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Capítulo 38 — O Limiar da Confiança 🔞

    🔞 Este capítulo contém conteúdo para leitores adultos.


         A noite tinha caído com aquela suavidade típica dos fins de semana sem obrigações. A televisão estava ligada, mas nenhum dos dois prestava grande atenção ao que passava no ecrã — havia qualquer coisa de mais interessante em simplesmente estar ali, juntos, no sofá, com o mundo lá fora completamente esquecido.

         Rafael estava recostado contra o peito de Leo, as pernas esticadas, os pés descalços pousados na mesa de centro. Leo tinha o braço sobre os ombros dele, os dedos a traçar distraidamente pequenos círculos no seu braço.

— Este filme é uma seca — murmurou Rafael.

— Foi tu que escolheste — respondeu Leo, sem tirar os olhos do ecrã.

— Estava com bom aspeto no título.

         Leo riu baixinho, apertando-o ligeiramente.

        Rafael sorriu, virou a cabeça e ficou a olhar para o perfil de Leo — a mandíbula, o pescoço, a forma como a luz da televisão lhe dançava no rosto. Havia qualquer coisa a crescer dentro dele, quieta, mas insistente.

         Aproximou os lábios ao pescoço de Leo, apenas um roçar suave.

         Leo não se mexeu, mas a respiração mudou.

        Rafael repetiu o gesto, desta vez com mais intenção, deixando os lábios pousarem um segundo a mais.

— Rafael… — disse Leo, num tom de aviso suave.

— Estou só a ver televisão — respondeu o mais novo, com inocência a fingir.

        Leo virou a cabeça para o olhar, e no olhar de Rafael não havia inocência nenhuma.

— Anjo…

— Leo. — Rafael endireitou-se, virando-se para ele com uma seriedade tranquila. — Estou bem. Estou mesmo bem.

— Eu sei que estás melhor, mas…

— Mas nada… — Rafael pousou a mão no peito dele. — Eu sinto falta de ti. Sinto falta de nós. Sinto falta do teu toque. Sinto falta de ti…em mim. Não de estar perto de ti — isso tenho todos os dias. De tudo o que somos quando não há mais ninguém.

         Leo ficou em silêncio, os olhos presos nos dele.

— Tens medo de me magoar — disse Rafael, sem acusação. — Eu sei. Mas o teu medo está a ser maior do que o meu desejo, e isso… também me magoa, Leo. Não sou de vidro, não me vou partir…desejo-te.

        Leo fechou os olhos por um instante, e quando os abriu, havia rendição neles.

— Se em algum momento…

— Paro. Eu digo. — Rafael tocou-lhe o rosto. — Mas deixa-me estar contigo. De verdade.

         Leo cobriu a mão dele com a sua, virou a cabeça e beijou-lhe a palma, devagar.

— Está bem — murmurou. — Ao teu ritmo. Sempre.

        O beijo que se seguiu começou suave — quase tímido, como se os dois estivessem a aprender de novo. Os lábios encontraram-se com cuidado, sem pressa, saboreando o reencontro. Rafael sentiu o coração acelerar, não de nervosismo, mas de reconhecimento — era isto, era exatamente isto que sentia falta.

        As mãos de Leo subiram devagar, uma a segurar-lhe o rosto, a outra a deslizar pelas costas com uma atenção redobrada, como se estivesse a verificar que estava inteiro, que estava bem, que estava ali.

         Rafael aproximou-se mais, eliminando o espaço que restava entre eles.

Estou bem — repetiu, contra os lábios de Leo. — Sentes?

         Rafael conduziu a mão grande ao seu peito, fazendo com que Leo sentisse como o coração batia forte.

        Leo levantou-se, estendeu-lhe a mão, e Rafael pegou nela.

        Ficaram de pé, frente a frente, na penumbra suave da sala. Leo olhou para ele por um momento — apenas a olhar, como se precisasse de guardar aquela imagem. Rafael não desviou o olhar.

        Foi Leo quem começou, com uma lentidão quase cerimonial. Os dedos encontraram a borda da camisola de Rafael e subiram devagar, levantando-a com um cuidado que tinha qualquer coisa de reverente. Rafael ergueu os braços, deixando-se despir sem resistência, sem pudor.

        Quando a camisola caiu, Leo não avançou de imediato.

         Ficou a olhar para ele — para o peito, para a cicatriz que o acidente deixara, para a pele que conhecia, mas que agora via com olhos diferentes. A mão subiu devagar e pousou sobre a cicatriz, com uma delicadeza que não era pena — era amor. Era a consciência de quanto aquilo custara.

— Leo — chamou Rafael, baixinho.

— Estou aqui — respondeu ele, sem tirar a mão do lugar.

        Rafael cobriu a mão de Leo com a sua, e os dois ficaram assim por um instante — em silêncio, presentes, a sentir o peso e a leveza daquele momento ao mesmo tempo.

         Depois foi Rafael quem puxou a camisola de Leo para cima, despindo-o com uma calma nova, sem nervosismo, sem hesitação. Leo deixou-se, os braços a erguerem-se por instinto.

        Ficaram frente a frente, e Rafael deixou o olhar percorrer o corpo do mais velho com uma atenção tranquila — já não havia susto, já não havia a timidez antiga. Havia reconhecimento. Havia pertença.

       Leo aproximou-se e começou a tocar-lhe — não com urgência, mas com uma intenção clara em cada gesto. As mãos percorreram os ombros, desceram pelos braços, subiram pelo ventre, mapeando cada centímetro como se estivessem a verificar que estava tudo ali, que estava tudo bem. Rafael fechou os olhos, entregando-se àquele toque sem reservas.

        Quando os lábios de Leo encontraram o seu pescoço, Rafael respirou fundo — um som baixo, involuntário, que Leo reconheceu e que lhe deu coragem para continuar.

        Os dedos desceram, mais íntimos agora, e Rafael não recuou. Havia uma diferença em relação a outras vezes — não era apenas o corpo a responder, era ele inteiro, consciente, presente, a escolher estar ali. A excitação era evidente, real, sem vergonha.

— Não tenhas medo de mim — murmurou Rafael, os olhos ainda fechados. — Estou bem. Estou aqui.

        Leo parou por um instante, a testa encostada à dele.

— Eu sei — disse, a voz rouca. — É a mim que tenho de convencer.

        Rafael abriu os olhos e encontrou os de Leo — cheios de desejo, mas também de um medo que não era fraqueza, era amor.

— Então deixa que eu te convença — disse Rafael, com um sorriso suave.

        Pegou na mão de Leo e conduziu-a, sem pressa, sem hesitação, deixando que o mais velho sentisse — a respiração acelerada, o calor, a evidência de que estava inteiro e presente e completamente bem.

        Leo fechou os olhos por um instante, rendido.

— Quarto — murmurou, a voz já diferente.

       Rafael sorriu.

— Era o que eu estava à espera de ouvir.


🍃 🍃 🍃


        No quarto, a luz ficou baixa.

       Leo fechou a porta e ficou um momento de costas para ela, a olhar para Rafael — que estava de pé, à sua frente, os olhos escuros, a respiração já diferente.

        A mudança aconteceu de forma natural, como uma maré que vira. Leo aproximou-se devagar, e Rafael reconheceu naquele passo uma intenção que conhecia — e que tinha pedido.

— Sabes o que estás a pedir? — disse Leo, a voz baixa, mais firme.

— Sei — respondeu Rafael, sem hesitar.

        Leo ficou parado à sua frente por um instante. Depois, com uma calma que era ela própria uma forma de domínio, disse:

— Ajoelha-te.

         Rafael obedeceu sem resistência — os joelhos no chão, o olhar levantado para Leo, o coração a disparar. Havia uma vulnerabilidade naquela posição que Rafael já conhecia, mas que desta vez tinha uma camada diferente — era a primeira vez depois do acidente, e isso tornava tudo mais carregado, mais real.

        Leo pousou a mão na sua cabeça, os dedos a enrolarem-se no cabelo com uma firmeza suave.

— Olha para mim — disse. — Sempre.

        Rafael obedeceu.

        O que se seguiu foi intenso e íntimo — Leo a guiá-lo, Rafael a entregar-se com uma confiança que já não precisava de ser construída, que estava simplesmente lá. Leo usava a mão para conduzir o ritmo, mais presente desta vez, mais direto, e Rafael sentia em cada gesto a diferença entre o cuidado e o controlo — e que as duas coisas podiam existir ao mesmo tempo.

         Quando Leo o puxou para cima, Rafael levantou-se com as pernas trêmulas.

        Leo deitou-o na cama com cuidado — mas desta vez o cuidado tinha uma qualidade diferente, mais deliberada. Tirou o lenço da mesa de cabeceira e olhou para Rafael, a pergunta nos olhos antes de estar nos lábios.

— Sim — disse Rafael, antes que Leo falasse.

        Leo prendeu-lhe os pulsos acima da cabeça com o lenço, com um nó firme, mas não apertado, e    Rafael sentiu aquela onda familiar de vulnerabilidade — intensa, mas não desconfortável. Era exposição nascida de confiança.

         Leo percorreu-lhe o corpo com as mãos e com a boca, devagar, sem pressa — mas havia uma intenção em cada toque que Rafael reconhecia, e que lhe aquecia o peito tanto quanto o corpo.

        Depois Leo parou.

       Ficou sobre ele, o olhar preso no seu, e disse em voz baixa:

— Quero entrar em ti. Assim. Só assim.

        Rafael percebeu o que Leo estava a pedir — e o que estava a poupar. O coração acelerou, o corpo reagiu com um tremor involuntário que não era medo.

       Era antecipação.

— Tens a certeza? — murmurou Leo, os olhos a lerem cada detalhe do seu rosto.

         Rafael encontrou o olhar dele e não desviou.

— Confiaste em mim durante semanas — disse, a voz trêmula, mas firme. — Agora confia tu em mim. Eu conheço o meu corpo.

         Leo fechou os olhos por um instante.

       Quando os abriu, havia rendição neles — e amor, e desejo, e um respeito que Rafael sentiu antes de qualquer toque.

— Dizes-me — murmurou Leo. — Imediatamente.

— Sim.

        O que se seguiu foi intenso de uma forma que não era apenas física. Rafael prendeu os lábios para não fazer demasiado barulho, os pulsos a apertar contra o lenço, o corpo a adaptar-se àquela presença com uma mistura de esforço e entrega que o fez fechar os olhos e procurar a respiração.

        Leo parava sempre que sentia tensão. Esperava. Avançava só quando Rafael respirava de novo.

      E Rafael, com as mãos presas e os olhos fechados, percebeu qualquer coisa que não sabia nomear — que estar assim, entregue, sem defesas, era uma forma de força que nunca tinha reconhecido como tal.

      Quando a intensidade atingiu o ponto mais alto, Rafael abriu os olhos.

      Quis ver Leo.

      E Leo estava lá — o olhar fixo nele, presente, inteiro, sem ir a lado nenhum.


🍃 🍃 🍃


       Depois, Leo desfez o nó do lenço com cuidado, massajando-lhe os pulsos devagar. Rafael ficou imóvel, a respiração ainda a normalizar, os olhos fechados.

— Estás bem? — perguntou Leo, a voz rouca, mas suave.

        Rafael abriu os olhos e olhou para ele.

— Estou inteiro — disse.

        E era verdade de uma forma que ia muito além do corpo.

       Leo deitou-se ao seu lado, puxando-o para os braços, e Rafael aninhou-se ali com aquela facilidade que só o tempo e a confiança constroem.

— Obrigado — murmurou Rafael.

— Porquê?

— Por teres voltado a ser tu. Por não me teres tratado como se eu fosse partir.

        Leo ficou em silêncio um momento.

— Foi difícil — admitiu, com honestidade.

— Eu sei. — Rafael pousou a mão no peito dele. — Por isso obrigado.

       Leo cobriu a mão dele com a sua e ficaram assim, no silêncio quente do quarto, enquanto a noite avançava lá fora sem que nenhum dos dois prestasse atenção.

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