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Capítulo 25 — A Alice Aparece

          Henrique levou Alice para o quartinho dela, com Jorge logo atrás, atento a cada movimento. Quando Henrique começou a despir a menina, Jorge pousou-lhe a mão no braço — hesitante, mas decidido.

— Deixa-me tratar disso hoje… pode ser? Quero ter este momento com ela.

           Henrique cedeu, entregando-lhe o pijama suave, e encostou-se à porta, observando em silêncio.  Uma ternura profunda tomou-lhe o peito ao ver o cuidado de Jorge: cada gesto era paciente, cada palavra um afago. Ele falava baixinho, inventando pequenas histórias para distrair Alice enquanto lhe trocava a roupa, e Henrique não conseguia evitar imaginar como Jorge seria um pai maravilhoso. A forma como ajeitava o cabelo dela, o sorriso meigo, os olhos atentos… tudo aquilo fazia crescer nele uma certeza tranquila.

             Quando Alice adormeceu, Jorge saiu do quarto em bicos dos pés. Henrique recebeu-o com um abraço apertado e um beijo breve, carregado de significado.

— Porque estás tão sorridente? — murmurou Jorge, encostando o nariz ao dele.

— Estava a pensar… vais ser um pai incrível, Jorge. De verdade.

             Jorge corou, emocionado.

— E tu também, meu amor. Anda… vamos descansar um pouco.

            Henrique deixou-se guiar, o coração leve.

— Essa tua voz… esse teu cheiro… deixas-me completamente desarmado — confessou, num sorriso.

            Jorge riu baixinho e fechou a porta do quarto com cuidado, apenas para garantir privacidade.

— Não queremos visitas inesperadas — brincou, puxando Henrique para perto.

— Adoro quando ficas assim — disse Henrique, rindo. — Mas diz-me… estás mesmo bem? Ontem foi intenso. Não quero que te sintas desconfortável.

            Jorge pousou a mão no rosto dele, num gesto cheio de carinho.

— Contigo, eu estou sempre bem. Contigo, eu sinto-me seguro. E hoje… só quero cuidar de ti.

         Henrique sentiu o peito aquecer.

— Então cuida.

          Jorge sorriu, terno.

— Primeiro, banho. Quero lavar o dia de ti… com calma.

           Henrique riu, rendido.

— Assim até fico mal habituado.

          O vapor quente começou a encher o pequeno quarto de banho, criando uma névoa suave que parecia envolver os dois num casulo íntimo. Jorge ajustou a temperatura com cuidado, concentrado, e     Henrique aproximou-se por trás, pousando o queixo no ombro dele.

— Estás tão sério… — murmurou.

— Quero que fique perfeito para ti — respondeu Jorge, rindo baixinho.

           Henrique passou os braços à volta da cintura dele, num abraço lento.

— Tu és perfeito para mim.

           Jorge virou-se, pousando as mãos no rosto dele.

— Henrique… eu gosto tanto de ti que às vezes até assusta.

— A mim também — admitiu Henrique, encostando a testa à dele. — Mas assusta de um jeito bom.

           Ficaram assim por um instante, respirando juntos.

— Entra no banho comigo — pediu Jorge, num sussurro.

— Só banho? — provocou Henrique.

— Só banho. Quero sentir-te perto.

           Henrique entrou, deixando a água quente escorrer pelos ombros. Jorge aproximou-se, passando-lhe as mãos pelo cabelo, pela nuca, pelos braços — gestos lentos, cuidadosos, quase reverentes.

— És tão bonito… — murmurou Jorge.

           Henrique riu, envergonhado.

— Assim deixas-me sem jeito.

— É para deixar mesmo — respondeu Jorge, aproximando-se mais um pouco.

          Os lábios encontraram-se num beijo lento, profundo, cheio de carinho. Não havia pressa — apenas dois corações a aprenderem o ritmo um do outro.

         Henrique deslizou as mãos pela cintura de Jorge, puxando-o para mais perto, e Jorge correspondeu com um suspiro leve, quase tímido.

— Vamos para o quarto… — murmurou Jorge, a voz baixa, quente, mas sem urgência. — Quero-te perto de mim. Só perto.

           Henrique assentiu, o olhar suave, e os dois saíram do banho, embrulhados nas toalhas, rindo baixinho enquanto se secavam às pressas. Jorge puxou Henrique pela mão até ao quarto, fechando a porta com cuidado — não por desejo, mas por privacidade, por aquele momento que era só deles.

            A luz suave do candeeiro criava sombras quentes nas paredes. Jorge sentou-se na beira da cama e puxou Henrique para o seu colo, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

            Henrique deixou-se cair contra ele, encaixando o rosto no pescoço de Jorge, respirando o cheiro dele — aquele cheiro que o acalmava, que o fazia sentir-se em casa.

— Gosto tanto disto… — murmurou Henrique, passando os dedos devagar pela nuca de Jorge. — De ti assim… perto.

            Jorge fechou os olhos, arrepiado.

— Eu também. Contigo… tudo parece mais fácil.

           Henrique inclinou o rosto e beijou-lhe a mandíbula, devagar, como se estivesse a descobrir um território sagrado. Jorge tremeu ligeiramente, mas não de medo — de emoção.

— Posso…? — perguntou Henrique, deslizando a mão pelo braço dele, num toque leve, íntimo, mas respeitoso.

— Podes tudo — respondeu Jorge, num sussurro que parecia quebrar dentro dele.

           Henrique deitou-o devagar na cama, não com desejo, mas com cuidado. Deitou-se ao lado dele, os corpos alinhados, as pernas entrelaçadas, as mãos a explorarem a pele um do outro com carinho, sem pressa, sem intenção além de sentir.

            Jorge passou os dedos pelo peito de Henrique, traçando linhas invisíveis, como se estivesse a memorizar cada detalhe.

— És tão bonito… — murmurou, quase sem voz.

           Henrique sorriu, tocando-lhe o rosto.

— E tu és a melhor coisa que me aconteceu.

          Beijaram-se outra vez — um beijo lento, profundo, cheio de promessa. Um beijo que podia ter levado a algo mais… mas que se manteve ali, no limite perfeito entre carinho e desejo contido.

          E foi nesse exato momento que ouviram três batidinhas suaves na porta.

          Toque. Toque. Toque.

           Os dois congelaram.

— Papi…? — chamou a vozinha sonolenta de Alice. — A Alice quer dormir aí. A Alice pode?

           Jorge fechou os olhos, encostando a testa ao peito de Henrique, entre o riso e a frustração doce.

— A nossa visita inesperada chegou… de novo.

           Henrique riu baixinho, beijando-lhe o topo da cabeça.

— Eu avisei.

          A menina bateu outra vez, mais insistente:

— A Alice está com frio. Abre…

          Henrique olhou para Jorge, o coração cheio.

— Somos mesmo uma família, não somos?

          Jorge sorriu, com os olhos brilhantes.

— Somos.

          Os dois vestiram-se rapidamente antes de Henrique ir abrir a porta. Assim que a maçaneta rodou, uma menina entrou como um pequeno furacão sonolento, agarrada à sua almofada de estimação, com o cabelo despenteado e os olhos semicerrados.

           Alice olhou para a cama, viu Jorge deitado e abriu um sorriso enorme — daqueles que iluminam o rosto inteiro. Correu para ele sem hesitar.

           Jorge abriu os braços, acolhendo-a com uma felicidade que quase lhe transbordava do peito.

— Vem cá, meu sol…

         Alice aninhou-se no peito de Jorge com a naturalidade de quem reencontrou o colo que lhe fazia falta.

         Henrique aproximou-se, deitando-se ao lado dos dois, e passou a mão pelos cabelos da menina com um carinho que só quem ama de verdade consegue oferecer.

— Estás quentinha agora, meu anjo? — murmurou ele.

           Alice assentiu, já meio a dormir, e esticou a mãozinha para tocar no rosto de Henrique.

— O Papi fica aqui…

— Sempre — respondeu ele, apertando-lhe a mão com cuidado.

          Jorge ajeitou a menina entre eles, criando um pequeno ninho de calor e segurança. Alice suspirou, aconchegando-se ainda mais, como se aquele fosse o único lugar do mundo onde conseguia descansar.

          Henrique e Jorge trocaram um olhar silencioso por cima da cabeça dela — um olhar cheio de promessas, de futuro, de tudo aquilo que ainda não tinham dito em voz alta.

            Jorge encostou a cabeça ao ombro de Henrique, e Henrique passou o braço por cima dos dois, num gesto instintivo de proteção.

— Boa noite, meu amor — murmurou Jorge, já a ficar sonolento.

— Boa noite, meu coração — respondeu Henrique, beijando-lhe o topo da cabeça.

           Alice suspirou entre eles, tranquila, segura, amada

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