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Capítulo 22 — A Marca Dele 🔞

            🔞 Este capítulo contém conteúdo para leitores adultos.


          O sol já entrava pelas frestas da janela quando Jorge despertou, ainda aninhado no peito de Henrique. O alfa dormia profundamente, o rosto sereno, o braço firme à volta dele como se o mundo inteiro coubesse naquele gesto.

            Jorge sorriu. Sentia-se leve, seguro… e surpreendentemente confiante. A noite anterior tinha mudado algo dentro dele — não apenas o laço, mas a forma como se via ao lado de Henrique.

           Com cuidado para não o acordar, ergueu-se um pouco e observou o pescoço do alfa. A marca que Henrique lhe deixara ainda ardia suavemente, mas era um ardor bom, de pertença. E, pela primeira vez,    Jorge sentiu vontade de retribuir.

           Não uma marca igual — a dos alfas era física, instintiva — mas a marca que um ómega podia dar: uma marca emocional, feromonal, íntima, que selava o laço de dentro para fora.

Inclinou-se devagar e pousou os lábios no pescoço de Henrique, num beijo lento, quente e prolongado, deixando ali não só o carinho, mas também a promessa de pertença.

           O laço reagiu de imediato, vibrando entre os dois como um fio invisível. Henrique inspirou fundo no sono, como se o corpo reconhecesse o gesto antes da mente.

           Jorge sorriu contra a pele dele.

— Agora também és meu… — murmurou baixinho, atrevido, mas com uma ternura que só ele sabia dar.

          Henrique mexeu-se ligeiramente, como se o corpo tivesse reconhecido o gesto antes da mente. O calor deixado pelos lábios de Jorge espalhou-se-lhe pelo pescoço, descendo pelo peito num arrepio lento, profundo, impossível de ignorar.

           Ainda meio adormecido, levou instintivamente a mão ao local onde fora beijado, tocando a pele com a ponta dos dedos — e sentiu o laço vibrar, vivo, quente, como se respondesse ao toque do ómega.

            Um suspiro escapou-lhe, suave, quase reverente.

— Jorge… — murmurou, sem abrir os olhos. — O que foi isto…?

            Jorge afastou-se apenas o suficiente para o observar, o sorriso atrevido a suavizar-se numa ternura quase tímida.

— A minha marca — disse baixinho. — A marca que eu posso dar.

            Henrique abriu os olhos devagar, encontrando o olhar dele. Havia surpresa, sim… mas também algo mais profundo. Algo que Jorge nunca tinha visto tão claro: orgulho.

— Senti… — Henrique levou a mão ao pescoço outra vez, como se quisesse guardar aquele calor. — Senti-te aqui. E aqui… — pousou a outra mão no peito. — Como se tivesses entrado direto no meu coração.

Jorge corou, mas manteve o sorriso atrevido.

— Era essa a ideia.

            Henrique puxou-o para si, envolvendo-o num abraço lento, cheio de significado.

Lobinho… tu acabaste de me prender de um jeito que nem imaginas.

           Jorge riu baixinho, encostando a testa à dele.

— Então estamos empatados.

— Lobinho... — disse Henrique com a voz rouca, sentindo o leve toque de Jorge que lhe causou um arrepio. Ele encontrou o olhar ousado do seu ómega e comentou: — Estás muito atrevido logo de manhã.

           Jorge sorriu ainda mais, aproximando-se até os narizes quase se tocarem.

— Acordei com vontade de te mimar… — disse, num tom suave, mas cheio de intenção.

            Henrique passou a mão pela cintura dele, puxando-o um pouco mais para si.

— E sabes exatamente o que estás a fazer, não sabes?

            Jorge assentiu, com aquele sorriso maroto que só ele sabia dar.

Sei. E gosto de te ver assim… a acordar por minha causa.

           Henrique soltou um riso baixo, encantado com a ousadia.

— O meu ómega está cada vez mais confiante. Sabes como isto vai terminar, não sabes?

— A culpa é tua — disse Jorge, encostando a testa à dele. — Fazes-me sentir protegido. Fazes-me sentir... teu. — Um sorriso atrevido, acompanhado de um gesto audacioso que fez o alfa estremecer, seguido por uma voz sussurrada. — Estou a contar com isso.

           Henrique soltou um suspiro suave, sentindo o calor das mãos de Jorge deslizar pela sua pele, cada toque como uma promessa de carinho. Jorge inclinou-se, olhando nos olhos de Henrique, e nesse instante partilhou um sorriso sereno, cheio de ternura. O gesto foi retribuído com um olhar profundo e um assentir discreto — o sinal de que Jorge estava confortável e pronto para seguir. Jorge pegou no gel, oferecendo-o com um cuidado silencioso, os dedos tremendo levemente de antecipação e respeito. O ómega acomodou-se de forma mais íntima, ajustando-se ao corpo de Henrique, enquanto este lhe murmurava: "Estou bem, continua." O ambiente ficou impregnado de confiança e aceitação, cada gesto e palavra reafirmando a entrega mútua e o respeito presente entre ambos.

            Henrique sentiu-se profundamente encantado com a ousadia de Jorge, admirando o modo como o ómega se entregava sem receio, buscando com determinação aquilo que desejava. Ao longo de vários minutos, Henrique dedicou-se a prepará-lo com carinho e paciência, atento a cada reação de Jorge. O ómega gemia intensamente, expressando prazer e satisfação enquanto Henrique o estimulava, sentindo-se cada vez mais envolvido pela cumplicidade e pelo desejo que surgia entre ambos. As emoções de ambos se tornaram palpáveis, preenchendo o ambiente de intimidade e antecipação, enquanto Henrique se certificava de proporcionar conforto e prazer ao parceiro.

— Basta, fica só aqui comigo… — pediu, com um sorriso cúmplice. Com delicadeza, Henrique preparou Jorge, que permaneceu imóvel, rendido à confiança e ousadia do parceiro, sentindo-se envolvido pelo carinho daquele momento.

            Jorge subiu para o colo de Henrique, ficando de frente para ele, e foi-se acomodando devagar — as mãos pousadas no peito do alfa, o olhar fixo no dele, como se precisasse de ver cada reação.

Henrique sentiu algo mudar dentro de si naquele instante — não era fraqueza, era outra coisa, mais rara. Era a entrega voluntária de quem escolhe confiar. O lobo dentro dele hesitou um segundo, o instinto de alfa a querer retomar o controlo — mas o homem falou mais alto. E o lobo deitou-se.

           Jorge viu isso acontecer nos olhos de Henrique. Viu o momento exato em que o alfa parou de segurar e começou a receber. E isso — isso — fez-lhe o coração disparar de uma forma que nenhum desejo alguma vez conseguira.

            Não era poder. Era confiança. E era a coisa mais bonita que alguma vez lhe tinham dado.

Sentiu o calor daquele corpo a recebê-lo, os dedos de Henrique a apertar-lhe a cintura com uma firmeza que dizia fica. Começou a mover-se devagar, aprendendo o ritmo, deixando que o prazer viesse sem pressa. O aroma de morangos intensificou-se, involuntário, misturado ao pinho e baunilha de Henrique — os dois lobos a reconhecerem-se. Henrique inclinou a cabeça para trás, um som baixo a escapar-lhe do peito.

            O clímax veio em simultâneo, envolto numa onda de alívio e felicidade, enquanto ambos se deixavam levar pelo momento.

— Henriqueeee

— Jorgeee

           O nó deu-se e Jorge deitou-se sobre o peito de Henrique, descansando, foi abraçado por este e recebeu carinho enquanto esperavam.

— Esta parte é muito desconfortável para mim... — disse Jorge.

— Não posso evitar, lobinho! — A voz do alfa demonstrava o quanto se sentia mal por estar a deixar o seu ómega desconfortável.

— Eu sei que não podes evitar, só estou a dizer o que sinto.

— Eu sinto o teu desconforto, mas não posso fazer nada, meu ómega atrevido. — Henrique acariciava o cabelo e as costas do ómega e deixava alguns beijos na face e lábios do ómega, que estava bem relaxado, aguardando o desfazer do nó.

— Fui muito atrevido? Não gostaste? — Jorge perguntou com medo que ele não tivesse gostado do seu atrevimento, mas relaxou quando viu o sorriso no rosto lindo do alfa.

— Adorei, lobinho… não quero que mudes, adorei esse teu lado atrevido e desavergonhado.

— Ótimo…

           Quando por fim o nó se desfez permaneceram um pouco nos braços um do outro.


🍃 🍃 🍃


          Enquanto Jorge e Henrique repousavam num silêncio terno, noutro apartamento a manhã nascia com outra energia.

         A luz entrou devagar pelas cortinas, envolvendo o quarto num silêncio quente que contrastava com o que ambos sentiam por dentro. Gui foi o primeiro a despertar. Sentia o corpo relaxado, mas a mente inquieta — e, sem querer, o pensamento voltou a Jorge.  Mário mexeu-se atrás dele, ainda meio adormecido, e percebeu o leve afastamento.

           Não era físico… era mental.

           E isso doeu mais do que qualquer distância real.

— Estás a pensar nele… — murmurou, a voz rouca de sono, sem acusação, só vulnerabilidade.

           Gui fechou os olhos.

— Não consigo evitar… — admitiu, virando-se para o olhar. — Mas não é por mal.

            Mário respirou fundo, tentando sorrir.

— Eu sei. Só… às vezes tenho medo de ficar em segundo plano.

           Gui aproximou-se, tocando-lhe o rosto com cuidado.

— Nunca. — E beijou-lhe a testa. — Tu és o meu ómega agora.

           Mário sorriu, pequeno, mas verdadeiro.

          O ciúme não desapareceu — mas suavizou-se, transformado em carinho.

           Foi então que uma vozinha impaciente ecoou do corredor:

— Acordem, dominhocos… a Alice quer comida…

          E os dois riram, porque naquele instante, por mais confuso que fosse o mundo, eles eram uma família.

            Mas quando ela puxou a roupa para trás, Gui percebeu que estavam nus.

— Princesa, faz um favor ao MA? Vai buscar o telemóvel dele à sala. Preciso falar com a mami.

            Ela saiu a correr, tropeçando quase nos próprios pés.

             Gui soltou um suspiro de alívio.

— Anda, veste qualquer coisa…

             Vestiram-se à pressa, ainda com aquela sensação estranha de terem sido apanhados desprevenidos.

            A menina voltou logo depois, com dois telemóveis nas mãos pequeninas.

— Aqui, MA… liga à mami.

           Gui hesitou.

           O coração apertou-lhe no peito, não queria acordar Jorge, ainda não queria ouvir a voz dele ainda.

           Não queria confirmar se estava tudo bem… ou se não estava.

— A mami não atende, princesa. Tentamos mais tarde.

           Foram tomar o pequeno-almoço.

         Gui tentava sorrir, tentava parecer leve, mas Mário via tudo — via a inquietação nos olhos dele, via o pensamento longe, via o nome de Jorge escondido no silêncio.

           E isso doía.

           Doía mais do que ele queria admitir.

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