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Capítulo 13 — A Primeira vez 🔞

        🔞 Este capítulo contém conteúdo para leitores adultos.


          Mário e Gui entraram de mãos dadas.

          Gui estava nervoso. Mal olhou o apartamento quando lho foi mostrado.

         Tal como o de Henrique, o estilo era moderno, mas aqui predominavam os tons de castanho e creme. Três quartos — dois ainda vazios, como promessas por cumprir. Apenas o dele estava mobilado.

          Mário percebia o ar alheio e o nervosismo do seu garoto. Não sabia porquê, mas sabia que tinha de o acalmar, por isso levou-o até à sala, onde o sofá parecia oferecer abrigo.

           Sentaram-se lado a lado, e Mário passou o braço por trás, puxando-o com cuidado, Gui não resistiu, mas também não se entregou de imediato. Ficou ali, rígido, como se o corpo ainda não tivesse decidido se podia relaxar.

— É só um espaço — disse Mário, num tom baixo. — Não precisas gostar dele. Só precisas saber que é teu. Que estás seguro aqui.

          Gui olhou finalmente para ele, os olhos estavam húmidos, mas não havia lágrimas, apenas uma pergunta muda, que Mário não soube responder — então apertou-lhe a mão.

         O silêncio entre eles não era vazio. Era uma ponte.

— Gui, meu anjo lindo… que se passa contigo? Queres contar-me? Estás a tremer. De que tens medo? De mim? Não faremos nada se não quiseres, sabes disso. Preciso que fales comigo. Que me digas o que sentes. Odeio ver-te assim…

           Mas Gui continuava calado.

— …por favor. Diz qualquer coisa… — pediu Mário, a voz carregada de preocupação e impotência.

          Não saber o que se passava e não conseguir fazer com que o seu ómega reagisse estava a assustá-lo.      O coração de Mário batia acelerado, as mãos tremiam levemente enquanto lutava para encontrar qualquer sinal em Gui, mas tudo o que recebia era aquele silêncio impenetrável.

          Mas os sentimentos começaram a chegar até Gui, como ondas suaves que quebram contra a resistência, e ele obrigou-se a reagir.

         Levantou o rosto devagar e, ao encontrar o olhar do seu alfa, viu ali o que precisava: verdade. As palavras eram sinceras, tal como eram os sentimentos.

          Respirou fundo. Tentou relaxar.

           Jorge tinha razão — o diálogo era sempre a melhor opção. E com um gesto delicado, pegou numa das mãos de Mário que lhe envolviam a cintura, levou-a aos lábios e beijou-lhe as costas com reverência, voltando a repousá-la na cintura, cobrindo-a com as suas pequenas mãos, como se dissesse: fica.

           O cheiro de pêssego, antes tenso e fechado, começou a abrir-se ligeiramente — como uma flor que hesita antes de desabrochar.

          Suspirou, e finalmente falou:

— Eu… eu não tenho medo de ti, Mário. Tenho medo de não estar à altura. Medo de não saber ser o que tu precisas. Este lugar, este momento… tudo parece grande demais. E eu… eu ainda estou a aprender a ser eu contigo.

          Mário não respondeu de imediato, mas envolveu-o com mais força, como se o corpo pudesse dizer o que as palavras ainda não sabiam.

          E naquele instante, o silêncio entre eles já não era um muro — era abrigo.

— Amor… desculpa. Não tenho medo de ti — disse Gui, a voz baixa, hesitante. — Mas sim do que possa acontecer.

           As palavras saíram ambíguas, como se ele próprio não soubesse ao certo o que queria dizer.

           Mário inclinou-se, atento.

— Do que possa acontecer? — repetiu, com cuidado. — Tens medo do sexo? Alguém te magoou?

           A angústia na voz dele era palpável e a ideia de que alguém pudesse ter ferido o seu pequeno doía mais do que qualquer outra hipótese.

          E, como um reflexo involuntário, a imagem dos três no centro comercial surgiu-lhe na mente — e, com ela, a lembrança de um rapazinho muito parecido com Gui, com os olhos assustados e o corpo tenso.

           Gui respirou fundo, tentando organizar os pensamentos.

— Acho que sim… tenho um pouco de medo — disse, finalmente. — Não foi tanto a mim que me magoaram… foi o que vi. O que presenciei. Aquilo fez-me não querer ter sexo com ninguém. Nem mesmo nos meus cios.

           Fez uma pausa, reunindo coragem.

— Sou virgem ainda, Mário. Tinhas de saber.

           As palavras pairaram no ar, frágeis e definitivas.

         Mário arregalou os olhos, surpreso, não por julgamento, mas pela honestidade crua que Gui lhe oferecia.

— Virgem… com 22 anos? — murmurou. — Os teus cios devem ter sido horríveis. E… não usavas…?

— Não… nada. Foram sempre bem dolorosos — confessou Gui, num sussurro.

           Mário sentiu o coração apertar.

           Puxou o pequeno para si com mais firmeza, erguendo-o com cuidado e rodando-o até que ficasse de frente, Gui tentou esconder o rosto no peito do alfa, mas Mário não permitiu e com uma mão firme sob o queixo, obrigou-o a manter o olhar erguido.

— Meu anjo… acabaram os cios dolorosos. Vou estar aqui para ti a partir de agora. Eu prometo. Mas afinal… de que tens medo? Podes contar-me. Preciso — e quero muito — que não tenhas vergonha de falar comigo sobre seja o que for. Por favor… confia em mim.

          Gui respirou fundo, o olhar embora trémulo, manteve-se firme no de Mário.

           E então, com coragem, falou:

— Tenho medo da dor. Vi que pode magoar… que pode ser bem doloroso. Mas acima de tudo… tenho medo do nó.

— Do nó? — Mário repetiu, confuso.

— Sim… do nó. Tenho medo de que o tirem de dentro… antes de se desfazer — disse, a voz embargada.

           E Mário sentiu o tremor que percorreu o corpo do seu ómega.

          O choque foi imediato.

          Mário arregalou os olhos, incrédulo.

— O quê? Nunca… nunca ninguém faria isso! — disse, quase sem ar.

          Gui choramingou e apertou-se contra Mário, como se quisesse desaparecer em seus braços. Mário sentia o corpo de Gui a tremer nos seus, envolvendo-o num abraço protetor, enquanto lhe afagava as costas e lhe beijava a cabeça.

            Mário sentia não só o coração acelerado pela raiva, mas também o rosnar crescente do seu lobo interior, pronto para saltar.

— Já vi acontecer… prometes que não o farás? Prometes?

            A voz dele era um fio de pânico, o corpo, tenso como se esperasse dor a qualquer momento, mas os braços que o envolviam apertaram no mais, como se quisesse protegê-lo do mundo inteiro.

— Meu anjo… nunca te magoaria a esse ponto. Amo-te demais para isso. — O cheiro do Gui mudou subtilmente — menos medo, mais confiança. O mogno e canela de Mário envolveu-o como uma resposta silenciosa. — Seria magoar-me a mim. Claro que prometo. Mas se te sentires mais seguro… posso tentar retirar-me antes que o nó se forme. Só quero que te sintas bem. Que te sintas amado. E livre.

            Gui não respondeu de imediato. Permaneceu ali, envolto nos braços do seu alfa, como se aquele abraço fosse o único lugar onde o mundo não doía. O cheiro do seu alfa envolvia-o, acalmando-o e trazendo uma sensação de calor reconfortante, quase como se estivesse protegido por uma manta macia.  Sentiu-se rodeado por uma tranquilidade serena, e por instantes, todos os medos se dissiparam, deixando apenas a paz daquele momento partilhado.

           Tudo por Gui, por aquele corpo pequeno e frágil que tremia nos seus braços, mas que confiava nele o suficiente para se deixar envolver.

— Não quero isso — disse Gui, com firmeza suave. — Quero que aconteça tudo até ao fim. Sei que não seria agradável para nenhum dos dois se parássemos. Quero tudo contigo… só te peço paciência.

          O pêssego floresceu no ar, quente e verdadeiro — o corpo a confirmar o que o coração acabara de admitir.

Mário sentiu o coração apertar com ternura, ao perceber que o seu pequeno começava a relaxar.

Prometo que nunca, mas nunca te magoarei a esse ponto. Quanto à dor da penetração… só posso prometer que serei o mais meigo e cuidadoso possível. Não te posso prometer que não exista dor… — murmurou, honesto. — Só quero que confies em mim. Obrigado por me contares.

— Obrigado, eu… pela paciência — respondeu Gui, com um suspiro.

— Amo-te. Não te esqueças disso. Só quero o teu bem. Estarei aqui para ti… sempre.

           Gui hesitou, mas depois com a voz embargada, falou:

— Sei que nem sempre sou fácil. Luto contra a educação que tive. Quando tens um pai que te faz acreditar que, por seres ómega, és um nada… que só deves obediência ao alfa… são mentalidades que custam a mudar. Um pai devia amar um filho pelo que ele é… não odiá-lo por ter nascido ómega. O meu pai era esse tipo de alfa. E maltratava a minha mãe.

          Desta vez, Gui não tentou conter o choro, deixando que as lágrimas escorressem livres, como se finalmente tivessem permissão para existir.

           Mário sentiu o sangue ferver e o ódio estampou-se-lhe no rosto, cru e imediato.

— Já percebi. Não quero que penses mais nisso hoje. Não te quero ouvir mais falar nisso, ok? Odeio o teu pai… e nem o conheço.

          Gui assentiu, mais leve, os olhos ainda marejados, mas o corpo menos tenso, beijando suavemente a boca do alfa.

          Mário ficou a olhar para ele — entre encantado e surpreendido — como um pequeno gesto podia dizer tanto.

— Estarei aqui se um dia me quiseres contar mais sobre isso — disse Mário, com voz baixa. — Mas agora… vou fazer-te uma pergunta. E quero uma resposta sincera. Não aquilo que achas que eu quero ouvir. Prometes?

           Gui respirou fundo, os olhos húmidos fixos nos de Mário, havia algo novo ali — não só dor, mas coragem, e assentiu devagar, entrelaçando os dedos aos do alfa, como se aquele toque fosse a âncora que o mantinha presente.

— Prometo — disse num fio de voz. — Prometo que vou ser sincero.

          Mário acariciou-lhe a face com o dorso da mão, como quem toca algo precioso demais para ser apressado.

          O silêncio entre eles era denso, mas não pesado — era o tipo de silêncio que antecede revelações importantes.

Então diz-me… — começou Mário, com suavidade — …tu queres mesmo que aconteça entre nós? Não porque achas que eu espero isso… mas porque tu desejas. Porque confias. Porque sentes que é o momento certo.

          Gui hesitou, o coração batia forte, como se cada batida fosse uma pergunta, e, com um suspiro que parecia libertar anos de medo, respondeu:

— Quero. Quero tudo contigo. Não porque acho que devo…, mas porque finalmente sinto que posso. Que estou seguro. Que sou visto. Que sou amado.

           Mário fechou os olhos por um instante, absorvendo aquelas palavras como quem recebe um presente raro, quando os abriu, havia lágrimas contidas ali — não de tristeza, mas de gratidão.

— Obrigado, meu anjo — murmurou. — Obrigado por confiares em mim. Por te permitires sentir. Por seres tu.

          Gui sorriu, tímido, mas verdadeiro, e naquele instante, o apartamento em tons de creme e castanho parecia desaparecer, restando os dois — o alfa e o ómega — e a promessa silenciosa de que, dali em diante, tudo seria diferente.

— Desejo-te muito… mas e tu? Queres fazer amor comigo hoje?

           Gui mordeu o lábio, nervoso.

— Se eu disser que ainda não me sinto pronto… ficas chateado?

— Ficaria chateado se me dissesses que sim só porque achas que eu quero. Mas quero ajudar-te a relaxar, a confiares em mim. Preciso de te sentir… de te dar prazer. E desculpa, mas preciso muito que me dês prazer a mim também.

— Como assim? — perguntou Gui, confuso, mas curioso.

— Confias em mim?

— Com todo o meu coração.

— Então vem.

           Gui assentiu, e Mário sorriu com ternura.

           Sem mais palavras, pegou o ómega ao colo com naturalidade, como quem carrega algo precioso.

 Gui deixou-se levar; o seu corpo ainda tenso, mas o coração entregue. Assim como o seu lobo, sentia-se em paz e confiante naqueles braços, onde também podia sentir o lobo de Mário.

             Mário e Gui caminharam até ao quarto, e o espaço parecia diferente agora — não apenas bonito, mas íntimo, como se tivesse sido preparado para aquele momento sem que ninguém o tivesse dito em voz alta.

           Mário pousou Gui na cama com uma delicadeza que dizia mais do que palavras, e abriu um dos armários, tirou uma toalha macia e entregou-lha com um sorriso quase tímido.

— Podes usar esta — disse, num tom baixo. — E aqui tens uma escova nova, se quiseres refrescar-te. Vai com calma.

           Gui pegou na toalha, ainda trémulo, mas com o olhar mais firme, Mário guiou-o até ao wc, mostrando-lhe os produtos, os detalhes pensados para acolher. Não havia pressa. Não havia exigência.      Apenas o desejo de cuidar.

          Gui olhou-se ao espelho. Os olhos ainda vermelhos… mas havia ali algo novo — coragem… desejo… entrega.

— Toma banho — disse Mário, antes de sair. — Gostava de te ver regressar… assim… nu… sem vergonha.

           A porta fechou-se e Gui ficou sozinho com o próprio reflexo.

          A água quente caiu sobre a pele e levou consigo parte do medo.

          "Vergonha de quê?", pensou. "De ser visto? De ser desejado?"

          Quando saiu, ainda húmido, com o aroma doce do sabonete a envolver-lhe o corpo, parou à porta do quarto. Estava nu. Vulnerável. Mas também… pronto.

          Mário estava sentado na cama, distraído com o telemóvel. Só levantou os olhos quando o cheiro de Gui o envolveu — suave, doce, inconfundível.

         E ficou imóvel. O olhar dele percorreu o corpo de Gui com uma mistura de surpresa, desejo e reverência.

        Gui sentiu o coração acelerar.

— Vira-te, por favor — pediu Mário, a voz rouca. — Quero ver-te todo.

        Gui obedeceu, o silêncio que se seguiu foi quase um toque.

— Lindo… — murmurou Mário. — Tão bem feito… meu Deus…

         Num impulso, Mário levantou-se e foi até à casa de banho, tentando recuperar o controlo. Gui viu o corpo dele em movimento, a tensão nos ombros, a respiração pesada.

— Vai deitando — disse Mário. — Já volto.

           Gui deitou-se, cobrindo-se com o lençol, o corpo em alerta, a mente num turbilhão. O tecido era áspero sobre a pele, e cada batida do coração parecia amplificar o silêncio, tornando-o quase palpável.

           Mário voltou pouco depois, agora nu, o corpo quente, os aromas de mogno e canela, juntamente com o do sabonete, preencheram o quarto.

           Gui olhou… e o que viu, fê-lo sentir pânico, rápido, inesperado, como um reflexo antigo. Os olhos fixaram-se no corpo de Mário, admirando, quase em espanto, a evidência do seu desejo — o sexo dele, forte, grande, já pulsante, impressionou Gui pela dimensão e pela beleza, um convite silencioso e intenso.       O toque do lençol parecia apertar, e o som da respiração de Mário tornou-se um eco distante, intensificando o turbilhão de sensações.

             Mário percebeu de imediato.

— Respira, meu anjo — disse, sentando-se na beira da cama. — Não vamos fazer nada que te assuste.

             Gui fechou os olhos, sentiu Mário a deitar-se ao seu lado, ouviu a respiração dele no seu ouvido, e como que a querer transmitir-lhe segurança, viu quando ele se cobriu com o lençol. Gui sentiu o corpo relaxar, como se a presença de Mário afastasse todos os medos que o acompanhavam desde o início da noite. A cada batida do coração, o turbilhão de ansiedade dava lugar a uma serenidade inesperada, e pela primeira vez, Gui permitiu-se acreditar que estava protegido ali, naquele instante.

             Gui, tomado por um impulso inesperado, puxou o lençol para trás. O ar pareceu encher-se de expectativa, cada movimento carregado de significado.

           Quando finalmente uniu os dois corpos, sentiu a pele de Mário quente contra a sua, ambos vulneráveis, expostos, mas também inteiros. O toque era intenso, quase reverente, e Gui percebeu que aquele momento era mais do que desejo: era a afirmação da sua próprio coragem, a necessidade de ser visto e aceitado.

            Só então, a boca de Gui encontrou a de Mário num beijo urgente e ardente, cheio de pedido e esperança. Nesse instante, entregaram-se ao gesto, sentindo que cada batida do coração os aproximava ainda mais.

           Mário respondeu com igual intensidade, mas com cuidado — sempre com cuidado, as mãos dele exploraram o rosto de Gui, os cabelos, o pescoço, como quem memoriza um mapa sagrado.

           Gui suspirou, arqueando-se sob o toque, a sua excitação evidente. Mário sentiu essa intensidade e respondeu ao gesto.

          Um dedo afastou o cabelo da testa, o polegar acariciou-lhe a bochecha e depois desceu pelo pescoço com uma reverência quase devocional. A mão percorreu o corpo de Gui com suavidade, como se quisesse memorizar cada linha, cada curva, cada respiração. O menino tremia sob o toque, respondendo com uma entrega crescente. A mão do alfa deslizou suavemente pelos braços do ómega até alcançar o peito, explorando toda aquela área com uma atenção cuidadosa, detendo-se nos mamilos sensíveis do ómega. O ómega sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo, enquanto cada gesto parecia acender uma chama desconhecida no seu interior, intensificando a ligação entre ambos.

           Mário inclinou-se sobre Gui, acomodando-se entre as suas pernas, sem pressa, atento a cada movimento. Gui sentiu o corpo de Mário aproximar-se, as peles roçaram-se lentamente, provocando arrepios. O som abafado da respiração intensificava o momento; Gui deixou escapar um gemido baixo, involuntário, revelando o impacto daquele toque. A atmosfera era pesada, cheia de emoção, e cada detalhe sensorial parecia aprofundar ainda mais a ligação entre ambos.

            As mãos de Mário, grandes e suaves, deslizaram pelas costas de Gui. Com delicadeza, puxou-o pela cintura, aproximando-os devagar. O toque intensificava-se, tornando o contacto entre ambos inevitável.   Mário inclinou-se e depositou um beijo no pescoço de Gui. Explorou a curva da garganta, sentindo o pulso acelerado sob os lábios. Depois, percorreu a linha da mandíbula, cada gesto carregado de ternura e desejo. Gui sentiu-se envolvido pela atenção de Mário, cada movimento aprofundando a intimidade entre eles.

           Gui tremia — não de medo, mas de antecipação, de excitação.

— Ai… — deixou escapar, a respiração falhando.

           A boca percorreu toda a extensão da orelha, soprando ocasionalmente dentro do pavilhão; a outra orelha recebeu o mesmo cuidado, com igual empenho.

          Gui percebia a sensação de calor no peito; cada movimento ativava uma resposta diferente, e notava os arrepios que percorriam a sua coluna.

          Gui respondia sob ele, o corpo desperto, movendo-se instintivamente.

           Mário desceu pelo peito, pelos ombros, pela barriga, deixando beijos lentos, quase devocionais.   Deteve-se nos mamilos, onde a língua circulava lentamente pelas auréolas, provocando os bicos, chupando-os e mordendo com suavidade.

— Humm… isso é bom… muito bom… — murmurava Gui, entre suspiros e gemidos.

         Mário alternava entre um e outro, os bicos bem rígidos de tão excitados. Gui gemia, perdido entre prazer e descoberta.

          Depois, a boca deslizou para baixo, sem pressa, traçando um caminho de pequenos beijos pela pele, cada um deixando uma marca quase impercetível.

          O coração de Gui acelerava, acompanhando o ritmo dos beijos, enquanto a antecipação se tornava palpável, erguendo-se diante dele, como um pedido silencioso envolto em desejo e cumplicidade. A intimidade aguardava, orgulhosa e recetiva, tal qual uma flor abrindo-se à luz, em espera silenciosa, onde o tempo parecia suspenso.

           Gui agarrou os lençóis, o corpo arqueando-se.

          Mário deixou que os lábios explorassem suavemente o início desse desejo, sentindo a antecipação no ar. A língua desenhou carícias subtis, percorrendo a pele sensível, enquanto a boca envolvia com delicadeza, entregando-se aos poucos ao momento, numa dança de prazer silenciosa e cúmplice.

— Mário… hummm… isso… assim… tão bom… — Gui estava em delírio, o corpo vibrando com sensações que nunca conhecera.

             O aroma de Gui intensificou-se, misturando-se com o calor do momento, enquanto sentia a humidade crescente entre as suas pernas brotar como uma nascente, inundando-o de desejo. Cada sensação era tão viva que parecia preencher todo o espaço, tornando impossível ignorar a força do seu próprio corpo.

— Mário… por favor… — murmurou, a voz trémula.

— O que precisas, meu anjo? — perguntou Mário, provocando-o com ternura.

— Quero-te… — Gui respirou fundo. — Quero-te em mim.

            Mário ergueu o rosto, os olhos fixos nos dele.

— Tens a certeza?

         Gui assentiu, firme, sentindo o coração bater acelerado, uma mistura de nervosismo e confiança inundando-o. Mário aproximou-se, e o beijo que lhe deu foi lento, carregado de significado, como se aquele gesto selasse uma promessa silenciosa entre ambos.

            Mário estendeu-se para abrir a gaveta e retirou cuidadosamente todos os itens necessários.

            Voltou ao corpo de Gui, cobrindo-o de beijos e carícias, como se cada toque fosse uma promessa de cuidado. Parou nas pernas, erguendo-as com delicadeza, guiando as mãos do ómega para que as segurasse por baixo dos joelhos, expondo-se com confiança.

           Olhou o rosto do pequeno, procurando qualquer sombra de desconforto. Mas tudo o que viu foram olhos castanhos, amendoados, atentos. Gui observava cada gesto, sem vergonha, sem medo — apenas entrega.

          Mário ergueu o rosto, os olhos fixos nos de Gui.

— Tens a certeza?

          Gui assentiu, firme.

— Toda.

          Mário aproximou-se, beijando-o devagar, como se aquele beijo fosse uma promessa, aplicou o gel nas mãos e começou a preparar o corpo com paciência.

          O primeiro toque foi hesitante; Mário prestava atenção a qualquer sinal de desconforto do seu ómega, percebendo como o corpo dele se entregava lentamente, aprendendo a receber com delicadeza o toque do alfa.

         Gui estremeceu, entre nervoso e curioso.

          Os próximos toques foram-se sucedendo lentamente, um após o outro, como quem sobe uma escada devagar, degrau por degrau, até que Gui sentiu o seu corpo relaxar e abraçar o momento com confiança.

— Chega… chega… vem logo… quero sentir-te… — implorava Gui, o rosto tomado pelo desejo.

          Gui respirava fundo, tentando relaxar, confiando. Mário alinhou o corpo ao dele, movendo-se com cuidado, atento a cada som, cada gesto, cada sombra de desconforto.

           Mário colocou com cuidado, e passou mais gel, querendo diminuir qualquer atrito, qualquer dor. Sabia que aquele momento podia ser intenso — mas queria que fosse também terno.

— Estás pronto, anjo? — perguntou, os olhos fixos nos de Gui.

— Sim. Estou — respondeu ele, sem desviar o olhar.

— Desculpa se te magoar. Vou devagar. Paro a qualquer momento, se quiseres. Prometo.

           Mário posicionou-se com cuidado, o corpo alinhado ao do ómega, iniciando de maneira gradual, percebendo a pressão e o aumento da tensão.  Ele interrompeu o movimento.

— Assim não, anjo… por favor… assim vai doer mais… — murmurou, beijando-lhe a boca com carinho, enquanto lhe voltava a explorar o corpo, detendo-se em zonas que sabia o iriam ajudar a descontrair.

            Gui deixou escapar pequenos gemidos, alguns de dor, outros de entrega, e Mário sentia a tensão, beijava-o, acalmando-o, guiando-o.

— Relaxa, meu amor… — murmurou. — Estou contigo.

            Gui abriu os olhos, e ali, naquele olhar, havia um "sim" absoluto, respirou fundo, tentando relaxar.    Mário avançava com lentidão, atento a cada gesto, a cada som.

            O aroma de pêssego de Gui misturou-se ao mogno e canela de Mário — dois aromas que se reconheciam, que se procuravam, criando entre eles uma linguagem só deles.

            O corpo de Gui estremeceu quando a dor o atravessou, inesperada e intensa. Agarrou-se aos lençóis com força, como se tentasse ancorar-se a algo que o mantivesse ali, presente.

— Dói… — murmurou, a voz embargada. — Dói muito…

               Mário parou imediatamente. O olhar dele encheu-se de preocupação, quase de medo.

— Queres que pare, anjo? — perguntou, num sussurro. — Podemos esperar. Podemos tentar noutra altura. Não tens de provar nada.

             Gui abanou a cabeça, lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto, mas havia firmeza na voz.

— Não… continua. Eu quero. Eu prometo que quero.

            A dor era real, mas a vontade de se entregar era maior, bem como a confiança.

            Mário respirou fundo, como se estivesse a pedir força ao próprio corpo para não avançar depressa demais. Tocou no rosto de Gui com a ponta dos dedos, num gesto que parecia pedir desculpa e prometer cuidado ao mesmo tempo.

            Tudo foi realizado lentamente e com cuidado; sempre que parecia suficiente, era feita uma pausa, permanecendo imóvel para permitir que o corpo do menino se ajustasse. Embora a vontade de agir com rapidez fosse grande, o amor prevalecia sobre qualquer impulso.

— Diz-me quando te sentires mais confortável —sussurrou, acariciando-lhe o rosto.

           Aos poucos, a dor começou a ceder, transformando-se numa sensação nova — tímida, mas crescente, o corpo de Gui adaptando-se, e aceitava.

— Já… já está melhor — murmurou Gui.

          Mário inclinou-se para beijá-lo, devagar, como se aquele beijo fosse a confirmação de que não estavam a ultrapassar nenhum limite, começando a mover-se com cuidado, atento a cada som, cada respiração, cada mudança no corpo de Gui.

           O ritmo aumentava conforme o prazer se intensificava, e os gemidos de Gui tornaram-se pedidos. Gui deixou escapar um gemido baixo, depois outro, e outro — não de dor, mas de descoberta.

          O prazer começava a misturar-se com a entrega, com a confiança, com o amor que crescia entre eles.

— Mário… — sussurrou, a voz trémula. — Mais… quero mais…

            O alfa fechou os olhos por um instante, como se aquelas palavras o atingissem no centro do peito.   Mas manteve o controlo.

           Sempre o controlo.

Só se estiveres confortável — murmurou, a respiração pesada. — Só assim.

           Gui assentiu, puxando-o para mais perto.

          O alfa suava, o corpo em tensão, mas o foco era o prazer do seu menino. Começou a estimulá-lo com a mão, guiando-o até ao clímax, até sentir o ponto exato onde o prazer explodia. O grito de Gui foi puro, intenso, como se algo dentro dele finalmente se libertasse.

           O corpo de Gui arqueou-se, a respiração acelerada, os dedos a apertarem os ombros de Mário como se precisasse de algo para se agarrar enquanto o prazer crescia dentro dele.

— Aí… — deixou escapar, quase sem voz. — Não pares…

          Mário inclinou-se sobre ele, a testa colada à dele, como se precisasse daquela proximidade para não se perder no próprio desejo.

— Vem-te comigo… — murmurou, a voz rouca. — Deixa-te ir…

            O prazer veio como uma onda para ambos, arrebatador. O nó formou-se, e Mário sentiu a vontade de marcar, de deixar ali a promessa do vínculo. As presas ameaçavam surgir, mas ele conteve o impulso.   Ainda não era hora.

           Derramou-se no preservativo, sentindo o corpo de Gui estremecer sob o seu, o sêmen quente a tocar-lhe a mão e o abdómen. Depois, deixou-se cair sobre ele, ofegante, esperando que o nó se desfizesse.

           Gui deixou escapar um som que era metade gemido, metade libertação, o corpo dele tremeu, inteiro, como se algo dentro dele finalmente tivesse encontrado espaço para existir.

           Mário seguiu-o pouco depois, o corpo em tensão, o peito a subir e descer com força. Mas mesmo no auge, mesmo no limite, não perdeu o cuidado.

          Quando tudo terminou, Mário deixou-se cair sobre Gui, respirando fundo, tentando recuperar o fôlego.

            Mas sentiu o corpo inquieto sob o seu — Gui a tentar mexer-se, nervoso, quase aflito.

— Fica quieto, anjo… — pediu Mário, num tom suave. — Não te vou magoar. Só preciso de um momento… já passa.

              Gui mordeu o lábio, envergonhado.

Desculpa…

— Não peças desculpa — disse Mário, beijando-lhe a testa. — Está tudo bem. Só… espera comigo.

            Gui tentou respirar fundo, mas as lágrimas voltaram. Mário sentiu-as antes de as ver.

— Anjo… — murmurou, saindo de dentro dele com cuidado e deitando-se ao lado. — Fala comigo. Magoei-te? Estás ferido? Diz-me, por favor

           Gui abanou a cabeça, incapaz de falar por um momento, agarrando-se a Mário com força, como quem encontra finalmente um porto seguro.

Estou a chorar de felicidade… — disse, num sussurro trémulo. — Obrigado por me fazeres sentir especial. Por fazeres com que a minha primeira vez fosse… assim.

            O cheiro de Gui mudou uma última vez — mais leve, mais aberto, como se o próprio corpo tivesse finalmente encontrado paz.

            Mário soltou um suspiro aliviado, quase rindo de nervoso, beijando-lhe a testa, o nariz, a bochecha.

— Tontinho… assustaste-me — murmurou. — Dói-te muito? Queres que vá buscar algo?

           Gui sorriu, tímido.

— Não… estou bem. É só… novo. Mas eu adorei.

           Os olhos de Mário brilharam.

— Eu também adorei estar contigo. Mais do que consigo dizer.

            Gui aninhou-se no peito dele, como se aquele fosse o lugar mais natural do mundo.

— Prometo que vai sendo melhor — disse Mário, acariciando-lhe o cabelo. — A dor passa. O prazer cresce. E eu vou estar contigo em cada passo.

         Enroscaram-se um no outro, os corpos encaixando como se tivessem sido feitos para isso.

         O silêncio que se seguiu era quente, confortável, cheio de promessas.

        Antes de adormecer, Gui ouviu um sussurro quente ao ouvido — suave, íntimo, verdadeiro:

— Eu amo-te.

           Gui sorriu, os olhos a fecharem-se devagar.

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