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28 🔞 – Casa

         🔞 Este capítulo contém conteúdo para leitores adultos.


           O estacionamento estava quase vazio a essa hora. Mário encostou-se ao carro, Gui ao lado dele, os dois ainda a absorver o peso do que tinha acabado de acontecer. Quando o silêncio começou a pesar,     Mário virou-se para ele.

— Anjo, para onde queres ir?… Queres que te leve a casa?

— Queres que eu vá para minha casa?

— Quero que fiques comigo… quero-te por perto.

           Mário respirou fundo, o olhar suave.

— Então só preciso de passar por minha casa para ir buscar algumas coisas e depois podemos ir para tua casa.

           Gui aproximou-se, tocando-lhe no rosto.

— Para nossa casa — corrigiu, firme, mas doce. — Anjo… para nossa casa.

          O sorriso de Mário iluminou-se.

— Para nossa casa…

          O caminho até casa de Gui foi rápido — moravam perto, mas naquele momento parecia que o mundo inteiro se tinha tornado pequeno demais para conter o que sentiam.

          Já em casa, Gui pegou num saco e começou a colocar algumas peças de roupa. Mário observava-o em silêncio, com um olhar que misturava ternura e ansiedade.

— Podemos ir… — disse Gui, ao notar o olhar dele. — Em que pensas?

          Mário aproximou-se devagar.

— Não quero que leves roupa só para uma noite.

          Gui parou.

— Não? Então…

— Quero que leves toda a roupa e todas as tuas coisas. Vem morar comigo, Anjo. Não te quero a dormir comigo só por uma noite, mas para sempre. Quero adormecer e acordar a teu lado… ver esse teu sorriso… esse teu corpo maravilhoso… pela nossa casa.

            Gui riu, provocador.

— Sem sexo?

— Se tu assim o quiseres. Será só quando tu quiseres e sempre que tu quiseres. Nunca te obrigarei a nada. Tu és muito mais do que isso para mim.

          As lágrimas começaram a cair dos olhos de Gui, apanhando Mário de surpresa.

— Anjo… o que foi que eu disse? Magoei-te? Porque choras?

           Gui abanou a cabeça, sorrindo entre lágrimas.

— Tolinho… o que disseste encheu-me de alegria. Choro de felicidade. Claro que quero morar contigo. Amo-te muito. E vou estar sempre pronto para ti.

          Mário suspirou de alívio, mas o olhar tornou-se sério.

— Anjo… preciso que sejas sincero comigo numa coisa. Quero a verdade.

          Gui endireitou-se.

— Serei.

— Às vezes sou bruto… e gosto de te ouvir quando estamos juntos. Gosto da intensidade. Mas amo-te demais para te magoar. Preciso de saber como te sentes sobre isso. Se me disseres que não queres mais, eu não o farei.

          Gui respirou fundo.

— Serei verdadeiro. Às vezes dói… sim. Mas não me incomoda. Não me afasta. Eu sei que não o fazes para me ferir. Sei que te dá prazer e que te entregas a mim. E eu aceito. Eu quero.

          Mário passou a mão pelo cabelo, tenso.

— Anjo… se te dói assim tanto, não volto a pedir.

          Gui aproximou-se, tocando-lhe no peito.

— Shh… tu aceitaste que eu fosse o ativo. Vais deixar que eu o faça mais vezes, mesmo sendo contra a tua natureza de alfa. Porque eu não posso fazer o mesmo por ti?

          Mário soltou um riso fraco.

— Convencido. Sem argumentos para contrapor.

          Gui sorriu, encostando-se a ele.

— Desde que não o faças com muita frequência…

          Mário puxou-o pela cintura.

— Meu anjo…

         Gui tocou-lhe no rosto, o corpo colado ao dele.

— Eu sou o teu ómega. Podes confiar em mim. E não estou sozinho nisto.

          O olhar de Mário desceu para o corpo dele — e percebeu que Gui o queria tanto quanto ele. O aroma do ómega estava quente, aberto, cheio de entrega. O lobo de Mário roçou no de Gui, inquieto, a pedir… e a exigir.

            Gui sentiu o toque invisível e estremeceu.

— Mário…

— Anjo… — a voz dele saiu rouca, quase um aviso. — Se eu te tocar agora… não vai ser suave.

          Gui aproximou-se mais, o corpo colado ao dele.

— Toca-me.

          O lobo de Mário avançou, pressionando o de Gui com força, quase possessivo. Gui deixou-se envolver, sem resistência, abrindo espaço para aquela força entrar.

— Tenho medo de te magoar — confessou Mário, a respiração pesada.

          Gui pousou a mão no peito dele, sentindo o coração acelerado.

— A dor não me assusta quando vem de ti.

         Mário fechou os olhos, atingido no centro. Quando os abriu, já não havia hesitação — havia decisão.

        Gui subiu para a cama, deitando-se de lado, oferecendo-se com uma confiança que só existia ali, com ele. Não era submissão. Era entrega.

— Vem — sussurrou. — Quero sentir-te. Mesmo que seja intenso.

         O mogno e a canela de Mário chegaram densos, quase sufocantes — não de ameaça, mas de possessividade pura, de um alfa que reconhecia o que era seu. O lobo rugiu baixo, satisfeito e faminto ao mesmo tempo. Gui sentiu o aroma envolvê-lo como uma declaração — e o pêssego dele respondeu, quente, aberto, sem defesas.

           O corpo de Mário tremeu. O lobo, satisfeito, reconhecendo a coragem do ómega. Ele subiu para a cama devagar, mas a tensão no corpo denunciava o esforço que fazia para se controlar.

          As mãos pousaram na cintura de Gui — firmes, quentes, quase a tremer.

— Diz-me quando parar — pediu Mário, a voz grave. — Eu preciso que me digas.

          Gui sorriu, vulnerável e corajoso.

— Eu digo. Confia em mim.

           Mário inclinou-se sobre ele, o peso do corpo a envolver, a reclamar. Gui arqueou-se ao toque — não de prazer imediato, mas de impacto, de intensidade, de entrega.

           Os lobos tocaram-se outra vez, mais forte, mais fundo — um empurrava, o outro recebia — e no meio daquela intensidade havia algo maior: ligação, confiança, amor.

          Mário encostou a testa à de Gui.

— Eu amo-te tanto que às vezes tenho medo de te partir.

          Gui sorriu, mesmo com a respiração tremida.

— Então segura-me… e fica comigo. Eu aguento. Eu quero-te assim.

           Mário ficou imóvel por um instante — não de hesitação, mas de reconhecimento. Aquelas palavras tinham-lhe atravessado o peito como uma chave numa fechadura antiga. Durante tanto tempo contivera o lobo, moderara a força, suavizara o instinto — com medo de partir o que amava.

            Mas Gui sabia disso. Sabia tudo isso. E escolhera ficar de igual forma.

           O lobo dentro dele parou de lutar.

           E Mário deixou-se ser inteiro pela primeira vez.

           Não havia mais contenção — havia presença. A força que emergiu não era violência, era verdade. O Mário que Gui tinha pedido para ver, o que existia por baixo do controlo e da responsabilidade e do medo de magoar — esse estava ali, finalmente, sem desculpas.

             Gui sentiu a diferença de imediato. Não era apenas intensidade física — era outro nível de entrega, de alguém que finalmente parou de se esconder. E isso — isso — fez-lhe o coração disparar de uma forma que nenhum toque conseguira antes.

— Mário… — chamou, a voz partida de emoção, não de dor. — És tu. É mesmo tu.

            Mário inclinou-se, encostando a testa à nuca dele, a respiração pesada, mas os olhos claros.

— Sou eu — confirmou, num sussurro. — Só contigo.

           Mário avançou devagar, mas sem a contenção habitual — havia ali uma urgência diferente, mais crua, mais honesta. O corpo de Gui estremeceu ao primeiro impacto, um som escapou-lhe involuntário — não de dor, mas de surpresa pela intensidade.

— Estás bem? — perguntou Mário, imóvel, a respiração pesada.

— Sim… — respondeu Gui, a voz trémula. — Não pares.

           Mário avançou, o ritmo a crescer devagar, guiado pelos sons de Gui — cada gemido uma confirmação, cada respiração acelerada uma permissão. O corpo do ómega adaptava-se, cedendo à força do alfa com uma entrega que não era fraqueza — era escolha.

— Assim… — murmurou Gui, arqueando-se ligeiramente. — Assim é bom.

           Mário inclinou-se sobre ele, a testa encostada à nuca dele, respirando o cheiro quente do pêssego que se intensificava com cada movimento. O lobo dentro dele rugiu, satisfeito, reconhecendo a entrega do ómega como um presente.

            O ritmo cresceu, mais profundo, mais urgente — e Gui deixou-se ir, os dedos agarrados ao lençol, os sons que escapavam cada vez menos contidos.

— Mário… — chamou, a voz partida. — Não pares… por favor…

            O clímax chegou para os dois quase ao mesmo tempo — Gui primeiro, num grito abafado; Mário logo a seguir, o corpo inteiro em tensão, o nome do ómega nos lábios.

            O nó formou-se, profundo e inevitável. O lobo de Mário pulsou com a vontade de marcar — as presas prontas, o instinto a reclamar o que era seu. Mas desta vez havia algo diferente: o lobo do Gui estava ali, firme, presente, quase a dizer — eu já sou teu. Não precisas de provar nada.

           Mário sentiu isso. E o lobo recuou — não por fraqueza, mas por amor.

           Quando finalmente se deitaram, exaustos e colados um ao outro, Mário envolveu Gui com o corpo inteiro, como se o quisesse proteger do mundo.

           Gui sorriu contra o peito dele.

— És o meu alfa. O meu amor. O meu tudo.

           Mário beijou-lhe o topo da cabeça.

— E tu és o meu lar.

          Depois, tomaram um banho rápido, vestiram-se, e Gui colocou mais algumas coisas na mala. Saíram de casa de mãos dadas, com a sensação de que algo novo — e grande — tinha começado.


🍃 🍃 🍃


           Assim que entraram no carro, Henrique puxou Jorge para si e beijou-o com paixão, como se tivesse estado a conter-se o dia inteiro.

— Senti a tua falta — murmurou contra os lábios dele.

            Jorge riu, encostando a testa à dele.

— Mas viste-me o dia todo.

— Mas não consegui cheirar-te, nem tocar-te… e isso deixa-me louco.

           O aroma de Jorge — quente, suave, familiar — envolveu Henrique, acalmando o lobo inquieto que tinha passado o dia a roçar-lhe por dentro.

— Estou aqui agora. Não vou fugir — disse Jorge, sincero.

          Henrique sorriu, aliviado, e ligou o carro.

— Vamos ver a menina. A minha mãe espera-nos para jantar. Depois… vamos para casa.

          Jorge piscou os olhos.

— Vais deixar-me em minha casa depois?

           Henrique olhou-o como se ele tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.

— Só podes estar louco. Vamos para nossa casa. Não te vais afastar de mim.

            O aroma de Jorge aqueceu, cheio de alegria.

— Nem quero. Só precisamos de ir buscar algumas coisas minhas.

— Se for só isso, tudo bem.


🍃 🍃 🍃


           Quando entraram na casa dos Silva, nem tiveram tempo de reagir.

           Um pequeno furacão loiro correu na direção deles.

— Mami! Mami! Vieste!

           Jorge riu, pegando nela ao colo. O cheiro doce da menina envolveu-o, e o lobo dele acalmou de imediato.

— Eu disse que viria, não disse?

— Disseste! Não mentiste!

— Meu Sol… quando eu não puder vir, eu aviso. Está bem?

— Sim!

            A Sra. Silva observava a cena com um sorriso cheio de ternura.

— Vamos comer — disse ela. — Henrique, vai chamar o teu pai. Aquele alfa nunca se lembra que tem de comer.

            Jorge ficou tenso ao ouvir que o pai de Henrique estaria presente.

            Henrique aproximou-se e falou-lhe baixinho ao ouvido:

— Lobinho… calma. O meu pai é um alfa fantástico. Relaxa. Ele vai gostar de ti.

           Henrique envolveu-o com o aroma, transmitindo-lhe calma até sentir o corpo do ómega relaxar. A marca entre eles vibrou, quente, reconfortante.


🍃 🍃 🍃


           Quando voltaram à sala, Jorge ficou surpreendido.

           O Sr. Silva era uma versão mais velha de Henrique — a mesma postura, o mesmo olhar firme, o mesmo cheiro de alfa estável e seguro.

— Pai… este é o Jorge.

— Prazer, Sr. Silva — disse Jorge, ainda tímido.

            O alfa mais velho sorriu, aproximando-se com respeito.

— Então tu és o famoso ómega de quem se fala nesta casa. Bem-vindo à família. E obrigado por trazeres felicidade de volta a esta casa.

             Jorge engoliu em seco.

— Obrigado, Sr. Silva.

— Podes chamar-me de pai. Afinal, és o companheiro do meu filho.

             O coração de Jorge encheu-se. O aroma dele expandiu-se, quente, emocionado.

— Pai…

         Henrique sorriu e beijou-lhe a face, fazendo os pais sorrirem também.


🍃 🍃 🍃


           O jantar foi calmo e acolhedor.

           A menina não saiu do colo de Jorge, tranquila e feliz, o cheiro dela misturando-se com o dele de forma natural, como se já fossem família há muito tempo.

          No final, a avó disse:

— Está na hora de ires para a caminha.

— A mami, por favor…

          Jorge sorriu.

— Se a avó deixar…

— Claro que sim. Henrique, leva o teu ómega ao quarto da Alice.

          Henrique sorriu com orgulho ao ouvir "teu ómega".

          Jorge deu banho à menina, vestiu-lhe o pijama e deitou-a, e ela adormeceu rapidamente, segura e feliz, o aroma dela a suavizar o ar do quarto.

          A semana seguinte passou num ritmo diferente. As chaves trocaram de bolso. Os aromas misturaram-se nas camas erradas — e nas certas. A Alice começou a chamar 'nossa casa' sem pensar. E ninguém a corrigiu.

Quando sair o próximo livro, queres saber?

Mais nada. E podes sair da lista quando quiseres.

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