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33 🔞 – Confio em Ti

          🔞 Este capítulo contém conteúdo para leitores adultos.


         Henrique ficou nervoso sem saber como agir, tudo aquilo era novo para ele, então começou a arrumar a mesa, num gesto instintivo de fugir. O seu coração batia acelerado e ele evitava olhar para os outros, sentindo o rosto esquentar.

         Jorge pousou-lhe a mão no pulso — um toque leve, quase tímido, mas firme o suficiente para o deter, aproximou-se devagar, como quem se aproxima de algo precioso demais para tocar sem permissão.      Henrique manteve-se imóvel, mas o peito subia e descia depressa demais para fingir calma.

         Jorge guiou-o até ao sofá, com um cuidado quase protetor.

        Ambos se sentaram.

        As mãos permaneceram unidas, e Henrique passou o indicador pelo pulso de Jorge, num gesto tímido, quase hesitante, como se estivesse a confirmar que ele estava mesmo ali.

— Henrique… — começou Jorge, a voz suave. — Só quero ter a certeza de que não estás a fazer isto por mim. Ou por obrigação. Quero que seja porque tu mesmo queres.

          Henrique levantou o olhar, havia ali nervosismo, sim, mas também havia decisão.

— Não é por ti — murmurou. — É por nós.

          Jorge sentiu o coração apertar-se de um jeito que não esperava, olhou Henrique nos olhos, a expressão marcada por preocupação e as sobrancelhas ligeiramente franzidas, e perguntou num tom hesitante, quase temendo a resposta:

— E tens mesmo a certeza? Não estás influenciado por nada nem por ninguém? Soubeste de Mário e Gui, não foi?

        Jorge continuou a questionar só para ter a certeza.

        Henrique respirou fundo, como quem atravessa uma porta invisível.

— Tenho a certeza, sim. Falei com o Mário, vi a felicidade dele no dia seguinte ao ocorrido. Percebi que tanto ele quanto o Lobo estavam bem com a situação. E perguntei-me: por que não dar esse passo também?

          Fez uma pausa.

— E… quero que seja contigo.

           Outra pausa, mais longa.

— Quero confiar-te isto.

          Jorge não se mexeu, não avançou, nem o puxou, deixou apenas que as palavras assentassem entre eles, como algo sagrado.

— Obrigado — disse ele, por fim, a voz baixa, quase trémula. — Por confiares em mim. Também quero experimentar, sim. Mas tu és alfa e eu sou ómega…

        Um beijo subtil calou Jorge. O beijo suave fez Jorge esquecer, por um instante, todas as dúvidas e medos, deixando apenas o calor do momento entre eles.

— Não, acima de tudo, somos humanos. Nós amamo-nos, desejamo-nos; os nossos lobos são apenas parte de nós, mas não nos comandam.

         Jorge levantou-se, e não largando a mão de Henrique, puxou devagar, e disse:

— Então vem.

         O caminho até ao quarto foi feito em silêncio, mas não era um silêncio vazio — era o silêncio de dois corações a prepararem-se para algo que não tinha nome ainda. Jorge não largou a mão de Henrique em nenhum momento, e Henrique deixou-se guiar com uma confiança que o surpreendia a si mesmo.

         E foi assim que subiram para o quarto — não com urgência, não com pressa, mas com a calma de quem sabe que está a entrar num território novo, íntimo, delicado.

         No quarto, a luz suave deixava tudo mais quente, mais humano.

         Jorge tocou no rosto de Henrique com a ponta dos dedos, como se estivesse a memorizar cada linha.      Henrique fechou os olhos, inclinando-se para o toque.

— Se não quiseres continuar, dizes — murmurou Jorge.

— Quero — respondeu Henrique, sem hesitar.

           Jorge começou devagar, como sempre fazia quando queria mostrar que havia espaço para recuar. As mãos percorreram o corpo de Henrique com uma atenção quase reverente — o pescoço, os ombros, o peito — memorizando cada reação, cada arrepio, cada respiração que mudava de ritmo.

         Henrique fechou os olhos, entregando-se ao toque com uma vulnerabilidade que nunca mostrara a ninguém. O corpo dele respondia antes da mente — um tremor leve, um suspiro contido, os dedos a apertarem o lençol sem querer.

— Estás bem? — perguntou Jorge, parando.

— Continua — respondeu Henrique, a voz rouca. — Por favor.

        Jorge preparou-o com cuidado e paciência, atento a cada sinal, cada mudança no corpo do alfa. Havia ali uma inversão silenciosa de papéis que nenhum dos dois nomeava — apenas viviam, apenas sentiam.

         Henrique sentiu algo soltar-se dentro de si — não de medo, mas de controlo. Aquele controlo que carregava sempre, que era parte de quem era como alfa, como homem, como o que segurava tudo quando os outros vacilavam.

        E ali, naquele quarto, com as mãos do seu ómega a aprenderem o seu corpo com uma atenção quase reverente, esse controlo foi-se embora.

         Não com violência. Não com resistência.

Simplesmente… foi.

         O lobo dentro dele hesitou — um instante apenas, aquele instinto antigo de alfa que reconhece a inversão e não sabe bem o que fazer com ela. Mas então sentiu o cheiro de Jorge — morangos, quentes, presentes, sem urgência — e o lobo assentou.

         Como se dissesse: é ele. É seguro. Deixa-te ir.

         Henrique deixou-se ir.

         E descobriu, naquele momento, que havia uma forma de força que não exigia estar de pé — que existia precisamente no ato de confiar o suficiente para se deitar.

         Quando o primeiro toque mais íntimo aconteceu, Henrique estremeceu.

— Jorge… — chamou, num sussurro que era ao mesmo tempo pedido e entrega.

— Estou aqui — respondeu Jorge, pousando a mão no peito dele, sobre o coração. — Só eu.

         Henrique respirou fundo, sentindo o corpo adaptar-se devagar, guiado pela voz e pelo toque do seu ómega. Havia desconforto, sim — mas por baixo dele havia algo maior: a certeza de estar seguro, de estar amado, de estar exatamente onde queria estar.

          O beijo que se seguiu não foi urgente — foi uma promessa.

        O ritmo que se seguiu foi lento, profundo, guiado pela respiração dos dois. Jorge movia-se com uma ternura que nunca tinha sentido antes — não era apenas desejo, era cuidado, era gratidão, era amor a encontrar uma forma nova de se dizer. Henrique deixou escapar sons baixos, involuntários, que Jorge guardou como presentes.

— Assim… — murmurou Henrique, arqueando-se ligeiramente. — Assim é bom.

         Jorge inclinou-se sobre ele, a testa encostada à dele, respirando o mesmo ar.

— Eu sei — disse, num sussurro. — Eu sinto-te.

          O clímax chegou devagar, como uma onda que se forma ao longe e rebenta com suavidade — não avassalador, mas profundo, cheio de significado.

          A marca aqueceu — não como um fogo, mas como um reconhecimento silencioso.

        Os lobos não rugiram. Não exigiram. Não dominaram.

        Apenas… aceitaram.

        Como se dissessem: "Sim. É aqui."

        E isso bastou.

        Henrique ficou deitado contra o peito de Jorge, a respiração ainda um pouco acelerada, mas tranquila. Jorge passou os dedos pelo cabelo dele, devagar, num gesto quase instintivo.

— Estás bem? — perguntou, baixinho.

        Henrique assentiu, escondendo o rosto no pescoço dele.

— Estou… melhor do que pensei que estaria. Dorido… —murmurou, e ao tentar mexer-se, uma pontada de dor atravessou-lhe o corpo. — Mas isso já tu sabes.

         Jorge olhou para ele com um brilho malandro nos olhos, mas havia também ternura ali.

— Ainda bem… isso significa que posso fazer de novo?— sussurrou, a voz embargada por um misto de desejo e insegurança.

— Desde que não seja hoje… — respondeu Henrique, com um sorriso tímido. — Mas por ti… aceito tudo.

          O silêncio que se seguiu era manto suave — cumplicidade, segurança, paz. Como se todos os ruídos do mundo tivessem ficado do lado de fora daquela porta.

         Jorge ajeitou-se na cama, puxando Henrique com cuidado para mais perto, como se temesse que ele se afastasse se soltasse a mão por um segundo. Henrique, ainda meio adormecido, deixou-se guiar, encaixando-se no peito dele com uma naturalidade que parecia antiga, como se aquele lugar sempre tivesse sido seu.

          O quarto estava silencioso — cheio de respirações, de calor, de promessas que não precisavam de palavras.

         Jorge passou a mão pelas costas de Henrique, num movimento lento, quase ritmado.

— Dorme… — murmurou. — Eu estou aqui.

         Henrique não respondeu com palavras. Apenas soltou um suspiro profundo e deixou-se afundar mais no abraço.

        Jorge sorriu, um sorriso pequeno, íntimo, só para ele. Ficou a observá-lo dormir, memorizando cada detalhe — a curva da boca, o franzir suave das sobrancelhas, os dedos ainda agarrados ao lençol.

        E então, finalmente, deixou-se cair também, o coração leve.

        A última coisa que sentiu antes de adormecer foi o calor de Henrique encostado ao seu peito — e a certeza silenciosa de que aquela noite tinha mudado tudo.


🍃 🍃 🍃


         Os dois dias seguintes trouxeram uma calma inesperada.

        Conversas baixas, pequenos toques, e uma intimidade que já não precisava de explicações. Henrique ainda se movia com cuidado, mas sem desconforto que exigisse destaque; era apenas o corpo a lembrar-lhe que algo importante tinha acontecido — algo de que ele não se arrependia nem por um segundo.

          Jorge, por sua vez, parecia mais sereno do que nunca, havia nele uma paz discreta, como se finalmente tivesse encontrado o lugar onde o coração podia descansar.

         Tinham chegado juntos ao estacionamento, mas, como de costume, entraram separados — era assim que preferiam manter as aparências.

         Cada um seguiu para a sua sala.

        Jorge sentou-se à secretária, tamborilando os dedos na mesa, inquieto. Era já o terceiro dia do cio de      Mário e Gui, e o silêncio deles começava a pesar-lhe no peito.

        Henrique, na sua sala, tentava concentrar-se no relatório. Respirou fundo antes de fechar a porta, como se quisesse empurrar para longe a preocupação que insistia em voltar.

        Foi então que o telemóvel vibrou.

        O som cortou o silêncio da sala como uma lâmina fina.

        Era Mário.

        Ao ler a mensagem, Henrique empalideceu.

        Pegou no casaco e nas chaves do carro num movimento rápido, quase automático, e saiu sem dizer nada.

       E Jorge sentiu.

       Sentiu o aperto súbito, a ansiedade que não era sua, o medo que lhe atravessou o peito como um golpe seco.

        A marca reagiu — quente, pulsante — denunciando a turbulência de Henrique.

        Levantou-se de imediato, o coração a bater descompassado.

       Algo tinha acontecido.

       E Henrique estava a correr para lá.

Quando sair o próximo livro, queres saber?

Mais nada. E podes sair da lista quando quiseres.

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