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Capítulo 18 — O Lago 🔞

         🔞 Este capítulo contém conteúdo para leitores adultos.


         Depois de uma manhã envolta em gestos suaves e palavras doces, Gui ainda sentia o calor dos abraços e o eco das risadas partilhadas. O almoço fora tranquilo, recheado de curiosidade e escuta —    Mário falava com paixão sobre plantas medicinais, e Gui, com olhos brilhantes, contava sobre os livros que lia escondido à noite.

          Era a primeira vez que saíam a sós, e Gui, embora animado, sentia o coração bater mais rápido, como se cada passo fosse uma dança entre o desconhecido e o desejo de agradar.

— Onde vamos? — perguntou, tentando soar casual, mas a voz saiu um pouco mais aguda do que queria.

— Já vais ver. Vais gostar — respondeu Mário, com um sorriso que parecia guardar um segredo.

          O carro seguia por estradas sinuosas. O silêncio era carregado de expectativa. Gui observava Mário, atento à postura e olhar firme no volante, enquanto hesitava entre falar, tocar ou apenas esperar, tamborilando os dedos nervosamente.

           Quando Mário parou diante de uma floresta densa, Gui franziu o cenho.

— É aqui?

— Claro que não! — riu Mário, com aquele riso que fazia Gui sentir cócegas no peito. — Mas agora vamos a pé. Vem.

          Estendeu-lhe a mão. Gui segurou-a quase sem pensar. A palma de Mário era quente, firme, e Gui apertou com força, como quem se agarra a algo seguro.

         Caminharam entre árvores altas, o som das folhas sob os pés, o cheiro de terra molhada e musgo fresco envolvendo-os como um abraço da natureza. O mundo parecia ter abrandado, como se só existissem eles dois ali.

          Quando chegaram à clareira, Gui parou.

         O lago diante deles era pequeno, mas cintilava como se guardasse estrelas submersas. As árvores ao redor formavam um círculo protetor, e o silêncio era tão profundo que parecia sagrado.

— Príncipe… é lindo — murmurou Gui, com os olhos arregalados.

        Mário olhou para ele com ternura. Gui parecia uma pintura viva — os olhos húmidos, os lábios entreabertos, o corpo pequeno vibrando com encantamento.

Poucas pessoas conhecem este lugar — disse Mário, num tom mais baixo. — Eu e o Henrique vimos aqui quando precisamos de paz. Acalma-nos.

          Gui virou-se para ele, confuso.

— Então estás triste?

          Mário sorriu, e havia algo de vulnerável naquele sorriso.

— Estou muito feliz. Tanto… que quis partilhar este pedaço do céu com o meu ómega.

        Gui sentiu o peito apertar. Sentou-se ao lado dele na margem do lago, tão perto que sentia o calor do corpo do alfa. O silêncio entre eles era confortável, cheio de significado.

— Aposto que já disseste isso a muitos… ou muitas — brincou Gui, tentando disfarçar o turbilhão de emoções.

— Tu és o primeiro que eu trouxe aqui — respondeu Mário, sério. — E serás o único.

          Gui ficou sem palavras. O coração disparou, um frio atravessou-lhe a barriga e, por instantes, não conseguiu processar o que acabara de ouvir.

         Mário abriu os braços num convite silencioso. Gui hesitou apenas um instante antes de se aproximar e se sentar entre as pernas do alfa, encostando as costas ao peito dele.

          O calor de Mário envolveu-o como um cobertor invisível. As mãos grandes pousaram na sua cintura, firmes e tranquilas. Um beijo suave pousou na sua nuca — não como posse, mas como promessa.

— És tu quem eu quero aqui — murmurou Mário, a voz baixa. — Bem juntinhos.

           Gui fechou os olhos. O mundo desapareceu, restando apenas o som da água, o cheiro da floresta e o bater compassado do coração de Mário contra as suas costas.

           Uma das mãos de Mário deslizou lentamente até repousar sobre a intimidade de Gui, sentindo a reação ao seu toque. Com gestos suaves, foi despertando sensações nele.

— O que estás a fazer? Estamos em público! — Gui disse, envergonhado, tentando afastar as mãos de Mário.

— Aqui não há ninguém… Olha à tua volta… Não vais dizer que não queres… vem cá, desfaz-te dessas roupas, deixa-me ver-te, quero sentir-te completamente entregue a mim.

— Pervertido… — murmurou, apenas para provocar. Olhou em volta, certificando-se de que estavam, de facto, sozinhos. Com um sorriso cúmplice, foi desfazendo-se das roupas, deixando-se entregar plenamente ao momento, sem nada entre eles.

          Mário riu baixinho, o som grave vibrando contra as suas costas.

— Aqui não há ninguém… só nós.

          As mãos que o envolviam afastaram-no ligeiramente, deixando-o momentaneamente confuso. Pouco depois, Mário retirou as suas calças e boxers, ficando também ele despido, com sinais evidentes de excitação. Voltou a puxar Gui para si, abraçando-o com intensidade e deixando claro o quanto desejava aquele momento.

— Sentes o que me fazes? — disse, tocando novamente no corpo do jovem, num movimento lento e provocador, interrompendo de vez em quando sempre que percebia o outro a perder o controlo. Gui, quase sem se aperceber, movia-se ligeiramente, provocando o mais velho, que sentia crescer o desejo a cada instante. O ambiente entre ambos era de pura tensão e expectativa, cada gesto carregado de cumplicidade e desejo mútuo.

— Estamos em público… — disse Gui, entre um riso tímido e um suspiro que lhe escapou sem querer.

— Aqui só há árvores e céu. Só nós — respondeu Mário, num tom que misturava desejo contido e cuidado absoluto.

— Quero-te… — escapou-lhe num sussurro, não como pedido, mas como verdade.

           Mário sorriu contra a pele dele, pousando um beijo lento no ombro.

— Também te quero. Mas não aqui, não assim — murmurou, com uma firmeza doce.

— Então porque provocas? És mau, Príncipe… — disse ofegante, sentindo o toque contínuo e cada vez mais intenso de Mário.

           Gui sentiu o corpo de Mário junto ao seu — o calor, o desejo inegável contra as suas costas — e sem pensar começou a mover-se, devagar, um ritmo instintivo que arrancou a Mário um som baixo e involuntário. As mãos do alfa apertaram-lhe a cintura, guiando-o, e Gui inclinou a cabeça para trás, entregando-se ao momento sem reservas. O aroma de pêssego intensificou-se, denso e quente, misturando-se ao mogno e canela de Mário — os dois lobos a falar uma língua que não precisava de palavras.

— Mais… por favor… Mário… — disse Gui, a voz trémula, quase sem ar.

— Gosto de ouvir o meu nome na tua boca quando te vens— murmurou Mário, a voz rouca contra o seu ouvido, a mão a acelerar o ritmo.

           O orgasmo chegou como uma onda — Gui agarrou os braços de Mário, o corpo a arquejar, o nome dele a escapar-lhe num suspiro longo.

          Gui deixou-se envolver pelas mãos que o acariciavam. Deitou-se sobre o peito forte, recebendo pequenos beijos na face, sentindo a proximidade e a intensidade daquele momento. Continuou a provocar, movendo-se delicadamente, apreciando os sons de prazer que chegavam aos seus ouvidos, até sentir o calor daquele instante especial.

           Ficaram ali, entre árvores silenciosas e um lago que parecia guardar segredos, dois corpos entrelaçados, duas almas que se reconheciam no toque e no silêncio.

— Obrigado, anjo — disse Mário, a voz baixa, ainda rouca de emoção. — Adoro a maneira como te entregas. Não mudes.

           Gui sorriu, deitado sobre o peito do alfa, envolto num casulo de calor e segurança.

— Não mudarei… adoro este teu lado pervertido — brincou, com um riso suave, mas sincero.

— Só contigo eu sou assim… — respondeu Mário, beijando-lhe o topo da cabeça. — Vamos jantar?

          Vestiram-se com calma, trocando olhares cúmplices e toques discretos, como se cada gesto fosse uma extensão do que haviam partilhado. Saíram dali de mãos dadas, os corpos ainda vibrando com a memória do carinho, mas agora embalados por uma leveza nova — a de quem se escolhe, mesmo na calma.

          O caminho até ao restaurante foi pontuado por risos e confidências. Gui falava dos seus medos de infância; Mário, das vezes em que se perdeu na floresta só para pensar. Tocavam-se com naturalidade — um braço que se entrelaça, um beijo roubado no semáforo, dedos que se procuram sem pressa.

            O restaurante era pequeno, acolhedor. Luzes pendentes lançavam reflexos dourados nas paredes de pedra, e a música ao vivo — um violão e uma voz suave — preenchia o espaço com uma melancolia doce.

— É bonito, Príncipe — disse Gui, olhando em volta.

— Mas não mais do que tu — respondeu Mário, sem hesitar.

Gui corou, mas não desviou o olhar. Sentia-se visto. Sentia-se inteiro.

          A comida era fantástica, mas o que realmente os alimentava era a presença um do outro. Entre garfadas e goles de vinho, trocavam histórias, olhares demorados e pequenos gestos que diziam mais do que palavras.

          Depois do jantar, saíram para a noite fresca. O caminho de volta era longo, mas nenhum deles parecia apressado. Gui encostou a cabeça no ombro de Mário, e o alfa passou o braço por cima dele, apertando-o com carinho.

— Esta noite foi perfeita — murmurou Gui.

E ainda não acabou — respondeu Mário, com um sorriso que prometia apenas ternura, não pressa.

          A viagem de regresso foi tranquila, Gui embalado pela serenidade do lago, e o alfa conduzia com uma mão no volante e a outra pousada sobre a perna dele, num gesto simples, mas cheio de pertença.

           Quando chegaram a casa, o ambiente parecia mais quente, mais íntimo.

          Gui tirou os sapatos, rindo baixinho de algo que Mário murmurara ao ouvido, e o alfa aproximou-se por trás, abraçando-o pela cintura com a naturalidade de quem já conhece o lugar exato onde o outro encaixa.

— Gostaste do nosso dia? — perguntou Mário, a voz baixa, quase um sussurro.

          Gui virou-se para ele, os olhos brilhantes.

— Foi perfeito.

          O alfa sorriu, tocando-lhe o rosto com a ponta dos dedos, mas antes que pudesse beijá-lo, o telemóvel vibrou na bancada da cozinha. O som cortou o silêncio acolhedor da casa.

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