Capítulo 08 — Quatro Destinos
A semana parecia demorar a passar, contrariando o desejo de todos para que o tempo corresse mais depressa. Com o avançar dos dias, rotinas começaram a ganhar forma: Gui e Jorge, agora mais integrados, só entravam nos gabinetes dos patrões quando eram chamados ou quando as suas funções o exigiam.
A presença diária dos alfas no restaurante deixou de causar surpresa; tornou‑se habitual vê‑los ali, como se aquela fosse a nova norma.
Ainda assim, os quatro só se cruzavam no ambiente de trabalho e, ao final do expediente, cada um regressava sozinho a casa.
Para Gui e Jorge, porém, as noites ganharam um novo brilho. Passavam horas ao telefone com os alfas — conversas longas, mensagens trocadas, confidências partilhadas.
A cada notificação, um sorriso surgia automaticamente nos rostos dos dois ómegas.
Do outro lado, os alfas esforçavam‑se para respeitar o espaço e o tempo dos seus pequenos. Queriam que tudo evoluísse ao ritmo certo.
Mas esse esforço começava a pesar. O desejo de estarem juntos, de partilharem momentos mais íntimos, tornava‑se quase insuportável.
Ainda assim, ambos sabiam que era preciso paciência — e que a pressa podia destruir o que estavam a construir com tanto cuidado.
— Henrique, isto está a tornar‑se difícil de aguentar… — confessou Mário, a voz baixa, carregada de um anseio que tentava esconder. — Tê‑los por perto émaravilhoso, mas a sensação de distância não desaparece. Preciso de mais, de sentir que estamos realmente juntos. Pensei que talvez um jantar a quatro, esta sexta, seguido de um bar, pudesse ajudar.
Henrique demorou alguns segundos antes de responder, como se pesasse cada palavra.
— Não nego, sinto o mesmo… Às vezes, aqui dentro, o silêncio pesa. Gostava de poder estar com o meu ómega de forma mais natural, sem barreiras. Mas… porque juntos? Não achas que talvez eles preferissem estar a sós connosco?
Mário desviou o olhar, procurando as palavras certas.
— Já reparaste como eles se procuram constantemente? Há ali um apoio, uma confiança discreta, que lhes dá segurança. Acho que o passado lhes deixou marcas que ainda não entendemos bem… Se formos todos juntos, eles terão menos medo de dar um passo maior. Não é só sobre nós, Henrique. É sobre o que eles precisam para se sentirem inteiros, sem receios de julgamentos ou rejeições.
Henrique sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos.
— Percebo-te. Às vezes parece que falta sempre qualquer coisa, mesmo quando estão aqui. Há aquele medo de avançar demais e estragar tudo… E, confesso, tenho receio de não ser suficiente. De não saber dar-lhes o que precisam.
— Talvez seja isso que nos aproxima tanto deles —disse Mário, num tom suave. — O querer cuidar, o receio de magoar, o desejo de sermos mais do que apenas alfas para eles. Não é só o corpo que pede… é como se precisássemos de provar que somos dignos da confiança deles.
— Engraçado… sinto falta de coisas tão simples, como o toque, o riso partilhado. Mas ao mesmo tempo há um receio constante, como se qualquer passo em falso pudesse afastá-los. Nunca me senti assim antes.
Mário pousou a mão sobre a mesa, os dedos inquietos.
— Também não. E é por isso que acho que devemos dar este passo juntos. Não para apressar nada, mas para criar memórias em que possamos confiar. Talvez assim, devagarinho, eles percebam que não há pressa, nem exigências… só vontade de estar presente — e de ficar.
— Porque nos importamos… porque os amamos… porque são nossos… porque com eles queremos tudo, e não apenas sexo, como tantas vezes foi no passado — disse Henrique, a frustração evidente.
— Sim, exatamente isso. Sabes… nunca precisei recorrer tanto à minha mão como agora… — Mário riu, contagiando Henrique, que não conseguiu conter o riso.
— Compreendo-te perfeitamente. Entre o uso da mão e o turbilhão de pensamentos lascivos, sinto coisas que nunca vivi com outros ómegas.
Mário suspirou.
— Sinto medo de repetir erros do passado. Não saber o que os marcou deixa-me inquieto. Quero que vamos devagar — sobretudo tu, Henrique, porque o teu ómega parece carregar feridas antigas.
Henrique assentiu.
— Sei disso. E também não esqueças que, seja o que for que o meu ómega tenha vivido, isso acabou por tocar o teu também. Que tal chamá-los agora? Preciso mesmo de um abraço.
— Não me esqueci. Também preciso de sentir o calor deles.
Mário abriu a porta e chamou os dois.
Gui e Jorge levantaram-se de imediato, os rostos iluminados por um sor-riso genuíno, e correram ao encontro dos seus alfas — Henrique e Mário. Ao aproximarem-se, lançaram-se nos braços deles, abraçando-os com força e alegria, como se quisessem recuperar todo o tempo perdido.
O cheiro doce da felicidade dos dois casais envolveu a sala.
— Que dois sem-vergonhas que arranjámos, hem, Henrique?— brincou Mário, beijando o cabelo de Gui.
— Verdade! A assediar assim os patrões… como é possível!— provocou Henrique, dando um beijo leve na bochecha de Jorge.
Os rapazes riram baixinho, aninhando-se ainda mais nos braços dos seus alfas, sentindo o calor reconfortante dos abraços que os envolviam.
— Não gostam? Podemos ir embora. Vamos, Jorge — brincou Gui, tentando afastar-se.
— Vamos sim, não nos querem aqui — disse Jorge, fingindo-se ofendido.
— Nem pensem nisso! — respondeu Henrique, apertando Jorge contra si. — Aqui é o vosso lugar. Nos nossos braços. Nem sonhes, Lobinho. Tu és meu.
— Nem sonhes, meu Anjo — reforçou Mário, segurando Gui com mais força. — Queremos que continuem assim: espontâneos, sem medo de nós, sem medo de mostrar o que sentem.
— Sim — acrescentou Henrique, sério. — E acima de tudo, não tenham medo de dizer o que querem, o que sentem. Queremos diálogo. Queremos que sejam vocês mesmos.
Jorge ergueu o olhar, inquieto.
— Nós gostamos de estar nos vossos braços… mas foi só por isso que nos chamaram? Estamos a fazer alguma coisa errada?
O rapaz franziu a testa, as mãos apertadas no colo, o olhar ansioso à espera da resposta.
Henrique percebeu imediatamente a preocupação de Jorge e aproximou-se um pouco mais, tentando acalmá‑lo com um sorriso caloroso.
— Não, lobinho, nada disso. Vocês estão ótimos. Toda a gente comenta que foram a escolha certa. — disse, pousando uma mão reconfortante no ombro do rapaz.
Jorge soltou um suspiro de alívio, os ombros relaxaram e um sorriso tímido surgiu-lhe nos lábios.
Mário, percebendo o ambiente mais leve, continuou a acariciar o cabelo de Gui, que permanecia com a cabeça encostada ao peito dele, claramente confortável e protegido.
— Queremos convidar-vos para jantar e depois irmos ao bar do Miguel — anunciou Mário, com uma expressão afetuosa.
— Os quatro? — perguntou Gui, sem levantar a cabeça, sentindo o embalo do coração do alfa como um porto seguro.
— Sim, os quatro — confirmou Henrique. Depois, virou-se para Jorge, ainda aninhado contra o seu peito. — Que dizes, lobinho?
O silêncio que se seguiu pareceu mais longo do que realmente foi. A expectativa pairava no ar, densa, quase palpável.
Jorge, ainda entregue aos carinhos de Henrique, sentia cada afago como uma onda de ternura que lhe aquecia a alma. O toque suave nos seus cabelos e na face fazia-o sentir-se valioso, desejado, mas sobretudo respeitado.
Foi ele quem quebrou o silêncio.
— Digo que sim — sussurrou, encostando a cabeça ao peito de Henrique, procurando ali abrigo e tranquilidade.
O gesto surpreendeu o alfa, que o aconchegou ainda mais, mantendo, no entanto, alguma distância entre os seus corpos para não expor Jorge à sua excitação.
Naquele instante, Henrique sentiu um orgulho imenso pela confiança que Jorge depositava nele — e prometeu a si mesmo nunca trair esse sentimento.
— E tu, meu Anjo? — perguntou Mário, apertando Gui de forma suave, mas protetora. — Ficaste tão caladinho…
Gui levantou ligeiramente o rosto. Os olhos brilhavam de contentamento e uma leve travessura.
— Hum… preciso mesmo de falar? Só quero aproveitar este abraço e o calorzinho do meu alfa. Não posso? — disse, apertando ainda mais os braços à volta da cintura de Mário.
— Então estamos combinados — disse Mário, o alívio e a felicidade estampados no rosto. — Amanhã apanhamos-vos por volta das 20h, está bem?
— Está bem! — responderam os dois em uníssono, os olhos brilhando de expectativa.
Com alguma dificuldade, os quatro separaram-se, cada um regressando às suas rotinas, mas todos com o coração mais leve e preenchido — como se aquele simples abraço tivesse tecido novos laços entre eles, tornando aquela tarde inesquecível.
🍃 🍃 🍃
Sexta-feira
A ansiedade pairava na casa, transformando pequenos gestos em sinais evidentes de nervosismo. Para Gui e Jorge, aquele convite tinha um peso especial, diferente de tudo o que tinham vivido até então — era um passo que tornava tudo mais real.
Gui não conseguia parar quieto; agitava as mãos numa tentativa frustrada de afastar o turbilhão que sentia no peito.
— Estou mesmo nervoso — confessou, a voz a tremer tanto quanto os dedos.
Jorge, sentado ao lado dele, assentiu. O coração batia-lhe rápido, quase a marcar um ritmo próprio.
— Nem me fales… sinto o corpo todo a tremer — murmurou, soltando um suspiro na esperança de aliviar a tensão.
O ar parecia mais denso, carregado de expectativas e inseguranças. Gui lançou a dúvida que o inquietava desde o dia anterior:
— Achas que eles vão querer… ir mais longe?
Jorge virou-se para ele, tentando decifrar o que estava por trás da pergunta.
— Mais longe como? Queres dizer… sexo?
— Sim… era disso que estava a falar — respondeu Gui, tentando disfarçar o embaraço, mas o rubor nas bochechas denunciava-o.
Jorge não conteve um sorriso.
— Por que perguntas? Eu sei que tu queres isso com o Mário, não é?
Gui desviou o olhar, o rosto ainda mais quente.
— Confesso que sim… Se ele tentar alguma coisa, não sei se vou conseguir resistir.
Por dentro, o corpo antecipava o toque, e o desejo misturava-se com uma sensação de segurança que nunca conhecera antes.
— E quem disse que tens de resistir, se é isso que queres? — disse Jorge, com uma leveza reconfortante. — Aproveita. Já deu para perceber que eles gostam de nós pelo que somos, não só pelo sexo. Vê-se no respeito deles, na maneira como nos olham, no tempo que nos estão a dar.
Jorge fez uma pausa, recordando o momento no gabinete.
— Ontem, quando estivemos no escritório deles, o Henrique abraçou-me… mas manteve sempre uma certa distância, principalmente na parte de baixo. Notei que ele estava entusiasmado, mas, em vez de se aproveitar, fez questão de não me pôr desconfortável. Isso fez-me confiar ainda mais nele.
O silêncio que se seguiu foi cheio de compreensão.
— Quanto a isso, o meu alfa não se afasta nada, Jorge!— disse Gui, rindo. — Faz questão de mostrar o quanto eu o deixo maluco. Não exagera, mas também não faz cerimónias. Eu vou aproveitar sim — se ele quiser, eu aceito sem pensar duas vezes! Mas e tu? Não queres o Henrique da mesma forma ou estás só a fazer suspense?
Jorge suspirou. Hesitou. Os olhos desviaram-se, como se procurasse coragem nos próprios pensamentos.
O coração acelerava ao recordar o toque de Henrique, mas uma sombra antiga insistia em pairar.
— Sabes que sim… só que às vezes fico a pensar demais— confessou, num tom baixo. — É aquele medo que não consigo largar.
— Medo do Henrique? — Gui franziu o sobrolho, genuinamente curioso.
— Não… dele não. É de tudo o resto. Tu sabes… é o que vem de trás que me assusta.
Gui tentou tranquilizá-lo, adotando um tom leve, mas firme:
— Mas confias nele, não confias? Eu vejo como te acalma. Quando ele te toca, tu relaxas. Não sentes nada de mau, pois não?
Jorge ergueu o olhar. Só de pensar em Henrique, o peito parecia menos apertado.
— Gosto muito do toque dele. Nunca me assustou. Pelo contrário… sinto-me em paz. Quase esqueço que já fui magoado um dia.
— Então aproveita! Para de pensar tanto. Só vai acontecer o que tu deixares. Mas antes de tudo, tens de esclarecer algumas coisas com ele. Não deixes que a dúvida fique entre vocês — aconselhou Gui, agora mais sério. — Ele é alguém com quem podes falar abertamente. E numa relação… diálogo é tudo.
Jorge pensou por um instante, depois colocou as mãos sobre as de Gui.
— Sim… vou avançar devagar, um passo de cada vez. Tudo no seu tempo. E precisamos mesmo de falar com eles. Obrigado, amigo.
Inclinou-se e encostou a cabeça numa das mãos de Gui, num gesto de carinho e gratidão.
Nesse momento, ambos foram interrompidos pelo som simultâneo das notificações nos seus telemóveis.
20h em ponto.
Os alfas tinham enviado mensagem.
Os ómegas já estavam preparados há algum tempo, aguardando apenas o momento certo para sair. Quando a notificação chegou aos seus telemóveis, optaram por não responder de imediato.
Com sorrisos felizes, fecharam a porta atrás de si e desceram as escadas — o elevador continuava avariado.
Ao chegarem à rua, encontraram os dois alfas encostados ao carro, de braços cruzados e sorrisos largos. Sem os habituais fatos, vestidos de forma casual, pareciam ainda mais atraentes.
Ambos mantinham o olhar fixo na entrada do prédio, ansiosos pela chegada dos rapazes.
Assim que os viram, os ómegas apressaram o passo, os alfas abriram os braços, prontos para os acolher.
Mário abraçou Gui com calor e, sem cerimónia, inclinou-se e beijou-o — não o beijo leve do costume, mas um toque mais demorado, com a mão a subir devagar pelo pescoço de Gui, segurando-o ali. Gui sentiu o estômago virar-se. O aroma de mogno e canela chegou-lhe intenso, e o corpo respondeu antes de conseguir pensar — os dedos apertaram-se na camisa de Mário, prendendo-o, pedindo mais sem uma palavra.
Mário aprofundou o beijo devagar, como quem testa um terreno novo e o encontra mais firme do que esperava. Gui correspondeu sem hesitar, e por um instante esqueceram-se de onde estavam — só existia o calor, o cheiro um do outro, a mão de Mário a descer da nuca para a base das costas, num gesto que pedia, mas nunca exigia.
Quando finalmente se afastaram, ambos ofegantes, Mário encostou a testa à de Gui, um sorriso lento a formar-se-lhe nos lábios.
— Tenho andado a sonhar com isto a semana toda — confessou, a voz rouca.
Gui riu, ainda sem fôlego, o rosto corado.
— Eu também. Achei que ia explodir se não me tocasses logo.
Mário soltou uma gargalhada baixa, beijando-lhe a testa antes de o soltar relutantemente.
— Então hoje vais ter de aguentar-me com mais paciência do que costumo ter.
Jorge procurou o conforto dos braços de Henrique e surpreendeu-o: quando Henrique se inclinou para lhe beijar a face, Jorge desviou ligeiramente o rosto e selou um beijo nos lábios do alfa.
Henrique ficou imóvel. O beijo apanhou-o desprevenido — e foi exatamente por isso que o desfez por dentro. Sentiu o calor dos lábios de Jorge antes mesmo de processar o que estava a acontecer, o cheiro a morangos a intensificar-se de repente, o peito a apertar-se num querer que não sabia bem onde pousar. Quando Jorge se aproximou pela segunda vez, Henrique deixou de pensar. O momento ganhou uma intensidade nova; cada sensação — o cheiro suave da pele de Jorge, o tremor involuntário dos seus dedos, o calor reconfortante que se espalhou pelo peito de Henrique — tornou-se ainda mais vívida. Quando os lábios de Jorge tocaram os seus, Henrique fechou os olhos, absorvendo aquela conexão, sentindo-se visto, desejado e, acima de tudo, seguro.
Henrique sentiu a suavidade e o calor daqueles lábios — e soube, sem sombra de dúvida, que seriam a sua perdição.
Ainda assim, afastou-se com delicadeza e, beijando-lhe a face, sussurrou-lhe ao ouvido:
— Os teus lábios são tão macios, lobinho… deixas-me com vontade de querer mais. Permites que te descubra devagarinho?
Os dedos de Henrique pousaram no rosto de Jorge, num gesto terno, atento à reação dele.
Jorge sorriu, os olhos brilhando de confiança.
— Sim, sempre que quiseres. Os meus lábios são teus, Henrique.
O sorriso aberto revelava não só desejo, mas também a paz de quem se sente respeitado.
Henrique afastou-se um pouco para se controlar, mas não sem antes tocar-lhe a cintura com carinho, como quem pergunta silenciosamente se está tudo bem.
Jorge percebeu a hesitação e aproximou-se mais, encostando-se ao corpo do alfa.
— Não precisas de te conter comigo. Confio em ti, Henrique. Sei que só vais tão longe quanto eu quiser, e isso faz-me sentir seguro. Gosto de saber que estás atento ao meu tempo. Só te peço que continues a ser paciente comigo…
Acariciou-lhe o braço, reforçando o sentimento de cuidado mútuo.
Depois, soltou uma gargalhada leve e piscou-lhe o olho:
— E não te preocupes… gostei de sentir o quanto gostas de mim. Faz-me sentir desejado.
O ambiente entre eles tornou-se ainda mais cúmplice.
Henrique aninhou Jorge nos braços, entregando-se a uma intimidade construída passo a passo, onde o consentimento e o cuidado eram tão importantes quanto o desejo.
— Que sem vergonha… estás a deixar-me louco, lobinho. Muito louco — murmurou Henrique ao ouvido dele.
Aproximou-o ainda mais, deixando um beijo terno em cada lado do rosto e, por fim, nos lábios.
Preparava-se para aprofundar o beijo quando ouviu:
— Vocês vão passar a noite aí fora?
Era Mário, já sentado no carro com Gui ao lado.
— Chato, já vamos! — respondeu Henrique, divertido.
Jorge e Henrique entraram juntos no banco de trás do carro, sem desfazer o abraço aconchegado. As mãos de Henrique deslizaram suavemente pelas costas de Jorge, num gesto discreto, mas cheio de significado, enquanto os seus olhares se cruzavam e trocavam sorrisos cúmplices. Jorge encostou a cabeça ao ombro de Henrique e deixou-se ficar sentindo o ritmo sereno da respiração dele, quase como se o coração de ambos encontrasse o mesmo compasso naquele instante. Henrique ajeitou-lhe uma madeixa de cabelo, o olhar atento e protetor — e a sensação de proximidade intensificou-se.
O caminho até ao restaurante pareceu suspenso no tempo.