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Capítulo 33 — As Imagens

         Dentro do veículo, o silêncio era quase sufocante. Lorenzo conduzia com o maxilar cerrado, os dedos a apertarem o volante com força. Luís olhava pela janela, mas não via nada — só a imagem do irmão, pálido naquela maca, mas que a mente insistia em recriar.

— Luís — disse Lorenzo, finalmente, sem desviar os olhos da estrada — eu sei que isto é difícil. Mas precisamos de manter a cabeça fria. Vamos falar com a direção, recolher o que conseguirmos. Depois entregamos tudo à polícia.

         Luís assentiu, mas a voz saiu-lhe rouca.

— Se foi mesmo de propósito… eu não sei o que faço, Lorenzo.

— Vais fazer o que sempre fizeste — respondeu o pai de Nuno, num tom firme. — Proteger a tua família. Mas com calma. Com inteligência. Não com raiva.

         Luís respirou fundo, tentando absorver aquelas palavras, e o resto da viagem fez-se num silêncio pesado, mas necessário.


🍃 🍃 🍃


        Quando chegaram à faculdade, o campus parecia diferente — mais silencioso, mais tenso, como se o próprio ambiente tivesse sido afetado pelo acidente. Alguns alunos cochichavam entre si, olhando para o local onde tudo acontecera.

         Lorenzo e Luís dirigiram-se ao edifício principal. Aproximaram-se do segurança que estava à porta, nota-se no rosto dele uma expressão tensa, como se já estivessem à espera deles.

        Assim que se aproximam, Lorenzo fez um breve sinal com a cabeça e, com a voz baixa, mas decidida, diz:

— Bom dia. Gostaríamos de falar com a direção. Somos parentes do Rafael.

        O segurança analisou-os em silêncio durante um instante. Depois, pegou no telefone e murmurou, quase sussurrando:

📞 — “Eles chegaram. Sim, são os familiares do aluno… certo.”

         Desligou. Virou-se para eles, agora com um tom mais respeitoso, quase cúmplice:

— Podem subir. Terceiro andar, porta à direita. A diretora está à vossa espera.

         O segurança permitiu-se um breve sorriso, mais suave, tentando transmitir alguma solidariedade naquele ambiente carregado.

         Luís agradeceu com um gesto silencioso, e os dois começaram a subir as escadas, sentindo o peso de cada passo.

        A diretora abriu a porta quase de imediato, como se já esperasse por eles. O rosto dela mostrava cansaço, mas no olhar havia uma firmeza discreta. Sentou-se atrás da secretária, e fez sinal para que entrassem.

— Bom dia. Vocês são da família do Rafael? — perguntou, a voz baixa e sem rodeios. — Sou a diretora Guilhermina. Cheguem mais perto, sentem-se.

        Lorenzo avançou, tentando parecer firme:

— Sou Lorenzo, pai do Nuno. Este é o Luís, irmão do Rafael.

         Achou desnecessário explicar mais. Luís, ao lado dele, manteve-se calado — a voz presa algures entre a garganta e o peito. Olhava para o chão, as mãos fechadas sobre os joelhos.

        A diretora pousou o olhar neles, sincera:

— Sr. Lorenzo, Sr. Luís… dava tudo para vos conhecer noutras circunstâncias. Como está o Rafael? E o Nuno? Sei que são muito próximos. O que aconteceu deixou todos de rastos, a escola ainda está a tentar digerir.

         A sinceridade dela era sentida tanto nas palavras quanto no modo como os olhos os procuravam, cheia de empatia. Isso, mais do que qualquer formalidade, fez Lorenzo sentir um aperto no peito.

         Lorenzo passou a mão pela testa, hesitando antes de falar. A voz saiu-lhe trémula, como se cada palavra lhe custasse:

— Quando… quando saímos do hospital, o Rafael ainda estava a ser observado. Não tivemos… não tivemos muitas notícias. O Nuno… o meu filho, fisicamente está bem, mas… — fez uma pausa, os olhos perdidos a fixar um ponto vazio no chão — mas psicologicamente, ele está destruído. Mal consegue falar do que viu.

        A diretora Guilhermina endireitou-se na cadeira, mantendo o tom profissional, mas sem perder a seriedade:

— Compreendo perfeitamente a gravidade da situação. Se considerarem adequado, o Nuno poderá permanecer em casa durante os próximos dias. Não temos qualquer objeção, e pode ser importante para a recuperação dele.

         Lorenzo soltou um suspiro, visivelmente aliviado. Ficou alguns segundos em silêncio, o olhar ainda perturbado, antes de agradecer, a voz baixa e sincera:

— Muito obrigado… pela compreensão. Vou falar com o Nuno, mas… acho que vou aceitar a sua sugestão, sim.

         Luís, sentado ao lado, apertava as mãos com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. O seu olhar, rígido e sombrio, cruzou-se com o da diretora por um breve instante antes de murmurar, a voz rouca de tensão:

— Precisamos mesmo de saber o que se passou. O meu irmão estava na passadeira. O carro veio… veio direito a ele. O Nuno viu tudo.

         O silêncio que se seguiu pesou no ar, carregado de inquietação e medo, enquanto cada um tentava digerir a dimensão do trauma que os marcava.

         A diretora assentiu, com um ar grave.

— Eu sei. E por isso mesmo… quero mostrar-vos algo.

         Levantou-se, foi até ao computador e abriu um ficheiro. O ecrã iluminou o gabinete com uma luz fria.

— As câmaras de segurança do campus captaram tudo.

         Luís sentiu o estômago cair. Lorenzo endireitou-se na cadeira, tenso.

        A diretora clicou no vídeo, e a imagem congelada mostrava Rafael a atravessar a passadeira… e um carro preto a aproximar-se depressa demais.

— Isto… — murmurou Luís, a voz a falhar — isto não é um acidente.

        A diretora olhou para eles com uma expressão sombria.

— Não. Não é — respondeu a diretora, olhando-os com uma expressão grave e determinada. — A nossa intenção era comunicar à polícia. Íamos dar um prazo até amanhã; se não viessem até nós, então avançaríamos com a denúncia.

          Luís, ainda com a voz trémula, mas mais seguro, perguntou:

— Obrigado. Acha que podemos receber o que nos mostrou?

        A diretora assentiu, digitando calmamente no teclado, os olhos fixos no ecrã.

— Posso enviar-vos por e-mail. No ficheiro vão encontrar também a matrícula do carro; felizmente alguém reparou nela.

           Lorenzo e Luís entreolharam-se como se lhes tivesse sido tirado um peso dos ombros. Lorenzo soltou um suspiro discreto, enquanto Luís relaxava os ombros pela primeira vez em horas.

— Pode enviar para o meu e-mail — disse Luís, estendendo-lhe um papel com o endereço.

         A diretora digitou alguns instantes, e depois, com um sorriso breve, mas cansado, anunciou:

— Prontinho. Transferência feita — disse a diretora algum tempo depois. — Façam justiça. E por favor, vão dando notícias.

— Obrigado, vamos fazer sim — respondeu Lorenzo, tentando transmitir confiança apesar do nervosismo.

Assim que tivermos novidades, avisamos — completou Luís, com um aceno sincero.

         Quando saíram do gabinete da diretora, Lorenzo e Luís caminharam em silêncio pelo corredor. O peso do que tinham acabado de ver parecia agarrar-se-lhes aos ombros. Só quando chegaram ao carro é que Luís finalmente respirou fundo, tirou o telemóvel do bolso e desbloqueou-o com mãos trémulas.

— Vou enviar isto ao Rui — murmurou, quase para si mesmo. — Ele é inspetor na PJ. Se alguém consegue avançar com isto rápido… é ele.

         Lorenzo assentiu, sem dizer nada. Não era preciso.

         Luís abriu o e-mail, anexou o vídeo e a matrícula, escreveu algumas palavras sobre o que aconteceu e carregou em “enviar”.

        O som discreto da mensagem enviada pareceu ecoar mais alto do que devia.

— Já está — disse, num sussurro. — Agora… agora é esperar.

        Lorenzo pousou uma mão firme no ombro dele.

Fizeste o que tinhas de fazer. Vamos voltar para o hospital.


🍃 🍃 🍃


         A viagem de regresso foi silenciosa, quando estacionaram, Luís sentiu o coração acelerar outra vez.

        Entraram no hospital, e o ambiente pesado da sala de espera voltou a envolvê-los como um cobertor húmido.

        Leo levantou-se de imediato quando os viu aproximar-se.

— E então? — perguntou, a voz fraca, mas carregada de esperança e medo.

        Lorenzo respondeu primeiro, com calma.

— A diretora mostrou-nos as câmaras. O carro… foi mesmo de propósito. Temos o vídeo e a matrícula. Já enviámos tudo para a polícia.

         O rosto do Leo empalideceu ainda mais, mas havia algo novo nos olhos dele — uma mistura de dor e raiva silenciosa.

— Obrigado… — murmurou, quase sem voz.

        Nuno aproximou-se devagar, ainda com os olhos vermelhos.

— Conseguiram mesmo ver? — perguntou, num fio de voz.

        Luís assentiu.

Conseguimos. E já está nas mãos certas.

        Antes que alguém pudesse dizer mais alguma coisa, a porta automática abriu-se novamente.

        Lucca apareceu no corredor, o rosto sério, mas havia algo diferente — uma tensão nova, um peso que não estava lá antes.

       A sala inteira se endireitou, como se o ar tivesse mudado.

        Lucca aproximou-se devagar, parando diante deles.

Tenho novidades sobre o Rafael.

        Lucca respirou fundo antes de falar, como se estivesse a escolher cada palavra com cuidado.

— O Rafael entrou em coma induzido, nós pusemo-lo a dormir — disse, finalmente. — Não é uma situação de risco imediato, mas precisamos de controlar a pressão intracraniana e permitir que o cérebro descanse. É o melhor para ele neste momento.

         Leo sentiu as pernas fraquejarem e agarrou-se ao braço do Henrique.

Quanto tempo…? — a voz saiu-lhe num sussurro rouco.

Não sabemos ao certo — respondeu Lucca, com honestidade. — Pode ser um ou dois dias… pode ser um pouco mais. Mas quero que entendam isto: não há sinais de danos permanentes. O corpo dele está a reagir bem. O coma é uma proteção, não um perigo.

         A sala inteira pareceu respirar ao mesmo tempo.

— Ele vai acordar — acrescentou Lucca, com firmeza. — Só precisamos de lhe dar tempo.

         Leo levou as mãos ao rosto, as lágrimas a escorrerem silenciosas.

         Henrique puxou-o para si, abraçando-o com força.

— Eu estou aqui — murmurou-lhe ao ouvido.

        Mário aproximou-se devagar, a voz baixa, mas cheia de esperança.

— Podemos vê-lo?

         Lucca assentiu.

— Um de cada vez. Mas sim… podem.

         Lucca fez um gesto para que o seguissem. O corredor parecia mais longo do que antes, cada passo ecoando como se o hospital inteiro estivesse a prender a respiração. Leo caminhava entre Henrique e  Mário, as mãos trémulas, o peito apertado, como se o ar lhe faltasse a cada metro que se aproximava do quarto.

         Quando chegaram à porta, Lucca parou.

— O Rafael está a dormir sob sedação leve — explicou, num tom calmo. — É só para o manter tranquilo e ajudar o corpo a recuperar. Podem falar com ele. Ele não vai acordar já, mas… pode ouvir-vos.

         Leo sentiu o coração apertar-se ainda mais.

        Lucca abriu a porta.

        O quarto estava silencioso, iluminado por uma luz suave. O som ritmado do monitor cardíaco era quase reconfortante. Rafael estava deitado na cama, o rosto sereno, ligeiramente pálido, mas sem nada que chocasse. Tinha apenas uma máscara de oxigénio leve, um acesso no braço e o gesso no braço partido. Nada mais.

         Parecia… a dormir.

         Leo levou uma mão à boca, sufocando um soluço.

— Meu Anjo… — sussurrou, a voz quebrada.

       Lucca pousou uma mão nas costas dele, mas Leo deu um passo à frente, como se fosse puxado por um fio invisível. Sentou-se na cadeira ao lado da cama e estendeu a mão, pousando-a com cuidado sobre a mão do Rafael.

         A pele estava quente.

         Viva.

        Leo fechou os olhos, deixando as lágrimas caírem.

— Meu amor… estou aqui — murmurou, inclinando-se para a frente. — Não te vou deixar. Não importa quanto tempo demores… eu fico.

         Passou o polegar sobre os dedos dele, num gesto lento, quase reverente. Depois inclinou-se e pousou um beijo suave na testa do Rafael, demorando-se ali, como se pudesse transferir-lhe força através do toque.

— Tu és forte… és tão forte — sussurrou contra a mão dele, a voz embargada pela emoção. O peito apertava, como se cada batida fosse um apelo silencioso. — Tu não estás sozinho. Volta para mim. Por favor.

          E então… algo quase impercetível aconteceu.

         Os dedos do Rafael mexeram-se.

        Um movimento mínimo, fraco, mas real.

        Leo engoliu em seco, o coração a disparar.

Rafa…? — murmurou, com a voz embargada.

         Lucca aproximou-se, observando o monitor.

— É normal — disse, com um pequeno sorriso. — Ele ouviu-te. A sedação é leve. Ele não vai acordar já, mas… está a reagir.

         Leo deixou escapar um soluço de alívio, pousando a testa na mão do Rafael.

— Obrigado… obrigado…

— Olha, irmão, vamos ter de sair. — disse Lucca, pousando uma mão firme no ombro de Leo, tentando transmitir-lhe algum conforto.

— Não posso ficar? — tentou apelar Leo, a voz hesitante, olhando para Rafael com esperança.

          Lucca suspirou suavemente, o olhar compreensivo.

— Sei que queres isso, respondeu ele. Mas é justo que o resto da família o veja também. Depois pode ficar uma pessoa com ele, podem ir-se alternando. — Explicou.

         Leo saiu, deixando o resto da família entrar, um por um, sentou-se e foi rodeado por quem estava ali fora.

          Foi então que o telemóvel do Luís vibrou no bolso e ao ver o nome que apareceu no ecrã, sentiu o coração disparar

       Rui — PJ

— É o Rui — disse, num sussurro urgente.

         Lorenzo aproximou-se um passo.

— Atende.

         Luís saiu discretamente para o corredor, respirou fundo e deslizou o dedo no ecrã.

📞 — “Olá, Rui.”

         Luís caminhava nervosamente pelo corredor, tentando encontrar as palavras certas enquanto segurava o telemóvel com força.

📞 — [Luís, recebi o que me enviaste. E não me pareceu que fosse por mero acaso. Quem foi atropelado? Queres que eu investigue, é isso?]

        A voz do inspetor soou firme e direta, mas havia uma ponta de preocupação.

📞 — “Desculpa incomodar-te assim. Consegues fazer isso? A pessoa atropelada é o meu irmãozinho…”

         Do outro lado, Rui interrompeu, a voz tomada por inquietação:

📞 — [É o Rafael? Ele está bem?]

         Rui conhecia Rafael, e era impossível disfarçar o receio. Luís teve de respirar fundo antes de responder, sentindo o peso da situação.

📞 — “É ele sim. Temos esperança de que vai ficar bem. Ainda está adormecido. Rui, podes fazer isso por mim? Ajuda-nos a descobrir quem fez isto, por favor.”

          Luís falou com a voz embargada pelo choro contido, enquanto olhava para Leo, que observava em silêncio, apreensivo.

📞 — [Claro que sim. Dá-me um dia ou dois. Deve ser um caso fácil, provavelmente de algum principiante. Escolheu um sítio com câmaras e temos a matrícula do carro. Vou dando notícias.]

          Luís deixou escapar um suspiro de alívio.

📞 — “Obrigado, amigo. Fico a dever-te uma.”

📞 — [Para que servem os amigos? Que o Rafael fique bem, já é paga suficiente.]

          Quando a chamada terminou, Luís encostou-se à parede, sentindo finalmente algum alívio. Leo aproximou-se, ansioso pela resposta.

— O Rui diz que vai tratar do caso, não deve ser difícil. Já tem o carro e a matrícula. Pede só um ou dois dias para descobrir.

         A família trocou olhares cansados, alguns cheios de esperança, outros de medo, todos marcados pela exaustão.

        Lorenzo passou uma mão pelo rosto.

— Vamos todos respirar um pouco. Isto foi demais para um dia só.

        Henrique aproximou-se de Leo, pousando-lhe uma mão no ombro.

Anda, amigo. Vamos comer alguma coisa. Tens de te manter forte para ele.

         Leo hesitou, olhando para a porta do quarto onde Rafael descansava. O coração puxava-o para dentro, mas o corpo tremia de fraqueza.

          Mário juntou-se a eles, com um sorriso triste.

— Só uns minutos. Depois voltamos contigo. Prometo.

         Leo acabou por ceder, deixando-se guiar pelos dois.

        Foram até à cafetaria do hospital, onde comeram qualquer coisa sem realmente sentir o sabor.

       Henrique e Mário mantiveram-se perto, atentos, tentando dar-lhe algum conforto sem o sufocar.

        Quando regressaram ao corredor, a família começava a dispersar.

        Abraços silenciosos, promessas de voltar cedo, olhares carregados de preocupação.

      Luís aproximou-se de Leo e apertou-lhe a mão.

— Se precisares de mim, estou aqui. Vou ficar atento ao Rui. Assim que souber algo, aviso.

        Leo assentiu, com um pequeno sorriso cansado.

— Obrigado.

         Aos poucos, todos foram saindo, deixando o corredor finalmente em silêncio.

        Leo respirou fundo, sentindo o peso do dia inteiro a cair-lhe sobre os ombros.

        Depois virou-se para Henrique e Mário.

— Eu… eu vou ficar com ele esta noite.

        Henrique disse, com um sorriso discreto e um olhar compreensivo, como se já soubesse o que Leo ia dizer.

— Claro que vais. Ele ia querer isso.

       Mário deu-lhe um abraço rápido, apertado.

Qualquer coisa, liga-nos. Estamos aqui.

        Leo viu-os afastarem-se pelo corredor, até desaparecerem na curva, depois voltou-se para a porta do quarto do Rafael, empurrando-a devagar.

        O quarto estava igual — silencioso, suave, tranquilo.

        Rafael continuava a dormir, respirando de forma regular, o monitor marcando o ritmo constante da vida.

         Leo aproximou-se, puxou a cadeira para junto da cama e sentou-se.

        Pegou na mão dele outra vez.

— Boa noite, meu amor — murmurou, encostando a cabeça ao colchão. — Eu fico aqui. Sempre.

         E ali ficou, a vigiar o sono de Rafael, enquanto o hospital se calava à volta deles.

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