04 – Dirty Cherry (parte 1 de 2)
Em casa do Fai
Ao ouvir o som da porta a fechar-se, a Kalliou desatou a chorar em soluços, com as lágrimas a correrem-lhe pelas faces. Levantou-se e espreitou pela janela, a ver o filho a afastar-se. Ao dar por ele a cambalear, quis correr para a rua, mas viu aquele homem forte apanhar-lhe o corpo em queda.
— Fai… perdoa-me, meu filho… é a melhor saída para ti — disse Kalliou, lavada em lágrimas, enquanto via o homem alto de cabelos loiros erguer o filho com cuidado nos braços e caminhar para o carro. — Prometo-te que vou ficar bem… — disse a mulher em voz baixa, e afastou-se da janela ao ver os carros a partir.
A Kalliou sabia que não devia ter feito aquilo, mas não tinha outra maneira de cuidar do filho. Via como ele se esgotava dia após dia. Quando chegava das aulas, o Fai preparava-lhe o jantar enquanto fazia os trabalhos de casa. Depois ia trabalhar e voltava quase às quatro da manhã; levantava-se às sete e fazia o pequeno-almoço. Ela pedia-lhe que deixasse de trabalhar e propunha venderem a casa e alugarem um apartamento, mas o Fai dizia sempre que se desenrascava, e sorria-lhe com doçura.
Hoje, ao ver em casa um homem cujo fato valia, pelas contas dela, metade da casa, a Kalliou pensou em fazer com que o Fai não voltasse enquanto aquele homem não se fosse embora. Mas, quando o Fai entrou, ela notou, por um instante, uma luz nos olhos daquele homem frio. Talvez fosse só o brilho dos raios de sol que vinham do vão da porta e lhe iluminavam a figura na cadeira, ou talvez fosse mesmo o que lhe pareceu. Foi por isso que a Kalliou decidiu oferecer-lhe o Fai. Pensou que, se estivesse certa, ele aceitaria; se estivesse enganada, recusaria.
🍃 🍃 🍃
Entretanto, o Hima
O Hima pousou o telemóvel no bolso lateral da porta do carro, virou-se e desabotoou os dois primeiros botões da camisa do Fai. Não porque o quisesse despir, mas porque se lembrou de que é a primeira coisa a fazer quando alguém desmaia. Ao erguer os olhos, viu que o motorista espreitava de vez em quando pelo espelho retrovisor.
— Em vez de ficares a olhar para mim, guia mais depressa. Se não chegarmos a casa em meia hora, vais ser castigado — disse ele com severidade, e o motorista carregou no acelerador.
O motorista sabia que o Hima não estava a brincar com o castigo, por isso concentrou-se na estrada e chegou à mansão em vinte e três minutos.
— Estaciona mesmo à porta — disse o Hima, e o motorista ficou especado, porque da porta da mansão até à faixa de acesso para os carros eram uns cinquenta metros.
Ali estava o belo relvado aparado, escolhido pelo chefe e pelos pais dele, onde, dos dois lados do carreiro de pedra, cresciam as «foguinhas», as íris, as campânulas e os astrocódones que a mãe trouxera da Rússia. O coração do motorista caiu-lhe aos pés — não queria problemas. Se passasse por cima das flores, a senhora Kira castigava-o; se se recusasse a estacionar à porta, o chefe inventava de certeza um castigo requintado.
— Mas, chefe… e as flores? A Khun Kira esfola-me vivo por causa delas… — perguntou ele baixinho, ciente de que estava a tentar desobedecer a uma ordem do chefe.
— Raios… não sejas parvo. Encosta ao lado das flores e pronto. Depois o jardineiro vê o relvado. Também não me apetece morrer às mãos da minha mãe — disse o Hima, a olhar pelo espelho retrovisor, onde via nitidamente os olhos assustados do motorista.
O motorista parou a meio metro dos canteiros de flores do relvado. Saiu rapidamente do carro e abriu a porta ao chefe, de guarda-chuva na mão.
Os guarda-costas que estavam no recinto da mansão entreolharam-se em choque: nunca, em circunstância alguma, o carro tinha estacionado no relvado. Mesmo quando o chefe fora ferido num tiroteio, o carro parara no alcatrão, antes do relvado. Mas o que os surpreendeu ainda mais foi ver o Hima sair do carro, tirar o casaco e estendê-lo ao motorista, para que este o segurasse.
Inclinou-se e tirou do carro o corpo de um rapaz novo, de camisa universitária bordô e calças azul-escuras. Tomou-o nos braços e aconchegou-o de maneira a que a cabeça do rapaz ficasse apoiada no seu ombro.
— Põe-lhe o casaco por cima — disse o Hima, e o motorista cumpriu a ordem, ainda que espantado.
Até à casa faltavam uns quinze metros, e ele avançou a passos largos para a porta. Os guarda-costas precipitaram-se a oferecer ajuda.
— Eu levo-o! — rosnou ele, e só ajeitou o corpo nos braços, para o carregar com mais conforto.
— O doutor Dew já cá está? — perguntou logo a seguir, sem parar de andar.
— Sim. Está à espera no quarto, como o senhor ordenou — respondeu o mordomo.
— Onde está o Dao? — voltou o Hima a perguntar ao mordomo.
— O Khun Dao ainda não chegou do escritório. — Ao ouvir a resposta, o Hima subiu as escadas para o segundo andar, em direção ao quarto onde o médico o esperava.
A caminho do segundo andar, os olhos de toda a gente na casa ficaram presos à figura alta com o rapaz ao colo, até ele desaparecer atrás da porta do quarto. Mal a porta se fechou, as pessoas começaram a segredar sobre quem seria aquele jovem. No segundo andar ficavam os quartos destinados aos pais do Hima, para quando vinham de visita, e o do Dao, que morava ali, e ainda os de mais duas ou três pessoas que muito raramente vinham à Tailândia. Para os convidados havia quartos no primeiro andar; o terceiro estava reservado aos guarda-costas e ao pessoal de serviço.
Ao entrar no quarto, o Hima deitou logo o Fai na cama. O médico, que ali estava, levantou-se do sofá e inclinou a cabeça em sinal de respeito.
— Desmaiou há meia hora. Se calhar é esgotamento, ou um choque. Descobre o que se passa o mais depressa possível. Mandas a conta como de costume. Ah, e… Dew — ao Dao, nem uma palavra. Eu mesmo lhe digo — disse o Hima, e sentou-se no sofá, sem tirar os olhos do rapaz na cama.
— Sim, chefe — respondeu o Dew, e começou a examinar o rapaz.
Mediu-lhe a tensão e o pulso e observou-lhe o rosto.
— Khun Hima, para ter dados mais exatos, preciso de colher sangue para análise. Mas, a julgar pela tensão e pelas olheiras, é esgotamento — disse o médico, e virou-se para olhar para o chefe.
— Posso fazer uma pergunta, chefe? — perguntou o médico, hesitante. O Hima acenou que sim.
— Quem é este rapaz? E porque está ele aqui? — perguntou o Dew.
E é verdade… Porque está ele aqui?… — a mesma pergunta veio à cabeça do Hima. Porque não mandara preparar um quarto noutro andar? Porquê este? O Hima não sabia responder à pergunta nem a si próprio.
— Isso não te diz respeito. Limita-te a fazer o que tens a fazer — respondeu o Hima em tom frio. O Dew acenou, tirando da mala uma seringa e um tubo para a colheita de sangue.
— Tudo o que posso fazer agora é pôr-lhe um soro fisiológico. Não tenho a ficha clínica dele e não sei se é alérgico a alguma coisa. Acho que aquilo de que ele precisa agora é de um bom sono — respondeu o médico, guardou o tubo de sangue numa pequena caixa e fixou com um penso o sítio da picada. O Hima acenou.
O Dew já ia montar o soro quando uma mão o deteve.
— Espera, primeiro vou mudar-lhe a roupa. Está todo encharcado. Senão, ao esgotamento ainda se junta uma febre. Vai beber um café e diz ao Non que traga a mala dele — disse o Hima, e sentou-se na cama. O Dew saiu, obediente.
O Non entrou uns dois minutos depois, com a mala do Fai nas mãos.
— Pousa-a no sofá. E podes ir — disse o Hima, sem se virar para quem entrava.
O Non aproximou-se, fez o que lhe mandaram e olhou para o Fai. Parecia-lhe tão indefeso e frágil, e aquela imagem do rapaz doce fazia-lhe estremecer o coração. O Non nunca tinha sentido nada assim. Olhou-o mais uma vez antes de fechar a porta por fora, e a mão foi-lhe parar, por si só, ao lado esquerdo do peito, onde o coração lhe batia com força.
O Hima foi até ao sofá, abriu a mala e examinou o que lá estava dentro. Eram poucas as coisas, limpas e dobradas com cuidado, mas, a avaliar pelo aspeto, já tinham uns anos. Reparou também na farda de empregado de mesa. Examinou as coisas, saiu do quarto, foi ao seu e voltou com uma t-shirt branca, sem estampado, de decote em V.
📩 Tlim…
Ao ouvir o som abafado de uma SMS, virou-se para o sofá.
— Talvez seja melhor tirar o som, para ele poder dormir — murmurou o Hima, e dirigiu-se à mala. Remexeu lá dentro, tirou o telemóvel, viu no ecrã uma SMS do contacto ‹Fon› e, sem a ler, pôs o telemóvel em silêncio e voltou a guardá-lo.
O Hima aproximou-se da cama, soergueu o corpo do Fai e tirou-lhe a camisa bordô de cima. Com cuidado, continuou a desabotoar a camisa branca por baixo, cujos dois primeiros botões já desabotoara no carro.
Raios… Porque está o quarto tão quente? — queixou-se o Hima para consigo, e olhou para os números do ar condicionado, que marcavam 23 graus.
Ao abrir a camisa, ficou imóvel ao ver como o corpo do Fai era branco e macio. Nervoso, foi puxando a camisa molhada dos braços dele, porque ela se lhes colava constantemente. Por fim conseguiu, vestiu-lhe a sua t-shirt e voltou a deitá-lo devagar na cama, como se tivesse medo de o acordar.
Olhou mais para baixo e viu que as calças também estavam encharcadas… desabotoou-as com cuidado e despiu-lhas. O Fai encolheu-se com o fresco, e o Hima, sem querer, ergueu os olhos para lhe ver o rosto, mas o olhar ficou-lhe preso nas duas pernas esguias e brancas do rapaz à sua frente. A bainha da t-shirt cobria o corpo do Fai até meio das coxas, o que, aos olhos do Hima, tornava aquela imagem extraordinariamente sensual. O Hima engoliu em seco.
— Merda… Isto foi uma péssima ideia, Hima… — disse ele baixinho para si mesmo, respirou fundo e recompôs-se. Tapou-o com um cobertor, saiu do quarto e chamou o médico para pôr o soro.
Ao olhar para o relógio, viu que eram quase seis da tarde e que do Dao não havia nem uma chamada nem uma SMS. Depois lembrou-se do que tinham combinado de manhã, e desceu à sala de estar.
— Rio, se o rapaz sair do quarto, avisa-me. Não lhe tirem os olhos de cima — disse o Hima, e foi para o gabinete, porque às seis tinha de ligar ao Elijah, em Nova Iorque, para falar de um carregamento.
🍃 🍃 🍃
Entretanto, o Fon
Quando acabou as aulas, pouco depois das quatro, tirou o telemóvel e já ia ligar ao Fai quando viu uma SMS dele:
📩 ‹Chego a casa sozinho. Troco de roupa e vou trabalhar. Não te esqueças da corrida — e de comer.›
— Raios… és o meu papá, ou quê? — resmungou o Fon e, em vez de ligar ao amigo, marcou outro número.
Após alguns toques, atenderam.
📞— "Ei, Pi'Prem, tu não cuidas nada do teu menino. Porque não me ligaste a lembrar da corrida? Não precisas de dinheiro?" — picou-o o Fon com um sorriso.
📞— [Uau, começaste logo ao ataque! Estás cá com um humor, minha Cerejinha! Não liguei porque sabia que estavas na universidade]— disse o Prem com uma voz animada.
📞— “E os brinquedos novos, já chegaram?” — perguntou o Fon com curiosidade.
📞— [Sim, há duas horas. Queres experimentá-los?] — provocou-o o Prem.
📞— “Que pergunta mais parva! Se tiveres alguma coisa para dar de comer a um estudante esfomeado, espera por mim na pista daqui a quarenta minutos” — disse o Fon com entusiasmo.
📞— [Ei, Cerejinha, para ti há sempre que comer, ha-ha] — respondeu o Prem, ambíguo, com uma risadinha.
📞— “Vou já para aí, Pi. Prepara as meninas”> — disse o Fon; desligou e foi para o parque de estacionamento
O Fon mandou uma SMS à mãe, a avisar que hoje chegava tarde, e seguiu para a pista de corridas do Prem.
O Fon é piloto de motas. Já desde a escola que as corridas o atraíam, e ele esgueirava-se às escondidas para as ver. Há meio ano, quando estava a admirar uma das motas, o Prem reparou nele e, a brincar, propôs-lhe uma aposta: se o Fon vencesse o piloto dele, levava-o para a sua equipa. O Fon ficou tão entusiasmado que quase saltava de alegria. E, como podem calcular, venceu.
Porquê a brincar, perguntam vocês? Porque o Fon não parece um adulto. É baixinho, de cabelo escuro não muito comprido, olhos grandes e escuros e lábios pequenos e carnudos. Anda normalmente de jeans e t-shirts com estampados de criança. Tem um ar tão fofinho de miúdo do secundário que raro é o rapaz que consegue resistir aos seus encantos.
Ainda ninguém conseguiu domar este rapaz. A relação mais longa do Fon durou três semanas. E nem a isso ele chamava relação, era só diversão. A nenhum dos ex chamou namorado, em parte porque, às vezes, tinha dois ao mesmo tempo. Este comportamento não vinha de falta de amor ou de carinho, antes pelo contrário, vinha do excesso. O Fon é o filho mais novo da família: tem duas irmãs mais velhas e uns pais que o adoram. É, simplesmente, um rinocerontezinho mimado.
Ao chegar à pista, o Fon foi direito à cozinha, onde os homens do Prem já lhe tinham preparado o jantar: Pad Thai* de porco e Som Tam* com camarões.
(N. da A. Pad Thai — clássico da cozinha tailandesa, aletria de arroz salteada com legumes e um molho aromático; considerado comida de rua na Tailândia.
Som Tam — salada de papaia verde, tradicionalmente servida com arroz glutinoso; varia de região para região; no centro do país é mais doce; e leva muitas vezes amendoim torrado, carne de caranguejo-azul ou camarão.)
— Ena, o vosso Hia quer que eu perca? Se comer isto tudo, como é que corro depois? — brincou o Fon.
— Deixa-te disso, Cerejinha, eu sei que aguentas, mesmo que ainda te ofereça a sobremesa — brincou o Prem, que acabava de entrar, despenteando o cabelo do Fon com uma festa.
— E há? — perguntou logo o Fon, inclinando a cabeça para trás e olhando para a cara do Prem com os olhos a brilhar.
— Ah-ah-ah, ainda agora te queixaste de que não conseguias guiar a mota se jantasses, e agora ainda queres sobremesa? — disse o Prem, a rir-se, olhando para o Fon.
— Se eu ganhar… — começou o Fon.
— Cerejinha, se ganhares, é tudo como de costume: à tua espera ficam o dinheiro e o teu suflé preferido — interrompeu-o o Prem, porque o Fon fazia sempre a mesma pergunta. A única coisa capaz de convencer o Fon a fazer o que quer que fosse era o suflé «Nuvens de Morango».
O Prem tratava o Fon como o irmão mais novo que nunca tivera. Entre eles nunca houve nada de romântico, porque o Prem separava o trabalho da vida pessoal.
— Ótimo. Qual é a aposta de hoje, e quem é o meu adversário? — perguntou logo o Fon.
— Memória de peixinho, Cerejinha. A primeira corrida foste tu mesmo que a combinaste, ainda na última prova — com aquele que te chamou anão, às nove; e a segunda é o Nong Boy, que quer a desforra, essa é às onze. Que dizes? — perguntou o Prem.
O Fon estava sentado a devorar o jantar. Acenou-lhe com a boca cheia, para não ter de falar.
— Ah, tu perguntaste pelas meninas. Queres vê-las? — lembrou-se o Prem, apoiando os cotovelos na mesa e virando-se para o Fon.
— Siiim! — disparou o Fon de boca cheia, porque fora precisamente por isso que tinha chegado mais cedo: tinham vindo duas motas novas para a coleção do Prem.
Nas corridas desta pista podia participar quem quisesse, mas só com as máquinas do dono. Ele tinha motas de todo o tipo; das de passeio às desportivas mais radicais. E hoje tinham chegado mais duas: a Yamaha YZF-R1 e a Honda RC213V-S, que o Fon estava ansioso por ver.
Quando acabou de comer, o Fon tirou o telemóvel da mochila, viu que já eram quase seis horas e escreveu uma mensagem ao Fai:
📩 ‹Estou na pista, papá. O Pi'Prem já me deu de comer. Quando acabar, vou ter contigo ao clube.›
O Fon guardou o telemóvel na mochila e foi para a garagem alegrar o coração e os olhos com os brinquedos novos.
Normalmente, as corridas começavam às sete da tarde e prolongavam-se até à uma da manhã. O Prem deixava o Fon rodar as motas antes das corridas, porque as vitórias do Cerejinha atraíam novos interessados, e isso era bom dinheiro. Para além de a parte contrária fazer uma aposta, dez mil baht, no mínimo, o próprio Prem pagava a aposta das corridas em que participavam os pilotos dele. Se os rapazes dele ganhassem, recebiam trinta por cento da aposta. E havia ainda as apostas sobre quem venceria cada corrida. Esse dinheiro ia para a manutenção da pista, a reparação e a revisão das máquinas, a compra de motas novas e os salários dos trabalhadores
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Quando o Fon começou a correr, o número de interessados cresceu. Se calhar, porque achavam que ganhar a uma criança seria fácil.
O Fon quase entrou a correr na garagem, e ficou pregado ao chão ao ver ali duas motas deslumbrantes: uma Yamaha vermelha e uma Honda azul. Os olhos acenderam-se-lhe, como se tivesse à sua frente as mais belas obras de arte do mundo.
— Pi'Prem! — exclamou o Fon, correndo para as motas. De cócoras diante delas, ia acariciando uma e outra, alternadamente, de vez em quando a olhar para o Prem. Examinou-as da roda da frente à ponta do guarda-lamas traseiro com um olhar de pura admiração.
— Ei! Nong, tu conheces as regras: as motas só se experimentam de fato vestido! — lembrou o Prem, porque o Fon já estava impaciente por as rodar.
— Sim, Pi… — suspirou o Fon, ainda a fazer festas à mota vermelha.
Levantou-se e foi ao balneário, onde estavam os fatos dos pilotos. Para ele tinha sido feito por medida um fato preto com aplicações de cabedal bordô nos ombros, que terminavam à altura do peito. Assentava-lhe na perfeição no corpo pequeno. O capacete do Fon era preto e vermelho, com uma inscrição branca na parte de trás: Dirty Cherry («Cereja Suja»).