Capítulo 12 — Inteiro 🔞
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Jorge entrou na casa de Henrique com passos hesitantes, o corpo tenso, as feromonas descontroladas pela ansiedade. O cheiro tornou-se mais intenso, doce e inquieto, como se o próprio ar denunciasse o turbilhão que lhe corria por dentro.
Henrique sentiu-o de imediato. A fragrância do seu ómega era um convite ao prazer, um chamado instintivo que lhe acelerava o pulso. Mas percebia também o nervosismo — o olhar fugidio, os ombros tensos, o silêncio carregado. Por isso conteve-se. Não se aproximou. Queria dar-lhe tempo. Queria que Jorge soubesse que ali não havia pressa, nem exigência. Que o amor que sentia por ele não se limitava ao corpo, mas à alma inteira.
Para o ajudar a relaxar, Henrique propôs uma visita guiada pela casa. Um gesto simples, mas cheio de intenção: mostrar, acolher, partilhar. Aos olhos de Jorge, a casa parecia uma mansão — espaçosa, elegante, quase intimidante. Não estava habituado a ambientes assim.
A sala era moderna e acolhedora, em tons neutros de bege e verde suave. Uma janela ampla deixava entrar a luz da tarde, e plantas verdes acrescentavam vida ao espaço. Jorge respirou fundo, absorvendo tudo. A beleza do lugar estava não apenas na decoração, mas na forma como parecia acolhê-lo.
— Tens bom gosto… — murmurou, tentando disfarçar o deslumbramento.
Henrique sorriu, sem dizer nada. Sabia que o espaço falava por si.
Continuaram a visita. O restante da casa era nos mesmos tons, os quartos, a cozinha moderna, mas havia um quarto decorado com temas infantis: cortinas com desenhos, uma estante com livros coloridos, peluches cuidadosamente dispostos — que fez o coração de Jorge tremer, mas não disse nada. Henrique percebeu o olhar, mas também não comentou. Havia tempo para perguntas. Tempo para respostas.
Voltaram à sala de mãos dadas. Jorge olhou à volta da sala, absorvendo o silêncio acolhedor.
— Adorei a casa! É linda! Grande! — disse Jorge, agora com a voz mais calma. — Consegues imaginar-te aqui… com filhos? — perguntou, quase sem querer.
Henrique virou-se para ele, o olhar mais sério do que o esperado. Já se via ali com Jorge, partilhando aquele espaço com uma ninhada de filhotes — fossem ómegas ou alfas, para ele o género não importava. Amaria todos com o mesmo fervor.
— Consigo. Facilmente. — Fez uma pausa. — Contigo.
Henrique sentiu o corpo de Jorge estremecer e puxou-o para um abraço apertado.
— Quero-te na minha vida. Agora que te achei, não te vou deixar fugir. Procurei-te durante trinta anos, lobinho. Não te largo mais.
As palavras tocaram fundo. Jorge não conseguiu conter as lágrimas, que escorriam silenciosas pela face, assustando Henrique.
— Lobinho! Que foi que eu fiz ou disse? Acalma-te… fala comigo! — pediu, aflito.
— Foi o que disseste… não o que fizeste — respondeu Jorge, com a voz embargada. — Eu não vou fugir. Eu não quero fugir. Só espero que tu não fujas… depois de eu te contar a minha vida.
Henrique apertou-o contra o peito, acariciando-lhe as costas com ternura.
— Porque achas que eu fugiria? Nunca. Seja qual for o teu passado. Tu mesmo disseste há pouco: o passado é passado, e é lá que vai ficar.
Jorge foi acalmando aos poucos, envolto no calor do abraço, no som do coração de Henrique, na certeza de que ali havia espaço para ele — inteiro, com todas as suas histórias.
— Eu amo-te muito, Henrique. Muito mesmo. Como nunca pensei ser possível amar… e em tão pouco tempo. Quero ser teu. O meu coração e a minha mente já tens. Vais ter também o meu corpo… só te peço um pouco de paciência.
Henrique sorriu, o peito aquecido por uma ternura intensa, e beijou-lhe a testa com delicadeza — sentindo naquele gesto uma promessa silenciosa de cuidado e pertença.
— Todo o tempo que precisares, meu amor. Eu espero. Porque tu… vales cada segundo. Quero-te a ti, não só ao teu corpo. Mas agora… vamos tomar banho! — disse Henrique, com um sorriso suave, tentando mudar o rumo da conversa. Percebera a sombra de tristeza nos olhos do ómega, e isso não lhe agradava nem um pouco.
— Os dois? — Jorge corou ao perguntar, a voz soando mais como uma sugestão tímida do que uma dúvida.
— Aí está uma boa sugestão — brincou Henrique, adorando o rubor no rosto do ómega. — Queres tomar banho comigo? Eu iria adorar… só não prometo que consiga manter as mãos quietas.
— Tonto! Se me prometeres que são só as mãos, eu aceito tomar banho contigo.
Henrique não respondeu. Apenas fez-lhe uma leve carícia numa das bochechas redondas, agora intensamente vermelhas. Depois, pegou-lhe na mão e levou-o ao quarto, mostrando-lhe onde ficava a casa de banho.
— Podes entrar, fica à vontade. Vou buscar toalhas limpas, não demoro — disse num tom suave, os olhos pousados no rosto de Jorge, que corava visivelmente, o rubor crescendo a cada segundo.
— Eu… posso ficar de roupa? — a voz de Jorge saiu entrecortada, tímida, e isso pareceu enternecer ainda mais Henrique. O alfa percebeu o nervosismo do rapaz, o modo como os dedos brincavam com a bainha da camisola. — Desculpa… tenho vergonha. Nunca estive assim… com alguém.
— Não te preocupes, lobinho. Aos poucos vais-te habituando. Quero ver-te como tu és. Um dia vais confiar em mim para isso. Vai entrando, eu já venho.
Henrique saiu e o silêncio ficou.
Jorge parou, hesitante, olhando para a porta fechada e sentindo o coração bater mais rápido no peito. O rosto ardia e as mãos estavam inquietas. Respirou fundo, tentando afastar o medo que lhe apertava o estômago. Caminhou até à casa de banho, cada passo uma pequena vitória sobre a insegurança. Sentia-se vulnerável, mas havia também uma curiosidade crescente, uma ansiedade doce pelo que estava prestes a acontecer.
Entrou e deixou-se envolver pelo ambiente calmo, determinado a não deixar a vergonha vencer.
A casa de banho era impressionante — uma banheira freestanding num canto, um duche envidraçado amplo com banco embutido, mármore escuro no chão e luz natural a entrar pelas persianas brancas. Elegante e acolhedora ao mesmo tempo.
Jorge respirou fundo. A vergonha ainda existia, mas havia algo maior: a vontade de pertencer. De partilhar. De confiar.
Resoluto, despiu-se, colocando a roupa cuidadosamente sobre a cadeira no canto. Entrou no duche e abriu a água. O som constante da queda líquida abafava o mundo à volta, e, de costas para a porta, não percebeu quando Henrique entrou.
O alfa parou, admirando-o por um instante, sentindo o coração apertar entre desejo e ternura. Aproximou-se silenciosamente e pousou um beijo suave no ombro do rapaz.
Jorge sobressaltou-se, virou-se de repente — e corou ao ver Henrique nu diante de si.
— Desculpa… não queria assustar-te — disse Henrique, a voz baixa, mas sem conseguir desviar o olhar. como a água deslizava pela pele de Jorge, realçando-lhe a silhueta. Notou a timidez misturada com curiosidade nos olhos do ómega, que por um instante hesitou ao encarar o reflexo de si mesmo no olhar do outro.
O momento ficou suspenso — delicado, íntimo — entre o embaraço e a descoberta.
— Jorge… — chamou Henrique, com suavidade. — Queres que eu saia? Desculpa… só queria partilhar este momento contigo, tomar banho ao teu lado. Queria que me visses como sou, e que eu pudesse ver-te também. Mas se preferires, eu saio.
O cheiro a morangos tornou-se estranho, o medo e a ansiedade instalavam-se, tornando o ar mais pesado.
O alfa recuou um passo — mas foi detido por uma mão pequena que lhe segurou o braço com firmeza.
— Não! Fica… desculpa. Só não contava contigo agora e assustei-me — disse Jorge, respirando fundo, o rubor subindo-lhe ao rosto. Os olhos, inquietos, desviavam-se e voltavam, como se lutassem entre a timidez e a curiosidade.
Um leve tremor percorreu-lhe o corpo, e ele abanou a cabeça como quem afasta sombras antigas.
Henrique sorriu, compreensivo, e acariciou-lhe o rosto molhado pela água.
— Lobinho… só acontecerá quando tu quiseres, ao teu ritmo. Eu saberei esperar. E sabes… há coisas que foram feitas umas para as outras, que encaixam na perfeição. Só tens de confiar em mim.
O olhar de Jorge suavizou-se.
Ainda havia vergonha, ainda havia receio, ainda havia fantasmas — mas por baixo disso começava a nascer algo mais forte: confiança.
— Eu não tinha tanta certeza assim! — murmurou, num fio de voz. — Tenho medo… sei que vai doer.
Henrique ouviu o medo escondido nas palavras. Sem dizer nada, pousou a mão no ombro de Jorge — apenas isso. E esperou.
— Ei… não confias em mim? — perguntou com doçura. — Não posso prometer que não vá doer, seria mentir. Mas prometo que farei tudo para que seja o mais suave possível.
Jorge respirou fundo, tentando aliviar o peso da conversa.
— Confio em ti, sim… mas esquece isso por enquanto! — disse, com um sorriso tímido. — Já que aqui estás… que tal dares banho ao teu ómega?
O brilho divertido nos olhos de Henrique foi imediato.
— Com todo o gosto.
Henrique pegou no gel de banho e começou a espalhar espuma pelas costas de Jorge com movimentos lentos e cuidadosos. Jorge fechou os olhos, sentindo cada tensão ceder ao toque. Quando as mãos chegaram à cintura, demoraram-se ali um instante. Henrique inclinou-se e pousou os lábios na nuca dele — um beijo breve que não pedia nada. Jorge encostou-se ligeiramente para trás — e pela primeira vez, não sentiu medo do que viria a seguir.
O aroma do ómega subiu no ar, doce e quente, envolvendo Henrique num convite silencioso. O instinto despertou de imediato — o lobo dentro dele rosnava baixinho.
O corpo de Jorge respondeu antes que ele próprio percebesse, o cheiro intensificou-se, espalhando-se pelo vapor do duche.
As mãos do alfa demoraram-se nas curvas do corpo dele, não com pressa, mas com intenção — como se quisesse memorizar cada detalhe, cada reação, cada arrepio. Jorge, envergonhado, mas entregue, deixava-se cuidar, os olhos semicerrados, o peito a subir e descer num ritmo irregular. Quando Henrique o virou de frente, o mundo pareceu encolher à volta deles.
O alfa retomou a lavagem pelo peito, e o toque encontrou pontos sensíveis que arrancaram de Jorge pequenos sons involuntários — suaves, frágeis, impossíveis de esconder.
O rubor subiu-lhe ao rosto, mas não recuou.
A esponja desceu pelo abdómen, e Henrique notou uma pequena cicatriz, mas não fez perguntas, apenas passou por ela com um toque mais leve, como quem respeita uma história que ainda não foi contada.
Quando o alfa se ajoelhou, o ar parecia ficar mais pesado; esse gesto não revelava submissão, mas sim uma devoção profunda, um reconhecimento silencioso do valor daquele ómega.
Henrique ergueu o olhar, procurando o de Jorge, como se pedisse permissão.
O silêncio entre eles era quente, vivo, cheio de promessa.
A água caía como um véu, e o suspiro trémulo de Jorge foi a resposta que o alfa precisava.
Quando sentiu o toque suave, Jorge deixou cair a última defesa, o último medo, e entregou-se ao que sentia. O calor envolvia-o, misturando-se ao aroma fresco do gel de banho e ao vapor que se espalhava pelo duche, criando uma atmosfera densa e quase hipnótica. O ritmo crescente da boca de Henrique, aliado ao som da água a cair em cascata, fazia com que cada respiração de Jorge se tornasse mais profunda, os pulmões cheios de uma ansiedade doce. Os dedos de Henrique seguravam-lhe as ancas, firmes, mas cuidadosos, guiando-o, mantendo-o ancorado no momento, enquanto os batimentos cardíacos de Jorge ecoavam no peito, acelerados, acompanhando o compasso das emoções e das pequenas reações físicas — um arrepio na pele, um suspiro entrecortado, uma sensação de pertença que se intensificava a cada instante.
Jorge fechou os olhos, perdido entre o pudor e o prazer, sentindo-se visto, desejado, adorado, onde cada gesto era uma descoberta, cada arrepio uma revelação. O mundo parecia reduzir-se àquele instante: a respiração acelerada, o coração em descompasso, o prazer a crescer até se tornar inevitável.
O corpo dele arqueou num reflexo puro, instintivo, e o nome escapou-lhe num grito arrancado da alma.
— HENRIQUEEE… AAAHHHHH!!!!... Tão bom…
Henrique levantou-se devagar, segurou o rosto de Jorge entre as mãos e beijou-o, um beijo quente, profundo, em que as línguas se encontraram como se já se conhecessem há vidas.
— Adorei a tua expressão quando te entregaste… — murmurou Henrique, ainda colado à boca dele. — Quero vê-la muitas vezes. Obrigado por confiares em mim.
Jorge sorriu, tímido, mas leve, como se algo dentro dele tivesse finalmente encontrado lugar.
— Foi… incrível. Muito melhor do que quando estou sozinho.
O alfa sorriu, satisfeito, o lobo ronronando dentro dele.
— Ah, então o meu menino brincava muito sozinho? — Henrique provocou, dando-lhe uma leve palmada.
— Antes não muito… agora um pouco mais. — Jorge corou.
— Agora mais?
— Desde que te conheci. — Deu-lhe um beijo rápido na face, com um ar matreiro. — Mas agora… é a minha vez.
Jorge pegou na esponja que Henrique deixara no chão, espalhou mais gel e começou a lavar o corpo do alfa, imitando os gestos que recebera, passou calmamente pelas costas largas, pelas pernas fortes, pelas nádegas firmes, depois subiu ao peito musculado, coberto por uma penugem que o fascinava.
Parou por um instante.
Cada toque era lento, quase reverente, como se quisesse memorizar cada detalhe.
O silêncio era absoluto.
Ao chegar ao abdómen, Jorge deteve-se, o vapor quente envolvia-os, trazendo consigo o aroma leve do gel de banho misturado ao cheiro íntimo de pele e desejo, a palma da sua mão deslizou devagar, sentindo o calor que emanava do corpo de Henrique.
Os olhos de Jorge procuraram os de Henrique — e nesse breve encontro, viu a expectativa e o desejo brilhando no olhar do alfa, o turbilhão de emoções era palpável: nervosismo, antecipação, e uma confiança crescente alimentada pelo silêncio cúmplice entre ambos.
Enquanto continuava a lavagem, cada movimento de Jorge era guiado por uma atenção quase devota: sentia a textura da pele, a mudança de temperatura quando a água escorria, o arrepio que surgia ao passar pelo peito.
A mão de Jorge desceu para a intimidade de Henrique, o primeiro contacto foi hesitante, carregado de dúvidas — mas o gemido baixo que ecoou dissipou qualquer receio.
O som, tão profundo e honesto, encheu Jorge de uma coragem nova, sentiu uma sensação de pertença, como se naquele momento tudo estivesse permitido.
— Ahh… ahhh…
Era Henrique — e também o seu lobo. Jorge ria, e o próprio lobo parecia responder-lhe. Sem retirar a mão, hesitou por um instante, enquanto o coração lhe acelerava, a respiração se tornava pesada e o vapor parecia prender o ar à volta deles.
Com um nervosismo palpável, inclinou-se devagar, aproximando-se de Henrique como quem pisa território desconhecido, deixando-se guiar pela curiosidade e pelo desejo de agradar.
O gesto, tímido e cuidadoso, revelava um misto de inexperiência e vontade; cada centímetro conquistado era quase uma descoberta, e o breve roçar dos lábios na pele de Henrique carregava uma reverência silenciosa, como se naquele momento o mundo se resumisse ao espaço entre ambos.
Um suspiro escapou ao alfa.
Jorge, ao sentir a resposta, encontrou novas forças para continuar,
— Lobinho… a tua boca… tão quente… — murmurou Henrique, a voz entrecortada. — Lobinho… estou quase… — tentou avisar, mas Jorge manteve-se firme, determinado, e quando o prazer atingiu o seu auge, ouviu o nome ser chamado com uma intensidade que o fez sorrir por dentro.
Henrique levantou-o, ainda ofegante, e segurou o rosto de Jorge entre as mãos, beijando-o com calor e gratidão.
— Ia perguntar se fiz bem…, mas acho que já sei a resposta — disse Jorge, com um sorriso brincalhão.
— Foste incrível, Lobinho. O melhor que já senti. Vou ficar viciado na tua boca.
Jorge aninhou-se contra ele, ainda a recuperar o fôlego.
— Gostei de fazer…, mas a minha boca está a queixar-se. Acho que vou sobreviver.
Henrique sorriu, tocado pela naturalidade do momento.
— Mas… — começou ele.
— Tu és grandinho… e a minha boca é pequena — Jorge interrompeu, meio sério, meio provocador.
— Desculpa, não…
— Não te atrevas a dizer que não me voltas a pedir. Ou juro que te bato. Ou deixo de te contar como me sinto.
Henrique puxou-o de volta para os braços.
— Quero que sejas sempre sincero comigo. Que me contes tudo. E sim… vou continuar a pedir-te. Adorei a tua boquinha.
— Ótimo. Eu confio em ti. Mas não exageres. Quando eu assumir fazer uma coisa… é porque tenho a certeza do que quero.
— Obrigado por confiares. Registei a mensagem. Agora… vamos acabar o banho e descansar.
Deitaram-se nus, cada um de um lado da cama, mas Henrique sentia falta do calor do seu pequeno.
— Lobinho… vem mais para perto — pediu, abrindo os braços.
Jorge não hesitou, aconchegando-se no abraço do alfa, deitando a cabeça sobre o seu peito, sentiu os cabelos serem beijados, e uma mão brincar com eles, entrelaçando-se nos fios com carinho.
Gostou do toque.
Gostou da entrega silenciosa.
🍃 🍃 🍃
A noite avançara quando Jorge, ainda enroscado no peito de Henrique, quebrou o silêncio.
— Amor… quero que me prometas uma coisa — disse, a voz baixa, quase um sussurro.
Henrique ficou estático.
O nome carinhoso ecoou dentro dele como uma revelação.
— Que me chamaste?
— Amor… porquê? Desculpa, não gostaste? Fui abusado demais? — perguntou Jorge, e no seu rosto surgiu o medo de ter ido longe demais.
— Nada disso — respondeu Henrique, com um sorriso suave. — Adorei. Quero que me chames mais vezes.
Ergueu o rosto corado do ómega pelo queixo e depositou-lhe um beijo casto nos lábios.
— Amor… amor… vou chamar mais vezes, sim! — disse Jorge, com um sorriso tímido, mas firme. — Mas agora vais prometer-me que vais deixar de ter medo. Que não te vais retrair e que vais fazer o que te apetecer. Não vou fugir. Quero que sejas tu mesmo, sem medos.
Respirou fundo.
— Sei que tens receio de fazer algo que eu não goste, por causa do meu passado… mas ao pé de ti eu estou confiante. Sinto-me protegido. E sinto que tu te retrais. Não quero isso. Prometes?
— Prometo que serei eu mesmo — respondeu Henrique, com a voz serena. — Desde que me prometas que haverá sempre diálogo entre nós. Se eu fizer algo que não gostes, ou que não querias, diz-me.
— Prometido — murmurou Jorge, deixando um beijo leve no peito do alfa. — Só te peço que confies em mim.
— Mas eu confio. Ou não estarias aqui comigo — disse Henrique, com convicção.
Um sorriso maroto surgiu-lhe nos lábios.
— Então posso fazer o que eu quiser?
A voz saiu rouca, carregada de desejo, e soou como uma provocação aos ouvidos do ómega.
— Isso dito assim… posso mudar de ideias… — respondeu Jorge, com um brilho brincalhão.
A resposta descontraída acalmou Henrique. O corpo do seu lobinho já não tremia — estava entregue, confiante.
— Agora é tarde… — murmurou Henrique, num tom suave. — Deita-te de barriga para baixo e levanta um pouco as ancas para mim. Diz-me se não te sentires confortável, ok?
Jorge obedeceu sem hesitar, embora a posição o deixasse envergonhado, mas não havia medo.
Havia confiança.
Não só dele, mas do lobo também. O aroma de morangos preencheu o quarto, envolvendo ambos numa sensação delicada de proximidade. O lobo de Henrique reagiu, agitando-se, animado com o aroma doce.
Virou a cabeça para trás e viu Henrique ajoelhado atrás de si, o olhar atento, respeitoso, mas cheio de desejo contido.
Os olhos de Henrique denunciavam que o lobo também estava presente. Jorge sentiu o seu próprio lobo inquieto, impaciente, como se quisesse libertar tudo o que guardava.
Sentiu os lábios do alfa tocarem-lhe a pele com delicadeza — beijos, mordidas suaves, carícias que o faziam arrepiar. Um dedo deslizou até à sua entrada, explorando com movimentos circulares, uma pressão leve, sem invadir.
Era apenas toque, descoberta, promessa — e o corpo de Jorge reagia com prazer.
O corpo traiu-o antes da mente — um arrepio que começou na base da espinha e subiu até ao pescoço, deixando-o desorientado entre o pudor e o querer mais.
Até que, de repente, o toque cessou.
— Humm… não… — gemeu Jorge, a voz entre o receio e o desejo.
— Queres que pare? — perguntou Henrique, já sabendo que a resposta viria no silêncio.
A língua entrou em ação, explorando com delicadeza, contornando a pele sensível com movimentos lentos.
Jorge ia pedir que não continuasse, mas calou-se ao sentir o calor, a suavidade, o gesto íntimo que o fazia perder o fôlego.
— Ahh… bolas… continua… — murmurou, rendido.
Henrique deixou que uma mão envolvesse o membro, massajando com cuidado, sentia-o perto do limite, e arriscou: introduziu um dedo, devagar, respeitoso, mas firme.
— Aí… dói… hum… aí… — Jorge contraiu-se, o corpo reagindo primeiro com dor, depois com prazer.
O que antes fora sinónimo de dor física e profunda transformava-se agora numa fonte de prazer intenso — onde o contraste entre ambos elevava cada sensação.
Aos poucos, quando Henrique encontrou o ponto certo, a tensão foi cedendo lugar ao êxtase.
— Meu Deus, Henrique… isso aí mesmo… mais… hummm… Heennrique…
Depois, exausto e feliz, deixou-se cair ao lado do alfa, puxando-o para si, aninhando-se no seu abraço.
— Obrigado… foi ótimo — disse Jorge, a voz ainda trémula, mas cheia de ternura.
— Não te assustei? Magoei-te um pouquinho, não foi? — perguntou Henrique, a ansiedade visível no olhar.
— Não me assustaste. Doeu um pouco no início… mas adorei. Quero esse Henrique — o atrevido, o sem medo — aquele em quem eu confio — respondeu Jorge, com um sorriso tímido, mas firme.
— Vais ter — murmurou Henrique, beijando-lhe os cabelos. — Adorei provar-te. És doce…
Os corpos colaram-se, Jorge de costas, encaixado no peito do alfa, sentindo o calor e o cheiro dos dois misturarem-se.
A respiração de Henrique era profunda, tranquila, e Jorge sentia-se seguro ali. Mas sem saber bem porquê — talvez instinto, talvez provocação — começou a mover-se ligeiramente, mexendo o quadril com suavidade, e a resposta não se fez esperar: um suspiro baixo, um aperto mais firme na cintura.
Jorge sorriu. Não apenas pelo prazer, mas pela certeza de que ali havia amor, desejo e confiança.
— Sabes o que estás a fazer… — murmurou Henrique ao ouvido de Jorge, a voz rouca, o corpo já em tensão.
— Não sei… mas agrada-me. E algo me diz que não sou o único a gostar — respondeu Jorge, atrevido, sem parar os movimentos suaves.
— Malandro… Lobinho, para, por favor. Não sou de ferro— Henrique tentou afastá-lo, a respiração já descompassada.
— Ainda bem que não és — provocou Jorge.
— Para… não estou preparado — disse Henrique, com esforço.
Jorge parou, o corpo ainda quente, mas o olhar agora sério.
— Não me queres? É isso?
— Desejo-te muito, meu lobinho. Desejo entrar em ti. Mas quando digo que não estou preparado, não me refiro ao corpo. Esse está mais do que pronto.
Henrique respirou fundo.
— Não tenho comigo lubrificante, nem preservativos. Não os quis comprar sem falar contigo. Não queria que pensasses que te estava a pressionar. Quero que a tua primeira vez seja perfeita.
Jorge ficou em silêncio por um momento, absorvendo cada palavra. Depois, os olhos brilharam com uma emoção que não era apenas desejo — era amor, uma certeza que se instalava.
— Então trata de os comprar logo. Nunca se sabe o que pode acontecer…
— Posso mesmo? — perguntou Henrique, com esperança.
— Se eu dissesse que não… tu comprarias? — Jorge olhou-o nos olhos, firme.
— Não compraria. Já te disse que te desejo, e muito. Mas quero que saibas que não é só isso que quero de ti. Quero-te como um todo. Sei que há algo no teu passado que te magoou, e não quero ser mais uma ferida. Quero ser quem te ajuda a curar. Percebido, meu lobinho?
— Percebido. E obrigado… por perguntares, por me incluíres, por me dares escolha. Sim, podes comprar.
Henrique sorriu, sentindo a emoção pulsar à flor da pele. Envolveu Jorge nos braços, aconchegando-o contra o seu peito, e inclinou-se para lhe beijar a nuca.
— Agora fica quietinho… não tenhas medo. Preciso de aliviar-me. Tu deixas-me louco, sabias? Posso… aproximar-me assim?
A resposta de Jorge não veio em palavras, mas no gesto de se encaixar melhor, oferecendo o corpo com confiança.
Henrique friccionava-se entre as nádegas de Jorge, os movimentos lentos, mas carregados de urgência. O corpo do alfa tremia de desejo, e não demorou até se deixar levar.
— Obrigado por me deixares usar-te desta maneira — murmurou Henrique, ainda ofegante, puxando Jorge para si.
Mas logo sentiu uma pequena palmada no braço e ouviu uma voz firme, embora doce:
— Ei… não voltes a usar essa frase comigo. Não gostei de ouvir. Não me sinto usado. Apenas te dei prazer, tal como tu me deste a mim. Somos dois. O que importa é que nós gostemos. Confio em ti. É este Henrique que eu quero.
Henrique ficou imóvel por um instante, tocado pela clareza e pela firmeza com que Jorge o corrigiu — sem raiva, apenas com a certeza de quem sabe o que merece. Sorriu, beijou-lhe a cabeça com carinho e deixou-se relaxar.
— Certo, meu lobinho. Tens toda a razão. Vamos dormir. Amo-te muito.
— Também te amo — respondeu Jorge, aninhando-se no peito do alfa, como se aquele espaço fosse o seu lugar no mundo.