a sala com os olhos.
Fosse para onde fosse que o olhar se lhe prendesse, vinham-lhe à frente imagens da noite anterior. Sentou-se com cuidado, para não acordar o Fai. Ao sentir um ligeiro desconforto no seu canal, o Hima encaminhou-se para a casa de banho. A cara corou-lhe quando se lembrou de si mesmo ao colo do seu cachorrinho.
Raios… A droga, tomou-a mesmo o Fai? — passou pela cabeça do Hima, pasmado com a véspera.
Tomou um duche rápido, sem se esquecer de limpar o canal, porque, de noite, tinham simplesmente apagado de exaustão. Ao ver a sua camisa no chão, o Hima lembrou-se de que, na cave, ainda devia estar o Gas. Vestiu a camisa por cima e enfiou as calças, para chegar ao seu gabinete, onde tinha um fato de reserva.
O Hima saiu da sala sem barulho e subiu ao gabinete. Depois de trocar de roupa, desceu à cave, onde, à entrada da arrecadação, estava o Rio. Ao ver o chefe, baixou a cabeça.
— Chefe. Ele confessou que queria dormir consigo — disse o Rio.
O Hima acenou, para o Rio abrir a porta. Ao entrar, viu o Gas deitado no chão nu, num estado lastimoso.
Tinha a cara inchada, com manchas de sangue seco, e estava enrolado como um novelo, por causa do frio e das dores da sova.
— Achas que valeu a pena, Gas? — perguntou o Hima com severidade, mas não obteve resposta.
Precisamente nesse momento, entrou o Dao.
— Como está o Nong? O Rio contou-me — quis saber o Dao.
— Está bem. Ainda dorme — respondeu o Hima em tom imperturbável.
— Encontraram os comprimidos com ele? — perguntou o Hima ao Rio, e o rapaz estendeu-lhe um frasquinho de comprimidos.
— Quando ele acordar, amarrem-no e deem-lhe uns dois. Ele queria sexo — pois que implore por ele. E, se algum dos nossos homens o quiser foder, que o foda — deu o Hima a ordem com displicência, e saiu da divisão. O Dao saiu atrás dele.
Iam a caminho do elevador quando o Dao, de repente, virou o Hima para si e sorriu.
— Tens a certeza de que o Fai está bem? — o Dao olhou para ele, desconfiado.
— Porque é que me fazes essa pergunta pela segunda vez? Estás a repetir-te — franziu o Hima o sobrolho.
— Porque estou a ver isto… — o Dao espetou o dedo nas marcas de dentes que espreitavam, em parte, por cima do colarinho da camisa do Hima.
O Hima empurrou-lhe a mão e seguiu para o gabinete, continuando a falar: — Já disse: ele está bem.
— Kat, traz a roupa do Fai do cacifo dele e deixa-a no sofá da sala. E avisa o gerente de que o Fai já não trabalha aqui. Quando ele acordar, leva-lo a casa — deu o Hima a ordem ao Kat, que estava junto ao elevador, no terceiro andar.
— Para as aulas, já dormiu de mais, de qualquer maneira. Traz-me o telemóvel dele: o amigo já deve ter ligado para aí umas trinta vezes — o Hima olhou para o relógio, abanou a cabeça e encaminhou-se para o seu gabinete.
— Ei, espera por mim! Eu também quero falar com o amigo dele! — gritou o Dao, e apressou o passo para o gabinete do Hima.