15 🔞 – O Banho
🔞 Este capítulo contém conteúdo para leitores adultos.
Mário entrou em casa com Gui bem agarrado a si, que se deixava conduzir, preso ao braço do alfa, a cabeça pousada no ombro, o corpo ainda trémulo, o choro silencioso a escorrer-lhe pelo rosto.
O cheiro do medo vinha de Gui em ondas pequenas, cruas, como se lhe escorresse da pele. Mário sentiu o próprio instinto responder — a vontade de o esconder do mundo. O mogno e canela de Mário — tantas vezes porto seguro — vinha agora partido, misturado com medo, incapaz de o acalmar.
Mário sentia cada tremor, cada suspiro — e doía-lhe não saber como ajudar, faltava-lhe experiência… mas não lhe faltava amor.
Beijava-lhe o alto da cabeça com meiguice, e com a mão livre afagava-lhe os cabelos e as faces, tentando transmitir segurança.
Era tudo o que podia oferecer naquele momento.
Foi direto à sala, sentou-se no sofá e puxou Gui para o colo. O ómega enroscou-se como uma criança, a cabeça no peito do mais velho, e o choro intensificou-se, deixando Mário em pânico.
— Gui… anjo… por favor, acalma-te… já passou… estou aqui contigo… — murmurava, tentando manter a voz serena, mas o desespero infiltrava-se. — Anjo… diz-me o que se passa… o que posso fazer? — a ansiedade começava a transbordar, o cheiro a medo escapava-lhe sem controlo. — Gui!… merda… — a voz subiu sem que percebesse — diz qualquer coisa… fala comigo… precisas que te leve ao hospital? Por favor, anjo… não aguento ver-te assim…
As lágrimas começaram a deslizar pelo rosto de Mário. A impotência paralisava-o — não sabia como ajudar, e isso doía mais do que qualquer coisa.
Gui não respondia. Mário apertou-o com mais força — era tudo o que tinha para oferecer.
Gui estava tão mergulhado na sua dor que não percebia o quanto também magoava. Só quando sentiu pequenas gotas caírem sobre o seu rosto é que despertou. Ao erguer os olhos e encontrar o amado a chorar, uma onda de surpresa e culpa atingiu-o, misturada com uma ternura dolorosa. Perceber as lágrimas do outro fez-lhe sentir o peso do seu próprio sofrimento e, ao mesmo tempo, o amor que os unia. Gui sentiu-se tocado, vulnerável, e o desejo de consolar o amado tornou-se quase tão forte quanto a sua própria necessidade de conforto.
O seu alfa chorava.
O seu alfa chorava.
E aquele cheiro — medo, ansiedade — envolvia-o por completo. Era como uma pressão no ar, um pedido silencioso para que ele se ancorasse ali.
— Desculpa, anjo… não sei como te ajudar… não tenho experiência… merda… odeio ver-te sofrer, odeio não te poder ajudar… — a voz de Mário tremia, carregada de angústia.
Gui ergueu a mão e, com delicadeza, limpou-lhe as lágrimas.
— Meu Alfa… meu Príncipe… tu estás a ajudar, acredita. Poder estar no teu colo, nos teus braços, receber os teus carinhos, poder chorar livremente sem ser chamado de "ómega maricas" ou "omegazinho de merda"… já é ajuda. Eu vou ficar bem. Só precisava de chorar. Sempre me disseram que alfas não choram… — sorriu, passando o dedo pelo rosto molhado de Mário — … mas o meu chora. E isso não o torna mais fraco aos meus olhos. Torna-o mais bonito. Faz-me amá-lo ainda mais.
Mário respirou fundo, emocionado.
— Eu percebo tudo o que passaram. Mas agora não estão mais sós. Eu estou aqui. Eu vou proteger-te. Não vou deixar que sofras de novo. E desculpa… porque ele é teu pai… mas se o encontrar à minha frente, é um homem morto. E terei ajuda.
Gui ergueu o olhar, firme:
— Príncipe… achas que depois de tudo o que nos fez passar, a mim e ao Jorge, eu o posso chamar de pai? Nunca.
Mário sorriu, surpreendido.
— Gosto…
— Gostas de quê? — perguntou Gui, curioso.
— Da maneira como me chamaste.
— Príncipe?
— Sim. Adoro.
Gui sorriu, encostando-se mais a ele.
— Tu és o meu príncipe — disse, antes de lhe dar um beijo suave na face.
Mário acariciou-lhe o cabelo, aliviado por ver o sorriso de volta.
— Ainda bem que estás melhor. Vou preparar algo para comermos enquanto tomas banho — disse, levantando-o com cuidado.
Virou-o em direção à casa de banho e, num gesto cúmplice, deu-lhe uma palmadinha meiga no rabo, e o riso leve de Gui quebrou a sombra que antes os envolvia.
— Posso cozinhar… — começou Gui, mas a frase foi interrompida por uma voz rouca.
— Não é a tua obrigação… não comigo — disse Mário, exaltado.
— Não te exaltes… eu sei que não. Mas eu gosto de cozinhar. Não o faço por ser ómega. Cozinhar acalma-me.
Mário suspirou, passando a mão pelo rosto.
— Desculpa… não quero que faças nada apenas porque achas que tens essa obrigação por ser ómega. E ouve bem o que digo: isso inclui também sexo. Se algum dia não estiveres disposto, só tens de dizer não. Quero que tenhas à vontade e coragem para falar comigo e fazer apenas o que te apetece. Percebeste?
Gui sorriu, travesso:
— Perfeitamente… e já que assim é… que tal tomares banho comigo? Ainda não me sinto bem… preciso de algum miminho.
Aos poucos, o cheiro de Gui deixou de ser lágrima e tremor. Ficou mais doce, mais quente — não convite, mas confiança.
Mário deixou escapar um sorriso, o olhar a suavizar-se.
— Esse é o meu ómega. O meu anjo. A quem eu amo e quero sempre assim… Mas tens noção de que não será só banho…
— Não???… Que mais podemos fazer no banho? — provocou Gui, com inocência fingida.
— Meu anjo… tanta coisa se pode fazer no banho… tanta coisa… — Mário aproximou-se, a voz baixa e carregada de promessa. — Aceito o banho. Mas quero uma resposta verdadeira, ok?
— Sim — respondeu Gui, mordendo o lábio.
— Como está o teu corpinho depois de ontem? Já está pronto para mim de novo?
Gui corou, sentindo o calor subir-lhe ao rosto.
— Tão direto… estou bem, sim. Algum desconforto… mas definitivamente pronto para ti de novo.
Mário inclinou-se, roçando os lábios nos dele, e murmurou:
— Então… queres aprender algumas das coisas que se podem fazer no banho?
Gui sorriu, doce e atrevido ao mesmo tempo:
— Claro que quero.
Mário ergueu-o com naturalidade, levando-o até à casa de banho, sentando-o com cuidado, e Gui deixou-se guiar, entregue ao prazer de ser cuidado.
As roupas caíram, uma após a outra, até que nada restasse entre eles.
Mário e Gui, envoltos apenas pela proximidade e pelo calor do momento, deixaram-se ficar juntos, sentindo a pele tocar-se e o desejo crescer no silêncio partilhado.
— Humm… ainda nem te toquei e já estás assim? — Mário aproximou-se, sentindo o seu desejo crescer ao notar o olhar ansioso do ómega. O calor de Gui e o aroma de pêssego aumentavam a expectativa. Ele sorriu com ternura ao perceber a excitação visível do ómega, tornando o momento íntimo.
— Tu deixas-me assim… é tão mau?
— Nada disso… adoro.
O som da água a correr encheu o espaço, quente e constante, como uma promessa. Mário testou a temperatura com a mão e levou Gui para debaixo do chuveiro, a água cálida escorria sobre os corpos, unindo-os num mesmo calor.
Mário começou por lavar o cabelo do mais novo, os dedos a deslizar entre os fios com carinho, depois percorreu-lhe o corpo com a mesma delicadeza, cada gesto impregnado de cuidado e devoção. A esponja deslizava suavemente sobre a pele, e onde passava, os lábios de Mário deixavam beijos demorados, arrancando de Gui pequenos gemidos que se confundiam com o som da água.
Quando ia levar as mãos à própria cabeça, sentiu as pequenas mãos de Gui afastarem-nas.
— Agora é a minha vez… — murmurou o mais novo, com um brilho travesso nos olhos.
Gui repetiu cada gesto, devolvendo o cuidado recebido, até que o toque áspero das mãos de Mário voltou a reclamar o corpo dele, e nenhum pedaço de pele foi esquecido.
As bocas encontraram-se num beijo quente, apaixonado, que incendiava o ar em redor. A intimidade no banho aconteceu com a mesma ternura de sempre, num ritmo só deles, protegido pelo vapor e pelo silêncio.
O corpo de Gui tremia de expectativa, o desejo a latejar sob a pele.
O toque começou suave, exploratório — primeiro nas mãos, depois na língua que saboreava cada instante, sem pressa, como quem prolonga o prazer.
Não o tomou por completo; queria-o à beira, suspenso, cada vez mais vulnerável ao desejo.
Gui suspirava, entregue, rendido ao carinho do seu alfa.
Quando Mário finalmente interrompeu, ouviu apenas um resmungo impaciente — um pedido silencioso para que não o deixasse ali, em chamas.
— Porque paraste… — pediu Gui, a voz embargada.
Mário riu baixinho, um som que lhe percorreu a pele como um arrepio.
— Ainda é cedo. Quero que te percas comigo… lá dentro.
— Mau… — murmurou Gui, entre o desejo e a impaciência.
Mário voltou a rir, o som baixo preenchendo o espaço, e virou-o com firmeza, enquanto o cheiro suave do sabonete e o ruído do chuveiro envolviam ambos num ambiente íntimo.
Gui apoiou as mãos na parede fria, sentindo o contraste do calor no corpo e do gelo no toque; o coração acelerou ao sentir o braço de Mário junto ao seu, e entregou-se à orientação firme e cuidadosa, o pulso vibrando de antecipação e confiança silenciosa no parceiro.
As mãos do alfa pousaram-lhe na cintura, guiando-o com uma calma que dizia mais do que qualquer palavra, enquanto Mário percebia a entrega e a vulnerabilidade de Gui nos pequenos suspiros e no modo como se curvava ao toque. O ambiente era preenchido pelo vapor, pelo aroma penetrante de shampoo e pelo eco suave dos seus movimentos.
— Confortável assim? — perguntou Mário, atento.
— Sim… — respondeu Gui, a respiração acelerada.
— Não estás com medo, pois não?
— Vergonha… medo não.
O sorriso de Mário foi quase um suspiro, quente e silencioso, misturando-se ao vapor que preenchia o espaço e ao aroma suave do sabonete.
Inclinou-se devagar, roçando os lábios no ouvido dele, que estremeceu ao sentir o toque inesperado e a respiração quente, o pulso acelerando com a proximidade íntima.
O corpo pulsava de desejo — bastava-lhe tocar o seu ómega para se incendiar.
Mário abriu a gaveta embutida na parede, retirou o que precisava com movimentos calmos, como quem pensou em tudo com antecedência.
Espalhou o gel nas mãos e, com movimentos lentos, foi introduzindo um dedo na entrada do mais novo, dilatando-a com cuidado para o preparar. Sentia-o ainda fechado, o que tornava tudo ainda mais excitante para si.
O vapor envolvia-os como um casulo, abafando os sons distantes e tornando o ar denso, saturado do aroma quente e húmido que parecia impregnar a pele e os sentidos. Ainda assim, por baixo do sabonete, o instinto de Mário apanhava o pêssego dele — mais baixo, mais calmo — e isso dizia-lhe que Gui estava ali, seguro.
Gui tremia — não de medo, mas de uma expectativa elétrica que lhe acelerava o coração e fazia o corpo vibrar, sentindo cada batida misturada ao calor húmido à sua volta, enquanto a mente se enchia de desejo.
Quando sentiu que o mais novo estava preparado, Mário colocou o preservativo e aproximou-se, posicionando-se cuidadosamente atrás dele, tentando conter a urgência que o atravessava. Uma mão firme na cintura, a outra envolvendo-lhe o prazer, guiando-o com carinho.
A boca percorria-lhe as costas, a nuca, as orelhas, deixando um rastro de calor.
O momento aconteceu devagar, com cuidado, como se Mário estivesse a pedir permissão a cada gesto. Gui sentiu o desconforto inicial, o tremor involuntário — e depois a adaptação lenta, guiada pela respiração dos dois.
— Auu… humm… para um pouco… — pediu Gui, a voz trémula.
— Está tudo bem? Queres que… — Mário começou.
— Quero que continues.
Mário obedeceu, mantendo-o seguro entre os braços, dando-lhe tempo, espaço, calma, sentindo Gui relaxar, o corpo a ceder, a confiar, até que o movimento se tornou natural, fluido, íntimo.
— Podes mexer-te… por favor… — sussurrou Gui.
O ritmo cresceu devagar, como uma onda que se forma ao longe.
— Mais… mais forte… — implorava Gui.
Gui suspirava, cada vez mais entregue, cada vez mais vulnerável ao carinho do seu alfa.
— Não pares… estava quase… — murmurou, perdido no próprio corpo.
Mário sorriu contra a pele dele, a voz baixa e quente.
— Eu sei… mas quero que te venhas comigo.
Gui deixou-se ir, guiado pela força e pela ternura daquele abraço.
O clímax chegou para os dois como um estilhaço de luz — silencioso, intenso, inevitável — um instante em que o mundo pareceu desaparecer.
O nó formou-se, profundo e inevitável.
Mais uma vez Mário conteve o impulso de marcar — ainda não tinham falado sobre isso, em vez disso, limitou-se a abraçá-lo com mais força, como se o pudesse proteger de tudo. Quando o momento passou, afastou-se com cuidado.
Gui tremia, não de dor, mas da entrega total que aquele momento exigia.
— Obrigado… — murmurou, agarrado ao seu alfa.
— Porquê? — perguntou Mário, genuinamente curioso.
— Pelo banho… pelo carinho… pela paciência… e pelo prazer.
— Faço por amor — respondeu Mário, simples e verdadeiro.
Depois do banho, secaram-se e vestiram roupas leves.
Entre risos e pequenas provocações, moviam-se pela cozinha como quem já partilha a intimidade do quotidiano.
Mais nada. E podes sair da lista quando quiseres.