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Capítulo 18 — No Nosso Tempo 🔞

 🔞 Este capítulo contém conteúdo para leitores adultos.


        Na sala, o Sr. Wei levantou o olhar ao ouvir o movimento e pousou o jornal no colo, atento. Havia algo diferente no olhar de Leo — uma determinação tranquila, misturada com nervosismo contido.

        Rafael permaneceu à porta, o coração a bater alto.

— Sr. Wei… será que podemos conversar um momento? — pediu Leo.

       O pai assentiu, levantando-se com calma.

— Claro. Vamos ao escritório.

        Rafael observou-os desaparecer pelo corredor, sentindo o estômago apertar-se. A mãe pousou-lhe a mão no ombro em silêncio.

        A conversa tinha começado. E ele só podia esperar.

        Ambos se sentaram. Leo respirou fundo antes de começar.

— Sr. Wei… fiquei a pensar no que me disse sobre não tomar decisões pelos dois. Na altura não percebi, até que um amigo me abriu os olhos. Tomei essa decisão por amor ao seu filho, porque o respeito a ele e a vocês. Sei que ele só tem 18 anos e…

         O pai interrompeu-o com calma.

— Meu filho, eu sei que amas o meu menino. E sei que nos respeitas. A diferença de idades mexe contigo, mas também sei que desejas o Rafael tal como ele te deseja a ti. Ele não está a compreender o teu afastamento. Pensa que tu não o desejas. Sabe que gostas dele, mas não está a lidar bem com o resto.

         O Sr. Wei suspirou, sincero.

— Já fui novo. Sei como estas coisas funcionam.

        Leo baixou o olhar.

— Eu pensei estar a fazer o melhor para ele… ao manter-me afastado. Mas percebi que não. Pai… posso chamá-lo assim?

— Podes.

         Leo engoliu em seco.

— Pai, preciso de uma resposta sincera…

— Sim— respondeu o Sr. Wei, direto. — Estou bem com isso. Fala com o meu filho. Ele é novo, mas foi educado para pensar. Sabe o que quer. Sei que o respeitas e nunca farás nada que ele não queira. Por isso, conversem. Decidam juntos. Eu e a mãe dele confiamos em vocês.

         Leo sentiu um peso enorme a cair-lhe dos ombros.

— Obrigado, pai. Estava mesmo a precisar de ouvir isso.

— Nós não vemos a diferença de idades como um problema. Até agora só nos mostraste o bem que queres ao nosso menino. Porque não apoiaríamos as vossas decisões? E sexo é importante num relacionamento. Agora vamos, antes que o nosso pequeno tenha uma crise de ansiedade.

         Quando voltaram à sala, encontraram Rafael choroso, encostado à mãe. Leo sentou-se ao lado dele, e o rapaz largou a mãe para se agarrar à cintura do namorado, apoiando a cabeça no ombro dele. Os pais sorriram.

— Leo… o que querias com o meu pai? Não me vais deixar, pois não? Foi por causa do que ele disse ao pequeno-almoço? Esquece isso… eu estou bem. Só preciso de ti.

         Leo abraçou-o com mais força.

— Porque te deixaria, meu tonto? Vai lavar a cara. Prometo que falamos assim que sairmos daqui.

— Prometes?

— Prometo.

        Rafael correu para a casa de banho, deixando três rostos sorridentes para trás.

        Leo virou-se para o pai.

— Pai… eu amo muito o seu filho. Sei que nos conhecemos há pouco tempo, mas amo mesmo. Ainda não lhe disse, mas pretendo fazê-lo hoje. Ele pode ficar em minha casa esta noite? Prometo…

— Não prometas nada— interrompeu o Sr. Wei, sorrindo. — Já dissemos o que tínhamos a dizer.

        Leo riu.

— Ia dizer que prometo respeitar as decisões dele.

— E pode ficar em tua casa, sim. Mas só se ele quiser.

— Claro.

         Rafael voltou com o rosto lavado e um sorriso que iluminava tudo.

— Podemos ir agora?

        Leo levantou-se.

— Vamos sim, Anjo.

— Desculpa… fico sempre com medo de que me deixes por ser jovem e não ter experiência.

       Leo pousou uma mão na nuca dele, num gesto terno.

— Eu nunca te deixaria por isso. No carro conversamos, ok?

       No carro, Rafael mal se sentou e já perguntava:

— Leo… o que foste falar com o meu pai?

        Leo sorriu, apertando-lhe as mãos.

— Calma, Anjo. Só fui pedir uma opinião. Algo que era importante para mim.

— Assim fico ainda mais nervoso…

         Leo soltou uma gargalhada baixa.

— Ok… vou acabar com a tua ansiedade. Primeiro, quero pedir-te desculpa por ter tomado uma decisão que devia ter sido dos dois.

         Rafael franziu o sobrolho.

        Leo acariciou-lhe o rosto com ternura.

— Quando o teu pai me disse que eu não devia tomar decisões sozinho, não percebi. Só entendi depois de falar com o Henrique. Anjo… quando disse que queria esperar, não foi porque não te desejasse. Foi porque achei que era o melhor para ti. Assumi que era o que querias. Quis dar-te tempo. Quis mostrar-te que não te quero só porque te desejo. Achei que estava a fazer o correto… mas enganei-me. Isto diz respeito aos dois. Desculpa-me.

         Rafael suspirou de alívio.

— Agora percebi… pensei que não me desejasses assim tanto. Pensei que fosse pela minha falta de experiência e… se fosse isso, já tinha pensado em tentar ter alguma experiência com…

        Leo congelou. O coração apertou-se-lhe no peito. A mão que acariciava o rosto de Rafael parou — não com força, não com agressividade — mas com um gesto tenso, vulnerável, quase suplicante.

       A voz saiu-lhe baixa, rouca, carregada de emoção:

— Anjo… não digas isso. Só a ideia de alguém te tocar… dói. Não porque és “meu”, mas porque te amo. Amo-te de uma forma que nunca senti antes. E a ideia de te perder… assusta-me.

        Rafael arregalou os olhos, surpreendido pela vulnerabilidade crua na voz dele.

        Leo desviou o olhar, a mão a tremer ligeiramente.

— Desculpa se te assustei. A última coisa que quero é magoar-te. Só… amo-te tanto que às vezes tenho medo de não ser suficiente. Medo de que escolhas alguém mais experiente. Medo de que… — a voz falhou-lhe — …de que não me queiras.

— Leo…— murmurou, aproximando-se devagar.

         Leo mantinha o olhar preso ao volante, os olhos brilhantes.

        Rafael pousou a mão sobre a dele, com delicadeza.

— Eu também te amo.

        Leo virou-se devagar, como se tivesse medo de ter ouvido mal.

        Rafael sorriu-lhe, tímido, corado, mas firme.

— Amo-te, Leo. Nunca quis outra pessoa. Nunca quis aprender com outra pessoa. Só contigo.

        Leo fechou os olhos, deixando escapar um suspiro que parecia libertar anos de medo.

        E, pela primeira vez, Rafael viu-o chorar.

       Leo beijou-lhe a testa. Rafael fechou os olhos. E o medo… desapareceu.

       O silêncio dentro do carro ainda vibrava com o que tinha acontecido — as confissões, as lágrimas, o amor dito em voz alta pela primeira vez. Leo respirava mais fundo agora, como quem soltou um peso que carregava há demasiado tempo.

Diz outra vez— pediu Leo, num sussurro rouco, puxando-o para um abraço.

— Amo-te.

— Também te amo.

         Rafael deixou escapar um gemido mais alto, agarrando-se ao ombro de Leo, quando finalmente sentiu o toque delicado dos dedos de Leo sobre a sua intimidade. Foi um contacto leve, quase cauteloso — como quem aprende a tocar num instrumento novo e não quer forçar nenhuma nota. Mas o efeito foi imediato.

       O calor subiu-lhe pelo ventre, espalhando-se devagar, como tinta em água. Rafael não conseguiu suprimir o tremor que lhe percorreu o corpo inteiro — pequeno, involuntário, absolutamente honesto.

        Leo sentiu-o. Abrandou. Repetiu o gesto com mais intenção, observando cada reação do mais novo como se estivesse a aprender uma linguagem nova — e estava.

        A respiração de Rafael mudou primeiro. Ficou mais curta, mais alta, presa entre os lábios entreabertos. Tentou controlar, tentou manter-se consciente do espaço à sua volta — do carro, da noite lá fora, da realidade —, mas os dedos de Leo não lhe davam tréguas. Cada movimento dissolvia um pensamento. Cada pressão apagava um limite.

— Leo…— chamou, sem saber bem o que estava a pedir.

        Leo inclinou-se, pousou os lábios no canto da boca dele, e não parou.

        Rafael desistiu de pensar.

       O corpo tomou conta — o arco involuntário da coluna, as mãos que apertaram com mais força os ombros de Leo, a cabeça que tombou ligeiramente para trás quando a sensação cresceu além do que conseguia conter. Havia qualquer coisa a construir-se dentro dele, camada sobre camada, quente e urgente, e Rafael percebeu — numa clareza súbita e breve, antes de a perder completamente — que nunca tinha sentido nada assim.

        Leo guiou-o. Não com pressa, não com força — com atenção. Com uma presença tão constante que Rafael nunca se sentiu sozinho naquele território desconhecido, nem por um segundo.

         Os movimentos entre ambos tornaram-se ritmados e sincronizados, mais íntimos, como se estivessem a dançar uma música silenciosa que só eles ouviam. Rafael movia o corpo ao ritmo dessa descoberta, sem o decidir, sem o controlar — apenas seguindo o que Leo despertava nele.

        E quando chegou ao limite, chegou devagar e de repente ao mesmo tempo.

       Os olhos fecharam-se, as mãos agarraram com mais força, o corpo arqueou-se num impulso involuntário — e Rafael deixou-se ir, completamente, sem resistência, sem pudor.

        O mundo pareceu parar.

        Rafael aproximou-se, com uma calma nova, madura, surpreendente.

— Eu sei. Mas eu quero. Ensina-me. Mostra-me como gostas.

— Tens a certeza? — A voz de Leo saiu rouca.

        Rafael não respondeu com palavras. Levou as mãos ao cinto de Leo com uma determinação que desmentiu o nervosismo que sentia por dentro.

        Leo ficou quieto, deixando-o agir, observando-o com uma atenção que era ela própria uma forma de entrega.

       Quando os dedos de Rafael abriram caminho e Leo ficou exposto, o mais novo ficou imóvel por um segundo. Um segundo apenas, mas suficiente. Os olhos desceram involuntariamente, e o que viu fê-lo engolir em seco — uma mistura de susto genuíno e admiração que não conseguiu disfarçar.

        Leo notou. Um sorriso breve, quase impercetível, atravessou-lhe o rosto.

— Está tudo bem, Anjo — disse, suave, sem gozar, sem pressionar.

        Rafael piscou os olhos, voltou a olhar para Leo, e a surpresa foi-se transformando em qualquer coisa mais próxima da curiosidade.

— Assim — murmurou Leo, cobrindo-lhe a mão com a sua, guiando-o devagar. — Sem pressa.

         Rafael obedeceu. Deixou que a mão de Leo conduzisse a sua, aprendendo o ritmo, a pressão, o que fazia Leo prender a respiração e o que lhe arrancava um som baixo e involuntário. E foi nesses sons que Rafael encontrou a sua confiança — em cada reação de Leo, em cada tensão dos músculos sob os seus dedos, percebeu que estava no caminho certo.

         A mão de Leo acabou por largar a sua.

        Rafael continuou sozinho.

        Leo encostou a cabeça ao banco, os olhos fechados, a respiração já fora do ritmo habitual — mais funda, mais irregular, cortada por pausas que Rafael aprendia a reconhecer. Havia qualquer coisa de raro naquilo: ver Leo assim, sem controlo, sem compostura, entregue. Era uma versão dele que Rafael nunca tinha visto, e que guardaria.

— Rafael… — disse Leo, a voz irreconhecível, raspada.

        Não era um pedido. Era apenas o nome a escapar, sem que Leo conseguisse retê-lo.

        Rafael não parou. Manteve o ritmo, os olhos atentos ao rosto de Leo, lendo cada detalhe — a tensão na mandíbula, os lábios entreabertos, a mão que fechou num punho contra a porta do carro. E quando  Leo se rendeu, foi com o nome de Rafael nos lábios, a voz trêmula e carregada de algo que ia muito além do momento — revelando o quanto aquela entrega significava, vinda de alguém que raramente se deixava ir.

        O silêncio que ficou era quente, denso, completamente diferente do silêncio com que a noite tinha começado.

         Rafael encostou a cabeça ao ombro dele, um sorriso suave nos lábios.

— Estou ótimo — disse. — Só estou a apreciar o teu carinho.

         Leo riu baixinho, beijando-lhe o topo da cabeça.

Menos assustado?

— Não… muito mais assustado.

         Leo ficou tenso.

— Assustado? Com o quê ...

         Rafael interrompeu-o com um toque leve no peito.

— Por… aquilo. —Apontou discretamente para baixo, corando. — Isso não vai entrar em mim… pois não? Vai doer muito.

         Leo sorriu, puxando-o para mais perto.

— Anjo… nada vai acontecer sem que tu queiras. E quando acontecer… vai ser no tempo certo. No nosso tempo.

        Rafael suspirou, aliviado.

        E Leo beijou-lhe a testa, num gesto cheio de promessa

       Rafael olhava-o com um sorriso que misturava atrevimento e nervosismo, como se estivesse a descobrir uma nova parte de si próprio.

— Só tens de me deixar guiar-te — disse Leo, num tom surpreendentemente seguro. — Confia em mim. Vou ser o mais carinhoso possível. Não te prometo que não vá doer…, mas prometo que nunca te mentiria.

        Rafael sentiu o peito apertar-se — não de medo, mas de ternura.

— Sei que estás apreensivo… e tens todo o direito. Tudo isto é novo para ti. Mas eu vou guiar-te com carinho e paciência. Prometi ao teu pai que tu terias sempre a última palavra. E vou cumprir.

         Rafael piscou os olhos, surpreso.

— Falaste disso com o meu pai?

— Falei —respondeu Leo, sem desviar o olhar. — Perguntei-lhe sinceramente o que achava de nós. Se estava bem com a diferença de idades. Se estava bem com o facto de eu querer… fazer amor contigo.

        Rafael corou até às orelhas.

— Então era isso que querias dele? E o que disse?

— Disse que confiava em mim. Que sabia o filho que tinha criado. Que sabia que tu também me querias… de uma forma mais física. E eu perguntei se podias dormir comigo esta noite.— Leo hesitou ao ver o rubor subir no rosto do rapaz. — Anjo… só vai acontecer o que tu quiseres. Se não quiseres que aconteça nada, eu fico feliz só por te ter ao meu lado. Só por te abraçar enquanto dormes.

       Leo sorriu, tocando-lhe a mão.

— Eu quero dormir contigo. Mas… não sei se estou preparado para ir até ao fim. Desculpa.

         Leo sorriu, tocando-lhe a mão.

— Não tens de pedir desculpa. De ti só quero sinceridade. O resto… vem com o tempo. Tu dirás quando estiveres preparado.

        Rafael assentiu, mais tranquilo.

— Eu prometo que digo. Mas… o que fizemos agora? — Um sorriso maroto surgiu-lhe nos lábios. — Isso eu adorei. E quero aprender mais.

        Leo soltou uma gargalhada baixa.

— Garotinho atrevido.

        Beijou-lhe a face, e Rafael riu, encostando-se a ele.

— Mas tu gostas— provocou o rapaz, dando-lhe um beijo rápido na bochecha antes de se sentar direito e colocar o cinto.

— Não gosto… adoro— respondeu Leo, piscando-lhe o olho. — Meu atrevidote.

E para que conste… eu gosto muito de ti, meu velhote.

        Leo fingiu indignação.

— Um dia verás se sou velhote, seu malandro.

        Os dois riram, leves, felizes, como se o mundo tivesse ficado mais simples de repente. A mão de Leo procurava a de Rafael sempre que podia, e Rafael entrelaçava os dedos com os dele sem hesitar.

         Conduziram durante algum tempo até aos arredores da cidade. A estrada tornou-se mais estreita, ladeada por árvores altas que filtravam a luz dos candeeiros. O silêncio entre eles era confortável, cheio de expectativa.

         A casa surgiu entre as sombras — discreta, antiga, com um charme rústico que lembrava uma velha casa de fazenda. Janelas pequenas, paredes de pedra, um alpendre de madeira iluminado por uma luz suave.

         Rafael ficou a olhar, maravilhado.

        Leo, ao vê-lo assim, sentiu o coração aquecer de novo.

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