01 – Prólogo
FAI
Já alguma vez pensaste no significado da frase «bom filho»? O que é essa pessoa? Como é? O que faz? Como se comporta? Ou talvez seja esse mesmo «filho da amiga da mãe» que toda a gente conhece?
Bem… permitam-me apresentar: Fai Chairat, 22 anos, estudante do 4.º ano de Engenharia numa universidade de Banguecoque. Quase toda a gente o adora, vizinhos, amigos, colegas de turma, colegas de trabalho e clientes. Porquê?
Porque ele é perfeito: estatura média, corpo invejável; grandes olhos negros, pestanas compridas, narizinho delicado, cabelo castanho espesso um pouco acima dos ombros, geralmente preso num coque. Parece um ídolo coreano. Quando o solta, muitas vezes é confundido com uma rapariga bonita.
Fai entrou na universidade com uma bolsa desportiva e tem as melhores notas em todas as disciplinas. É gentil, prestável e, o mais importante, sorri sempre, em qualquer situação. Mas só o melhor amigo de Fai, Fon, sabe que este rapaz adorável luta para chegar ao fim do mês.
Fai vive com a mãe numa casa pequena. O pai abandonou-os há quase três anos e foi viver com outra pessoa, deixando para trás uma dívida de crédito à habitação. Um mês após a sua partida, os papéis do divórcio chegaram pelo correio. A mãe de Fai, Kalliu, resistiu no início, mas depois a empresa onde trabalhava faliu e ela ficou sem emprego. Fai, como bom filho que é, arranjou emprego num clube como empregado de mesa para pagar a prestação mensal da casa.
Por mais que se esforçasse, o dinheiro nunca chegava. A mãe pedia dinheiro emprestado a agiotas e ele tinha de devolver com juros extorsionários. Apesar disso, Fai não guardava rancor à mãe. Sentindo-se culpada, ela decidiu que o casino era uma forma rápida de ganhar dinheiro. Mas não contava com uma coisa... o casino nunca perde…
HIMA
Hima Kittichat, 31 anos, chefe da máfia. Homem alto, olhos azuis e longos cabelos loiros herdados da mãe; rosto afiado, corpo atlético e musculado, pele morena, herança do pai. É bonito, rico e muito perigoso. Dele emana uma aura tão sombria que poucos ousam sequer olhá-lo nos olhos. Hima nunca age por impulso: é calculista, calmo, e pensa qualquer situação vários passos à frente. Os seus subordinados respeitam-no e temem-no, porque é impossível adivinhar o que pensa um homem cuja expressão nunca muda.
O pai entregou-lhe a gestão do negócio há quatro anos. Desde então, Hima não fez senão expandir o império. Possui quatro clubes em Banguecoque, cinco hotéis e seis casinos, três deles em Pattaya. Organiza algumas das corridas ilegais mais conhecidas da cidade. Mas o seu principal rendimento vem do comércio de armas e de «brinquedos» feitos por medida: actualizações de armas e equipamento, dispositivos de vigilância, engenhocas que fariam inveja aos departamentos especiais do FBI e da CIA. Com tanto poder, inevitavelmente surgem os que querem tirá-lo.
É impossível gerir um negócio assim sozinho. Hima tem um amigo, Daonya (Dao), que considera um irmão; estão juntos desde a infância, e após a morte dos pais de Dao, há quinze anos, ele foi viver para a casa da família Kittichat. Dao é o braço direito de Hima.
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CENAS
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Hima:
— Bem… a decisão já está tomada. Não tens escolha.
Fai (suspirou e sorriu):
— Eu entendo.
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Fai (sorrindo):
— Já viste as horas? São quase duas da manhã e não jantaste. Quando é que vais começar a cuidar de ti mesmo?
Hima:
— Quando foi que apareceu cá em casa outra mãe?
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Hima:
— Nesta casa só eu é que tenho poder absoluto!
Fai (sorrindo):
— Tens a certeza?
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Fai:
— Foste tu que me deixaste mexer nos teus brinquedos, então porque estás tão indignado?
Hima (suspirando):
— Não imaginei que eles se tornariam mais importantes do que eu…
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Hima:
— Para de sorrir para ele assim, senão coso-te a boca adorável — e ele vai para o fundo do oceano com uma pedra ao pescoço a entreter os tubarões…
Fai (sorrindo):
— Se não controlas o ciúme, o plano vai por água abaixo.
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NOTA — SIGNIFICADO DOS NOMES (tailandês):
Fai = Fogo
Hima = Neve
Fon = Chuva
Daonya = Estrela Polar